A JBS, por meio da Seara, celebrou a excelência na produção de aves e suínos com a entrega do Prêmio SuperAgro 2025, reconhecendo mais de 30 produtores integrados no estado de São Paulo, incluindo dois da região de Amparo (SP). A iniciativa, que já está na sua oitava edição, premiou 315 parceiros em todo o Brasil e no Distrito Federal, reforçando o compromisso da empresa com a qualidade e a sustentabilidade na cadeia produtiva.
Neste ano, mais de 10 mil granjas participaram da premiação, que avaliou 18 categorias, como Frango Pesado Macho e Fêmea, Frango Orgânico, Suíno Terminador e Peru Iniciador. O júri técnico, composto por especialistas da JBS, considerou indicadores de desempenho, bem-estar animal e qualidade.
Um dos premiados foi o veterinário e produtor rural Edison Baba, que conquistou o 1º e 3º lugares na categoria Frango Pesado Macho. Com uma história familiar na avicultura desde as décadas de 1960 e 1970, Baba hoje administra uma estrutura com capacidade para 600 mil aves por ciclo – um crescimento de 160% desde 2022.
“A parceria desde o início do projeto nos ajudou a alcançar resultados técnicos cada vez mais consistentes, e o envolvimento da família em todas as áreas da granja faz toda a diferença”, afirma Edison, que divide a gestão com os filhos e nora.
Integração
Ele ainda destaca os impactos positivos da integração com a Seara: “Ser um produtor integrado impactou diretamente nos resultados de conversão alimentar e condenação. Em 2023, fomos reconhecidos e, agora em 2025, recebemos o prêmio pela segunda vez. O maior benefício está nos resultados técnicos consistentes que alcançamos.”
Foto: Divulgação/JBS
Outro exemplo de sucesso é João Paulo Demori, que venceu na categoria Frango de Corte Pesado Verde Macho. Com uma trajetória de mais de 40 anos no município de Amparo (SP), Demori iniciou na atividade inspirado pelo avô e hoje mantém uma granja com 18 mil frangos por ciclo, operada com ajuda da família. “Estamos todos os dias acompanhando de perto as aves, cuidando da ambiência, alimentação e manutenção. É um trabalho feito com amor e atenção aos detalhes”, relata.
Demori, que é parceiro da JBS desde 2008, já soma cinco prêmios e destaca o apoio da empresa. “Antes era tudo muito rústico, sem retorno financeiro. A JBS nos ajudou com insumos, assistência técnica e suporte contínuo. O técnico Fabiano Flausino tem sido essencial para esse prêmio, que nos enche de orgulho.”
José Ribas Junior, Diretor Executivo de Agropecuária da Seara, reforçou a importância da premiação. “O SuperAgro valoriza o trabalho dos nossos produtores integrados, que são fundamentais para o sucesso desse modelo. É uma relação em que todos ganham: a Seara, os produtores e, principalmente, o consumidor, que recebe um alimento seguro e de qualidade.”
Um passo firme no campo, outro na gestão moderna e um olhar atento ao futuro: assim caminha o protagonismo feminino na produção de leite no Brasil. Em um cenário de alta capilaridade – presente em 98% dos municípios do país – o setor lácteo ganha cada vez mais força com a atuação de mulheres que aliam tecnologia, sustentabilidade e impacto social em suas propriedades.
Três exemplos dessa transformação são Alessandra Barth, Lisiane Rocha Czech e Maria Lúcia Bessa, premiadas no Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Bayer em parceria com a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio). Cada uma, em sua realidade, rompeu barreiras e tornou sua fazenda um modelo de equilíbrio entre produtividade e responsabilidade ambiental.
Gestão, tecnologia e bem-estar animal
Alessandra Barth, 3º lugar na categoria Pequena Propriedade do Prêmio Mulheres do Agro de 2023 – Foto: Arquivo Pessoal
Ex-professora, Alessandra Barth assumiu o Sítio São Jorge, em Ipiranga (PR), em 2021. Terceira colocada na categoria pequena propriedade em 2023, ela implantou um modelo de gestão baseada em dados, com software zootécnico e financeiro, inseminação artificial e uso de colares inteligentes para monitoramento do rebanho. A fazenda também adota energia solar e reaproveitamento de dejetos como adubo, resultando em economia de até 90% nas contas de energia.
