Tag: bem estar animal

  • Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Elas têm pelos longos, chifres e aparência de bicho de pelúcia. As chamadas mini vacas ganharam espaço como pets nos Estados Unidos e agora começam a mudar até a rotina de clínicas veterinárias.

    O movimento aparece principalmente em pequenas propriedades. Nesses locais, alguns bovinos deixaram de ter finalidade exclusivamente produtiva e passaram a receber cuidados semelhantes aos destinados aos animais de companhia.

    Com isso, clínicas acostumadas a cães e gatos começam a enxergar uma nova demanda. A tendência foi relatada pela Today’s Veterinary Business, publicação especializada em gestão e medicina veterinária.

    Além do potencial comercial, porém, o fenômeno exige cuidados. Especialistas alertam que tamanho reduzido não elimina as necessidades de um bovino. A seleção genética também merece atenção.

    Mini vacas começam a chegar aos consultórios

    Um dos casos relatados ocorreu no estado do Missouri. Uma bezerra Highland em miniatura apresentava uma lesão na coluna e precisava de atendimento.

    Os proprietários procuraram a Orchard Hills Veterinary Clinic em busca de uma segunda opinião. No entanto, havia uma diferença importante em relação ao manejo tradicional de bovinos destinados à produção.

    Para aquela família, a bezerra era um animal de companhia. “Este é o nosso animal de estimação. Não vamos abater o nosso pet”, disseram os proprietários durante o atendimento.

    Mini vaca em atendimento veterinário
    Foto: Todays Veterinary Business

     

    Diante da decisão, a médica-veterinária Hannah Gawf, proprietária da clínica, avaliou alternativas para tratar o animal.

    Uma das possibilidades envolvia um medicamento manipulado. Além disso, o produto poderia receber um sabor mais atrativo para facilitar sua administração.

    “Com certeza. Podemos mandar manipular um medicamento e dar a ele sabor de melaço”, afirmou Gawf à Today’s Veterinary Business.

    O caso ajuda a explicar por que algumas clínicas começam a olhar para esses bovinos de outra maneira.

    De animal de produção a pet

    Segundo Gawf, a procura por um atendimento individualizado para animais de grande porte vem crescendo. Dessa forma, os veterinários encontram proprietários dispostos a buscar alternativas que antes poderiam não fazer sentido econômico em sistemas produtivos.

    “Muitos tutores modernos estão buscando um atendimento mais compassivo e personalizado para seus animais de grande porte, em vez de uma abordagem tradicional voltada à produção”, explicou a veterinária.

    Essa mudança não envolve apenas as mini vacas. Cabras, ovelhas, aves e outros animais mantidos em pequenas propriedades também aparecem entre os novos pacientes.

    Ao mesmo tempo, nem todas as regiões possuem profissionais preparados para atender diferentes espécies. Portanto, a distância até um veterinário pode se tornar um problema para os proprietários.

    Médica veterinária com cavalos
    Foto: Todays Veterinary Business

    Nesse cenário, clínicas que ampliam os serviços conseguem atender uma demanda ainda pouco explorada.

    Highland chama atenção pela aparência

    Entre os bovinos que ganharam popularidade estão os Highlands e animais selecionados para apresentar menor porte.

    A raça Highland tem origem na Escócia. Segundo a Highland Cattle Society, entidade responsável pelo registro genealógico da raça no Reino Unido, esses bovinos se desenvolveram em condições ambientais difíceis e ficaram conhecidos pela rusticidade.

    A pelagem longa é uma de suas características mais marcantes. Além disso, os chifres ajudam a criar a aparência facilmente reconhecida nas redes sociais.

    Nos animais menores, essas características ganharam ainda mais apelo.

    Vídeos mostram bezerros sendo escovados, recebendo carinho e acompanhando seus proprietários. Consequentemente, o interesse ultrapassou o universo tradicional da pecuária.

    O crescimento já havia chamado atenção fora dos Estados Unidos. Em 2024, a emissora pública australiana ABC mostrou um criatório que registrou aumento de 30% nas vendas de Highlands em miniatura em um ano.

    Apesar da aparência, entretanto, especialistas alertam que esses animais continuam sendo bovinos.

    Mini vaca exige estrutura adequada

    O tamanho reduzido não significa que uma mini vaca possa ser criada nas mesmas condições de um cachorro.

    O animal precisa de espaço, água limpa, alimentação adequada e cercas capazes de garantir segurança. Além disso, a propriedade deve oferecer estrutura para o manejo veterinário.

    Outro ponto importante é o tamanho adulto.

    Um bezerro pequeno não necessariamente permanecerá com aquelas dimensões. Por isso, avaliar somente a aparência nos primeiros meses pode levar compradores a conclusões erradas.

    Nesse sentido, conhecer os pais e o histórico do animal ajuda a estimar seu desenvolvimento.

    Da mesma forma, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário continuam necessários. O manejo também deve considerar idade, condição corporal, alimentação e ambiente.

    Genética das mini vacas preocupa especialistas

    Além dos cuidados de rotina, a popularidade dos bovinos menores trouxe uma discussão sobre genética.

    A professora Imke Tammen, da Sydney School of Veterinary Science, da Universidade de Sydney, alertou para variantes genéticas associadas à condrodisplasia em alguns bovinos comercializados como miniatura.

    A condrodisplasia afeta o desenvolvimento de cartilagens e ossos. Portanto, dependendo da variante genética e do cruzamento realizado, podem surgir problemas importantes para a saúde dos animais.

