Tag: Mandioca

  • Conheça a nova cultivar de mandioca que rende 25% mais

    Conheça a nova cultivar de mandioca que rende 25% mais

    O Instituto Agronômico (IAC-APTA), de São Paulo, lançou a IAC 139, nova cultivar de mandioca voltada à indústria com produtividade média 25% superior às variedades em uso no campo. A novidade chega como homenagem aos 139 anos da instituição, celebrados em junho de 2026.

    Foto: Divulgação IAC

    Além do ganho de produtividade, a IAC 139 apresenta 41% de matéria seca nas raízes, com 80% a 85% de amido. E apenas 1% a 2% de fibras. Esse perfil eleva o rendimento industrial na produção de farinha, polvilho e fécula. E atende à demanda por raízes de casca e polpa claras, preferência das fábricas.

    “Essa cultivar possui alto teor de matéria seca e raízes de casca e polpas claras, que são um grande atrativo para as indústrias. Para atender o setor, nossa pesquisa considerou essas características, além de rendimento e resistência à bacteriose, a principal doença da cultura da mandioca”, afirma José Carlos Feltran, pesquisador do IAC, vinculado à APTA e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

    A cultivar tem ciclo de 10 a 13 meses do plantio à colheita. E se destaca pela colheita precoce, o que permite melhor planejamento da safra e da entrega às indústrias.

    Onde a IAC 139 se adapta

    A IAC 139 é indicada para as regiões produtoras de mandioca de indústria nos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, a cultura ocupa cerca de 70 mil hectares, concentrados principalmente na região do Médio Paranapanema, próximo à divisa com o Paraná.

    No Brasil, a produção anual de mandioca para indústria, farinha e fécula gira em torno de 20 milhões de toneladas, em área próxima de 1 milhão de hectares. O país é autossuficiente nesses produtos. Os principais estados produtores são Pará (líder nacional), Bahia, Ceará, Paraná e Mato Grosso do Sul, além de São Paulo.

    No Centro-Sul, os produtores ainda utilizam cultivares tradicionais como IAC 14, IAC 90, IAC 118-95, IPR Paraguainha, IPR B36 e BRS CS01. Segundo Feltran, cada região mantém suas cultivares de referência. E a IAC 139 entra como mais uma opção para os campos paulistas, onde predominam as cultivares IAC de mandioca industrial.

    Como surgiu a IAC 139

    O desenvolvimento da nova cultivar começou em 2012, por meio de cruzamento de campo entre as cultivares IAC 14 e Fécula Branca. Dentre milhares de clones gerados, os pesquisadores selecionaram o IAC 19-12, que reuniu as melhores características avaliadas ao longo de anos de plantio em diferentes locais.

    Batizado de IAC 139, o novo material foi registrado no Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura e Pecuária (RNC/MAPA), o que viabiliza sua multiplicação e comercialização por produtores e viveiristas credenciados.

  • Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    Governo define preços mínimos para safra 2026/27 e 2027

    O governo federal publicou nesta segunda-feira (13) a Portaria nº 934. Ela estabelece os preços mínimos para produtos de verão e regionais das safras 2026/27 e 2027. A medida saiu no Diário Oficial da União (DOU) e define os valores que vão orientar as operações da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).

    O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou os preços, que funcionam como referência para assegurar renda mínima aos produtores rurais em caso de queda nas cotações de mercado.

    Os preços mínimos terão vigência entre julho de 2026 e junho de 2028, conforme o produto. A lista inclui culturas estratégicas para o agronegócio brasileiro, como algodão (em caroço e pluma), arroz longo fino em casca, milho, soja e sorgo, além de feijão (cores e preto), mandioca (raiz, fécula e goma), cacau, borracha natural cultivada e leite.

    Também entram na relação produtos como caroço de algodão e juta/malva (embonecada e prensada). Além de derivados da borracha, como coágulo virgem a granel e látex de campo.

