Tag: Epamig

  • Maior evento de laticínios da América Latina confirma edição 2026 em Juiz de Fora

    Maior evento de laticínios da América Latina confirma edição 2026 em Juiz de Fora

    O Minas Láctea 2026, um dos maiores eventos técnicos e de negócios da cadeia de laticínios na América Latina, já tem data marcada: 14, 15 e 16 de julho, em Juiz de Fora (MG). Organizado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), por meio do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (Epamig ILCT), o encontro reunirá pesquisa, inovação e oportunidades de negócio para toda a cadeia do leite.

    Foto: Erasmo Pereira – Ascom/Epamig

    A programação inclui o 38º Congresso Nacional de Laticínios (CNL), a 44ª Semana do Laticinista e o 48º Concurso Nacional de Produtos Lácteos (CNPL), sediados no ILCT. No Expominas/Juiz de Fora, o evento ainda apresentará a 48ª Expomaq, com exposição de máquinas e insumos. E a 49ª Expolac, dedicada a produtos lácteos nacionais.

    Vitrine técnica e sensorial do setor

    O 48º Concurso Nacional de Produtos Lácteos (CNPL) será um dos destaques do Minas Láctea 2026. A competição valoriza a qualidade, a padronização e a inovação dos produtos brasileiros, funcionando como uma vitrine técnica e sensorial.

    Segundo Kely de Paula, professora da Epamig ILCT e integrante da comissão organizadora, o concurso estimula o aprimoramento industrial e o cumprimento dos padrões de qualidade. As amostras, enviadas por indústrias de todo o país, passam por uma avaliação criteriosa e anônima feita por especialistas do setor. “O sabor é o atributo de maior peso na nota final. Pois traduz a experiência sensorial que o consumidor valoriza acima de qualquer aspecto visual”, explica Kely.

    O CNPL contempla 12 categorias, entre elas doce de leite, requeijão cremoso, manteiga e produtos inovadores. Esta última estimula a criação de novos itens que agregam valor ao leite. Os três melhores colocados de cada categoria receberão troféus durante cerimônia no Expominas.

    Ciência, inovação e negócios no centro das discussões

    Com o tema “O Futuro da Cadeia Láctea: Ciência, Tecnologia e Competitividade Sustentável”, o 38º Congresso Nacional de Laticínios (CNL) e a 44ª Semana do Laticinista promoverão cursos, palestras e debates sobre desafios e oportunidades do setor.

    “A programação abrange temas como produção, industrialização, inovação, sustentabilidade e gestão. Integrando pesquisa e aplicação prática”, afirma Claudety Saraiva, professora do ILCT e membro da comissão científica.

    O congresso também abrirá espaço para trabalhos técnico-científicos de pesquisadores, docentes e estudantes, premiando os melhores resumos e incentivando a produção científica em laticínios. Em breve, a Epamig divulgará o prazo para submissão dos trabalhos.

    A programação completa, informações de inscrições e acesso às atividades estarão disponíveis em breve nos canais oficiais da Epamig e no site do evento.

  • Pesquisas reduzem riscos ambientais e fortalecem a produção de tilápia

    Pesquisas reduzem riscos ambientais e fortalecem a produção de tilápia

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) reforça a importância da pesquisa científica para garantir uma produção sustentável de tilápia no Brasil. As ações da instituição buscam equilibrar a expansão do cultivo com a preservação ambiental, por meio de avanços em controle reprodutivo, melhoramento genético e sistemas produtivos mais seguros.

    O debate sobre a presença da tilápia ganhou destaque após a inclusão temporária da espécie na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, elaborada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). A tramitação da lista foi suspensa para reavaliação técnica, após manifestações do setor produtivo e de órgãos ambientais.

    Segundo o pesquisador da EPAMIG Franklin Costa, é essencial diferenciar as definições técnicas: “A tilápia não é uma espécie invasora, mas introduzida no Brasil. Embora os impactos ambientais ainda sejam pouco estudados, a pesquisa precisa avançar para mitigar riscos e aprimorar o controle em sistemas de cultivo.”

