Tag: Espírito Santo

  • Produção de macadâmia cresce 40% sem aumentar área plantada

    Produção de macadâmia cresce 40% sem aumentar área plantada

    A macadâmia capixaba vive um momento de expansão e consolidação no mercado internacional. Com produção totalmente concentrada no município de São Mateus, no Norte do Espírito Santo, o setor registrou um crescimento de 39,8% na produção em apenas dois anos. Saltando de 1.470 toneladas em 2022 para 2.055 toneladas em 2024. O dado mais impressionante: esse avanço ocorreu sem qualquer aumento na área plantada, que se manteve estável em cerca de 660 hectares.

    A produção nacional de macadâmia representa apenas 2% da produção global, mas tem potencial de crescimento.

    O salto produtivo resulta da maturação dos pomares, adoção de tecnologia e manejo agrícola aprimorado. Especialistas apontam que o cultivo da noz macadâmia no ES avança em qualidade, eficiência e estratégia. Transformando-se em um case de diversificação agrícola de alto valor agregado.

    Exportações superam expectativas com foco quase total nos EUA

    O mercado externo, especialmente os Estados Unidos, absorve praticamente toda a produção capixaba da noz. Em 2023, as exportações renderam US$ 1,18 milhão. Embora os preços tenham oscilado em 2024, o volume exportado continuou crescendo, atingindo 183 toneladas e US$ 1,27 milhão apenas entre janeiro e novembro de 2025. Números que já superam o total do ano anterior.

    A dependência do mercado norte-americano (destino de 99% das exportações) gerou alerta no setor em 2025, durante o debate sobre o aumento de tarifas (“tarifaço”) pelos EUA. No entanto, uma ação coordenada garantiu a inclusão da macadâmia brasileira na lista de exceções, preservando sua competitividade.

    “Monitoramos o debate tarifário de perto e dialogamos com o setor para garantir previsibilidade. A inclusão nas exceções foi fundamental para manter o Espírito Santo competitivo e seguro nesse nicho”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    Bergoli destaca que a experiência da macadâmia reforça a necessidade de políticas que combinem monitoramento internacional, inteligência de mercado e apoio a cadeias produtivas com alto potencial, mesmo que ainda pouco conhecidas.

    A combinação de produtividade crescente, qualidade reconhecida e estratégia comercial focada posiciona a macadâmia como um dos produtos mais dinâmicos e promissores da agricultura capixaba.

  • Brasil colhe 56,5 milhões de sacas de café em 2025

    Brasil colhe 56,5 milhões de sacas de café em 2025

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 56,5 milhões de sacas de café de 60 quilos em 2025. O resultado marca a terceira maior safra da série histórica da instituição e representa um crescimento de 4,3% em relação a 2024, mesmo em ano de bienalidade negativa para o arábica.

    O 4º Levantamento de Café 2025, divulgado nesta quinta-feira (4), mostra que a área em produção recuou 1,2% e chegou a 1,85 milhão de hectares. Porém, a produtividade média nacional subiu para 30,4 sacas por hectare, impulsionada principalmente pelo desempenho excepcional das lavouras de conilon.

    Conilon quebra recorde histórico com 20,8 milhões de sacas

    O conilon protagoniza a safra 2025 ao atingir 20,8 milhões de sacas, superando o recorde anterior de 18,2 milhões registrado em 2022. A produção da espécie avançou 42,1% em relação ao ano passado, beneficiada pela regularidade climática que favoreceu o vigor das plantas e gerou elevada carga produtiva.

    O Espírito Santo, maior produtor nacional de conilon, colhe 14,2 milhões de sacas — um salto de 43,8% sobre 2024. A Bahia projeta 3,29 milhões de sacas, crescimento expressivo de 68,7% na comparação anual. Rondônia espera produzir 2,32 milhões de sacas, alta de 10,8% frente à temporada anterior.

