Tag: Mandioca

  • Embrapa lança página sobre vassoura-de-bruxa da mandioca

    Embrapa lança página sobre vassoura-de-bruxa da mandioca

    A vassoura-de-bruxa da mandioca já atinge 10 dos 16 municípios do Amapá. Além disso, a doença alcançou o norte do Pará e territórios indígenas sensíveis. Entre as áreas afetadas, estão Oiapoque e o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Por isso, o governo declarou emergência fitossanitária nos dois estados. O Ministério da Agricultura e Pecuária declarou emergência devido ao risco de surto.

    O fungo Rhizoctonia theobromae destruiu roças e comprometeu a segurança alimentar. Diante desse avanço, a Embrapa lançou uma página temática exclusiva na internet. A ferramenta reúne dados técnicos, documentos oficiais e orientações de controle. O portal atende produtores, técnicos e gestores públicos. Assim, apoia decisões rápidas e medidas coordenadas contra a doença.

    O ambiente virtual traz um mapa digital interativo e atualizado. Nele, o usuário acompanha a dispersão do fungo em tempo real. Além disso, a página apresenta sintomas iniciais e avançados da doença. Também orienta a identificação correta no campo. O site detalha recomendações práticas para evitar novas infecções. Por fim, reúne estratégias de manejo preventivo e corretivo.

    O ambiente reúne portarias, notas técnicas e manuais oficiais. Com isso, gestores acessam rapidamente as normas em vigor. A página também disponibiliza vídeos de workshops e materiais educativos. Além disso, responde às perguntas mais frequentes dos produtores.

    Base técnica e científica

    A equipe da Embrapa Mandioca e Fruticultura desenvolveu o conteúdo. O trabalho conta com apoio da Embrapa Amapá e da Assessoria de Comunicação. O chefe-geral Francisco Laranjeira coordena o projeto institucional.
    Segundo ele, a página amplia o acesso à informação qualificada. Laranjeira afirma que a doença tem alto potencial destrutivo. Por isso, defende decisões baseadas na ciência.

    O pesquisador ressalta a importância do manejo integrado. Além disso, destaca atualizações contínuas sobre o avanço da praga. Laranjeira também coordena o Centro de Operações de Emergência da Embrapa. A unidade integra esforços de resposta ao surto.

    O Centro reúne instituições sob coordenação do Ministério da Agricultura. Assim, promove diálogo técnico e ações integradas. O grupo discute pesquisa, assistência e proteção às comunidades afetadas. Nesse contexto, povos indígenas recebem atenção especial.

    O analista Jackson de Araújo dos Santos integra a equipe em campo. Ele atua diretamente nas comunidades atingidas. Segundo Santos, a plataforma agiliza o acesso às informações técnicas. Além disso, facilita orientações seguras sobre a doença.

    O Ministério classifica a praga como quarentenária presente. Isso significa que o país controla oficialmente sua propagação. A doença se dispersa por mudas doentes e ferramentas contaminadas. Além disso, água e solo podem transportar o fungo. O nome científico atual é Ceratobasidium theobromae. No entanto, o órgão oficial mantém a classificação anterior.

    A praga não tem relação com a vassoura-de-bruxa do cacaueiro.Embora tenha nome semelhante, trata-se de outra doença. A confirmação ocorreu em julho de 2024, no Amapá. Até então, não havia registro na América do Sul. Com isso, especialistas reforçam a vigilância sanitária. A prevenção agora se tornou prioridade nacional.

  • Maior oferta derruba preços da mandioca

    Maior oferta derruba preços da mandioca

    Os produtores ampliaram a oferta de mandioca na última semana, impulsionados por clima mais favorável e necessidade de capitalização. A oferta cresceu mesmo com margens apertadas, segundo levantamentos do Cepea. Além disso, a disponibilidade de raiz superou a demanda industrial na maioria das regiões monitoradas.

    Como resultado, os preços da mandioca recuaram novamente nos principais polos produtores do país.A média mensal também sofreu pressão e caiu em novembro, após dois meses consecutivos de alta.

    De acordo com pesquisadores do Cepea, o desequilíbrio entre oferta e demanda tende a aumentar nas próximas semanas. Parte dos produtores pretende intensificar as entregas de raiz no mercado físico.

