Tag: Espírito Santo

  • Perigo: porco de 40kg é atacado em fazenda

    Perigo: porco de 40kg é atacado em fazenda

    Um ataque durante a madrugada terminou com um porco de aproximadamente 40 quilos morto e parcialmente devorado dentro de uma propriedade rural em Alto Santo Antônio, em Santa Teresa, na Região Centro Serrana do Espírito Santo. O responsável pelo ataque não foi identificado, mas o fazendeiro Gilmar Nandorf suspeita da presença de uma onça.

    O caso ocorreu na noite da última segunda-feira (24). Durante a madrugada, Gilmar ouviu os cães latindo e percebeu uma movimentação diferente na propriedade. A agitação teria continuado até por volta de 1h, mas somente na manhã seguinte o que havia acontecido começou a ser descoberto.

    Na terça-feira (25), o caseiro encontrou a carcaça do porco a cerca de 30 metros do chiqueiro, próxima a uma área de vegetação. Segundo o proprietário, o animal teria sido arrastado até o local e parcialmente devorado.

    Outro detalhe chamou a atenção: a cabeça do porco foi encontrada posteriormente em outro ponto da propriedade.

    Suspeita de onça surge após relatos na região

    Gilmar afirmou que nunca havia registrado um ataque semelhante contra os animais de sua propriedade. A possibilidade de uma onça estar por trás do episódio ganhou força, segundo ele, por causa de relatos de moradores e vizinhos.

    Pessoas da região já teriam avistado uma onça circulando pelas proximidades, inclusive acompanhada de dois filhotes. A fazenda também fica próxima a uma área de mata conectada a outras regiões de reserva, o que permite a circulação de animais silvestres.

    Imagens do ataque chegaram às redes sociais

    Após encontrar o porco, o fazendeiro publicou imagens da carcaça restante nas redes sociais. O material começou a circular na internet e chegou ao conhecimento da Polícia Militar Ambiental.

    A corporação, no entanto, informou que não recebeu ocorrência ou pedido de atendimento relacionado ao caso. O proprietário também não havia acionado outros órgãos ambientais para avaliar a situação.

     

  • Peixes do ES apresentam deformidades após o desastre de Mariana, diz pesquisa

    Peixes do ES apresentam deformidades após o desastre de Mariana, diz pesquisa

    Pesquisadores identificaram no litoral do Espírito Santo uma taxa recorde de anomalias em peixes costeiros brasileiros. Entre os 38 exemplares da espécie Stellifer naso analisados, 23 apresentaram alterações nos otólitos — o equivalente a 60,5% da amostra.

    Os animais foram coletados em maio de 2022 na foz do Rio São Mateus, próximo aos municípios de Conceição da Barra e São Mateus.

    O resultado supera os percentuais relatados anteriormente na literatura científica para peixes costeiros no Brasil. Até então, o maior índice registrado era de 27,11%, encontrado no bagre Cathorops spixii.

    O estudo foi publicado na revista científica Ocean and Coastal Research e levanta como uma das principais hipóteses a influência de alterações ambientais associadas aos rejeitos liberados após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).

    O que são os otólitos

    As alterações foram identificadas nos otólitos, pequenas estruturas calcificadas encontradas no ouvido interno dos peixes.

    Elas participam de funções como equilíbrio, orientação espacial e percepção sonora.

    A forma e a composição química dos otólitos podem variar de acordo com fatores fisiológicos e ambientais, incluindo temperatura, salinidade e características da água.

    Por isso, alterações nessas estruturas podem ajudar pesquisadores a identificar sinais de estresse ambiental.

    Taxa de anomalias foi a maior já registrada no país

    Dos 38 exemplares estudados, 23 apresentaram otólitos com algum tipo de anomalia.

    Os pesquisadores encontraram alterações de diferentes formatos e dimensões. Em alguns casos, havia projeções anormais semelhantes a pequenos dedos.

    A análise também revelou que os otólitos classificados como anormais apresentavam maior variação morfológica em comparação aos considerados normais.

    Segundo o estudo, o percentual de 60,5% é o mais elevado já relatado na literatura para peixes costeiros brasileiros.

    Rejeitos de Mariana estão entre as principais hipóteses

    Uma das hipóteses investigadas pelos pesquisadores envolve os impactos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em novembro de 2015.