    Arábica recua 9,7% pressionado por bienalidade e seca

    O arábica enfrenta um ciclo desafiador em 2025. A bienalidade negativa, somada aos períodos de escassez hídrica durante a safra, reduziu o potencial produtivo das lavouras. A área em produção caiu 1,5%, atingindo 1,49 milhão de hectares, enquanto a produtividade média despencou 8,4%, chegando a 24,1 sacas por hectare.

    Com isso, a colheita do arábica totaliza 35,76 milhões de sacas, queda de 9,7% em relação à safra anterior.

    Minas Gerais, principal estado produtor do país, colheu 25,17 milhões de sacas de arábica — retração de 9,2% provocada pelo ciclo de bienalidade negativa e pelo longo período de seca antes da floração. A colheita finalizou em setembro.

    São Paulo registra 4,7 milhões de sacas, recuo de 12,9% atribuído aos efeitos da baixa bienalidade e ao clima adverso, marcado por estiagem e altas temperaturas. Na contramão, a Bahia apresenta crescimento de 2,5%, alcançando 1,14 milhão de sacas, com destaque para a região do Cerrado, que avançou 18,5%.

    Exportações batem recorde em valor apesar de volume menor

    O Brasil exportou cerca de 34,2 milhões de sacas de café entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O volume representa queda de 17,8% na comparação com o mesmo período de 2024.

    A redução ocorre principalmente pela limitação dos estoques internos no início do ano, após o embarque recorde de 50,5 milhões de sacas em 2024.

    Apesar do volume menor, as exportações brasileiras de café somaram US$ 12,9 bilhões no acumulado dos dez primeiros meses de 2025, superando o total exportado nos 12 meses de 2024. O país estabelece um novo recorde anual mesmo sem contabilizar os dados do último bimestre.

    O crescimento no valor das exportações resulta do aumento dos preços médios do café no mercado internacional em 2025, que compensou a redução na quantidade embarcada.

    Estoque mundial atinge menor nível em 25 anos

    Análises do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) preveem aumento na produção mundial de café na safra 2025/26. No entanto, especialistas não esperam reduções expressivas nas cotações devido ao baixo patamar do estoque remanescente do ciclo anterior.

    O estoque mundial no início da safra 2025/26 é o mais baixo dos últimos 25 anos, estimado em 21,8 milhões de sacas de 60 quilos.

  • Tilápia impulsiona aquicultura capixaba

    Tilápia impulsiona aquicultura capixaba

    O Espírito Santo recupera sua força na produção de peixes cultivados. O estado alcançou 7,1 mil toneladas em 2024, volume 73% superior ao registrado em 2017, quando a produção atingiu seu ponto mais baixo com 3,73 mil toneladas. A tilápia concentra praticamente toda a atividade aquícola estadual. A espécie responde por 99,46% da produção capixaba e registrou 7,03 mil toneladas em 2024. Os demais peixes representam menos de 1% do volume total.

    O setor movimentou R$ 68,4 milhões em 2024, mais que o dobro dos R$ 26,3 milhões contabilizados em 2020. Os números demonstram não apenas a recuperação quantitativa, mas também o ganho de valor agregado na atividade.

    A aquicultura capixaba atravessou um período de oscilações entre 2014 e 2020. A partir de 2021, o setor retomou trajetória consistente de crescimento, apoiado em modernização tecnológica e organização produtiva.

    Linhares concentra quase metade da produção estadual

    Três municípios concentram a maior parte da tilapicultura capixaba. Linhares lidera o ranking com 3,2 mil toneladas, equivalente a 45,5% do total estadual. Domingos Martins ocupa a segunda posição com 1,4 mil toneladas (20,05%), seguido por Marechal Floriano com 550 toneladas (7,82%).

    Guarapari, Muniz Freire e Alegre também expandem seus sistemas produtivos. Esses municípios investem em tecnologias adaptadas às condições locais e ampliam sua participação no setor.

    O crescimento recente reflete a capacidade do setor em incorporar inovações. Os produtores capixabas adotam melhoria genética, sistemas de aeração, alimentação balanceada e protocolos rigorosos de controle sanitário.

