Tag: café

  • Saiba qual é a xícara de café mais cara do Brasil

    Saiba qual é a xícara de café mais cara do Brasil

    A cafeicultura de luxo brasileira bateu novo recorde nesta sexta-feira (8). Um microlote raro foi vendido por R$ 10 mil. O lote tinha 100 gramas de café arábica da variedade geisha. O produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho cultivou os grãos.

    Luiz Paulo produz o café na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas, no Sul de Minas Gerais. O leilão durou 24 horas e ocorreu pelas redes sociais. A exportadora Coffee Senses e a corretora Tribo da Cafeína dividiram a compra.

    Foto: divulgação

    O café alcançou 92 pontos na avaliação sensorial da Specialty Coffee Association (SCA). O produtor selecionou os grãos manualmente. Além disso, fermentou o café por sete dias a frio.

    A diretora comercial da Coffee Senses, Ana Flávia Fernandes, destacou a qualidade do produto. Segundo ela, o trabalho de Luiz Paulo inspira o mercado brasileiro de cafés especiais.

    Em busca da xícara perfeita

    Ana Flávia afirmou que o cafeicultor busca constantemente a xícara perfeita. O sócio da Tribo da Cafeína, Fábio Ruellas, também elogiou o microlote raro. Ele afirmou que a empresa procura cafés exclusivos, complexos e com alta pontuação sensorial.

    Fábio destacou ainda a consistência do produtor em diferentes safras. Segundo ele, os cafés brasileiros especiais competem com os melhores produtos do mercado internacional.

    Luiz Paulo recebeu reconhecimento da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e da Alliance for Coffee Excellence. O cafeicultor foi eleito a primeira lenda mundial do café especial do Brasil. Ele afirmou que pretende ampliar o Projeto Rarus nos próximos anos. Segundo Luiz Paulo, o objetivo é produzir micro e nanolotes cada vez mais raros e sofisticados.

    O produtor também quer atender consumidores interessados em cafés de excelência.

    R$ 1,4 mil por xícara

    Os 100 gramas vendidos permitem preparar cerca de 1,4 litro de café. O volume rende aproximadamente sete xícaras de 200 mililitros. Assim, cada xícara custou mais de R$ 1,4 mil.

    Luiz Paulo afirmou que o valor representa um recorde para cafés no Brasil. Segundo ele, os cafés de luxo brasileiros alcançaram patamares semelhantes aos grandes vinhos internacionais.

  • R$ 10 mil por 100g: conheça o café mais caro do Brasil

    R$ 10 mil por 100g: conheça o café mais caro do Brasil

    Um microlote de apenas 100 gramas de café arábica da variedade geisha acaba de escrever um capítulo inédito na história da cafeicultura brasileira. Produzido na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), o lote foi arrematado por R$ 10 mil em um leilão de 24 horas realizado nas redes sociais nesta sexta-feira (8), estabelecendo o maior preço já pago por uma xícara de café no Brasil, R$ 1.400 por uma dose de 200 ml.

    O cafeicultor Luiz Paulo Dias Pereira Filho selecionou manualmente o produto, avaliado com 92 pontos na escala sensorial, fermentou os grãos por sete dias a frio e realizou o processamento. A exportadora Coffee Senses e a corretora Tribo da Cafeína realizaram a compra em conjunto, com 50% do lote raro para cada empresa.

    Por que esse café vale tanto?

    A variedade geisha é reconhecida internacionalmente como uma das mais complexas e raras do mercado. Aliada ao processo de fermentação a frio por sete dias e à seleção manual dos grãos, a bebida resultante coloca o produto brasileiro em patamar comparável aos melhores vinhos do mundo, referência feita pelo próprio produtor.

    “Certamente esse é um preço recorde pago por uma xícara de café no Brasil, quiçá globalmente”, afirma Luiz Paulo. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE) reconhecem o produtor como a primeira lenda mundial do café especial do país.

    Quem comprou e o que dizem os arrematantes

    Para Ana Flávia Fernandes, diretora comercial da Coffee Senses, o investimento vai além do produto em si. Segundo ela, valorizar cafés como o de Luiz Paulo é fundamental para promover a cafeicultura de excelência no Brasil. “A dedicação e o trabalho dele deveriam ser fonte de inspiração para todos nós”, destaca.