    O desastre lançou rejeitos de mineração no sistema do Rio Doce, que posteriormente alcançaram o Oceano Atlântico.

    O rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015 em Mariana (MG), foi o maior desastre socioambiental do Brasil (Foto: Divulgação)

    Stellifer naso vive principalmente em áreas estuarinas e associadas a fundos de sedimento, característica que pode aumentar o contato da espécie com contaminantes depositados no ambiente.

    Estudos anteriores citados pelos autores já registraram contaminação por ferro e bioacumulação de metais em organismos da região afetada pelo desastre.

    “Comparando com outros trabalhos similares no Brasil e também expandindo para outras regiões, o nosso trabalho teve um resultado bem acima da média em quantidade de peixes com anomalias, o que possivelmente está relacionado às marcas do desastre”, afirmou Jonas Andrade-Santos, pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos autores da pesquisa.

    Peixes foram coletados quase sete anos depois do desastre

    Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi o intervalo entre o rompimento da barragem e a coleta dos animais.

    O desastre ocorreu em novembro de 2015, enquanto os exemplares analisados foram capturados em maio de 2022, quase sete anos depois.

    Segundo os autores, metais e outros contaminantes transportados pelos rios podem permanecer no ambiente e ser novamente mobilizados ao longo do tempo, prolongando a exposição dos organismos aquáticos.

    Estudo não comprova causa das deformidades

    Apesar da possível associação com os rejeitos, os pesquisadores destacam que não é possível determinar ainda a origem exata das anomalias.

    Outros fatores ambientais, como alterações de temperatura e salinidade, além de fatores fisiológicos e genéticos, também podem interferir no desenvolvimento dos otólitos.

    Uma das principais limitações da pesquisa é a ausência de amostras da mesma região anteriores ao rompimento de 2015.

    Sem esse material, não é possível comparar diretamente a incidência de deformidades antes e depois do desastre.

    Pesquisadores vão analisar composição dos otólitos

    A próxima etapa deverá incluir análises químicas dos otólitos para identificar os minerais presentes nessas estruturas e verificar possíveis associações com as deformidades.

    Os pesquisadores também pretendem ampliar o estudo para procurar alterações externas nos animais, incluindo deformações nas nadadeiras.

     

  • Espírito Santo inicia safra 2026 do gengibre e reforça liderança nacional

    Espírito Santo inicia safra 2026 do gengibre e reforça liderança nacional

    O Espírito Santo deu início à safra 2026 de gengibre com um evento técnico em Santa Maria de Jetibá, na região serrana. Maior produtor e exportador da raiz no Brasil, o estado reuniu agricultores, pesquisadores, técnicos e autoridades durante o Dia Especial da Cultura do Gengibre.

    O encontro destacou inovações tecnológicas, práticas sustentáveis e estratégias para fortalecer a cadeia produtiva do gengibre capixaba, considerada referência nacional.

    Realizado no Galpão Djalma Plaster, na localidade de Caramuru, o evento apresentou soluções práticas para o campo, como controle biológico de pragas e doenças, produção de bioinsumos nas propriedades rurais e novas variedades registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    A Secretaria da Agricultura do Espírito Santo (Seag), o Incaper, a Prefeitura de Santa Maria de Jetibá e o Sicoob organizaram a programação, com apoio da Prefeitura de Santa Leopoldina.

    Espírito Santo lidera produção e exportação de gengibre

    O Espírito Santo concentra cerca de 75% da produção nacional de gengibre e responde por 59% das exportações brasileiras. Em 2025, os produtores capixabas colheram 83,7 mil toneladas da raiz.

    No mercado externo, o estado exportou 28,5 mil toneladas, gerando US$ 40,4 milhões em receita. O gengibre ocupou a quarta posição entre os produtos mais valiosos do agronegócio capixaba.

    Os municípios de Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina e Domingos Martins respondem por aproximadamente 95% da produção estadual, consolidando a região serrana como polo da cultura.

    Segundo o secretário estadual de Agricultura, Carlos Tesch, o desempenho do setor reflete o trabalho dos produtores e o investimento contínuo em tecnologia e assistência técnica.

    “O Espírito Santo se tornou referência nacional na produção e exportação de gengibre graças à dedicação dos agricultores, principalmente das famílias da região serrana. O governo segue incentivando práticas sustentáveis e apoiando o desenvolvimento da cultura”, afirmou.