    A tilapicultura capixaba conquista espaço no mercado pela regularidade do produto. A espécie atende tanto o varejo quanto a indústria, setores que demandam qualidade consistente e fornecimento estável.

    Estado aposta na atividade como vetor de desenvolvimento

    O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destaca o papel estratégico da tilápia. “O Estado vive um ciclo de crescimento sustentado, fruto dos investimentos em tecnologia, qualificação e organização produtiva. Esse resultado representa mais renda para as famílias rurais, diversificação econômica e segurança alimentar para a população”, afirma Bergoli.

    A tilapicultura se consolida como uma das atividades mais promissoras do agronegócio capixaba. O setor combina geração de renda no campo, diversificação da economia regional e oferta de proteína de qualidade para a população.

  • Espírito Santo lidera exportação de pimenta-do-reino no país

    Espírito Santo lidera exportação de pimenta-do-reino no país

    De janeiro a outubro de 2025, o agronegócio do Espírito Santo movimentou U$ 2,67 bilhões em exportações, com mais de 2 milhões de toneladas embarcadas. Nesse cenário, a pimenta-do-reino capixaba se consolidou como o terceiro produto que mais gera divisas para o Estado, reforçando sua importância estratégica na pauta agroexportadora.

    Até o décimo mês de 2025, o Espírito Santo respondeu por 69% da pimenta-do-reino exportada pelo Brasil. As divisas com a especiaria mais que dobraram em relação ao mesmo período de 2024: passaram de U$ 134,3 milhões para U$ 296,6 milhões. No mercado internacional, o preço médio subiu de US 4,32 por quilo para U$ 6,16 por quilo, combinando maior volume embarcado com valorização do produto.

    Desempenho

    O desempenho de 2025 já supera com folga o resultado anual de 2024. No ano passado, de janeiro a dezembro, o Espírito Santo exportou U$ 163,2 milhões em pimenta-do-reino. Apenas nos dez primeiros meses deste ano, a receita ficou 81% acima de todo o resultado de 2024, evidenciando o salto da especiaria na balança comercial capixaba.

    A participação da pimenta-do-reino na pauta do agronegócio do Espírito Santo também avançou. Em 2025, o produto já responde por 11% das exportações do setor, um crescimento de 6,5 pontos percentuais em comparação com 2024, quando a fatia era de 4,5%. O movimento reforça a pimenta-do-reino como uma das principais âncoras das exportações agrícolas capixabas.

    “A pimenta-do-reino capixaba é um exemplo claro de como o Espírito Santo transforma vocação em resultado. Essa especiaria que tempera o mundo chegou a 59 países de janeiro a outubro. É uma cadeia que gera emprego, renda e tem potencial para crescer ainda mais. Vamos continuar investindo em assistência técnica, inovação e sustentabilidade para que o Espírito Santo siga sendo referência no campo e na mesa do brasileiro”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.

    Produtividade em alta no campo

    O avanço nas exportações de pimenta-do-reino capixaba está ligado também ao salto de produtividade no campo. Nos últimos dez anos, o Espírito Santo multiplicou sua produção por quase nove vezes. A área plantada cresceu 658% desde 2014 e, mesmo com a oscilação natural observada entre 2023 e 2024, os indicadores se mantêm em patamar histórico.

    Em 2024, a produtividade média da pimenta-do-reino no Estado fechou em 3.634 quilos por hectare, consolidando o Espírito Santo como uma das principais referências nacionais na produção e na exportação da especiaria.

  • Vírus Oropouche sai da Amazônia e invade Sudeste

    Vírus Oropouche sai da Amazônia e invade Sudeste

    O Brasil enfrenta um surto sem precedentes de febre Oropouche. A doença, que até 2023 estava restrita à região amazônica, avançou para 22 das 27 unidades federativas do país, alarmando autoridades sanitárias e cientistas. Em 2024, foram registrados 13,8 mil casos confirmados no território nacional, 45% deles concentrados no Espírito Santo, que lidera o ranking com 6,3 mil infectados.

