Tag: biodiversidade

  • Cobras invasoras colocam espécie rara em risco

    Cobras invasoras colocam espécie rara em risco

    A presença de cobras invasoras nas Ilhas Pitiusas, no Mediterrâneo, tem preocupado pesquisadores e ambientalistas. Um estudo recente revelou que a chamada cobra-ferradura passou a nadar em mar aberto para alcançar pequenos ilhéus onde ainda sobrevivem populações raras de lagartos endêmicos.

    O comportamento foi registrado em áreas próximas de Ibiza e Formentera, na Espanha. Segundo os cientistas, a expansão da espécie já ameaça o equilíbrio ecológico da região e pode causar impactos irreversíveis na biodiversidade local.

    Como as cobras chegaram às ilhas?

    Pesquisadores acreditam que as serpentes chegaram às Ilhas Baleares escondidas em oliveiras ornamentais importadas da Península Ibérica no início dos anos 2000.

    Na época, o número de indivíduos era pequeno e não gerava grande preocupação. No entanto, a situação mudou rapidamente. Em 2010, as cobras ocupavam menos de 5% de Ibiza. Já em 2016, estavam presentes em cerca de 40% da ilha.

    Hoje, segundo o biólogo Oriol Lapiedra, do Centro de Pesquisa Ecológica e Aplicações Florestais (CREAF), a espécie já domina mais de 90% do território de Ibiza.

    Além disso, os pesquisadores descobriram que as serpentes não dependem mais de transporte acidental para chegar a novos locais. Vídeos e registros de campo confirmaram que elas conseguem nadar até ilhéus próximos em busca de alimento.

    Os cientistas acreditam que a escassez de presas em algumas regiões de Ibiza fez com que as cobras passassem a procurar novos ambientes, especialmente áreas isoladas onde os lagartos ainda vivem sem grandes defesas naturais.

    A cobra-ferradura é uma serpente não peçonhenta que se espalhou rapidamente pelas ilhas do Mediterrâneo — Foto: Parque Biológico Gaia

    Avanço ameaça lagartos raros

    A pesquisa aponta que diversos fatores ajudam na rápida expansão da cobra-ferradura pelo Mediterrâneo:

    • Grande capacidade de adaptação ao ambiente;
    • Alta oferta de alimento nos ilhéus menores;
    • Ausência de predadores naturais;
    • Facilidade de deslocamento entre pequenas ilhas.

    Os impactos já são considerados graves. Em algumas ilhotas, populações inteiras de lagartos desapareceram poucos anos após a chegada das serpentes.

    Um dos casos mais preocupantes ocorreu em Santa Eulària, onde dezenas de cobras foram capturadas entre 2023 e 2025.

    Desequilíbrio ecológico preocupa cientistas

    Além da redução drástica dos lagartos, os pesquisadores alertam para consequências ambientais em cadeia. Esses répteis desempenham funções importantes no ecossistema, como dispersão de sementes, polinização de flores e controle natural de insetos.

    Sem eles, o equilíbrio ecológico das ilhas pode ser comprometido.

    Entre os principais impactos apontados pelos cientistas estão:

    • Extinção local de espécies únicas de lagartos;
    • Alterações na cadeia alimentar;
    • Desequilíbrio ambiental nas ilhas;
    • Aumento do risco de pragas agrícolas.

    Diante da ameaça, autoridades ambientais iniciaram programas emergenciais para proteger as espécies restantes. Alguns lagartos ameaçados foram levados para o Zoológico de Barcelona, onde participam de projetos de reprodução em cativeiro.

    Apesar disso, especialistas reconhecem que eliminar totalmente as cobras invasoras é uma tarefa extremamente difícil. Por enquanto, os esforços estão concentrados em conter a expansão da espécie e preservar os ilhéus considerados essenciais para a biodiversidade mediterrânea.

  • Pescador encontra animal misterioso e mestre da camuflagem em Rondônia

    Pescador encontra animal misterioso e mestre da camuflagem em Rondônia

    Um registro inusitado feito pelo pescador João Cordeiro chamou atenção nas redes sociais e despertou a curiosidade de moradores da região amazônica. Durante uma pescaria, ele avistou um animal diferente no alto de uma árvore. A aparência incomum confundiu o pescador logo no primeiro momento: o bicho parecia uma mistura de águia com preguiça.

