Tag: Epamig

  • Azeites brasileiros brilham em concursos internacionais

    Azeites brasileiros brilham em concursos internacionais

    Dois azeites brasileiros, produzidos em regiões opostas do país, somaram medalhas em concursos internacionais de peso nas últimas semanas. Em Cristina, no Sul de Minas Gerais, a marca Alto da Serra conquistou o Ouro no Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC), na Itália.

    Olival do Azeite Alto da Serra
    Olival do Azeite Alto da Serra, no município de Cristina. Foto: Azeite Alto da Serra / Divulgação

    Em Gramado, na Serra Gaúcha, o Olivas de Gramado somou bronze em Mônaco e prata na Itália, além de um prêmio especial de qualidade. Juntos, os resultados reforçam a evolução da olivicultura nacional, ainda incipiente, mas cada vez mais competitiva no cenário mundial.

    Ouro para o azeite de Cristina, no Sul de Minas

    O Alto da Serra Blend, produzido no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Maria da Fé, recebeu Medalha de Ouro na edição 2026 do Evo IOOC. A premiação aconteceu em 26 de junho, em Palmi, na região da Calábria, e reuniu diversos rótulos nacionais. O azeite mineiro também ficou entre os cinco melhores da América do Sul e disputou o prêmio Raúl C. Castellani.

    Alisson Moreira e família
    Alisson Moreira e família. Foto: Arquivo pessoal

    O produtor Alisson Moreira participa do concurso pela primeira vez e comemora o resultado. “O foco sempre foi a qualidade e a gente está buscando mais excelência. Estamos muito contentes”, afirma.

    O interesse pela olivicultura surgiu depois que Moreira conheceu a boa adaptação da oliveira à região. “Nosso sítio é em Cristina, município vizinho a Maria da Fé. Quando conheci a história da oliveira e soube que o azeite daqui era muito bom, passei a me aprofundar no assunto. Em 2016 fomos à Epamig buscar informações e, no final de 2017, iniciamos o plantio”, conta.

    Cultivo familiar

    O cultivo, de caráter familiar, ocupa 1,5 hectare a 1,5 mil metros de altitude e reúne 340 oliveiras. A primeira colheita, em 2022, rendeu cerca de 12 litros de azeite. A marca Alto da Serra nasceu em 2024 e hoje vende o produto na propriedade, em empórios parceiros e pelo Instagram. Em 2026, a produção já soma 304 litros.

    “Os especialistas da olivicultura nos chamaram atenção para a qualidade do nosso azeite. A partir daí veio a ideia de inscrever o produto no concurso. Sabia que era bom, mas minha percepção é de consumidor. Tenho vontade de fazer um curso de sommelier para conhecer melhor as características e a complexidade do azeite que produzimos aqui”, diz Moreira.

    O pesquisador da Epamig Luiz Fernando de Oliveira avalia que os resultados confirmam a qualidade dos azeites nacionais. “A produção é incipiente, desafiadora e, safra após safra, temos obtido produtos que se destacam por atributos de qualidade como frutado, amargor e picância. O que demonstra que estamos no caminho certo”, diz.

    Cinco azeites mineiros entre os finalistas do prêmio CNA

    Minas Gerais também colocou cinco azeites entre os dez finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O concurso avalia produtos nacionais nas categorias monovarietal e blend, com critérios como amargor, picância, frutado, complexidade e equilíbrio.

    A avaliação técnica ocorreu em Brasília e contou com especialistas da Epamig, da Embrapa e da UFCSPA de Porto Alegre. Pela Epamig, o pesquisador Luiz Fernando de Oliveira atuou como jurado, enquanto Carolina Zambon conferiu laudos químicos, amostras e preparo. O concurso ainda prevê júri popular e uma etapa que avalia a história de produção, valorizando o terroir e o trabalho de campo.

    O júri popular, realizado em 27 de junho, reuniu os rótulos mineiros Mantikir Summit Premium e L’Az na categoria Blend, e Mantikir Grappolo, Alto das Oliveiras e Aiu na categoria monovarietal.