    Além dos produtos agrícolas, a portaria fixa os preços mínimos para sementes de culturas de verão e regionais, incluindo algodão, arroz, feijão, juta/malva, milho, soja e sorgo. Nesse caso, a vigência começa em novembro de 2026 e segue até junho de 2028.

    O que é a PGPM

    A Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) busca proteger a renda do produtor rural diante das oscilações de mercado. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elabora as propostas de preços com base em custos de produção e nas condições dos mercados interno e externo.

    De acordo com o Decreto-Lei nº 79/1966, os valores consideram fatores como oferta, demanda e variações nos preços agrícolas, garantindo maior previsibilidade ao setor.

  • Preço da fécula sustenta faturamento da mandioca

    Preço da fécula sustenta faturamento da mandioca

    A indústria brasileira de amidos de mandioca ampliou sua capacidade instalada, aumentou a moagem e gerou mais empregos em 2025. No entanto, a produção de fécula e de outros derivados registrou leve queda.

    Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Amidos de Mandioca (Abam), mostram que a valorização da fécula compensou a retração produtiva e elevou o Valor Bruto da Produção (VBP).

    O levantamento identificou 88 unidades industriais ativas e inativas. As plantas estão distribuídas em 65 municípios de sete estados brasileiros.

    Capacidade industrial cresce pelo quinto ano seguido

    A capacidade instalada alcançou 25,6 mil toneladas por dia em 2025. O resultado representa o quinto crescimento anual consecutivo. A expansão ocorreu principalmente devido às ampliações realizadas em algumas unidades industriais.

    O Paraná liderou a capacidade instalada, com participação de 65,6%. Mato Grosso do Sul respondeu por 19,8% e São Paulo por 7,9%. Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Alagoas concentraram os 6,7% restantes.

    O número de empregados diretos nas fecularias chegou a 3.721 trabalhadores. O volume representa aumento de 7% em comparação com 2024.

    Moagem de mandioca bate recorde histórico

    As fecularias processaram 3,13 milhões de toneladas de mandioca em 2025. O volume cresceu 5,5% em relação ao ano anterior e estabeleceu novo recorde na série histórica do Cepea. O aumento ocorreu na maior parte das regiões acompanhadas pela pesquisa.

    Produção de fécula recua apesar da maior moagem

    A produção nacional de fécula totalizou 686,03 mil toneladas em 2025. O resultado ficou 0,5% abaixo do registrado no ano anterior. A queda foi influenciada principalmente por São Paulo. O estado reduziu sua produção em 40,9%.

    Nas demais regiões, a produção avançou ao longo do período. O Paraná respondeu por 67,6% da produção nacional. Mato Grosso do Sul participou com 22,8% e São Paulo com 5,8%. O Nordeste concentrou 3,1% da produção e Santa Catarina representou 0,7%.

    Segundo pesquisadores do Cepea, a redução ocorreu devido à menor taxa média de extração de amido pela indústria. O cenário contrasta com o maior teor de amido nas raízes observado durante a maior parte de 2025.

    Amidos modificados avançam no mercado

    A diversificação industrial permaneceu em crescimento. Entre as empresas pesquisadas, 45,1% produziram pelo menos um derivado adicional além da fécula. O volume total desses produtos alcançou 355,8 mil toneladas. Apesar disso, a produção conjunta recuou 3,2% no ano.

    O destaque ficou com os amidos modificados. A produção da categoria cresceu 31,2% e atingiu 155,6 mil toneladas. O desempenho indica avanço dos produtos com maior valor agregado.

    Valorização da fécula eleva VBP para R$ 2,14 bilhões

    O preço médio nominal da fécula subiu 3,1% em 2025. A tonelada foi comercializada, em média, por R$ 3.122,47 na modalidade FOB indústria. Com isso, o Valor Bruto da Produção alcançou R$ 2,14 bilhões. O indicador avançou 2,6% em relação ao ano anterior. Em termos reais, porém, os preços permaneceram praticamente estáveis após o desconto da inflação.

    Panificação lidera consumo da fécula

    O principal destino da fécula foi o segmento de massas, biscoitos e panificação. O setor respondeu por 26,7% do volume comercializado. Atacadistas e redistribuidores participaram com 10,8%. Outras fecularias absorveram 10,2% da produção.