    Já Fábio Ruellas, sócio e cofundador da Tribo da Cafeína, reforça que a busca por cafés raros, de altíssima pontuação e com identidade própria é a essência do negócio. Para ele, o café produzido na Fazenda Rarus não deixa nada a dever a nenhum grande café do mundo. “São cafés que mostram a força, a sofisticação e o potencial extraordinário que o Brasil tem na produção de grãos especiais”, afirma.

    O “winemaker” do café brasileiro

    Luiz Paulo se autodenomina um coffee maker, referência direta aos winemakers do universo vinícola. Por meio do Projeto Rarus, ele pretende cultivar, colher e processar micro e nanolotes de cafés cada vez mais raros, voltados a um público consumidor que, segundo ele, cresce junto com a exigência por excelência, elegância e qualidade.

    Luiz Paulo com o café geisha fermentado que produziu, processou e leiloou por R$ 10 mil. Foto: Divulgação

    Os 100 gramas do lote adquirido permitem o preparo de aproximadamente 1,4 litro de bebida, portanto, o equivalente a sete xícaras de 200 ml. Com o valor pago, cada xícara ultrapassa a casa dos R$ 1.400, consolidando o café brasileiro no mapa do luxo global.

  • XXV Seminário do Café reúne especialistas de 15 países em Santos

    XXV Seminário do Café reúne especialistas de 15 países em Santos

    O XXV Seminário Internacional do Café, que ocorrerá em Santos entre os dias 19 e 21 de maio, promete ser um marco para o setor ao reunir especialistas de 15 países. O evento, organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS), projeta receber mais de mil participantes para debater o futuro da cafeicultura em um mundo marcado por rupturas tecnológicas e novas demandas de mercado.

    Com uma agenda ampliada em relação aos anos anteriores, o encontro será sediado no Santos Convention Center. A solenidade de abertura está marcada para a noite do dia 19, às 19h, reunindo lideranças da cadeia produtiva e autoridades. Durante os dias 20 e 21, o foco recai sobre painéis técnicos que exploram temas cruciais como geopolítica, infraestrutura, sustentabilidade e inovação digital.

    Disrupção e tecnologia no agronegócio

    Um dos momentos mais aguardados é a palestra de Pablo Spyer, no dia 20, que abordará os desafios disruptivos enfrentados pelo Brasil. No mesmo dia, Walter Longo discutirá os impactos da inteligência artificial nos modelos de negócios. Essa abordagem tecnológica visa preparar o produtor e o exportador para uma realidade onde a análise de dados e a automação se tornam diferenciais competitivos.

    O painel sobre infraestrutura e logística também ganha relevância no primeiro dia de debates. Executivos e especialistas do setor portuário discutirão os gargalos que afetam o escoamento da produção. O debate é essencial para otimizar o transporte do grão até os portos, garantindo eficiência no comércio exterior.

    Sustentabilidade e o novo cenário regulatório

    No encerramento, dia 21, as discussões se voltam para o ambiente regulatório internacional. Marcos Matos, do Cecafé, e Bill Murray, da National Coffee Association dos Estados Unidos, trazem as perspectivas das normas globais e as exigências do mercado americano. A sustentabilidade, pilar central do evento, será detalhada por Kevin Lardner, da Rainforest Alliance, focando em práticas de certificação.

    O economista Eduardo Giannetti também integra a programação, oferecendo uma análise profunda sobre o cenário geopolítico e seus reflexos diretos no comércio internacional. Complementando o viés técnico, especialistas como Claudio Delposte e Oscar Schaps debaterão o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado de commodities, fornecendo subsídios para estratégias financeiras de curto e longo prazo.

    Networking e protagonismo nacional no Porto de Santos

    Além das palestras, o seminário oferece experiências práticas, como a visita guiada ao Porto de Santos, principal porta de saída do café brasileiro para o mundo. O evento encerra-se com uma festa no Mercado Municipal de Santos, reforçando o networking entre os participantes.

    O Brasil detém cerca de 38% da produção mundial de café. Em 2025, as exportações superaram 40 milhões de sacas, gerando US$ 15,5 bilhões. O Porto de Santos é peça-chave nessa engrenagem, operando 78% desse volume. O tema “O setor de café do Brasil está pronto para um mundo disruptivo?”, escolhido para esta 25ª edição, resume a necessidade de evolução constante da cadeia produtiva frente às mudanças globais.

