Tag: milho

  • Commodities: Brasil, guerra comercial e clima definem preços em 2026

    Commodities: Brasil, guerra comercial e clima definem preços em 2026

    O mercado global de commodities enfrentará em 2026 um cenário de incertezas políticas e climáticas que definirão os preços de produtos agrícolas essenciais. A Hedgepoint Global Markets lançou seu relatório anual “Mercado de Commodities: Retrospectiva 2025 e Perspectivas 2026”, que identifica os principais riscos e oportunidades para o setor.

    As políticas tarifárias do governo americano devem redesenhar fluxos comerciais globais, com a relação EUA-China mantendo-se como epicentro das tensões geopolíticas. No Brasil, as eleições presidenciais e legislativas de outubro surgem como o principal vetor de volatilidade em mercados emergentes, segundo o documento.

    Juros e política monetária impactam commodities

    Bancos centrais buscarão equilibrar controle inflacionário e estímulo ao crescimento. O Federal Reserve e o Banco Central Europeu devem estabilizar taxas após os cortes realizados em 2025. No Brasil, a Selic pode encerrar 2026 em torno de 12%, com espaço para reduções condicionadas à ancoragem das expectativas de inflação.

    “Esse pano de fundo macroeconômico e geopolítico será determinante para os mercados de commodities, que também enfrentam desafios próprios ligados à oferta, demanda e clima”, ressalta Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado na Hedgepoint.

    Açúcar

    O mercado de açúcar registrou tendência baixista em 2025. O Centro-Sul brasileiro apresentou bons resultados de moagem com mix açucareiro elevado, gerando produção robusta. No Hemisfério Norte, perspectivas positivas de produção reforçaram o sentimento de baixa.

    O clima durante o desenvolvimento da safra 26/27 no Brasil será determinante para moagem e qualidade. A paridade entre etanol e açúcar pode alterar o mix das usinas, elevando ou reduzindo a produção conforme a rentabilidade de cada produto.

    A colheita 25/26 no Hemisfério Norte e, principalmente, as decisões da Índia sobre cotas de exportação serão cruciais para os fluxos comerciais no início do ano.

    “Entramos 2026 com um balanço confortável, mas altamente sensível ao mix no Brasil e às decisões da Índia. Uma leitura fina de paridade etanol-açúcar será essencial para mapear preços e janelas de hedge”, diz Carlos Murilo Mello, Head de Açúcar e Etanol da Hedgepoint.

    Cacau mantém volatilidade com oferta incerta

    O mercado de cacau registrou forte volatilidade em 2025. A safra 24/25 sofreu com restrições de produção na África Ocidental, associadas a clima adverso e problemas estruturais. Preços elevados reduziram a moagem, principal indicador de consumo.

    Apesar da perspectiva de superávit em 25/26, o clima na África Ocidental continuará crítico. Períodos sem chuva entre abril e junho de 2026 podem afetar volume e qualidade na transição entre a safra principal e a intermediária, sustentando preços.

    “O cacau permanece um mercado muito sensível. Melhora de produção em África Ocidental e Equador aponta para superávit, mas o clima e a elasticidade da demanda ao preço exigem cautela”, avalia Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Café: volatilidade extrema e recordes de preço

    O café enfrentou um ano desafiador em 2025, com volatilidade extrema e recordes de preço no primeiro semestre. Menor produção brasileira e estoques globais apertados pressionaram cotações. As tarifas americanas em julho adicionaram incerteza ao mercado.

    A partir de janeiro de 2026, a chegada ao mercado da safra 25/26 de América Central, Oeste Africano, Vietnã e Colômbia tende a aumentar a oferta, permitindo leve recomposição dos estoques e trazendo possível pressão nas cotações.

    A colheita brasileira 26/27, prevista para meados de 2026, deve registrar provável aumento de produção, ampliando estoques e trazendo pressão baixista. O mercado seguirá atento ao ritmo de comercialização do Brasil e a eventuais desafios climáticos.

    “A recomposição de estoques no início do ano não elimina a volatilidade. Brasil continua sendo o pêndulo, e qualquer surpresa climática pode reprecificar rapidamente a curva”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Soja: China e biodiesel americano no radar

    O complexo soja (grão, farelo e óleo) registrou mercado lateralizado em 2025 por forças opostas de oferta e demanda. Safra recorde na América do Sul contrastou com tendência de safra menor nos EUA. A menor demanda pela soja americana durante a guerra comercial competiu com o crescimento do esmagamento e a perspectiva de aumento da mistura de biocombustíveis.

    O volume que a China comprará de soja norte-americana na temporada 25/26 define parte importante do mercado, após o compromisso de compras de pelo menos 25 milhões de toneladas ao longo do ano.

    A indefinição sobre biodiesel nos EUA em 2025 empurra efeitos para 2026, com impacto estrutural sobre óleos vegetais e farelo. Clima irregular em momentos de plantio e desenvolvimento em Brasil e Argentina gera dúvidas sobre o potencial real de produção sul-americana.