Além da eficiência, o bem-estar animal é prioridade. “Uma vaca que não está bem e não está confortável, não produz”, resume Alessandra. O reconhecimento do prêmio, segundo ela, mostrou que o caminho da inovação e da sensibilidade pode – e deve – caminhar junto no campo.
Lisiane Rocha Czech, 3º lugar na categoria grande propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2024, faz palestra para produtoras do Paraná e da Alemanha – Foto: Arquivo Pessoal
Na categoria grande propriedade, quem brilhou foi Lisiane Rocha Czech, da Fazendinha Sofia, em Teixeira Soares (PR). Desde 1992 à frente do negócio, ela modernizou a propriedade de 182 hectares, que hoje abriga 402 animais de alto rendimento. A adoção de energia fotovoltaica, plantio direto, logística reversa e manejo sustentável consolidou sua posição como referência.
Para Lisiane, o prêmio abriu novas possibilidades de troca de experiências. Em março, ela reuniu mais de 200 mulheres em um dia de campo, inclusive produtoras rurais vindas da Alemanha. “A atividade leiteira é intensa, cheia de detalhes. E é isso que me motiva: os desafios constantes”, afirma.
Modelo de agricultura regenerativa no Centro-Oeste
Maria Lúcia Bessa – 2º lugar na categoria média propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2024 – Foto: Arquivo Pessoal
Na categoria média propriedade, a 2ª colocação foi para Maria Lúcia Bessa, da Fazenda São Tomaz, em Rio Verde (GO). Autodidata, ela transformou a fazenda em um laboratório vivo de agricultura regenerativa, com recuperação de nascentes, pastagem rotacionada e uso de energia solar. A propriedade alia produtividade com redução do impacto ambiental. “Equilibrar inovação com respeito ao meio ambiente é o que guia nosso trabalho”, afirma.
Nestlé fortalece apoio às mulheres do agro
Para 2025, o Prêmio Mulheres do Agro conta com uma nova apoiadora institucional: a Nestlé Brasil. A empresa já investe no protagonismo feminino com o programa Força da Moça, além de promover práticas sustentáveis no leite por meio do Nature por Ninho. A parceria com a premiação visa ampliar a participação de mulheres no setor e fortalecer pilares ESG (ambiental, social e de governança).
“Acreditamos que fortalecer o papel da mulher no campo é essencial para o avanço do agronegócio”, afirma Bárbara Sollero, Head de Agricultura Regenerativa da Nestlé. Priscila Araújo, da Bayer, complementa: “Unimos forças por um futuro mais equitativo e sustentável”.
As inscrições para a edição de 2025 estão abertas até 31 de julho, no site oficial do prêmio.
Pioneira na produção de alimentos orgânicos no Brasil, a Korin decidiu usar a 30ª Hortitec, realizada em Holambra (SP), para mostrar que sua atuação vai além do frango e dos ovos. Embora esses produtos tenham consolidado a marca no mercado, a empresa trabalha, há mais de três décadas, com bioinsumos aplicados tanto na agricultura quanto na produção animal.
Segundo o presidente Edson Matsui, a base da tecnologia vem da filosofia de Mokiti Okada, pensador japonês que influenciou a criação da Korin. Em entrevista ao Agro em Campo, ele afirmou que a empresa começou a comercializar os bioinsumos desenvolvidos internamente há cerca de sete anos, após utilizá-los com exclusividade por um longo período.
Apesar de o frango ainda ser o carro-chefe da empresa, Matsui ressaltou que essa imagem não reflete toda a atuação da Korin. “Nosso foco está em soluções sustentáveis, adaptáveis a diferentes culturas e modelos de produção. Atuamos com agricultura regenerativa e buscamos sempre o equilíbrio entre produtividade e preservação ambiental”, disse.
Bioinsumos ganham força no campo e na aquicultura
Com mais de 600 clientes espalhados pelo Brasil, a Korin atende hoje uma área superior a 400 mil hectares. Em regiões como Petrolina (PE), por exemplo, produtores já utilizam os bioinsumos da empresa na produção de uvas para consumo e vinificação.