  • Preço do café recua em abril com expectativa de safra

    Preço do café recua em abril com expectativa de safra

    Os preços do café caíram em abril, pressionados pela expectativa de boa safra no ciclo 2026/27. O mercado reagiu ao otimismo com a oferta global, impulsionado pelas projeções positivas para a produção brasileira.

    Os valores do arábica e do robusta recuaram nos mercados interno e externo ao longo do mês. Apesar disso, fatores externos limitaram as quedas, conforme apontam pesquisadores do Cepea.

    Os baixos estoques certificados na Bolsa de Nova York e tensões no Oriente Médio sustentaram parte dos preços. Esses fatores ainda geram incertezas sobre o fluxo de café entre países produtores e consumidores.

    Arábica

    O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 registrou média de R$ 1.811,87 por saca em abril. O valor caiu R$ 102,02 por saca frente a março, o que representa recuo de 5,3%.

    Na comparação anual, a queda é mais intensa e chega a 26,8% em termos reais. Em abril de 2025, o indicador apresentou média de R$ 2.476,40 por saca. Os valores consideram correção pelo IGP-DI de março de 2026.

    Robusta

    Para o robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ registrou média de R$ 917,15 por saca em abril. O valor recuou R$ 104,87 frente a março, o que equivale a queda de 10,3%.

    Na comparação com abril de 2025, a baixa atinge 40,1% em termos reais. Naquele período, o robusta apresentou média de R$ 1.549,59 por saca.

    Na Bolsa de Nova York, o contrato julho/26 do arábica encerrou abril em 285,55 centavos de dólar por libra-peso. O contrato acumulou queda de 525 pontos em relação ao fechamento de março.

    As expectativas de maior oferta e o avanço da colheita no Brasil pressionaram os preços ao longo do mês. Segundo o Cepea, esses fatores devem seguir influenciando o mercado no curto prazo.

  • Acordo Mercosul-UE: café brasileiro terá tarifa zero na Europa em até cinco anos

    Acordo Mercosul-UE: café brasileiro terá tarifa zero na Europa em até cinco anos

    A implementação do braço comercial do tratado entre o Mercosul e a União Europeia (UE), iniciada em 1º de maio, marca um momento histórico para o agronegócio brasileiro. Após décadas de negociações, o acordo abre as portas para que o Brasil deixe de ser apenas um exportador de matéria-prima. E passe a ocupar uma fatia maior no mercado de produtos de alto valor agregado, como o café torrado e solúvel. No entanto, o sucesso dessa nova fase depende de uma “arquitetura de conformidade” que comprove a sustentabilidade da produção nacional.

    Atualmente, o café verde (em grão) brasileiro já entra na Europa com tarifa zero. Contudo, os produtos industrializados enfrentam taxas que limitam a competitividade: 7,5% para o café torrado e 9% para o solúvel. Com o novo acordo, essas alíquotas serão eliminadas gradualmente ao longo de quatro a cinco anos.

    A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) estima que essa desoneração permitirá que os cafés industrializados brasileiros adentrem o bloco europeu com tarifa zero após esse período de transição. O impacto esperado é um aumento de 33% nas exportações do setor beneficiado, gerando novos empregos e renda no país. Essa mudança é estratégica para o Brasil. O país detém 40% da produção global de café, mas fica com apenas 2,7% da receita mundial por exportar predominantemente café cru.

    O desafio da Lei Antidesmatamento (EUDR)

    Se por um lado o acordo reduz impostos, por outro, a União Europeia impõe critérios ambientais rigorosos. Isso através do Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). A lei, que deve entrar em vigor para grandes operadores em 30 de dezembro de 2025, proíbe a importação de commodities originadas em áreas desmatadas (legal ou ilegalmente) após 31 de dezembro de 2020.

    Para o café brasileiro, isso significa que cada lote exportado precisará ser acompanhado de coordenadas geográficas e evidências de rastreabilidade integral. Estimativas apontam que até US$ 17,5 bilhões em exportações do agro brasileiro podem ser afetados caso os produtores não consigam atender a essas exigências.

