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  • Tráfico de pepinos-do-mar ameaça biodiversidade da costa paulista

    Tráfico de pepinos-do-mar ameaça biodiversidade da costa paulista

    Malas e caixas cruzam diariamente os terminais dos aeroportos brasileiros com produtos ilegais. Substâncias entorpecentes ocupam boa parte dessas apreensões, mas eletrônicos, medicamentos e até animais silvestres também compõem a bagagem de quem tenta driblar a fiscalização.

    Foto: Fabio Porto-Foresti

    Entre os itens exportados ilegalmente estão os pepinos-do-mar, invertebrados marinhos presentes ao longo de toda a costa brasileira. Pequenos o bastante para caber na palma da mão, esses animais figuram como iguaria tradicional na culinária asiática e na medicina chinesa. Condição que alimenta um mercado clandestino voltado à exportação.

    Um estudo do Laboratório de Genômica e Conservação de Peixes (Lagenpe), da Unesp de Bauru, publicado na revista Scientific Reports, comprovou a origem brasileira de espécimes apreendidos no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), o maior da América Latina. A equipe usou marcadores genéticos para identificar as espécies Holothuria grisea e Isostichopus badionotus e rastrear sua procedência até o litoral sudeste do país. Um achado que configura crime ambiental e acende alerta sobre a biodiversidade costeira.

    Comércio ilegal pode reduzir populações da espécie

    O planeta abriga cerca de 1.250 espécies de pepino-do-mar, das quais 40 ocorrem em território brasileiro. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica as duas espécies do estudo como de “Menor Preocupação”, classificação que, segundo os pesquisadores, não elimina o risco da exploração comercial.

    Fabio Porto-Foresti, professor da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp e coordenador do Lagenpe, teme que o Brasil repita o cenário já registrado na China, onde a exploração intensa reduziu populações inteiras de pepino-do-mar. “O comércio ilegal de qualquer espécie é extremamente danoso, porque é uma ameaça invisível. O pepino seco, forma que é transportado, permite que se leve uma grande quantidade nas bagagens”, afirma o pesquisador. “Se muitos indivíduos forem retirados na mesma região, isso pode reduzir a população, acabando com o potencial evolutivo da espécie.”

    Pepinos-do-mar sendo vendidos em uma feira popular na cidade de Chongqing, no sudoeste da China
    Pepinos-do-mar sendo vendidos em uma feira popular na cidade de Chongqing, no sudoeste da China. Foto: Ricardo Utsunomia

    Ricardo Utsunomia, codocordenador do Lagenpe, chama atenção para a função ecológica desses animais. “O pepino-do-mar fica no fundo do oceano extraindo e ingerindo matéria orgânica. A retirada deles de forma intensiva e em tão pouco tempo causa um desequilíbrio ecológico muito grande”, explica.

    O padrão de exploração lembra o comércio de barbatanas de tubarão: produtos não perecíveis, fáceis de armazenar e transportar, e por isso difíceis de fiscalizar. Sem controle adequado, os pesquisadores projetam que a demanda por pepinos-do-mar pode levar a quedas populacionais semelhantes às que atingiram várias espécies de tubarão.

    “Código de barras” genético identifica espécies descaracterizadas

    A pesquisa nasceu de uma parceria de longa data entre o Lagenpe e o Ibama, iniciada em 2015 com um projeto sobre o tráfico de peixes-de-bico no mesmo aeroporto. Desde então, o laboratório ampliou as análises para nadadeiras de tubarão, bexigas natatórias e, mais recentemente, pepinos-do-mar.

    O estudo atual, financiado pela Fapesp, partiu de espécimes secos apreendidos em 2023, distribuídos em caixas e malas com cerca de 500 indivíduos cada. Os pesquisadores selecionaram 40 amostras para análise molecular: 18 pertenciam à Holothuria grisea e 22 à Isostichopus badionotus.

    Como os animais chegam cortados, secos e sem características morfológicas reconhecíveis, a identificação depende de análise laboratorial. A equipe extrai o DNA das amostras, realiza amplificação por PCR e compara o resultado com o Barcode of Life Data System (BOLDSystems), banco de dados genético usado mundialmente para identificação de espécies. “A gente busca um marcador, que nada mais é do que um ‘código de barras’ do DNA. Então, comparamos o sequenciamento com um banco de dados disponível”, descreve Porto-Foresti.

    Obstáculo

    A equipe enfrentou um obstáculo: o banco de dados não continha o sequenciamento da H. grisea. Para preencher essa lacuna, os pesquisadores recorreram a Rogério Caetano da Costa, professor de zoologia de invertebrados da FC-Bauru e coautor do artigo, que estuda a fauna de Ubatuba há décadas. Com sua ajuda, a equipe coletou exemplares vivos na praia e comparou o material genético com o dos animais apreendidos.

