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  • Embrapa lança novas variedades de mandioca

    Embrapa lança novas variedades de mandioca

    A Embrapa lançou duas novas variedades de mandioca com alto rendimento e elevado teor de amido: a BRS Ocauçu e a BRS Boitatá. As cultivares foram desenvolvidas para uso industrial e já demonstraram alto desempenho na região Centro-Sul, que responde por 80% da produção nacional de fécula.

    Desde 2011, pesquisadores avaliaram as cultivares em diversos experimentos. Os materiais foram inicialmente recomendados para São Paulo e agora também estão indicados para Mato Grosso do Sul e Paraná. Ambas apresentaram excelentes resultados no primeiro ciclo (12 meses) e no segundo (18 a 24 meses).

    A produtividade média superou 33 toneladas por hectare no primeiro ciclo. No segundo, ultrapassou 41 t/ha. Os resultados superam em mais de 150% a variedade padrão da região. No teor de amido, os números também impressionaram: até 13,46 t/ha no primeiro ciclo e 19,32 t/ha no segundo.

    Segundo Marco Antonio Rangel, pesquisador da Embrapa, atualmente no Ministério da Agricultura, é essencial unir alta produtividade com alto teor de amido. “O amido define o valor da raiz. A indústria precisa de qualidade, mas o produtor também precisa de rentabilidade”, destacou.

    As cultivares serão lançadas oficialmente no Dia de Campo da Mandioca, em 2 de julho, promovido pela Copasul em Naviraí (MS). O evento reúne produtores do Brasil e do exterior para apresentar tecnologias e práticas que aumentam a produtividade.

    Cultivares para dois ciclos de produção

    As novas variedades complementam o portfólio da Embrapa, que já conta com as cultivares BRS CS 01 e BRS 420. Segundo Rangel, a ideia é oferecer opções para o produtor escolher o melhor momento de colheita, de acordo com o mercado.

    Rudiney Ringenberg, responsável pela validação das cultivares no Centro-Sul, reforça a importância da diversificação. “Cada material se adapta melhor a determinadas condições. Com mais opções, o produtor pode traçar uma estratégia mais segura”, afirma.

    As cultivares lançadas apresentam desempenho estável em produtividade e teor de amido. Segundo os pesquisadores, elas atendem às exigências das indústrias mais criteriosas de fécula e farinha da região Centro-Sul.

    Características agronômicas e diferenciais

    A BRS Boitatá se destaca pelas raízes com casca branca, ideais para farinha de alta qualidade. Já a BRS Ocauçu tem bom desempenho em solos pobres, comuns em áreas de arenito no Centro-Sul.

    As duas cultivares têm porte ereto, favorecem o plantio mecanizado e produzem muitas folhas, o que reduz o crescimento de mato e economiza nas capinas. São adaptadas ao plantio direto, sistema conservacionista que cresce na região por preservar o solo e manter a produtividade.

    As duas variedades também apresentam resistência moderada às principais doenças da cultura na região: bacteriose, superalongamento e antracnose. Isso garante mais segurança ao produtor.

    Pesquisa e desenvolvimento

    A equipe da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA) realizou os cruzamentos que originaram os dois materiais. Os pesquisadores avaliaram as plantas resultantes em Dourados (MS) e em outros locais. Após três safras, eles selecionaram os clones mais promissores com base em critérios como produtividade, sanidade e adaptação regional.

    A Embrapa registrou as cultivares BRS Ocauçu e BRS Boitatá em 2022 para São Paulo e, em 2024, para Mato Grosso do Sul e Paraná. Ao todo, os pesquisadores testaram cerca de 4 mil genótipos, com destaque para os clones 2010 55-04 e 2010 56-18, respectivamente.

    Opinião do campo

    Cleiton Zebalho, engenheiro-agrônomo da Copasul, recebeu os primeiros lotes em 2022. Ele destaca o potencial das variedades para dois ciclos. “Faltava no mercado uma opção produtiva e estável para colheitas em tempos distintos”, disse.

    Segundo Zebalho, as cultivares ainda não apresentaram doenças relevantes. Apenas o mandarová, praga comum da mandioca, apareceu nas lavouras. Ele também destaca a adaptação ao plantio direto como um ponto forte das novas variedades.