Além disso, Matsui citou a aplicação dos insumos na recuperação ambiental. Em Maricá (RJ), a Korin participou de ações de despoluição de lagoas e rios, usando produtos biológicos que regeneram a água sem causar impactos negativos.
A atuação da empresa também chegou à aquicultura. Os bioinsumos são aplicados diretamente nos tanques, promovendo um ambiente mais saudável para os peixes. Isso, segundo Matsui, reforça o compromisso da marca com uma cadeia produtiva responsável. “Desde o início, defendemos o respeito à vida — humana, animal e vegetal. Por isso, investimos em tecnologia com propósito”, afirmou.
Edson Matsui, de preto, ao centro, com equipe Korin, clientes e fornecedores – Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes
Certificação em pescados e expansão para novos mercados
Reconhecida por ter sido a primeira empresa brasileira a conquistar o selo de bem-estar animal, a Korin ampliou recentemente esse modelo para o setor de pescados. Uma produtora da Patagônia chilena procurou a companhia para certificar a criação de um salmão cultivado em águas frias e naturais, sem o uso de antibióticos ou carrapaticidas.
De acordo com Matsui, o processo foi avaliado com rigor técnico e aprovado. “Hoje, esse salmão já é vendido com a marca Korin. Isso mostra que é possível combinar exigência sanitária com respeito ao meio ambiente”, disse o executivo.
Para ele, a saúde humana está diretamente ligada à qualidade dos alimentos. “Acreditamos que uma alimentação inadequada está na origem de muitos problemas de saúde. Por isso, buscamos produzir alimentos que contribuam para o bem-estar de quem consome e também de quem produz.”
Por fim, Matsui destacou que o conceito de ESG sempre esteve presente na história da empresa, mesmo antes de o termo se tornar tendência global. “A filosofia de Mokiti Okada já nos guiava, nos anos 1930, a cuidar do solo, dos animais e das pessoas. Esse é o verdadeiro DNA da Korin”, concluiu.
O manejo correto no nascimento dos bezerros é fundamental para evitar doenças e garantir o bom desempenho produtivo da fazenda. Entre as principais práticas estão a cura adequada do umbigo e o consumo imediato do colostro, que fortalecem o sistema imunológico do animal e previnem infecções oportunistas.
Segundo o zootecnista Bruno Marson, diretor técnico comercial da Connan, o bezerro nasce sem imunidade e depende do colostro da mãe para adquirir imunoglobulinas essenciais. O ideal é que o bezerro mame o colostro nas primeiras quatro horas após o nascimento. Período em que a absorção das defesas imunológicas é mais eficaz — cerca de 80% de absorção. Após 12 horas, essa eficácia cai para 50%, aumentando o risco de infecções graves e comprometendo o crescimento do animal.
A equipe da fazenda deve monitorar as vacas prenhas para garantir que o bezerro tenha acesso ao colostro. Em casos de falha, especialmente comum em novilhas de primeiro parto, a intervenção é necessária para alimentar o bezerro manualmente, respeitando o processo de imprinting materno para evitar rejeição.
Cura do umbigo: prevenção simples e eficaz
Outro cuidado essencial é a cura do umbigo. Ela deve ser feita com imersão em solução de iodo a 10% por 20 segundos, trocando o líquido a cada aplicação para manter a eficácia. O procedimento deve ser repetido até o quarto dia de vida. Assim, evita-se que o umbigo se torne porta de entrada para infecções que podem levar a complicações sérias ou até a morte do bezerro.
Além disso, recomenda-se o uso de mata-bicheira para afastar moscas e a inspeção frequente para garantir que o umbigo esteja completamente cicatrizado, evitando infecções ocultas em dobras da pele.
Nutrição adequada para desenvolvimento saudável
Durante o primeiro mês, o bezerro se alimenta exclusivamente de leite. A partir do quarto mês, a dieta começa a incluir pasto e suplementos, como o creep feeding, que oferece ração específica para complementar a alimentação e estimular o desenvolvimento do trato digestivo.
Bruno Marson destaca que a introdução de suplementos a partir do quarto mês, como o Connan Master Creep, melhora a absorção de nutrientes e o ganho de peso, preparando o animal para um desempenho superior. Para consumos maiores, técnicos recomendam produtos como Connan Master 1000 ou Connan Extra 500, sempre com a dosagem adequada para evitar desperdícios e garantir eficiência.