     

    Os números de 2025 mostram que o vírus mantém ritmo acelerado de contágio. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) apontam 12,7 mil casos confirmados nas Américas até agosto, sendo 11,8 mil apenas no Brasil. O Ministério da Saúde contabiliza 11.930 infectados até 30 de outubro, com cinco mortes confirmadas e duas sob investigação.

    São Paulo registra crescimento explosivo de casos

    No estado de São Paulo, o avanço da febre Oropouche impressiona: de apenas 8 casos em 2024, o número saltou para 161 até setembro de 2025, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. O crescimento de mais de 2.000% acende o alerta sobre a necessidade de vigilância epidemiológica reforçada.

    Um estudo publicado na revista científica PLOS One em julho identifica os principais fatores por trás da expansão geográfica do vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV). Pesquisadores da Unesp, USP e Instituto Butantan descobriram que temperaturas elevadas e índices de precipitação acima da média criam condições ideais para a reprodução do mosquito-pólvora (Culicoides paraensis), vetor da doença.

    O fenômeno El Niño, ocorrido entre 2023 e 2024, combinado ao aquecimento global, intensificou as chuvas e o calor em regiões antes menos afetadas, facilitando a proliferação do inseto transmissor.

    Desmatamento reduz predadores naturais do mosquito-pólvora

    Tiago Salomão, pós-doutorando da Unesp e autor do estudo, explica que o desmatamento para criação de pastagens e monoculturas diminui a biodiversidade, eliminando predadores e competidores naturais dos maruins.

    “Em biomas preservados, há mais concorrência com outros insetos e os Culicoides não conseguem se multiplicar no mesmo ritmo”, afirma o pesquisador, que investiga a relação entre mudanças climáticas e doenças epidêmicas.

    A pesquisa revela ainda que cultivos de banana, dendê e algodão favorecem a subsistência das larvas do mosquito, devido ao acúmulo de matéria orgânica em decomposição no solo.

    O estudo identifica que regiões periurbanas — de transição entre campo e cidade — são mais afetadas que ambientes exclusivamente rurais ou urbanos. Indicadores socioeconômicos desfavoráveis também se associam a maior incidência de casos, destacando a dimensão social da epidemia.

    Nova variante pode ser 100 vezes mais transmissível

    Além dos fatores ambientais, evidências laboratoriais sugerem que uma mutação genética recente aumentou significativamente a transmissibilidade do vírus OROV. Experimentos com células de mamíferos mostram que a cepa atual atinge concentrações até cem vezes superiores à versão comum.

    Essa variante pode ainda driblar a memória imunológica de pessoas previamente infectadas, tornando-as vulneráveis a uma nova contaminação — um cenário que preocupa infectologistas e epidemiologistas.

    No contexto das Américas, o Brasil concentra 93% dos casos de febre Oropouche registrados em 2025. Panamá aparece em segundo lugar com 501 casos, seguido pelo Peru com 330 infecções.

    A expansão geográfica sem precedentes da doença demanda vigilância intensificada, investimento em pesquisa científica e ações de preservação ambiental para conter novos surtos.

  • Café robusta amazônico conquista mercado internacional

    Café robusta amazônico conquista mercado internacional

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) recebe dez compradores internacionais em Rio Branco neste sábado e domingo (2 e 3 de novembro) para a primeira etapa da edição Cafés Especiais do programa Exporta Mais Brasil. A iniciativa marca o início de uma agenda estratégica para ampliar a presença do café brasileiro de alta qualidade no mercado global.

    Os visitantes estrangeiros, vindos da América do Sul, América do Norte, Europa, Oriente Médio, Ásia e África, participam de visitas técnicas a fazendas e cooperativas que produzem café robusta amazônico. A programação inclui ainda atividades de cupping e encontros de negócios diretos com produtores do Acre e de Rondônia.