    “A dinâmica do complexo soja em 2026 vai depender especialmente de três engrenagens: China, biodiesel nos EUA e clima na América do Sul e EUA. O timing de cada uma pode trazer um ambiente diferente da lateralidade registrada na maior parte de 2025”, diz Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

    Milho e trigo: produções crescentes pressionam cotações

    Os EUA colheram em 2025 a maior safra de milho da história, resultado de aumento de área e clima favorável. As exportações superaram expectativas pela competitividade de preço. No trigo, grandes produtores ampliaram produção, elevando a oferta global a níveis recordes.

    Se o clima ajudar na América do Sul, Brasil e Argentina podem elevar produção de milho na safra 25/26. O fenômeno La Niña traz risco, sobretudo para a safra argentina entre janeiro e fevereiro.

    No Brasil, atrasos no plantio da soja no quarto trimestre de 2025 podem postergar o milho safrinha no primeiro trimestre de 2026, elevando risco climático. Ainda assim, a tendência aponta aumento de área, potencialmente resultando em nova grande produção.

    Margens apertadas do algodão podem levar a migrações de áreas para o milho na segunda safra. A demanda por etanol de milho ganha tração com novas plantas previstas para 2026.

    “O binômio clima-área segue no comando. O avanço do etanol de milho no Brasil adiciona um novo piso de demanda, enquanto o mix de culturas nos EUA será decidido pelo pulso de preços até março”, explica Luiz Roque.

    Óleo de palma: Indonésia e Malásia elevam produção

    Indonésia e Malásia registraram grandes produções em 2025. China e Índia reduziram importações, pressionando os preços e invertendo o spread frente ao óleo de soja.

    China e Índia devem reacelerar importações em 2026, dando suporte aos preços. A Indonésia pode implementar B50 (mistura de biodiesel a 50%), elevando consumo doméstico e reduzindo oferta exportável.

    O fenômeno La Niña com chuvas acima da média no Sudeste Asiático pode atrapalhar logística até fevereiro, afetando prêmios e disponibilidade.

    Geopolítica adiciona risco a logística e energia

    Tensões geopolíticas voltaram a ganhar destaque em 2025 e adicionaram volatilidade ao petróleo. O conflito entre Israel e Irã elevou o risco de escalada militar para além do Oriente Médio.

    No leste europeu, a continuidade do conflito Rússia-Ucrânia reabriu o debate sobre financiamento europeu ao lado ucraniano, enquanto os EUA recuaram na busca por um acordo definitivo.

    O mapa de risco permanece ativo em 2026, com custos logísticos, prêmios de risco e fluxos alternativos no radar de tradings e indústrias.

  • Demanda por etanol e ração sustenta alta do milho no Brasil e em Chicago

    Demanda por etanol e ração sustenta alta do milho no Brasil e em Chicago

    O milho manteve a trajetória de valorização no início de dezembro, tanto no mercado internacional quanto no doméstico. Isso de acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A demanda firme pelo grão, especialmente para ração e produção de etanol, continua sustentando os preços no Brasil.

    Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho encerrou novembro com a terceira valorização mensal consecutiva, acumulando alta de 2,1% e cotação média de US$ 4,30 por bushel. Nos primeiros dez dias de dezembro, o cereal manteve o viés positivo, avançando mais 1,1%, para cerca de US$ 4,35 por bushel. Além de acompanhar o desempenho da soja, o milho norte-americano foi favorecido pela forte demanda externa, mantendo-se competitivo frente a origens como Brasil e Argentina.

    Mercado interno

    No mercado interno, os preços também subiram. Em Sorriso (MT), referência para o milho brasileiro, o grão valorizou 2,8% em novembro, alcançando R$ 50 por saca, e somou mais 3,1% na primeira quinzena de dezembro, chegando a R$ 51,30 por saca. A demanda doméstica aquecida atuou como principal pilar de sustentação, impulsionada pelo aumento no consumo para rações animais e produção de etanol.

    Apesar do ritmo de exportações abaixo do esperado no início da temporada, a menor intensidade dos embarques não exerceu pressão sobre os preços, já que o consumo interno tem absorvido parte da oferta. O Itaú BBA destaca ainda que as preocupações com o plantio da segunda safra, especialmente em regiões com atraso na colheita da soja e riscos climáticos, também ajudam a segurar as cotações na curva futura da B3.

    Os próximos dias serão decisivos para a definição da janela de semeadura da segunda safra e dos investimentos no cultivo de milho. A área plantada dependerá diretamente dos preços de mercado, do avanço da soja e das condições climáticas nas principais regiões produtoras.