    Para Zebalho, a genética tem papel central na produtividade. “Na minha dissertação de mestrado, identifiquei que produtores que adotaram a BRS CS 01 alcançaram os melhores resultados”, lembrou.

    Garantia de qualidade

    A Embrapa garante que os materiais cheguem ao produtor com identidade genética preservada, alta sanidade e vigor. Para isso, a instituição licencia multiplicadores confiáveis. A Copasul, por ora, é a fornecedora exclusiva das novas cultivares. A Embrapa vai adicionar outros parceiros ao longo do segundo semestre.

    Compromisso com a sustentabilidade

    O lançamento das variedades também reforça o compromisso da Embrapa com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. As cultivares contribuem diretamente com o ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável –, ao promover produtividade, segurança alimentar e práticas conservacionistas.

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  • Estoque de mandioca é o maior desde outubro de 2023

    Estoque de mandioca é o maior desde outubro de 2023

    O mercado de fécula de mandioca registrou ritmo lento na última semana, segundo dados do Cepea. Em geral, as negociações ocorreram de forma pontual e envolveram pequenas quantidades, destinadas principalmente a indústrias de massas, panificação e varejistas do Centro-Sul.

    Produção de mandioca

    A produção do primeiro quadrimestre cresceu 5,1% em comparação com o mesmo período de 2023. Com isso, as fecularias e modificadoras acumularam estoques. De acordo com o Cepea, os volumes armazenados subiram 2,9% na última semana. Ou seja, esse total supera em 39% o mesmo intervalo de 2024 e é o maior desde outubro de 2023.

    A lentidão nas vendas no varejo ajudou a intensificar esse cenário. Dados do IBGE mostram que o setor teve queda de 0,4% em maio, após três meses seguidos de alta. Já no comércio varejista ampliado, que inclui o atacado de alimentos e bebidas, a retração foi ainda maior: 1,9%.

    Portanto, com menor saída da fécula, os preços começaram a ceder. O Cepea aponta que a média semanal a prazo da tonelada (FOB fecularia) fechou em R$ 3.114,69, o equivalente a R$ 77,87 por saca de 25 kg. Portanto, isso representa uma leve queda de 0,1% frente à semana anterior. Em resumo, no acumulado de junho, os preços já recuaram 1,6% em relação à média de maio.

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  • Altamira: conheça a maior cidade do Brasil

    Altamira: conheça a maior cidade do Brasil

    Altamira, localizada no sudoeste do Pará, é um fenômeno geográfico e social que impressiona tanto pelo tamanho quanto pelas peculiaridades. Com uma área de mais de 159 mil km², o município é o maior do Brasil e da América Latina em extensão territorial, superando países inteiros como Portugal, Coreia do Sul, Grécia, Suíça, Hungria, Islândia e Áustria. Para efeito de comparação, Altamira é maior do que dez estados brasileiros e o Distrito Federal juntos. Além disso, é maior que os estados americanos da Flórida e do Missouri.

    Apesar da imensidão territorial, Altamira abriga uma população relativamente pequena: eram cerca de 126 mil habitantes em 2022, segundo o IBGE. Isso significa uma das menores densidades populacionais do país, com vastas áreas de florestas primárias, reservas ambientais e terras indígenas ainda preservadas.

     

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    O gigantismo do município traz desafios únicos. Um dos seus distritos, Castelo dos Sonhos, está a aproximadamente 1.000 km de distância da sede municipal, uma distância maior do que muitos trajetos interestaduais brasileiros.

    Foto: Secom Altamira

    Em Altamira, é comum que bairros e comunidades estejam localizados a dezenas ou até centenas de quilômetros do centro urbano. Assim, isso torna a administração pública e o acesso a serviços básicos um verdadeiro desafio logístico.

