Tag: Inovação

  • Melhoramento genético promete dobrar ganhos

    Melhoramento genético promete dobrar ganhos

    A inovação tecnológica, impulsionada pela inteligência artificial e processos estruturados, está revolucionando o melhoramento genético no setor agrícola. Com o potencial de dobrar os ganhos em produtividade e reduzir em mais de 30% o tempo necessário para o desenvolvimento de novas cultivares, o futuro da agricultura se torna mais eficiente e adaptável.

    Ferramentas modernas, como a inteligência artificial aplicada à análise preditiva de big data, complementam os métodos tradicionais. E possibilitam o lançamento mais rápido de cultivares adaptadas, produtivas e alinhadas às demandas crescentes do campo.

    Ciclo de desenvolvimento reduzido

    Segundo Anderson Meda, Head de Pesquisa da TMG (Tropical Melhoramento & Genética), empresa brasileira de soluções genéticas para algodão, soja e milho, a integração de ferramentas avançadas e metodologias inovadoras reduziu significativamente o tempo de desenvolvimento de uma nova cultivar de soja.

    “Antes da introdução dessas tecnologias, o ciclo completo de desenvolvimento de uma nova cultivar de soja, por exemplo, levava no mínimo oito anos. Atualmente, com a integração de ferramentas avançadas e metodologias inovadoras, esse tempo foi reduzido significativamente, representando um avanço significativo para o setor”, afirma Meda.

    Etapas rigorosas e bem definidas

    O desenvolvimento de cultivares segue etapas rigorosas e bem definidas. Nos dois primeiros anos, os pesquisadores realizam cruzamentos e introgressões de traits, combinando características que oferecem vantagens competitivas, como resistência a pragas e tolerância a herbicidas, com atributos essenciais para o mercado, como produtividade, resistência a doenças e qualidade de grão. Essa etapa gera milhões de plantas, que formam a base genética para as futuras linhagens.

    Nos anos seguintes, o foco se volta para testes avançados, com milhares de plantas sendo avaliadas em quesitos como o desempenho agronômico em diferentes condições de cultivo. No quinto ou sexto ano, as cultivares estão prontas para direcionamento ao portfólio de novos produtos.

    Infraestrutura de ponta e inovação

    Para assegurar agilidade e eficiência, a TMG investe em infraestrutura de ponta e tecnologias inovadoras, como 35 casas de vegetação, totalizando 12 mil m², onde mais de 1 milhão de plantas são conduzidas anualmente. A abordagem “Breeding by Design” é um dos pilares dessa evolução, permitindo projetar características específicas nas cultivares desde as fases iniciais do processo. Essa metodologia utiliza dados genéticos, climáticos e de solo, integrados com ferramentas analíticas avançadas, para direcionar decisões com alta precisão. Análises realizadas com drones em parcelas experimentais complementam o processo, fornecendo insights detalhados sobre como as plantas respondem a diferentes estímulos ambientais.

    A experimentação em campo, realizada em mais de 100 ambientes de seleção distribuídos pelo Brasil, também é fundamental. Ela assegura que as cultivares atendam às condições específicas de cada região produtora.

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  • Descoberta de enzima brasileira pode revolucionar produção de bioenergia

    Descoberta de enzima brasileira pode revolucionar produção de bioenergia

    Uma nova enzima descoberta em solo brasileiro pode transformar a produção de bioenergia. Em geral, o biocatalisador, identificado por pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), acelera a degradação da celulose, etapa essencial para a obtenção de biocombustíveis e bioquímicos. Pesquisadores do CNPEM desenvolveram o estudo em parceria com instituições da França e Dinamarca e o publicaram na revista Nature em 12 de fevereiro.

    A enzima, chamada CelOCE (Cellulose Oxidative Cleaving Enzyme), foi encontrada no material genético de bactérias presentes em resíduos de biomassa. Em resumo, o seu mecanismo inovador permite gerar seu próprio co-substrato, tornando a desconstrução da biomassa vegetal mais eficiente.