    Por outro lado, indústrias afirmam que devem suspender atividades para manutenção e recesso de fim de ano. Consequentemente, o mercado pode registrar novas quedas nos preços da mandioca em todas as regiões acompanhadas.

  • Paraná investe R$ 1,5 milhão para transformar a mandioca em inovação tecnológica

    Paraná investe R$ 1,5 milhão para transformar a mandioca em inovação tecnológica

    Na Feira Internacional da Mandioca (Fiman), realizada em Paranavaí, o Governo do Paraná apresentou uma aposta ambiciosa: transformar a mandioca em símbolo de inovação. Por meio da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (Seia), o Estado confirmou nesta quarta-feira (26) um investimento de R$ 1,5 milhão para criar o Polo Tecnológico da Mandioca, que será desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

    O objetivo vai além da ciência. O governo quer unir tecnologia, sustentabilidade e agricultura familiar em um projeto que consolide o Paraná como referência nacional no uso da mandioca para fins industriais.

    Ciência, campo e tecnologia de mãos dadas

    O secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, define o projeto como um divisor de águas para o setor.

    “Com esse polo, a mandioca ganha uma nova cara. Vamos modernizar e integrar toda a cadeia produtiva do Noroeste, criando um ambiente que combina inovação tecnológica, sustentabilidade e competitividade”, comentou ele durante o evento.

    A proposta é criar um ecossistema que ligue pequenos produtores, universidades e a indústria. Entre os planos, está a instalação de um laboratório de controle de qualidade e um núcleo de pesquisa focado em amidos modificados, alimentos funcionais e biotecnologia. A estrutura vai permitir estudos sobre o uso da mandioca em bioplásticos, bioenergia e farmacotécnica, além de possibilitar o desenvolvimento de produtos sem glúten e de rótulo limpo (“clean label”).

    Pesquisas e novos mercados

    De acordo com o diretor de Tecnologia e Inovação do Tecpar, Lanes Randal Prates Marques, o polo quer ampliar o valor da cadeia produtiva com novos produtos e a abertura de mercados.

    “A mandioca tem um potencial enorme. Pode gerar alimentos funcionais, produtos bioenergéticos e até insumos industriais. É um campo fértil para inovação”, afirmou.

    Foto: Gabriel Pires

    O projeto terá duração inicial de 14 meses e prevê parcerias com universidades e centros de pesquisa. O resultado esperado é fortalecer a produção regional, criar empregos e tornar o Noroeste do Paraná um polo de referência tecnológica.

    Impacto direto na vida no campo

    Além da pesquisa, o projeto aposta pesado em capacitação técnica. Pequenos e médios produtores receberão treinamento e assistência continuada, com incentivo a práticas mecanizadas e sustentáveis. A meta é aumentar a produtividade da cadeia da mandioca em até 20% e reduzir perdas e resíduos em 35%.

    Outros objetivos incluem elevar em 25% o faturamento das cooperativas locais e inserir cinco novos produtos no mercado, sendo três destinados ao consumo nacional e dois direcionados à exportação.

    Assim, a mandioca, que já molda a economia do interior paranaense, pode agora descobrir um novo destino: o da inovação científica e do valor agregado.

  • Feira Internacional da Mandioca reúne especialistas e espera movimentar R$ 250 milhões

    Feira Internacional da Mandioca reúne especialistas e espera movimentar R$ 250 milhões

    O Parque Internacional de Exposições de Paranavaí se prepara pra receber, pela quarta vez, a Feira Internacional da Mandioca (Fiman). O evento, que acontece de 25 a 27 de novembro, promete reunir mais de 7 mil visitantes e movimentar cifras que podem ultrapassar os R$ 250 milhões registrados na última edição, em 2023.

    A Embrapa Mandioca e Fruticultura, com sede em Cruz das Almas (BA), não só apoia institucionalmente o evento como também comanda boa parte da programação técnica. E a presença da empresa de pesquisa não é por acaso – o Paraná lidera a produção nacional de mandioca para indústria, com números que impressionam até os mais experientes do setor.

    Paraná mostra porque é referência nacional

    Os dados do IBGE de 2024 revelam uma performance que deixa claro porque o estado concentra o maior complexo industrial de fécula, farinha e polvilho azedo do país. O rendimento médio paranaense alcançou 26.822 kg por hectare, quase o dobro da média nacional de 15.465 kg/ha.