    “Percebemos que eles eram iguais. Esse trabalho comprova que aqui não é uma zona intermediária de tráfico, realmente os animais estão sendo coletados na costa”, relata Utsunomia. O achado reforça a importância de ampliar os bancos de dados genéticos públicos, sem os quais estudos de identificação molecular perdem viabilidade.

    Caetano da Costa relatou ainda uma percepção, ainda não comprovada cientificamente, de queda na população de pepinos-do-mar no costão rochoso de Ubatuba, possivelmente ligada ao avanço da pesca ilegal. No Ceará, esse declínio já tem respaldo científico: um estudo publicado em 2019 na revista Ocean and Coastal Management estimou a captura de quase 400 mil espécimes de H. grisea por ano nos municípios de Camocim e Xavier.

    Mercado ilegal movimenta valores altos e escapa da fiscalização

    A dificuldade de rastrear o volume real do tráfico decorre também da forma como os traficantes transportam os animais: junto a celulares, componentes eletrônicos e outros produtos de informática. Frescos, os pepinos-do-mar pesam cerca de 500 gramas, mas perdem até 90% do peso no processo de secagem. O que facilita o transporte de grandes quantidades em uma única mala.

    pepino-do-mar numa mão
    Foto: Ricardo Utsunomia

    O valor comercial explica o apelo do contrabando: o mercado internacional paga até 400 euros por quilo do produto seco, com espécies raras chegando a cinco mil dólares.

    No Brasil, a Portaria Ibama nº 93/1998 regulamenta a pesca e a comercialização de pepinos-do-mar, exigindo comprovação de origem ambiental e documentação legal. A parceria entre Lagenpe e Ibama busca expor essa lacuna de fiscalização, que não se limita à espécie estudada.

    “De repente, poderia ser um ouriço-do-mar, uma estrela-do-mar ou uma bexiga natatória. O objetivo maior desse projeto é pensar nesse comércio que vem acontecendo e que não conseguimos identificar a espécie do ponto de vista morfológico”, afirma Porto-Foresti. “Com o marcador genético, vai ser possível ver exatamente qual espécie está sendo comercializada, seja para pepino-do-mar, peixe, camarão ou outros grupos. Essa é a grande questão.”

    Fonte: Jornal da Unesp/

  • Não é IA: conheça as aves que encantaram o Brasil

    Não é IA: conheça as aves que encantaram o Brasil

    “Isso não é IA. São as aves do Brasil através das minhas lentes.” Com essa frase direta, o fotógrafo Vinicius Kohn (@viniciuskohnpassaros) resumiu o que milhares de pessoas estavam se perguntando ao ver suas imagens circulando pelas redes. As fotos viralizaram, e não é difícil entender por quê: cada registro parece produzido digitalmente, mas traz a autenticidade insubstituível do mundo real.

    O conjunto reúne 18 espécies capturadas em diferentes regiões do Brasil. Muitas delas vivem em biomas pouco explorados pelo olhar humano comum e passam a vida inteira longe das cidades. Abaixo, cada uma delas com um pouco da sua história.

    As aves dos beija-flores e afins

    O bico-reto-de-banda-branca abre a série com destaque. Trata-se de um beija-flor endêmico do Brasil, encontrado nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste e no norte do Paraná. Alimenta-se principalmente do néctar das flores e frequenta bebedouros açucarados. O nome descreve uma das marcas do macho: uma faixa branca que cruza as costas como uma divisa.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    Já o beija-flor-de-bochecha-azul carrega um dos visuais mais marcantes entre os colibris brasileiros. A espécie apresenta plumagem azul-violeta na garganta, no peito e na região lateral do pescoço, além de barriga verde-azulada. Ocorre do Amazonas à Bahia e a Minas Gerais, habitando matas, capoeiras, regiões montanhosas e até áreas urbanas.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O rabo-branco-acanelado pertence ao grupo dos beija-flores de bico mais longo. São aves de interior de mata, discretas e difíceis de registrar com clareza, o que torna o flagrante do fotógrafo ainda mais valioso.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    As aves do cerrado e do campo aberto