  • Produtividade: estado produz 145 ovos por segundo

    Produtividade: estado produz 145 ovos por segundo

    O setor de avicultura de postura no Espírito Santo atingiu um patamar de produtividade que impressiona não apenas pelo volume total, mas pela velocidade do processo. O estado registrou a produção de 380.650 mil dúzias de ovos de galinha, segundo dados da Produção Pecuária Municipal do IBGE, em 2024. Esse montante, quando convertido, representa a marca astronômica de aproximadamente 4,57 bilhões de ovos em um único ano.

    Para facilitar a compreensão da magnitude desses números, o volume pode ser fragmentado em frações de tempo: o Espírito Santo produz cerca de 12,5 milhões de ovos por dia, o que equivale a 521 mil por hora, 8,7 mil por minuto e aproximadamente 145 ovos a cada segundo. Na prática, no tempo que se leva para ler uma frase curta, milhares de novos ovos já foram produzidos em território capixaba.

    Abastecimento e consumo

    A escala da produção é tamanha que seria capaz de abastecer a população estadual com folga. Considerando a população estimada de 4,1 milhões de habitantes, a produção média anual é de 1.114 ovos por habitante. Isso significa que, se toda a produção ficasse no estado, haveria pouco mais de três ovos disponíveis por dia para cada capixaba.

    Em termos gastronômicos, a produção diária do estado seria suficiente para preparar cerca de 6,25 milhões de omeletes simples (de dois ovos) todos os dias.

    O cinturão verde da produção: Santa Maria de Jetibá

    Embora a produção esteja presente em diversos municípios, há uma concentração clara na Região Serrana. Santa Maria de Jetibá é o protagonista absoluto do setor, sendo responsável por 346.602 mil dúzias, o equivalente a 91,1% de toda a produção do Espírito Santo. Sozinho, o município entregou cerca de 4,16 bilhões de ovos ao mercado em 2024.

    Imagem gerada por IA/LM Notebook

    Outras cidades também se destacam no ranking estadual, embora com volumes menores:

    • Santa Teresa: 9.800 mil dúzias.
    • Santa Leopoldina: 9.613 mil dúzias.
    • Domingos Martins: 5.016 mil dúzias.
    • Venda Nova do Imigrante: 2.859 mil dúzias.

    Eficiência e tecnologia no campo

    O setor alcançou sucesso com uma combinação de profissionalismo e investimento tecnológico. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Carlos Tesch, uma cadeia produtiva organizada gerou esses resultados ao unir a força da agricultura familiar ao alto nível tecnológico.

    Além do impacto direto na mesa do consumidor, a atividade possui um peso econômico vital para o estado, gerando renda e estruturando comunidades, especialmente na região serrana. O objetivo do governo estadual, conforme destacado por Tesch, é manter o apoio ao setor para garantir que o Espírito Santo continue sendo uma referência nacional na produção de ovos, focando em competitividade e sustentabilidade.

  • Café com cocô de pássaro? Produto brasileiro chega a R$ 1.530 e intriga o mercado

    Café com cocô de pássaro? Produto brasileiro chega a R$ 1.530 e intriga o mercado

    Se alguém te dissesse que um quilo de café feito a partir de fezes de pássaro custa R$ 1.530, você provavelmente acharia que é exagero ou pegadinha. Porém, esse é o preço real do Jacu Bird Coffee, o café exótico produzido na Fazenda Camocim, nas montanhas do Espírito Santo, a partir de grãos catados manualmente do cocô da ave jacu. O pacote de 250 gramas sai por R$ 382 e encontra comprador dentro e fora do país.

    Há quase vinte anos, a presença do jacu na lavoura acendeu o sinal de alerta. A ave, que pode chegar a 85 centímetros de comprimento e vive de frutos, começou a atacar os cafezais da fazenda. O dono, Henrique Sloper, lembra que o primeiro impulso foi tratar o animal como praga. “Vimos uns 30 jacus comendo café e nos preocupamos em chamar Ibama, chamar todo mundo. ‘O que a gente faz?’ Não tem o que fazer, pensamos em tentar aproveitar isso de alguma maneira”, contou.