    Comparações

    • Extensão territorial: Altamira ocupa cerca de 12,8% do território do Pará, 1,8% do Brasil e 0,8% de toda a América do Sul.
    • Comparação internacional: a área do município supera a de 104 países, incluindo Portugal, Islândia, Irlanda, Suíça, Hungria, Áustria e Grécia.
    • Divisão administrativa: além do centro urbano, Altamira possui dezenas de bairros e dois distritos principais: Cachoeira da Serra e Castelo de Sonhos. Ambos distantes do centro da cidade.
    • História: fundada oficialmente em 1911, Altamira tem raízes históricas ligadas à extração da borracha e à navegação pelo rio Xingu, que corta a cidade e é um dos principais afluentes do Amazonas.
    • Desafios sociais e ambientais: O município enfrenta problemas estruturais crônicos, como falta de infraestrutura, conflitos fundiários, desmatamento e dificuldades no acesso à saúde e educação.

    Até 2009, Altamira era considerada o maior município do mundo em extensão territorial. Atualmente, ocupa a terceira posição, atrás de Qaasuitsup e Sermersooq, ambos na Groenlândia. Mesmo assim, Altamira permanece como o maior município do Brasil e um dos maiores do planeta, sendo uma verdadeira “cidade-país” dentro do território nacional.

    Foto: Secom Altamira

    O agronegócio em Altamira

    Altamira, no Pará, é um importante município agropecuário, com uma produção diversificada e um forte destaque para o cacau. A região é responsável por cerca de 6.000 toneladas anuais desse produto, contribuindo significativamente para o mercado nacional. A área de Altamira e seus municípios vizinhos, como Medicilândia e Uruará, responde por 55% da produção brasileira de cacau. A qualidade do cacau local é tão reconhecida que já ganhou prêmios internacionais, como no Salão do Chocolate de Paris.

    Além do cacau, Altamira também investe na produção de chocolate e derivados, com fábricas locais e iniciativas como a Rota do Cacau ao Chocolate, que atrai turistas e fortalece a economia. Empresas como a Abelha Cacau já foram premiadas por seus chocolates artesanais, mostrando o potencial de verticalização da produção.

    Na agricultura familiar, destaca-se o cultivo de mandioca, com produtores que trabalham em larga escala e contam com apoio da prefeitura para industrialização, como na produção de farinha. Além disso, há um crescimento na produção de hortaliças orgânicas, como abobrinha, rúcula e couve, cultivadas sem agrotóxicos por agricultores que utilizam técnicas sustentáveis.

    Embora não seja o principal produto, soja e milho têm avançado na região, especialmente com a chegada de produtores do Sul do Brasil que arrendam terras para cultivo em grande escala. Essa expansão levou até mesmo a grandes distribuidoras de insumos, como a Agro Amazônia, a abrir filiais em Altamira.

    Pecuária

    A pecuária também tem peso relevante, com um rebanho bovino estimado em 2,1 milhões de cabeças, e algumas propriedades adotam sistemas de integração lavoura-pecuária para otimizar o uso da terra. Outras culturas, como bananeiras (usadas para sombreamento em plantações de cacau) e açaí, também fazem parte da produção local, embora em menor escala.

    A cidade ainda aproveita seu potencial agroindustrial para impulsionar o turismo, como no Festival de Chocolate e Cacau, que em 2023 movimentou R$ 5 milhões e atraiu 150 mil visitantes. No entanto, a região enfrenta desafios, como o uso excessivo de agrotóxicos em algumas lavouras e a preocupação com a expansão da soja, que pode trazer impactos ambientais e fundiários.

    Altamira é um exemplo extremo das contradições brasileiras. Um território colossal, com riquezas naturais e culturais, mas que ainda enfrenta grandes desafios sociais e de infraestrutura. Um município que, literalmente, faz fronteira com o impossível, abrigando bairros a centenas de quilômetros de distância e uma população que convive diariamente com a grandiosidade da Amazônia.

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  • Feijão de alta qualidade atinge maior preço em nove meses

    Feijão de alta qualidade atinge maior preço em nove meses

    O feijão carioca de melhor qualidade está com preços firmes no mercado. A oferta restrita sustenta essa valorização, segundo o Cepea.

    Os lotes com notas entre 9 e 10 superaram a média registrada entre setembro de 2024 e maio de 2025. A alta ocorre em diversas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas.

    Por outro lado, o feijão de qualidade comercial, com notas entre 8 e 8,5, enfrenta cenário oposto. O excesso de grãos disponíveis pressiona as cotações para baixo. Segundo o Cepea, ainda circulam no mercado lotes da safra anterior, o que impede a recuperação dos preços.

