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  • Saiba o que é a pipericultura e como lucrar com isso

    Saiba o que é a pipericultura e como lucrar com isso

    A pipericultura é o cultivo da pimenta-do-reino (Piper nigrum), uma das especiarias mais antigas e valorizadas no mundo. Originária das montanhas Ghats Ocidentais, na Índia, a planta é uma trepadeira perene que produz frutos usados amplamente na culinária e na medicina. A pimenta-do-reino é comercializada em três formas principais: preta, branca e verde, sendo a preta a mais comum. Seu sabor picante e aroma característico provêm da piperina, um composto químico que também possui propriedades benéficas à saúde.

    Mercado de pipericultura

    O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de pimenta-do-reino no mundo, ocupando o segundo lugar global em produção, atrás apenas do Vietnã. Em 2020, o país produziu cerca de 114.749 toneladas, com destaque para o estado do Espírito Santo, responsável por 60% da produção nacional. A produtividade capixaba é superior à média nacional, atingindo 3,9 toneladas por hectare, enquanto a média brasileira é de 3,1 toneladas por hectare.

    A exportação brasileira também é significativa: mais de 67% do volume exportado tem origem no Espírito Santo. Em 2022, o Valor Bruto da Produção (VBP) da pimenta-do-reino no estado foi de R$ 976,9 milhões, representando 4% do VBP agropecuário capixaba. O cultivo no Brasil se beneficia de fatores climáticos favoráveis e avanços tecnológicos que aumentam a produtividade.

    No cenário mundial, os maiores produtores de pimenta-do-reino são Vietnã, Brasil, Indonésia e Índia. Juntos, esses países representam mais de 70% da produção global. Apesar de terem as maiores áreas cultivadas, Indonésia e Índia apresentam baixa produtividade em comparação ao Brasil e Vietnã. O Vietnã lidera em volume produzido e exportado graças a investimentos em tecnologia agrícola.

    Os Estados Unidos são os principais importadores globais de pimenta-do-reino, enquanto países como Alemanha atuam como revendedores sem produzir diretamente. A especiaria também desempenha um papel importante na economia global devido à sua alta demanda na indústria alimentícia e medicinal.

    Curiosidades e benefícios

    Além do uso culinário, a pimenta-do-reino tem propriedades medicinais reconhecidas. Estudos indicam que ela pode atuar como alimento termogênico, auxiliando na queima de calorias e contribuindo para o tratamento de doenças crônicas como obesidade. Rica em vitaminas A, C e E, além de minerais como zinco e potássio, a especiaria também estimula a liberação de endorfinas no organismo, promovendo sensação de bem-estar.

    A pipericultura é um setor estratégico tanto para o agronegócio brasileiro quanto para o mercado global. Com alta demanda e preços competitivos no mercado internacional, o cultivo da pimenta-do-reino representa uma oportunidade econômica significativa. No Brasil, o avanço tecnológico e as condições climáticas favoráveis consolidam o país como líder em produtividade e exportação dessa especiaria essencial.

    Espírito Santo impulsiona programa sustentável para consolidar liderança na produção

    O Espírito Santo deu mais um passo para consolidar sua posição como maior produtor e exportador de pimenta-do-reino do Brasil. Com foco em sustentabilidade e competitividade, o governo estadual, por meio da Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), está estruturando um programa inédito para impulsionar a pipericultura. A iniciativa, discutida em reunião técnica em fevereiro, visa replicar o modelo bem-sucedido do setor cafeeiro e alinhar a produção às demandas globais por práticas ambientais responsáveis.

    Estado lidera 61% da produção nacional

    O Espírito Santo responde por 61% da pimenta-do-reino produzida no Brasil, segundo dados oficiais. O condimento ocupa o 3º lugar na pauta de exportações do agronegócio capixaba, gerando receita e empregos em áreas rurais. A cadeia produtiva envolve mais de 3 mil produtores, concentrados principalmente no norte do estado.

    Replicar sucesso da cafeicultura

    O futuro Programa de Desenvolvimento Sustentável da Pipericultura Capixaba terá como base o currículo de sustentabilidade já aplicado na cafeicultura – setor em que o ES é referência internacional. A proposta inclui:

    • Assistência técnica para adoção de tecnologias de baixo impacto ambiental.
    • Pesquisas para aumento de produtividade e resistência a pragas.
    • Certificação sustentável para ampliar acesso a mercados internacionais.