    Controle reprodutivo e inovação tecnológica

    Entre as principais linhas de pesquisa estão o desenvolvimento e a aplicação de métodos seguros de controle reprodutivo. A instituição trabalha em conjunto com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para aprimorar a masculinização e a inibição da reprodução, fundamentais para evitar a proliferação em tanques e em ambientes naturais.

    A equipe busca criar lotes 100% masculinos, reduzindo a margem de fêmeas férteis, ainda presente nos métodos convencionais. E também desenvolve novas técnicas de manipulação cromossômica e produção de tilápias estéreis.

    “O uso de lotes masculinos evita a reprodução indesejada e melhora o desempenho produtivo. Nosso objetivo é unir eficiência zootécnica e biossegurança”, afirma Costa.

    Sistemas produtivos seguros e melhoramento genético

    A EPAMIG também testa sistemas intensivos e controlados, como os de recirculação de água (RAS) e os de bioflocos (BFT), que mantêm o cultivo desconectado dos ambientes naturais. Essas tecnologias reduzem significativamente o risco de escapes e otimizam o crescimento dos peixes.

    Foto: Ascom Epamig

    No melhoramento genético, o foco está em desenvolver linhagens com alto desempenho em cativeiro e baixa sobrevivência fora dele. “Caso o peixe escape, sua chance de sobrevivência será mínima em comparação aos peixes de vida livre”, explica o pesquisador.

    Apesar do avanço dos sistemas tecnificados, Costa ressalta que o objetivo não é substituir os modelos tradicionais, como tanques-rede e viveiros escavados. Mas torná-los mais seguros em fases críticas do ciclo de produção.

    Resultados e impacto econômico

    Os resultados das pesquisas ganham amplitude por meio de capacitações, dias de campo e materiais de apoio técnico oferecidos aos piscicultores.

    A tilapicultura representa hoje um dos pilares da aquicultura brasileira. De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR, 2025), o país produz mais de 600 mil toneladas por ano, movimentando cerca de R$ 7 bilhões e gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

  • Pesquisa oferece 9 opções de uvas para diversificar vinhos de colheita de inverno

    Pesquisa oferece 9 opções de uvas para diversificar vinhos de colheita de inverno

    Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) apresentam uma solução para vitivinicultores que desejam diversificar a produção de vinhos de colheita de inverno. Um estudo de sete anos identificou nove novas cultivares de uva, entre tintas e brancas, que se adaptam com sucesso à técnica da dupla poda.

    Até então, a produção de vinhos de inverno em Minas Gerais se concentrava principalmente nas uvas Syrah e Sauvignon Blanc. A nova pesquisa amplia esse leque, atendendo à demanda do mercado por variedades diferentes.

    A Epamig adaptou a técnica da dupla poda para deslocar o ciclo da videira. Com duas podas anuais, os produtores conseguem fazer a maturação e a colheita das uvas durante o inverno. Este manejo confere características únicas aos vinhos.

    As novas estrelas dos vinhedos de inverno

    O estudo, com financiamento da Fapemig e parceria da vinícola Casa Geraldo, em Andradas (MG), analisou 12 cultivares entre 2018 e 2022. Os pesquisadores avaliaram vigor, produtividade e qualidade da uva e do vinho.

    As uvas brancas recomendadas são:

    • Vermentino
    • Muscat à Petits Grains Blanc
    • Viognier
    • Marsanne

    Entre as uvas tintas, as variedades aprovadas foram:

    • Tempranillo
    • Grenache
    • Touriga Nacional
    • Marselan
    • Mourvedre

    As cultivares Carménère e Petit Verdot não se mostraram viáveis para o cultivo de inverno devido à baixa produtividade.

    A uva tinta francesa Marselan se destacou no estudo. “Ela brota com facilidade, é produtiva e apresenta excelente potencial de acúmulo de açúcar, além de manter a acidez elevada”, explica o pesquisador da Epamig, Francisco Câmara.

    Resultados já no mercado

    Os produtores já aplicam os resultados. Variedades como Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e a própria Marselan já entram na produção de vinhos de colheita de inverno.