    Entretanto, depois de observar melhor o animal, João percebeu que estava diante de uma espécie pouco conhecida popularmente, mas bastante presente na floresta amazônica: o chamado macaco-velho, famoso pela habilidade de se camuflar entre os galhos.

    “No início eu achei que era uma preguiça, só que quando ele virou para trás e eu vi o tamanho do rabo eu falei: ‘Não, bicho preguiça não pode ser’. Fiquei curioso, voltei para casa, e mostrei para uns amigos e uns falaram para mim que era um macaco aqui da nossa região”, relatou.

    https://www.instagram.com/reels/DYAvmoWpUaG/

    Animal vive escondido nas copas das árvores

    Apesar do aspecto incomum e do nome curioso, o macaco-velho não é considerado uma espécie rara. De acordo com o biólogo Flávio Terassini, o primata vive em diferentes áreas da Amazônia, mas costuma passar despercebido porque permanece quase sempre nas copas das árvores.

    Além disso, o especialista explicou que esses animais normalmente vivem sozinhos ou em pequenos grupos. Eles evitam grandes aglomerações e raramente descem ao chão da floresta por medo de predadores.

    “Pode ser solitários ou em bandos de pequenos grupos, eles não vão ficar aglomerados com 50, 100 indivíduos. Eu já vi dois, três indivíduos próximos. Eles raramente descem no chão da floresta porque eles têm muito medo de ser predados por onças e jaguatiricas”, explicou o biólogo.

    Segundo Terassini, existem quase 500 espécies de primatas espalhadas pelo mundo. Somente na Amazônia, mais de 100 espécies vivem na floresta, incluindo o macaco-velho.

    Este animal habita a floresta amazônica em sua parte mais densa — (Foto: Ana Cotta/Flickr)

    Pelagem ajuda o macaco-velho a desaparecer na floresta

    O animal chama atenção principalmente pela pelagem espessa e pelos movimentos lentos. Essas características funcionam como uma estratégia natural de defesa, já que ajudam o primata a se misturar ao ambiente.

    De acordo com o biólogo, o visual do macaco lembra até uma roupa antiga coberta por musgos, o que reforça ainda mais sua capacidade de camuflagem.

    “Parece que ele está usando um echarpe ou uma roupa, um casaco de vovózinha. Então ele usa essa pelagem para se camuflar nas árvores, na natureza, então ele passa despercebido. Se ele percebe qualquer barulho, ele fica quietinho e a sua camuflagem dos pelos lembra muito o musgo ou, claro, uma roupa mais envelhecida, então por isso o nome é macaco-velho”, afirmou.

    Além dos frutos, o macaco-velho também se alimenta de insetos e pequenos invertebrados. Mesmo vivendo escondido entre os galhos, ele faz parte da cadeia alimentar da floresta e pode ser alvo de grandes predadores.

    “Lá na copa das árvores, a harpia, que é o gavião real, pode ser um predador. Algumas cobras como a jibóia e, às vezes, até mesmo a sucuri, pode sim se alimentar desse primata”, relatou Terassini.

  • Vídeo: Ariranha é flagrada se alimentando em rio do Pantanal e cena impressiona

    Vídeo: Ariranha é flagrada se alimentando em rio do Pantanal e cena impressiona

    Um registro feito no Pantanal mato-grossense chamou atenção nas redes sociais nos últimos dias. Uma ariranha, conhecida popularmente como “onça-d’água”, foi flagrada enquanto se alimentava de um peixe às margens de um rio na região de Porto Jofre, em Mato Grosso.

    O vídeo foi publicado pelo guia turístico Caio Leonardo, que relatou ter passado horas procurando os animais pela região antes de conseguir o encontro. Segundo ele, a cena aconteceu após um longo período de observação em uma área de mata fechada próxima ao rio.

    Busca longa terminou em encontro raro

    De acordo com Caio, o grupo de ariranhas estava escondido em uma mata de galeria, vegetação densa que acompanha as margens dos rios e dificulta a visualização da fauna silvestre.

    Mesmo diante do calor intenso típico do Pantanal, o guia decidiu continuar esperando pela aparição dos animais. A persistência acabou sendo recompensada com uma cena que ele descreveu como uma das mais marcantes já vividas durante suas expedições na região.