A adoção desses cuidados desde o nascimento dos bezerros é decisiva para alcançar uma taxa de desmame eficiente, considerada ideal em torno de 75%, e produzir cerca de 160 kg de bezerros desmamados por vaca exposta na estação de monta. O manejo correto previne perdas por doenças e mortalidade, assegurando o bem-estar animal e o retorno financeiro esperado para a propriedade.
“A complementação alimentar com suplemento pode ser o incremento que falta para o retorno financeiro mais vantajoso para a propriedade”, conclui Marson.
A Aviagen® anunciou a nomeação de Viviane Ruviero como nova supervisora regional de Serviços Técnicos no Brasil. Desde 15 de abril, Viviane integra a equipe da empresa, trazendo mais de 15 anos de experiência e uma sólida formação acadêmica para fortalecer o compromisso da companhia com seus clientes.
Viviane é médica-veterinária formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e possui MBAs em Liderança, Agronegócio e Gestão da Qualidade em Processos. Durante sua carreira, liderou equipes de Garantia da Qualidade e Laboratórios Industriais em grandes empresas globais do setor de alimentos. Além disso, estabeleceu parcerias duradouras com órgãos reguladores, como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e secretarias municipais, sempre focando em altos padrões de qualidade e na confiança dos clientes.
Marco Aurélio Romagnole Araújo, gerente de Serviços Técnicos da Aviagen Brasil, destacou.“Viviane sempre demonstrou um forte compromisso com a excelência. Estamos muito felizes em tê-la conosco. Com sua liderança, amplo conhecimento do setor e foco nas pessoas, ela será uma grande aliada enquanto seguimos, junto aos nossos clientes, promovendo resultados de sucesso.”
“É um orgulho fazer parte da equipe Aviagen. Estou pronta para apoiar os produtores em todo o Brasil. Contribuindo para o fortalecimento do bem-estar animal, da produtividade e da sustentabilidade na avicultura, por meio de soluções práticas e inovadoras.”, comenta a nova supervisora.
Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, a ventilação adequada nas granjas e aviários se torna crucial para prevenir o estresse térmico nos animais. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro já enfrentaram recordes de calor, com a capital paulista registrando 33,9°C e a capital fluminense alcançando 41,5°C, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia e do Centro de Operações Rio (COR). Este cenário representa um desafio significativo para a avicultura, que pode sofrer fatalidades devido ao calor excessivo.
O estresse térmico pode resultar em perda de peso, maior vulnerabilidade a doenças, redução na qualidade dos ovos e diminuição do consumo de ração. Por isso, é fundamental que os produtores estejam atentos ao comportamento das aves e adotem medidas preventivas, como um sistema de ventilação eficiente que controle a temperatura e garanta a qualidade do ar.
Sistemas de ventilação
“A ventilação eficaz é imprescindível. Pois, além de proporcionar conforto térmico, ajuda a evitar problemas de saúde nos animais. E que podem acabar prejudicando a produtividade”, afirma Drauzio Menezes, diretor da Hercules Motores Elétricos. Ele ressalta que granjas e aviários sem circulação natural devem implementar sistemas de ventilação adequados. A Hercules oferece motores desenvolvidos para essas aplicações, com destaque para o modelo IP 55, que é protegido contra poeira e jatos de água.
Caso já exista um sistema de ventilação instalado, é importante verificar sua adequação e necessidade de manutenção. “Os sistemas mais eficientes são projetados para suportar aplicações de alta demanda. Eles operam em regime contínuo S1 e no modo AIR OVER, sem ventilação forçada”, explica Menezes. Além disso, os motores utilizados possuem certificação ISO 9001 e rendimentos aprovados pelo Inmetro, garantindo alta eficiência energética.
A ventilação adequada não apenas melhora as condições de bem-estar animal, mas também contribui para a produtividade do setor. Com as altas temperaturas previstas para o verão, os produtores devem priorizar a implementação de soluções eficazes para garantir a saúde dos rebanhos e maximizar a produção.