    “Queremos ver esses resultados se expandindo para o mercado. Isso representa uma grande oportunidade para o produtor ampliar seu portfólio”, enfatiza Francisco Câmara. A pesquisa oferece novas ferramentas para a viticultura mineira inovar e conquistar consumidores com vinhos sazonais diferenciados.

  • Prêmio define o melhor azeite, cachaça e doce de leite do Brasil

    Prêmio define o melhor azeite, cachaça e doce de leite do Brasil

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recebe até 30 de abril as inscrições para o Prêmio Brasil Artesanal (PBA). O concurso avalia e valoriza a produção artesanal de azeite, cachaça e, pela primeira vez em 2026, doce de leite. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) integra o grupo de instituições que apoiam a iniciativa.

    A novidade deste ano traz especial relevância para Minas Gerais, já que o doce de leite representa uma sobremesa tradicional da culinária mineira. Produtores de todo o país podem participar das três categorias do certame.

    A Epamig, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o Sebrae elaboram o edital do Concurso de Azeite de Oliva. Essas instituições também fornecem conhecimento técnico e científico para avaliar e aprimorar os produtos participantes.

    “A Epamig atua de forma consistente em todas as etapas do cultivo da oliveira como empresa pioneira nas pesquisas com essa cultura. O concurso atesta, em mais uma edição, a qualidade dos azeites nacionais”, afirma Luiz Fernando, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig.

    Concurso beneficia consumidores e produtores

    O coordenador destaca que a sociedade ganha acesso a informações sobre a qualidade dos produtos. Os produtores, por sua vez, associam suas marcas a um concurso que conta com instituições de referência no país.

    O Prêmio Brasil Artesanal estimula a profissionalização de pequenos e médios produtores rurais. A iniciativa também promove a melhoria contínua dos processos produtivos e agrega valor aos alimentos que chegam ao mercado.

    Os produtores devem enviar as amostras até 15 de maio. Os produtos passam por avaliação do júri técnico, análise da história, votação do júri popular e etapa final de premiação. Cada produtor pode inscrever um produto por categoria, nas modalidades blend ou monovarietal.

    O Prêmio Brasil Artesanal oferece certificados, premiação em dinheiro e divulgação nos canais digitais e redes sociais do Sistema CNA/Senar. Os interessados devem acessar o site oficial da CNA para realizar a inscrição.

  • Azeitech 2026 promete movimentar o polo da olivicultura em Maria da Fé

    Azeitech 2026 promete movimentar o polo da olivicultura em Maria da Fé

    O Campo Experimental de Maria da Fé, no Sul de Minas, será o epicentro da olivicultura brasileira em 10 de abril, quando a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) realiza o Azeitech 2026. Em sua 6ª edição, o evento gratuito reunirá produtores, técnicos e apaixonados por azeite para discutir inovação, tecnologia e práticas sustentáveis no cultivo de oliveiras.

    Diferente dos anos anteriores, o Azeitech será realizado em abril. Uma mudança estratégica que busca facilitar a participação dos produtores durante o período pós-colheita. Segundo o pesquisador Pedro Moura, da comissão organizadora, a alteração atende a uma demanda antiga do setor.

    “Com a alta expectativa para a safra deste ano, decidimos aproximar a data do fim da colheita, garantindo a presença dos produtores sem interferir nas atividades de campo”, explica Moura.

    A organização dividirá a programação entre o 21º Dia de Campo de Olivicultura e a 11ª Mostra Tecnológica de Olivicultura. Palestras inéditas e estações práticas vão abordar desde o manejo moderno das oliveiras até o uso de novos insumos e tecnologias de processamento.

    Além das apresentações técnicas, empresas e instituições do setor vão expor soluções inovadoras em maquinários, produtos e serviços voltados à produção e à indústria de azeites. O evento reforça o papel de Maria da Fé como referência nacional na pesquisa e produção de azeite extravirgem de qualidade.

    O Azeitech soma-se aos esforços da Epamig para ampliar o conhecimento técnico. Além de fortalecer a competitividade do setor olivícola mineiro, que vem conquistando espaço no cenário nacional e internacional.