    “A Amazônia tem mostrado ao Brasil e ao mundo seu potencial para produzir cafés especiais, combinando tradição, tecnologia e sustentabilidade. Iniciar a agenda do Exporta Mais Brasil no Acre é um reconhecimento da força do nosso estado na produção de cafés diferenciados e de origem amazônica”, afirma Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.

    Governo Federal apoia setor cafeeiro com abertura de 500 mercados

    A iniciativa integra o esforço do Governo Federal para apoiar o setor cafeeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já realizou mais de 18 encontros internacionais em parceria com a ApexBrasil e o Itamaraty, o que resultou na abertura de cerca de 500 novos mercados para produtos brasileiros.

    A ação também faz parte das medidas de diversificação de mercados voltadas a exportadores brasileiros afetados pelas tarifas dos Estados Unidos. O programa reforça o compromisso com a sustentabilidade e incentiva a geração de renda para produtores rurais na Amazônia, alinhando-se ao contexto da COP30.

    Produção amazônica cresce 4,6% ao ano

    Segundo dados do IBGE, a região amazônica ampliou sua produção de café robusta em 4,6% ao ano desde 2019. Portanto, um desempenho muito superior à média nacional de 1,6%. Os produtores alcançaram esse avanço por meio de ganhos de produtividade, o que reforça o papel sustentável da região na cafeicultura.

    A produtividade regional apresentou forte crescimento, com alta anual de 9,7% em Rondônia e 9,1% no Acre desde 2019.

    Agenda segue para Minas Gerais e Espírito Santo

    Após a etapa do Acre, o programa segue para Minas Gerais e Espírito Santo. O grupo de compradores receberá novos integrantes e totalizará 24 participantes vindos da América do Norte e do Sul, Europa, Oriente Médio e Ásia.

    Entre 4 e 6 de novembro, os visitantes participam da Semana Internacional do Café (SIC) em Belo Horizonte (MG). Esse é um dos principais eventos do setor, aberto a produtores de cafés arábica, robusta e conilon de todo o Brasil. A jornada se encerra entre 9 e 14 de novembro nas regiões de Matas de Minas (MG) e Caparaó (MG/ES), reconhecidas nacionalmente pela produção de cafés especiais.

    O Exporta Mais Brasil conta com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional). Nesta edição, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e associações regionais de produtores também apoiam a iniciativa: Conselho das Entidades de Café de Matas de Minas, Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (APEC) e Cafeicultores Associados da Região de Matas de Rondônia (CAFERON).

    Exportações crescem 456 vezes em dois anos

    A ApexBrasil tem desempenhado papel decisivo na ampliação das exportações de robusta amazônico por meio de ações estratégicas de promoção comercial. Em agosto de 2023, a Agência levou 20 compradores de 11 países a Cacoal (RO), onde eles se reuniram com 23 produtores locais. A missão resultou em R$ 8 milhões em negócios até 2024.

    A Luckin Coffee, maior rede de cafeterias da China, estava entre os compradores presentes. A visita marcou o início de uma parceria estratégica que culminou, em junho de 2024, na assinatura de um acordo para fornecimento de até 120 mil toneladas de café brasileiro, no valor de US$ 500 milhões.

    O sucesso da cooperação abriu caminho para um novo acordo, firmado para a compra de 240 mil toneladas do grão brasileiro entre 2025 e 2029, estimado em US$ 2,5 bilhões. A ApexBrasil articulou a negociação em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    “Iniciativas como essa têm impulsionado significativamente o crescimento das exportações nacionais que incluem não apenas o robusta amazônico, mas também outros tipos de café, como o arábica. Nesse sentido a agenda segue para Minas Gerais e, em seguida Espírito Santo”, ressalta Jorge Viana.

    O volume exportado pela região Norte saltou de US$ 18 milhões em 2023 para US$ 131 milhões em 2024. Um aumento de sete vezes em relação ao ano anterior e 456 vezes superior ao registrado em 2022, quando as exportações totalizaram US$ 287 mil.

