Tag: bem estar animal

  • Borboleta ferida ganha prótese de asa feita com pétalas de orquídea

    Borboleta ferida ganha prótese de asa feita com pétalas de orquídea

    Tinha tudo para ser só mais um inseto morto à beira do caminho. Mas quando Morhaf Ghazi, de 30 anos, encontrou uma borboleta ferida durante uma trilha em Amã, na Jordânia, ele não passou por ela como se nada fosse. Levou o inseto para casa, cuidou por dias e, no fim, fez algo que parece saído de um conto: criou uma prótese de asa para borboleta usando pétalas de orquídea que estavam preservadas dentro de um livro há quase nove anos.

    Sim, nove anos guardadas em um livro. E foram exatamente essas pétalas que deram uma segunda chance de vida à borboleta.

    A trilha que virou resgate

    Morhaf percebeu que havia algo errado logo de cara. A borboleta estava no chão e não conseguia voar. Ao examinar com atenção, ele viu o problema: a asa direita estava muito amassada, comprometida a ponto de impedir qualquer movimento no ar.

    Ele levou o inseto para casa com cuidado e começou um processo de recuperação improvisado, mas cheio de atenção. “Durante alguns dias, eu a alimentei com água com açúcar. Ela ficou em um buquê de flores onde coloquei gotinhas para ela beber”, contou Morhaf ao New York Post. Por dias, a borboleta virou hóspede da casa, sendo alimentada e observada de perto enquanto ele pensava no próximo passo.

    Pétalas de orquídea e uma hora de cirurgia artesanal

    Foi aí que a ideia surgiu. Morhaf tinha pétalas de orquídea rosa preservadas dentro de um livro desde 2017, quase uma década guardadas sem uso aparente. Ele traçou cuidadosamente o formato da asa saudável da borboleta e usou as pétalas como material para construir uma substituta à mão.

    Antes de colocar a prótese, ele pesquisou como manusear borboletas com segurança. O que descobriu deu coragem para avançar: borboletas não sentem dor nas asas, apenas pressão. Com esse dado em mente, ele removeu a asa danificada e fixou a nova. “Todo o processo levou cerca de uma hora, sem contar os dias que passei cuidando dela antes”, explicou.

    No mundo da lepidopterologia, a asa das borboletas é formada por escamas de quitina extremamente finas, o que torna qualquer intervenção delicada e arriscada. Morhaf não tinha formação em biologia, mas agiu com paciência e precisão acima da média.

    Ela voltou a voar

    Depois da intervenção, a borboleta começou a se movimentar melhor. Gradualmente, voltou a usar as asas, e o que parecia impossível se tornou real: ela voou de novo. Morhaf registrou o momento em vídeo, que rapidamente viralizou nas redes sociais e chamou atenção de pessoas ao redor do mundo.

    No entanto, a história levanta uma reflexão além do encantamento: o quanto estamos dispostos a pausar, observar e agir quando um ser vivo ao nosso redor precisa de ajuda? Morhaf não era veterinário, não tinha equipamento especializado e não tinha nenhuma obrigação. Tinha só atenção.

  • Por que o Brasil proibiu o abate de jumentos e o que está em jogo agora?

    Por que o Brasil proibiu o abate de jumentos e o que está em jogo agora?

    Uma sentença federal emitida na última segunda-feira (13) determinou a interrupção imediata do abate de jumentos no Brasil e a retirada dos animais de frigoríficos, fazendas e transportes destinados à exploração. A juíza Arali Maciel Duarte, da Justiça Federal na Bahia, assinou a decisão reconhecendo maus-tratos sistemáticos, falhas sanitárias graves e risco real de extinção da espécie no País. O animal que carregou o peso do trabalho rural no Nordeste por gerações agora enfrenta uma ameaça silenciosa e veloz.

    De companheiro de trabalho a produto de exportação

    A história do jumento no Brasil mudou radicalmente nas últimas décadas. O que era símbolo de parceria no campo tornou-se alvo de um mercado bilionário centrado na China, onde a pele do animal serve para produzir o ejiao, um remédio tradicional muito valorizado na medicina chinesa. O funcionamento desse mercado é simples e brutal: caçadores capturam jumentos abandonados ou comprados de pequenos produtores a preços irrisórios, muitas vezes de forma clandestina, e os levam a abatedouros sem qualquer cuidado com o bem-estar animal. Além disso, o transporte acontece em condições precárias e sem higiene básica, o que eleva o risco de disseminação de doenças zoonóticas como o mormo.