    Olivas de Gramado soma bronze em Mônaco e prata na Itália

    Na Serra Gaúcha, a safra 2026 do azeite extravirgem Terroir Serrano, do Olivas de Gramado, também rendeu reconhecimento internacional. O produto recebeu medalha de bronze na 10ª edição do Masters of Olive Oil International Contest (MOOOIC), em Monte Carlo, no Principado de Mônaco, um dos concursos mais concorridos do setor, que premia apenas azeites de excelência suprema. Além da medalha, o rótulo recebeu o Prêmio de Reconhecimento de Padrão de Qualidade Internacional, concedido a azeites com elevado nível técnico e sensorial.

    O Terroir Serrano também conquistou prata na categoria Blend no Evo IOOC Italy, um dos cinco concursos mais importantes do mundo no segmento. As duas premiações levaram em conta equilíbrio sensorial, pureza, complexidade, intensidade aromática e a qualidade dos processos de produção, do cultivo das oliveiras até a extração do azeite.

    Para conquistar o prêmio em Monte Carlo, o Terroir Serrano superou 78 pontos, resultado que colocou o Olivas de Gramado entre os melhores produtores de azeite do mundo. Um painel de 12 especialistas de quatro países conduziu o julgamento, entre eles os sommeliers Marco Gandolfi (Itália), Himeyo Nagatomo (Japão) e Carmen Sanchez Garcia (Espanha). O MOOOIC reuniu mais de 600 amostras de 18 países, incluindo Itália, Espanha, Grécia, Portugal, Tunísia, Croácia, Eslovênia e Suíça.

    Evo IOOC Ital

    Já o Evo IOOC Italy, realizado na Calábria, berço da cultura do azeite no país, avaliou a excelência, a rastreabilidade e a qualidade de azeites extravirgem e aromatizados conforme as diretrizes do International Olive Council (IOC). O painel internacional reuniu especialistas de países como Itália, Espanha, Grécia, Turquia, Japão, Croácia e Brasil, e analisou mais de 900 rótulos de 25 países.

    Azeitólogo e mestre lagareiro do Olivas de Gramado, André Bertolucci. Foto: DIvulgação

    “Esta safra de 2026 realmente foi sensacional para o Olivas de Gramado! Só neste ano, já são quatro importantes premiações internacionais nos maiores e mais importantes concursos do setor oleícola mundial”, destaca o mestre lagareiro e azeitólogo da marca, André Bertolucci.

    Um blend que traduz o terroir da Serra Gaúcha

    O Terroir Serrano combina três variedades de azeitona,Frantoio, Koroneiki e Picual, e resulta em um azeite extravirgem frutado verde, intenso e complexo, com aroma fresco e notas herbáceas e gramíneas. O amargor e a picância equilibrados, junto a notas de amêndoas verdes, banana, rúcula, maçã e alcachofra, marcam a identidade do terroir da Serra Gaúcha, segundo os especialistas.

    O clima da região, aliado a práticas agrícolas cuidadosas e à precisão da extração no lagar, preserva aromas, sabores e compostos naturais do fruto, incluindo antioxidantes e fitonutrientes. As conquistas em Mônaco e na Itália se somam a outras premiações do Olivas de Gramado neste ano, como ouro na Turquia e prata na Inglaterra, e reforçam a posição da marca entre os produtores brasileiros de maior destaque no exterior.

  • Conheça o novo campeão brasileiro de torra de café

    Conheça o novo campeão brasileiro de torra de café

    Fábio Milan Pereira, torrefador de Machado (MG) e representante da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), conquistou o Campeonato Brasileiro de Torra 2026. Com o título, ele embarca para Bruxelas, na Bélgica, onde disputará o 2026 World Coffee Roasting Championship em junho.

    A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) realizou a competição no Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), em Varginha (MG), entre os dias 6 e 8 de maio. Pereira se destacou ao entregar o café especial com melhor perfil sensorial e ao manter fidelidade ao plano de torra apresentado ao júri antes de cada performance, critérios centrais na avaliação.