  • Milho, feijão e cacau puxam alta da produção agrícola baiana em 2026

    Milho, feijão e cacau puxam alta da produção agrícola baiana em 2026

    A produção agrícola da Bahia deve crescer em 2026, impulsionada principalmente pelas safras de milho, feijão e cacau, segundo projeção divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão estima aumento em 15 das 26 culturas acompanhadas no estado, na comparação com 2025.

    O milho deve registrar expansão de 8,1%, alcançando 156 mil toneladas adicionais. O feijão deve ter o maior avanço percentual, com alta de 35,3% — equivalente a 116,9 mil toneladas. Já o cacau deve somar 6,3 mil toneladas a mais, crescimento de 5,3% em relação ao ano anterior.

    A Bahia deve continuar como o segundo maior produtor de algodão do Brasil, representando 17% da produção nacional, atrás apenas do Mato Grosso. Os dados fazem parte do segundo prognóstico do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE em dezembro.

    Para o secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), Pablo Barrozo, o resultado reforça a força do agronegócio baiano. “A previsão do IBGE, com aumento da produção em 15 das 26 safras, reflete o trabalho contínuo de fortalecimento da agricultura baiana. Esses resultados são fruto de investimentos, inovação e apoio aos produtores rurais, consolidando a Bahia como um dos principais polos agrícolas do Brasil”, destacou.

    Safra recorde em 2025 prepara cenário para 2026

    De acordo com o IBGE, a estimativa de novembro manteve em 2025 o recorde histórico da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas na Bahia, com 12,8 milhões de toneladas — alta de 12,8% frente a 2024. Entre as culturas destacadas estão arroz, milho, feijão, algodão, soja e girassol.

    Na comparação com outubro, a produção total de grãos cresceu 0,1%, e o volume colhido representa alta de 18,2% sobre novembro de 2024. O Brasil deve alcançar o recorde nacional de 345,9 milhões de toneladas em 2025. Nesse contexto, a Bahia mantém a 7ª posição entre os maiores produtores de grãos, com 3,7% da produção nacional.

    O levantamento de novembro aponta ainda que 18 das 26 safras investigadas no estado devem encerrar 2025 com crescimento em relação ao ano anterior. A soja lidera em volume absoluto, com acréscimo de 1,07 milhão de toneladas (+14,3%), seguida pela cana-de-açúcar (+699 mil t; +12,6%) e pelo milho da primeira safra (+380,9 mil t; +24,6%).

  • Bayer apresenta resultados da plataforma PRO Carbono

    Bayer apresenta resultados da plataforma PRO Carbono

    A Bayer apresentou, nesta terça-feira, 9, os resultados da plataforma PRO Carbono durante a quarta edição do Carbon Science Talks, realizado na Amcham Brasil, em São Paulo. O evento reuniu empresas, pesquisadores e agricultores para discutir descarbonização das cadeias agrícolas e práticas regenerativas no campo.

    Com apoio de 47 especialistas e 19 instituições, incluindo Embrapa, INTA e INTI, a Bayer desenvolveu metodologias científicas, ferramentas digitais e modelos escaláveis para quantificar emissões e remoções de carbono, orientar práticas de agricultura regenerativa e comprovar impactos ao longo da cadeia.

    PRO Carbono: de programa a plataforma regional

    O PRO Carbono integra atualmente mais de 3 mil agricultores no Brasil, Argentina e Paraguai, cobrindo mais de 3 milhões de hectares de soja, milho e algodão. Nas áreas participantes, práticas como plantio direto, rotação de culturas e cobertura do solo resultaram em:

    • Ganho médio de 11% na produtividade anual
    • Aumento de 9% na estabilidade produtiva
    • Redução de até 50% na pegada de carbono, podendo superar 70% com manejo aprimorado
    • Aumento de 50% no sequestro de carbono, mesmo em condições climáticas adversas

    Até 2025, os projetos já removeram 1,39 milhão de toneladas de CO₂eq, equivalente a 231 mil hectares em reflorestamento. Produtores com maior adoção registraram remoções médias de 2,1 tCO₂eq/ha/ano, acima da média científica de 1,4 tCO₂eq/ha/ano, segundo Marina Menin, diretora do Negócio de Carbono da Bayer para a América Latina.

    Plataforma conecta agricultura, indústria e mercado

    O evento também marcou a evolução do PRO Carbono para uma plataforma regional, reunindo mais de 20 projetos para mensuração de carbono, adoção de práticas regenerativas e comprovação de impactos em escala.

    Um exemplo é a parceria com a Viterra na Argentina, envolvendo 1.200 produtores e 2 milhões de hectares de soja com pegada de carbono calculada. No primeiro ano, as áreas participantes reduziram a pegada em 35%, podendo chegar a 60% com intensificação das práticas. A expansão para o Paraguai está prevista.

    Marcos Quaine, líder de Sustentabilidade da Viterra Conosur, afirma: “A gestão de emissões de carbono deixou de ser tema ambiental para se tornar um atributo estratégico de negócio. O objetivo é escalar soluções com valor para produtores, indústria e consumidores.”

