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  • Missão em Portugal impulsiona inovação e qualidade dos queijos artesanais mineiros

    Missão em Portugal impulsiona inovação e qualidade dos queijos artesanais mineiros

    Uma missão técnica de pesquisadores mineiros a Portugal pode ser o próximo passo para elevar a qualidade, a segurança e a identidade dos queijos artesanais de Minas Gerais. A iniciativa, liderada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) e pela Rede Mineira de Pesquisa em Queijos Artesanais, buscou fortalecer parcerias científicas e trazer inovações para o setor.

    Foto: divulgação

    A viagem, realizada em outubro, incluiu visitas a queijarias tradicionais e laboratórios de ponta, com foco no intercâmbio de conhecimentos sobre a cadeia produtiva. O objetivo central foi aprender e compartilhar técnicas avançadas para a identificação, preservação e análise dos microrganismos que dão caráter único aos queijos de leite cru mineiros.

    Cooperação científica e práticas de ponta

    A comitiva, formada pelos pesquisadores da EPAMIG Daniel Arantes e Cristiane Viana (coordenadora do projeto), e pela professora Fabiana Aparecida Couto, do IFMG, foi recebida pela Universidade do Minho, em Braga. A agenda incluiu visitas a locais de referência, como a Queijaria Lactis Mercados, em Vila Verde, a Vale da Estrela, em Viseu, e a Queijaria da Vaquinha, nos Açores.

    “As experiências em Portugal trouxeram novas perspectivas para a pesquisa com coleções microbianas, inspirando iniciativas que podem contribuir para o fortalecimento da cadeia dos queijos artesanais”, afirmou o pesquisador Daniel Arantes. “A troca de conhecimentos reforça a importância da cooperação na preservação e no uso responsável da biodiversidade de microrganismos presente nos queijos de Minas Gerais.”

    Nos Açores, a equipe também conheceu o Laboratório Regional de Veterinária, uma referência em práticas analíticas para identificação e armazenamento de microrganismos essenciais para a produção queijeira.

    Frutos da parceria: evento internacional e novas visitas

    A missão já rendeu frutos concretos. Está marcada para abril de 2026, no auditório da EPAMIG em Belo Horizonte, a conferência “Novas Tendências de Identificação Microbiana”. O evento reunirá especialistas do Brasil e do exterior para discutir métodos modernos, como o uso de MALDI-TOF MS e Biologia Molecular, aplicados à indústria de queijos artesanais.

    Além disso, também para 2026, está prevista a visita de representantes da Universidade do Minho ao Centro de Pesquisa e Treinamento em Queijos Artesanais da EPAMIG, em São João del-Rei (MG). A ação visa fortalecer a cooperação e fomentar novas pesquisas e projetos de formação.

    As atividades integram o projeto “Estudo do fermento biológico endógeno dos Queijos Artesanais em Minas Gerais”, financiado pela Fapemig, e reforçam o compromisso de unir o saber tradicional à ciência de ponta para valorizar um dos patrimônios gastronômicos mais importantes do estado.

  • Oportunidade: aberto concurso para trabalhar na Epamig

    Oportunidade: aberto concurso para trabalhar na Epamig

    O Governo de Minas Gerais autorizou a realização de um novo concurso público para a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). A decisão, aprovada pelo Comitê de Orçamento e Finanças (Cofin), prevê a oferta de 257 vagas para cargos de níveis médio e superior, com foco no reforço das áreas técnicas e administrativas da instituição.

    A diretoria executiva da Epamig celebra a vitória, que representa uma das prioridades da atual gestão iniciada em 2019. Segundo a diretora-presidente Nilda Soares, o concurso é essencial para renovar o quadro de profissionais após duas décadas sem novos editais, assegurando o fortalecimento da pesquisa e o repasse de resultados qualificados aos produtores rurais de Minas Gerais.

    “Estamos há 20 anos sem a realização de um concurso na Epamig, e essa renovação é crucial para o avanço da pesquisa agropecuária no estado”, afirmou Nilda Soares. Ela também agradeceu o apoio do Governo de Minas e da Secretaria de Agricultura, que continuam a valorizar a pesquisa como motor do desenvolvimento regional.