    Os setores de papel e papelão representaram 6,4%. O varejo respondeu por 5,3% e os frigoríficos por 5,1%. A produção de tapioca semipronta absorveu 3,6%.

    Já as indústrias químicas utilizaram 2,1% do total produzido. Entre as empresas pesquisadas, 20,7% realizaram exportações diretas de fécula. Os estoques encerraram 2025 em 54,3 mil toneladas. O volume correspondeu a 7,9% da produção anual.

    Setor projeta crescimento em 2026

    Para 2026, 57,4% das empresas esperam manter a produção nos mesmos níveis de 2025. Outros 29,4% projetam crescimento médio de 20,3%. Já 13,2% estimam queda média de 12,8%.

    No consolidado, a expectativa do setor aponta expansão de 15,5% na produção. Dados preliminares do Cepea indicam que a produção de fécula alcançou 360 mil toneladas até maio. O volume supera em 4,1% o registrado no mesmo período de 2025.

    Apesar do avanço, o resultado ainda permanece abaixo das projeções do setor. A colheita da mandioca e o esmagamento industrial concentram-se tradicionalmente no primeiro semestre.

     

  • Como os clássicos juninos fortalecem o seu organismo

    Como os clássicos juninos fortalecem o seu organismo

    Junho traz consigo as cores e ritmos das festas juninas, mas os verdadeiros protagonistas dessas celebrações estão no prato. Milho, amendoim e mandioca formam a base da identidade alimentar brasileira e garantem não apenas o sabor das quermesses, mas também uma carga valiosa de nutrientes.

    De acordo com especialistas, esses alimentos são versáteis o suficiente para compor uma dieta equilibrada durante todo o ano.

    Além da relevância cultural, esses ingredientes movimentam a economia do campo. São Paulo lidera a produção nacional de amendoim, respondendo por 86% do volume total do país, o que supera as 700 mil toneladas anuais. O milho também se destaca como um dos dez principais cultivos do estado, com uma safra estimada em 3,6 milhões de toneladas para 2024/25, enquanto a mandioca mantém uma produção estável próxima de 1,6 milhão de toneladas.

    Para Katlly Evillim Sousa, nutricionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), a temporada junina é o momento ideal para valorizar essa cultura alimentar. Segundo a especialista, o consumo equilibrado desses itens fornece energia, vitaminas, minerais e compostos bioativos essenciais para a manutenção da saúde.

    Milho: energia e defesa antioxidante

    O milho serve como base para diversas receitas e atua como uma poderosa fonte de carboidratos e energia. O grão carrega proteínas, minerais (como ferro, potássio e zinco) e vitaminas do complexo B.

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    O grande diferencial, no entanto, reside nos seus compostos fenólicos e antioxidantes, que protegem as células contra radicais livres e ajudam a reduzir o risco de doenças crônicas, como diabetes e câncer. Suas fibras também promovem o bom funcionamento intestinal e a saúde do coração.

    Amendoim: o aliado do coração

    Considerado um alimento funcional, o amendoim se destaca pelo alto valor nutricional. Ele oferece proteínas, vitamina E e gorduras insaturadas (ômega 6 e 9). A presença do resveratrol confere ao amendoim um papel protetor para o sistema cardiovascular, auxiliando no controle do colesterol.

    Reprodução – Jornal da USP

    Por ser rico em fibras, ele aumenta a sensação de saciedade e ajuda a regular o açúcar no sangue, embora exija moderação devido ao seu alto teor calórico.

    Mandioca: versatilidade energética

    A mandioca completa a tríade como um alimento altamente energético e rico em vitamina C, potássio e magnésio. A vitamina C estimula a formação de colágeno e a proteção celular, enquanto o potássio garante o funcionamento muscular adequado.

    Foto: divulgação: Embrapa/Regina Siglia Souza

    Assim como os outros itens da lista, as fibras da mandioca são fundamentais para o controle da glicose e do colesterol, além de auxiliarem o trânsito intestinal.

