Os portos organizados da Região Norte movimentaram 30,2 milhões de toneladas de carga entre janeiro e agosto de 2025, segundo dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O destaque ficou para os granéis sólidos, que somaram 24,8 milhões de toneladas no período.
Em agosto, a movimentação de granéis sólidos atingiu 3,9 milhões de toneladas, alta de 2,16% sobre agosto de 2024. O principal motor desse crescimento foi o milho, com 2 milhões de toneladas exportadas no mês, aumento de 10,4% na comparação anual. A exportação de adubos registrou alta de 18%, totalizando 542 mil toneladas, e os produtos químicos inorgânicos cresceram 13,10%, com 488 mil toneladas movimentadas.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, esses resultados demonstram a importância estratégica da Região Norte para o sistema logístico nacional. “O crescimento reflete avanço em eficiência e competitividade dos portos brasileiros, consolidando a região como vetor de desenvolvimento e integração logística do país”, afirmou.
Entre os portos da região, o Porto de Santana (AP) registrou o maior crescimento percentual, com aumento de 25,2% na movimentação, passando de 316 mil toneladas em agosto de 2024 para 395 mil toneladas em agosto de 2025. O crescimento foi impulsionado pela exportação de milho, que aumentou 85% no período.
Movimento
O Porto de Santarém (PA) movimentou 1,9 milhão de toneladas em agosto, 11,25% a mais que no ano anterior, com alta de 45,33% nas exportações. Já o terminal de Porto Velho (RO) cresceu 0,92%, principalmente devido ao transporte de soja, que atingiu 123 milhões de toneladas.
Outros portos que se destacaram incluem Vila do Conde (PA) com 1,8 milhão de toneladas e Belém (PA), que movimentou 264 mil toneladas em agosto de 2025.
Os preços do milho seguem firmes no interior do Brasil, aponta levantamento do Cepea. A sustentação vem da retração de produtores, que continuam concentrados na semeadura da safra verão 2025/26.
Nos portos, as cotações do cereal subiram, impulsionadas pela valorização do dólar e do mercado internacional. Segundo pesquisadores do Cepea, o aumento dos preços nas exportações tende a refletir também no interior do país, já que eleva a paridade de exportação.
No campo, a semeadura da safra 2025/26 está adiantada na maioria das regiões produtoras. Até 11 de outubro, 31,2% da área nacional estava plantada, avanço semanal de 2,1 pontos percentuais. O ritmo supera a média dos últimos cinco anos, de 30,7%, conforme dados da Conab.
Relatório divulgado pela Companhia aponta que a produção total de milho em 2025/26 pode atingir 138,6 milhões de toneladas, uma queda de 1,8% em relação à safra 2024/25.
A volta do fenômeno climático La Niña está causando preocupação no setor agrícola da Argentina. Especialmente após anos consecutivos de secas severas que afetaram drasticamente a produção de grãos no país vizinho. A confirmação oficial pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) trouxe um cenário de incerteza para uma das principais regiões produtoras de alimentos da América do Sul.
O fenômeno caracteriza-se pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando padrões climáticos globais. E particularmente na América do Sul, provocando reduções significativas nas precipitações.
Para a Argentina, que enfrentou secas devastadoras nos últimos anos, o retorno do fenômeno representa um desafio adicional. As projeções indicam que o evento deve persistir até março de 2026, com maior intensidade prevista para o verão austral de 2025. Justamente no período crítico para as culturas de soja e milho.
A Bolsa de Comércio de Rosário, uma das principais referências do setor agrícola argentino, alertou que, embora o milho plantado precocemente possa ter condições favoráveis durante a primavera de 2024, a soja de primeira safra enfrenta riscos elevados a partir de janeiro de 2025, quando os efeitos da La Niña devem se intensificar.
Histórico de perdas e vulnerabilidade agrícola
A agricultura argentina já vinha sofrendo com sucessivos anos de condições climáticas adversas. As secas anteriores causaram perdas bilionárias e reduziram drasticamente a produção de grãos, comprometendo as exportações e a entrada de divisas no país. A área plantada de milho, por exemplo, caiu de aproximadamente 2 milhões de hectares em 2023 para 1,3 milhão de hectares, refletindo a cautela dos produtores diante da instabilidade climática.