    Uma queda de 94% em menos de três décadas

    Os números revelam a dimensão do problema. Entre 1997 e 2024, a população de jumentos no Brasil despencou 94%. Além do impacto direto na biodiversidade, especialistas alertam que a extinção da subespécie representaria uma perda irreversível de conhecimento científico sobre um animal altamente adaptado às condições do sertão nordestino. Por isso, entidades de defesa animal pressionam pela proibição do abate desde 2018. Desde então, a disputa nos tribunais acumulou avanços e retrocessos, com decisões favoráveis e contrárias ao movimento se alternando ao longo de oito anos.

    O que diz quem defende o abate

    O argumento econômico é o principal escudo dos favoráveis à atividade. Três abatedouros detêm autorização legal para abater jumentos no Brasil, todos localizados na Bahia, e pelo menos um deles segue em operação. Para os defensores do setor, encerrar essas atividades afetaria diretamente a economia das pequenas cidades onde os abatedouros estão instalados. Trata-se, portanto, de um impasse real: de um lado, a preservação de uma espécie em colapso e o combate a maus-tratos documentados. Do outro, o impacto econômico local em regiões já vulneráveis.

    O que muda agora

    A sentença da juíza Arali Maciel Duarte representa a decisão mais contundente já tomada nesse embate. A ordem é clara: interromper o abate e retirar os animais imediatamente dos locais de exploração. No entanto, o cumprimento da decisão ainda depende de desdobramentos jurídicos, e o histórico de idas e vindas nessa disputa sugere que o capítulo final está longe de ser escrito. O que está em jogo, contudo, já não é só o destino de um animal. É também a escolha sobre que tipo de relação o Brasil quer manter com sua própria biodiversidade.

  • Carinho em pintinhos pode ser chave para bem-estar nas granjas

    Carinho em pintinhos pode ser chave para bem-estar nas granjas

    O contato humano, quando feito de forma gentil, pode transformar o comportamento de pintinhos em granjas. Um estudo da Universidade de Bristol revelou que o toque cuidadoso não apenas reduz o medo dos animais, como também desperta emoções positivas, como sensação de bem-estar.

    Segundo os pesquisadores, pequenas mudanças na forma de manejo já são suficientes para gerar impactos significativos. Assim, práticas simples, como falar de forma suave e manipular os animais com cuidado, podem contribuir diretamente para melhorar a qualidade de vida dos filhotes.

    Foto: Reprodução/Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil

    Menos medo e mais bem-estar

    De acordo com o estudo, pintinhos que receberam interação gentil apresentaram níveis menores de estresse. Além disso, eles demonstraram maior tranquilidade em comparação àqueles que tiveram contato neutro com humanos.

    Esse resultado reforça a importância do comportamento humano dentro das granjas. Afinal, o manejo diário influencia diretamente a forma como os animais percebem o ambiente ao seu redor.

    Experimento revelou preferência clara

    Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram um método comum em estudos comportamentais. Primeiro, os pintinhos foram expostos a dois ambientes diferentes.

    Em uma sala, um humano permanecia em silêncio, sem interação. Já na outra, os animais recebiam carinho, eram manuseados com calma e ouviam palavras em tom suave.

    Na sequência, os pesquisadores liberaram os pintinhos para escolher onde gostariam de permanecer. O resultado foi direto: a maioria optou pela sala onde havia interação gentil.

    Além disso, os animais não evitaram totalmente o ambiente neutro. No entanto, demonstraram preferência ativa pelo espaço associado ao carinho, o que indica uma atração real pelo toque humano.

    Impacto direto no agronegócio

    Os resultados vão além da curiosidade científica. Na prática, o estudo aponta caminhos para melhorar o manejo dentro das granjas.

    Ao adotar práticas mais cuidadosas, produtores podem reduzir o estresse dos animais. Consequentemente, isso pode favorecer o desenvolvimento dos pintinhos e melhorar o bem-estar geral no sistema produtivo.