    Tecnologia e monitoramento como aliados

    Para garantir o acesso ao mercado europeu, que representa cerca de 44% das exportações de café do Brasil, o setor e o governo têm investido em tecnologia. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou uma plataforma, em parceria com a UFMG, que utiliza monitoramento por satélite para detectar se as plantações estão em áreas desmatadas.

    Da mesma forma, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) gerencia uma plataforma socioambiental que abrange exportadores responsáveis por 99% dos embarques para a UE. O objetivo é utilizar as bases de dados públicas oficiais do Brasil para facilitar o processo de devida diligência exigido pelos europeus.

    O acordo também traz o reconhecimento de Indicações Geográficas (IGs) brasileiras, como os cafés do Cerrado Mineiro, Caparaó e Matas de Rondônia. Portanto, conferindo maior proteção e valor às denominações de origem nacionais. Especialistas apontam que, embora o custo de conformidade seja alto, a regulação europeia pode funcionar como um vetor de modernização para a cadeia produtiva. E assim, premiando produtores que investem em geolocalização e boas práticas ambientais.

  • El Niño avança e ameaça produção global de café

    El Niño avança e ameaça produção global de café

    O mercado global de café entra no radar climático de 2026 com a crescente probabilidade de formação de um El Niño nos próximos meses. A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), agência americana de monitoramento climático, aponta cerca de 60% de chance de o fenômeno ocorrer entre maio e julho. Modelos do IRI (International Research Institute for Climate and Society), ligado à Universidade de Columbia, confirmam probabilidade semelhante no curto prazo e apontam para a continuidade do evento até o final de 2026 e início de 2027.

    Os modelos não projetam aumento da temperatura global, mas indicam temperaturas acima da média no Oceano Pacífico. Um padrão que sugere um evento de maior intensidade. Esse comportamento pode elevar as temperaturas em diferentes regiões produtoras e ampliar os riscos para a agricultura. “As commodities agrícolas poderão enfrentar riscos climáticos mais elevados”, afirma Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets.

    Temperaturas podem ultrapassar 1,5°C acima da média

    As previsões de anomalias da temperatura da superfície do mar (SST) para a região Niño 3.4 mostram um aumento acentuado no final do ano. As médias dos modelos apontam valores acima de 1,5°C entre outubro e novembro de 2026. Um indicativo de um evento mais forte do que o inicialmente previsto. Para a confirmação oficial do fenômeno, as temperaturas precisam permanecer acima de +0,5°C por períodos consecutivos.

    Projeções recentes apontam probabilidades semelhantes para cenários de El Niño moderado, forte e muito forte a partir do final de 2026.

    O que muda para o café

    Um El Niño ativo que persista até o início de 2027 pode trazer temperaturas recordes, secas e inundações em diversas regiões, aumentando os riscos para a produção agrícola global. Para o café, o fenômeno representa um desafio direto ao desenvolvimento da safra 26/27 em áreas produtoras estratégicas na América Central e do Sul, no Sudeste Asiático e na África Oriental. “Períodos prolongados de calor também podem prejudicar o desenvolvimento da planta”, completa Moda.

    Na América Central, o El Niño tende a elevar as temperaturas médias e reduzir as precipitações, especialmente entre julho e agosto. Um período crítico para o desenvolvimento dos frutos da safra 26/27. Guatemala, Honduras e El Salvador concentram o maior risco regional.

    Na Colômbia, temperaturas mais altas e irregularidades nas chuvas durante o segundo semestre podem afetar a safra principal 26/27. Um evento mais forte ou prolongado até 2027 também ameaça a safra intermediária, conhecida como mitaca.

    Na África Oriental, os efeitos variam por país. Na Etiópia, o fenômeno pode reduzir as chuvas entre junho e setembro e provocar excesso de precipitação na sequência, prejudicando a colheita. Em Uganda, o padrão associado ao El Niño costuma aumentar as chuvas acima da média, elevando o risco de inundações e deslizamentos.

    No Sudeste Asiático e na Índia, o fenômeno tende a provocar condições mais secas e quentes. A Índia pode enfrentar uma estação de monções mais fraca, enquanto Indonésia e Vietnã devem sentir impactos principalmente no desenvolvimento das safras futuras. E especialmente se o evento se estender até 2027.