Especialistas advertem que, dependendo da intensidade do fenômeno, pode haver deficit de umidade nos solos até março de 2025, afetando diretamente a produtividade das lavouras em um momento crucial do desenvolvimento das plantas.
Impactos nos preços e na economia brasileira
Para o Brasil, a situação climática na Argentina tem implicações diretas nos preços dos alimentos e na economia doméstica. A Argentina é um dos principais exportadores mundiais de soja e milho, commodities fundamentais para a cadeia produtiva de alimentos. Qualquer redução na oferta argentina tende a pressionar os preços internacionais desses grãos.
Com a possibilidade de quebra de safra no país vizinho, especialistas do setor apontam que os preços da soja e do milho podem sofrer elevações no mercado internacional. Isso impacta diretamente os custos de produção de carnes, ovos, leite e outros derivados no Brasil, já que esses grãos são a base da alimentação animal.
A conjuntura é especialmente preocupante porque o Brasil também enfrenta seus próprios desafios climáticos com a La Niña. No Sul do país, região responsável por parcela significativa da produção nacional de grãos, as previsões indicam redução das chuvas, o que pode comprometer a produtividade das lavouras brasileiras.
Analistas de mercado estimam que, caso haja queda simultânea na produção argentina e brasileira, os preços dos alimentos podem sofrer pressão inflacionária considerável no país. A soja, por exemplo, que já enfrenta volatilidade nos mercados internacionais, pode ver seus preços impactados pela menor oferta sul-americana.
Monitoramento climático
Apesar das preocupações, alguns fatores podem amenizar os impactos. O Dipolo do Índico, outro fenômeno climático que influencia as chuvas na América do Sul, está evoluindo de forma favorável. E pode compensar parcialmente os efeitos da La Niña na Argentina.
Além disso, há expectativa de que o evento seja de intensidade fraca a moderada e de curta duração. Com possível retorno a condições neutras entre março e abril de 2025. Essa janela de tempo mais curta poderia limitar os danos às culturas, desde que as chuvas retornem no momento adequado.
O monitoramento constante das condições climáticas por parte dos órgãos oficiais, tanto na Argentina quanto no Brasil, será fundamental para orientar as decisões dos produtores e permitir ajustes nas estratégias de plantio e comercialização.
O retorno da La Niña representa um desafio significativo para o setor agrícola da América do Sul. Especialmente para a Argentina, que ainda se recupera de anos de secas severas. Os reflexos desse cenário climático adverso inevitavelmente chegarão aos consumidores brasileiros por meio dos preços dos alimentos, tornando essencial o acompanhamento atento da evolução do fenômeno nos próximos meses.
A integração dos mercados agrícolas sul-americanos faz com que os problemas climáticos em um país rapidamente se transformem em questões econômicas regionais. Portanto, reforçando a importância de políticas de mitigação de riscos e diversificação da produção agrícola.
A safra de grãos 2025/26 deve consolidar mais um ciclo de crescimento para o agronegócio brasileiro. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (14) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total estimada alcança 354,7 milhões de toneladas, representando aumento de 0,8% em relação ao ciclo anterior.
O desempenho positivo está diretamente relacionado à expansão de 3,3% na área cultivada, que deve atingir 84,4 milhões de hectares na temporada 2025/26. Os números constam no primeiro levantamento oficial da safra, realizado pela estatal vinculada ao governo federal.
Soja lidera expansão com crescimento de 3,6% em área plantada
A cultura da soja apresenta as perspectivas mais robustas para o novo ciclo agrícola. A área destinada ao plantio da oleaginosa deve crescer 3,6% comparada à safra 2024/25, alcançando 49,1 milhões de hectares. Com essa expansão, a Conab projeta colheita de 177,6 milhões de toneladas, superando as 171,5 milhões de toneladas registradas na temporada anterior.
As chuvas de setembro favoreceram o início do plantio nas regiões do Centro-Sul do país. Até o momento, 11,1% da área já foi semeada, índice ligeiramente superior ao mesmo período do ciclo passado. Nos principais estados produtores, os números são ainda mais expressivos: Mato Grosso registra 18,9% da área plantada, enquanto o Paraná já alcançou 31% nos primeiros dez dias de outubro.