    “Apesar do calor do dia, decidi esperar, e a espera foi recompensada com um dos encontros mais incríveis que já tive com esses animais tão brutais, mas ao mesmo tempo tão graciosos”, relatou.

    O flagrante mostra a habilidade da ariranha durante a alimentação, reforçando o comportamento predador da espécie nos rios pantaneiros.

    https://www.instagram.com/reel/DYkD-MmS2Li/?igsh=YWF2c3h1bDNxNmIx

    Conheça a ariranha, a famosa “onça-d’água”

    A ariranha é considerada um dos maiores predadores aquáticos da América do Sul. O animal pode ultrapassar 1,5 metro de comprimento e vive em grupos familiares organizados, comportamento que ajuda tanto na proteção quanto na caça.

    Excelente nadadora, a espécie se alimenta principalmente de peixes. No entanto, também pode capturar crustáceos, aves aquáticas e pequenos répteis presentes nos rios e áreas alagadas do Pantanal.

    Por causa da força, agilidade e comportamento territorial, a ariranha ganhou o apelido de “onça-d’água” entre moradores e visitantes da região pantaneira.

  • Brasil tem só uma raça de galinha genuinamente brasileira? Entenda a polêmica

    Brasil tem só uma raça de galinha genuinamente brasileira? Entenda a polêmica

    Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Galinha Sertaneja Balão (GSB) repercutiu nos últimos dias após ele afirmar, durante a chegada de novas aves à Granja do Torto, que a espécie seria a “única raça genuinamente brasileira”. Apesar da fala, o Brasil possui mais de dez raças de galinhas catalogadas, estudadas e preservadas em diferentes regiões do país.

    A definição de uma raça genuinamente brasileira, porém, ainda gera debate. Isso porque o Ministério da Agricultura não reconhece oficialmente aves como nativas da mesma forma que ocorre com bovinos, por exemplo.

    Nesse contexto, a definição mais aceita é a da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Segundo a entidade, aves nativas são populações domésticas que, ao longo de várias gerações, se adaptaram a ambientes específicos, condições climáticas locais e sistemas de criação utilizados por pequenos produtores.

    Atualmente, o mercado avícola comercial brasileiro trabalha majoritariamente com linhagens de origem estrangeira, principalmente dos Estados Unidos. Essas aves são selecionadas para oferecer maior produtividade e volume de produção.

    Por outro lado, as raças nativas brasileiras apresentam características valorizadas por pequenos criadores. De acordo com Marcos Jacob, analista de transferência de tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, essas aves se destacam pela resistência ao clima quente e seco das regiões Norte e Nordeste, além de exigirem menos insumos para criação.

    Segundo o especialista, embora tenham produção em menor escala, essas galinhas desempenham papel importante na segurança alimentar de comunidades locais. Além de garantirem fonte de proteína para pequenos produtores, elas também fazem parte da culinária tradicional brasileira, sendo utilizadas em pratos típicos como galinha ao molho pardo e pirão de parida.

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária mantém projetos de conservação genética dessas aves em diferentes estados brasileiros. O objetivo é preservar materiais genéticos considerados estratégicos para a segurança alimentar e para a manutenção da biodiversidade avícola nacional.

    Conheça algumas das principais raças brasileiras de galinha

    • Carijó
    • Pescoço Pelado
    • Pedrês
    • Rabo de Leque
    • Sura
    • Canela-Preta
    • Barbuda
    • Peloco
    • Frisada
    • Caneluda do Catolé
    • Perna Curta
    • Azulega
    • Caracuta
  • Que susto! Crocodilo de 4 metros invade cozinha de hotel

    Que susto! Crocodilo de 4 metros invade cozinha de hotel

    Nas proximidades das Cataratas de Vitória, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbábue, os hóspedes de um hotel quatro estrelas às margens do rio Zambeze tiveram uma manhã bem diferente do planejado. Um crocodilo de cerca de quatro metros entrou no estabelecimento e foi direto à cozinha.