Uma decisão judicial inédita no Rio Grande do Sul está chamando a atenção para os direitos dos animais. A gata Cacau, de menos de um ano, se tornou a primeira felina a figurar como autora em uma ação judicial contra uma clínica veterinária. A alegação é de maus-tratos durante um procedimento de castração.
O incidente ocorreu na Comarca de Santa Maria, onde a proprietária da gata decidiu processar a clínica veterinária após alegações de que Cacau sofreu danos físicos e emocionais durante a cirurgia. A ação busca reparação por “danos morais e materiais”, reconhecendo a gata como sujeito de direitos no processo legal.
Ação tem o nome da gata como autora. Reprodução: Internet.
A aceitação da petição pela Justiça gaúcha representa um marco significativo na proteção dos direitos dos animais no Brasil. O juiz responsável pelo caso enfatizou a importância de considerar o bem-estar animal nas decisões judiciais. E destacou que os animais não são meros objetos, mas seres que merecem proteção e respeito.
Repercussão na mídia e na sociedade
A ação da gata Cacau gerou uma ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa. Muitos defensores dos direitos dos animais elogiando essa iniciativa como um passo importante para a defesa dos direitos dos seres não humanos. Especialistas acreditam que essa decisão pode abrir precedentes para que outros animais também possam reivindicar seus direitos em situações semelhantes.
Advogados e ativistas dos direitos dos animais veem o caso como uma oportunidade para reforçar a necessidade de legislações mais rigorosas em relação ao bem-estar animal. “Esse tipo de decisão é fundamental para que possamos avançar na proteção dos direitos dos animais. E garantir que eles sejam tratados com dignidade”, afirmou um defensor da causa.
“Embora a legislação civil ainda reconheça os animais como bens, os mesmos têm amparo constitucional onde é reconhecida a senciência. Embora não possam, em tese, comparecer em audiências, podem e devem figurar como parte, o que reforça o conjunto probatório. Desde 2021 há decisões reconhecendo os animais como parte processual, é o judiciário evoluindo junto com a sociedade, afinal, animais são membros não-humanos da família multiespécie”, explica a advogada Carolina de Mattos Galvão, especialista em Direito Animal.
A ação judicial movida pela gata Cacau não apenas destaca a importância da proteção aos animais, mas também reflete uma mudança cultural em relação à forma como a sociedade e o sistema judiciário enxergam os direitos dos seres não humanos. Com essa decisão, espera-se que mais casos semelhantes sejam levados à Justiça, contribuindo para um futuro onde os direitos dos animais sejam cada vez mais respeitados e protegidos.
A indústria pecuária no Brasil tem se empenhado cada vez mais em adotar práticas voltadas ao bem-estar animal, refletindo uma tendência global de demanda por padrões mais elevados de cuidado com os animais. Essas iniciativas não só visam melhorar a qualidade de vida dos animais, mas também impactam positivamente o mercado e os consumidores.
Empresas e produtores estão implementando práticas como a criação em sistemas de pastagem, que respeitam o comportamento natural dos animais, garantindo que bovinos e suínos, por exemplo, possam se mover livremente e manifestar seus instintos naturais. Além disso, a indústria tem investido na melhoria das condições de transporte e abate, reduzindo o estresse dos animais e promovendo métodos mais humanitários.
Essas práticas têm contribuído para a redução do sofrimento animal, resultando em um ciclo de vida mais saudável e menos estressante. A melhoria no manejo e no ambiente de criação tem sido associada a uma menor incidência de doenças. E também a uma melhor qualidade de vida para os animais.
Influência no mercado e para consumidores
No mercado, o compromisso com o bem-estar animal tem gerado uma percepção mais positiva da carne brasileira tanto no mercado interno quanto no exterior. Consumidores estão cada vez mais exigentes, buscando produtos que atendam a padrões éticos. Isso tem aumentado a procura por carnes certificadas, que garantem que os animais recebem tratamento conforme normas de bem-estar.
Para os consumidores, além da tranquilidade de saber que estão comprando um produto de origem responsável, há também a percepção de que carnes provenientes de sistemas que respeitam o bem-estar animal são de melhor qualidade, tanto em termos de sabor quanto de valor nutricional. Estudos indicam que o estresse animal pode afetar negativamente a carne, tornando-a menos suculenta e macia.