    Sobre o Exporta Mais Brasil

    A ApexBrasil criou o programa Exporta Mais Brasil para aproximar o comércio exterior de empreendedores de todas as regiões do país e potencializar exportações e oportunidades de negócios. Empresas de diferentes setores participam de rodadas de negócios, missões comerciais e ações de promoção internacional que conectam diretamente produtores brasileiros a compradores estrangeiros.

    Entre 2023 e 2024, o programa realizou 28 edições, apoiou 875 empresas brasileiras, promoveu a vinda de 305 compradores internacionais de 65 países e gerou R$ 553 milhões em negócios. As ações consolidam o Brasil como um dos principais fornecedores de produtos de alto valor agregado no mercado global.

  • ES: mel gera R$ 12,3 milhões com alta de 55% na produção

    ES: mel gera R$ 12,3 milhões com alta de 55% na produção

    A produção de mel no Espírito Santo deu um salto. Dados do IBGE mostram que o estado produziu 846 mil quilos do produto em 2024, um crescimento expressivo de 55% em comparação com 2016. O valor da produção mais que dobrou no período, saltando de R$ 6,2 milhões para R$ 12,3 milhões.

    Atrás desses números, está o trabalho da agricultura familiar. Municípios como Aracruz (10,6%), Fundão (9,7%) e Marechal Floriano (9,5%) se destacam como os maiores produtores do estado, consolidando a apicultura como uma atividade econômica vital para o interior capixaba.

    De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, a apicultura é uma prioridade no Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG 4). “A apicultura capixaba tem grande potencial para gerar renda e diversificar a produção. Estabelecemos objetivos claros, como ampliar a assistência técnica e fortalecer o cooperativismo. Nosso grande desafio é chegar a 2032 produzindo mil toneladas de mel”, projetou Bergoli.

    Abelhas nativas impulsionam mercado de alto valor

    Além da apicultura tradicional, a meliponicultura – criação de abelhas nativas sem ferrão – ganha espaço nas propriedades rurais. Espécies como jataí, uruçu e mandaçaia produzem um mel com características únicas e alto valor agregado, muito procurado por suas propriedades medicinais. Esta prática não só oferece uma alternativa de renda interessante para os pequenos produtores, mas também é crucial para a conservação da biodiversidade local.

    A importância das abelhas vai além da produção de mel. Elas exercem um papel estratégico na sustentabilidade e na segurança alimentar. Como principais polinizadoras de diversas culturas agrícolas, as abelhas aumentam a produtividade das lavouras e mantêm o equilíbrio dos ecossistemas, unindo geração de renda e preservação ambiental.

  • Fiscalização do Ibama aperta cerco contra pesca ilegal

    Fiscalização do Ibama aperta cerco contra pesca ilegal

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deu início, na manhã de quarta-feira (24), à Operação Makaira 2025. O foco da ação é a fiscalização da pesca no litoral sul do Espírito Santo. O objetivo principal é coibir práticas ilegais, como pesca sem autorização, em áreas proibidas, ou descumprindo as regras das permissões concedidas.

    A maioria das embarcações inspecionadas usa a modalidade de espinhel de superfície, método que oferece risco para albatrozes, petréis e tartarugas marinhas. Por isso, os barcos precisam adotar medidas específicas para reduzir capturas acidentais dessas espécies. Garantir o uso correto dessas medidas é um dos pontos centrais da operação.

    Antes da Makaira 2025, o Ibama realizou auditorias nos sistemas de controle de embarcações que pescam atum e espécies relacionadas no Espírito Santo. As análises de 2024 identificaram várias infrações ambientais, principalmente pesca em áreas de segurança próximas a plataformas de petróleo. Essas regiões concentram peixes, mas a lei proíbe a atividade ali porque ela representa riscos à biodiversidade e pode causar acidentes ambientais.

    Durante a operação, os fiscais aplicaram 260 multas e suspenderam as atividades de 45 embarcações. Para voltar a pescar, os responsáveis devem solicitar vistoria ao Ibama em Vitória (ES). Embarcações que operarem irregularmente podem receber punições mais severas. Até o momento, as multas já somam R$ 22 milhões.