    “Se um animal herdar duas cópias do gene, isso resulta em uma manifestação muito mais grave, e eles frequentemente nascem mortos”, explicou Tammen à ABC.

    Por isso, a procedência ganha importância no momento da compra.

    Criadores responsáveis precisam acompanhar características genéticas e evitar cruzamentos que aumentem o risco de problemas hereditários. Além disso, selecionar animais apenas pelo menor tamanho pode comprometer o bem-estar.

  • Animal com 3 corações desafia criação em fazendas pelo mundo

    Animal com 3 corações desafia criação em fazendas pelo mundo

    A tentativa de criar polvos em escala comercial sofreu um revés na Espanha. A Nueva Pescanova abandonou o projeto daquela que seria a primeira grande fazenda comercial desses animais no mundo, prevista para Gran Canaria.

    A instalação teria 52 mil metros quadrados e capacidade para produzir cerca de 3 mil toneladas de polvo por ano, além de gerar aproximadamente 300 empregos.

    A empresa atribuiu a decisão a questões empresariais e regulatórias durante o processo de licenciamento. Segundo o El País, novas exigências administrativas alteraram condições, prazos e requisitos previstos inicialmente.

    Com isso, o fim do projeto reacendeu uma discussão que acompanha as tentativas de produzir o animal em cativeiro: por que é tão difícil criar polvos em fazendas?

    Polvo ainda desafia criação em escala

    Até agora, nenhuma criação em grande escala do polvo-comum (Octopus vulgaris) conseguiu se consolidar comercialmente, segundo o britânico The Guardian.

    Os obstáculos, porém, aparecem em diferentes etapas da produção. Os animais são naturalmente solitários, apresentam comportamento complexo e precisam de ambientes estimulantes.

    Além disso, a fase inicial da vida é delicada. A alimentação, por sua vez, também representa um desafio para a produção industrial.

    “Os polvos são animais extremamente inteligentes e complexos”, afirmou ao El País Elena Lara, pesquisadora da organização Compassion in World Farming.

    Há ainda outra diferença em relação a várias espécies utilizadas na produção de alimentos. Segundo Lara, o polvo nunca passou por um processo de domesticação.

    Nesse cenário, a discussão ganhou destaque neste mês em reportagem do The Guardian. O jornal britânico apresentou o dilema já no título: “Inteligente demais para comer?”

    Três corações e sangue azul

    Além das dificuldades de produção, a própria biologia do polvo ajuda a explicar por que o animal desperta tanto interesse.

    Para começar, ele possui três corações. Dois atuam principalmente no envio de sangue às brânquias. Enquanto isso, o terceiro bombeia o sangue para o restante do organismo.

    O sangue também tem uma característica incomum: é azul.

    Nesse caso, a coloração está relacionada à hemocianina, proteína que contém cobre e participa do transporte de oxigênio. Nos seres humanos, por outro lado, essa função é desempenhada pela hemoglobina, que contém ferro.

    Outra particularidade está no sistema nervoso. Grande parte dos neurônios do polvo fica distribuída pelos braços. Por isso, o animal consegue realizar movimentos e apresentar respostas complexas.

    Na prática, cada braço consegue processar informações enquanto permanece conectado ao cérebro central.

    Inteligência entra no debate

    A capacidade cognitiva do polvo também está no centro das discussões sobre a criação intensiva.

    Experimentos científicos mostraram que esses animais conseguem abrir recipientes, explorar objetos, encontrar caminhos e aprender com experiências.

    Ao mesmo tempo, o The Guardian apontou a combinação de inteligência elevada, comportamento solitário e evidências de senciência entre as preocupações apresentadas por cientistas e organizações de bem-estar animal.

    Dessa forma, a criação de vários indivíduos no mesmo ambiente impõe desafios diferentes daqueles encontrados na produção de espécies que vivem naturalmente em grupos.

    Mercado movimenta bilhões

    Apesar das dificuldades, existe interesse econômico na criação comercial.

    O consumo mundial de polvos capturados na natureza gira em torno de 370 mil toneladas por ano, segundo dados citados pelo The Guardian.

    Além disso, o mercado é particularmente relevante na Europa e na Ásia.

    Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), reproduzidos pelo El País, mostram que os cefalópodes, grupo que inclui polvos, lulas e sépias, responderam por cerca de 7% das exportações mundiais de produtos aquáticos de origem animal em 2024.

    Esse comércio movimentou aproximadamente US$ 12,7 bilhões naquele ano.

    China, Marrocos e Mauritânia aparecem entre os grandes produtores de polvo capturado. Enquanto isso, Espanha, Itália, China e Japão estão entre mercados importantes para o produto.

    Projeto acabou, pesquisa não

    A desistência da fazenda nas Ilhas Canárias, porém, não significa, segundo a Nueva Pescanova, que futuros projetos sejam inviáveis.

    A discussão envolve justamente a possibilidade de atender a um mercado consumidor relevante sem depender apenas da captura de animais na natureza.

    “Queremos continuar comendo polvo?”, questionou ao El País Eduardo Almansa, pesquisador do Instituto Espanhol de Oceanografia que participou de pesquisas relacionadas ao projeto.

    Segundo ele, a demanda mundial está aumentando e, por isso, existe interesse em encontrar alternativas capazes de produzir o alimento de maneira economicamente viável e sustentável.