    O réptil saiu do Zambeze e caminhou até o hotel como se soubesse exatamente onde estava indo. O perfil do hotel nas redes sociais resumiu bem o clima: “Na sexta-feira, recebemos a visita inesperada de um hóspede logo pela manhã. Ele estava verificando por que o serviço de quarto estava atrasado. Isto é o Zambezi, onde selvagem significa selvagem.”

    John Richards, hóspede que estava no local, relatou que os funcionários contaram que o animal entrou sem cerimônia, como se fosse um cliente qualquer. Não conseguindo mesa no restaurante, seguiu direto para a recepção e, diante da ausência de atendentes, tentou passar por cima do balcão para alcançar a cozinha.

    Hóspedes foram surpreendidos por um crocodilo de quatro metros — (Foto: Reprodução/Facebook)

    O roteiro do invasor

    Frustrado na tentativa, o crocodilo mudou de estratégia. Encontrou uma poltrona, deitou-se nela por alguns instantes e, em seguida, caminhou até o deck onde ficam as mesas. Por lá também não encontrou comida, então acabou se acomodando em uma fonte de água na entrada do hotel.

    Foi justamente nesse ponto que as equipes de resgate chegaram. Guardas da Autoridade de Gestão de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue (ZimParks) imobilizaram o animal e o devolveram ao rio. Luckmore Saful, porta-voz da organização, confirmou que o episódio terminou sem maiores consequências: “Ele foi imobilizado por nossa equipe, sendo levado e devolvido ao Zambeze em segurança. Não houve feridos nem danos à propriedade.” Saful ainda ponderou que, na visão da organização, o comportamento do animal não chegou a ser uma surpresa: “Não é incomum que os crocodilos se desloquem para terra firme, especialmente porque este incidente ocorreu dentro da área de distribuição e habitat natural da espécie.”

  • Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Conheça a curiosa cobra-papagaio, serpente que vive pendurada nas árvores

    Imagine só: uma cobra que passa o dia inteiro enrolada num galho a 15 metros de altura, tem o corpo verde com manchas brancas, barriga amarela e, quando filhote, é alaranjada. Parece criação de roteirista, mas a cobra-papagaio é real, vive nas florestas tropicais da América do Sul e carrega uma série de características que deixam até os especialistas impressionados. Além disso, ela não precisa de veneno para matar.

    Uma cobra de visual impactante e nome à altura

    Seu nome científico é Corallus batesii e ela pertence à família Boidae, a mesma das jiboias e sucuris. No Brasil, ganhou o apelido de cobra-papagaio por razão óbvia: sua coloração intensa em verde e amarelo lembra diretamente a ave mais tradicional do país. Mais precisamente, boa parte do corpo é verde com manchas brancas e o ventre é amarelo, segundo o Instituto Butantan.

    Em termos de tamanho, não há como ignorá-la. A cobra-papagaio pode chegar a até 2 metros de comprimento, o que a coloca entre as serpentes de porte médio-grande do continente. Apesar da aparência imponente, ela não é peçonhenta, ou seja, não possui veneno. Mas isso não significa que seja inofensiva para as suas presas.

    Sem veneno, mas com técnica mortal

    A ausência de veneno não representa nenhuma desvantagem para a cobra-papagaio na hora de caçar. Ela adota a mesma estratégia das sucuris e jiboias: a constrição. A serpente se enrola em torno da presa e aperta com força suficiente para impedir a respiração, matando o animal antes de devorá-lo. Eficiente, silenciosa e mortal, sem precisar inocular uma única gota de toxina.

    Com hábitos noturnos, a cobra-papagaio desce ao solo ao anoitecer para caçar marsupiais como gambás, roedores, morcegos e até algumas aves. Durante o dia, o comportamento é completamente diferente: ela sobe e permanece imóvel nos galhos mais altos, em repouso e camuflada. Suas pupilas verticais são adaptadas para enxergar melhor no escuro e regular a luminosidade.

    A cobra-papagaio muda de cor conforme cresce para garantir camuflagem perfeita em cada etapa da vida — (Foto: Divulgação/Instituto Butantan)

    A vida nas alturas: o hábito que mais surpreende

    Enquanto a maioria das cobras raseja pelo chão, a cobra-papagaio escolheu outro endereço. Ela é mais comumente encontrada no topo de grandes árvores, chegando a se instalar por horas em galhos a alturas de 12 a 15 metros, de acordo com o Instituto Butantan. Esse comportamento arborícola é raro entre as serpentes e contribui muito para o fascínio que a espécie desperta.