  • Pesquisa revoluciona produção de vinhos com madeiras nativas brasileiras

    Pesquisa revoluciona produção de vinhos com madeiras nativas brasileiras

    A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) acaba de revolucionar o mercado de vinhos mineiros. A instituição lançou novas linhas de produtos que celebram os 90 anos do Campo Experimental de Viticultura e Enologia de Caldas, no Sudoeste de Minas Gerais.

    As edições especiais “Madeiras Brasileiras” e “Maceração Carbônica” exploram técnicas inovadoras de elaboração. Os pesquisadores apostam no amadurecimento da bebida em diferentes recipientes e processos que criam novos estilos de produto.

    “Queremos demonstrar a identidade dos vinhos brasileiros do início ao fim do processo, desde o campo, no vinhedo, contemplando todas as características de cada região e seu terroir específico, até a taça”, afirma Cristiane Rota, enóloga da Epamig.

    A enóloga destaca que o mercado desenha um novo perfil de consumidor. Os produtores ganham destaque com elaborações diversificadas que apresentam melhor custo-benefício devido ao menor tempo de permanência na cantina.

    Madeiras nativas realçam características dos vinhos mineiros

    A Epamig validou e difundiu a tecnologia da dupla poda da videira, que viabilizou a produção de vinhos finos no Sudeste e em outras regiões do Brasil. Agora, a instituição abre espaço para novos métodos de elaboração.

    A adega reúne vinhos oriundos de diferentes pesquisas. Desta vez, os pesquisadores inovaram ao utilizar madeiras como Amburana, Jequitibá-rosa e Castanheira no processo de envelhecimento da bebida.

    “A proposta é demonstrar como elementos já presentes em nosso terroir podem ser empregados para realçar características importantes dos vinhos e reafirmar o papel da pesquisa para o produtor e para a vitivinicultura do estado”, explica Cristiane Rota.

    Syrah edição “Madeiras Brasileiras” apresenta perfis distintos

    Os pesquisadores elaboraram o Syrah edição “Madeiras Brasileiras” com uvas de colheita de inverno de São Sebastião do Paraíso, também no Sudoeste do estado. Cada rótulo da linha entrega características que variam de acordo com o potencial de cada madeira.

    Foto: Erasmo Lemos/Epamig

    O Jequitibá-rosa confere elegância e equilíbrio ao vinho. A madeira proporciona aromas amadeirados delicados e preserva o destaque da fruta. Já a Amburana imprime intensamente suas características aos aromas e sabores, exaltando a madeira e a complexidade da Syrah.

    A Epamig iniciou as pesquisas com madeiras brasileiras na safra de 2021. A Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) apoiou os projetos desenvolvidos. Desde então, os pesquisadores realizam testes para identificar quais madeiras melhor se adaptam ao perfil de amadurecimento do vinho, além de compreender o tempo ideal de contato com cada uma.

    “As madeiras brasileiras que já possuem autorização de uso, com cachaças por exemplo, vão ganhar mais uma possibilidade de utilização. Além disso, pesquisas para aprovação de uso de outras madeiras nativas estão em curso”, conta a pesquisadora Renata Vieira, coordenadora do Programa Estadual de Pesquisas em Vitivinicultura da Epamig.

    Maceração carbônica cria vinho com perfil único

    A Epamig lança o “Cuor”, um vinho Syrah de colheita de inverno, ao explorar novas técnicas de elaboração. Os pesquisadores elaboraram o produto por meio da técnica de maceração carbônica, que resulta em um vinho com características bem brasileiras.

    “É uma técnica de fermentação muito diferente do que já conhecemos. Utilizamos cachos inteiros da variedade Syrah, que colocamos em um tanque de inox, com a adição de gás carbônico, onde permanecem por cerca de 25 a 30 dias”, ressalta a enóloga Cristiane Rota.

    A fermentação acontece no interior da baga. As enzimas da própria uva passam a atuar quimicamente e formam compostos aromáticos responsáveis por conferir um perfil único ao vinho, exaltando a fruta, o frescor e a leveza.