    Para Trazilbo de Paula, diretor de Pesquisa e Inovação da Epamig, o momento é estratégico. Com a instituição planejando ampliar sua atuação regional e abrir novas frentes de pesquisa nos próximos anos. O concurso será alinhado às demandas definidas no novo Plano Diretor para priorizar as áreas mais importantes.

    Quando?

    O diretor de Administração e Finanças, Leonardo Kalil, reafirmou o compromisso de avançar rapidamente nas etapas preparatórias do concurso. Para que o edital e a divulgação das vagas estejam prontos já no próximo ano.

    O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, ressaltou a relevância da chegada do concurso. “Essa conquista é fundamental para fortalecer o quadro de servidores em um momento de investimentos significativos em pesquisa para o desenvolvimento do estado”, declarou.

  • Epamig apresenta pesquisas inovadoras para criação de tilápias

    Epamig apresenta pesquisas inovadoras para criação de tilápias

    A Epamig apresentou novas pesquisas voltadas à tilapicultura durante o Dia de Campo da Piscicultura Top Fish, em Rio Piracicaba (MG). O projeto, aprovado pela Fapemig, propõe criar tilápias jovens em sistemas de bioflocos. O evento, promovido pela Emater-MG, Prefeitura de Rio Piracicaba e Top Fish, reuniu produtores, técnicos e pesquisadores. O tema central foi “Criação de Tilápia em Tanque Escavado e Beneficiamento de Pescado”.

    Projeto busca reduzir custos e ampliar produção

    Os pesquisadores Alexmiliano Vogel e Franklin Costa apresentaram o projeto “Recria de Juvenis de Tilápia e Acará-Bandeira em Bioflocos visando Redução do Custo de Produção e Uso de Commodities”. A proposta pretende fortalecer a piscicultura mineira e ampliar a oferta de alimentos e peixes ornamentais com menor custo e impacto ambiental.

    Franklin explicou que o sistema de bioflocos utiliza microrganismos da água como alimento natural. A tecnologia reduz o uso de ração, economiza água e diminui a poluição. O estudo também vai definir tamanhos ideais para transferir os peixes aos tanques-rede, o que pode melhorar a saúde animal e reduzir o tempo de engorda.

    Pesquisas incluem espécies ornamentais

    O projeto também contempla o acará-bandeira, espécie valorizada no mercado ornamental e em expansão na aquicultura. Segundo Franklin, o manejo em bioflocos vai aprofundar estudos sobre densidade, alimentação e adaptação. Os resultados podem fortalecer o comércio e criar oportunidades para pequenos produtores diversificarem a produção.

    Registrado sob o número PPE-00022-23, o projeto é desenvolvido em parceria com a UFMG. Os primeiros testes sobre densidade de estocagem e manejo alimentar já acontecem na universidade, em Belo Horizonte. As próximas etapas ocorrerão nos Campos Experimentais da Epamig, em Felixlândia e Leopoldina. A infraestrutura está sendo adaptada para garantir segurança ao sistema produtivo.

    As pesquisas devem seguir até 2027. A Epamig divulgará os resultados por meio de visitas técnicas, publicações e eventos de difusão.

    Resultados aplicados à tilapicultura

    Além da apresentação do novo projeto, o Dia de Campo mostrou resultados de pesquisas já aplicadas na produção de alevinos de tilápia. Os temas abordaram reprodução, nutrição e manejo, com destaque para dados recentes sobre cultivo de larvas, alevinos e juvenis. “Momentos como esse nos aproximam dos principais atores da cadeia produtiva. É uma oportunidade para apresentar avanços, alinhar expectativas e compreender demandas do setor”, concluiu Franklin.

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  • Minas cria “Queijoteca” para preservar DNA dos queijos artesanais

    Minas cria “Queijoteca” para preservar DNA dos queijos artesanais

    Por trás do sabor inconfundível do Queijo Minas Artesanal existe um universo microscópico que a ciência agora quer desvendar e preservar. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) lançou um projeto pioneiro para criar a primeira “Queijoteca Artesanal” do Brasil – uma coleção científica dos microrganismos responsáveis pela identidade única dos queijos mineiros.