    A cobra-papagaio é endêmica de regiões com alta umidade arbórea, especialmente a floresta amazônica, e pode ser encontrada no Brasil, Peru, Suriname, Guiana, Colômbia, Venezuela e Equador. Em casos excepcionais, também aparece em áreas mais secas como savanas ou florestas secas de outras partes da América do Sul, sobretudo em períodos de seca, quando desce ao solo em busca de água.

    Uma cobra que muda de cor ao longo da vida

    Talvez a característica mais surpreendente da cobra-papagaio seja a transformação que ela passa ao longo do ciclo de vida. Quando filhote, ela não tem nada de verde. Nessa fase, possui coloração alaranjada para se disfarçar nos galhos finos e mais baixos das árvores, onde ainda não consegue subir. Conforme cresce e passa a habitar as partes mais altas das copas, a coloração vai se transformando progressivamente. À medida que se tornam adultas e alcançam as partes com folhagem, ficam cada vez mais verdes para se camuflar entre as folhas.

    Essa adaptação cromática ao longo da vida é uma estratégia sofisticada de sobrevivência. Cada fase do desenvolvimento exige uma camuflagem diferente porque o ambiente acessível ao animal muda conforme ele cresce. Nenhuma cor é aleatória: cada tom é uma resposta precisa ao ambiente e ao estágio de vida da serpente.

    Para quem se interessa por fauna silvestre, a cobra-papagaio é um lembrete de que a Amazônia ainda guarda animais cuja biologia rivaliza com qualquer ficção científica. Bela, letal à sua maneira e capaz de se reinventar ao longo da vida, ela é uma das joias menos conhecidas da biodiversidade brasileira.

  • Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Cobra no quintal? Biólogo derruba os maiores mitos sobre como manter serpentes longe de casa

    Quem já encontrou uma cobra no jardim sabe bem o tamanho do susto. Mas o que a maioria das pessoas faz depois desse encontro é exatamente o que não deveria. Compra plantas com cheiro forte, espalha naftalina, cerca o quintal com ervas aromáticas e acha que está protegida.

    Segundo o biólogo Fabiano Soares, referência em fauna silvestre e com grande atuação nas redes sociais pelo perfil @biologo.zero, nenhum odor vegetal tem poder comprovado de repelir serpentes. E pior: algumas dessas soluções caseiras podem até atrair o problema que tentam resolver.

    O que realmente chama uma cobra para o seu quintal?

    Antes de pensar em como afastar, é preciso entender o que atrai. Para Fabiano Soares, a resposta é direta: comida. “O que mais define, de fato, é a presença de alimentos. Se houver roedores, pequenos mamíferos, anfíbios como sapos e pererecas, ou até filhotes de aves e ovos, a cobra terá um motivo para aparecer”, explica o especialista.

    Cobras são predadoras oportunistas e altamente eficientes. Elas não vagam pelo ambiente por acaso. Seguem rastros de presas, detectam calor corporal e percebem movimentação. Quando um quintal oferece roedores em abundância, por exemplo, torna-se automaticamente um território de caça. Portanto, o controle de pragas, especialmente ratos e ratazanas, é a medida preventiva número um para quem quer manter serpentes à distância.

    Além da alimentação, o abrigo também pesa na escolha do animal. Entulho acumulado, pilhas de lenha, pedras empilhadas, restos de construção e até vegetação densa junto ao muro funcionam como convite. São locais frescos, protegidos e próximos de potenciais presas, tudo o que uma cobra busca.

    Plantas repelentes, naftalina e cheiros fortes não funcionam contra cobras — (Foto: Byronsdad/Getty Imagens)

    É mito!

    Erva-de-santa-maria, cravo-de-defunto, capim-limão. Essas e outras plantas circulam pela internet como soluções infalíveis contra cobras. Mas a ciência não confirma esse efeito, e o biólogo Fabiano Soares é categórico ao abordar o assunto. “Não existe nenhuma planta que possa ser utilizada para afastar. A própria planta pode servir como abrigo para elas”, alerta o especialista.