    Ciência, dados e soluções digitais

    A plataforma é habilitada por ferramentas científicas e digitais que reduzem incertezas e garantem rastreabilidade. Entre elas:

    • Footprint PRO Carbono (Embrapa): calcula pegada de carbono e gera relatórios auditáveis
    • PROCarbon-Soil (PROCS): estima potencial de sequestro de carbono no solo
    • Conecta PRO Carbono: sistema MMRV para medir, monitorar, reportar e verificar impactos

    Segundo Marina Menin, “as soluções conectam a cadeia agrícola, apoiam metas de descarbonização do Escopo 3 e garantem rastreabilidade, transparência e credibilidade na ação climática.”

    Finanças sustentáveis para produtores

    Em parceria com o Rabobank, o PRO Carbono oferece incentivos financeiros atrelados a resultados ambientais. Produtores devem cumprir KPIs de ESG, com foco em emissões de gases de efeito estufa e plano de redução. Cada indicador gera desconto adicional na taxa, podendo ultrapassar 0,6%, segundo Taciano Custodio, head de Sustentabilidade da América do Sul no Rabobank.

    “Unimos forças para acelerar a descarbonização da agricultura, oferecendo recursos, conhecimento e ferramentas que geram impacto real e vantagem competitiva para produtores”, afirma Custodio.

    Reconhecimento do mercado

    A Bayer foi uma das vencedoras do Prêmio Eco 2025 da Amcham Brasil, reconhecendo empresas que usam a sustentabilidade como vetor estratégico de competitividade. Em 2025, a plataforma participou de nove premiações do setor, com sete projetos publicados e três premiados, consolidando seu papel na minimização da pegada de carbono e competitividade do agronegócio brasileiro.

  • Produção de grãos no Brasil deve atingir 354,4 milhões de toneladas

    Produção de grãos no Brasil deve atingir 354,4 milhões de toneladas

    A produção brasileira de grãos deve alcançar 354,4 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o terceiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (11). O volume representa um crescimento modesto de 0,6% em relação ao ciclo anterior, com 2,2 milhões de toneladas a mais do que as 352,2 milhões colhidas em 2024/25.

    O aumento na produção resulta da expansão de 3% na área cultivada, que passa de 81,7 milhões de hectares para 84,2 milhões de hectares. No entanto, esse crescimento é parcialmente compensado pela redução na produtividade média nacional, que cai de 4.310 quilos por hectare em 2024/25 para 4.210 quilos por hectare na atual temporada.

    Soja encaminha-se para novo recorde histórico

    A cultura da soja, principal commodity agrícola brasileira cultivada na primeira safra, já alcançou 90,3% da área de plantio prevista. Em Mato Grosso, líder nacional na produção do grão, a semeadura está completamente finalizada, conforme dados do Progresso de Safra publicado pela Conab.

    As condições climáticas marcaram o ritmo do plantio nas diferentes regiões do país. Na primeira quinzena de novembro, chuvas regulares impulsionaram o avanço da semeadura na Região Sul. Enquanto isso, produtores do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Minas Gerais enfrentaram atrasos devido à irregularidade das precipitações. A partir da segunda quinzena de novembro, a normalização do regime de chuvas permitiu a retomada dos trabalhos de campo nessas áreas.

    Para a safra 2025/26, a Conab estima que 48,9 milhões de hectares serão destinados ao cultivo da oleaginosa, gerando uma produção de 177,1 milhões de toneladas. Se confirmado, o resultado representará um aumento de 3,3% sobre o ciclo anterior e estabelecerá um novo recorde nacional.

    Arroz registra queda expressiva; feijão mantém estabilidade

    A produção de arroz deve sofrer retração significativa de 12,4%, com colheita prevista de 11,2 milhões de toneladas. A redução é atribuída às condições mercadológicas desfavoráveis do cereal, que resultaram em menor área cultivada, estimada em 1,62 milhão de hectares.

    No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de arroz, a semeadura atingiu 98% da área destinada à cultura. Em Santa Catarina, segundo principal estado produtor, o plantio já foi concluído.

    Já a produção de feijão permanece estável. Somando as três safras anuais da leguminosa, a Conab projeta aproximadamente 3 milhões de toneladas, volume similar ao ciclo passado e suficiente para garantir o abastecimento interno. O plantio da primeira safra foi finalizado no Paraná e em São Paulo, enquanto avança em outros estados: 93,8% da área em Minas Gerais e 67% na Bahia.

    Milho apresenta leve recuo na produção total

    A produção de milho, considerando as três safras anuais, está estimada em 138,9 milhões de toneladas, queda de 1,5% em relação ao ciclo anterior. Na primeira safra, a semeadura já atingiu 71,3% dos 4 milhões de hectares destinados ao cereal, com produção prevista de 25,9 milhões de toneladas, alta de 3,9% sobre a safra anterior.