    A técnica resulta em características que diferenciam o produto do Syrah tradicional.

    Linha completa oferece variedade aos consumidores

    A linha de edições especiais também integra o Syrah “Unoaked”, um vinho que não passa por envelhecimento em madeira. O produto preserva a pureza e as características da uva e do terroir. Já o Syrah “Carvalho Francês” amadurece nas clássicas barricas de madeira francesa ou americana.

    Os novos rótulos têm quantidade limitada. Os consumidores podem adquiri-los diretamente no Campo Experimental da Epamig, em Caldas.

  • Café do futuro: nova cultivar desafia seca e doenças com qualidade premiada

    Café do futuro: nova cultivar desafia seca e doenças com qualidade premiada

    Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, a ciência brasileira apresenta uma solução robusta para a cafeicultura: a cultivar MGS Epamig Amarelão. Desenvolvida ao longo de quatro décadas pelo Programa de Melhoramento do Cafeeiro da Epamig, em parceria com a Embrapa Café e a UFV, esta nova variedade de café se destaca pela tolerância ao déficit hídrico e resistência a doenças como a ferrugem e nematoides.

    A comprovação de seu potencial ocorreu em campo. Durante uma seca severa em 2014, na região de Capelinha (MG), as plantas da linhagem Amarelão mantiveram vigor e produtividade, enquanto outras sofriam perdas. Este desempenho chamou a atenção dos produtores do Vale do Jequitinhonha, que adotaram a cultivar em um exemplo de melhoramento participativo.

    Mais do que resistência: qualidade que conquista o mundo

    O grande diferencial da MGS Epamig Amarelão vai além da resiliência no campo. A variedade produz uma bebida de altíssima qualidade, reconhecida em importantes premiações. Na Fazenda Sequoia, em Angelândia, o café produzido a partir desta cultivar já foi premiado na região da Chapada de Minas e alcançou pontuações elevadas em concursos nacionais e internacionais.

    “Os concursos são o nosso termômetro. A cultivar surpreende pela qualidade da bebida, que une notas frutadas, florais e acidez brilhante. Já conquistamos quatro prêmios com o café Amarelão”, comemora Rodrigo Crimaudo Mendes, gerente da propriedade, que hoje dedica aproximadamente 17 hectares à variedade e planeja expansão.

    Uma jornada de 40 anos da semente à xícara premiada

    O caminho até o registro da cultivar, concedido em novembro, foi longo. Originada do cruzamento entre o Catuaí Amarelo IAC 30 e o Híbrido de Timor UFV 445-46, a planta passou por rigorosos testes nas unidades da Epamig em São Sebastião do Paraíso, Machado e Patrocínio. Avaliou-se produtividade, resistência a pragas e a qualidade dos grãos.

    “O melhoramento consiste no acompanhamento e na reprodução das diferentes gerações em diversas condições climáticas e de solo. É uma tecnologia que demanda paciência e precisão”, explica o pesquisador da Epamig, Vinícius Teixeira Andrade, um dos responsáveis pelo desenvolvimento.

    O cafeicultor Sérgio Meirelles Filho, de Aricanduva, confirma o sucesso: “Plantei e fiquei muito satisfeito. É uma cultivar que surpreende pela produtividade, qualidade e precocidade”.

    Expansão e novos testes

    Apesar do sucesso no Jequitinhonha, onde já existem mais de 5 milhões de plantas, a Epamig busca ampliar as avaliações. O objetivo é testar a cultivar em diferentes altitudes, solos, latitudes e sistemas (sequeiro e irrigado) para dar mais robustez às recomendações técnicas.

    “As avaliações de desempenho em campo serão expandidas. Em ambientes onde já tivemos quatro colheitas, a produtividade superou 50 sacas por hectare”, finaliza Andrade.

    A Epamig comercializa sementes e mudas de diversas variedades de café, incluindo a MGS Epamig Amarelão, de forma sazonal. O contato deve ser feito através da Assessoria de Negócios Agropecuários pelo e-mail: [email protected].