    Maior eficiência e impacto na indústria

    Testes realizados pelo CNPEM mostraram que, ao ser combinada com enzimas industriais, a CelOCE aumentou em até 21% a liberação de glicose a partir de resíduos vegetais. Ou seja, essa melhoria pode elevar a produtividade e reduzir desperdícios no setor. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Brasil produziu 43 bilhões de litros de etanol em 2023. Portanto, com essa nova tecnologia, a produção pode crescer sem expandir a área cultivada, aproveitando melhor resíduos como bagaço de cana e palha de milho.

    “Essa descoberta muda o paradigma da degradação da celulose e pode revolucionar as biorrefinarias”, afirma Mario Murakami, pesquisador do CNPEM e líder do estudo. “A CelOCE abre caminho para novas rotas de produção de bioenergia, bioquímicos e biomateriais, reforçando a economia de baixo carbono e circular.”

    Inovação científica e aplicação industrial

    A pesquisa envolveu técnicas avançadas, como cristalografia por raios-X no Sirius, acelerador de partículas brasileiro, e engenharia genética com CRISPR-Cas9. Segundo Antonio José Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM, a combinação dessas tecnologias foi essencial para desvendar o mecanismo inédito da CelOCE. “Esse trabalho ilustra o impacto da integração entre diferentes áreas científicas no CNPEM”, destaca.

    Além da aplicação na produção de bioenergia, a CelOCE, com sua estrutura minimalista de apenas 115 aminoácidos, pode abrir caminho para o desenvolvimento de enzimas sintéticas e até soluções para reciclagem de plásticos.

    Os pesquisadores já depositaram a patente da enzima e o processo de licenciamento está em andamento. Ou seja, o uso industrial pode começar entre um e quatro anos, dependendo da tecnologia aplicada.

    Sobre o CNPEM

    O CNPEM é uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Com laboratórios de ponta, atua nas áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Além de operar o Sirius, maior equipamento científico do Brasil, o centro desenvolve o Projeto Orion, dedicado a pesquisas avançadas em patógenos. Em resumo, suas atividades incluem os Laboratórios Nacionais de Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além da Ilum Escola de Ciência, um curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia apoiado pelo Ministério da Educação (MEC).

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  • Calendário de feiras agropecuárias 2025 movimenta o setor

    Calendário de feiras agropecuárias 2025 movimenta o setor

    O setor agropecuário terá um 2025 movimentado com a realização de grandes feiras pelo Brasil. Os eventos reúnem produtores, pesquisadores e empresas em busca de inovações tecnológicas e oportunidades de negócios. Confira as principais feiras que prometem impulsionar o agronegócio neste ano.

    Show Rural Coopavel

    A primeira grande feira do ano acontece em Cascavel (PR). Organizado pela Coopavel desde 1989, o evento destaca inovação tecnológica e sustentabilidade.

    • Quando: 10 a 14 de fevereiro
    • Onde: Cascavel (PR)

    Expodireto Cotrijal

    Realizada desde 2000, a feira atrai visitantes de mais de 70 países. Em cinco dias, recebe 250 mil pessoas e conta com 500 expositores.

    • Quando: 10 a 14 de março
    • Onde: Não-Me-Toque (RS)

    Show Safra Mato Grosso

    O evento conta com áreas temáticas, como Show Safra Connect e Show Safra Pecuária. Os visitantes têm acesso a novas tecnologias e tendências do setor.

    • Quando: 24 a 28 de março
    • Onde: Lucas do Rio Verde (MT)

    ExpoLondrina

    Em 2024, a feira recebeu 470 mil visitantes e movimentou R$ 1,26 bilhão em negócios. Shows de Mari Fernandez e Gustavo Mioto estão confirmados.

    • Quando: 4 a 13 de abril
    • Onde: Londrina (PR)

    Tecnoshow Comigo

    A edição anterior contou com mais de 100 horas de palestras sobre nutrição, mercado de grãos, pecuária, tecnologia e inovação.

    • Quando: 7 a 11 de abril
    • Onde: Rio Verde (GO)

    ExpoZebu

    Considerada a maior feira de gado zebuíno do mundo, a ExpoZebu chega à sua 90ª edição com mais de 1.930 animais inscritos. Shows de Luan Santana, Thiaguinho e Matheus & Kauan estão na programação.