    A seriema é uma das figuras mais icônicas do cerrado brasileiro. Ave de grande porte, ela prefere caminhar a voar e tem o hábito de emitir chamados sonoros ao amanhecer, que ecoam pelos campos abertos. Também aparece em áreas de vegetação mais seca do Nordeste e do Centro-Oeste.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A coruja-buraqueira desafia o estereótipo das corujas como aves exclusivamente noturnas e florestais. Ela possui cabeça redonda sem penachos, olhos amarelos e coloração terrosa e mimética. Ao contrário da maioria das corujas, o macho é ligeiramente maior que a fêmea. O nome vem do hábito de nidificar em buracos no chão, muitas vezes em cupinzeiros abandonados. É uma das aves mais adaptadas a ambientes abertos, incluindo áreas urbanas próximas a campos.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A meia-lua-do-cerrado é uma das espécies menos conhecidas do grupo, associada especificamente ao bioma cerrado, e raramente registrada em boas condições de luz por fotógrafos.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    As aves da Mata Atlântica

    O surucuá-variado é uma das joias da Mata Atlântica. Mede entre 26 e 28 centímetros e apresenta cabeça, pescoço e peito em azul-escuro metálico, com bochechas e garganta pretas e um anel periocular em laranja intenso. É um pássaro quieto que passa longos períodos descansando em um poleiro, e seu canto pode ser ouvido durante todo o dia.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O tangarazinho é pequeno, mas chama atenção. Os machos têm coroa e costas pretas, testa e uropígio vermelhos, asas verdes, colar e barriga brancos. As fêmeas são verdes na parte superior e cinzas na garganta. A espécie ocorre na Mata Atlântica desde o sul da Bahia até o sul de Santa Catarina, com uma população isolada na região central de Goiás, e se alimenta de frutinhas e pequenos insetos.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A saíra-ferrugem completa o grupo das Mata Atlântica. Ocorre do sul da Bahia e Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, alimentando-se de frutos e insetos, principalmente larvas que vivem nos troncos das árvores.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    As aves multicoloridas das florestas

    A saíra-lagarta é um dos pássaros mais fotografados por entusiastas da observação de aves. Sua plumagem é predominantemente amarelo-esverdeada, com destaque para a testa e o anel azul ao redor dos olhos. O bico e sua base são pretos, assim como uma mancha no pescoço, e o peito é alaranjado com listras pretas nas costas.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A saíra-de-chapéu-preto leva o nome do marcante capacete escuro que contrasta com o corpo colorido. Assim como outras saíras, costuma aparecer em bandos mistos de aves no interior e nas bordas das florestas.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O bentevizinho-de-penacho-vermelho é primo menor do bem-te-vi, mas tem seu diferencial. Apresenta um píleo vermelho, visível principalmente quando o animal está excitado, faixa branca acima dos olhos, garganta branca e região inferior amarela. Alimenta-se de insetos e frutos, constrói ninhos com capim em galhos de arbustos e vive em matas conservadas ou áreas abertas com boa cobertura vegetal.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    A ariramba-de-cauda-ruiva pertence a um grupo de aves conhecidas pela postura ereta e pelos mergulhos rápidos em direção a insetos. O tom enferrujado da cauda, que dá nome à espécie, aparece com clareza em voo.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O periquito-rei se destaca pelo porte e pela plumagem verde vibrante com detalhes vermelhos nas asas. Costuma voar em bandos barulhentos e aparece em várias regiões do Brasil, da Amazônia ao Cerrado.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O tucanuçu é o maior representante do gênero Ramphastos e carrega o bico enorme como principal marca registrada. Vive em pares ou pequenos grupos e percorre o dossel das florestas em busca de frutos.

    Foto: @viniciuskohnpassaros

    Por fim, a rendeira e o joão-botina-do-brejo completam o conjunto com espécies menos conhecidas do grande público. A rendeira recebe o nome pelo padrão delicado de sua plumagem, que lembra um tecido rendado. O joão-botina-do-brejo, por sua vez, habita áreas úmidas e é raramente avistado fora de seu ambiente específico.

    Foto: @viniciuskohnpassaros
    Foto: @viniciuskohnpassaros

    O Brasil abriga mais de 1.900 espécies de aves, o que o coloca entre os países com maior diversidade ornitológica do planeta. Ainda assim, boa parte dessas espécies permanece desconhecida para a maioria dos brasileiros. O trabalho de fotógrafos como Vinicius Kohn cumpre um papel que vai além do estético: aproxima o público de uma biodiversidade que existe, resiste e merece atenção e proteção.

  • Gavião-carijó com “corações” nas penas encanta seguidores

    Gavião-carijó com “corações” nas penas encanta seguidores

    Um registro raro feito no Brasil chamou atenção nas redes sociais ao mostrar um gavião-carijó com um padrão incomum nas penas, lembrando pequenos corações.

    A imagem foi capturada pelo fotógrafo de natureza Vinícius Köhn, conhecido por registrar aves livres em seu habitat natural.

    Vinícius atua na observação profunda da fauna brasileira — Foto: Vinícius Köhn

    Gavião apaixonado

    A protagonista da imagem é o gavião-carijó, uma das aves de rapina mais conhecidas do Brasil.