    Por enquanto, no entanto, a produção comercial em grande escala continua sendo um desafio. Apesar de anos de pesquisas, o polvo ainda não fez a transição da captura na natureza para as grandes fazendas de aquicultura.

  • Estatuto dos Cães e Gatos vira pauta no Senado

    Estatuto dos Cães e Gatos vira pauta no Senado

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve analisar nesta semana dois projetos que tratam da proteção e do bem-estar dos animais. Entre as propostas está a criação do Estatuto dos Cães e Gatos, que estabelece direitos e deveres relacionados à tutela, proteção e cuidado dos animais.

    O PL 6.191/2025 cria normas específicas para garantir o bem-estar desses animais e define responsabilidades para tutores, sociedade e poder público. Além disso, o texto prevê sanções para casos de maus-tratos e abandono.

    Além disso, a proposta também estabelece diretrizes para a criação de políticas públicas voltadas à proteção dos animais e ao combate à crueldade.

    Tema já havia sido debatido

    Em junho, o tema foi discutido em uma sessão temática no Plenário do Senado. Na ocasião, representantes da sociedade civil e do governo defenderam a criação do estatuto.

    Na CCJ, o projeto tem parecer favorável do relator, senador Fabiano Contarato (PT-ES). Caso seja aprovado pela comissão, o texto seguirá para análise da Comissão de Meio Ambiente (CMA) antes de chegar ao Plenário do Senado.

    Projeto aumenta pena para maus-tratos

    Além do Estatuto dos Cães e Gatos, a CCJ também deve analisar mudanças nas regras relacionadas aos crimes de maus-tratos contra animais.

    O PL 4.262/2025, de autoria do senador Confúcio Moura (MDB-RO), propõe elevar a pena atualmente prevista para o crime. Pela legislação em vigor, maus-tratos contra animais podem resultar em detenção de três meses a um ano, além de multa.

    Com a proposta, a punição passaria para dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

    O texto abrange animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Também considera situações de abuso, tratamento cruel ou degradante, abandono e condições incompatíveis com a natureza do animal.

    A pena poderá ser ainda maior em circunstâncias consideradas agravantes. Entre elas estão casos que provoquem deformidades permanentes, envolvam fêmeas prenhes, animais idosos ou recém-nascidos, além de situações de abuso sexual, tortura ou divulgação das agressões nas redes sociais.

    O substitutivo apresentado pela senadora Leila Barros (PDT-DF) também inclui novas condutas entre os crimes, como a negligência em relação aos cuidados básicos dos animais.

    Proibição de guarda e posse

    A proposta prevê ainda outras consequências para pessoas condenadas por maus-tratos. Entre elas está a possibilidade de proibição de guarda, posse ou propriedade de animais.

    O texto também estabelece restrições ao exercício de atividades profissionais que envolvam contato com animais.

    Caso a agressão resulte na morte do animal, a punição poderá ser aumentada de um terço à metade.

    Além disso, o projeto prevê medidas educativas e restaurativas, como a realização de serviços comunitários em entidades de proteção animal, abrigos e programas voltados ao bem-estar dos animais.

    As alterações propostas envolvem mudanças na Lei de Crimes Ambientais, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Política Nacional de Educação Ambiental.

    A proposta já passou pela Comissão de Meio Ambiente e tramita em conjunto com outros projetos relacionados ao combate à crueldade contra animais.

    Com dados de Agência Senado

  • Robôs, painéis solares e bem-estar animal: conheça o novo centro de pesquisa da Unesp

    Robôs, painéis solares e bem-estar animal: conheça o novo centro de pesquisa da Unesp

    A Unesp inaugurou o Centro Avançado de Pesquisa e Inovação em Bovinocultura de Leite (CAPID-Leite). Um investimento de R$ 4,7 milhões da Reitoria viabilizou a construção da nova estrutura, que reúne tecnologia de ponta como robôs de ordenha e placas fotovoltaicas.

    Sistema de ordenha automatizada, instalado na fazenda. Foto: Matheus Deniz

    A instalação fica na Fazenda Experimental Lageado e integra a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-Unesp), em Botucatu. O centro nasceu com um objetivo claro: desenvolver pesquisas e tecnologias voltadas a dois pilares da bovinocultura leiteira; sustentabilidade e bem-estar animal. Para isso, o CAPID-Leite ocupa 1.500 metros quadrados, opera um sistema de ordenha robotizado e comporta até 60 vacas, que vão participar de projetos de pesquisa sobre os dois temas centrais do centro.

    Pesquisas envolvem sociedade civil e produtores rurais

    O projeto também prevê pesquisas de percepção que vão envolver a sociedade civil e profissionais do setor leiteiro, entre técnicos e produtores. “A ideia é que seja um setor de referência, que receba visitas de pessoas de diferentes formações e contextos. Nós queremos mostrar para a sociedade que é possível produzir leite de forma sustentável, pautada nos princípios éticos, e com aceitação social”, afirma Matheus Deniz, docente da FMVZ-Unesp e diretor técnico do CAPID-Leite.

    Atualmente, o centro abriga 20 vacas e 17 bezerros, mas a expectativa é que o número de animais em lactação chegue a 60. Além de experimentos com diferentes sistemas de contato entre vacas e bezerros, os grupos de pesquisa planejam usar o espaço para investigar o impacto de diversos modelos de criação.