Milho apresenta expectativa de produção de 138,6 milhões de toneladas
A produção de milho também sinaliza crescimento robusto para 2025/26. A área plantada pode chegar a 22,7 milhões de hectares, com expectativa de colheita de 138,6 milhões de toneladas considerando as três safras do cereal.
Apenas na primeira safra, a Conab prevê incremento de 6,1% na área semeada, com estimativa de produção de 25,6 milhões de toneladas — crescimento de 2,8% em relação ao período anterior. No Rio Grande do Sul, onde o plantio inicia em agosto, 83% da área já estava semeada em 11 de outubro. No Paraná, o índice alcança 84%, e em Santa Catarina, 72%. Nas regiões Centro-Oeste e demais estados, a semeadura ainda não foi iniciada.
Arroz registra redução de área enquanto feijão busca estabilidade
A cultura do arroz apresenta tendência de retração para a safra 2025/26. A área destinada ao plantio deve reduzir 5,6%, totalizando 1,66 milhão de hectares. Na lavoura irrigada, a queda prevista é de 3,7%, enquanto no cultivo de sequeiro a diminuição pode atingir 12,5%. Mesmo com menor área cultivada, a produção estimada alcança 11,5 milhões de toneladas.
Para o feijão, cultura de ciclo curto, a tendência é de estabilidade. Somadas as três safras da leguminosa, a produção deve ficar em 3 milhões de toneladas. A área da primeira safra terá redução de 7,5% comparada ao primeiro ciclo de 2024/25, totalizando 840,4 mil hectares de plantio previsto.
Trigo enfrenta retração de 19,9% na área cultivada.
Com aproximadamente 40% das lavouras já colhidas, a produção de trigo em 2025 deve atingir 7,7 milhões de toneladas, queda de 2,4% em relação à safra 2024. A redução decorre principalmente da retração de 19,9% na área cultivada, motivada por condições menos favoráveis no momento da decisão de plantio.
As projeções da Conab indicam forte incremento nas exportações brasileiras de milho. Enquanto os embarques da safra 2024/25 estão estimados em 40 milhões de toneladas, para o novo ciclo a previsão alcança 46,5 milhões de toneladas. O consumo interno também deve crescer, passando de 90,5 milhões para 94,5 milhões de toneladas, impulsionado pela maior demanda para produção de etanol.
Na soja, o Brasil deve consolidar novamente a posição de maior exportador mundial da oleaginosa. A previsão de redução nas exportações dos Estados Unidos, aliada ao aumento da demanda global e à expansão da produção brasileira, permite projetar embarques superiores a 112,11 milhões de toneladas. O esmagamento de soja também deve crescer, podendo atingir 59,56 milhões de toneladas em 2026, impulsionado pelo aumento na mistura de biodiesel ao diesel e pela crescente procura por proteína vegetal.
Arroz amplia exportações apesar de menor área plantada
Mesmo com redução na área cultivada, o mercado de arroz deve manter boa oferta interna. O Brasil deverá ampliar as exportações do grão para 2,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, comparado a 1,6 milhão de toneladas no ciclo anterior.
Foto: divulgação – Federarroz
As importações e o consumo doméstico devem permanecer estáveis em torno de 1,4 milhão e 11 milhões de toneladas, respectivamente. Os estoques de passagem devem apresentar leve redução de 11,4%, estimados em 1,82 milhão de toneladas em fevereiro de 2027, mantendo-se em patamar elevado.
Com a colheita da safra 2025/26, produtores de Mato Grosso já sentem os efeitos restritivos do novo Plano Safra, que apesar de recorde em volume anunciado, oferece menos recursos efetivos para o crédito rural. A subvenção diminuída e a alta das taxas de juros têm feito o acesso a financiamentos viáveis ficar distante para muitos agricultores, segundo o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.
“Os recursos não têm chegado ao produtor rural. Muitos não conseguem fazer operações bancárias nem para custeio, quanto mais para investimentos em armazenagem,” disse Bertuol. Ele alerta que mais de 50% da safra está sem local adequado para estocar, comprometendo a logística do escoamento.