    O que chamou atenção no registro foi o padrão de luz e penas, que formava um desenho natural semelhante a corações, um efeito raro e totalmente espontâneo.

    Penugem rara parece obra da natureza — Foto: Vinícius Köhn

    O gavião-carijó no Brasil

    O gavião-carijó é conhecido por sua adaptação a diferentes ambientes, incluindo áreas urbanas.

    Ele pode ser visto em postes, árvores e estruturas altas, sempre atento ao movimento ao redor.

    Seu padrão de penas rajadas e seu olhar intenso fazem dele uma das aves de rapina mais facilmente reconhecíveis do país.

  • Naiara Azevedo fisga peixe gigante no Rio Araguaia

    Naiara Azevedo fisga peixe gigante no Rio Araguaia

    Além da carreira de sucesso na música sertaneja, Naiara Azevedo cultiva outra paixão: a pesca esportiva. Durante uma temporada em Aruanã (GO), às margens do Rio Araguaia, a cantora viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória como pescadora ao capturar uma piraíba com mais de dois metros de comprimento.

    Após registrar o feito, Naiara devolveu o peixe ao rio, seguindo a prática do pesque e solte.

    Cantora relata emoção ao fisgar piraíba gigante

    Segundo Naiara, a pesca representa muito mais do que um hobby.

    “Foi uma emoção que eu nunca vou esquecer. A pesca sempre foi um refúgio para mim, um momento de conexão com a natureza e de paz. Quando vimos o tamanho daquele peixe, meu coração disparou.”

    A piraíba é considerada uma das maiores espécies de peixes de água doce da América do Sul

    Além disso, ela também descreveu a sensação de enfrentar um dos maiores peixes de água doce do Brasil.

    “É uma sensação difícil de explicar, de respeito pela força dele e de gratidão por viver um momento tão especial. Sem dúvida, foi a maior emoção que já vivi na pesca esportiva.”

    Em destinos tradicionais de pesca, como Aruanã, a captura seguida da soltura é uma prática incentivada para ajudar na conservação das populações da espécie e promover o turismo sustentável.

  • Cocaína é encontrada em tubarões na costa do Rio de Janeiro

    Cocaína é encontrada em tubarões na costa do Rio de Janeiro

    Pesquisadores identificaram resíduos de cocaína em tubarões e raias capturados na costa da zona Oeste do Rio de Janeiro. Além da droga, eles também encontraram antibióticos, anti-inflamatórios, pesticidas e outros contaminantes capazes de afetar os ecossistemas marinhos.

    A descoberta foi publicada na revista científica ScienceDirect por pesquisadores do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental da Fiocruz. Segundo o estudo, essas substâncias fazem parte do grupo conhecido como Contaminantes de Preocupação Emergente (CEC), compostos que ainda não são monitorados regularmente, embora possam representar riscos para a vida marinha e, indiretamente, para a saúde humana.

    O que o estudo encontrou

    Os cientistas analisaram amostras de fígado, cérebro e músculos de tubarões e raias coletados no mar do Recreio dos Bandeirantes. Ao todo, identificaram contaminantes em sete animais.

    Entre as espécies avaliadas estavam a raia-borboleta (Gymnura altavela) e os tubarões-martelo (Sphyrna lewini e Sphyrna zygaena) — Foto: Portal dos Animais

    Uma das raias apresentou a maior diversidade de substâncias, incluindo cocaína, benzoilecgonina (principal metabólito da droga), além dos medicamentos diclofenaco, sulfametoxazol e piroxicam, e do pesticida fipronil.

    Contaminação pode estar ligada ao esgoto

    Além disso, a presença simultânea de cocaína e benzoilecgonina indica uma exposição recente aos contaminantes. Em duas raias, os níveis de cocaína foram superiores aos do metabólito, o que sugere contato contínuo com a substância.

    Segundo os autores, esse cenário pode estar relacionado ao despejo de esgoto na Barra da Tijuca e ao avanço da urbanização no Recreio dos Bandeirantes, fatores que aumentam a pressão sobre os ecossistemas costeiros.

    Descoberta acende alerta para a conservação

    Embora as concentrações encontradas tenham sido baixas, os pesquisadores ressaltam que essas substâncias são de origem humana e não deveriam estar presentes nesses animais.

    Por isso, a descoberta amplia as preocupações com espécies que já enfrentam ameaças como a degradação do habitat, o desenvolvimento costeiro e a captura acidental na pesca.

    Todos os exemplares foram doados por pescadores artesanais entre 2021 e 2023 e pertencem a espécies classificadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como vulneráveis, em perigo ou criticamente ameaçadas.