    O foco principal da pesquisa é o soro fermento natural, conhecido regionalmente como “pingo” – o ingrediente secreto que diferencia cada região produtora. Este líquido amarelado concentra bactérias láticas específicas que conferem sabor, aroma e textura característicos aos queijos artesanais.

    “O pingo é a principal fonte de microrganismos benéficos responsáveis por influenciar os compostos de sabor, textura e aroma dos queijos artesanais”, explica Daniel Arantes, pesquisador da Epamig e coordenador do projeto. “Queremos identificar o potencial de antagonismo dessas bactérias contra microrganismos patógenos e investigar seu uso como fermento natural.”

    Investimento millionário em tradição

    Com recursos de R$ 2,1 milhões financiados pela Fapemig, o projeto “Estudo do fermento endógeno dos Queijos Artesanais em Minas Gerais” abrange as dez regiões produtoras reconhecidas oficialmente no estado.

    “Investir neste tipo de pesquisa é investir na preservação e aprimoramento dos modos de fazer o Queijo Minas, já reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco”, destaca o vice-governador Mateus Simões.

    Ciência encontra tradição familiar

    A pesquisa conta com a participação direta de produtores locais, como Joelma Tarôco, do Campo das Vertentes. Sua família transformou a tradição leiteira em negócio de queijos artesanais após anos de tentativas.

    “Não é fácil trabalhar com leite cru, passamos por muitos desafios”, conta Joelma. “A Epamig está muito conosco. Sempre buscamos parcerias com a pesquisa para termos um produto de qualidade.”

    A queijaria familiar, projetada em 2013, representa uma história de persistência. Após várias tentativas frustradas, foi em 2015 que a mãe de Joelma assumiu a produção e conquistou a primeira certificação estadual. Hoje, os Queijos Tarôco são distribuídos em todo o Brasil.

    Preservação do patrimônio genético

    O projeto vai além da catalogação. Os pesquisadores pretendem:

    • Identificar bactérias láticas únicas de cada região produtora
    • Investigar o potencial probiótico dos microrganismos
    • Desenvolver fermentos naturais para queijos autorais
    • Garantir controle de qualidade dos produtos artesanais
    • Preservar a biodiversidade microbiana mineira

    Impacto econômico e cultural

    A iniciativa fortalece as bases científicas da cadeia produtiva do Queijo Minas Artesanal, um setor que movimenta milhões na economia mineira e representa importante fonte de renda para famílias rurais.

    A expansão do agroturismo e da Rota do Queijo também se beneficia da pesquisa, oferecendo aos visitantes produtos com autenticidade científica comprovada.

    Com a “Queijoteca Artesanal”, Minas Gerais se posiciona na vanguarda da preservação científica de tradições alimentares. O acervo microbiológico servirá como recurso estratégico para futuras pesquisas e garantirá que as próximas gerações mantenham acesso aos sabores autênticos que tornaram o queijo mineiro mundialmente reconhecido.

    A pesquisa participativa envolvendo produtores, associações e instituições da Rede Mineira de Pesquisa em Queijos Artesanais (RMQA) demonstra como ciência e tradição podem caminhar juntas na preservação do patrimônio cultural brasileiro.

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  • Epamig inova com uso de câmera termográfica no monitoramento de zebuínos leiteiros

    Epamig inova com uso de câmera termográfica no monitoramento de zebuínos leiteiros

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) está à frente de uma pesquisa que utiliza câmera termográfica para monitorar a saúde de zebuínos leiteiros no Campo Experimental Getúlio Vargas, em Uberaba, Triângulo Mineiro. A tecnologia permite identificar, de forma não invasiva, alterações fisiológicas e reprodutivas nos animais, contribuindo para a pecuária de precisão e o bem-estar animal.

    A termografia infravermelha capta a radiação térmica emitida pela superfície corporal dos animais. O procedimento gera imagens coloridas que indicam variações de temperatura, facilitando a detecção de desconforto térmico, inflamações como mastite e distúrbios metabólicos. O método não exige contato físico, o que reduz o estresse dos animais e aumenta a precisão dos diagnósticos.