    Só na produção de fécula, foram 689,3 mil toneladas no ano passado, sendo que o Paraná respondeu por impressionantes 65,6% de todo o volume nacional. Números assim não aparecem da noite pro dia – são resultado de anos de investimento em tecnologia e pesquisa.

    O que a Embrapa vai apresentar na feira

    Carlos Estevão Cardoso, chefe-geral substituto da Embrapa Mandioca e Fruticultura, explica a importância de marcar presença no evento. “É um momento estratégico para a mandiocultura nacional. Ali se concentra as principais lideranças do setor, com uma dinâmica de produção que atende mercados extremamente exigentes”, afirma.

    Segundo ele, a Embrapa vem fazendo entregas importantes para a região Centro-Sul, especialmente no lançamento de variedades mais produtivas, com maior teor de amido e adaptadas à mecanização. “O objetivo é reduzir os custos de produção, mas também captar novas demandas do setor”, completa Cardoso, que vai participar da abertura oficial ao lado do chefe-adjunto de Pesquisa & Desenvolvimento, Eduardo de Andrade.

    Programação recheada de conteúdo técnico

    A agenda técnica começa já no primeiro dia. Às 15h do dia 25, o pesquisador Rudiney Ringenberg fala sobre manejo integrado de mosca-branca e mandarová – duas pragas que tiram o sono de muitos produtores. No dia seguinte, Ringenberg também vai comandar um dia de campo pela manhã.

    Mas é a nova doença que vem atacando plantações no Norte do país que deve gerar mais discussão. No dia 26, o analista Herminio Rocha apresenta estratégias de prevenção e combate à morte descendente da mandioca, também conhecida como vassoura-de-bruxa. Um problema recente que preocupa especialistas e produtores.

    Rocha volta ao palco no dia 27 para falar sobre materiais de plantio. Ele coordena a Rede Reniva, iniciativa focada na produção e distribuição de manivas-sementes com qualidade genética e fitossanitária garantidas.

    Tecnologias que fazem a diferença no campo

    O estande da Embrapa, sob responsabilidade do analista Ildos Parizotto, vai apresentar um leque de soluções práticas. Entre elas, destaque para a técnica de termoterapia e os métodos de multiplicação de mudas desenvolvidos pela Rede Reniva.

    Os visitantes também vão conhecer as variedades lançadas especificamente para a região Centro-Sul. Para uso industrial, estão disponíveis a BRS CS 01, BRS 420, BRS Boitatá e BRS Ocauçu. Já quem trabalha com mandioca de mesa pode contar com a BRS 429.

    E tem novidade digital: a Embrapa acabou de lançar a plataforma Ater+ Mandioca (disponível em atermaismandiona.embrapa.br). O portal reúne informações confiáveis em formatos variados – textos curtos, vídeos, infográficos – tudo pensado pra facilitar o dia a dia no campo e tornar o conhecimento mais acessível.

    Uma parceria que deu certo

    Desde 2009, a Embrapa mantém um campo avançado na Embrapa Soja, em Londrina. A estratégia permitiu que pesquisadores ficassem mais próximos da realidade local, instalassem experimentos em propriedades parceiras e atendessem melhor as demandas específicas dos produtores paranaenses.

    O resultado dessa proximidade? Já foram lançadas quatro variedades de mandioca industrial com alto rendimento de amido. As duas mais recentes, BRS Ocauçu e BRS Boitatá, chegaram ao mercado em julho deste ano, somando-se às já consolidadas BRS CS01 e BRS 420.

    A Fiman é fruto da união de várias entidades: Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (Aciap), Sindicato Rural de Paranavaí, Sociedade Rural do Noroeste do Paraná, Centro Tecnológico da Mandioca (Cetem), Prefeitura de Paranavaí, Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (Abam) e Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná (Simp).

    A proposta é criar um espaço onde produtores conversam com industriais, fornecedores mostram novidades, consumidores entendem melhor a cadeia e varejistas identificam oportunidades. Um ambiente de negócios, sim, mas também de troca de conhecimento e construção coletiva de soluções.