  • Invasora e perigosa: Rã que “muge” é monitorada em Florianópolis

    Invasora e perigosa: Rã que “muge” é monitorada em Florianópolis

    A presença da rã-touro (Aquarana catesbeiana) passou a ser monitorada em Florianópolis após registros confirmados no bairro Ratones.

    A espécie é considerada exótica invasora e preocupa autoridades ambientais devido ao seu potencial de impacto sobre ecossistemas locais.

    Espécie invasora e de alto impacto ecológico

    Originária da América do Norte, a rã-touro foi introduzida no Brasil em 1935 para criação comercial.

    Hoje, é classificada como uma das espécies de maior risco ambiental por sua alta capacidade de adaptação e reprodução.

    Predação e risco para fauna nativa

    Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a rã-touro é uma predadora generalista.

    Sua dieta inclui peixes, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos, o que amplia seu impacto ambiental.

    Além disso, seu porte avantajado facilita a ocupação de nichos ecológicos antes ocupados por espécies nativas.

    Monitoramento e ações em campo

    A primeira confirmação oficial ocorreu em outubro de 2025, com ações coordenadas pela FLORAM em parceria com a Prefeitura de Florianópolis.

    Desde então, foram realizadas operações de campo que resultaram na captura de exemplares juvenis e adultos.

    Os animais coletados foram encaminhados para análises laboratoriais, incluindo testes para doenças como ranavírus e quitridiomicose.

    Risco de disseminação e alerta ambiental

    A presença da espécie em múltiplas propriedades indica possível expansão silenciosa da população.

    Autoridades reforçam a importância do monitoramento contínuo e da detecção precoce para evitar impactos maiores sobre a fauna local.

  • Cobra azul rara do Butantan recebeu homenagem a Rita Lee

    Cobra azul rara do Butantan recebeu homenagem a Rita Lee

    Uma rara cobra azul mantida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, ganhou uma homenagem especial à cantora Rita Lee. O exemplar da espécie Trimeresurus insularis, resgatado do tráfico de animais silvestres na Bahia, foi apelidado de “Menino Bonito”, nome inspirado em uma das músicas da artista, conhecida tanto por sua trajetória na música brasileira quanto pela paixão pelos animais.

    Além da homenagem, a serpente chama atenção por sua coloração incomum, considerada rara até mesmo em seu habitat natural, na Indonésia.

    Homenagem à rainha do rock brasileiro

    Quando o Instituto Butantan recebeu um casal da espécie após uma apreensão realizada na Bahia, os pesquisadores decidiram dar um nome ao macho sobrevivente.

    A escolha foi “Menino Bonito”, referência à canção de Rita Lee.

    Segundo o Butantan, a homenagem reconhece a importância da cantora para a cultura brasileira e sua conhecida defesa da causa animal. Rita Lee demonstrava interesse por serpentes e chegou a resgatar alguns exemplares ao longo da vida.

    De acordo com Erika Hingst-Zaher, diretora do Museu Biológico do Instituto Butantan, a iniciativa também busca despertar o interesse de meninas e mulheres pela ciência.

    Uma cobra azul extremamente rara

    Além da homenagem, o animal impressiona pela aparência.

    A Trimeresurus insularis é uma víbora encontrada naturalmente em algumas ilhas da Indonésia. Embora a maioria dos indivíduos apresente coloração verde, alguns exemplares desenvolvem um intenso tom azul, considerado um polimorfismo natural da espécie.

    As Trimeresurus insularis são carnívoras e geralmente se alimentam de pequenos mamíferos, anfíbios e lagartos — Foto: Instituto Butantan

    Essa característica é rara e faz com que o exemplar mantido pelo Butantan seja ainda mais especial.

    Segundo o herpetólogo Francisco Luís Franco, a coloração ajuda na camuflagem entre a vegetação, facilitando tanto a fuga de predadores quanto a captura de presas.

    Apesar de pequena, a espécie é bastante venenosa

    A cobra mede cerca de 65 centímetros e pesa aproximadamente 60 gramas, mas seu tamanho não reduz o perigo.

    Como integrante da família Viperidae, possui um veneno de ação hemolítica e proteolítica.

    Segundo o pesquisador Carlos Jared, do Instituto Butantan, a substância pode destruir células do sangue e provocar necrose nos tecidos atingidos pela picada.

    Embora tenha ação semelhante à das jararacas, o veneno não possui efeito neurotóxico, diferentemente do encontrado nas cascavéis.

    Outro fator de preocupação é que não existe soro específico disponível no Brasil para acidentes envolvendo essa espécie exótica.

    O resgate impediu o tráfico da espécie

    O exemplar chegou ao Instituto Butantan depois de ser apreendido com um traficante de animais na Bahia, em 2023.