    Na última semana, o foco esteve no escoamento de estoques. As negociações ocorreram de forma pontual, com compras limitadas ao abastecimento do varejo. O mercado opera em ritmo cauteloso, típico da transição entre safras. Compradores evitam grandes aquisições, enquanto produtores resistem a propostas com valores mais baixos.

    Mandioca tem queda de preço pela terceira semana seguida

    Mesmo com as chuvas, produtores de mandioca seguiram vendendo para garantir capital. A maioria busca recursos para plantar a safra 2025/26. Além disso, muitos agricultores intensificaram a colheita para liberar áreas de cultivo. Essa movimentação elevou a oferta de raiz nas principais regiões acompanhadas pelo Cepea.

    Com mais mandioca no mercado, os preços caíram pela terceira semana consecutiva. Entre 2 e 6 de junho, a tonelada posta fecularia teve média nominal de R$ 537,88. O valor representa queda de 0,55% em relação à semana anterior. Ainda assim, o preço atual supera em 18,8% o do mesmo período de 2024, em termos reais.

    A comparação considera o IGP-DI como deflator, segundo dados do Cepea.

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  • Moagem de mandioca cresce e se aproxima de 3 milhões de toneladas

    Moagem de mandioca cresce e se aproxima de 3 milhões de toneladas

    A indústria brasileira de fécula aumentou a moagem de mandioca em 2024. O volume processado alcançou 2,97 milhões de toneladas. Ou seja, esse número representa um crescimento de 11,5% em relação ao ano anterior. O dado integra o levantamento anual do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Abam (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca). O estudo chega à 21ª edição e avalia o desempenho do setor de amidos no Brasil.

    Produção nacional

    Mesmo com menor teor de amido e rendimento industrial, a maior moagem impulsionou a produção nacional de fécula. Em geral, o total fabricado somou 689,3 mil toneladas em 2024, alta de 10,4% frente a 2023. Portanto, foi o segundo aumento consecutivo e o maior volume desde 2015.

    O Paraná liderou a produção, com 65,6% do total. Em seguida vieram Mato Grosso do Sul (21,3%), São Paulo (9,7%) e outros estados (3,4%), como Santa Catarina, Bahia, Alagoas e Pernambuco.

    Destinos da fécula

    O levantamento apontou ainda os principais destinos da fécula. Os setores de massas, biscoitos e panificação responderam por 26,9% das vendas. Em seguida, vieram atacado (13,1%), varejo (6,6%), papel e papelão (5%), frigoríficos (6,5%), outras fecularias (8,6%) e tapioca semi-pronta (6,5%). As indústrias químicas consumiram 1,3%. Já 25,5% do volume teve destino não identificado. Além disso, 23,3% das fecularias exportaram fécula. Do total exportado, 31,9% saíram do Paraná e 29,4% de Mato Grosso do Sul.

    A produção de amidos derivados cresceu 28% em 2024. O setor fabricou 367,7 mil toneladas de produtos como polvilhos doce e azedo, tapioca, misturas para pão de queijo e amidos modificados.

    Apesar do avanço na produção, o preço médio nominal da fécula caiu 27,7% no ano. Isso impactou o Valor Bruto da Produção (VBP), que recuou 21,6%, fechando 2024 em R$ 2,08 bilhões — o menor dos últimos dois anos.

    Capacidade de processamento

    O estudo também mostrou que a indústria brasileira tem capacidade para processar 24,9 mil toneladas de mandioca por dia. Além disso, 38% das unidades diversificaram a produção, fabricando outros derivados além da fécula in natura.

    Ao todo, o levantamento mapeou 88 unidades industriais em 64 municípios. Elas se concentram principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

    Setor prevê nova alta em 2025

    Segundo o Cepea, o setor de amidos de mandioca está otimista em 2025. A expectativa é aumentar a produção de fécula em 20,9%, alcançando 834 mil toneladas.

    Dados parciais do Cepea até maio mostram 347 mil toneladas produzidas em 2025. O volume é 5,3% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. A produção de derivados também deve seguir em expansão.