    Trigo fecha safra de inverno com resultado positivo

    Entre as culturas de inverno da safra 2025, o trigo se destaca como principal produto. A colheita já alcançou 98% da área plantada, com produção estimada em 8 milhões de toneladas. O volume supera em 0,9% o registrado no ciclo anterior, reflexo das condições climáticas predominantemente favoráveis durante o desenvolvimento da cultura, apesar de adversidades pontuais em algumas regiões.

    Exportações batem recordes e impulsionam economia

    Neste levantamento, a Conab manteve praticamente estáveis as projeções de suprimentos da safra 2024/25 para a maioria dos produtos. Com ajustes pontuais baseados nas atualizações de produção e nas condições de mercado.

    Uma das mudanças significativas refere-se às exportações da safra 2024/25, com incremento de 313 mil toneladas. O total de embarques deve atingir cerca de 106,97 milhões de toneladas até o final de 2025. Porém, esse número ainda pode ser ajustado no próximo levantamento.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de soja em grãos somaram 104,79 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2025, volume que estabelece um novo recorde nacional. O volume supera as 101,87 milhões de toneladas vendidas ao mercado internacional durante todo o ano de 2021. As vendas externas registradas nos 11 meses de 2025 geraram receita de US$ 42 bilhões para o país.

  • Soja e milho iniciam dezembro com ritmos opostos

    Soja e milho iniciam dezembro com ritmos opostos

    As negociações de soja começaram dezembro em ritmo lento, segundo levantamento do Cepea. O movimento ocorre porque compradores e vendedores mantêm grande disparidade entre preços ofertados e pedidos.

    Boa parte dos consumidores está abastecida e espera queda nas cotações, o que reduz o interesse no spot. Ao mesmo tempo, produtores permanecem capitalizados e evitam ofertar novos lotes, enquanto priorizam as atividades de campo.

    Os sojicultores seguem preocupados com possíveis perdas de produtividade. Essa preocupação cresce em regiões que enfrentam déficit hídrico. Colaboradores consultados pelo Cepea avaliam que a safra 2025/26 dificilmente alcançará as 177 milhões de toneladas previstas pela Conab.

    Milho: interesse comprador e retração vendedora elevam preços

    Os preços do milho subiram no mercado interno na última semana, aponta o Cepea. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa, em Campinas (SP), se aproxima de R$ 70 por saca de 60 quilos, patamar nominal visto pela última vez em maio de 2025.

    O avanço ocorre porque o maior interesse comprador se soma à retração vendedora. Produtores focam a semeadura e monitoram o desenvolvimento das lavouras. Em algumas regiões, agricultores demonstram preocupação com o clima quente. Em outras, ainda avaliam efeitos das chuvas de meados de novembro.

    Nesse cenário, agentes limitam a oferta de lotes no spot e aguardam novas valorizações. Do lado da demanda, compradores tentam recompor estoques para o fim do ano e o início do próximo. No entanto, enfrentam preços mais altos pedidos pelos vendedores.

    Alguns compradores evitam o spot e aguardam possíveis quedas nas cotações. Eles se baseiam na proximidade da colheita da safra verão, que deve liberar armazéns e gerar necessidade de caixa, além do maior excedente interno e das exportações abaixo do esperado.

     

  • Soja recua e milho avança na safra 2025/26

    Soja recua e milho avança na safra 2025/26

    A produção brasileira de soja na safra 2025/26 deve alcançar 177,2 milhões de toneladas. Portanto, um recuo de 0,9% em relação à estimativa anterior, segundo atualização divulgada pela StoneX em dezembro. Apesar da correção, o volume ainda representa um recorde histórico para o país.

    De acordo com a consultoria, a revisão está relacionada à menor produtividade em importantes polos produtores, mesmo com leve aumento na área plantada. A irregularidade nas chuvas continua limitando o potencial produtivo em estados-chave do Centro-Oeste.

    Ana Luiza Lodi, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que Mato Grosso e Goiás registraram cortes nos rendimentos esperados. “No maior produtor do país, Mato Grosso, houve até uma leve redução na área plantada, devido aos atrasos e replantios em algumas regiões”, comenta.

    O avanço do plantio nas regiões Norte e Nordeste não foi suficiente para compensar as perdas no Centro-Oeste, que segue determinante para o desempenho nacional. Ainda segundo a analista, o comportamento das chuvas continuará sendo o principal fator para o desenvolvimento da safra. “A consolidação do potencial produtivo dependerá da regularização das precipitações nas próximas semanas”, afirma.

    Milho verão tem alta de 1,9% na nova estimativa

    Enquanto a soja registra leve recuo, a StoneX elevou a projeção da safra de milho verão 2025/26 para 26,1 milhões de toneladas, crescimento de 1,9% frente ao levantamento anterior. O aumento é resultado da expansão de área plantada, sobretudo em estados das regiões Norte e Nordeste, onde o plantio ocorre mais tarde.