Certificação de bem-estar animal cresce 220% em menos de dois anos e impulsiona mercado
A procura pela Certificação em Bem-Estar Único – Missão de Cuidar, lançada pela MSD Saúde Animal no final de 2022, aumentou 220% em menos de dois anos, destacando uma mudança significativa no setor agropecuário brasileiro. Hoje, 11 propriedades já conquistaram o selo, e outras 15 estão em processo de certificação. O selo chancela práticas modernas e sustentáveis, alinhadas às expectativas dos consumidores e às exigências do mercado internacional.
A certificação em Bem-Estar Único, auditada pela QIMA/WQS, uma certificadora internacional reconhecida no mercado agrícola, industrial e varejista de alimentos no Brasil, assegura que as propriedades atendem a rigorosos padrões de bem-estar animal, gestão ambiental e qualidade de vida dos trabalhadores.
Schoeler Agro, um dos cinco maiores produtores de suínos independentes do país
Para Lilian Schoeler, diretora administrativa da Schoeler Agro, o selo reforça a sinergia entre as boas práticas de bem-estar animal e o cuidado com o meio ambiente. “Foram 10 meses de adequações, em especial na parte documental e treinamentos. O processo de conquista já foi enriquecedor, com conhecimento profundo de normativas e procedimentos. Com os processos bem desenhados e claros, honramos, inclusive, o trabalho das equipes da granja”.
Certificação valoriza produção
Paulo Giehl, gerente comercial da empresa, destacou que a certificação já está atraindo novos clientes e valorizando o preço de seus produtos. “Esperamos novos clientes em potencial, como redes de supermercados e frigoríficos que exportam. Trabalhamos para sermos reconhecidos como uma empresa que cuida de seus animais e prioriza a qualidade, e isso já está acontecendo, especialmente com o reforço do selo. Já notamos diferença na percepção dos clientes, que reconhecem e elogiam a certificação e, da nossa parte, recebem animais com mais qualidade. Além disso, esperamos uma valorização no preço no decorrer do tempo, pois o selo poderá facilitar a negociação”.
Erivelton Schinermann, gerente de produção da Schoeler Agro, observou que a certificação formalizou práticas que já eram realizadas informalmente e trouxe benefícios como a redução do estresse e da mortalidade dos animais. “A saúde dos animais melhorou, eles estão menos estressados e mais produtivos,” afirmou.
O Selo e Seu Impacto
A Certificação em Bem-Estar Único faz parte do programa Criando Conexões Multiespécies da MSD Saúde Animal. É voltada para propriedades que criam suínos, bovinos e aves. Ela segue o modelo dos “Cinco Domínios” do bem-estar animal e avalia mais de 150 critérios, abrangendo desde a alimentação e conforto dos animais até a gestão ambiental e social das propriedades.
“O objetivo é garantir uma vida digna de ser vivida aos animais e às pessoas, bem como melhorar a sustentabilidade de todo o sistema produtivo. E fornecer um alimento ético para a sociedade. Com um processo robusto, sólido e transparente, é possível melhorar a comunicação com consumidores nacionais e internacionais. Afinal, nosso intuito é desenvolver soluções de valor para apoiar o sucesso do setor. O certificado apoia a imagem da cadeia produtiva brasileira, auxilia o acesso a novos mercados e facilita tomadas de decisões”, afirma Filipe Dalla Costa, coordenador de Bem-Estar Animal para monogástricos da MSD Saúde Animal e um dos responsáveis pela certificação.
Divulgação – Granja Schoeler
Roberta Cunha, gerente técnica da QIMA/WQS, destacou que os protocolos desenvolvidos pela MSD garantem produtos de qualidade ética para os consumidores. “Acreditamos fielmente que o bem-estar dos animais de produção impacta diretamente nos resultados, melhorando não só as condições de vida/abate dos animais, como também dos colaboradores que lidam diretamente com eles. Os protocolos desenvolvidos pela MSD Saúde Animal trazem pontos relevantes de bem-estar animal baseados em requisitos nacionais e internacionais. E garante ao consumidor final um produto com qualidade ética”, pontua Roberta Cunha, gerente técnica da QIMA/WQS.