    Além disso, a pesquisa reforça uma mudança importante no setor: o bem-estar animal deixa de ser apenas a ausência de sofrimento e passa a incluir a promoção de experiências positivas.

    Pequenas mudanças, grandes resultados

    Os cientistas destacam que não são necessárias mudanças complexas ou altos investimentos. Pelo contrário, ajustes simples no comportamento dos trabalhadores já fazem diferença.

    Assim, o estudo indica que o futuro da produção animal pode estar ligado a práticas mais humanizadas e conscientes, que beneficiam tanto os animais quanto a produtividade.

  • Veja fotos: animais ganham ovos de Páscoa no Zoológico de São Paulo e cena encanta

    Veja fotos: animais ganham ovos de Páscoa no Zoológico de São Paulo e cena encanta

    Durante a Páscoa, uma ação especial chamou a atenção de visitantes no Zoológico de São Paulo e no Simba Safari. Animais como leões, tigres e suricatas receberam ovos preparados especialmente para suas dietas. Assim, a data ganhou um significado diferente dentro dos espaços de conservação.

    Além disso, a iniciativa despertou curiosidade entre os visitantes. Isso porque cenas incomuns passaram a fazer parte da rotina dos recintos. Dessa forma, o público pôde acompanhar de perto o comportamento dos animais diante dos novos estímulos.

    Enriquecimento ambiental vai além da alimentação

    Mais do que um gesto simbólico, a ação integra estratégias de enriquecimento ambiental. Nesse contexto, os alimentos são oferecidos de maneira diferente do habitual. Com isso, os animais precisam explorar, investigar e interagir com o ambiente.

    Foto: Zoo São Paulo
    Foto: Zoo São Paulo

     

    Assim, comportamentos naturais são estimulados de forma contínua. Além disso, esse tipo de prática contribui para tornar o ambiente mais dinâmico. Portanto, a alimentação passa a cumprir também um papel comportamental.

    Cada espécie reage de forma diferente

    Entre os destaques, os grandes felinos demonstraram curiosidade ao se aproximar dos ovos. Em seguida, passaram a explorar os itens com força e atenção. Ao mesmo tempo, espécies menores, como os suricatas, apresentaram comportamento ágil e investigativo.

    Dessa forma, cada grupo respondeu de acordo com suas características naturais. Enquanto alguns animais exploraram com intensidade, outros observaram antes de interagir. Assim, a atividade revelou padrões importantes do comportamento de cada espécie.

    Alimentação adaptada garante segurança

    Além da interação, a preparação dos alimentos seguiu critérios técnicos. Carnívoros receberam itens compatíveis com sua dieta, enquanto outros animais tiveram versões específicas. Portanto, nenhuma adaptação comprometeu a nutrição dos indivíduos.

    Ao mesmo tempo, equipes técnicas acompanharam toda a atividade. Dessa forma, garantiram que o consumo ocorresse de forma segura e adequada. Assim, o enriquecimento acontece sem riscos à saúde dos animais.

    Foto: Zoo São Paulo

    Bem-estar animal é prioridade

    Por outro lado, especialistas destacam que práticas como essa impactam diretamente o bem-estar animal. Isso ocorre porque ambientes mais estimulantes reduzem o estresse e aumentam o nível de atividade.

    Além disso, a rotina se torna mais próxima do comportamento natural das espécies. Dessa maneira, os animais mantêm maior equilíbrio físico e mental. Portanto, ações simples podem gerar resultados significativos no manejo.

    Aproximação com o público reforça conscientização

    Ao mesmo tempo, a iniciativa aproxima o público da realidade dos zoológicos. Visitantes conseguem entender melhor como funciona o cuidado diário com os animais. Assim, a experiência vai além da observação.

    Foto: Zoo São Paulo
    Foto: Zoo São Paulo

    Nesse cenário, cresce também a conscientização sobre a importância da preservação. Instituições como o Zoológico de São Paulo desenvolvem ações contínuas voltadas à conservação, educação ambiental e pesquisa.

    Por fim, datas comemorativas como a Páscoa passam a ter um papel educativo. Além de entreter, ajudam a fortalecer a conexão entre sociedade e meio ambiente.