    • Quando: 26 de abril a 4 de maio
    • Onde: Uberaba (MG)

    Agrishow

    Em sua 30ª edição, a Agrishow reúne mais de 800 expositores e atrai 195 mil visitantes. O tema deste ano é “O Futuro do Agro de A a Z”.

    • Quando: 28 de abril a 2 de maio
    • Onde: Ribeirão Preto (SP)

    Agrotins

    A feira ocupa 400 mil metros quadrados e deve movimentar R$ 3 bilhões em negócios. O público esperado é de 195 mil visitantes.

    • Quando: 13 a 17 de maio
    • Onde: Palmas (TO)

    AgroBrasília

    A feira apresenta novas tecnologias e promove debates sobre temas estratégicos do setor agropecuário.

    • Quando: 20 a 24 de maio
    • Onde: Brasília (DF)

    Bahia Farm Show

    A feira está entre as três maiores do país em volume de negócios. Em 2024, registrou R$ 10,949 bilhões em vendas.

    • Quando: 9 a 14 de junho
    • Onde: Luís Eduardo Magalhães (BA)

    Feicorte

    A Feicorte consolidou-se como um dos principais eventos da cadeia produtiva da carne. A edição de 2024 reuniu 8 mil visitantes.

    • Quando: 17 a 21 de junho
    • Onde: Presidente Prudente (SP)

    Expointer

    A feira destaca animais de mais de 150 raças. Em 2024, recebeu 662 mil visitantes e movimentou R$ 8 bilhões em negócios.

    • Quando: 30 de agosto a 7 de setembro
    • Onde: Esteio (RS)

    As feiras são oportunidades de negócios, novos conhecimentos e networking. Portanto vale a pena se programar para conferir tudo de perto.

  • Show Rural Coopavel começa amanhã com foco em inovação e sustentabilidade

    Show Rural Coopavel começa amanhã com foco em inovação e sustentabilidade

    A 37ª edição do Show Rural Coopavel começa nesta segunda-feira (10), em Cascavel (PR), reunindo produtores rurais, pesquisadores e empresas do setor agropecuário. O evento, organizado pela Coopavel desde 1989, tem como objetivo disseminar conhecimentos e apresentar novas tecnologias para toda a cadeia do agronegócio.

    Com duração de cinco dias, a feira conta com mais de 600 expositores espalhados por uma área de 720 mil m². A programação destaca soluções inovadoras e sustentáveis para aumentar a produtividade e reduzir impactos ambientais.

    Foto: Divulgação – Show Rural Coopavel

    A entrada e o estacionamento são gratuitos. Além disso, o evento também oferece infraestrutura completa, incluindo restaurante, lanchonetes, ruas cobertas com pontos de hidratação e distribuição de protetor solar nas entradas.

    Destaques da programação 

    Foto: Divulgação – Show Rural Coopavel
    • Inovação tecnológica: apresentação de equipamentos avançados e soluções para otimizar a produção agropecuária.
    • Conhecimento especializado: palestras e debates com especialistas sobre práticas sustentáveis e tendências do agronegócio.
    • Soluções sustentáveis: tecnologias para reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência das lavouras.
    • Networking e parcerias: oportunidade para troca de experiências entre produtores, pesquisadores e empresas do setor.

    O Show Rural Coopavel é o primeiro grande evento do setor agropecuário no ano e antecipa tendências para o mercado. Para mais informações, acesse o site oficial do evento.

    Para saber mais acesse aqui o site do evento.

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  • Embrapa apresenta avanços na cultura da mandioca no Show Rural Coopavel

    Embrapa apresenta avanços na cultura da mandioca no Show Rural Coopavel

    A Embrapa Mandioca e Fruticultura leva inovações para a 37ª edição do Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR). O evento acontece entre 10 e 14 de fevereiro, das 8h às 18h, com foco em inovação tecnológica e sustentabilidade.