    Tiago de Mello, de São Paulo (SP), representando a Pato Rei, ficou na segunda colocação. O terceiro lugar foi de Reginaldo Gonçalves Gomes, de Uberaba (MG), da Lenêz Cafés de Especialidade.

    A visão do campeão

    Para Pereira, o título reflete um processo longo de aprendizado. “Ser campeão brasileiro de torra é a realização de um trabalho construído com muita dedicação, estudo e sensibilidade ao café. O campeonato foi uma experiência extremamente desafiadora e enriquecedora, porque exige não apenas conhecimento técnico, mas também consistência, controle e capacidade de interpretação de cada café”, afirmou.

    O torrefador também falou sobre a responsabilidade de defender o Brasil no mundial. “A expectativa para o mundial é muito grande. Representar o Brasil em uma competição internacional é uma honra e também uma responsabilidade enorme. Principalmente por sermos uma das maiores potências do café no mundo”, concluiu.

    O papel dos campeonatos no setor

    O diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, destaca que os campeonatos cumprem um papel estratégico no desenvolvimento dos profissionais brasileiros. “Para os campeonatos, os mestres de torra intensificam seu aprendizado. E nas competições, conhecem e têm acesso ao que há de novo, como equipamentos e tecnologias. Através dessa interação, eles otimizam sua capacitação ao colocarem os ensinamentos em prática com o que há de mais moderno, elevando seu nível técnico e aprimorando o processo de entrega dos cafés especiais do Brasil”, explicou.

    O CCCMG sediou o Campeonato Brasileiro de Torra 2026. Os torradores oficiais foram da Kaleido (modelos M1 e M10) e o café oficial veio da cooperativa Minasul. A Pasqualli Máquinas forneceu os moinhos Mahlkoning para a competição.

    Desde 2016, a BSCA atua como National Body no Brasil da World Coffee Events (WCE), entidade que organiza o World Barista Championship (WBC) e detém os direitos de competição em todo o mundo. Essa posição garante à Associação o direito de realizar as etapas classificatórias que levam campeões brasileiros às fases finais de sete modalidades internacionais: Barista, Latte Arte, Brewers, Coffee in Good Spirits, Cup Tasters, Roasters e Cezve Ibrik, esta última sem etapa nacional no Brasil.

  • Azeitech 2026 reúne especialistas e produtores de azeite

    Azeitech 2026 reúne especialistas e produtores de azeite

    Maria da Fé, reconhecida como a capital mineira do azeite extravirgem, recebe em 10 de abril a 6ª edição do Azeitech 2026. Este é um dos principais eventos da olivicultura em Minas Gerais e no Brasil. Organizado pela Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), o encontro acontecerá das 7h30 às 17h no Campo Experimental de Maria da Fé, com acesso gratuito.

    A programação reúne o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica, ambos voltados à difusão de conhecimento e inovação na cadeia do azeite. O Dia de Campo contará com palestras sobre manejo de doenças, cultivo de oliveiras e boas práticas na produção de azeite. Paralelamente, empresas do setor apresentarão insumos, maquinários e produtos na Mostra Tecnológica.

    Debate técnico e panorama da olivicultura

    Durante a tarde, o Painel Técnico “Cenários e Inovações na Olivicultura” reunirá pesquisadores e representantes do setor para discutir desafios e oportunidades da cadeia produtiva. O diretor de Pesquisa e Inovação da Epamig, Trazilbo de Paula, apresentará o estudo “Diagnóstico das Cadeias Agropecuárias de Minas Gerais: desafios produtivos, estruturais e tecnológicos”, coordenado pela Epamig com apoio da Fapemig.

    Segundo Trazilbo, a olivicultura se consolida como uma cultura emergente em Minas Gerais, com potencial de expansão para além do Sul de Minas. “O objetivo é detalhar os resultados do levantamento e compartilhar tecnologias já desenvolvidas pela Epamig, além de apresentar novas frentes de pesquisa voltadas à superação dos gargalos do setor”, explica.