  • Preços da mandioca caem com avanço da colheita

    Preços da mandioca caem com avanço da colheita

    O avanço da colheita de mandioca pressionou os preços na última semana. A comercialização também superou a demanda industrial. Segundo o Cepea, as cotações registraram a menor média nominal semanal desde janeiro deste ano.

    Além disso, a previsão de melhora do clima deve acelerar a colheita nas próximas semanas. A liberação de áreas também tende a ampliar a oferta. Portanto, o mercado deve manter pressão baixista sobre os preços da mandioca.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que muitos produtores já sinalizam redução das áreas destinadas à cultura neste ano. A decisão considera a rentabilidade dos últimos anos, os atuais preços da mandioca e os altos custos de arrendamento.

    Além disso, a oferta de crédito também influencia o planejamento dos produtores para a próxima safra. Ainda segundo o Cepea, parte das lavouras de primeiro ciclo apresenta produtividade abaixo das expectativas. As áreas com ciclo de até 12 meses enfrentam desempenho inferior ao esperado pelos produtores.

  • Mapa estabelece valores de liberação para arroz, milho, trigo e mandioca

    Mapa estabelece valores de liberação para arroz, milho, trigo e mandioca

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 908 no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21), estabelecendo os Preços de Liberação dos Estoques Públicos (PLE) para arroz, milho, trigo e derivados da mandioca. A medida orienta as operações de venda da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em leilões públicos até 2027.

    Os preços funcionam como referência para a intervenção do governo no mercado. Quando as cotações superarem o PLE, o governo poderá autorizar a venda de produtos dos estoques públicos para conter altas.

    A Conab executará as operações por meio de leilões no Sistema de Comercialização Eletrônica (Siscoe).

    Preços por produto e região

    O arroz em casca terá preço de liberação de R$ 78,80 por saca de 50 kg no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, válido até 31 de janeiro de 2027. Nas demais regiões, o valor chega a R$ 98,81 por saca de 60 kg.

    A farinha de mandioca fina beneficiada, tipos 1 e 2, terá PLE de R$ 3,01 por quilo nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com vigência até 31 de dezembro de 2026.

    Para a fécula de mandioca, o preço será de R$ 3,53 por quilo nas mesmas regiões, também válido até o fim de 2026.

    No caso do milho, o Mapa definiu valores regionalizados. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o preço será de R$ 69,39 por saca de 60 kg. No Sudeste e no Paraná, ficará em R$ 63,82. Já no Centro-Oeste e no Norte, exceto Tocantins e Pará, o valor será de R$ 48,43.

    No oeste da Bahia e nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, o milho terá PLE de R$ 58,04 por saca. Nessas regiões, os preços valem até 31 de dezembro de 2026.

    Para o restante do Nordeste, o valor será de R$ 78,37 por saca de 60 kg, com vigência entre 1º de junho de 2026 e 31 de maio de 2027.

    O trigo em grãos, tipo 1 pão, terá preço de liberação de R$ 97,01 por saca de 60 kg na Região Sul, válido entre 1º de julho de 2026 e 30 de junho de 2027.

    Regras para uso dos estoques

    A portaria estabelece que os preços do milho não se aplicam às vendas destinadas ao Programa de Venda em Balcão (ProVB), operado pela Conab.

    Além disso, quando os preços de mercado superarem o PLE, a liberação dos estoques dependerá de autorização prévia do Mapa e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A decisão também considerará a disponibilidade orçamentária e seguirá as regras da Portaria nº 523/2022.

  • Embrapa e indígenas combatem vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá

    Embrapa e indígenas combatem vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá

    A Embrapa intensifica ações de pesquisa e transferência de tecnologia em parceria com povos indígenas para conter a vassoura-de-bruxa da mandioca no município de Oiapoque, no Amapá. A iniciativa combina ciência e conhecimento tradicional para enfrentar a praga, identificada inicialmente por agricultores indígenas na região.