    Sistemas silvipastoris ganham destaque entre os projetos

    As vacas podem ser mantidas em três tipos de sistema: pasto, confinamento ou silvipastoril. Os sistemas silvipastoris, que combinam árvores, pastagens e gado no mesmo espaço, concentram boa parte do interesse dos pesquisadores. Uma área demarcada da Fazenda Lageado vai receber o plantio de árvores para que a equipe investigue os benefícios desse modelo para a sustentabilidade e o bem-estar animal.

    Vaca e bezerro durante a realização de experimento para avaliar as especificidades de sistemas de criação que incentivam esse contato. Foto: Matheus Deniz

    Na fazenda, o sistema de confinamento adotado se chama compost barn. Nesse modelo, os animais circulam livremente por um galpão coberto e arejado, forrado com uma cama de material orgânico, e contam com iniciativas de enriquecimento ambiental. Um sistema automatizado conduz as vacas por portões até o local de ordenha, onde um robô realiza toda a coleta do leite.

    Painéis solares elevados combinam energia limpa e proteção térmica

    Painéis fotovoltaicos instalados em modelo agrivoltaico formam outra frente que une sustentabilidade e bem-estar animal na fazenda. A tecnologia eleva os módulos solares do solo e permite o cultivo de plantas, pastagem ou a criação de animais na parte inferior. Esse arranjo gera energia solar e produção agrícola no mesmo terreno, além de proteger plantas e animais do sol forte.

    Segundo Matheus Deniz, a pesquisa com sistemas agrivoltaicos permite explorar as duas dimensões centrais do centro. “Quando falamos de sustentabilidade ambiental, estamos falando de serviços ecossistêmicos e carbono não emitido para a atmosfera. Por se tratar de uma fonte de energia renovável, esses painéis têm impacto direto nessa esfera”, explica. “Já a sustentabilidade econômica é explorada a partir da redução dos gastos com energia, além de proporcionar sombra e conforto térmico para os animais, o que também diminui as perdas econômicas”, completa o docente.

    Painel fotovoltaico instalado na fazenda. Foto: Matheus Deniz

    O artigo científico “Agrivoltaic systems in a tropical region: Influence on thermal environment, vaginal temperature and behavior of dairy heifers”, publicado na revista JDS Communications, traz os primeiros resultados dessa linha de pesquisa. Nele, o grupo ligado ao centro comparou duas formas de instalação de sistemas agrivoltaicos, com painéis horizontais e verticais, à pastagem aberta, para medir o grau de conforto térmico dos animais.

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  • Conheça Francisco, o porco de 150kg que virou sensação nas redes

    Conheça Francisco, o porco de 150kg que virou sensação nas redes

    Foi-se o tempo em que apenas cães, gatos e coelhos eram considerados animais de estimação. Hoje, espécies pouco convencionais conquistam cada vez mais espaço nos lares brasileiros, e Francisco é um dos exemplos dessa mudança.

    Com cerca de 150 quilos, o suíno é o xodó da jornalista Sileimã Pinheiro e também um fenômeno nas redes sociais, onde reúne mais de 1 milhão de seguidores (Foto: Reprodução/Instagram)

    Francisco tem seis anos e mora em Jundiaí (SP). Chegou à família ainda filhote, com a promessa de ser um mini pig. No entanto, mesmo com uma alimentação equilibrada, cresceu muito além do esperado.

    “Francisco é um porco anão. Alguns até dizem que é da raça Kunekune, mas isso nunca foi confirmado. Depois de quase sete anos convivendo com ele e conhecendo outros ‘mini’, percebi que existe uma grande mistura genética na tentativa de produzir porcos cada vez menores. Eu sabia que ele iria crescer, que ‘mini’ era só o bebê, só não imaginava que fosse na velocidade da luz”, conta Sileimã.

    Rotina é pensada para o bem-estar do animal

    O crescimento de Francisco nunca diminuiu o carinho da família, pelo contrário. A adaptação à rotina e às necessidades do porco foi tão natural que Sileimã já mudou de casa cinco vezes até encontrar um lugar onde ele pudesse viver com mais liberdade.

    “Ele tem uma rotina que é dormir, acordar para comer, tomar sol, bater na porta cobrando comida e tirar várias sonecas ao longo do dia para recuperar as energias. É uma verdadeira maratona. Hoje, moro afastada da cidade e sem vizinhos por perto para que ele possa fazer todos os seus protestos à vontade sem que eu precise me preocupar com reclamações, denúncias ou multas. Ele pode ser exatamente quem é, um porquinho muito feliz e muito barulhento.”

    Além do conforto no dia a dia, a dona garante ao porco momentos especiais, como visitas periódicas a um spa especializado. Lá, ele passa por cuidados de rotina como vacinação, manejo de cascos e presas, exames e avaliações clínicas.

    “Para a minha sorte, uma das maiores especialistas mora na região. Ela percebeu a dificuldade de muitas pessoas e criou um espaço totalmente voltado para esse tipo de atendimento. O Francisco já foi três ou quatro vezes lá e funciona como um verdadeiro check-up. Eu costumo brincar que é o ‘Sírio-Libanês dos suínos’. Ele entra para uma revisão e só recebe alta depois que a equipe confirma que está tudo em ordem.”