    “Queremos transformar a pimenta-do-reino em um símbolo de agricultura sustentável, assim como fizemos com o café”, afirmou Michel Tesch, subsecretário de Desenvolvimento Rural da Seag, que coordenou os debates.

    Plano estratégico e próximos passos

    O programa está alinhado ao Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag-4), que prioriza a modernização de cadeias produtivas com foco em inovação e responsabilidade socioambiental. Segundo Antonio Elias Souza da Silva, diretor-geral do Incaper, as equipes já trabalham na elaboração de projetos de pesquisa e capacitação de produtores.

    “A pimenta-do-reino é estratégica para nossa economia. Com tecnologia e sustentabilidade, vamos fortalecer ainda mais esse setor”, destacou Silva.

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  • Calor faz batata-baroa “cozinhar” no solo no Espírito Santo

    Calor faz batata-baroa “cozinhar” no solo no Espírito Santo

    Um caso incomum de degradação térmica em batata-baroa foi registrado no município de Alfredo Chaves (ES), onde o agricultor Elson De Nadai perdeu 60% da produção devido a temperaturas acima de 30°C e 22 dias consecutivos sem chuva. O fenômeno, nunca antes documentado no estado, ocorreu quando o calor elevou a temperatura do solo, “cozinhando” os tubérculos antes da colheita.

    A batata-baroa, adaptada ao clima ameno da Serrana capixaba (temperaturas ideais entre 10°C e 25°C), enfrentou condições extremas em março de 2025. A irrigação diária não foi suficiente para mitigar os efeitos do calor, que acelerou a fermentação e apodrecimento das raízes.

    Foto: TV Gazeta

    Segundo João Medeiros, engenheiro agrônomo do Incaper, o calor favoreceu a proliferação de microrganismos e fungos, contaminando a plantação. “Uma vez que uma raiz é atingida, o processo se espalha rapidamente”, explicou. O produtor relatou que áreas com maior exposição solar (8 horas diárias) tiveram perdas mais significativas.

    Variedades e estratégias

    De Nadai cultiva duas variedades:

    • Catarina (alta produtividade, colheita entre 8 e 12 meses), desenvolvida pela Embrapa para atender demandas comerciais.
    • Precoce Capixaba (resistente a mudanças climáticas, colheita entre 9 e 16 meses), que reduziu parcialmente as perdas.

    O prejuízo ainda não foi quantificado, mas a redução na oferta já impactou o mercado. “Antes, comercializávamos 20 a 30 caixas semanais; hoje, não atingimos esse volume”, destacou Medeiros. A seca prolongada e ondas de calor reforçam a necessidade de adaptação de práticas agrícolas às mudanças climáticas.

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  • Perigo: surto de febre do Oropouche avança

    Perigo: surto de febre do Oropouche avança

    A Embrapa integrou, entre os dias 18 e 20 de fevereiro, uma missão técnica liderada pelo Ministério da Saúde (MS) para avaliar a situação da febre do Oropouche no Espírito Santo. A doença, transmitida pelo inseto Culicoides sp., conhecido como maruim, tem afetado seres humanos e animais, provocando um aumento expressivo no número de casos. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas entre as semanas epidemiológicas 1 e 6 de 2025, o estado registrou 4.317 casos, liderando os índices da doença no país.

    A missão técnica buscou avaliar os impactos da doença e elaborar estratégias de controle. O Ministério da Saúde solicitou à Embrapa um projeto de pesquisa e inovação para combater a febre do Oropouche. Para atender essa demanda, a Embrapa mobilizou pesquisadores de diversas unidades, contando também com a participação de profissionais da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e agentes de saúde das secretarias estadual e municipais.

    As atividades se concentraram nos municípios de Alfredo Chaves, onde mais de 1.300 casos já foram confirmados. E também Santa Teresa, localidade com potencial para apresentar um aumento expressivo na incidência da doença.

    A equipe identificou a presença do vetor e discutiu medidas de controle ambiental e agropecuário. “A febre do Oropouche está se espalhando rapidamente e superando a transmissão da dengue. O que antes era um problema restrito ao Norte do país agora se espalha por todas as regiões, causando preocupação e até mortes”, alertou a pesquisadora Janice Zanella, da Embrapa Suínos e Aves.

    Impacto ambiental e agricultor na disseminação da doença

    A pesquisadora Fabiana Rezende, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, destacou que a atividade humana tem desempenhado um papel crucial na disseminação do maruim. Regiões de cultivo de banana, cacau, café e outras frutíferas, com baixa proteção de nascentes e topos de morro, criam condições ideais para a proliferação do vetor.