    Brasil: menos geadas, mais riscos no final do ano

    No Brasil, o El Niño pode reduzir o risco de geadas durante o inverno de 2026, o que, à primeira vista, representa uma notícia positiva para os cafeicultores. No entanto, o fenômeno pode atrasar o início das chuvas de primavera e trazer temperaturas mais elevadas durante a floração e o enchimento dos grãos da safra 27/28.

    Mesmo com expectativa de safra recorde em 2026/27, o que tende a pressionar os preços no curto prazo , o cenário climático limita movimentos mais acentuados de queda. “Os possíveis impactos do El Niño poderiam limitar correções mais profundas do mercado no final do ano”, afirma Moda.

  • Chocante: corrente elétrica pode melhorar o sabor do café

    Chocante: corrente elétrica pode melhorar o sabor do café

    Cientistas da Universidade de Oregon descobriram uma nova forma de avaliar o sabor do café usando corrente elétrica, abrindo caminho para métodos mais precisos e acessíveis na preparação da bebida. O estudo, publicado na revista Nature Communications, mostra como a tecnologia pode ajudar baristas a reproduzir cafés com maior consistência e qualidade.

    O químico Christopher Hendon lidera a pesquisa e já se tornou referência no estudo científico do café. Agora, ele e sua equipe adaptaram um equipamento comum em testes de baterias, o potenciostato, para medir como a eletricidade interage com o café líquido. A análise revelou padrões que permitem identificar o perfil de sabor com mais precisão.

    Segundo os pesquisadores, o sabor do café resulta da extração de cerca de 2 mil compostos químicos durante o preparo. Essa complexidade dificulta a padronização, especialmente no caso do espresso. Para enfrentar esse desafio, estudos anteriores do grupo já haviam criado um modelo matemático baseado no rendimento de extração, indicador que mede quanto do café sólido se dissolve na bebida.

    Esse modelo considera fatores como pressão, fluxo de água e granulometria, inspirando-se no comportamento de íons em baterias. A abordagem ajudou a reduzir desperdícios e melhorar a repetibilidade no preparo.

    Grumos

    Outro avanço importante veio da investigação sobre a formação de grumos (porções aglomeradas) no café moído. A equipe identificou a eletricidade estática, gerada durante a moagem, como principal causa do problema. Ao adicionar pequenas gotas de água aos grãos antes da moagem, técnica conhecida como Ross Droplet, os cientistas conseguiram reduzir a carga elétrica, melhorar o fluxo de extração e aumentar a qualidade da bebida.

    Embora já existam métodos sofisticados para analisar a composição química do café, como cromatografia e espectrometria, essas técnicas exigem alto custo e tempo. Além disso, muitas não consideram variáveis essenciais para o sabor, como intensidade da bebida e nível de torra.

    A nova abordagem foca justamente nesses dois fatores. Ao medir a interação elétrica no café, os pesquisadores conseguiram diferenciar amostras e até identificar um lote que não passou no controle de qualidade.

    Para Hendon, a proposta não busca definir um “café perfeito”, mas oferecer uma ferramenta prática para personalizar a bebida conforme o gosto do consumidor. A técnica permite separar variáveis que antes eram difíceis de medir, tornando o processo mais preciso e replicável.

  • PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    PIB do agronegócio brasileiro teve alta de 12,2%

    O agronegócio brasileiro fechou 2025 com um resultado que poucos setores da economia conseguiriam exibir. O PIB do setor avançou 12,20% em relação ao ano anterior, o segundo maior resultado da série histórica, movimentando R$ 3,20 trilhões. É um número impressionante. Só que, por baixo da euforia, existe um sinal que merece atenção.

    O crescimento foi sustentado, em grande parte, pela valorização de preços ao longo do período, um movimento que perdeu força no segundo semestre e já impacta o ritmo da atividade. Em outras palavras: o campo produziu bem e os preços ajudaram, mas essa combinação não vai durar para sempre.

    A pecuária que ninguém esperava ver tão forte

    Se há um protagonista claro de 2025, é a pecuária. O ramo pecuário fechou o ano com a maior expansão entre todos os recortes, crescendo 32,55% no acumulado. O número soa quase exagerado, mas os dados sustentam cada ponto percentual.