    Um fenômeno nas redes

    A rotina inusitada de Francisco não demorou a ultrapassar os muros de casa. Os registros despretensiosos do dia a dia viralizaram e transformaram o suíno em sucesso nas redes: mais de 1,2 milhão de seguidores no TikTok e outros 140 mil no Instagram acompanham desde os momentos de descanso e as refeições até os protestos por comida.

    https://www.instagram.com/reel/DaVEoy7PwN5/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Além disso, a fama já rendeu convites para campanhas publicitárias. Sileimã, no entanto, recusou propostas de grandes empresas nacionais e multinacionais por entender que não estavam alinhadas aos valores da família.

    Mais do que conquistar a internet, o pet reforçou uma convicção que a tutora carrega desde a infância. Vegetariana, ela conta que a convivência com o porco foi decisiva para adotar também o veganismo.

    “Olhando para trás, entendo que essa decisão começou muito antes, quando, por amor aos animais, escolhi não comê-los, mesmo sem saber o que significava o termo. Com os suínos, porém, sempre existiu um sentimento diferente e ainda mais forte. A maneira como eles são tratados sempre me entristeceu. Por isso, muito antes de o Francisco entrar na minha vida, eu já dizia que teria um porquinho.”

  • Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    Conheça o foie gras, prato francês que pode ser proibido no Brasil

    O projeto de lei que proíbe a produção e a comercialização de foie gras no Brasil seguiu, nesta terça-feira (7), para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes disso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a proposta. Agora, o texto reacende o debate sobre bem-estar animal e os métodos utilizados para produzir a tradicional iguaria francesa.

    Organizações de proteção animal apoiam a medida porque a produção do foie gras utiliza a alimentação forçada de patos e gansos. Segundo a presidente da Animal Equality, Sharon Núñez, a aprovação representa um avanço importante.

    “Em um país com enorme relevância na indústria agropecuária global, este avanço envia uma mensagem poderosa: o sofrimento animal não pode ser tratado como ingrediente de luxo.”

    Além disso, a entidade afirma que, caso o presidente sancione o projeto, o Brasil será o primeiro país da América Latina a proibir, por lei federal, tanto a produção quanto a comercialização do foie gras.

    Como o foie gras é produzido?

    Foie gras significa “fígado gordo” em francês. Os produtores obtêm a iguaria a partir do fígado de patos ou gansos submetidos a um processo de alimentação intensiva.

    Para isso, os criadores utilizam uma técnica conhecida como gavage.

    A imagem mostra um prato típico francês, o Foie Gras.
    O órgão animal aumenta diversas vezes de tamanho e adquire a textura característica do produto — Foto: Reprodução/PUC

    Durante esse processo, eles introduzem um tubo no esôfago da ave e fornecem grandes quantidades de alimento altamente energético. Em geral, essa etapa dura entre duas e três semanas e ocorre duas ou três vezes por dia.

    Impactos para as aves

    Em 1998, o Comitê Científico de Saúde e Bem-Estar Animal da União Europeia publicou um relatório sobre os efeitos da produção do foie gras.

    Segundo o documento, muitas aves evitam o contato com os tratadores durante o período de alimentação forçada. Além disso, o aumento do fígado compromete a postura e dificulta a locomoção. Em alguns casos, os animais permanecem sentados durante boa parte do dia.

    O relatório também informa que a introdução repetida do tubo pode provocar dor e lesões no esôfago. Ao mesmo tempo, o crescimento exagerado do fígado caracteriza uma condição patológica capaz de causar desconforto e alterações fisiológicas.

    Outro ponto destacado envolve o comportamento natural das aves. Normalmente, patos e gansos procuram alimento, exploram o ambiente e vivem em grupos. Entretanto, sistemas intensivos de criação podem limitar ou impedir esses comportamentos.

    A história do foie gras

    Embora muitos associem o foie gras à gastronomia francesa, sua origem é muito mais antiga.

    Pesquisadores encontraram registros da prática no Egito Antigo, há cerca de 4.500 anos. Pinturas da época mostram gansos sendo alimentados intensivamente, o que indica que os egípcios já conheciam técnicas semelhantes.

    Os egípcios observaram que aves migratórias acumulavam gordura no fígado antes de longas viagens — Foto: Reprodução/The Archaeologist

    Posteriormente, autores como Heródoto e Homero também citaram métodos de engorda de aves.

    Com o passar dos séculos, a técnica se espalhou pela Europa. No século XVII, ela ganhou força no sudoeste da

    Proibição

    Diversos países já proibiram a produção de foie gras por considerarem a alimentação forçada incompatível com normas de bem-estar animal. Ainda assim, muitos deles continuam permitindo a venda e o consumo da iguaria.

    No Brasil, a cidade de São Paulo aprovou uma lei com esse objetivo em 2015. No entanto, o Tribunal de Justiça declarou a norma inconstitucional porque entendeu que o município não tinha competência para regulamentar a comercialização do produto.

    Enquanto isso, Nova York aprovou uma lei em 2019 para proibir a venda de foie gras. Em 2026, a Justiça autorizou sua aplicação. Mesmo assim, disputas judiciais ainda podem influenciar a implementação definitiva da medida.

  • Fazendeiro cria “armadura” para proteger ovelhas de ataques de lobos

    Fazendeiro cria “armadura” para proteger ovelhas de ataques de lobos

    Uma espécie de armadura para ovelhas chamou a atenção de produtores rurais e especialistas em fauna na Europa. Desenvolvido na Áustria, o equipamento funciona como uma cota de malha moderna: uma rede com pontas de plástico que envolve o animal e promete impedir que lobos consigam alcançar sua garganta durante um ataque.