  • Búfala Catarina se torna fenômeno nas redes sociais

    Búfala Catarina se torna fenômeno nas redes sociais

    Felipe Rezende enfrenta diariamente uma pergunta inusitada dos amigos: “búfalos são de outro planeta?” A dúvida, que pode parecer absurda para quem trabalha com bubalinocultura, revela o desconhecimento geral sobre esses animais. O produtor rural decidiu mudar esse cenário e transformou a Fazenda Cantão em um fenômeno digital.

    Foto: Arquivo Pessoal

    Com menos de 900 publicações no feed, o perfil @fazendacantao ultrapassou 200 mil seguidores no Instagram. O número cresce rapidamente – apenas algumas horas após comemorar a marca, a página ganhou outros 11 mil inscritos.

    Rezende dedica o conteúdo a mostrar o dia a dia da propriedade em Piumhi, interior de Minas Gerais. O criador foca especialmente na docilidade e no comportamento afetuoso dos búfalos, características que surpreendem quem nunca teve contato com a espécie.

    “Comecei a perceber que poderia mostrar às pessoas aquilo que vivi na prática. Gravei minhas rotinas na fazenda, principalmente com os búfalos. A receptividade foi crescendo, passei a dar nomes aos animais, e a galera começou a reagir e interagir. Isso tomou grandes proporções”, explica o produtor.

    Catarina: a búfala blogueira que rouba a cena

    A estrela absoluta dos perfis é Catarina, uma búfala que possui centenas de quilos e carisma de sobra. A “blogueirinha” ganhou perfil próprio no Instagram (@bufalacatarina) e encanta seguidores com poses diferentes em cada publicação.

    “No topo da lista está a Catarina, que desperta um amor realmente muito grande. Ela foi pioneira nessa história toda. Quando bezerra, ficou doente e quase morreu. Cuidei dela e desenvolvemos uma conexão muito forte. As pessoas percebem isso. A Catarina é uma búfala diferenciada”, conta Rezende.

    https://www.instagram.com/p/Cl9SGREptJQ/

    Cada postagem da “atriz” mostra a diversão e o respeito com que os animais vivem na propriedade. O conteúdo atrai especialmente pessoas que nunca entraram em uma fazenda onde o bem-estar animal é prioridade.

    Da pecuária tradicional à bubalinocultura leiteira

    Felipe Rezende e o pai decidiram abandonar a criação de vacas holandesas para investir na produção leiteira com búfalos. Hoje, o produtor integra a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e reconhece sua influência na cadeia produtiva.

    “Acredito que influencio a cadeia leiteira, principalmente nas boas práticas de manejo e nos bons tratos aos animais”, pondera.

    O receio inicial do próprio Rezende quanto ao tamanho e à aparência dos búfalos motivou sua atuação digital. Ao perceber que outras pessoas compartilhavam os mesmos preconceitos, o criador viu a oportunidade de educar o público sobre a espécie.

    Conteúdo para todas as idades conquista internet

    Os perfis da Fazenda Cantão e da búfala Catarina oferecem conteúdo adequado para todas as idades. A descrição do perfil da propriedade traz um alerta bem-humorado: “Cuidado! Você vai se apaixonar por búfalos”.

    A estratégia de mostrar a realidade da bubalinocultura com leveza e autenticidade transforma seguidores em admiradores da espécie. O trabalho de Rezende prova que desmistificar preconceitos e promover boas práticas de manejo pode gerar engajamento genuíno nas redes sociais.

  • MBRF se une a gigantes do setor em coalizão inédita pelo bem-estar animal no Brasil

    MBRF se une a gigantes do setor em coalizão inédita pelo bem-estar animal no Brasil

    A MBRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, acaba de fortalecer um movimento setorial no Brasil. A companhia anunciou sua adesão à Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), uma coalizão pré-competitiva que reúne gigantes do setor para impulsionar práticas responsáveis.

    Criada em 2024 pela certificadora Produtor do Bem, a COBEA representa uma iniciativa inédita de cooperação no Sul Global. O grupo tem o objetivo de acelerar a evolução do bem-estar animal no país por meio do compartilhamento de conhecimento e do diálogo ampliado.

    Com a entrada da MBRF, a coalizão agora conta com nove grandes organizações. JBS Brasil, Nestlé Brasil, Danone Brasil, Minerva Foods, Grupo IMC, Special Dog Company, Planalto Ovos e Mantiqueira Brasil já integram o grupo.