    Segundo o pesquisador Rogério Vicentini, da Epamig, o mapeamento térmico permite identificar inflamações no úbere, já que o aumento do fluxo sanguíneo na região provoca elevação da temperatura local. O monitoramento contínuo auxilia no diagnóstico precoce de doenças e na avaliação do conforto térmico do rebanho.

    Aplicação na reprodução de vacas zebuínas

    A tecnologia se destaca também no acompanhamento do ciclo reprodutivo das vacas zebuínas. Pesquisadores observaram que a temperatura corporal das fêmeas diminui durante o proestro e aumenta no estro, fases influenciadas por hormônios como estrógeno e progesterona. O monitoramento térmico permite identificar o momento ideal para inseminação, otimizando os índices reprodutivos do rebanho.

    Durante a gestação, a termografia registra aumento gradual da temperatura abdominal, reflexo do metabolismo fetal e maior fluxo sanguíneo. A ferramenta também auxilia na detecção precoce de perdas gestacionais, já que vacas prenhes e aquelas que sofreram aborto espontâneo apresentam diferença de até 0,9°C na região abdominal.

    Pesquisa pioneira e perspectivas

    Os estudos da Epamig são considerados pioneiros no Brasil, especialmente por focarem em zebuínos, raça adaptada ao clima tropical e ainda pouco estudada sob o ponto de vista termográfico. A maior parte das pesquisas anteriores abordava animais taurinos e europeus, que apresentam diferenças fisiológicas importantes em relação aos zebuínos.

    Como próximos passos, a equipe da Epamig planeja investigar o impacto de fatores ambientais, como variações climáticas, sobre a fisiologia e a reprodução dos animais. O objetivo é fornecer subsídios para decisões mais assertivas na gestão do rebanho, promovendo sustentabilidade e bem-estar animal.

    • Benefícios da termografia infravermelha na pecuária
    • Monitoramento não invasivo e em tempo real
    • Diagnóstico precoce de doenças e distúrbios reprodutivos
    • Redução do estresse animal
    • Otimização do manejo reprodutivo
    • Apoio à sustentabilidade e ao bem-estar animal

    A adoção da termografia infravermelha representa um avanço significativo para a pecuária leiteira nacional, posicionando Minas Gerais como referência em inovação agropecuária.

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  • Varrição do café: prática protege lavouras e reduz perdas na colheita

    Varrição do café: prática protege lavouras e reduz perdas na colheita

    A varrição do café, prática consolidada entre produtores, consiste na coleta dos grãos que caem no chão após a derriça manual, semimecanizada ou mecanizada. Além de evitar desperdícios, essa operação tem papel estratégico no manejo fitossanitário, ajudando a controlar pragas como a broca-do-café, que encontra nos frutos caídos um ambiente favorável para se proliferar.

    De acordo com Vanessa Figueiredo, pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a remoção dos frutos do solo é um importante controle cultural. “A varrição reduz a incidência da broca, já que os grãos no chão servem de abrigo para o inseto, favorecendo sua sobrevivência e, consequentemente, a infestação nas próximas safras”, explica.

    Evitar perdas e agregar valor

    Além de contribuir para a sanidade da lavoura, a varrição ajuda a evitar perdas significativas na produção. “A maioria dos frutos que caem ainda apresenta boa qualidade e deve ser aproveitada. Esse café tem valor agregado, especialmente em períodos de mercado aquecido”, ressalta Vanessa.

    A prática pode ser realizada de forma manual ou com o auxílio de máquinas. Para áreas mecanizadas, já existem equipamentos varredores ajustáveis a diferentes tipos de terreno. “Essas máquinas oferecem eficiência no uso da mão de obra, fazendo o trabalho de maneira mais rápida e uniforme”, pontua a pesquisadora.

    Qualidade e mercado do café de varrição

    Os produtores costumam beneficiar e comercializar o café recolhido do chão separadamente do que colhem diretamente das plantas, normalmente praticando preços mais baixos. Isso porque a qualidade pode ficar comprometida devido à exposição à umidade, ao solo e a possíveis resíduos, o que aumenta o risco de defeitos nos grãos.