    O painel também discutirá temas como agregação de valor, rastreabilidade de azeites e aproveitamento de resíduos. Com participação de representantes da Câmara Técnica Setorial de Olivicultura e de associações de produtores. A moderação ficará a cargo de Pedro Moura, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, e da pesquisadora Carolina Zambon.

    Como participar

    A participação no Azeitech 2026 é gratuita e as inscrições podem ser feitas no local no dia do evento. Mais informações estão disponíveis nos canais oficiais da Epamig e no site do Azeitech.

    Empresas interessadas em expor na 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura podem solicitar espaço pelo e-mail [email protected].

  • Minas Gerais aposta em polo de cacau para multiplicar produção

    Minas Gerais aposta em polo de cacau para multiplicar produção

    Minas Gerais está se movimentando para transformar o estado em um novo polo nacional de produção de cacau. Com apenas 480 hectares plantados e ocupando o décimo lugar no ranking dos maiores produtores do país, o governo mineiro aposta em novas regiões de cultivo, parcerias científicas e inovações tecnológicas para mudar esse cenário. E e a data não poderia ser mais simbólica: as iniciativas ganham força justamente na semana em que se celebra o Dia Mundial do Cacau.

    O secretário de Agricultura, Thales Fernandes, é um dos maiores entusiastas da expansão do cacau em Minas e aponta o Norte do estado como área prioritária. Para ele, as condições climáticas da região, altas temperaturas e baixa umidade, aliadas a tecnologias de irrigação criam um ambiente promissor para a cultura.

    “Outra estratégia tem sido o plantio consorciado com as plantações de banana. Um sistema agroflorestal que utiliza a bananeira como proteção para o cacau, garantindo sombreamento e umidade”, explica o secretário.

    O município de Jaíba lidera a produção estadual com 256 hectares plantados, o equivalente a 53,3% de toda a área cultivada em Minas. Na sequência aparecem Janaúba (120 hectares), Bandeira (64 hectares) e Matias Cardoso (25 hectares).

    Epamig testa cultivo a pleno sol no semiárido

    Uma das apostas mais inovadoras vem da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Um novo projeto de pesquisa com novas cultivares de cacau está em fase de preparação. E deve ser implantado em abril de 2026 nos Campos Experimentais de Mocambinho e Gorutuba.

    “O objetivo é determinar a melhor forma de cultivar o cacau aqui na nossa região. Como estamos em uma área de semiárido, e o cultivo tradicional do cacau é feito à sombra, a proposta é justamente testar algo diferente: o cultivo a pleno sol e a aplicação de proteção solar parcial”, afirma Wlly Dias, pesquisadora da Epamig e coordenadora do projeto.

    Os resultados serão comparados com plantas cultivadas em consórcio com banana. “Com isso, queremos entender se é viável produzir cacau aqui sem sombra ou se o sombreamento ainda é essencial”, acrescenta a pesquisadora.

    A Epamig recebeu um convite para integrar o Centro Tecnológico de Cacau e Cultura de Regiões não Tradicionais, em parceria com as Universidades Federais de Viçosa (UFV) e de Lavras (UFLA). Reforço científico que, segundo Wlly, “favorece muito o trabalho em função da geração de conhecimento que a parceria proporcionará”.

    Empregos e exportações em alta

    Além do potencial produtivo, o cacau já se consolida como fonte relevante de renda no campo mineiro. Segundo Deny Sanábio, coordenador técnico estadual de fruticultura da Emater-MG, cada hectare plantado gera dois empregos diretos e quatro indiretos.

    O crescimento foi tão expressivo nos últimos anos que a cultura passou a integrar oficialmente o levantamento de safra da Emater-MG, que monitora mais de 40 frutas no território mineiro. “A inclusão deste produto nos levantamentos ajuda na formulação de políticas públicas”, destaca Sanábio.

    No campo das exportações, os números confirmam o potencial. Segundo a assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Manoela Teixeira, Minas registra um volume total de 7 mil toneladas exportadas de cacau e seus derivados, entre chocolates, preparações alimentícias, cacau em pó, manteiga, gordura e óleo, movimentando US$ 64,9 milhões.