    A expansão da doença também tem causado impactos sociais e econômicos. Muitos produtores rurais estão considerando abandonar suas propriedades devido ao risco de contaminação, enquanto comunidades locais relatam o afastamento de familiares e visitantes por medo da infecção.

    Estratégias de controle e pesquisa

    A missão propõe soluções de curto, médio e longo prazo para conter a doença. Algumas medidas incluem:

    • Controle do vetor: Pesquisa e desenvolvimento de agentes biológicos, químicos e alternativas sustentáveis para reduzir a população do maruim.
    • Mobilização social: Conscientização das comunidades locais sobre medidas preventivas e participação em soluções colaborativas.
    • Recuperação ambiental: Recomposição de nascentes, controle biológico, plantios diversificados e estratégias de equilíbrio ambiental.

    A Embrapa Mandioca e Fruticultura está ativamente envolvida na missão devido às implicações para culturas como a banana e pela presença da febre do Oropouche na Bahia. Segundo Francisco Laranjeira, chefe-geral da unidade, “nosso compromisso é atuar de forma integrada para desenvolver soluções que garantam a saúde pública e a segurança do setor agropecuário”.

    Febre do Oropouche: O que é e como se espalha?

    Descoberto nos anos 1950, o vírus da febre do Oropouche passou a ter um ciclo urbano e periurbano, atingindo humanos diretamente. O ciclo silvestre ocorre entre bichos-preguiça, aves silvestres, primatas e humanos, com o maruim atuando como vetor. No ciclo urbano, a transmissão ocorre apenas entre mosquitos e seres humanos.

    O Brasil abriga os quatro genótipos conhecidos do vírus, tornando sua disseminação ainda mais complexa. Os cientistas ainda precisam desenvolver uma vacina e estudar inseticidas eficazes. Diferente do mosquito da dengue, o maruim se reproduz em matéria orgânica e aparece em plantações de banana, cupuaçu, café e cacau.

    Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor muscular e articular, semelhantes aos da dengue e outras arboviroses. O Ministério da Saúde reforça a importância da investigação clínica, epidemiológica e laboratorial para aprimorar o controle da doença e orientar medidas preventivas.

    A missão liderada pelo Ministério da Saúde e apoiada pela Embrapa representa um passo fundamental para enfrentar essa ameaça crescente. O desenvolvimento de soluções científicas e sustentáveis é essencial para conter a febre do Oropouche e evitar impactos mais severos no Brasil.

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  • Peixe do juízo final gera alerta no Espírito Santo; entenda o erro

    Peixe do juízo final gera alerta no Espírito Santo; entenda o erro

    Um vídeo que circulou nas redes sociais nesta semana trouxe apreensão a moradores do Espírito Santo. As imagens mostram um peixe do juízo final – espécie associada a lendas sobre desastres naturais – supostamente encontrado no litoral capixaba. Entretanto, investigações revelaram inconsistências geográficas no registro.

    O Regalecus glesne, ou peixe-remo, vive em zonas abissais dos oceanos e raramente emerge à superfície. Segundo a Ocean Conservancy, organização ambiental sediada nos EUA, avistamentos costumam ocorrer quando exemplares estão doentes ou morrendo.

    A espécie ganhou notoriedade após relatos no Japão em 2011, quando 20 indivíduos apareceram antes do terremoto e tsunami de Tohoku.

    Equívoco na localização

    A gravação original teria ocorrido na Isla Espíritu Santo, no Golfo da Califórnia (México), conforme marcado no perfil da autora. Registros confirmados no Brasil limitam-se a aparições esporádicas, como em Saquarema (RJ) em 2023.

    Crença sem comprovação científica

    Embora lendas vinculem o animal a presságios, pesquisadores ressaltam a falta de evidências. “Não há relação comprovada entre o peixe-remo e atividades sísmicas”, reforçou a Ocean Conservancy.

    Além disso, especialistas explicam que mudanças comportamentais em peixes abissais podem ser causadas por variações na pressão marinha. Ou seja, não necessariamente por terremotos.

    Contexto histórico

    Desde 1901, apenas 20 ocorrências do peixe do juízo  final foram documentadas em águas brasileiras, segundo o Instituto Scripps de Oceanografia. O último registro antes do suposto caso capixaba aconteceu no Rio de Janeiro, sem eventos sísmicos subsequentes.

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