    Serviço:
    • Evento: Feira Internacional da Mandioca (Fiman)
    • Local: Parque Internacional de Exposições
    • Endereço: BR-376, KM 108, Distrito Sumaré – Paranavaí (PR)
    • Data: 25 a 27 de novembro de 2025
    • Inscrições: https://fiman.com.br
  • Paranavaí sediará feira internacional da mandioca

    Paranavaí sediará feira internacional da mandioca

    Paranavaí, no noroeste do Paraná, se prepara para receber a 4ª Feira Internacional da Mandioca (Fiman), marcada para os dias 25, 26 e 27 de novembro. Reconhecida como a Capital da Mandiocultura Industrial, a cidade espera público recorde e volume de negócios superior a R$ 250 milhões, alcançado na última edição.

    O evento, realizado no Parque Internacional de Exposições Costa e Silva, promete ser o maior da história do setor. A feira discutirá inovação, sustentabilidade e soluções para o aumento da produtividade da mandioca.

    Brasil é destaque na produção global

    A Fiman abordará o papel do Brasil no mercado internacional. O país é o quinto maior produtor mundial, responsável por 5,7% da produção global. Em 2024, o setor movimentou R$ 18 bilhões, com 19 milhões de toneladas colhidas e quase um milhão de propriedades rurais envolvidas na atividade.

    Para Ivo Pierin, vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (ACIAP), organizadora do evento, a feira é o principal ponto de encontro da cadeia produtiva. “A Fiman reúne indústrias, fornecedores e centros de pesquisa. É a vitrine de novas variedades, equipamentos e tecnologias em mecanização e aproveitamento da mandioca”, afirma Pierin.

    Cidade se consolida como centro da mandiocultura

    Com a presença de comitivas nacionais e internacionais, a Fiman 2025 deve superar os resultados da edição anterior. O prefeito de Paranavaí, Mauricio Gehlen, destaca que o município é referência mundial em produção inteligente e industrialização da mandioca. “A feira promove parcerias e impulsiona o desenvolvimento. A mandioca é estratégica para a segurança alimentar e o Brasil é líder no setor”, ressalta.

    A expectativa é reunir representantes de mais de 20 países, consolidando Paranavaí como referência global em mandiocultura industrial.

    Paraná lidera produtividade

    Segundo o IBGE, o Paraná apresentou rendimento médio de 26.822 kg por hectare em 2024, bem acima da média nacional de 15.465 kg/ha. Essa eficiência sustenta a indústria da fécula, que produziu 689,3 mil toneladas no ano passado, sendo o Paraná responsável por 65,6% do total.

    Pierin, também presidente do Sindicato Rural de Paranavaí e membro da FAEP, destaca que a feira incentiva a integração entre produtores, empreendedores e pesquisadores. “Os produtores terão contato direto com indústrias, novas pesquisas e oportunidades de investimento em fécula e farinha”, explica.

    Inovação, conhecimento e negócios

    Com entrada gratuita, das 13h às 20h, a Fiman 2025 será um centro de conhecimento, inovação e negócios.
    A programação inclui rodadas de negócios promovidas pelo Sebrae, Dia de Campo (27/11), Ideathon — maratona de ideias para soluções em produção de fécula — e palestras técnicas sobre inovação, sustentabilidade e novos mercados.

    Entre os expositores confirmados estão Cresol, Marquesfund, Secamaq, Podium, VMAQ, Petra Agronegócio, além das chinesas Sino Food e Bosida.

    Programação de palestras técnicas

    25/11 – terça-feira
    • Manejo Integrado de Mosca Branca e Mandarová na Cultura da Mandioca – Rudiney Ringenberg (Embrapa)
    • Ecossistema Biometano New Holland – Gean Severo Cembranel (New Holland)
    26/11 – quarta-feira
    • Nova Vassoura de Bruxa da Mandioca – Herminio Souza Rocha (Embrapa)
    • Do Resíduo ao Resultado: A Nova Era da Eficiência na Extração Agrícola – João Marques Sobrinho (MarquesFund)
    • Bacillus cereus na indústria de derivados de mandioca: desafios regulatórios e estratégias de controle – José Lucas Rezende (Rezende Tecnologia)
    27/11 – quinta-feira
    • Materiais de plantio de mandioca – Rede Reniva – Helton Fleck da Silveira e Herminio Souza Rocha (Embrapa)

     

  • Colheita de mandioca avança em ritmo lento

    Colheita de mandioca avança em ritmo lento

    A colheita de mandioca retomou as atividades após as chuvas da semana passada, mas avançou lentamente nas principais regiões produtoras. O Cepea observou que muitos produtores mantiveram pouco interesse em acelerar os trabalhos, porque consideram baixa a atratividade da venda da raiz.