    O desafio agora é transformar esse potencial em escala. Com Pará e Bahia liderando o ranking nacional, Minas Gerais quer mostrar que o semiárido e o cerrado também têm espaço, e condições, para produzir um cacau de qualidade.

  • Estudo revela o que diferencia os queijos artesanais de Minas Gerais

    Estudo revela o que diferencia os queijos artesanais de Minas Gerais

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) participa de um estudo inédito sobre as características dos queijos artesanais produzidos em Minas Gerais. A pesquisa, coordenada pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), analisa aspectos microbiológicos, físico-químicos e sensoriais de queijos produzidos em microrregiões recentemente reconhecidas como áreas produtoras.

    Foto: Divulgação Epamig

    O projeto, intitulado “Estado da arte de queijos artesanais emergentes produzidos em Minas Gerais”, é liderado pela professora Luciana Albuquerque Caldeira Rocha (Unimontes). Pela Epamig, participam o pesquisador Daniel Arantes e a chefe do Departamento de Pesquisa, Cristiane Viana.

    Segundo Arantes, o estudo surgiu da necessidade de compreender melhor o papel dos fungos na formação das características sensoriais e físico-químicas dos queijos de casca florida, um tipo que vem ganhando espaço nas regiões de Diamantina e Entre Serras da Piedade ao Caraça. “Essas análises ajudam a valorizar e diferenciar os queijos artesanais mineiros, fortalecendo a identidade regional e o potencial de mercado”, explica o pesquisador.

    O projeto também amplia o escopo para outras áreas produtoras, como o Norte de Minas e a Serra Geral, com o objetivo de mapear a diversidade microbiológica e as peculiaridades de cada território.

    Parcerias fortalecem a pesquisa

    A iniciativa nasceu da Rede Mineira de Pesquisa em Queijos (RMQA), coordenada pela Epamig. E integra universidades, institutos e órgãos do setor agropecuário para promover inovação e sustentabilidade na cadeia produtiva do queijo artesanal em Minas Gerais.

    Com início em 2022, o projeto está em fase final de análises, incluindo a identificação de fungos em amostras de queijos selecionadas com apoio da Emater-MG. Os resultados também compõem a dissertação de mestrado em Zootecnia de Luiz Guilherme Santos de Carvalho, na Unimontes.

    Capacitação e formação técnica

    Em fevereiro, o Centro de Pesquisa e Treinamento em Queijos Artesanais da Epamig, localizado em São João del-Rei, promoveu o Curso Prático de Isolamento e Caracterização de Fungos Filamentosos do Queijo Minas Artesanal.

    A professora Fabiana Aparecida Couto, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), ministrou o treinamento. Ele combinou aulas teóricas e práticas sobre isolamento, cultivo e análise de fungos relacionados ao queijo mineiro. Participaram alunos de pós-graduação da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e integrantes da equipe de pesquisa da Epamig.

    De acordo com Daniel Arantes, o trabalho colaborativo entre instituições é essencial para consolidar resultados. “A atuação em rede permite padronizar metodologias e gerar dados comparáveis entre microrregiões. Isso é fundamental para oferecer suporte técnico e estratégico à produção artesanal de Minas”, reforça.

  • Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Bactéria silenciosa pode derrubar a produção de azeite no Brasil

    Uma bactéria capaz de secar ramos, matar plantas e colapsar toda a cadeia produtiva de azeite no Brasil está no centro de uma corrida científica em Minas Gerais. A Xylella fastidiosa, responsável por devastar olivais em diversas regiões do mundo, passou a ser monitorada com tecnologia de ponta pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que combina imagens captadas por drones com dados coletados em campo para detectar a doença o mais cedo possível.

    Foto: Erasmo Pereira/Epamig

    O trabalho é conduzido em parceria entre pesquisadores do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, com base em Maria da Fé, e a equipe do Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Epamig ITAP). Já no segundo ano de avaliações, o projeto utiliza drones equipados com câmeras multiespectrais capazes de captar informações invisíveis a olho nu. Um diferencial que pode antecipar diagnósticos e salvar plantações inteiras.