    Desde então, a cobra passou a integrar o trabalho científico e educativo da instituição, ajudando pesquisadores a ampliar o conhecimento sobre uma espécie extremamente rara fora da Ásia.

  • Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    Fórum internacional debate agro regenerativo em Piracicaba

    A cidade de Piracicaba (SP) recebeu na última terça-feira (23) o Fórum de Agricultura Regenerativa 2026, que colocou em debate a relação entre produção agrícola, preservação ambiental e financiamento de práticas sustentáveis. O encontro, realizado pela primeira vez no Brasil, reuniu 350 participantes presenciais e mais de 3 mil conectados online, com representantes de mais de 20 países entre produtores rurais, cientistas, investidores e formuladores de políticas públicas.

    O evento discutiu caminhos para ampliar a adoção de modelos produtivos baseados na regeneração do solo, conservação da biodiversidade e fortalecimento da segurança alimentar. O tom das falas foi de alerta sobre a necessidade de acelerar a transição no campo, diante de desafios climáticos, econômicos e regulatórios.

    Ensino, políticas públicas e lacunas estruturais

    Um dos pontos centrais do debate foi a crítica à formação acadêmica e à ausência de políticas públicas mais robustas para incentivar a agricultura regenerativa.

    A diretora estratégica para a América Latina na Naia Trust, Analí Bustos, afirmou que há um descompasso entre ensino e prática no setor. “Quando descobri que no meu país e na maior parte do mundo os estudantes de agronomia ou agricultura não estudam ecologia, fiquei espantada. Para mim, não existe agro sem ecologia e não pode existir ensino de agronomia sem ecologia”, disse.

    A especialista também defendeu maior participação do poder público na transição. “Faltam políticas públicas e incentivos para uma maior adoção da agricultura regenerativa. É essencial que seja promovido um cenário mais favorável, com benefícios e crédito, para que haja interesse por parte dos produtores”, completou.

    Brasil no centro do debate global sobre alimentos

    Outro ponto de destaque foi o papel estratégico do Brasil no cenário agrícola internacional. O cientista e ex-CEO do Crop Trust, Geoffrey Hawtin, afirmou que o país tende a ganhar ainda mais relevância na produção de alimentos.

    “O Brasil é um dos países agrícolas mais importantes do mundo, e provavelmente se tornará ainda mais importante”, declarou. Segundo ele, mudanças climáticas podem alterar a dinâmica global de produção e consumo. “Podemos ver ao longo do tempo uma necessidade de transformação em parte dos mercados de exportação, destinando menos à pecuária intensiva e mais à alimentação humana direta”, afirmou.

    O especialista também reforçou a necessidade de cooperação em diferentes níveis para avançar na agenda sustentável.

    Aumento de insumos e desafio da transição

    Dados apresentados durante o fórum indicaram preocupações com o uso crescente de defensivos agrícolas no mundo. O cientista-chefe da CABI, Ulrich Kuhlmann, citou aumento de 70% no uso de agrotóxicos entre 2000 e 2023, segundo dados da FAO.

    “O aumento do uso de agrotóxicos no mundo de 2000 a 2023 foi de 70%, segundo dados da FAO, e isto é muito preocupante”, afirmou. Para ele, a agricultura regenerativa pode ser uma alternativa viável, mas ainda enfrenta barreiras econômicas e estruturais.

    Kuhlmann destacou a falta de retorno financeiro claro ao produtor como um dos entraves à adoção de novas práticas. Ele também citou limitações da extensão rural e sugeriu o uso de ferramentas digitais de assistência técnica como alternativa para ampliar o acesso ao conhecimento.

    Mudança de paradigma no campo

    A diretora de Sustentabilidade da Daterra, Isabela Pascoal Becker, defendeu uma revisão na forma como a sociedade enxerga o setor agrícola.

    “É essencial que enxerguemos a agricultura como parte da natureza, não como um vilão ou algo separado”, afirmou. Para ela, a mudança precisa ser estrutural e envolver toda a cadeia produtiva.

    O fórum foi promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal. O encontro teve transmissão em quatro idiomas e contou com apoio institucional e do setor privado.

  • Bêbado? Papagaio viraliza ao ficar ‘tonto’ após comer cacau fermentado

    Bêbado? Papagaio viraliza ao ficar ‘tonto’ após comer cacau fermentado

    Um episódio inusitado registrado em uma lavoura de cacau em Ji-Paraná (RO) viralizou nas redes sociais. Um papagaio foi filmado apresentando dificuldades para se equilibrar e voar após, supostamente, consumir cacau fermentado. O vídeo, gravado pelo agricultor Oseias Duarte, já ultrapassou a marca de 2 milhões de visualizações.