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  • Pragas ameaçam lavouras de mandioca

    Pragas ameaçam lavouras de mandioca

    Produtores de mandioca do Norte e Centro-Oeste do Brasil enfrentam perdas severas devido ao avanço de pragas como a vassoura-de-bruxa e a mosca-das-galhas. Em estados como Amapá, Pará e Tocantins, áreas inteiras de plantio já registram e est]ap colocando em risco a produção e a renda de milhares de famílias. “Em campo, já estamos vendo perdas de 100% em áreas recém-plantadas. A mosca-das-galhas afeta diretamente o desenvolvimento da planta, bloqueando a fotossíntese e levando à morte de plantas jovens”, alerta o agrônomo Vinícius Vigela, coordenador técnico de mercado da Nitro

    No início do ano, a doença vassoura-de-bruxa, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, devastou plantações no Amapá e no Pará. Agora, o Tocantins lida com a infestação da mosca-das-galhas (Jatrophobia brasiliensis), praga que antes era considerada secundária, mas que já compromete lavouras recém-plantadas e preocupa técnicos e agricultores.

    As larvas da mosca-das-galhas se alimentam dos tecidos internos das folhas da mandioca, levando à formação de galhas ou verrugas. Esse processo prejudica a fotossíntese, paralisa o crescimento e pode causar a morte precoce das plantas, especialmente as mais jovens. Já a vassoura-de-bruxa provoca brotações finas e deformadas, folhas amareladas e raízes sem valor comercial. “É uma doença que pode dizimar uma lavoura em menos de 40 dias se não for contida, e se espalha com facilidade por mudas contaminadas ou até mesmo por ferramentas de manejo“, explica Vigela.

    Fatores que favorecem o avanço das pragas

    Especialistas apontam que o clima quente e úmido típico do Norte e Centro-Oeste, especialmente durante o período chuvoso, favorece o ciclo reprodutivo dessas pragas. O manejo inadequado, o plantio contínuo na mesma área, o uso de mudas contaminadas e a redução dos inimigos naturais devido ao uso excessivo de inseticidas agravam ainda mais a situação.

    A falta de monitoramento constante também contribui para a rápida disseminação das pragas. Técnicos recomendam inspeções semanais nas lavouras para identificar focos precocemente e evitar prejuízos totais.

    Manejo Integrado de Pragas é fundamental

    O Manejo Integrado de Pragas (MIP) surge como principal estratégia para conter o avanço dessas ameaças. A prática envolve o uso de mudas sadias, rotação de culturas com milho e feijão, escolha de variedades resistentes e destruição dos restos culturais após a colheita. Especialistas também recomendam manter distância entre áreas novas e antigas de plantio, prática conhecida como vazio sanitário.

    Como ainda não existem defensivos químicos comprovadamente eficazes contra a vassoura-de-bruxa, a prevenção se torna indispensável. O uso criterioso de defensivos seletivos e agentes biológicos, como fungos do gênero Trichoderma e bacillus biofungicidas, pode colaborar para um controle mais sustentável.

    Apoio técnico e monitoramento constante

    A assistência técnica especializada é essencial para diagnosticar corretamente as pragas e orientar o manejo adequado. O acompanhamento contínuo das lavouras garante decisões mais seguras, evita o uso excessivo de insumos e protege a renda do produtor.

    A situação no Tocantins serve de alerta para agricultores de todo o país. Produtores precisam intensificar o monitoramento, buscar assistência técnica e adotar práticas preventivas com urgência para preservar a cultura da mandioca, essencial à segurança alimentar e à economia regional.

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  • Mapa confirma foco da praga Vassoura-de-Bruxa da Mandioca em território indígena

    Mapa confirma foco da praga Vassoura-de-Bruxa da Mandioca em território indígena

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o primeiro foco da praga quarentenária Vassoura-de-Bruxa da Mandioca (Ceratobasidium theobromae) no estado do Pará. A infestação ocorreu na Terra Indígena do Parque do Tumucumaque, no extremo norte do município de Almeirim, próximo à fronteira com o Suriname.

    Técnicos da Superintendência de Agricultura e Pecuária do Amapá (SFA/AP) e da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro) inspecionaram a área em 28 de abril após denúncia. Eles coletaram duas amostras de plantas com sintomas suspeitos na Aldeia Bona, dentro da Terra Indígena do Parque do Tumucumaque. O Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO) confirmou a presença da praga nas amostras.