    Ao contrário de insetos, que de fato podem ser perturbados por determinados odores, as cobras utilizam outros mecanismos sensoriais para se orientar. Elas detectam vibrações no solo, percebem variações de temperatura por meio de fossetas labiais (em espécies como a jararaca) e captam odores pelo órgão de Jacobson, localizado no céu da boca. Nenhum desses sistemas é sensível ao cheiro de uma planta aromática da forma que o senso comum imagina.

    Na prática, investir em um jardim aromático denso pode ter o efeito contrário ao desejado. Uma vegetação alta e não aparada oferece sombra, umidade e esconderijo, condições ideais para que uma serpente se instale sem ser percebida por dias.

    Desmatamento e obras: o fator externo

    Nem sempre a culpa está no quintal do morador. Mudanças no entorno imediato de uma residência, como obras de construção civil, terraplanagem de lotes vizinhos e desmatamento de áreas verdes próximas, são causas frequentes de aparecimento repentino de cobras em locais onde antes não eram vistas. Quando o habitat natural é destruído, os animais perdem abrigo, rota de caça e território. A consequência direta é o deslocamento forçado em direção às áreas urbanizadas.

    Esse tipo de situação é especialmente comum em bairros que fazem divisa com cerrado, Mata Atlântica ou áreas de várzea. Em períodos de seca intensa, o movimento também aumenta, já que as serpentes buscam água e microclimas mais úmidos, que muitas vezes estão nos jardins irrigados das casas.

    Dicas infalíveis

    A boa notícia é que medidas simples e de baixo custo reduzem muito o risco de encontros indesejados. Fabiano Soares resume a lógica com clareza: “As cobras são guiadas pela temperatura e pelo recurso alimentar”. Ao eliminar esses dois elementos, o quintal deixa de ser interessante para o animal.

    Na prática, isso significa manter a grama sempre aparada, retirar entulhos e objetos acumulados, vedar frestas em portas, janelas e muros, e controlar ativamente a presença de roedores no ambiente. Essas ações atacam diretamente a cadeia que atrai serpentes, sem misticismo e sem gastos desnecessários.

    Caso uma cobra seja avistada, a orientação dos especialistas é clara: não tente capturar nem matar o animal. Ligue para o Corpo de Bombeiros ou para serviços de manejo de fauna silvestre do município. Em muitas regiões do Brasil, as serpentes são protegidas por lei e exercem papel fundamental no equilíbrio ecológico, controlando justamente as populações de roedores que tanto atraem as próprias cobras.

  • Borboleta ferida ganha prótese de asa feita com pétalas de orquídea

    Borboleta ferida ganha prótese de asa feita com pétalas de orquídea

    Tinha tudo para ser só mais um inseto morto à beira do caminho. Mas quando Morhaf Ghazi, de 30 anos, encontrou uma borboleta ferida durante uma trilha em Amã, na Jordânia, ele não passou por ela como se nada fosse. Levou o inseto para casa, cuidou por dias e, no fim, fez algo que parece saído de um conto: criou uma prótese de asa para borboleta usando pétalas de orquídea que estavam preservadas dentro de um livro há quase nove anos.

    Sim, nove anos guardadas em um livro. E foram exatamente essas pétalas que deram uma segunda chance de vida à borboleta.

    A trilha que virou resgate

    Morhaf percebeu que havia algo errado logo de cara. A borboleta estava no chão e não conseguia voar. Ao examinar com atenção, ele viu o problema: a asa direita estava muito amassada, comprometida a ponto de impedir qualquer movimento no ar.

    Ele levou o inseto para casa com cuidado e começou um processo de recuperação improvisado, mas cheio de atenção. “Durante alguns dias, eu a alimentei com água com açúcar. Ela ficou em um buquê de flores onde coloquei gotinhas para ela beber”, contou Morhaf ao New York Post. Por dias, a borboleta virou hóspede da casa, sendo alimentada e observada de perto enquanto ele pensava no próximo passo.

    Pétalas de orquídea e uma hora de cirurgia artesanal

    Foi aí que a ideia surgiu. Morhaf tinha pétalas de orquídea rosa preservadas dentro de um livro desde 2017, quase uma década guardadas sem uso aparente. Ele traçou cuidadosamente o formato da asa saudável da borboleta e usou as pétalas como material para construir uma substituta à mão.