    A bovinocultura de corte foi o principal vetor, com o valor bruto da produção subindo 23,71% no ano, resultado de alta de 15,84% nos preços reais e expansão de 6,79% no volume. A agroindústria ligada ao setor foi ainda mais longe: a agroindústria pecuária disparou 36,54%, favorecida pela valorização dos produtos e aumento da produção.

    Foram exportações em volume recorde, preços em patamar historicamente alto e uma cadeia que entregou eficiência de ponta a ponta. O setor de carnes virou, na prática, o motor principal do agro em 2025.

    O lado agrícola cresceu, mas em ritmo diferente

    Enquanto a pecuária acelerava, a agricultura andou em passo mais moderado. O ramo agrícola avançou 3,40%, sustentado pela maior produção de milho, soja, algodão e café. Positivo, mas longe do destaque da pecuária.

    No setor primário como um todo, o crescimento foi de 17,06%, com destaque para as culturas de milho e café. Já a agroindústria de base agrícola contou uma história diferente: as atividades de base agrícola recuaram 3,33% devido à baixa nos preços industriais. Queda de produção industrial no campo agrícola, enquanto o lado pecuário disparava. O contraste é revelador de como 2025 distribuiu seus ganhos de forma desigual dentro do próprio setor.

    Um quarto da economia brasileira depende do campo

    O resultado de 2025 também consolidou algo que vai além dos números de curto prazo. A participação do agronegócio no PIB nacional subiu para 25,13%, ante 22,9% registrados em 2024. Um em cada quatro reais produzidos no Brasil em 2025 passou, de alguma forma, pelo campo.

    Sob a ótica dos segmentos, todos avançaram no acumulado: insumos (+5,37%), primário (+17,06%), agroindústria (+5,60%) e agrosserviços (+13,76%). O agronegócio não cresceu por um único ponto de pressão. Cresceu de forma ampla, o que dá consistência ao resultado, mesmo com as ressalvas sobre preços.

    O presidente do Instituto do Agronegócio, Isan Rezende, resume bem a tensão que fica para 2026: “O PIB cresce, mas isso não significa automaticamente mais rentabilidade no caixa de quem produz. O custo de produção segue pressionado, o crédito ficou mais caro e o risco aumentou.”

    O freio no final do ano e o que vem pela frente

    O quarto trimestre entregou um recado claro. O indicador recuou 1,11% frente ao terceiro trimestre, com recuo generalizado entre os segmentos, com destaque para a queda de 2,32% nos insumos. Não foi colapso, mas foi um aviso.

    Entre julho e dezembro, o PIB do agro entrou em trajetória de desaceleração, confirmando a perda de tração iniciada ainda no terceiro trimestre, à medida que o ciclo de alta de preços iniciado em 2024 se esgotou. O motor que moveu o crescimento ao longo do ano perdeu combustível justamente na reta final.

    Para 2026, a leitura muda de tom. O resultado passa menos pelo volume colhido e mais pela capacidade de sustentação de margens em um ambiente de preços menos pressionados, um ponto sensível em um setor que depende cada vez mais de custo, crédito e eficiência para manter o crescimento. Quem entrar neste ano com gestão apertada e tecnologia na ponta tem vantagem real. Quem depender apenas do ciclo favorável de preços vai sentir o terreno mudar.

  • Preço do café robusta tem menor média desde março de 2024

    Preço do café robusta tem menor média desde março de 2024

    Os preços do café seguem voláteis em abril, mas registram tendência predominante de queda no mercado brasileiro. Além disso, o recuo atinge principalmente o café robusta, pressionado pelo avanço gradual da colheita.

    Na parcial de 1º a 20 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta registra média de R$ 903,90 por saca. Esse valor representa o menor patamar desde março de 2024, em termos reais corrigidos pelo IGP-DI. Naquele período, a média havia sido de R$ 892,73 por saca de 60 kg.

    Além disso, o indicador atual está 11,55% abaixo da média registrada em março de 2026. Segundo o Cepea, a pressão sobre os preços está ligada ao avanço da colheita do robusta.

    As atividades no campo ganham ritmo mais rapidamente no robusta do que no café arábica. Por outro lado, fatores geopolíticos e cambiais também intensificam a volatilidade dos preços.