    O problema que virou solução

    A “virada de chave” veio em 2008, quando a fazenda decidiu se inspirar no Kopi Luwak, o famoso café da Indonésia produzido a partir das fezes de civetas, pequenos mamíferos. A partir dali, o que era sinal de prejuízo começou a ser tratado como oportunidade, com direito a certificação da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e status de produto orgânico e biodinâmico.

    O processo é totalmente manual. O jacu come o café maduro e, cerca de 40 minutos depois, elimina os grãos praticamente inteiros, em blocos que lembram um pé de moleque. Funcionários da fazenda percorrem a área recolhendo os resíduos a mão, separam os grãos e levam para secagem. Depois da estufa, o café passa por uma câmara fria, onde fica até um mês a temperaturas de até 25 graus negativos. Na sequência, vem a seleção por tamanho, cor e qualidade, para só então seguir para torra, moagem e preparo.

    O resultado é um café com baixo teor de cafeína, porque a ave consome cerca de 70% da substância durante a digestão. É justamente esse processo incomum, somado ao trabalho intensivo, que ajuda a explicar o preço salgado. “É um processo caro de fazer, não existe máquina de processar resíduos de pássaros”, resume Sloper.

    Quanto vale o exótico na xícara?

    Quando você compara o valor do Jacu Bird Coffee com o mercado tradicional, a diferença assusta. Uma saca de 60 quilos de café arábica comum hoje gira entre R$ 1.700 e R$ 1.900, dependendo da região. Nos cafés especiais, mesmo os mais premiados do país, o número continua bem abaixo do que o jacu entrega.

    Em dezembro, um leilão da BSCA com 30 lotes vencedores do Cup of Excellence Brazil 2025 arrecadou cerca de R$ 1,79 milhão, o que equivale a aproximadamente R$ 15 mil por saca de 60 quilos, ou R$ 250 o quilo. Na prática, o quilo do café de fezes de jacu custa cerca de seis vezes mais do que alguns dos melhores cafés especiais brasileiros. E, se você olhar para fora, a discrepância aumenta: na Inglaterra, o mesmo café chega a ser vendido pelo equivalente a R$ 9 mil o quilo.

    Apesar de ocupar um nicho minúsculo dentro da produção da Camocim, o impacto financeiro é relevante. Em cada safra, saem da fazenda cerca de três toneladas do café do jacu, dentro de um total de 230 toneladas de café produzidas. O suficiente para abastecer mercados exigentes como Japão, França e Inglaterra, além de um público brasileiro disposto a pagar caro pela experiência.

    O jacu como “funcionário” da agricultura regenerativa

    Para além do lado exótico, o jacu virou peça de comunicação da fazenda sobre práticas de agricultura regenerativa. Sloper costuma dizer que o animal cumpre três funções na propriedade: funciona como alarme de colheita, selecionador e replantador. Se o jacu está comendo, é porque o café está no ponto. Ao escolher os melhores frutos, ele faz uma pré-seleção natural. E, ao voar e defecar pela mata, ajuda a espalhar sementes e nutrientes.

    O produtor, no entanto, não pretende colocar o café do jacu em competições ou provas com pontuações tradicionais, como acontece com outros especiais acima de 80 pontos. “O custo de produção é altíssimo. Não faz sentido botar em competição, e não faz sentido dar nota, porque é exótico. Da mesma forma que não faz sentido eu fazer muita conta [sobre os custos], porque se eu fizer, [possivelmente] eu não faria isso”, afirma. Para ele, o produto serve também como vitrine de um sistema de manejo em área de regeneração, onde a presença da ave deixa de ser problema e passa a compor a lógica do negócio.

    O que isso acende de alerta para o agronegócio?

    Ainda que o Jacu Bird Coffee seja um caso extremo, ele joga luz em tendências que interessam ao produtor rural que está atento ao mercado. De um lado, mostra como nichos ultrasegmentados, baseados em narrativa forte e diferenciação sensorial, conseguem multiplicar o valor por quilo em relação ao café comum. De outro, escancara como o consumidor global está disposto a pagar caro por histórias de origem, biodiversidade e produção alinhada à agricultura regenerativa.

    Para quem vive do agro, o recado é direto: inovação não está só na máquina nova ou na variedade mais produtiva. Às vezes, começa em algo que parece problema, como um bando de jacus atacando o café, e termina em um produto que custa seis vezes mais que os grãos campeões do país.

  • Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    Ibama multa empresas cosméticas e farmacêuticas por uso irregular de saberes indígenas

    O Ibama multou empresas cosméticas e farmacêuticas em R$ 2,2 milhões por explorar ilegalmente conhecimentos tradicionais de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade. A Operação Guardiões da Biodiversidade, iniciada em março, fiscalizou 47 empresas em 12 estados e resultou em 51 autos de infração.

    Agentes do Ibama verificam estoque de insumos de indústria cosmética. Foto: Divulgação/Ibama

    Os agentes ambientais atuaram no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Fabricantes de pigmentos, saneantes e fitoterápicos estão entre os estabelecimentos notificados para se regularizar perante a Lei da Biodiversidade.

    “O foco da operação foi o desenvolvimento irregular de produtos cosméticos e farmacêuticos que utilizaram conhecimento tradicional de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre o uso da biodiversidade, sem o devido consentimento prévio informado”, explicou Igor de Brito, coordenador de Fiscalização da Biodiversidade do Ibama.

    O que as empresas fizeram de errado

    As empresas autuadas acessaram conhecimento tradicional de origem identificável sem obter consentimento prévio informado. E deixaram de indicar a origem desse conhecimento em explorações econômicas ou pedidos de patentes. São condutas previstas nos artigos 83 e 84 do Decreto nº 8.772/2016.

    Entre os conhecimentos acessados irregularmente estão aqueles sobre o uso tradicional de espécies nativas como o urucum (Bixa orelana), a aroeira (Schinus terebinthifolia), o jagube (Banisteriopsis caapi) e a chacrona (Psychotria viridis).

    Outras infrações incluíram a exploração econômica de produtos acabados sem notificação prévia ao SisGen, o Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado. As multas previstas pelo Decreto nº 8.772/2016 variam de R$ 1 mil a R$ 10 milhões. Isso conforme a gravidade da conduta e a capacidade econômica do infrator.

    Por que essa lei existe

    O agente ambiental federal Isaque Siqueira, coordenador nacional da operação, destaca que a legislação reconhece formalmente povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares como guardiões da biodiversidade e de saberes ancestrais que impulsionam a inovação científica e industrial.

    “Ao garantir o direito de participação desses grupos na tomada de decisões e ao condicionar o acesso aos seus conhecimentos à obtenção de consentimento prévio informado, a lei protege sua integridade cultural e assegura que os lucros gerados retornem em forma de desenvolvimento sustentável”, afirmou Siqueira.

    Para as comunidades detentoras do conhecimento, o cumprimento das normas representa proteção contra a exploração indevida. E uma oportunidade de protagonismo na celebração de acordos que valorizam seus modos de vida e garantem recursos para a manutenção de seus territórios.

    O que diz a legislação

    A Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015), referência internacional entre os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), estabelece o marco regulatório nacional para o acesso e uso do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado no Brasil.

    Entre as principais obrigações para pesquisadores e indústrias estão o cadastro obrigatório de todas as atividades de acesso no SisGen e a notificação prévia à comercialização de produtos desenvolvidos a partir desses recursos.

    Empresas de médio e grande porte também devem repartir parte da receita gerada com a exploração econômica da biodiversidade. Esses recursos vão ao Fundo Nacional de Repartição de Benefícios (FNRB), que os aplica na conservação ambiental e na proteção do conhecimento tradicional.

    Nos casos em que a origem do conhecimento é identificável, a lei exige ainda a celebração de acordos específicos de repartição de benefícios, em formato monetário ou não monetário, diretamente com os detentores desses saberes, salvo exceções previstas na norma.

  • Como as mulheres estão redesenhando o agronegócio capixaba

    Como as mulheres estão redesenhando o agronegócio capixaba

    No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o Espírito Santo registra avanços concretos na participação feminina no agronegócio e na pesca artesanal. Produtoras, gestoras, empreendedoras e lideranças comunitárias ocupam cada vez mais espaço nas cadeias produtivas do Estado.

    A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) coordena quatro iniciativas voltadas ao fortalecimento da atuação das mulheres no campo e no litoral capixaba: Elas no Campo e na Pesca, Mulheres do Café, Mulheres do Cacau e Marisqueiras em Rede. Os programas combinam qualificação técnica, incentivo ao empreendedorismo e apoio à organização produtiva.