    Os mandiocultores afirmaram que a produtividade e o teor de amido seguem reduzidos, o que limita o avanço da colheita. Com isso, os preços da mandioca se sustentaram ao longo da semana.

    Levantamento do Cepea mostrou que, entre 10 e 14 de novembro, a tonelada de mandioca posta fecularia registrou média de R$ 565,81. O valor caiu 1,1% frente ao período anterior. A média parcial de novembro segue 0,6% acima da registrada em outubro.

  • Mandioca alcança maior preço desde fevereiro

    Mandioca alcança maior preço desde fevereiro

    Os preços da mandioca permaneceram firmes na última semana, segundo o Cepea. A média atingiu o maior valor nominal desde fevereiro.

    Os pesquisadores explicam que, embora as chuvas tenham favorecido o retorno dos trabalhos de campo em todas as regiões produtoras, a oferta segue limitada. Muitos produtores reduziram as entregas por causa da baixa rentabilidade das raízes de primeiro ciclo, que apresentam menor produtividade e teor de amido.

    Entre 20 e 24 de outubro, a média nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 569,98, equivalente a R$ 0,9913 por grama de amido. O valor representa leve alta de 0,1% em relação à semana anterior e é o maior patamar desde fevereiro de 2025.

    Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda real de 13,6%, considerando os dados deflacionados pelo IGP-DI.

  • Valorização da mandioca na Tailândia pressiona mercado global de açúcar

    Valorização da mandioca na Tailândia pressiona mercado global de açúcar

    A Tailândia, maior exportadora mundial de mandioca, enfrenta uma mudança importante no perfil agrícola que pode impactar diretamente o mercado global de açúcar na safra 2026/27. A valorização da mandioca estimula produtores a migrarem da cana-de-açúcar para a raiz, influenciando a oferta internacional do adoçante.

    Com um PIB previsto em US$ 1,9 trilhão para 2025, a Tailândia destaca-se como potência agrícola, especialmente na produção de arroz, borracha, açúcar e mandioca. Nos últimos anos, a queda dos preços da mandioca e a maior rentabilidade da cana provocaram a redução da área plantada da raiz em 10% na safra 2022/23. Porém, essa tendência começa a reverter.

    A demanda chinesa pela mandioca tailandesa cresceu em 2025, após um recuo significativo nos dois anos anteriores. Enquanto a China importou 7,1 milhões de toneladas em 2022 e apenas 2,5 milhões em 2024, voltou a adquirir 4 milhões de toneladas entre março e julho de 2025, com 80% desse volume vindo da Tailândia, segundo dados da StoneX.

    O aumento dos preços do milho na China levou a indústria local de ração e etanol a buscar substituir o grão pela mandioca. Essa mudança elevou os preços da mandioca bruta na Tailândia para 1.700 baht por tonelada (US$ 51,85) em julho e agosto, acima dos 1.400 baht/t (US$ 42,70) registrados em junho — nível mais baixo desde 2017.

    Demanda chinesa

    Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX, observa que “a recuperação da demanda chinesa pode redefinir a rentabilidade das culturas na Tailândia. A mandioca ressurge como opção viável, principalmente se os preços do açúcar continuarem em queda”.

    Até julho, as exportações de mandioca e derivados alcançaram 4,9 milhões de toneladas, quase igualando o total de 5,2 milhões de 2024. A expectativa é de manutenção da recuperação até 2026. Reacendendo a competição com a cana nas regiões Norte e Nordeste, onde produtores costumam alternar culturas conforme a rentabilidade.

    O preço do açúcar cotado abaixo de 16 centavos de dólar por libra pressiona o governo a reduzir o preço mínimo da cana, fortalecendo a migração para a mandioca. Segundo cálculos da StoneX com base no Escritório de Economia Agrícola da Tailândia, a mandioca precisaria atingir preços entre 2.000 e 2.300 baht por tonelada para superar a cana, caso esta caia para menos de 1.000 baht/t.