    Na Vitrine de Tecnologias da Embrapa, a unidade demonstra soluções avançadas para a produção de mandioca. Entre os destaques estão a câmara de termoterapia, a técnica de plantio para produção de miniestacas e cultivares como BRS CS 01, BRS 420 e BRS 429. O analista Helton Fleck da Silveira e o pesquisador Rudiney Ringenberg conduzem as demonstrações.

    Tecnologias em destaque da Embrapa para mandioca

    Câmara térmica automatizada: a tecnologia permite a propagação de mandioca com qualidade fitossanitária. O sistema expõe as plantas a temperaturas entre 50°C e 55°C e umidade de 90% durante as horas mais quentes do dia. Esse processo elimina patógenos e viabiliza a produção em larga escala de matrizes-elite.

    BRS CS 01 Indicada para indústrias do Mato Grosso do Sul e Paraná, essa variedade se destaca pela alta produtividade. No primeiro ciclo, rende 31% mais que as cultivares tradicionais. No segundo ciclo, o ganho chega a 93%. A planta tem porte reto, facilita o plantio mecanizado e reduz custos com capina.

    BRS 420 Essa cultivar industrial, recomendada para o Paraná e Mato Grosso do Sul, apresenta alta produtividade de raízes e amido. A planta tem porte reto e resistência moderada a bacteriose, superalongamento e antracnose, o que facilita o manejo e a colheita.

    BRS 429 Voltada para consumo in natura, essa variedade é altamente produtiva. No Paraná, rende 25,7% mais que as tradicionais. Em São Paulo, a superioridade alcança 53,9%. As raízes cilíndricas e longas garantem melhor aproveitamento comercial. A polpa amarela intensa e o sabor superior agradam ao consumidor.

    Miniestacas de mandioca: a técnica permite a geração de material de plantio a partir de três métodos: mudas micropropagadas, multiplicadas rapidamente ou obtidas de plantas de campo. O processo aumenta a eficiência na produção e melhora a qualidade do plantio.

    A participação da Embrapa no evento reforça a importância da inovação para o setor da mandioca e apresenta soluções que impulsionam a produtividade e a sustentabilidade da cultura.

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  • Tomate híbrido em cultivo protegido supera produção média em Alagoas

    Tomate híbrido em cultivo protegido supera produção média em Alagoas

    Experimentos da Embrapa em Alagoas mostram que o cultivo protegido de tomate pode elevar a produtividade. A pesquisa, realizada em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapeal), prefeituras e produtores rurais, alcançou índices superiores à média estadual. “Já superamos 70 toneladas por hectare, enquanto a produtividade média do estado é de 56 toneladas”, afirma Flávia Teixeira, supervisora de Transferência de Tecnologia da Embrapa Hortaliças.

    Em geral, a pesquisa avaliou duas telas de ráfia, nas cores vermelha e preta, com e sem cobertura de solo. “Observamos diferenças entre os tratamentos, mas o que mais surpreendeu foi a eficiência produtiva do híbrido testado, que resistiu à salinidade da água”, explica Teixeira. Além disso, os frutos apresentaram alta qualidade, com sabor agradável e boa aparência, tornando a produtividade comparável à obtida com água doce.

    Nas áreas de teste, os pesquisadores buscam minimizar o impacto do calor nas hortaliças do sertão alagoano. Além disso, os experimentos contam com o apoio de técnicos de extensão rural e avaliam a produção e a qualidade dos frutos. “Nosso objetivo é obter resultados que tornem o cultivo de tomates de alta qualidade mais eficiente”, destaca um dos analistas envolvidos.

    Um dos campos de produção do tomate BRS Sena foi instalado no sítio Lajedo Baixo, em Delmiro Gouveia. No local, os pesquisadores testaram quatro sistemas de cultivo: dois protegidos com telas de ráfia preta e vermelha, um com cobertura de solo pelo sistema de mulching e outro a solo nu, opção mais usada na região por ter menor custo.

    Conforto térmico e produtividade

    As estruturas de cultivo protegido proporcionaram maior conforto térmico às plantas, melhorando a produtividade e a qualidade dos frutos, mesmo sob alta insolacão e temperaturas elevadas. ” Portanto, essa tecnologia garantiu produção superior e frutos de melhor qualidade”, explica Teixeira.