    “As mulheres estão cada vez mais à frente da produção, da gestão das propriedades e da inovação no meio rural”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli. “O Governo do Estado tem trabalhado para ampliar oportunidades e garantir que essas mulheres tenham acesso à capacitação, tecnologia e mercados.”

    Elas no Campo e na Pesca: capacitação e expansão até 2028

    Lançado em 2019 em parceria com o Incaper, o programa Elas no Campo e na Pesca promove visibilidade, autonomia econômica e liderança entre agricultoras e pescadoras capixabas.

    Em 2025, o programa realizou seis capacitações em parceria com o Sebrae, pelo projeto Delas. Atendendo 86 mulheres nos municípios de São José do Calçado, Mimoso do Sul, Vitória, Jerônimo Monteiro e Itapemirim. Os encontros abordaram vendas, marketing, empreendedorismo, marca pessoal, formação de preço e inteligência emocional.

    O programa também levou produtoras a feiras como a Feira Sabores da Terra, a ESX, a FEAFES, a Coffees e o Festival Internacional do Café Conilon. Com representantes de diversas cadeias produtivas, incluindo mulheres da reforma agrária, indígenas e quilombolas.

    Para o triênio 2026–2028, a Fapes aprovou um novo projeto pelo programa Inovagro, com investimento de R$ 599.498,00. Entre as ações previstas estão o mapeamento do perfil socioeconômico das participantes, ampliação da assistência técnica, inserção dos produtos no mercado formal e implantação de unidades demonstrativas para a produção de pimenta-do-reino no norte do Estado. O início das atividades está previsto para abril de 2026.

    Mulheres do Café: mais de 1.600 atendidas em um ano

    O projeto Mulheres do Café qualifica produtoras, estimula a troca de experiências e agrega valor à produção cafeeira capixaba.

    Em 2025, as ações voltadas às mulheres do café, em conjunto com o programa Elas no Campo e na Pesca, encerraram o ano com 1.633 mulheres atendidas em 67 atividades, entre capacitações, feiras, Dias de Campo, palestras, excursões e podcast.

    Mulheres do Cacau: associações como legado

    O Mulheres do Cacau aproxima produtoras das tecnologias de cultivo e processamento, garante assistência técnica e estimula a organização coletiva na cadeia cacaueira.

    Como resultado direto do projeto, quatro associações de mulheres do cacau já funcionam no Estado. E seguem recebendo apoio da Seag para capacitações e participação em espaços de comercialização.

    Marisqueiras em Rede: sustentabilidade no litoral capixaba

    Voltado às pescadoras artesanais, o Marisqueiras em Rede fortalece a organização produtiva e incentiva alternativas sustentáveis de renda no litoral capixaba.

    A iniciativa, realizada em parceria com a Associação de Pescadores de Jacaraípe (ASPEJ), o Sebrae e a Petrobras, atua em dez municípios: Serra, Vitória, Cariacica, Vila Velha, Guarapari, Anchieta, Piúma, Itapemirim, Marataízes e Presidente Kennedy.

  • Prêmio Queijos do Espírito Santo reúne nove categorias da produção capixaba

    Prêmio Queijos do Espírito Santo reúne nove categorias da produção capixaba

    A diversidade, a tradição e os diferentes estágios de maturação dos queijos produzidos no Espírito Santo norteiam a estrutura do Prêmio Queijos do Espírito Santo. O concurso estadual terá nove categorias, incluindo desde queijos frescos até produtos com longa maturação, além de itens tradicionais da cadeia do leite capixaba.

    Produtores poderão inscrever queijos artesanais ou tradicionais frescos, com até sete dias de maturação, e também produtos com maturação entre 8 e 30 dias, de 31 a 60 dias e superior a 60 dias. A divisão permite que os participantes apresentem queijos com diferentes perfis sensoriais e níveis de complexidade.

    Categorias específicas destacam produtos típicos da região. O concurso contempla o Queijo de Massa Filada, a Puína, o Queijo Minas Padrão e o Requeijão de Corte, item tradicional das queijarias e cooperativas de laticínios do Espírito Santo. A premiação ainda reserva a categoria Destaque da Queijaria, que reconhece o conjunto da produção e a identidade do empreendimento.