    Mesmo assim, o mercado ainda absorve o café de varrição, que costuma compor blends ou produtos onde pequenas variações de sabor não afetam tanto a experiência do consumidor final.

    Para Vanessa, o mais importante é manter a lavoura limpa e pronta para o próximo ciclo. “Uma varrição bem feita garante o manejo adequado e prepara o terreno para a safra seguinte. Portanto, reforçando o compromisso do produtor com a produtividade e a qualidade”, conclui.

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  • Minas aposta no azeite de abacate para diversificar economia regional

    Minas aposta no azeite de abacate para diversificar economia regional

    A Serra da Mantiqueira está no centro de uma revolução agroindustrial: pesquisas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) buscam consolidar a cadeia produtiva do azeite de abacate, utilizando o maquinário das oliviculturas durante a entressafra da oliveira. A iniciativa visa ampliar a renda dos produtores, otimizar equipamentos e diversificar a produção regional. Com isso, aproveitar o potencial do abacate como matéria-prima de alto valor agregado.

    A safra da oliveira é curta, ocorrendo entre o fim de janeiro e o início de abril. Esse período deixa os lagares ociosos durante grande parte do ano. Pesquisadores da Epamig comprovaram que, com adaptações simples, é possível utilizar o mesmo maquinário para extrair o óleo do abacate. E assim, agregar valor e utilidade ao parque industrial já existente na região. Segundo Luiz Fernando de Oliveira, pesquisador da Epamig, cerca de 40 lagares do Sudeste podem ser adaptados para a extração do azeite de abacate. Para isso, basta ajustes como a despolpa da fruta e a regulagem das centrífugas horizontais (decanters), devido ao maior volume e teor de óleo do abacate em relação à azeitona.

    Dois projetos em andamento no Campo Experimental de Maria da Fé, ambos financiados por editais da Fapemig e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, avaliam a produção e a qualidade do óleo de abacate, além de processos inovadores para a agroindústria. A modernização da unidade permitiu ampliar a capacidade de processamento e análise físico-química, essencial para garantir a qualidade do produto final.

    Potencial produtivo e sustentabilidade

    O abacate apresenta vantagens estratégicas: variedades como Hass e Fuerte podem atingir até 26% de óleo na polpa, com colheita distribuída ao longo do ano, Assim, permitindo abastecimento contínuo das agroindústrias. O aproveitamento de frutos fora do padrão de mercado, que seriam descartados, contribui para a sustentabilidade e reduz o desperdício. Além de abrir caminho para exportações. Atualmente, o Brasil exporta cerca de 150 mil litros de azeite de abacate por ano, principalmente para Estados Unidos, Itália e Japão, com expectativa de crescimento de 10% até 2025.

    Reprodução – Mapa

    Empresas como Jaguacy e Fazenda Irarema já investem em fábricas com capacidade para processar até 3 mil quilos de abacate por hora. Enquanto produtores independentes, como José Carlos Gonçalves, destinam parte da produção para cosméticos e exportação para mercados asiáticos e americanos.

    Qualidade, benefícios e perspectivas de mercado

    O azeite de abacate possui perfil graxo semelhante ao azeite de oliva, com alto teor de ácido oleico, gordura monoinsaturada benéfica à saúde, além de compostos fenólicos antioxidantes. O consumo do óleo auxilia na redução do colesterol ruim (LDL) e no aumento do colesterol bom (HDL). Deste forma, contribuindo para a prevenção de doenças cardiovasculares e oftalmológicas, como catarata e cegueira noturna. Além do uso culinário, o óleo é aplicado na indústria de cosméticos e pode ser misturado ao azeite de oliva para criar novos produtos.

    O laboratório da Epamig, recentemente modernizado, realiza análises físico-químicas e sensoriais para assegurar a qualidade do azeite de abacate, seguindo padrões internacionais e buscando acreditação junto ao Inmetro e ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Com o avanço das pesquisas, a expectativa é que o azeite de abacate conquiste espaço no mercado nacional e internacional. Portanto, impulsionando a economia da Serra da Mantiqueira e promovendo a sustentabilidade da agroindústria mineira. As iniciativas da Epamig, em parceria com produtores e instituições de fomento, posicionam Minas Gerais como referência em inovação e diversificação agrícola.