    Mudança inevitável

    Di Bonifácio destaca: “Se a cana perder rentabilidade e a mandioca alcançar 2.300 baht/t, a mudança será inevitável. Podendo impactar a oferta global de açúcar já na safra 2026/27”.

    Essa substituição ocorre num momento crítico para o açúcar, que enfrenta superávit projetado para 2025/26 e pressão baixista após três safras seguidas em alta. Como responsável por cerca de 10% da exportação global do adoçante, a Tailândia tem papel decisivo nesse cenário.

    Mesmo uma redução parcial da área plantada de cana no país pode limitar a produção de açúcar e interromper o ciclo de crescimento iniciado em 2022, amenizando o excesso de oferta mundial.

    “A Tailândia é elo estratégico para açúcar e mandioca. Qualquer alteração em sua produção afeta os fluxos comerciais asiáticos e o equilíbrio global das commodities agrícolas”, afirma Di Bonifácio.

    No curto prazo, a retomada da demanda chinesa traz nova competitividade para a mandioca. No médio prazo, esse rearranjo pode redesenhar a dinâmica de dois mercados agrícolas fundamentais para a economia global.

  • Mandioca tem nova alta com oferta abaixo do esperado

    Mandioca tem nova alta com oferta abaixo do esperado

    A oferta de mandioca seguiu abaixo das expectativas na última semana, mesmo com o retorno das chuvas nas principais regiões produtoras, segundo o Cepea.

    Muitos produtores com raízes de primeiro ciclo consideram a rentabilidade comprometida. A baixa disponibilidade manteve os preços em alta.

    De acordo com o levantamento do Centro de Pesquisas, a tonelada de mandioca posta fecularia alcançou média nominal de R$ 569,56 (R$ 0,9905 por grama de amido). O valor representa alta de 1% na semana e de 5% no acumulado das últimas quatro semanas.

    Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve queda real de 11,3%, considerando o deflacionamento pelo IGP-DI.

    No mercado de derivados, o Cepea apontou que a comercialização de fécula se manteve aquecida, mas com menor volume de negócios efetivos.

    Já para a farinha de mandioca, os compradores reduziram a atividade após recompor os estoques. O movimento resultou em queda nas vendas para atacadistas e varejistas.

  • Paraná recebe a 4ª Feira Internacional da Mandioca

    Paraná recebe a 4ª Feira Internacional da Mandioca

    Paranavaí, conhecida como a Capital da Mandiocultura Industrial, sedia entre os dias 25 e 27 de novembro a maior feira do setor da mandioca no Brasil. O evento, realizado no Parque Internacional de Exposições Costa e Silva, espera superar os 7 mil visitantes e movimentar mais de R$ 250 milhões em negócios.

    O setor da mandioca brasileiro movimentou mais de R$ 18 bilhões em 2024, com a colheita de 19 milhões de toneladas, beneficiando quase um milhão de estabelecimentos rurais. O evento trará debates sobre inovação, sustentabilidade e o papel do país como o quinto maior produtor global, responsável por 5,7% da produção mundial.

    Desenvolvimento e integração impulsionam setor em Paranavaí

    Ivo Pierin, vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Paranavaí (ACIAP) e presidente do Sindicato Rural local, afirma que a feira promove o encontro da cadeia produtiva. Reunindo indústrias, fornecedores e institutos de pesquisa para apresentar novidades em variedades e maquinários.

    O prefeito Mauricio Gehlen destaca o reconhecimento internacional de Paranavaí pela produção inteligente da mandioca. E também a expectativa de receber representantes de mais de 20 países. Ele ressalta que o evento facilita parcerias e impulsiona o desenvolvimento da mandiocultura industrial, fundamental para a segurança alimentar.

    Paraná lidera produção de fécula no Brasil com alta eficiência

    Segundo dados do IBGE, o Paraná alcançou, em 2024, rendimento médio de 26.822 kg por hectare, quase 74% acima da média nacional. O que sustenta a produção de fécula que chegou a 689,3 mil toneladas, representando 65,6% do total nacional.

    A Fiman 2025 oferecerá entrada gratuita das 13h às 20h. E incluirá rodadas de negócios organizadas pelo Sebrae, Dia de Campo, Ideathon e palestras técnicas focadas em inovação e sustentabilidade. Expositores nacionais e internacionais, como Cresol, Marquesfund, Secamaq, Sin Food (China) e Bosida, já confirmaram presença.