    Antes de colocar a prótese, ele pesquisou como manusear borboletas com segurança. O que descobriu deu coragem para avançar: borboletas não sentem dor nas asas, apenas pressão. Com esse dado em mente, ele removeu a asa danificada e fixou a nova. “Todo o processo levou cerca de uma hora, sem contar os dias que passei cuidando dela antes”, explicou.

    No mundo da lepidopterologia, a asa das borboletas é formada por escamas de quitina extremamente finas, o que torna qualquer intervenção delicada e arriscada. Morhaf não tinha formação em biologia, mas agiu com paciência e precisão acima da média.

    Ela voltou a voar

    Depois da intervenção, a borboleta começou a se movimentar melhor. Gradualmente, voltou a usar as asas, e o que parecia impossível se tornou real: ela voou de novo. Morhaf registrou o momento em vídeo, que rapidamente viralizou nas redes sociais e chamou atenção de pessoas ao redor do mundo.

    No entanto, a história levanta uma reflexão além do encantamento: o quanto estamos dispostos a pausar, observar e agir quando um ser vivo ao nosso redor precisa de ajuda? Morhaf não era veterinário, não tinha equipamento especializado e não tinha nenhuma obrigação. Tinha só atenção.

  • Fotógrafo faz registro único de um veado branco raro no Pantanal

    Fotógrafo faz registro único de um veado branco raro no Pantanal

    Uma imagem que está viralizando nas redes mostra algo que muitos pesquisadores nem esperavam: um veado‑campeiro completamente branco passeando pelo Pantanal. O registro, feito pelo fotógrafo e guia de safári Fábio Mitsuka Paschoal, virou “fantasma do Pantanal” nas redes, e expõe um lado pouco falado do albinismo animal: é bonito, raro… e, em muitos casos, muito mais perigoso do que parece.

    O que faz esse veado parecer um “fantasma”

    O animal fotografado é um veado‑campeiro (Ozotoceros bezoarticus), espécie típica de campos abertos e áreas de transição, normalmente reconhecida pela pelagem marrom‑avermelhada que a ajuda a se misturar à vegetação. Já o exemplar flagrado no Pantanal apresenta albinismo, uma mutação genética rara que impede a produção de melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos pelos e aos olhos.

    O veado branco como termômetro do Pantanal
    (Foto: Fábio Paschoal)

    Como resultado, o veado aparece com pelagem totalmente branca, olhos mais claros e contorno muito marcado contra o verde e o dourado do Pantanal, justamente o contrário do que seria ideal para passar despercebido. E o próprio Paschoal comentou que, depois de mais de 15 anos trabalhando como guia na região, foi a primeira vez que viu um animal como esse.

    Albinismo: raro, mas caro para a sobrevivência

    Especialistas explicam que o albinismo é uma condição hereditária, recessiva, que costuma aparecer quando dois pais portadores do gene se reproduzem. Em ambientes naturais, a ausência de pigmento pesa muito: o animal fica mais visível para predadores, além de enfrentar maior sensibilidade à luz solar e risco de doenças de pele e problemas de visão.

    No caso do veado‑campeiro, isso é um problema sério, porque a espécie já vive pressionada pela destruição de campos, caça ilegal e atropelamentos. A combinação de vulnerabilidade ecológica com coloração chamativa aumenta a chance de o animal ser atacado ou ser mais facilmente caçado.

    Quando a genética pesa mais que a camuflagem (Foto: Fábio Paschoal)

    Por que esse registro é um “em 1 milhão”

    Fábio Paschoal comparou o encontro a algo como “um em 1 milhão”. A chance de um animal nascer com albinismo na natureza é muito baixa. Em populações isoladas ou com endogamia, essa chance pode subir um pouco, mas ainda assim o albinismo continua sendo um evento raro.

    O mesmo filhote albino já foi visto várias vezes pelos guias de safári da região. Isso mostra que ele conseguiu, até agora, driblar parte dos riscos que sua genética traz. Pesquisadores veem nisso um sinal de que a área protegida e o cuidado dos safáris atuam como um escudo para esse animal tão singular.

    O veado‑campeiro albino virou um termômetro visual do que resta de naturalidade no Pantanal. Se um animal tão marcante consegue sobreviver em plena natureza, é sinal de que a proteção ambiental ainda funciona em parte.