     

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  • Minas fortalece sua liderança na produção de cachaça

    Minas fortalece sua liderança na produção de cachaça

    A cachaça mineira, que já carrega séculos de tradição e orgulho, está prestes a ganhar um impulso científico sem precedentes. Minas Gerais, líder absoluto na produção de cachaça de alambique no Brasil, agora conta com um programa estadual dedicado exclusivamente a aperfeiçoar cada gota dessa bebida que é patrimônio cultural brasileiro.

    O Programa Estadual de Pesquisa em Cana de Açúcar e Cachaça de Alambique, tocado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), promete revolucionar o setor ao integrar ciência e tradição. A iniciativa contempla desde o plantio da cana até o envelhecimento nos barris de madeira, passando pela fermentação e destilação.

    “A gente propõe uma abordagem que olha pra cadeia inteira”, explica Ana Cláudia Silveira Alexandre, pesquisadora e professora da Epamig – Instituto Tecnológico de Agropecuária de Pitangui (Itap). Ela coordena trabalhos que vão do cultivo da cana-de-açúcar até a melhoria da qualidade físico-química e sensorial do produto final.

    Da raiz ao copo: ciência encontra tradição

    As pesquisas abrangem múltiplas frentes. No campo, os cientistas selecionam cultivares de cana adaptadas aos diversos biomas mineiros, sempre com foco na produção de cachaça e derivados. O manejo fitotécnico e ecofisiológico também recebe atenção especial, buscando maior eficiência produtiva sem abrir mão da sustentabilidade.

    Já dentro dos alambiques, a coisa fica ainda mais interessante. Os estudos incluem a bioprospecção de microrganismos – aqueles seres microscópicos responsáveis pela mágica da fermentação – e a otimização dos processos fermentativos para garantir qualidade e padronização da bebida.

    O envelhecimento também entra na pauta. Pesquisadores testam diferentes madeiras, tipos de barris e tempos de armazenamento, tudo para agregar valor sensorial e comercial à cachaça mineira. E tem mais: o programa investe na identidade territorial das microrregiões de Minas, promovendo a diferenciação e valorização dos terroirs mineiros.

    “Além disso, a gente vai desenvolver novos produtos e derivados da cana e da cachaça, estimulando diversificação e inovação tecnológica no setor”, destaca Ana Cláudia.

    Alambique-Escola: conhecimento acessível aos produtores

    Uma das iniciativas mais aguardadas é a implantação do Alambique-Escola na Epamig Itap, prevista para começar em 2026. A unidade servirá como referência para produção de cachaça de alambique e vai oferecer capacitação prática aos produtores.

    A necessidade ficou evidente no Diagnóstico Perfil dos empreendimentos de cachaça de alambique do estado de Minas Gerais – 2023, realizado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). A pesquisa  ouviu 21% dos estabelecimentos registrados no estado. E revelou um dado preocupante: cerca de 40% desses estabelecimentos não recebem nenhum tipo de assistência técnica.

    “Esses dados reforçam a demanda por maior orientação técnica e evidenciam a importância de uma estrutura como o Alambique-Escola”, ressalta Ana Cláudia. A iniciativa, desenvolvida junto à Emater-MG, oferecerá suporte contínuo e condições para aprimorar a qualidade da cachaça, contribuindo pro fortalecimento da cadeia produtiva.

    Conhecer para fortalecer

    Apesar da liderança nacional, Minas ainda carece de informações precisas sobre o setor. Dados sobre volume total de produção, classificação dos empreendimentos, mão de obra, assistência técnica e análises laboratoriais ainda são escassos. Justamente o que motivou o diagnóstico estadual.

    “O estudo colhe dados relativos à produção, agroindústria, comercialização, tributação, mão de obra e plantio de cana”, explica Sandra Regina Carvalho dos Santos, diretora de Comercialização e Mercados da Seapa. “É bem completo pra conseguirmos entender a cadeia como um todo e embasar o investimento em políticas públicas que conversem com a realidade.”

    A pesquisa para o Diagnóstico de 2025 já está disponível e pode ser respondida pelos produtores, garantindo que as políticas públicas reflitam as reais necessidades do setor.