    Segundo o produtor rural, a situação ocorreu dentro da propriedade onde cultiva cacau. Ao caminhar pela plantação, ele encontrou a ave caída no solo e decidiu ajudá-la.

    “Coloquei o papagaio em um galho, mas quando passei de novo, ele tentou voar e caiu. Foi aí que resolvi gravar o vídeo”, relatou.

    Nas imagens, o animal demonstra sinais de desorientação. De acordo com Oseias, o cacau pode passar rapidamente pelo processo de fermentação quando permanece fora de refrigeração, desenvolvendo aroma e sabor mais intensos. Por isso, o fruto pode ter atraído o papagaio.

    Especialistas explicam que frutas fermentadas podem produzir pequenas quantidades de álcool durante o processo natural de decomposição. Dessa forma, alguns animais podem apresentar comportamentos semelhantes aos observados em casos de embriaguez.

    Veja o vídeo:

    https://www.instagram.com/reel/DZ485BTybEO/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==

    Frutas fermentadas deixam os animais bêbados?

    Biólogos destacam que situações desse tipo já foram registradas com maior frequência entre macacos, especialmente em regiões da África onde há abundância de frutos da marula. Embora normalmente não represente uma intoxicação grave, o estado de desorientação pode deixar os animais mais vulneráveis à ação de predadores.

    O biólogo e professor Marco Aurélio Pizo reforça que a ingestão de frutas fermentadas realmente pode provocar alterações comportamentais em diversas espécies. No entanto, ele pondera que outros fatores também podem explicar a condição observada.

    Papagaio se “embriagou” de cacau fermentado — Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Como o papagaio não passou por avaliação veterinária ou análise técnica, não foi possível determinar a causa exata do ocorrido. Além disso, Oseias informou que não encontrou mais a ave no dia seguinte ao registro.

    O agricultor destaca ainda que sua propriedade recebe frequentemente a visita de diversos animais silvestres, entre eles papagaios e macacos, atraídos pela disponibilidade de alimento e pelas condições naturais do ambiente.

  • Pesquisadores descobrem duas novas espécies de escorpiões na Amazônia

    Pesquisadores descobrem duas novas espécies de escorpiões na Amazônia

    Uma expedição científica perto da Cachoeira do Evandro, em Mucajaí (RR), revelou duas espécies de escorpião que a ciência ainda não conhecia. Pesquisadores brasileiros batizaram os animais de Brotheas cernii e Cayooca puchus após coletá-los em uma área de floresta a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista, point turístico frequentado por banhistas que nunca haviam reparado nos pequenos moradores das rochas ao redor.

    comparativo entre as novas especies de escorpião
    Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    A professora Manuela Berto Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp, em Araraquara, liderou o grupo que fez a descoberta. Durante as coletas, a equipe notou exemplares com características fora do padrão: coloração diferente, variações no tamanho do corpo e granulação distinta nas pinças. Essas pistas levantaram a suspeita de que os pesquisadores tinham encontrado espécies ainda não descritas. E as suspeitas viraram trabalho científico publicado na revista Diversity.

    A descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e também abre uma porta concreta: o veneno desses escorpiões pode conter moléculas com potencial para a indústria farmacêutica. “Os achados demonstram o quanto a floresta Amazônica, especialmente em estados como Roraima, ainda é pouco explorada cientificamente. Se encontramos duas espécies inéditas em uma única região que investigamos, quantas outras ainda existem na região e não conhecemos?”, questiona Pucca.

    O trabalho marca a estreia do projeto AT-Biota — Desvendando a Riqueza Oculta de Aracnídeos e Triatomíneos em Regiões Inexploradas dos Biomas Brasileiros, coordenado pela própria pesquisadora e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

    Uma região pouco explorada e de grande potencial

    As duas espécies vivem em inselbergs, formações rochosas isoladas que se erguem em meio à floresta e funcionam como verdadeiras ilhas ecológicas. O isolamento prolongado dessas áreas, que se mantém por milhares de anos, favorece o surgimento de espécies exclusivas, adaptadas a condições ambientais bem específicas. O que explica por que ninguém havia encontrado esses escorpiões antes.

    A descoberta de Cayooca puchus chama ainda mais atenção porque o gênero Cayooca reúne pouquíssimos representantes conhecidos pela ciência, o que torna o achado raro mesmo para os padrões da taxonomia.

    escorpião em foto com efeito
    A equipe utilizou lanternas ultravioleta (UV) durante as expedições noturnas, facilitando a localização das novas espécies. Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    As novas espécies também impõem desafios para quem quer estudá-las de perto. Segundo Pucca, os animais são extremamente sensíveis a mudanças ambientais. Mesmo quando os pesquisadores tentam recriar em laboratório a temperatura e a umidade da floresta, alguns exemplares não resistem por muito tempo em cativeiro. “São animais altamente especializados e adaptados a um ambiente muito específico. Mesmo quando tentamos reproduzir essas condições em laboratório, nem sempre conseguimos garantir sua sobrevivência”, explica a docente.