    Como funciona o monitoramento

    “Fazemos o monitoramento das oliveiras tentando entender o comportamento da Xylella a partir do imageamento aéreo. As câmeras especiais dos drones nos possibilitam enxergar informações além das visíveis a olho nu”, explica o pesquisador Charles Santana, da Epamig ITAP.

    Drones coletam as imagens, e a equipe de campo processa esse material e cruza os dados com informações fisiológicas e agronômicas levantadas no local. A próxima etapa prevê o desenvolvimento de modelos preditivos capazes de antecipar quais plantas apresentam maior risco de infecção pela Xylella fastidiosa. Isso antes mesmo do surgimento dos sintomas visíveis.

    Além do controle da doença, o sistema abre caminho para outras aplicações. “Esse monitoramento vai permitir a coleta de dados referentes a avaliações de produtividade, fisiologia da planta e incidência de outras doenças”, destaca Gabriel Koch, pesquisador em fitopatologia na Olivicultura da Epamig.

    O risco para a produção de azeite nacional

    A preocupação tem fundamento econômico. O Brasil vem expandindo sua olivicultura, especialmente na região da Serra da Mantiqueira, e a ameaça da Xylella fastidiosa representa um risco real para um setor em crescimento. “Trata-se de um agente causal muito importante na cultura da oliveira, com grande potencial destrutivo”, alerta Koch.

    O projeto conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), sob o código PPE-00057-24. E tem como foco central a epidemiologia, a resistência vegetal e o uso de agentes biológicos no manejo da seca da oliveira. O objetivo final é evitar o que os próprios pesquisadores descrevem como um possível “colapso na cadeia produtiva de azeite na Serra da Mantiqueira”.

  • Curso gratuito de piscicultura ornamental abre inscrições; vagas são limitadas

    Curso gratuito de piscicultura ornamental abre inscrições; vagas são limitadas

    Produtores rurais da Zona da Mata mineira têm uma oportunidade gratuita de qualificação profissional em piscicultura ornamental. Entre os dias 9 e 13 de março, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e o Sistema Faemg Senar Minas realizam um curso de formação profissional rural no Campo Experimental da Epamig em Leopoldina (CELP), com carga horária total de 40 horas.

    A capacitação é voltada a produtores locais e aborda temas fundamentais para quem atua ou deseja ingressar na atividade: procedimentos legais para regularização da piscicultura, sistemas de manejo, preparo de viveiros para recepção dos peixes, técnicas de povoamento e cuidados sanitários.

    Segundo Pedro Reis, gerente do CELP, o objetivo vai além da técnica. “O nosso objetivo é promover a profissionalização, a sustentabilidade ambiental, a maior eficiência produtiva e a rentabilidade na piscicultura, fortalecendo a atividade ornamental como mais uma possibilidade de geração de renda”, afirmou.

    Como se inscrever

    A participação exige inscrição prévia. Os interessados devem entrar em contato com a mobilizadora do Sistema Faemg Senar Minas, Tereza Garcia, pelo telefone (32) 9999-3937.

    O Campo Experimental de Leopoldina abriga o Centro de Referência em Piscicultura Ornamental de Água Doce. Uma estrutura dedicada à pesquisa, à manutenção de plantéis de peixes ornamentais e à transferência de tecnologia para produtores.

  • Serra da Mantiqueira deve ter safra recorde de azeite em 2026

    Serra da Mantiqueira deve ter safra recorde de azeite em 2026

    A colheita de azeitonas iniciada há cerca de 30 dias na Serra da Mantiqueira já indica um cenário histórico para a olivicultura mineira. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), os resultados iniciais do serviço de extração de azeite no Campo Experimental de Maria da Fé superam as expectativas e reforçam a projeção de safra recorde em 2026.

    O coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig, Pedro Moura, destaca que a colheita atual confirma a tendência de alta iniciada em 2024, quando foram produzidos cerca de 150 mil litros de azeite. “A quantidade de frutos e a qualidade do óleo mostram que podemos ultrapassar o recorde da região. A safra é resultado direto da excelente florada de 2025, beneficiada pelas condições climáticas ideais do último inverno”, ressalta.