    Os pesquisadores instalaram outros campos experimentais ao longo de 2024 em áreas próximas ao Canal do Sertão, em Olho d’Água do Casado, e no Agreste, em Arapiraca. Em resumo, os testes avaliam a viabilidade econômica para pequenos produtores. “As vendas têm sido feitas para programas governamentais e restaurantes de Maceió, que reconhecem a qualidade superior do tomate e apoiam a agricultura familiar”, informa um dos especialistas do projeto.

    Foto: Divulgação – Embrapa

    João Raimundo dos Santos, produtor da Chácara Santa Luzia, em Arapiraca, cultiva o tomate BRS Equatorial de forma orgânica. “Estamos há 30 anos na produção orgânica. Agora, temos essa parceria com a Embrapa e a prefeitura, que disponibiliza um técnico para nos auxiliar”, comenta. Para ele, o conhecimento adquirido com os especialistas fortalece a produção e melhora a qualidade do solo.

    Inovação na produção

    O extensionista Anderson Soares, da Prefeitura de Arapiraca, destaca que a introdução do tomate BRS Equatorial oferece novas opções aos agricultores da região. “Esse híbrido é muito produtivo e adequado para pequenos produtores. Nosso objetivo é trazer tecnologia acessível e diversificar a produção, aumentando a rentabilidade”, explica.

    Magda dos Santos, filha de João Raimundo, avalia positivamente os experimentos da Embrapa. “Os telados fazem diferença. O vermelho apresentou melhor resposta, tanto em produtividade quanto no desenvolvimento das plantas”, observa.

    Além do tomate, os pesquisadores realizam testes com outras hortaliças, como alface e melão. Cícero Roberio dos Santos, fruticultor de Olho d’Água do Casado, colheu 45 toneladas por hectare de melão BRS Anton no final de 2024. “Aproveitei a área do tomate para plantar melão e obtive cinco frutos por planta, com custo quase zero”, relata.

    Os resultados do experimento serão documentados em uma publicação técnica sobre tratos culturais e boas práticas de cultivo. Ao mesmo tempo, o trabalho também servirá de base para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Laiane da Silva, estudante de agronomia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “Estamos aprimorando técnicas para aumentar a eficiência produtiva em condições adversas, como altas temperaturas e água salina”, conclui Teixeira.

    A iniciativa faz parte do projeto “Produção de tomate pela agricultura familiar no Agreste através de práticas conservacionistas para aumento de produtividade e qualidade de fruto”. O trabalho tem apoio das secretarias de Agricultura dos municípios de Arapiraca, Delmiro Gouveia e Olho d’Água do Casado, além da Superintendência Federal de Agricultura de Alagoas, Senar AL, Ufal, Federação da Agricultura e Pecuária no Estado de Alagoas (Faeal), Emater AL e Sebrae AL. A Fapeal financia o projeto com apoio da Agrocinco Sementes e da Cooperativa Terragreste.

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  • Biofilme de casca de romã dobra vida útil de morangos

    Biofilme de casca de romã dobra vida útil de morangos

    Pesquisadores do Instituto de Química da USP de São Carlos desenvolveram um biofilme comestível à base de casca de romã que prolonga a vida útil dos morangos. Em condições normais, a fruta começa a se degradar em quatro dias de refrigeração. Porém, com o revestimento, o prazo aumenta para até oito dias.

    Os testes mostraram que os morangos tratados apresentam 11% menos perda de peso. Além disso, demoram mais para serem contaminados por fungos. “Com o biofilme, conseguimos dobrar a vida útil dos morangos refrigerados. Ao mesmo tempo, ele também preserva o sabor, a textura e o aroma da fruta”, explica Mirella Romanelli Vicente Bertolo, pós-doutoranda na Embrapa Instrumentação e autora principal do estudo.

    Custo acessível e sustentabilidade

    O custo estimado do revestimento é de R$ 0,15 por fruta, segundo análises econômicas realizadas pelos pesquisadores. “Acreditamos que os consumidores podem pagar por uma fruta que dure mais e reduza desperdícios”, avalia Bertolo.