    O foco localiza-se em área remota e de difícil acesso, onde vivem comunidades indígenas com vínculo administrativo apenas com o estado do Amapá. A região está longe das principais zonas produtoras de mandioca no Pará e só é acessível por voos fretados.

    Plano Emergencial para Prevenção da Vassoura-de-Bruxa da Mandioca

    A Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), em parceria com o Mapa, realiza levantamentos fitossanitários em todo o estado como parte do Plano Emergencial para Prevenção da Vassoura-de-Bruxa da Mandioca. Até o momento, não há registros da praga em áreas comerciais nem interceptação de material vegetal suspeito nas barreiras de fiscalização no norte do estado.

    O Mapa esclarece que a Vassoura-de-Bruxa da Mandioca não tem relação com a praga do cacaueiro. Embora o fungo não represente risco à saúde humana, ele destrói lavouras de mandioca. E causa ramos secos, deformações, nanismo, brotos fracos, clorose, murcha, seca das folhas e morte das plantas. A doença se espalha principalmente por material vegetal contaminado, ferramentas, solo e água.

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  • Epamig inicia projeto para mapear variedades de mandioca

    Epamig inicia projeto para mapear variedades de mandioca

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) deu início a um projeto inédito para identificar e analisar diferentes cultivares de mandioca. E com isso, aprimorar técnicas de cultivo, processamento e armazenamento. Com mais de 4 mil variedades conhecidas, a mandioca é um dos alimentos mais versáteis e adaptáveis do Brasil. E presente tanto na alimentação humana quanto na agroindústria.

    A pesquisa, liderada pela cientista Raquel Sobral, tem como foco principal variedades biofortificadas cultivadas no semiárido mineiro. O objetivo é determinar os melhores métodos de processamento, avaliar o tempo de cozimento ideal e testar diferentes embalagens para preservar a qualidade pós-colheita. Além disso, a médio prazo, o projeto prevê a criação de um banco de distribuição de manivas. E assim,  fortalecera cadeia produtiva e apoiando agricultores da região.

    Mandioca brava x mandioca mansa: diferenças e cuidados

    A mandioca é dividida em dois tipos principais: a mandioca de mesa (aipim ou macaxeira) e a mandioca brava (de indústria). Enquanto a primeira pode ser consumida cozida ou frita, a segunda contém altos níveis de compostos cianogênicos, como a linamarina, que liberam cianeto — uma substância tóxica. Por isso, a mandioca brava exige processamento industrial antes do consumo. Sendo utilizada principalmente na produção de farinha, polvilho, fécula e tucupi, ingrediente tradicional da culinária nortista.

    Segundo Raquel Sobral, a diferenciação visual entre as duas é quase impossível, cabendo aos produtores e órgãos fiscalizadores garantir a identificação correta. “Quando vendida embalada ou processada, a mandioca deve estar claramente rotulada. E assim, indicando se é própria para consumo direto ou apenas para uso industrial”, ressalta a pesquisadora.

    Tempo de cozimento e impacto no consumo

    Outro aspecto crucial do estudo é a análise do tempo de cozimento, fator determinante para a aceitação do produto pelo consumidor e para o planejamento da colheita. Variedades com cozimento mais rápido tendem a ser mais valorizadas no mercado, especialmente para uso doméstico.

    Com forte ligação com a agricultura familiar, a mandioca é um alimento fundamental na dieta brasileira, seja in natura ou em derivados como farinhas e polvilhos. O projeto da Epamig busca não apenas ampliar o conhecimento científico sobre as diferentes cultivares. Mas também desenvolver tecnologias que garantam maior segurança e eficiência no cultivo e processamento dessa raiz tão essencial para a economia e a cultura do país.

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  • Mosca-das-galhas ameaça lavouras de mandioca no Tocantins

    Mosca-das-galhas ameaça lavouras de mandioca no Tocantins

    Uma praga antes considerada secundária virou motivo de alerta entre mandiocultores do Tocantins. A mosca-das-galhas da mandioca (Jatrophobia brasiliensis) tem causado perdas de até 100% em áreas recém-plantadas no estado e em outras regiões do país. Ao mesmo tempo, o inseto já afeta lavouras no Polo de Fruticultura Irrigada São João.