Os números reforçam essa preocupação. Mato Grosso deve produzir cerca de 47 milhões de toneladas de soja na safra 25/26. Mas sua capacidade estática de armazenagem alcança apenas 53,4 milhões de toneladas, espaço que também serve ao milho, cuja produção ultrapassou 54 milhões de toneladas na última safra. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) estima um déficit superior a 52 milhões de toneladas para as duas culturas.
Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja MT, destaca o impacto especialmente sobre pequenos e médios produtores. “Construir armazéns é caro e burocrático. Com juros atuais, não é viável. Muitos recorrem a silos bolsa e enfrentam falta de caminhões e maiores custos para transporte na colheita.”
Lentidão atrapalha
Porém, apesar do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) incluído no Plano Safra, a lentidão no desembolso do crédito restringe a ampliação da infraestrutura. Bier ressalta que o problema ultrapassa o produtor rural, atingindo a segurança alimentar nacional.
“Se ocorrer crise no escoamento, seja por portos ou geopolítica, corre-se o risco de perder até metade da produção de Mato Grosso. Um prejuízo bilionário e reflexo direto na economia do país,” alertou.
O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, reforça que o déficit não é local, mas nacional. E é agravado pelo aumento dos juros e corte nos recursos. Ele aponta que o aumento da produção em 2025 para 350 milhões de toneladas de grãos no Brasil não acompanha o ritmo da construção de armazéns, agravando o déficit que ultrapassa 120 milhões de toneladas.
Ele defende políticas públicas para incentivar a construção de armazéns próprios, como benefícios fiscais e financiamento mais acessível, vital para que o país garanta soberania frente a crises e oscilações do mercado.
O agronegócio brasileiro conquistou um marco inédito em setembro de 2025, registrando o maior valor de exportações para o mês desde o início da série histórica. O setor exportou US$ 14,95 bilhões, um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024, consolidando-se como responsável por 49% de todas as exportações nacionais.
O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento de 7,4% nos volumes embarcados, compensando uma leve queda de 1,1% nos preços médios internacionais. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 126,6 bilhões, avanço de 0,7% na comparação anual.
Carnes lideram crescimento das exportações
Entre os destaques do mês, a carne bovina in natura alcançou US$ 1,77 bilhão, alta expressiva de 55,6%. A carne suína estabeleceu novo recorde histórico ao atingir US$ 346,1 milhões, crescimento de 28,6%, com volume embarcado quase dobrando (78,2%).
O milho também apresentou desempenho robusto, com exportações de US$ 1,52 bilhão, incremento de 23,5% em relação a setembro de 2024.
Café e pescados mantêm trajetória positiva
Produtos tradicionalmente afetados por barreiras tarifárias mostraram resiliência. O café manteve-se acima da marca de US$ 1 bilhão, com US$ 1,3 bilhão exportados e crescimento de 9,3%. Os pescados somaram US$ 38,7 milhões, com aumento de 6,1% em volume.
A estratégia de diversificação da pauta exportadora gerou resultados expressivos. Produtos menos tradicionais registraram recordes históricos de volume: sementes de oleaginosas (exceto soja) cresceram 92,3%, melancias frescas avançaram 65%, feijões tiveram alta de 50,8% e lácteos expandiram 13,7%.
No conjunto, os produtos não tradicionais cresceram 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, atribuiu os resultados à estratégia de abertura e diversificação de mercados iniciada em 2023. “Foram abertas 444 novas oportunidades para produtores e exportadores brasileiros, demonstrando a competitividade do agronegócio mesmo em cenário externo desafiador”, afirmou.
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, enfatizou que mais de 60 missões internacionais foram realizadas em 2025, além de feiras e iniciativas como a Caravana do Agro Exportador, desenvolvidas em parceria com ApexBrasil e Ministério das Relações Exteriores.
Superávit comercial beneficia economia brasileira
O agronegócio acumulou superávit comercial superior a US$ 111 bilhões nos primeiros nove meses do ano, contribuindo significativamente para o equilíbrio das contas externas do Brasil. As importações do setor cresceram 7,3% em setembro e 5,4% no acumulado anual.
A expansão das exportações, aliada à manutenção da oferta interna, gera empregos, atrai divisas estrangeiras e estimula investimentos em inovação e sustentabilidade, fortalecendo a posição do Brasil como fornecedor confiável para a segurança alimentar global.