    A doença, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, surgiu em roças indígenas na fronteira com a Guiana Francesa e permanece restrita aos estados do Amapá e do Pará. O Ministério da Agricultura e Pecuária classifica o problema como praga quarentenária presente no Brasil.

    Pesquisadores da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura realizam visitas técnicas frequentes às aldeias, onde conduzem experimentos em lavouras de mandioca. O trabalho busca identificar cultivares resistentes ou tolerantes à vassoura-de-bruxa, considerando as condições locais de cultivo e os modos de vida das comunidades.

    Nas aldeias Tukay, Kariá e Galibi, os experimentos já avaliam 210 genótipos de mandioca, incluindo variedades coletadas em diversas regiões do país. Segundo o pesquisador Saulo Oliveira, os testes analisam sintomas como a formação de rosetas, além da incidência e severidade da doença, com foco no desenvolvimento de materiais mais resistentes por meio do melhoramento genético.

    A participação indígena tem papel central no processo. Agricultores colaboram diretamente com os experimentos e indicam variedades que apresentam melhor desempenho em campo. A equipe técnica valida essas informações para confirmar produtividade e resistência à praga.

    Tecnologia e capacitação fortalecem controle da doença

    As ações contam com recursos do TED Indígena, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O programa apoia pesquisas e estratégias para reduzir a disseminação do fungo, além de investir em infraestrutura.

    Uma das principais entregas foi a instalação de uma câmara térmica no Centro de Formação dos Povos Indígenas de Oiapoque. A tecnologia elimina patógenos e permite a produção de mudas saudáveis, contribuindo para a recuperação das áreas afetadas e para a segurança alimentar.

    Câmara térmica para sanitização de manivas-sementes a serem cultivadas em experimentos nas aldeias indígenas do Oiapoque. Foto: Girlane Duarte/Embrapa

    De acordo com o agente ambiental indígena Gilmar Nunes André, do povo Galibi Marworno, as mudas tratadas serão multiplicadas rapidamente e distribuídas entre as aldeias. O ciclo de produção permite novos plantios cerca de 120 dias após o início do tratamento.

    O TED Indígena também promove capacitações para diversificar a produção agrícola e ampliar a geração de renda. Na Aldeia do Manga, por exemplo, produtores participaram de um Dia de Campo sobre cultivo de banana, com orientações sobre manejo, controle de pragas e práticas pós-colheita.

    A execução do programa envolve uma rede de instituições, incluindo Embrapa, MDA, Funai, Rurap, SDR, Diagro, além de organizações indígenas e a Prefeitura de Oiapoque, fortalecendo a articulação entre pesquisa, políticas públicas e comunidades locais.

  • Vai uma mandioca aí? Alimento tradicional une história, sabor e nutrição

    Vai uma mandioca aí? Alimento tradicional une história, sabor e nutrição

    Presente na mesa de milhões de brasileiros e com papel cada vez mais relevante no campo, a mandioca celebra seu dia em 22 de abril, não casualmente o Dia do Descobrimento do Brasil. Conhecida como aipim, macaxeira ou até “pão do pobre”, a raiz é uma das mais populares no país. E vai muito além da tradição culinária: ela é oportunidade e renda.

    A Conab estimou uma produção em torno de 20,29 milhões de toneladas no Brasil em 2025, um crescimento de cerca de 6,48% em relação ao ano anterior. No cenário global, o país ocupa a quinta posição entre os maiores produtores, atrás de Nigéria, Congo, Tailândia e Gana.

    Segundo a Embrapa, a mandioca está entre os seis produtos agrícolas mais relevantes em valor de produção no Brasil. Aproximadamente 40% das suas raízes são destinadas à fabricação de farinha, 20% à produção de amido e 40% à mesa. De boa adaptação a diferentes condições de solo e clima, essa cultura se destaca pela eficiência produtiva, inclusive em pequenas propriedades.

    História e nutrição

    De origem sul-americana, e talvez brasileira segundo alguns estudos, o cultivo da mandioca está ligado aos povos originários e se expandiu pelo mundo durante as grandes navegações portuguesas.