    No Sul, o Rio Grande do Sul se destaca pelo bom desenvolvimento das lavouras até o momento, ainda que a consolidação da produtividade dependa das chuvas de dezembro. O clima, segundo a StoneX, seguirá sendo determinante para o fechamento dos números da primeira safra.

    Mesmo representando uma fatia menor da produção nacional frente à segunda safra, o milho verão desempenha papel estratégico no abastecimento interno no primeiro semestre, especialmente em períodos de instabilidade climática.

    Segunda safra de milho recua e total nacional soma 134,4 milhões de toneladas

    Já a estimativa para a segunda safra de milho foi ligeiramente reduzida em 1,1%, passando a 105,8 milhões de toneladas. O atraso no ciclo da soja preocupa o setor, pois pode empurrar o calendário de plantio do milho safrinha para além do ideal, aumentando o risco climático.

    Somando as três safras, incluindo a terceira, prevista em 2,5 milhões de toneladas, a produção total de milho em 2025/26 é projetada em 134,4 milhões de toneladas, volume 0,6% inferior ao divulgado em novembro.

    “Ainda há muitas variáveis em jogo. E o comportamento climático continuará central para a definição do potencial produtivo do milho nos próximos meses”, conclui Ana Luiza Lodi.

  • Paraná colhe a maior safra de todos os tempos

    Paraná colhe a maior safra de todos os tempos

    Imagine os campos paranaenses como um gigantesco cofrinho verde. Neste ano, esse cofre transbordou. O estado acaba de fechar a tampa da sua maior safra de grãos da história, um montante colossal de 46,8 milhões de toneladas que deve gerar um Valor Bruto de Produção (VBP) na casa dos R$ 68 bilhões. Os técnicos do Deral (Departamento de Economia Rural) confirmaram o recorde nesta quinta-feira (27), consolidando o ciclo 2024/25.

    E o que abasteceu esse sucesso? Uma combinação vitoriosa. “A mistura entre clima mais favorável, aumento de área plantada e bom desempenho das culturas elevou o potencial produtivo do Estado”, explica Marcelo Garrido, chefe do Deral.

    Enquanto a soja e o milho dominam o verão, foi a safra de inverno que deu um show à parte. O trigo comandou a temporada, com quase 817 mil hectares plantados. Mas a estrela surpresa veio da aveia. A cultura deu um salto, colhendo 470 mil toneladas – o maior volume da última década. “A aveia merece atenção e acaba contribuindo decisivamente para o recorde histórico”, comemora o engenheiro agrônomo do Deral, Hugo Godinho.

    Soja e milho: os gigantes que carregam a safra nas costas

    Não dá pra falar do recorde sem destacar os pesos pesados. O milho paranaense, sozinho, atingiu a marca inédita de 21 milhões de toneladas. Já a soja, que praticamente concluiu o plantio em 5,58 milhões de hectares, segue com saúde de ferro: 92% das lavouras estão em condições consideradas boas. O clima estável, com menos chuvas, está ajudando as plantas a se desenvolverem com força total.

    E essa fartura de grãos tem um efeito dominó fantástico.

    O efeito cadeia: grãos baratos, proteínas mais fortes

    Com tanto milho e farelo de soja no mercado, os custos de produção para a pecuária despencam. A suinocultura, por exemplo, registrou um dos seus menores custos do ano em outubro. A avicultura de postura também sente o alívio, melhorando a rentabilidade dos produtores de ovos.

    O frango paranaense segue como líder nacional nas exportações, representando incríveis 40,9% do volume que o Brasil vende para o mundo. E as notícias são boas também para a carne bovina e até a de peru, que vive um momento de preços valorizados e volumes em alta.

    Para além dos grãos: os desafios e as cores das frutas

    Nem tudo são flores, ou melhor, nem tudo são grãos. No setor de hortaliças, o inverno longo e a falta de sol trouxe seus desafios. “Isso afeta diretamente o metabolismo das plantas”, observa o engenheiro Paulo Andrade, do Deral. Culturas como batata, cebola e tomate sentiram o impacto, com a cebola, por exemplo, tendo uma redução na área cultivada.

    Mas para adoçar o cenário, as frutas de caroço estão em plena colheita. E a goiaba paranaense merece menção honrosa: o estado é o terceiro maior produtor do Brasil, com um crescimento estratosférico de 205,5% na produção nos últimos dez anos. Um sucesso que vai colorir ainda mais as gôndolas dos supermercados nas próximas semanas.

    A safra recorde do Paraná não é só um número. É um ecossistema inteiro funcionando, do grão que alimenta o mundo à proteína que chega à mesa e a fruta que adoça o dia.