    Além das condições de clima e frio acumulado, a bienalidade da oliveira (alternância natural entre anos de menor e maior produtividade) explica o desempenho da atual colheita. Em 2025, a produção caiu para cerca de 60 mil litros, abrindo espaço para o ciclo de alta previsto para este ano.

    Crescimento da olivicultura mineira

    Com cerca de 100 produtores, 25 agroindústrias e 50 marcas próprias, a olivicultura da Serra da Mantiqueira vem consolidando sua presença no cenário nacional. A Epamig tem papel central nesse avanço, ao desenvolver e difundir tecnologias de extração e manejo que aumentam a qualidade dos azeites produzidos em Minas Gerais.

    Luiz Augusto, gerente dos Olivais de Quelemém — fazenda parceira da Epamig — destaca que a produção da Mantiqueira desperta atenção internacional. “Hoje, especialistas do Conselho Oleícola Internacional e azeitólogos de renome reconhecem a qualidade do nosso azeite. Essa visibilidade reforça o potencial da safra de 2026, que pode superar 300 a 400 mil litros na região”, afirma.

    Evento Azeitech 2026

    A Epamig realiza em 10 de abril a 6ª edição do Azeitech, no Campo Experimental de Maria da Fé, com participação gratuita. O evento reunirá o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura, com palestras, demonstrações e estações práticas focadas no dia a dia do produtor.

    Foto: Diego Vargas/Seapa

    “O Azeitech conecta o conhecimento das pesquisas da Epamig com a experiência dos produtores e empresas do setor. Participamos todos os anos, porque sempre há inovações relevantes para o campo”, destaca Luiz Augusto.

  • Suspensão de lista de espécies invasoras coloca pesquisas com tilápia sob holofotes

    Suspensão de lista de espécies invasoras coloca pesquisas com tilápia sob holofotes

    Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecupecuária de Minas Gerais (EPAMIG) desenvolvem tecnologias para equilibrar a produção de tilápia com a segurança ambiental. As soluções incluem controle reprodutivo avançado, melhoramento genético e sistemas de cultivo fechados, que impedem a interação da espécie com ecossistemas naturais.

    A espécie, que movimenta cerca de R$ 7 bilhões por ano no Brasil, esteve recentemente no centro de um debate ambiental. A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) chegou a incluir a tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras. Após manifestações do setor produtivo e órgãos ambientais, o órgão suspendeu temporariamente a tramitação da lista para reavaliar os critérios.

    “A tilápia não é uma espécie invasora, mas sim introduzida”, esclarece o pesquisador da EPAMIG, Franklin Costa. “Precisamos estudar melhor os impactos do escape de peixes com capacidade reprodutiva para lagos e rios brasileiros”, completa.

    Controle reprodutivo avança com manipulação cromossômica

    Há décadas, produtores utilizam a masculinização hormonal para evitar que as tilápias se reproduzam dentro dos tanques de engorda. A técnica tradicional, no entanto, ainda apresenta uma margem de erro de cerca de 5%, permitindo a presença de fêmeas férteis.

    Para eliminar esse risco, a EPAMIG firmou parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para desenvolver lotes 100% masculinos. Os cientistas também testam a produção de tilápias estéreis por meio de manipulação cromossômica, o que anularia completamente qualquer possibilidade de reprodução em caso de fuga.

    Sistemas fechados isolam produção do meio ambiente

    Outra frente de atuação da EPAMIG envolve a adoção de sistemas intensivos de recirculação de água (RAS) e de bioflocos (BFT). Diferente dos viveiros escavados e tanques-rede, esses modelos operam de forma desconectada do ambiente natural, reduzindo drasticamente o risco de escape dos peixes.

    “Não queremos substituir os modelos tradicionais, mas sim incorporar sistemas mais controlados nas fases críticas do cultivo”, explica Costa. A estratégia visa encurtar o período em que os peixes permanecem em contato com o ambiente externo.