    Do ponto de vista nutricional, trata-se de um alimento altamente energético, rico em carboidratos, além de fornecer fibras, vitamina C, magnésio e potássio. Essa composição contribui para o funcionamento intestinal e auxilia no combate aos radicais livres, reforçando seu valor na alimentação diária.

    As variedades do sabor

    Alimento versátil, a mandioca admite diferentes formas de preparo, sendo o cozimento sob pressão uma das maneiras mais seguras e comuns. Cozida, ela é base para ensopados reconfortantes ou acompanhamento de diversos pratos, porções e churrascos. Frita e crocante, ela já disputa espaço com a batata na preferência do consumidor.

    Uma alternativa menos convencional é o uso em saladas de maionese, substituindo a batata tradicional. O resultado surpreende pelo sabor e textura, mantendo a simplicidade no preparo.

    Da lavoura à mesa, a mandioca sintetiza a conexão entre tradição, diversidade regional e produção agrícola. Mais do que um alimento, é símbolo de resistência, adaptação e da força do campo brasileiro.

  • Preços da mandioca seguem em alta no mercado

    Preços da mandioca seguem em alta no mercado

    Os preços da mandioca seguem firmes no mercado brasileiro, conforme apontam dados recentes do setor. Na semana passada, a maioria das empresas reduziu os dias de trabalho por causa do feriado da Paixão de Cristo.

    Ao mesmo tempo, produtores limitaram a comercialização, seja pela rentabilidade, seja pelo recesso no período. Segundo os pesquisadores do Cepea, esse movimento reduziu o volume de esmagamento nas indústrias. Como resultado, os preços da mandioca permaneceram praticamente estáveis ao longo do período analisado.

    Além disso, muitos produtores buscam capitalização e sinalizam uma retomada mais intensa das vendas no curto prazo. Por outro lado, o Inmet prevê a volta das chuvas já nesta semana em várias regiões produtoras. Com isso, as precipitações podem dificultar a colheita em parte das áreas agrícolas.

    Esse cenário tende a manter a oferta abaixo das expectativas do mercado. Ao mesmo tempo, a demanda aquecida contribui para sustentar os preços da mandioca no país.

  • Engenhos de farinha de mandioca de SC viram patrimônio cultural do Brasil

    Engenhos de farinha de mandioca de SC viram patrimônio cultural do Brasil

    Os saberes e práticas tradicionais associados aos engenhos de farinha de mandioca de Santa Catarina são, agora, patrimônio cultural imaterial do Brasil. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o registro na última quarta-feira (11/03), durante sua 112ª reunião, realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. O reconhecimento inscreve a tradição no Livro de Registro dos Saberes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

    A decisão abrange uma prática com mais de 2 mil anos de história, ainda viva em 88 engenhos ativos distribuídos por 13 municípios catarinenses. “Estamos fazendo uma reparação histórica, de um bem que dialoga com a história do povo brasileiro como um todo”, afirmou o presidente do Iphan, Leandro Grass, ao saudar indígenas, comunidades negras e os detentores do bem cultural espalhados por Santa Catarina e pelo país.

    Em Garopaba, artesãos de farinha de municípios como Ibiraquera e Imbituba se reuniram no Engenho do João e da Cida para acompanhar a transmissão ao vivo pelo canal do Iphan no YouTube.

    Uma herança de três mundos

    Antes mesmo de o Brasil existir como país, os povos Guarani e Tupi-Guarani já cultivavam mandioca e dominavam o processo de transformá-la em farinha. Um conhecimentos com entre 2 mil e 3 mil anos de idade, segundo pesquisas. Foram esses povos que ensinaram ao mundo como converter uma raiz tóxica em alimento nutritivo e versátil.

    A colonização incorporou novos saberes a essa base ancestral. No século 18, imigrantes açorianos chegaram ao litoral catarinense trazendo técnicas de moagem e tração animal herdadas dos moinhos de trigo europeus. Africanos escravizados em diáspora contribuíram com conhecimentos de agricultura, carpintaria e construção de engrenagens de madeira, saberes integrados à estrutura dos engenhos, mas que a história oficial tardou a reconhecer.