    Com tradição centenária e agora armada de ciência de ponta, a cachaça mineira se prepara para consolidar ainda mais sua posição de destaque no cenário nacional. E, quem sabe, conquistar novos mercados internacionais. Afinal, qualidade e tradição nunca saem de moda.

  • Tecnologia mineira transforma leite materno para salvar bebês prematuros

    Tecnologia mineira transforma leite materno para salvar bebês prematuros

    Bebês prematuros internados em UTIs neonatais de Minas Gerais podem ganhar uma nova chance de sobrevivência. O Instituto de Laticínios Cândido Tostes da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig ILCT) desenvolve, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma tecnologia que aumenta o valor nutricional do leite materno humano doado.

    A pesquisa, que começou em 2019, adapta processos da indústria de laticínios para os bancos de leite humano. A técnica evita a perda de gordura e nutrientes essenciais durante o manuseio, congelamento e transporte do alimento.

    “O trabalho consiste na adaptação de tecnologias usadas na indústria do leite para a aplicação em bancos de leite humano”, define a pesquisadora e professora da Epamig ILCT, Denise Sobral.

    Parceria visa reduzir mortalidade de prematuros extremos

    A iniciativa busca aumentar a disponibilidade de leite materno nutritivo para prematuros extremos, bebês que nascem com menos de 1,5 quilo. A médica neonatologista e pesquisadora da Fiocruz, Maria Elizabeth Moreira, revela que a equipe procurava uma instituição parceira há quase duas décadas.

    “Esse casamento com a Epamig ILCT foi perfeito. Ainda mais, trabalhando essa questão junto ao Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e quem vai se beneficiar muito disso serão os nossos bebês”, afirma.

    Como funciona a homogeneização do leite humano

    A gordura do leite materno se separa naturalmente após a doação. O congelamento, descongelamento, transporte e pasteurização fazem o componente gorduroso aderir aos frascos e sondas. O resultado é um leite parcialmente desnatado — justamente quando o bebê prematuro precisa de mais calorias para sobreviver.

    A solução encontrada pelos pesquisadores utiliza um homogeneizador de pequeno porte. O equipamento força o leite a passar por pequenos orifícios, subdividindo os glóbulos de gordura em partículas menores que não se separam nem aderem às superfícies.

    “A ideia foi processar o leite humano em um homogeneizador de pequeno porte. No processamento, esse leite é forçado a passar em pequenos orifícios, então o glóbulo de gordura que é grande, se subdivide em pequenos glóbulos que não se separam mais e também não se aderem às superfícies”, detalha Denise Sobral.

    Pesquisa avança para fase pré-clínica

    Os pesquisadores já definiram as condições ideais de processamento, testando diferentes pressões e temperaturas. Agora, a equipe avalia se o leite preserva os nutrientes e fatores de imunidade após o tratamento. Os testes também simulam o comportamento do produto nas bombas de infusão utilizadas nas UTIs neonatais.

    Foto: Marcelo Ribeiro/Epamig

    “Estamos na fase pré-clínica. No visual, conseguimos distinguir o leite homogeneizado daquele que não passou pelo processamento, é perceptível que não há a separação de fases. Também estamos simulando a alimentação por sonda e bombas de infusão”, informa o gestor do Laboratório de Controle de Qualidade de Leite Humano da Fiocruz, Jonas Borges da Silva.

    Testes clínicos previstos para 2026

    A equipe planeja realizar os testes clínicos em 2026, caso os resultados da fase atual confirmem as expectativas. Antes de oferecer o leite aos bebês, os pesquisadores avaliarão segurança, eficiência e possíveis efeitos adversos.

    “Ao final queremos ofertar um leite humano que seja totalmente aproveitado por esses prematuros impactando no crescimento, no neurodesenvolvimento, no comprimento e no peso de cada bebê”, explica Maria Elizabeth Moreira.

    Jonas Borges projeta que o trabalho resultará no aumento da disponibilidade de conteúdo calórico no leite humano fornecido para bebês internados em UTIs neonatais.