  • Expandir o cultivo de cana, milho e soja em terras degradadas pode triplicar produção de bioenergia

    Expandir o cultivo de cana, milho e soja em terras degradadas pode triplicar produção de bioenergia

    O Brasil possui 100 milhões de hectares (ha) de áreas de pasto degradados, equivalentes a quatro vezes a extensão territorial do Estado de São Paulo. Se pouco mais de 30% dessa área – 36 milhões de ha – fosse usada para expandir o plantio de cana-de-açúcar, milho e soja voltado, especificamente, para produção de bioenergia, seria possível gerar 6,8 exajoules (EJ) de energia por ano, equivalentes ao total de energia renovável produzida mundialmente hoje. O impacto ambiental seria neutro ou negativo, dependendo da região, porque o plantio dessas culturas energéticas nessas terras degradadas promoveria a fixação de carbono no solo.

    Pesquisadores do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), elaboraram as estimativas.

    Mário Murakami, diretor do LNBR, apresentou parte dos resultados do trabalho — já submetido para publicação — durante uma mesa-redonda sobre a bioeconomia como impulsionadora da neoindustrialização e da transformação ecológica da economia brasileira. O Evento aconteceu segunda-feira (17/11) em evento na Casa da Ciência, no Museu Emilio Goeldi, em Belém. E foi realizado paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30).

    “A conversão dessas terras degradadas em lavouras de culturas energéticas pode ter impacto global. Vai contribuir muito para a transição energética do Brasil e do mundo para a bioeconomia. E atingir a meta estabelecida nessa COP de quadruplicar a produção de biocombustíveis globalmente até 2035. Incluindo biocombustíveis líquidos, biogás e hidrogênio de baixa emissão”, disse Murakami à Agência FAPESP.

    Método

    Para chegar à estimativa de 100 milhões de hectares de terras degradadas no país, os pesquisadores utilizaram imagens obtidas por meio de mapeamento de satélite de alta resolução e definiram uma série de critérios, como não estarem situadas em áreas de preservação ecológica, próximas de floresta nativa, de nascente de água ou na transição do Cerrado com a Amazônia.

    “Fomos bastante restritivos para garantir que essas áreas realmente não vão afetar o sistema hídrico, a disponibilidade de água e, muito menos, mata nativa, respeitando toda a legislação ambiental vigente”, afirmou Murakami.

    “Por isso que, do total de 100 milhões de hectares de terras degradadas, somente 36 milhões foram considerados para o plantio de culturas para produção de bioenergia. E os 64 milhões de hectares restantes poderiam ser resguardados para reflorestamento”, explicou.

    Além disso, a análise considerou a logística do cultivo dessas culturas energéticas em terras degradadas conforme a localização, para integrá-las às cadeias produtivas regionais de bioenergia.

    “Talvez em uma determinada região faça mais sentido cultivar milho e soja e em outra cana-de-açúcar. Isso tudo foi muito bem mapeado no trabalho com o intuito de indicar, especificamente, qual cultura se encaixa melhor em cada região do país. Uma vez que cada uma tem suas especificidades de restrições, oportunidades e vantagens”, disse Murakami.

    De acordo com o pesquisador, a área total de cultivo de cana-de-açúcar no Brasil hoje ocupa 9 milhões de hectares. A expansão do plantio dessa e de outras culturas energéticas nos 36 milhões de hectares de pastos degradados permitiria triplicar a produção de bioenergia no país.

    “O Brasil tem o potencial de triplicar sua produção de bioenergia usando somente uma pequena parcela das terras degradadas e mantendo mais da metade para o reflorestamento.”

    Vantagens comparativas

    Na avaliação do pesquisador, o Brasil apresenta uma série de vantagens comparativas que tornam o país um concorrente imbatível em matéria de bioeconomia. Uma dessas vantagens aparece no fato de que mais de 90% da energia elétrica do país vem de fontes renováveis, enquanto no restante do mundo predomina o uso de fontes não renováveis.

    Foto: Divulgação – Biosul

    A disponibilidade dessa energia elétrica renovável permite gerar hidrogênio para produzir combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). Uma alternativa ao querosene de aviação tradicional, produzido a partir de fontes renováveis como óleos vegetais, gorduras animais, resíduos agrícolas e lixo, sem despacho fóssil. Ou seja, com pegada de carbono zero, avaliou Murakami.

    “O Brasil é o único país que consegue produzir hidrogênio de baixo carbono sem despacho fóssil, porque usa energia renovável para isso. O mundo inteiro vai depender de despacho fóssil adicional para produzir hidrogênio, que é um insumo central para produzir SAF”, comparou.

    Biomassa

    Outra vantagem do país é a disponibilidade de biomassa lignocelulósica. O país produz hoje mais de meio bilhão de toneladas desse insumo, que não compete com alimento. Desse total, 200 milhões de toneladas estão disponíveis na indústria. Já prontas para serem biotransformadas e convertidas em escala para produção de combustíveis, nutrição animal, cosméticos ou em qualquer molécula obtida hoje por meio do petróleo, a partir de energia renovável, apontou Murakami.