    A invenção é obra do austríaco Rudolf Schaubach, de 72 anos, ex-agricultor e ex-caçador. Depois de três anos de testes, ele registrou a tecnologia no Escritório Europeu de Patentes e passou a defendê-la como uma alternativa para reduzir os prejuízos causados pelos ataques aos rebanhos sem recorrer ao abate dos predadores.

    Ao jornal austríaco Kronen Zeitung, resumiu a proposta em uma frase: buscava uma forma de fazer com que “os dois possam viver livres”, em referência às ovelhas e aos lobos.

    A ideia, no entanto, saiu rapidamente do campo para os tribunais. O primeiro teste com animais acabou interrompido após denúncias de entidades de proteção animal, que acusaram o inventor de maus-tratos.

    ovelha com armadura de proteção
    Foto: Rudolf Schaubach

    O caso passou a ser investigado pelas autoridades austríacas e reacendeu um debate que cresce em diversos países europeus: como proteger os rebanhos diante do avanço da população de lobos sem comprometer o bem-estar dos animais nem a conservação da espécie.

    A discussão ganhou força justamente em um momento de mudança nas políticas ambientais da União Europeia. Com o aumento dos ataques ao rebanho em vários países, governos vêm flexibilizando regras para o controle da espécie, enquanto produtores buscam novas formas de convivência com um predador que voltou a ocupar antigas áreas de ocorrência.

    Proteção busca impedir a mordida fatal

    A estrutura mede cerca de 1,5 metro por 1,6 metro e pesa entre dois e três quilos, valor semelhante ao peso da lã produzida por uma ovelha adulta.

    A rede utiliza pontas de plástico revestidas por mangueiras de borracha e permanece presa ao corpo por faixas elásticas. Segundo o inventor, a intenção não é ferir o lobo, mas tornar a mordida desconfortável.

    Em entrevista à revista Der Spiegel, Schaubach explicou que a proteção foi projetada para defender justamente a região onde o predador costuma atacar. “O lobo sempre morde o pescoço. Quando ele encontrar as pontas, vai sentir dor, mas não ficará gravemente ferido”, afirmou.

    Na avaliação dele, a experiência tende a mudar o comportamento do animal. “Ele vai se lembrar disso”, disse o inventor à publicação alemã, ao defender que o desconforto provocado pelas pontas pode ser suficiente para evitar novos ataques.

    Teste terminou antes do esperado

    O primeiro teste ocorreu em maio de 2026 em uma propriedade localizada na região de Gailtal, no estado austríaco da Caríntia.

    O produtor equipou três ovelhas com a proteção e levou os animais para uma área onde lobos já haviam atacado rebanhos. A ovelha “Ananas”, seu cordeiro “Cabanossi” e outro animal passaram a usar a proteção enquanto câmeras monitoravam o local para registrar um eventual encontro com o predador.

    Infográfico sobre o projeto

    Entretanto, o experimento durou poucos dias.

    Após denúncias de entidades de proteção animal, um veterinário oficial determinou a retirada do equipamento antes que as câmeras registrassem qualquer ataque de lobo.

    Entidade aponta riscos ao bem-estar das ovelhas

    A organização Tierschutz Austria protocolou uma denúncia contra o inventor e também contra o produtor responsável pelo teste.

    A ativista Madeleine Petrovic classificou a invenção como “uma péssima ideia”. Segundo ela, um perito judicial concluiu que a estrutura compromete a movimentação das ovelhas e pode aumentar o risco de acidentes durante uma fuga, principalmente em áreas com vegetação densa.

    Os críticos também afirmam que a proteção cobre apenas parte do corpo, deixando patas e úbere vulneráveis. Dessa forma, o equipamento não impediria completamente os ataques.

    Além disso, a entidade pediu a abertura de um procedimento administrativo por suposta violação da legislação austríaca de proteção animal.

    Inventor rejeita as acusações

    Schaubach contesta todas as críticas e afirma que muitos dos questionamentos partiram de pessoas que nunca acompanharam os testes de perto.

    Em entrevista ao Der Spiegel, ele disse que as ovelhas usaram o equipamento durante três ou quatro dias sem apresentar qualquer dificuldade. “A ovelha deitou, levantou e o cordeiro mamou normalmente. Não vejo o que haveria de inadequado nisso”, afirmou.

    O inventor também criticou a forma como o projeto passou a ser avaliado. “Ninguém entrou em contato comigo”, declarou à revista alemã, ao afirmar que boa parte das críticas foi feita por pessoas que apenas assistiram a vídeos ou viram fotografias divulgadas na internet.

    Schaubach rejeitou ainda os argumentos de que o equipamento poderia provocar desidratação, impedir que as ovelhas se deitassem ou ser pesado demais para os animais. “Isso é um absurdo”, disse ao Der Spiegel.

    Enquanto a investigação segue em andamento, ele trabalha em uma segunda versão do projeto. A nova proposta protegerá principalmente o pescoço e a parte inferior do corpo, reduzindo o peso da estrutura e facilitando o uso nas propriedades.

    Investimento já supera 50 mil euros

    O desenvolvimento da tecnologia consumiu entre 50 mil e 60 mil euros, incluindo despesas com patente e assessoria jurídica.

    Até agora, nenhuma unidade foi comercializada. O inventor procura uma empresa para fabricar o equipamento em escala industrial.

    Em entrevista ao Der Spiegel, Schaubach afirmou que a adoção em larga escala dependerá de incentivos públicos. “Essas redes precisariam receber subsídios da União Europeia para que os produtores pudessem comprá-las”, afirmou.