     

  • A arara que desapareceu do litoral brasileiro por quase 200 anos voltou a nascer na Mata Atlântica

    A arara que desapareceu do litoral brasileiro por quase 200 anos voltou a nascer na Mata Atlântica

    O Ibama registrou, neste mês de abril, o primeiro nascimento de filhotes de arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, quase duzentos anos após a extinção da espécie nesse bioma. O feito aconteceu no sul da Bahia e representa um marco incomum na história da conservação ambiental brasileira: uma ave varrida do litoral pelo desmatamento e pelo tráfico ilegal voltou a se reproduzir livremente na floresta.

    O que levou essa arara ao desaparecimento

    A arara-vermelha-grande possui ampla distribuição histórica, com registros na Mata Atlântica desde o ano de 1500. A Carta de Pero Vaz de Caminha já a descrevia como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”. Ela estava por aqui antes mesmo de o Brasil ter esse nome.

    Apesar dessa presença histórica, o desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção da arara-vermelha-grande em todo o litoral brasileiro. As populações selvagens da espécie estão hoje concentradas no interior do país, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte. O litoral ficou sem elas por gerações.

    Como o Ibama tentou reverter o cenário

    O resultado foi alcançado pelo Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022, por meio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro.

    O processo, no entanto, não é simples. Os indivíduos utilizados no projeto são oriundos de cativeiro, sendo provenientes tanto de doações de particulares quanto de apreensões realizadas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres. Ao chegarem ao Cetas, as aves passam, inicialmente, por identificação com microchips e anilhas metálicas, além de quarentena, avaliação clínica e comportamental e testes sanitários.

    Na sequência, entram em viveiros de voo, onde passam por um período de treinamento antes de, finalmente, encarar a floresta de verdade.

    A área escolhida para a soltura do primeiro grupo de aves foi um fragmento de Mata Atlântica com cerca de 7 mil hectares em estágio avançado de regeneração, que inclui a Estação Veracel, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural da Mata Atlântica no Nordeste, localizada em Porto Seguro.

    Nascimento antes do esperado

    O que surpreendeu os pesquisadores foi a velocidade. O primeiro lote de araras foi solto em 2024. Embora estudos indiquem que o período para reprodução possa chegar a cinco anos, algumas caixas-ninho já estavam ocupadas no primeiro ano após a soltura.

    Em 2026, casais passaram a defender essas estruturas, indicando comportamento reprodutivo. A equipe optou por monitoramento à distância para não interferir. Posteriormente, foi confirmado o nascimento de dois filhotes, que já foram observados voando, sendo alimentados pelos pais e iniciando a exploração de alimentos de forma independente.

    A coordenadora do projeto, Ligia Ilg, analista ambiental do Ibama, também derrubou um preconceito comum sobre aves criadas em cativeiro. Registros anteriores já haviam demonstrado a reprodução de papagaios-do-mangue e periquitos-rei na natureza, mesmo sendo oriundos de cativeiro. O comportamento natural pode ser recuperado por meio de treinamento e convivência com outros indivíduos da mesma espécie.

    Por que isso importa além do simbolismo

    A arara-vermelha-grande não é apenas um animal bonito. Além disso, ela desempenha uma função concreta dentro da floresta. A espécie alimenta-se de frutos e sementes e, consequentemente, contribui para sua dispersão. Devido ao seu porte, também é capaz de transportar sementes por longas distâncias, o que favorece a regeneração florestal e, assim, a caracteriza como uma verdadeira “engenheira de ecossistemas”, influenciando diretamente a biodiversidade e a dinâmica ambiental.

    Em outras palavras, quando essa arara desaparece, parte do mecanismo que mantém a floresta funcionando também se perde.

    Atualmente, o projeto conta com o apoio da Polícia Militar da Bahia, do Laboratório de Etologia Aplicada da Universidade Estadual de Santa Cruz, da organização internacional World Parrot Trust e da RPPN Estação Veracel, entre outros parceiros. Além disso, quem tiver araras-vermelhas-grandes oriundas de cativeiro legal e quiser contribuir com o projeto pode entrar em contato pelo e-mail [email protected].