    A infestação ocorre após o registro de emergência fitossanitária provocada pela vassoura-de-bruxa no Pará e no Amapá. Agora, o problema se espalha para outras áreas, como o Tocantins, onde produtores buscam ajuda urgente. Segundo a Embrapa Pesca e Aquicultura, com sede em Palmas (TO), as infestações ocorrem em alta intensidade. A instituição apoia produtores e técnicos do Ruraltins na tentativa de controlar a praga.

    Praga ataca plantas novas e causa morte precoce

    As larvas da mosca se alimentam dos tecidos internos das folhas. A planta reage formando galhas ou verrugas, comprometendo a fotossíntese e o crescimento. “Em casos severos, há paralisação do desenvolvimento e morte de plantas jovens”, explica o entomologista Daniel Fragoso, da Embrapa.

    Cristiano Barros, produtor do Polo São João, relata o prejuízo. “No fim do ano, vimos alguns focos e achamos que era pontual. Quando voltamos, a praga já tinha tomado a plantação. Precisamos destruir tudo e replantar”, afirma.

    Manejo integrado é a principal estratégia de controle

    A Embrapa orienta o uso do Manejo Integrado de Pragas (MIP) como principal estratégia. Em geral, o método combina diversas práticas, deixando os defensivos químicos como última alternativa. Entre as recomendações estão o plantio na época seca, uso de cultivares resistentes, eliminação de folhas infestadas, catação manual e rotação de culturas. A presença de parasitóides também ajuda no controle biológico da praga. Além disso, pesquisadores acreditam que o uso intenso de inseticidas contra a mosca-branca, na safra passada, pode ter reduzido os inimigos naturais da mosca-das-galhas. Isso explicaria o aumento da infestação neste ano.

    Atenção ao monitoramento e ao controle químico

    Fragoso ressalta a importância do monitoramento constante. “A identificação precoce evita perdas maiores e permite ações mais eficazes”, destaca. Em situações graves, o controle químico pode ser necessário. “É preciso apoio técnico e rotação de ingredientes ativos para evitar resistência”, alerta o pesquisador.

    A Embrapa e produtores seguem realizando testes com produtos biológicos e químicos. O objetivo é encontrar soluções sustentáveis para garantir a produtividade nas lavouras de mandioca.

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  • Mandioca gigante de 2,8 metros surpreende agricultores

    Mandioca gigante de 2,8 metros surpreende agricultores

    Uma mandioca de 2,80 metros colhida no sítio da família Bitencourt, em Cianorte, no noroeste do Paraná, chamou a atenção de moradores e especialistas. O caso ocorreu quando o agricultor Gonçalves Bitencourt, acompanhado do filho Geovan, foi buscar raízes para o preparo de um bolo e se deparou com a mandioca de tamanho incomum, que rapidamente se tornou assunto na região.

    A raiz, cultivada sem adubação química e destinada apenas ao consumo familiar, destaca a força da agricultura tradicional e o potencial do solo local. Segundo o técnico em agropecuária Marcos Batista, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), fatores como solo arenoso e profundo, clima estável, variedade da mandioca, espaço livre e tempo prolongado de cultivo favorecem o crescimento de raízes gigantes.

    Cianorte, cidade com cerca de 80 mil habitantes, tem na agricultura familiar uma de suas principais atividades econômicas, sendo o cultivo da mandioca tradição entre os produtores locais. A mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, é base da alimentação na região e aparece em diversas formas nos mercados e feiras.

    No mesmo dia da colheita da mandioca de 2,80 metros, outra raiz de quase 20 kg foi retirada da mesma lavoura. O que  reforça a importância das boas práticas agrícolas mesmo em pequenas propriedades. O episódio ganhou destaque nas redes sociais, programas de televisão e grupos de mensagens, tornando-se motivo de orgulho para a comunidade.

    O caso evidencia o potencial da agricultura familiar no Paraná. E mostra que, com solo fértil, tempo e dedicação, a terra pode surpreender, mesmo sem o uso intensivo de insumos químicos

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