    “Os resultados até agora são o que a gente esperava. Estou muito orgulhosa de participar desse projeto. Eu acho que, em breve, vamos conseguir oferecer um leite de melhor qualidade para esses bebês que precisam tanto”, comemora Denise Sobral.

  • Hortas circulares revolucionam renda de agricultores familiares em Minas

    Hortas circulares revolucionam renda de agricultores familiares em Minas

    Uma técnica inovadora de cultivo está mudando a realidade de agricultores familiares em Minas Gerais. As hortas circulares, modelo desenvolvido e difundido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), apresentam-se como alternativa sustentável para geração de renda e segurança alimentar no estado.

    O sistema funciona com curvas de nível que retêm toda a água da chuva dentro da área de plantio. Essa característica permite reduzir significativamente a erosão em terrenos inclinados e otimizar o aproveitamento da irrigação em áreas planas, tornando o cultivo mais eficiente e econômico.

    A iniciativa integra o projeto “Expansão e fortalecimento da cadeia produtiva de arroz em Minas Gerais, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar”, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

    Segundo a pesquisadora Janine Guedes, coordenadora do projeto pela Epamig, a ação fortalece a agricultura familiar de forma abrangente. “Dentro desse projeto do arroz, temos uma linha de ação voltada ao fortalecimento da agricultura familiar. A pesquisadora Polyanna Oliveira já trabalhava com essas hortas, e conseguimos integrar como uma das ações”, explica.

    O trabalho é realizado em parceria com a Emater e prefeituras municipais, facilitando o acesso dos produtores ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Durante o período chuvoso, as equipes retornam às propriedades para introduzir unidades de arroz de sequeiro, ampliando as possibilidades de cultivo.

    Sistema sustentável e replicável

    As hortas agroecológicas circulares destacam-se pela versatilidade e facilidade de implementação. O modelo adapta-se a diferentes espaços e condições de solo, podendo receber diversos tipos de hortaliças, leguminosas e frutíferas.

    “A escolha do que plantar depende da disponibilidade de área, água e do interesse do produtor”, destaca a pesquisadora Polyanna Oliveira, responsável pela metodologia das hortas circulares.

    No município de Perdões, região Sul de Minas, o projeto prevê a instalação de sete unidades demonstrativas de arroz e seis hortas circulares. A secretária de Agricultura local, Luciana Arriel, celebra os resultados: “Temos acompanhado de perto e visto que os produtores estão gostando do modelo. O formato circular ajuda na manutenção da umidade e na prevenção de pragas”.

    Uma das hortas já implantadas beneficia o Projeto Vida Nova, instituição que atende 85 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. “Fornecemos dois lanches diários e almoço semanal para os matriculados. Essa horta nos ajuda muito. Já utilizamos beterraba, alface e outros alimentos que enriqueceram nossa alimentação”, relata Cleuza Maria Augusto Oliveira, diretora da instituição.

    Agricultores aprovam a técnica

    Dulcineia Carvalho Ribeiro da Silva e Wilson Antônio Ferreira da Silva, produtores de hortaliças há sete anos, adotaram o cultivo circular há dois meses. Os resultados já são visíveis: “As plantas ficaram mais bonitas e a irrigação é mais fácil. Nossa ideia é ampliar o plantio circular”, afirmam os agricultores, que comercializam a produção no PNAE, na feira municipal e através de vendas diretas.

    O plantio das Unidades Demonstrativas de Arroz em Perdões está previsto para novembro. Segundo Janine Guedes, haverá cultivo exclusivo de arroz e sistemas consorciados com café. A pesquisadora destaca ainda um benefício adicional: “A palha do arroz pode auxiliar na adubação do solo. Recomendamos que os produtores utilizem esse material nas hortas, pois é rico em nutrientes, especialmente nitrogênio”.

    O modelo de hortas circulares representa um avanço significativo para a agricultura familiar em Minas Gerais, combinando sustentabilidade ambiental, eficiência produtiva e inclusão social – pilares fundamentais para o desenvolvimento rural do estado.