    “Nenhum lugar no mundo tem essa biomassa cativa. Os Estados Unidos produzem muita biomassa, só que ela está disponível no solo das fazendas. No Brasil, essa biomassa já está na indústria, é limpa, abundante e de baixo custo. Isso permite reduzir em duas a três vezes o custo do produto final”, afirmou.

    Além disso, o país já possui toda uma cadeia produtiva instalada baseada em culturas de bioenergia, como a da cana-de-açúcar, sublinhou Murakami.

    “Esse é um grande diferencial e muda completamente o cenário. Não tem como competir com o Brasil em produção de bioenergia, em bioeconomia, com as vantagens comparativas que temos hoje.”

    Alguns dos obstáculos, contudo, para o país avançar nessa área são as tecnologias, em grande parte importadas, para desconstruir a celulose da biomassa. Que é extremamente recalcitrante à despolimerização biológica. Por isso, a missão do LNBR é codesenvolver e compartilhar riscos com a indústria nacional para desenvolver tecnologias que possibilitem a soberania tecnológica, explicou o pesquisador.

    “Nosso papel não é competir com as indústrias, mas dar opções de escolha de tecnologias nacionais ou importadas para elas.”

    Inspiração na biodiversidade

    Para superar as barreiras tecnológicas para conversão da biomassa disponível no Brasil em produtos de interesse econômico, os pesquisadores do LNBR têm procurado alternativas na biodiversidade brasileira.

    Por meio de trabalhos de bioprospecção, eles encontraram em amostras de solo recoberto por bagaço de cana-de-açúcar um novo filo bacteriano que permitiu mudar o paradigma do metabolismo da celulose, o polímero mais abundante da natureza.

    Por meio de análises realizadas em uma das linhas de feixe do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron do CNPEM – acelerador circular de partículas carregadas (elétrons) que gera uma radiação, chamada de luz síncrotron, que permite investigar a composição e a estrutura da matéria na escala dos átomos e das moléculas –, eles conseguiram elucidar o mecanismo da enzima e aplicá-la em escala industrial, em reatores de 300 litros.

    O artigo publicado em fevereiro deste ano na revista Nature apresentou o trabalho. (leia mais aqui)

    “Conseguimos mostrar que essa enzima representa uma das maiores revoluções nos últimos 20 anos em termos de aplicação industrial. Isso em comparação com outras descobertas de biocatalisadores. E que ela possibilita um ganho de mais de 20% [na conversão de biomassa]”, afirmou Murakami.

    “Isso é um exemplo concreto do valor da biodiversidade e por que é importante a preservação de florestas”, avaliou.

    A equipe integrou o resultado à plataforma de produção de coquetel enzimático mantida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). E está disponível para os cientistas, que podem codesenvolver e melhorar a tecnologia.

    Elton Alisson, de Belém | Agência FAPESP

  • Soja cai em Chicago apesar de nova compra da China

    Soja cai em Chicago apesar de nova compra da China

    A soja recuou pela terceira vez seguida na bolsa de Chicago. Mesmo assim, a confirmação de novas compras chinesas não conteve a pressão baixista. Nesta quinta-feira (20/11), o contrato para janeiro caiu 1,21%, para US$ 11,2250 por bushel.

    O USDA confirmou uma nova venda de soja dos Estados Unidos para a China. O órgão informou o embarque de 462 mil toneladas. Com isso, as compras chinesas de soja americana superam 1,8 milhão de toneladas.
    O mercado já esperava novos anúncios de exportações para o país asiático. Por isso, o impacto das vendas sobre os preços permaneceu limitado.

    Investidores avaliam se a China vai manter a demanda firme por soja americana. Também questionam se o país comprará as 12 milhões de toneladas prometidas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de outubro.

    Milho também recua em Chicago

    O milho fechou em queda na bolsa de Chicago apesar da demanda aquecida. O contrato para dezembro caiu 0,76%, para US$ 4,2650 por bushel.
    Os preços recuaram mesmo com o avanço das vendas externas. Segundo o USDA, as vendas líquidas de milho somaram 2,25 milhões de toneladas na semana encerrada em 2 de outubro. O volume ficou próximo do teto estimado por analistas, de 2,50 milhões de toneladas.

    Trigo renova queda com oferta maior

    O trigo manteve o movimento de baixa diante da oferta global favorável. O contrato para março de 2026 caiu 1,59%, para US$ 5,75 por bushel.
    A consultoria SovEcon elevou sua previsão de safra na Rússia, maior exportadora mundial. A colheita de 2025/26 deve alcançar 88,60 milhões de toneladas, acima das 87,80 milhões estimadas anteriormente.