    Café arábica

    No caso do café arábica, os preços também recuam na parcial de abril. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica registra média de R$ 1.824,91 por saca de 60 kg.

    Esse valor representa queda de 4,6% em relação à média de março de 2026. A redução equivale a R$ 88,98 por saca no período analisado.

    Além disso, o preço do arábica atinge o menor nível desde julho de 2025. Naquele momento, o mercado atravessava o período de plena safra nacional.

  • Café em sachê: a nova forma de consumir café que atrai o público jovem

    Café em sachê: a nova forma de consumir café que atrai o público jovem

    A Cafellow nasceu na internet, cresceu no digital e, na última quarta-feira, decidiu sair da tela. A marca levou o Fellow Criativo, seu café especial em sachê, para duas das ruas mais movimentadas de São Paulo: a Faria Lima e a Rua dos Pinheiros. A ação marcou o retorno do produto ao mercado, com degustação gratuita e uma experiência interativa para quem passava por ali.

    A estratégia pode parecer contraditória para uma marca que se define como nativa digital. Mas foi exatamente essa tensão que a Cafellow quis explorar.

    “Como somos uma marca nativa digital, pensamos em uma experiência offline que permitisse que o maior número possível de pessoas tivesse contato com o produto. Foi uma forma de inovar na maneira de apresentar o café e criar uma conexão real com o público.”

    Quem falou foi Paula Veloso, fundadora e CEO da Cafellow. Ela estava lá, acompanhando cada copo servido e cada reação de quem parava para experimentar.

    Ação marcou o retorno do café especial em sachê e atraiu até consumidores que já conheciam o produto.

    O dado que mais chamou atenção no dia

    Entre os que pararam e provaram, um comportamento se repetiu ao longo do dia: quem já conhecia o Fellow Criativo voltou. Não chegou por acaso. Foi até a ação de propósito, para experimentar de novo.

    “O mais interessante foi ver que muitas pessoas que já conheciam o produto fizeram questão de ir até a ação para experimentar novamente, e todas comentavam que o café está ainda melhor do que lembravam.”

    Esse tipo de comportamento importa. Em lançamentos e relançamentos, o desafio maior quase sempre não é conquistar novos consumidores, mas reconquistar quem já experimentou e seguiu em frente. O fato de clientes antigos terem buscado ativamente a degustação sugere que a reformulação do produto criou uma razão concreta para voltar.

    O que é, afinal, um café em sachê?

    A Cafellow se apresenta como pioneira no Brasil na criação de café especial em sachê. O formato funciona por infusão: ao adicionar água quente, o sachê desempenha o mesmo papel do filtro no coador tradicional. O resultado é um café coado, sem bagunça e sem equipamento extra.

    O material dos sachês é feito de fontes vegetais!

    A proposta resolve um problema real de parte do público urbano: o café de qualidade costuma exigir tempo, equipamento e paciência. O sachê elimina a fricção sem abrir mão do grão especial. É o mesmo princípio que tornou o saquinho de chá universal, aplicado a uma cultura que no Brasil é muito mais profunda e exigente.

    Praticidade, sustentabilidade e uma geração que quer as duas coisas

    O posicionamento da marca mira consumidores que cresceram acostumados a exigir conveniência, mas que também passaram a questionar o impacto do que consomem. A Cafellow aposta em praticidade e sustentabilidade como parte da mesma proposta, sem tratar os dois como valores em conflito.

    Conectar a tradição cafeeira brasileira a uma linguagem contemporânea é, de certa forma, a tarefa mais difícil nesse caminho. O Brasil tem uma relação histórica e afetiva com o café coado na hora, no coador de pano, no filtro de papel. Chegar com um sachê e dizer que o resultado é equivalente exige prova. Foi exatamente isso que a ação de rua foi buscar.

    Por que ir para a rua funciona quando o produto precisa ser provado

    Nenhuma campanha digital substitui a experiência sensorial de provar um café. O cheiro, a temperatura, o corpo na boca: esses elementos não cabem em um stories, por melhor que seja o conteúdo. A Cafellow parece ter entendido isso e usou o retorno do Fellow Criativo como oportunidade para colocar o produto em evidência da forma mais direta possível.

    A recepção positiva ao longo do dia e o comportamento dos consumidores que voltaram especificamente para provar de novo indicam que a aposta fez sentido.