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  • Superação: após perder 70% da safra, azeite mineiro é premiado

    Superação: após perder 70% da safra, azeite mineiro é premiado

    O azeite extravirgem Grattacielo, produzido em Córrego do Bom Jesus, no Sul de Minas Gerais, consolidou-se entre os melhores do mundo. Ele conquistou quatro medalhas de ouro em dois dos principais concursos internacionais do setor em 2025: o EVOO International Olive Oil Contest, na Itália, e o International Olive Oil Competition, na Turquia. A premiação destaca o avanço da olivicultura mineira e o papel fundamental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) no desenvolvimento tecnológico e na assistência aos produtores locais.

    A produção do azeite Grattacielo ocorre no Campo Experimental da Epamig, em Maria da Fé. O centro é referência nacional em pesquisa e inovação para a cultura da oliveira. Os concursos internacionais avaliam azeites em diversas categorias, como monovarietais, blends e infusões, com foco em critérios sensoriais rigorosos — a ausência total de defeitos é fundamental para a premiação.

    O produtor rural Roner Naves, responsável pelo Grattacielo, celebrou o reconhecimento após um ciclo marcado por desafios. “É como ver um filho ser aprovado no vestibular. A colheita foi menor do que esperávamos, mas de qualidade extraordinária”, afirmou Naves, ressaltando a superação após perder cerca de 70% da produção em 2024 devido à antracnose, doença fúngica que afeta severamente os olivais.

    Tecnologia e manejo inovador garantem qualidade

    Após o surto de antracnose, a Epamig orientou o produtor a adotar um protocolo de manejo preventivo, com aplicação de fungicidas nos períodos críticos do ciclo da planta, antes mesmo do surgimento dos sintomas nos frutos. Essa estratégia foi essencial para preservar a qualidade sensorial do azeite, evitando características indesejadas como mofo e ranço, além do aumento da acidez.

    Amanda Souza, pesquisadora da EPAMIN. Foto: Erasmo Reis / Epamig

    A pesquisadora e bolsista de pós-doutorado Amanda Souza, da Epamig, destaca que o rigor em todas as etapas — do plantio ao controle industrial — garante o sucesso do azeite mineiro. “A Epamig oferece suporte técnico desde o campo até a elaboração do azeite, garantindo um produto final de excelência sensorial e reconhecimento internacional”, afirma.

    Safra desafiadora e investimento em pesquisa

    Oscilações climáticas impactaram a produção de azeite na região Sudeste em 2025, com previsão de queda entre 40% e 50% em comparação a 2024. Isso segundo dados da Epamig e da Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira (Assoolive). Mesmo diante desse cenário, a Epamig coordena atualmente 11 projetos de pesquisa voltados ao controle de doenças, nutrição mineral, polinização e melhoramento genético, com investimentos que somam R$ 18,3 milhões.

    A olivicultura em Minas Gerais segue em expansão, impulsionada por eventos como o Azeitech 2025, promovido pela Epamig. O evento reúne produtores, pesquisadores e entidades do setor para debater práticas agrícolas sustentáveis e agricultura regenerativa. A criação da Câmara Técnica Setorial da Olivicultura de Minas Gerais visa fortalecer políticas públicas e ampliar o desenvolvimento da atividade no estado.

    O azeite é produzido a quase 1.800 metros de altitude e elaborado a partir das variedades Koroneiki, Arbosana e Arbequina. Ele tem tanto versões monovarietais quanto blends, é exemplo do potencial mineiro para competir e se destacar no cenário internacional.

    “A visita da equipe da Epamig foi um divisor de águas. Seguimos todas as recomendações técnicas e os resultados não poderiam ter sido melhores”, conclui Roner Naves.