    Segundo ele, a expectativa é que cada unidade tenha vida útil de várias décadas e possa acompanhar os animais durante toda a temporada de pastejo, reduzindo o custo para os pecuaristas ao longo do tempo.

    Ataques de lobos continuam pressionando a pecuária

    ovelha com armadura de proteção
    Foto: Rudolf Schaubach

    O debate ocorre em um momento de crescimento da população de lobos em diferentes regiões da Europa.

    Na Alemanha, registros oficiais mostram que mais de 4 mil animais de produção foram mortos por lobos em 2024. Mais de 90% das vítimas eram ovelhas e cabras.

    Na Áustria, especialmente na Caríntia, cerca de 2 mil criadores mantêm aproximadamente 50 mil ovelhas. Mesmo com cercas elétricas, cães de guarda e outras medidas de proteção, os ataques continuam ocorrendo.

    Esse cenário aumentou a pressão por soluções que permitam reduzir as perdas sem eliminar os predadores.

    Europa flexibiliza regras para controle do lobo

    O avanço dos conflitos também influenciou a política ambiental europeia.

    Em maio de 2025, os países da União Europeia aprovaram a redução do nível de proteção do lobo. A espécie deixou de ser considerada “estritamente protegida” para passar à categoria de “protegida”, o que facilita o controle populacional em regiões onde os ataques aos rebanhos são recorrentes.

    Na Alemanha, novas regras aprovadas em março de 2026 também ampliaram a possibilidade de abate sob condições específicas. Em áreas com excesso de lobos e histórico de ataques, a legislação passou a permitir a retirada dos animais de forma mais rápida.

    Mesmo assim, organizações ambientalistas defendem que o fortalecimento das medidas de proteção dos rebanhos continua sendo a estratégia mais eficiente para reduzir os prejuízos dos produtores.

    Debate continua sem consenso

    A invenção de Rudolf Schaubach transformou uma solução experimental em um debate que ultrapassou as fronteiras da Áustria.

    De um lado, produtores enxergam na proteção uma alternativa para diminuir as perdas sem recorrer ao abate de lobos. De outro, entidades de defesa animal questionam se o equipamento realmente respeita o bem-estar das ovelhas.

    Enquanto as autoridades austríacas analisam a denúncia, o inventor aperfeiçoa o projeto e aguarda uma oportunidade para retomar os testes. O resultado poderá indicar se a chamada “armadura” para ovelhas representa uma nova ferramenta de proteção dos rebanhos ou apenas mais um capítulo na busca por um equilíbrio entre a produção pecuária e a conservação da fauna europeia.

  • Estudo revela como carinho melhora o bem-estar de pintinhos

    Estudo revela como carinho melhora o bem-estar de pintinhos

    Um simples gesto pode fazer diferença na criação de aves. Um estudo realizado pela Universidade de Bristol revelou que o contato humano gentil reduz o medo dos pintinhos e estimula emoções positivas, contribuindo para o bem-estar dos animais nas granjas.

    Segundo os pesquisadores, pequenas mudanças na rotina de manejo já são suficientes para gerar resultados significativos. Falar em tom calmo, manipular os filhotes com cuidado e evitar movimentos bruscos ajudam a tornar o ambiente menos estressante.

    Pesquisa observou mudanças no comportamento dos pintinhos

    Os cientistas avaliaram como os animais reagiam a diferentes formas de interação humana.

    Durante o experimento, os pintinhos foram apresentados a dois ambientes distintos.

    Em um deles, uma pessoa permanecia em silêncio e sem qualquer contato com as aves.

    No outro, os animais recebiam carinho, eram manuseados cuidadosamente e ouviam uma voz tranquila.

    Depois dessa etapa, os pesquisadores permitiram que os pintinhos escolhessem livremente onde permanecer.

    O resultado chamou atenção: a maioria retornou ao ambiente associado ao contato gentil.

    Segundo os autores do estudo, essa escolha indica que os animais desenvolveram uma preferência positiva pelo espaço onde receberam uma interação cuidadosa.

    O que a descoberta representa para a avicultura

    Os resultados mostram que o comportamento dos trabalhadores influencia diretamente a percepção dos animais sobre o ambiente de criação.

    Com um manejo mais tranquilo, é possível reduzir situações de estresse e favorecer melhores condições de bem-estar durante o desenvolvimento dos pintinhos.

    Além dos benefícios para os animais, práticas de manejo mais cuidadosas podem contribuir para sistemas produtivos mais eficientes e alinhados às exigências atuais da avicultura.

    Bem-estar animal vai além da ausência de sofrimento

    A pesquisa reforça um conceito cada vez mais presente na produção animal moderna.

    Hoje, especialistas defendem que garantir o bem-estar não significa apenas evitar dor ou sofrimento, mas também proporcionar experiências positivas durante a criação.

    Nesse contexto, atitudes simples dos profissionais que trabalham nas granjas podem fazer parte de uma estratégia de melhoria contínua na produção.

  • Atriz de ‘Friends’ lança fundação global para proteger animais

    Atriz de ‘Friends’ lança fundação global para proteger animais

    A atriz Jennifer Aniston, conhecida mundialmente por interpretar Rachel na série Friends, anunciou a criação do The Clydeo Fund, uma fundação dedicada ao resgate, à reabilitação e à adoção de animais em situação de vulnerabilidade.