    Em resumo, os pesquisadores fazem o biofilme com um pó extraído da casca da romã, misturado a um solvente de produtos naturais. “A casca da romã contém moléculas antioxidantes, que retardam a degradação dos alimentos”, afirma o professor Stanislau Bogusz Junior, orientador do projeto.

    A inovação também promove o aproveitamento de resíduos. “Cerca de 40% da romã, dependendo da variedade, é composta por casca, que normalmente é descartada. Utilizamos esse resíduo para extrair compostos fenólicos com propriedades antioxidantes e antimicrobianas”, detalha Bogusz.

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    Fórmula com tecnologia avançada

    Foto: Divulgação – Mirella Romanelli / Vicente Bertolo

    Os pesquisadores adicionaram quitosana, substância derivada de crustáceos, e gelatina ao biofilme, criando uma película protetora. Em geral, o processo de aplicação é simples: basta mergulhar os morangos na solução.

    O grupo já solicitou o depósito de patente para a formulação e pretende licenciar a tecnologia para empresas interessadas.

    O estudo, desenvolvido com apoio da Fapesp, é fruto de uma parceria entre a USP, a Embrapa Instrumentação e a UFSCar. A revista Food Chemistry publicou os resultados da pesquisa.

  • Conheça o robô que é trabalhador rural com tecnologia usada na lua

    Conheça o robô que é trabalhador rural com tecnologia usada na lua

    A startup japonesa Kisui Tech, vinculada à Universidade de Tohoku, desenvolveu um robô para facilitar a vida dos agricultores idosos. Ou seja, o dispositivo, chamado Adam, combina tecnologia de veículos lunares com inteligência artificial, reduzindo o esforço físico em fazendas de pera, maçã, uva e caqui.

    Segundo Tamir Blum, fundador da Kisui Tech, o Japão enfrenta um desafio crescente. “Mais de 80% dos agricultores têm mais de 60 anos, e a mão de obra no setor está escassa. Acreditamos que a tecnologia pode ajudar esses profissionais a gerenciar grandes propriedades com menos esforço físico”, explicou Blum.

    Em resumo, a Kisui Tech desenvolveu dois modelos do Adam, adaptados às diferentes culturas agrícolas. O modelo maior, com 70 cm de altura e 188 cm de comprimento, é ideal para produtores de maçã e pera, oferecendo uma caçamba ampla para transporte de produtos ou fertilizantes. Já o modelo menor, um terço desse tamanho, atende fazendas de uva e caqui, que possuem espaçamentos menores entre as fileiras.

    Além do robô, a startup criou a plataforma online Newton, que fornece informações em tempo real sobre colheitas, doenças e manejo das fazendas.

    Funcionalidades e preço do robô Adam

    Blum destaca que o Adam traz como diferencial sua capacidade de movimentação em terrenos acidentados, inspirada em veículos desenvolvidos para exploração lunar. “Visitei muitas fazendas e percebi a necessidade de superar obstáculos no solo”, revelou.

    Além disso, o Adam oferece três modos principais de operação:

    Modo de acompanhamento humano: o robô segue o agricultor a uma distância ajustável, auxiliando em tarefas como poda, coleta de galhos e aplicação de fertilizantes.

    Transporte autônomo: o dispositivo se move entre dois pontos da fazenda com o toque de um botão, transportando itens como frutas colhidas, galhos ou ferramentas.

    Acessórios personalizáveis: o Adam pode ser equipado com acessórios, como cortador de grama, pulverizador de pesticidas ou bandeja de elevação para itens pesados.

    A versão maior do Adam será lançada em mercados internacionais, com preço estimado em US$ 20.000.

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    Aceitação entre agricultores idosos

    Em geral, os agricultores mais velhos têm recebido bem a novidade tecnológica. Ao mesmo tempo, a Blum ressalta a troca de ideias durante o desenvolvimento do robô. “Eles indicaram que a tela touch não era prática por conta das luvas grossas. Então, substituímos por botões. Foi um aprendizado mútuo”, disse.