    Inscrições abertas

    As inscrições gratuitas para o Prêmio Queijos do Espírito Santo permanecem abertas até o dia 5 de março. Os interessados devem realizar o cadastro exclusivamente pelo site www.agrolegal-es.com. A organização do concurso realizará a premiação nos dias 10 e 11 de março de 2026.

    Podem participar queijarias e empreendimentos que produzem queijos ou requeijão no Espírito Santo. A única exigência é a regularização em serviço oficial de inspeção — municipal (SIM), estadual (SIE) ou federal (SIF). Os produtores deverão entregar as amostras dos produtos inscritos no dia 9 de março, nos pontos de coleta definidos pela organização.

  • Camarão-gigante-da-Malásia ganha espaço na aquicultura

    Camarão-gigante-da-Malásia ganha espaço na aquicultura

    A aquicultura do Espírito Santo começa a diversificar sua produção com uma espécie pouco conhecida fora do meio técnico: o camarão-gigante-da-Malásia (Macrobrachium rosenbergii). O crustáceo, um dos maiores camarões de água doce do mundo, vem ganhando espaço em áreas rurais afastadas do litoral e mostra bom potencial econômico para produtores locais.

    Em 2024, o Espírito Santo produziu 11,35 toneladas da espécie, concentradas em poucos, porém estratégicos municípios. Governador Lindenberg liderou com 7,5 mil quilos, o equivalente a 66,1% da produção estadual. Ibiraçu ficou em segundo lugar, com 2,95 mil quilos (26%), enquanto Alfredo Chaves e Marilândia completaram o ranking com 500 quilos (4,4%) e 400 quilos (3,5%), respectivamente.

    O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, destaca que a atividade oferece uma alternativa sólida para os produtores do interior. “Trata-se de uma criação que diversifica a renda, aproveita bem a água doce e amplia as oportunidades no campo. Portanto, é um exemplo de como a inovação pode gerar valor e desenvolvimento no interior do Estado”, afirmou Bergoli.

    Espécie robusta e valorizada no mercado

    O camarão-gigante-da-Malásia se diferencia dos camarões marinhos por completar a fase de engorda em água doce. A espécie pode atingir mais de 30 centímetros, apresenta bom rendimento de carne e tem alta aceitação gastronômica, o que desperta o interesse de mercados regionais e especializados.

    Devido à boa adaptação a viveiros escavados, a espécie pode ser integrada a propriedades rurais já consolidadas, ampliando a geração de renda e fortalecendo a produção sustentável. O crescimento acelerado e o sabor valorizado tornam o cultivo uma oportunidade atrativa para pequenos e médios aquicultores.

    Capacitação e manejo técnico garantem bons resultados

    Segundo a engenheira de pesca da Secretaria da Agricultura (Seag), Naessa Martins, o sucesso do cultivo depende de acompanhamento técnico e qualificação do produtor. “O monitoramento constante é essencial, desde a implantação até a despesca. Assim, a formação adequada garante boas práticas de manejo, reduz perdas e melhora o desempenho produtivo”, explicou.

    Apesar de concentrada em poucos municípios, a produção do camarão-gigante-da-Malásia mostra que a aquicultura capixaba está em expansão e vai além do cultivo tradicional de peixes. Longe do mar, nos tanques e viveiros do interior, surge um novo símbolo de inovação e diversificação no campo capixaba.

  • Espírito Santo fortalece exportações de gengibre

    Espírito Santo fortalece exportações de gengibre

    As exportações de gengibre do Espírito Santo cresceram 8% em 2025 e consolidaram o Estado como um dos principais fornecedores do produto no mercado global. No total, os embarques somaram 28,6 mil toneladas, ante as 26,4 mil toneladas registradas em 2024.

    Reconhecido pela alta qualidade, o gengibre capixaba alcançou 50 países. Os Países Baixos lideraram as compras, com US$ 19,91 milhões em importações, seguidos pelos Estados Unidos (US$ 11,68 milhões) e pela Itália (US$ 1,77 milhão).

    Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, o desempenho reflete o trabalho contínuo de fortalecimento da cadeia produtiva e a ampliação de mercados internacionais.

    “O crescimento das exportações e a presença do gengibre capixaba em 50 países demonstram a força da nossa agricultura e o reconhecimento internacional da qualidade do produto. Esse resultado é fruto de investimentos em tecnologia, boas práticas agrícolas e da parceria entre produtores, cooperativas e o poder público”, afirmou Bergoli.