    Genética cria peixe “dependente” do cativeiro

    O melhoramento genético também atua como ferramenta de proteção ambiental. A EPAMIG seleciona animais com alto desempenho produtivo, mas com baixa capacidade de sobrevivência fora do cativeiro.

    “Se um peixe melhorado escapar, terá chances mínimas de sobrevivência comparado aos peixes de vida livre”, afirma o pesquisador. A lógica por trás da técnica é simples: quanto mais adaptado ao ambiente artificial e à ração balanceada, menor a chance de o animal prosperar na natureza.

    A EPAMIG transfere os resultados dessas pesquisas para o setor produtivo por meio de dias de campo, capacitações e materiais técnicos. O objetivo é aliar a relevância econômica da espécie, que já ultrapassa 600 mil toneladas anuais e garante emprego e renda para milhares de famílias, à responsabilidade ambiental.

  • Refrigerante de soro de leite: bebida avança em testes de validação

    Refrigerante de soro de leite: bebida avança em testes de validação

    O Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), vinculado à Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), avança na validação do “Refrigerante do Bem”, uma bebida láctea carbonatada que aproveita o soro do leite como matéria-prima principal. O produto promete unir nutrição, sustentabilidade e inovação tecnológica.

    Bebida inovadora à base de soro do leite passa por etapas de validação. Foto: Marcelo Ribeiro/Epamig

    A nova bebida pode ser carbonatada, acidificada ou fermentada, com possibilidade de enriquecimento por proteínas, vitaminas e minerais. A formulação evita o descarte inadequado do soro de leite, um subproduto que frequentemente polui o meio ambiente.

    “Chamamos de ‘Refrigerante do Bem’ porque contribui com o meio ambiente. O processo utiliza um soro que, muitas vezes, seria descartado e poderia causar poluição. Também contribui para a saúde, já que mantém nutrientes do leite, como cálcio, outros sais minerais e vitaminas, além de poder conter prebióticos e probióticos”, destaca Junio de Paula, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Leite e Derivados da EPAMIG.

    Testes avaliam composição e estabilidade do produto

    Os pesquisadores realizam atualmente ensaios preliminares para caracterizar o soro do leite. O trabalho analisa composição, qualidade e parâmetros básicos do ingrediente. A equipe também define os componentes da fórmula e o método de fabricação mais adequado.

    Na sequência, a fábrica-escola da EPAMIG ILCT produzirá o refrigerante em escala industrial. Os técnicos testarão dois tratamentos – fermentação ou acidificação – em quatro repetições. O produto envasado ficará armazenado sob refrigeração para avaliação de estabilidade.

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    “Ao longo da estocagem, iremos realizar análises físicas, químicas e microbiológicas com o intuito de acompanhar a estabilidade, segurança e vida de prateleira do produto. Os testes são essenciais para comprovar a viabilidade tecnológica do uso do soro na bebida carbonatada. Garantindo que o produto seja seguro, estável e, quando aplicável, atenda aos critérios para ser considerado probiótico”, explica Junio.

    Laticínios poderão adotar tecnologia após conclusão dos estudos

    Os pesquisadores planejam apresentar os resultados em congressos científicos e publicar artigos especializados quando concluírem as análises. A equipe também elaborará um relatório técnico para facilitar a transferência da tecnologia para a indústria.

    “Como o projeto tem natureza de avanço tecnológico e prevê uma tecnologia de simples implantação em escala industrial, a expectativa é que, após a conclusão, prevista para início de 2027, a bebida possa ser transferida e implementada por laticínios interessados, desde que sejam cumpridas as etapas regulatórias e industriais de rotina, como adequações de linha, registro do produto e rotulagem”, comenta o coordenador.

    A etapa atual de testes da bebida consiste em ensaios preliminares para caracterizar o soro do leite. Foto: Marcelo Ribeiro/Epamig

    A iniciativa representa, portanto, uma oportunidade para laticínios agregarem valor ao soro de leite, um coproduto abundante na indústria láctea brasileira.