    O Adam deve chegar ao mercado japonês em breve, prometendo otimizar o trabalho no campo e tornar a agricultura mais acessível para idosos.

     

  • Biopesticidas: pesquisa reduz custos e amplia viabilidade da produção

    Biopesticidas: pesquisa reduz custos e amplia viabilidade da produção

    Uma descoberta de cientistas da Embrapa Meio Ambiente e da Universidade Federal de Goiás promete facilitar e baratear a produção de biopesticidas. Os pesquisadores identificaram uma fonte de nitrogênio mais econômica, derivada de proteínas vegetais, essencial para o cultivo do fungo Beauveria bassiana. Esse microrganismo, amplamente utilizado contra insetos-praga, depende de nitrogênio, o nutriente mais caro em seu cultivo.

    Em resumo, os cientistas substituíram o caro extrato de levedura por proteínas vegetais, obtendo uma alternativa econômica e eficaz para a produção em larga escala. O estudo revelou que fontes de nitrogênio vegetal são viáveis para a fermentação líquida do fungo. Além disso, essa técnica produz blastosporos, células capazes de combater insetos e ácaros-praga, com resultados sustentáveis e eficientes.

    Sustentabilidade e economia com subprodutos agroindustriais

    As proteínas vegetais utilizadas no processo podem ser extraídas de subprodutos agroindustriais. Ou seja, isso reduz custos e agrega valor a materiais considerados resíduos pela agroindústria. “Essa abordagem torna a produção de biopesticidas mais acessível e sustentável, além de preservar a qualidade do produto final”, afirma Valesca Lima, da UFG.

    Portanto, segundo a pesquisadora, o uso de subprodutos agroindustriais diminui a dependência de substratos caros, valorizando resíduos ao transformá-los em biopesticidas sustentáveis. A técnica mantém atributos essenciais, como alta produção e tolerância a fatores abióticos.

    Resultados superiores no controle de pragas

    Os blastosporos cultivados com nitrogênio vegetal resistiram melhor ao calor e à radiação UV-B, mantendo alta eficácia contra pragas. A farinha de semente de algodão, usada como fonte de proteína, mostrou os melhores resultados. “Ela proporciona um equilíbrio nutricional ideal para o fungo, produzindo blastosporos eficazes e resistentes a estresses abióticos”, explica Gabriel Mascarin, da Embrapa.

    A produção desses fungos requer menos tempo de fermentação, variando entre dois e três dias. Além disso, a técnica pode ser aplicada a outros fungos entomopatogênicos, ampliando a oferta de biopesticidas no mercado global.

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    Biopesticidas de alta qualidade e impacto ambiental positivo

    Os blastosporos desenvolvidos com farinha de algodão apresentaram maior virulência contra larvas de pragas, exigindo menos inóculo para controle eficaz. Ou seja, esse avanço representa menor dose letal necessária, reduzindo custos e impactos ambientais.

    Em geral, o uso de subprodutos da agroindústria promove práticas sustentáveis, convertendo resíduos em produtos valiosos. “A integração entre genética e nutrição neste estudo amplia a eficiência de biopesticidas fúngicos”, ressalta Lima.

    Futuro promissor para biopesticidas sustentáveis

    A fermentação líquida submersa permite maior escalabilidade, custos operacionais menores e menor risco de contaminação. Essa abordagem contribui para a economia circular verde, alinhando inovação e sustentabilidade.

    “A farinha de semente de algodão demonstrou potencial para produzir biopesticidas de alta qualidade, resistentes e com maior estabilidade de armazenamento”, afirma Lima. Já Mascarin destaca o impacto positivo na saúde ambiental e a contribuição dessa tecnologia para a inovação de micopesticidas globais.

    Esse avanço reforça o papel do Brasil no desenvolvimento de soluções sustentáveis, oferecendo ao mercado global bioprodutos acessíveis e de alta eficácia.