    Anos de expedições até a confirmação

    Confirmar que os exemplares pertenciam a espécies novas exigiu um trabalho de quase uma década. As primeiras expedições à região aconteceram em 2016, quando Pucca ainda integrava o quadro da Universidade Federal de Roraima (UFRR). De lá para cá, as equipes retornaram ao local diversas vezes, em diferentes épocas do ano, para coletar machos, fêmeas, jovens e adultos. Um esforço necessário para reunir evidências suficientes e comparar os animais com todas as espécies já catalogadas.

    Detalhes da estrutura final da cauda, onde fica o ferrão do escorpião Brotheas cernii. Foto: Equipe do Projeto AT-Biota-FAPESP

    O professor André Lira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), conduziu as análises detalhadas que sustentaram a descrição das novas espécies. Outros dois especialistas, Antônio D. Brescovit, do Instituto Butantan, e Edmundo González-Santillán, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), validaram os resultados antes da publicação. “A descrição de novos exemplares exige um conjunto robusto de evidências e a validação por diferentes pesquisadores. É um trabalho minucioso que envolve análises morfológicas detalhadas”, afirma Pucca.

    Os nomes contam histórias pessoais

    A escolha dos nomes científicos guarda também um lado afetivo. Pucca escolheu batizar Brotheas cernii em homenagem ao marido, Felipe Augusto Cerni, pesquisador e professor da UFRR, e à filha do casal, que carrega o mesmo sobrenome. Cerni participou diretamente das expedições e colaborou com a pesquisa.

    nova especie de escorpião no mato
    Além da classificação biológica, a equipe está investigando as moléculas dos venenos dos escorpiões para potencial desenvolvimento de novos medicamentos. Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    Já o nome Cayooca puchus remete à expressão espanhola “pucheros”, usada para descrever uma expressão facial de espanto ou surpresa. A referência brinca com a reação do pesquisador André Lira, primeiro autor do artigo, ao perceber que tinha em mãos uma espécie nunca antes descrita.

    Da descoberta à busca por novos medicamentos

    A descrição taxonômica é só o primeiro capítulo de uma pesquisa mais ampla. Especialista em bioprospecção de moléculas presentes em venenos, Pucca já comanda um novo estudo voltado a investigar os compostos produzidos pelas duas espécies recém-descobertas. “Já estamos analisando os venenos desses escorpiões. Nossa expectativa é que, em breve, possamos publicar novos trabalhos a respeito”, adianta.

    Vista anatômica da estrutura articulada da região bucal do escorpião Cayooca puchus
    Vista anatômica da estrutura articulada da região bucal do escorpião Cayooca puchus, uma das novas espécies descritas. Crédito: Equipe do Projeto AT-Biota-FAPESP

    O interesse científico tem explicação biológica: como predadores de insetos, os escorpiões desenvolveram ao longo da evolução venenos com moléculas altamente especializadas. Esse arsenal químico desperta o interesse de pesquisadores que enxergam ali potencial para a criação de inseticidas biológicos e novos fármacos. “Esses animais vivem em ambientes extremamente desafiadores e desenvolveram, ao longo da evolução, moléculas ativas muito eficientes. Elas podem inspirar desde novos medicamentos até inseticidas biológicos mais seguros”, destaca a pesquisadora.

    Estudo regional

    Os exemplares vivos coletados nas expedições seguiram para a UFRR, em Boa Vista, onde Pucca já lecionou e mantém parcerias acadêmicas, e não para o laboratório da Unesp, em Araraquara. “Não podemos simplesmente trazer esses escorpiões vivos para o laboratório da Unesp. Além das exigências legais e ambientais, são espécies muito adaptadas às condições da floresta amazônica e bastante sensíveis às mudanças de habitat. Por isso, parte dos estudos precisa ser realizada na própria região onde eles ocorrem”, diz a pesquisadora.

    A equipe já planeja novas expedições a Roraima para ampliar o levantamento da fauna local. Além dos escorpiões, os pesquisadores pretendem investigar aranhas e barbeiros,  grupos de grande relevância ecológica e biomédica. “As maiores descobertas científicas muitas vezes surgem quando estamos explorando o desconhecido. Por isso, conhecer e preservar nossa biodiversidade é fundamental não apenas para a ciência, mas também para o desenvolvimento de soluções que podem beneficiar toda a sociedade”, conclui Pucca.

    Matéria de

    Jornal da Unesp