Além disso, o crescimento na busca por essa certificação reflete a crescente importância do bem-estar animal na produção de proteínas no Brasil. Não só por seu impacto na saúde e produtividade dos animais, mas também por melhorar a imagem da cadeia produtiva brasileira e facilitar o acesso a novos mercados.
Nos últimos anos, a preocupação com o bem-estar animal tem ganhado cada vez mais destaque na sociedade e atender a demanda de um mercado consumidor cada vez mais exigente e atento aos meios de produção, representa um desafio para a avicultura mundial.
Uma das questões mais debatidas é o tratamento dado às galinhas poedeiras, que muitas vezes são mantidas em condições precárias em gaiolas industriais.
O banimento das gaiolas para essas galinhas é uma medida que reflete a crescente conscientização sobre o sofrimento animal e a necessidade de práticas mais éticas na produção de alimentos.
A União Europeia, em Junho de 2021, se comprometeu a eliminar progressivamente até 2027 a criação de animais em gaiolas.
Já a Austrália firmou o compromisso em 2022 de abolir o uso de gaiolas na criação até 2036, enquanto que nos Estados Unidos 35% da produção de ovos já conta com o sistema de galinhas criadas livres.
Movimento Free Cage
Em Abril deste ano a associação de produtores Cage Free da Indonésia (ICFA) lançou a iniciativa de promover práticas sustentáveis na indústria avícola no país. No Brasil estima-se que 95% da produção de ovos ainda venha de galinhas criadas em gaiolas.
Porém, diante da crescente demanda pela modernização da criação pensada no bem estar animal, e no compromisso firmado por grandes grupos alimentícios de ter em sua gama de fornecedores produtores alinhados com a ideia de uma cadeia produtiva sustentável (como podemos conferir aqui) grandes redes de supermercados e gigantes varejistas como Carrefour, Grupo Big e Grupo Pão de açúcar também firmaram o mesmo compromisso: ter em suas gôndolas apenas ovos de galinhas criadas livres.
Dessa necessidade surgem iniciativas como o Mira Poedeiras que vem mapeando produtores em todo o território nacional incentivando a adoção desse método de criação de galinhas poedeiras livres, proporcionando um ambiente mais natural para as aves e resultando em ovos de melhor qualidade.
Líder no segmento da avicultura em inovação e tecnologia na América Latina , com produção total de 2,3 bilhões de ovos por ano, o Grupo Mantiqueira anunciou em 2020 que não construirá novas granjas no sistema convencional de produção e chegará a marca de 2,5 milhões de galinhas livres de gaiolas ate o final de 2025.
A iniciativa conta com o apoio das principais ONG´s de proteção animal do Brasil e do mundo como a Mercy For Animals, que integra a OWA (Open Wing Alliance), uma coalizão global que luta para banir a pratica de confinamento de galinhas em gaiolas na indústria de ovos e todo.
Galinhas criadas livres.
Allém disso, pensar nesse assunto e buscar meios de implementa-lo é um importante marco na evolução da indústria avícola rumo a práticas mais éticas e sustentáveis.
Estas medidas de produção sustentáveis não apenas melhoram o bem-estar animal, mas também promovem uma produção de alimentos mais saudável e ambientalmente consciente.
Benefícios para o consumidor e para o bem estar animal
O fim das gaiolas para galinhas poedeiras é uma vitória significativa para o bem-estar animal. As aves terão mais espaço para se mover, esticar as asas e realizar comportamentos naturais, como ciscar e empoleirar.
Além disso, condições de vida mais saudáveis podem reduzir o estresse e as doenças minimizando a necessidade do uso de antibióticos e melhorando a qualidade de vida das galinhas.
Além dos benefícios para o bem-estar animal, o banimento das gaiolas também pode ter um impacto positivo no meio ambiente. Sistemas de criação mais sustentáveis podem reduzir o consumo de recursos naturais, minimizar a poluição e contribuir para uma produção de alimentos mais ecologicamente responsável.
Ao priorizar o respeito pelos animais, estamos construindo um futuro mais humano e compassivo para todos os seres vivos. Embora seja um desafio para indústria, também é uma grande oportunidade que já vem sendo aproveitada por granjas que estão atentas aos rumos da produção e o consumo mundial.