As exportações brasileiras de milho avançaram em setembro, segundo o Cepea. O volume embarcado já supera em 3% o total do mesmo período de 2024.
Os pesquisadores do Cepea explicam que o aumento resulta de negócios antecipados, mesmo com a liquidez nos portos em ritmo lento. Essa lentidão, destacam, ocorre porque os preços em Paranaguá (PR) e Santos (SP) estão próximos aos valores do mercado interno, o que reduz o interesse dos vendedores em novas negociações.
Dados da Secex mostram que, nos primeiros 20 dias úteis de setembro, o Brasil exportou 6,6 milhões de toneladas de milho. O número supera o volume registrado no mesmo mês do ano passado. Na safra 2024/25, que vai de fevereiro até setembro, os embarques somam 18,8 milhões de toneladas, 4% abaixo do mesmo período de 2024.
Além disso, os pesquisadores do Cepea alertam que o ritmo de exportações pode desacelerar nas próximas semanas. O motivo é a concorrência com a entrada da safra recorde dos Estados Unidos no mercado internacional.
A Embrapa Instrumentação (SP) criou um sistema que combina sensores de imagem e inteligência artificial para identificar a lagarta-do-cartucho, uma das pragas mais destrutivas da cultura do milho. O método analisa imagens digitais e reconhece a praga tanto nas folhas quanto nas espigas da planta.
A tecnologia elimina a subjetividade dos métodos tradicionais, que exigem trabalho intensivo e dependem exclusivamente da observação humana. Produtores rurais podem agora contar com uma ferramenta automatizada que aumenta a precisão na detecção precoce da praga.
Praga ameaça 70% da produção
O milho figura entre os cereais mais cultivados globalmente, mas enfrenta uma ameaça séria: a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frungiperda). Pesquisadores da Embrapa estimam que o inseto pode destruir até 70% da produção quando não controlado adequadamente.
O ataque ocorre em duas fases críticas do desenvolvimento da planta. A lagarta destrói o milho tanto durante o crescimento vegetativo quanto no período reprodutivo, comprometendo toda a safra.
A revista Electronics publicou o estudo “Computational Intelligence Approach for Fall Armyworm Control in Maize Crop”, assinado por Alex Bertolla e Paulo Cruvinel. Os pesquisadores identificaram uma lacuna significativa entre os métodos atuais de detecção e os resultados necessários para o controle eficaz.
“A discrepância entre o método atual de detecção e o resultado pretendido nos motivou a pesquisar uma alternativa para a detecção precoce de pragas em áreas cultivadas”, explica Bertolla.
O estudo concentrou esforços no reconhecimento e classificação de padrões dinâmicos da lagarta-do-cartucho. Além do milho, a praga ataca outras culturas importantes como soja e algodão. A solução desenvolvida oferece aos agrônomos e laboratórios resultados mais precisos no monitoramento.
Câmera simples captura imagens na lavoura
A implementação da tecnologia não exige equipamentos caros. Produtores podem acoplar uma câmera fotográfica comum em implementos agrícolas para coletar imagens das lagartas durante as operações na lavoura.
“A câmera não precisa ser de alto custo, é necessário apenas produzir imagens com boa resolução”, esclarece Bertolla. O sistema captura fotos das pragas presentes nas folhas e espigas enquanto as máquinas realizam outras tarefas no campo.
O método integra múltiplas tecnologias: processamento digital de imagens e sinais, estatística multivariada, técnicas de aprendizado de máquina e visão computacional. Cruvinel explica que o aprendizado de máquina permite aos sistemas aprender com dados personalizados de treinamento para automatizar tarefas.
“O aprendizado profundo também é um processo de aprendizado de máquina, mas baseado em redes neurais artificiais com um conjunto de camadas de propósito específico”, detalha o pesquisador.
Os pesquisadores desenvolveram o algoritmo computacional em Python, linguagem amplamente utilizada em ciência de dados. O programa avalia imagens digitais de diferentes estágios de crescimento da lagarta, identifica seu nível de desenvolvimento e mede a frequência de ocorrência na área cultivada.
Estudo analisa mais de 2 mil imagens
A equipe avaliou 2.280 imagens de lagartas-do-cartucho em folhas e espigas de milho. O objetivo foi classificar cinco estágios distintos de desenvolvimento da praga durante o ciclo de produção.