    A operação Makaira segue em andamento no estado. O pescado apreendido será doado ao Programa Mesa Brasil, do Serviço Social do Comércio (Sesc), que distribui alimentos para instituições sociais.

  • Ibama apreende 9 toneladas de pescado irregular no Espírito Santo

    Ibama apreende 9 toneladas de pescado irregular no Espírito Santo

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou a maior apreensão de pescado irregular do Espírito Santo em 2025. A quarta etapa da Operação Decapoda retirou de circulação mais de nove toneladas de peixes e frutos do mar entre os dias 17 e 19 de setembro.

    Os fiscais apreenderam corvina, peroá, bom-nome, camarão, sardinha e tainha durante as ações. Os responsáveis pelo transporte receberam multas que ultrapassam R$ 300 mil. Eles também perderam os produtos e responderão a processos administrativos ambientais.

    Fiscalização intensiva em rodovias estaduais

    As equipes do Ibama abordaram veículos que transportavam pescado sem documentação de origem. A falta de comprovação impossibilitou a rastreabilidade da cadeia produtiva. Os agentes não conseguiram verificar a legalidade da pesca.

    A operação montou uma barreira na BR-101, em São Mateus. O local registrou a apreensão de sete toneladas de peixes e frutos do mar. Na rodovia ES-060, entre Itapemirim e Marataízes, os fiscais retiraram duas toneladas de camarão sete-barbas sem origem legal comprovada.

    Resultados expressivos em 2025

    José Vicente da Silva, chefe da Divisão de Proteção Ambiental do Ibama no Espírito Santo, destaca os números da fiscalização. “Em apenas nove meses, a fiscalização já retirou de circulação mais de 14 toneladas de peixes e frutos do mar pescados irregularmente no estado”, afirma o gestor.

    A Operação Decapoda foca no combate à captura, comércio e transporte ilegais de crustáceos e outras espécies marinhas. As ações visam proteger a biodiversidade marinha do litoral capixaba.

    Destino social do pescado apreendido

    Todo o material apreendido passou por verificação de qualidade para consumo. Os técnicos doaram o pescado aprovado ao programa Mesa Brasil, do Serviço Social do Comércio (Sesc). A iniciativa combate a fome e o desperdício de alimentos no estado.

    A operação reforça o compromisso das autoridades ambientais com a preservação dos recursos marinhos. As ações continuam ao longo do ano para coibir práticas ilegais na pesca.

  • Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    Primavera transforma o cenário agrícola nacional de norte a sul

    A chegada da primavera 2025, iniciada nesta segunda-feira (22) às 15h19, marca um divisor de águas para a agricultura brasileira. Conhecida como a estação das flores, a primavera marca transição entre o inverno seco e o verão chuvoso no Brasil, trazendo oportunidades e desafios únicos para diferentes regiões produtoras do país.

    No Espírito Santo, a transição promete ser especialmente significativa. Após um inverno caracterizado por tempo seco e temperaturas amenas, a Coordenação de Meteorologia do Incaper projeta cenário otimista com aumento gradual das temperaturas e retomada das chuvas, principalmente a partir de outubro.

    “Este é o momento de os agricultores se prepararem para essa estação. Independentemente do volume de chuvas, é essencial revisar equipamentos, planejar o uso eficiente da água e adotar boas práticas de manejo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    A cafeicultura arábica capixaba, cultivada em regiões de altitude, enfrenta momento crucial. A irregularidade das chuvas no início da primavera pode comprometer a uniformidade da florada – fator determinante para a produtividade futura. Produtores devem intensificar práticas que reduzam impactos de períodos curtos de estiagem.

    No cultivo do conilon, predominante no Norte e áreas de baixada no Sul do estado, a irrigação eficiente torna-se essencial. Com temperaturas mais altas previstas, o manejo hídrico adequado garantirá boa frutificação e evitará perdas significativas.