    Da fusão desses três mundos, indígena, africano e açoriano, surgiu a chamada “farinha polvilhada”: fina, de branco característico, rica em polvilho e reconhecida em todo o Brasil como marca da produção catarinense. No auge desse ciclo, em 1797, o estado contava com 884 engenhos em funcionamento, base da economia local por gerações.

    Mais do que farinha: um modo de vida

    O engenho é também espaço de convivência. A farinhada funciona como um mutirão: vizinhos e parentes se reúnem para trabalhar juntos, cada um com sua função; raspar e lavar a mandioca, operar a prensa, controlar o forno ou peneirar a massa. Enquanto trabalham, cantam. As ratoeiras, cantigas tradicionais, ecoam pelo galpão; o Boi de Mamão anima as crianças; e a refeição coletiva aproxima as gerações.

    Adalício Vitor da Silva, o Seu Lício, detentor do bem cultural, aprendeu o ofício observando os pais desde criança. Para ele, herdar um engenho é herdar uma responsabilidade: “Tem que cultivar o filho e os filhos deles para manter bem vivo o engenho, para não deixar acabar.”

    O sistema produtivo tem papéis bem definidos. O forneiro ou forneira domina a arte de torrar a farinha, controlando temperatura e ponto por meio do olfato, tato e visão, função historicamente exercida por mulheres, em jornadas exaustivas. O engenheiro de farinha é o nome que os próprios detentores usam para quem domina todas as etapas do processo. Mestres e mestras guardam receitas e técnicas ancestrais. E os agricultores familiares iniciam o ciclo na roça, com o plantio, cultivo e colheita da mandioca.

    Ameaças que pressionam a tradição

    Nos últimos dez anos, os engenhos enfrentam ameaças crescentes. A especulação imobiliária avança sobre o litoral catarinense, pressionando roças e galpões tradicionais. O turismo de massa, sem planejamento adequado, arrisca descaracterizar práticas que dependem de silêncio, tempo e comunidade para existir.

    Foto: Artur Hugo da Rosa/Rancho Cultural

    As normas sanitárias e ambientais voltadas à produção de alimentos também criam obstáculos. Criadas para a indústria, dificilmente se encaixam na realidade de um engenho com forno de barro e prensas de madeira centenárias. Isso gera insegurança jurídica para os produtores e, em muitos casos, força adaptações que descaracterizam o produto original.

    Jucélia Beatriz Martins, liderança da Comunidade Quilombola Vidal Martins, em Florianópolis, cresceu vendo sua família trabalhar em engenhos de terceiros após a expropriação de suas terras. Bisneta do ex-escravizado que deu nome ao quilombo, ela carrega um sonho: “O meu sonho é ter um engenho aqui. Para trazer o povo do entorno, outras pessoas de fora para conhecer como é que se faz farinha.”

    O saber vale mais do que a estrutura

    A relatora do processo no Iphan, Luciana Gonçalves de Carvalho, representante da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), explica a escolha pelo Livro dos Saberes com uma frase que ouviu nas comunidades: “O segredo da farinha é quem faz, não é o engenho. O engenho é só uma máquina”, disse o Sr. Luiz Farias, da Associação Comunitária Rural de Imbituba (Acordi).

    Para Luciana, o bem cultural mais significativo dessas comunidades é o conjunto de saberes, práticas e formas de sociabilidade que movem o sistema, não a estrutura física que os abriga. “A comunidade de detentores vai muito além dos proprietários dos engenhos. Ela abrange grupos e indivíduos que atuam na roça, no cuidado com o território, nas festividades e brincadeiras associadas a cada elemento do sistema da farinha”, destaca a relatora.

    Como define o dossiê que embasou o registro: plantar, farinhar e cozinhar não são apenas técnicas. São o marco central de uma identidade que resiste, e que o Brasil agora reconhece como sua.