     

     

  • Computação quântica é aposta estratégica para o futuro da agricultura brasileira

    Computação quântica é aposta estratégica para o futuro da agricultura brasileira

    A computação quântica surge como uma tecnologia estratégica para impulsionar a agricultura digital no Brasil. Com capacidade de resolver problemas complexos de forma mais rápida e precisa, a inovação pode transformar áreas como agricultura inteligente, modelagem climática, sensoriamento remoto e bioinformática. É o que aponta um estudo da Embrapa Agricultura Digital (SP), em parceria com o Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital, da Fapesp.

    Publicado na revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), o estudo destaca que a computação quântica pode otimizar decisões em todas as etapas da cadeia produtiva. “Pesquisas na fronteira do conhecimento, como a computação quântica, têm potencial para reduzir incertezas e melhorar a eficiência, do plantio até a comercialização”, explica Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa.

    Como funciona a computação quântica?

    Ao contrário dos computadores convencionais, que utilizam bits binários (“0” ou “1”), os computadores quânticos trabalham com qubits. Portanto, essa tecnologia permite que as informações sejam processadas simultaneamente, acelerando cálculos complexos e oferecendo respostas mais detalhadas.

    De acordo com Kleber Souza, coordenador do estudo, a computação quântica pode testar múltiplas variáveis ao mesmo tempo, superando limitações dos sistemas tradicionais. “A superposição quântica permite análises mais robustas e em menor tempo”, afirma Souza.

    Arte: Divulgação – Embrapa

    Aplicações no campo

    Na prática, a tecnologia já apresenta aplicações promissoras. Em resumo, em modelagem climática, pode aperfeiçoar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ferramenta essencial para políticas públicas e seguros agrícolas.

    Ao mesmo tempo, na fitossanidade, a computação quântica ajudará a identificar precocemente doenças em culturas como soja e milho. Já na bioinformática, acelerará análises genômicas, beneficiando o melhoramento genético.

    Além disso, a integração com sensores avançados e algoritmos de aprendizado de máquina deve ampliar ainda mais as aplicações no campo.

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    Desafios para implementação

    Apesar do grande potencial, a computação quântica enfrenta desafios, principalmente em relação ao custo. Um computador quântico pode custar até US$ 20 milhões e exige infraestrutura específica, como resfriamento próximo ao zero absoluto.

    Mesmo assim, Souza destaca que investir na tecnologia é estratégico para o Brasil. “Precisamos avançar em pesquisa, infraestrutura e capacitação para garantir nossa competitividade”, ressalta.

    Iniciativas no Brasil

    O Brasil já deu os primeiros passos rumo à computação quântica. Em 2022, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o MCTI realizaram o Desafio Brasil Computação Quântica. No mesmo ano, foi criada a Rede MCTI-Softex de Tecnologias Quânticas para integrar governo, centros de pesquisa e startups.

    Em 2023, a Embrapa e o Senai Cimatec lançaram a Unidade Mista de Pesquisa e Inovação Digital em Agricultura Tropical. O projeto aposta em sensores, automação, inteligência artificial e tecnologias quânticas para soluções voltadas ao agronegócio.

    Capacitação é essencial

    A formação de profissionais especializados será decisiva para o avanço dessa tecnologia. Países como Austrália e Alemanha já oferecem cursos específicos em engenharia quântica. No Brasil, algumas universidades começam a adotar programas voltados ao tema.

    Souza acredita que computadores educacionais, com custo a partir de US$ 500, podem ser uma porta de entrada para a capacitação inicial. “Combinados com serviços em nuvem, esses dispositivos permitem testes estratégicos e ajudam no planejamento tecnológico”, explica.

    Olhando para o futuro

    Com simuladores quânticos em nuvem já disponíveis, o Brasil tem a chance de acelerar sua entrada no universo quântico. Essas ferramentas permitem que empresas e pesquisadores testem algoritmos antes de investir em equipamentos físicos.

    A computação quântica, embora ainda distante das propriedades rurais, se apresenta como uma aliada essencial para enfrentar os desafios da agricultura moderna. Investir em pesquisa, desenvolvimento e capacitação tecnológica não é apenas uma questão de inovação, mas de garantir a liderança do Brasil no cenário global do agronegócio.