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  • Pesquisa mineira desenvolve soluções para reduzir gases de efeito estufa na agropecuária

    Pesquisa mineira desenvolve soluções para reduzir gases de efeito estufa na agropecuária

    Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) avançam em alternativas para mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na pecuária. Especialmente o metano (CH4), um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Em 2023, o setor bateu o quarto recorde consecutivo de emissões, com aumento de 2,2%. Isso segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

    A Epamig esta alinhada ao Plano Estadual de Ação Climática (Plac) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Portanto. desenvolve pesquisas para reduzir o metano entérico na bovinocultura e ampliar o sequestro de carbono por meio de sistemas integrados de produção.

    Sob coordenação de Edilane Silva, o Programa Estadual de Pesquisa em Bovinocultura da Epamig testa dietas manipuladas para bovinos no Campo Experimental Getúlio Vargas, em Uberaba. A equipe busca aumentar a digestibilidade dos alimentos. Além de reduzir o tempo de permanência no rúmen, elevando a eficiência produtiva e diminuindo a liberação de metano. Entre as alternativas, o uso do amendoim forrageiro (Arachis pintoi) tem apresentado resultados promissores, com redução de até 30% nas emissões de metano, graças ao alto teor de proteína e taninos que inibem bactérias metanogênicas.

    Técnica

    Os pesquisadores utilizam a técnica hexafluoreto de enxofre (SF6) para medir as emissões, acoplando uma canga de PVC ao pescoço dos animais para captar os gases emitidos em 24 horas.

    Em parceria com o Grupo Agronelli, referência na produção de leite e em práticas sustentáveis, a Epamig aplica os experimentos em larga escala. E permite que outros produtores acompanhem os resultados diretamente no ambiente produtivo. Segundo José Bellote, diretor agroindustrial da Agronelli, a iniciativa busca soluções para uma produção mais equilibrada e sustentável. Demonstrando que é possível aliar produtividade e responsabilidade ambiental.

    O projeto, voltado para rebanhos leiteiros, será divulgado entre produtores rurais com apoio de instituições parceiras. A pesquisa contribui para a meta do Governo de Minas de reduzir em 36% as emissões de metano da pecuária até 2030, em comparação à década anterior.

    Além da manipulação de dietas, a Epamig investe em sistemas integrados de produção, como o modelo ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). Em áreas cultivadas com capim-marandu há mais de 25 anos, a combinação de milho, forrageiras e espécies florestais como Corymbia citriodora aumenta a eficiência no uso de água e fertilizantes. Com isso, transforma áreas emissoras em áreas de sequestro de carbono. E torna o sistema produtivo mais resiliente, conforme destaca Fernando Oliveira Franco, chefe da Epamig Oeste.

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  • Vinhos finos de Minas Gerais brilham na Wine Trade Fair 2025

    Vinhos finos de Minas Gerais brilham na Wine Trade Fair 2025

    Os vinhos finos produzidos em Minas Gerais conquistaram destaque na Wine Trade Fair 2025, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, até quinta-feira, 22 de maio. Pela primeira vez, o estado participou com um estande oficial organizado pelo Governo de Minas, que reuniu onze vinícolas, seis cachaçarias artesanais, além de oferecer degustações e experiências imersivas nas rotas do enoturismo mineiro. A iniciativa contou com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), responsável pela tecnologia da dupla poda da videira, marcou presença no evento. Essa técnica impulsionou a produção dos vinhos de inverno em Minas Gerais e em outras regiões do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. A enóloga e pesquisadora Angélica Bender conduziu uma palestra sobre os avanços da vitivinicultura com a dupla poda, seguida de degustação de vinhos, no dia 20 de maio. Ela também participou da reunião da Câmara Setorial da Uva e do Vinho em 21 de maio.

    Angélica destaca que a dupla poda permite colher uvas no inverno, fora do período chuvoso, garantindo condições ideais para a produção. Isso resulta em vinhos de maior qualidade, com mais expressão e identidade, colocando Minas Gerais no mapa nacional da vitivinicultura e transformando sua história.

    Entre 2013 e 2022, Minas Gerais aumentou em 52,9% a área cultivada com uvas. Para 2025, a previsão é que o estado produza entre quatro e cinco milhões de litros de vinhos finos, espumantes e de mesa. A região também se destaca por abrigar vinícolas inovadoras e premiadas em concursos nacionais e internacionais.

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