    A iniciativa também pretende apoiar organizações que atuam na linha de frente da proteção animal, financiando tratamentos veterinários, ações educativas e projetos voltados à guarda responsável.

    Projeto foi inspirado em um dos cães da atriz

    O nome da fundação é uma homenagem a Clyde, um dos cães resgatados por Jennifer Aniston.

    O animal também inspirou o livro infantil Clydeo Takes A Bite Out of Life, lançado pela atriz. Segundo Jennifer, sua experiência com animais adotados mostrou como a adoção pode transformar tanto a vida dos pets quanto a de seus tutores.

    Ela afirma que cada gesto de solidariedade pode fazer diferença para milhares de animais que aguardam uma nova oportunidade.

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    Jennifer Aniston incentiva participação da população

    Durante o lançamento da iniciativa, Jennifer Aniston destacou que a proteção animal depende da participação coletiva.

    Além das doações, a atriz incentiva o público a colaborar oferecendo lares temporários, adotando animais resgatados e apoiando instituições que trabalham diariamente com essa causa.

    Segundo ela, muitos abrigos enfrentam dificuldades financeiras e operam acima da capacidade, tornando o apoio da sociedade ainda mais importante.

    Fundação busca fortalecer a proteção animal

    Com o The Clydeo Fund, Jennifer Aniston amplia seu envolvimento com a causa animal ao criar uma iniciativa voltada ao financiamento de projetos de resgate, tratamento e adoção.

    A proposta é fortalecer organizações de proteção animal e estimular uma cultura de responsabilidade, respeito e cuidado com animais em situação de vulnerabilidade.

  • IA pode evitar descarte de pintinhos machos na produção de ovos

    IA pode evitar descarte de pintinhos machos na produção de ovos

    Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, pode transformar a avicultura ao analisar ovos sem romper a casca. O sistema combina imagens hiperespectrais e inteligência artificial (IA) para identificar, nos primeiros dias de incubação, se o embrião está vivo, qual é a probabilidade de sobrevivência e até mesmo o sexo do futuro pintinho.

    Além de ampliar a eficiência dos incubatórios, a inovação busca reduzir perdas produtivas e melhorar o manejo das aves. Dessa forma, a tecnologia também pode contribuir para tornar a cadeia avícola mais sustentável.

    Tecnologia enfrenta desafios dos incubatórios

    Os pesquisadores desenvolveram o sistema para solucionar problemas recorrentes da produção. Entre eles estão a mortalidade embrionária, que reduz a produtividade, e a necessidade de encontrar alternativas para o descarte de pintinhos machos das linhagens destinadas à produção de ovos.

    Segundo a equipe, a mortalidade embrionária pode ultrapassar 10% dos ovos incubados em algumas operações. Além do prejuízo econômico, ovos com embriões mortos favorecem a proliferação de microrganismos. Por isso, eles aumentam os riscos sanitários e exigem monitoramento constante dentro dos incubatórios.

    Atualmente, a indústria utiliza principalmente a ovoscopia para identificar esses ovos. A técnica emprega uma fonte de luz para observar o desenvolvimento embrionário. No entanto, o processo exige inspeções frequentes e depende de mão de obra especializada.

    Sistema alcança 97% de precisão

    Durante o estudo, a equipe analisou 300 ovos antes e nos primeiros dias de incubação. Em seguida, sensores captaram imagens além da faixa de luz visível. Com essas informações, modelos de inteligência artificial aprenderam a reconhecer padrões associados a embriões viáveis e inviáveis.

    Como resultado, o sistema atingiu 97% de precisão na identificação da mortalidade embrionária já no quarto dia de incubação. Assim, a tecnologia pode antecipar decisões importantes e reduzir desperdícios nos incubatórios.

    Leia mais: Carinho em pintinhos pode ser chave para bem-estar nas granjas

    IA também identifica o sexo dos embriões

    Os pesquisadores ampliaram o estudo para identificar o sexo dos embriões antes da incubação. Esse avanço atende a uma demanda importante da produção de ovos.

    Nas linhagens poedeiras, os pintinhos machos não possuem aproveitamento comercial. Eles não produzem ovos e também não apresentam desempenho adequado para a produção de carne. Estima-se que cerca de 6 bilhões sejam descartados todos os anos em todo o mundo.

    Para enfrentar esse desafio, a equipe utilizou a mesma combinação de imagens hiperespectrais e inteligência artificial. Em seguida, treinou algoritmos para diferenciar embriões machos e fêmeas com base nas características registradas nas imagens.

    Os testes alcançaram aproximadamente 75% de precisão na identificação do sexo antes mesmo do início da incubação.

    Sensores avaliam qualidade dos ovos

    Além das análises embrionárias, a pesquisa avaliou o uso de sensores ópticos para medir características físicas dos ovos sem quebrar a casca.

    Entre os parâmetros analisados estão a espessura da casca, a resistência e a proporção de gema. Essas informações podem fortalecer o controle de qualidade e aumentar a eficiência dos processos produtivos.

    Próximo passo é automatizar a classificação

    Os pesquisadores esperam integrar sensores, inteligência artificial e automação em um único sistema. Com isso, incubatórios poderão classificar ovos em larga escala com mais rapidez e precisão.

    Além disso, a equipe já desenvolve equipamentos equipados com braços robóticos. Esses dispositivos deverão separar automaticamente os ovos conforme os resultados obtidos durante as análises, tornando o processo ainda mais eficiente para a avicultura.