    Culturas tropicais demandam atenção redobrada

    O mamão, cultivado principalmente no Norte capixaba, pode enfrentar maior susceptibilidade à antracnose e mosca-das-frutas com o aumento da umidade. A pimenta-do-reino está mais vulnerável à fusariose, demandando manejo fitossanitário rigoroso. O cacau requer atenção especial contra a vassoura-de-bruxa, enquanto a banana necessita monitoramento constante contra sigatoka-negra e nematoides.

    Para a pecuária de corte e leite, a primavera apresenta cenário duplo. Enquanto as condições favorecem o crescimento das pastagens, melhorando a oferta de alimento, o calor acima da média pode gerar estresse térmico nos animais, reduzindo produtividade leiteira e comprometendo ganho de peso.

    O Incaper recomenda reforçar acesso dos animais à água de qualidade, disponibilizar áreas de sombra e adotar suplementação mineral adequada.

    Rio Grande do Sul: normalidade com variações sazonais

    No Rio Grande do Sul, a primavera 2025 tende a seguir padrão próximo da normalidade, segundo Flávio Varone, coordenador do Simagro-RS. “A primavera vai começar com condição bem típica da estação, com passagem de sistemas meteorológicos que provocam chuva regular e grande amplitude térmica”, explica.

    A previsão indica outubro úmido, com chuvas dentro ou acima da média na metade Norte do estado, seguido por novembro mais seco. As temperaturas devem apresentar grande amplitude térmica no início, com noites frias e tardes quentes, evoluindo para temperaturas mais elevadas em novembro e dezembro.

    Norte do Brasil: protagonismo na bioeconomia nacional

    A região Norte, responsável por significativa parcela da produção agrícola nacional, enfrenta cenários específicos durante a primavera. A primavera 2024 traz temperaturas acima da média e secas intensas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, demandando estratégias adaptadas para cultivos regionais.

    O Estado comemora, por exemplo, a liderança na produção de açaí e dendê, respondendo por 90% do volume nacional. O Pará mantém posição de destaque, com 95% da produção do açaí se concentra no estado do Pará. A primavera representa período crucial para a safra, exigindo monitoramento constante das condições hídricas.

    A produção de 100% da área nacional de guaraná, 75% de açaí, 24% de cacau e 56% do dendê estão dentro do Bioma amazônico. R$ 24,4 bilhões (20,5%) foram gerados pela produção de açaí, mandioca, café, cacau, banana, cana, dendê, abacaxi, arroz, feijão e outros produtos da região, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas.

    Desafios climáticos regionais

    No entanto, em áreas do Matopiba, a expectativa de precipitação abaixo da média eleva o risco de dificuldades para a implantação da soja, conforme previsões do Inmet. A região Norte deve enfrentar chuvas irregulares e abaixo da média, dificultando o abastecimento hídrico e pressionando setores como agricultura e geração de energia.

    O Inmet afirma que o período é de “transição entre as estações seca e chuvosa no setor central do Brasil”, marcado pela convergência de umidade vinda da Amazônia. A ausência de influência significativa dos fenômenos El Niño ou La Niña mantém cenário de neutralidade climática, mas com variações regionais importantes.

    Temperaturas e precipitações previstas

    No Espírito Santo, as temperaturas máximas médias devem variar entre 24°C e 26°C na Região Serrana e entre 28°C e 30°C nas demais regiões. As mínimas ficam entre 15°C e 16°C na Serrana e cerca de 19°C nas outras áreas. O volume de precipitação deve ultrapassar 400mm no Caparaó, Grande Vitória e leste da Região Serrana.

    Hugo Ramos, coordenador de Meteorologia do Incaper, enfatiza: “O produtor rural deve adotar estratégias de manejo hídrico eficiente, intensificar o monitoramento fitossanitário e investir em práticas de bem-estar animal”.

    A primavera 2025 exige planejamento estratégico, aproveitando oportunidades de crescimento das lavouras e recuperação de pastagens, enquanto minimiza riscos de doenças, pragas e estresse térmico.