Os pesquisadores estruturaram o trabalho em quatro fases principais. A primeira etapa envolveu a aquisição e pré-processamento das imagens, incluindo tratamento, remoção de ruídos e padronização de cores.
Na segunda fase, o sistema realizou a segmentação das imagens para extrair o fundo e destacar apenas as lagartas presentes no ambiente. A terceira etapa extraiu características dos objetos identificados para distinguir exclusivamente o inseto-alvo. O método utilizou informações de cor, textura e características geométricas para caracterizar e reconhecer padrões da lagarta-do-cartucho.
“No último bloco, utilizamos conceitos da inteligência computacional, baseado em aprendizado profundo, em que uma rede neural artificial convolucional (CNN) treinada permite a classificação dos diferentes estágios da lagarta”, explica Bertolla.
A CNN analisa especificamente dados visuais. Os pesquisadores também compararam o desempenho usando cinco classificadores conhecidos como máquina de suporte de vetores (SVM), que classificam cada estágio da lagarta individualmente.
Resultados abrem caminho para aplicação prática
A qualidade dos resultados confirmou a eficácia da estrutura baseada em aprendizado profundo. Os pesquisadores analisaram acurácia, precisão, tempo de processamento e desempenho de hardware.
“O método também apresentou resultado considerável em quesitos referentes ao desempenho de hardware e tempo de processamento, o que pode ser também interessante para uma ação futura relacionada à disponibilização dessa tecnologia na versão embarcada, para uso diretamente como parte de implementos agrícolas”, destaca Cruvinel.
Para trabalhos futuros, os pesquisadores sugerem incluir outras técnicas de inteligência artificial dedicadas ao controle de pragas. As propostas envolvem reconhecimento e classificação de padrões de forma não supervisionada e o uso de câmeras multiespectrais embarcadas em Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) para operação em tempo real nas lavouras.
O preço da soja encerrou em alta na bolsa de Chicago nesta sexta-feira (26). O contrato de novembro de 2025 fechou a US$ 10,13 por bushel, alta de 0,15% sobre o dia anterior. Para janeiro de 2026, a soja foi negociada a US$ 10,33 por bushel, valorização de 0,17%.
Milho
No milho, o mercado registrou queda. O contrato para dezembro de 2025 caiu 0,88% e fechou em US$ 4,22 por bushel. Para março de 2026, o cereal recuou 0,79% e encerrou cotado a US$ 4,38 por bushel.
O acumulado da semana também foi negativo. Para dezembro, o milho acumulou queda de 0,59%. Para março, a baixa foi de 0,68%.
Mesmo com dados de exportações positivas, a pressão permaneceu. Os Estados Unidos embarcaram 1,92 milhão de toneladas, segundo relatório semanal. Ainda assim, fatores de baixa pesaram mais sobre os preços.
Trigo
O trigo também fechou em queda. O contrato para dezembro de 2025 recuou 1,38% e encerrou em US$ 5,19 por bushel. Para março de 2026, o cereal desvalorizou 1,24% e fechou cotado a US$ 5,38 por bushel.
Na semana, os contratos de dezembro e março acumularam quedas de 0,67% e 0,65%, respectivamente. A valorização do dólar frente ao euro reduziu a competitividade das exportações americanas.
A oferta global de trigo segue abundante. A Comissão Europeia estimou a maior safra do bloco nos últimos dez anos para o ciclo 2025/26.
Os preços do milho seguem firmes no mercado brasileiro, segundo levantamento do Cepea. Vendedores adotam postura cautelosa e reduzem a oferta.
Eles direcionam lotes a valores mais altos, o que pressiona consumidores internos. Assim, mesmo com ampla disponibilidade, compradores encontram barreiras.
Na parcial de setembro, até o dia 18, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa registrou R$ 64,92 por saca de 60 kg. Esse valor representa a maior média dos últimos três meses.
As exportações de milho também mostram reação em setembro. Após meses de desempenho fraco, os embarques ganharam força no início do mês. Nos dez primeiros dias úteis, o Brasil enviou 3,05 milhões de toneladas. O volume representa quase metade do total exportado em setembro de 2024.