    Liderança e sinergia estratégica

    A diretora-executiva da COBEA, Elisa Tjarnstrom, destacou o peso da nova integrante. “A MBRF tem um papel essencial para fortalecer o trabalho colaborativo na cadeia de valor e impulsionar soluções que acelerem os avanços em bem-estar animal”, afirmou.

    Para a MBRF, a adesão significa uma sinergia estratégica. A empresa já mantém um programa consolidado na área, com compromissos públicos para aves, suínos e bovinos. Seus padrões se alinham a diretrizes nacionais e internacionais de manejo responsável e abate humanitário.

    Compromissos e práticas existentes

    Entre os marcos já alcançados pela companhia, destacam-se:

    • Auditorias em todas as unidades de abate conforme padrões internacionais de bem-estar animal.
    • Criação de 100% das aves do sistema de integração livres de gaiolas.
    • Uso global de ovos provenientes exclusivamente de galinhas criadas fora de gaiolas.

    A multinacional também atua junto a seus fornecedores globais por meio do projeto “Excelência em Bem-estar Animal na Cadeia de Suprimentos”. A iniciativa promove capacitações e visitas técnicas para engajar todos os elos do setor.

    Visão de futuro para o setor

    Paulo Pianez, diretor global de Sustentabilidade e Relações Corporativas da MBRF, vê a colaboração como um passo decisivo. “Esta união impulsionará avanços relevantes para todo o setor”, declarou.

    Pianez reforçou que a parceria permite à empresa contribuir de forma mais ativa para o diálogo global. O objetivo é consolidar padrões que reflitam não apenas as práticas atuais, mas “o futuro que queremos construir para o agronegócio brasileiro”, concluiu o executivo.

    A iniciativa sinaliza um esforço coletivo das principais players do setor para posicionar o Brasil como referência global em bem-estar animal, combinando produtividade com responsabilidade socioambiental.

  • Vacinação contra brucelose em São Paulo termina em 31 de dezembro

    Vacinação contra brucelose em São Paulo termina em 31 de dezembro

    A Defesa Agropecuária, vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), alerta os produtores rurais que o prazo da campanha de vacinação contra a brucelose do segundo semestre encerra na quarta-feira, 31 de dezembro. A partir de 1º de janeiro, tem início a campanha do primeiro semestre de 2026, com prazo até 30 de junho para imunizar bezerras bovinas e bubalinas de três a oito meses de idade.

    Por se tratar de uma vacina viva, capaz de causar infecção ao manipulador, apenas médico-veterinário cadastrado na Defesa Agropecuária pode aplicar o imunizante. O profissional é responsável por aplicar o imunizante e emitir o atestado de vacinação.

    A lista completa de veterinários habilitados pode ser consultada no portal oficial da Defesa Agropecuária: defesa.agricultura.sp.gov.br/credenciados.

    O responsável deve registrar a declaração de vacinação no GEDAVE

    O veterinário responsável deve registrar o atestado de vacinação no sistema GEDAVE (Gestão de Defesa Animal e Vegetal) em até quatro dias após o procedimento. O registro dentro do prazo garante a validação da imunização dos animais.

    Caso ocorram divergências entre o número de animais vacinados e o rebanho declarado, o sistema envia uma notificação automática ao produtor e ao médico-veterinário por e-mail. Nessas situações, o proprietário deve corrigir as informações para efetivar a declaração.

    Identificação com bottons substitui marcação a fogo

    O modelo alternativo de identificação, aprovado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), substitui a tradicional marcação a fogo, reduzindo o estresse animal e aumentando a segurança no manejo.

    A equipe identifica os animais imunizados com a vacina B19 com botton amarelo, enquanto marca as fêmeas vacinadas com a RB51 com botton azul. Em caso de perda ou dano do identificador, o produtor deve solicitar uma nova aplicação ao veterinário responsável ou à Defesa Agropecuária.

    O uso dos bottons é válido apenas no Estado de São Paulo. A legislação proíbe o trânsito de animais identificados por esse método para outros estados.

  • Tecnologia: como a automação eleva produtividade leiteira em 7,4%

    Tecnologia: como a automação eleva produtividade leiteira em 7,4%

    Um estudo global conduzido pela Lely analisou dados de 13.816 fazendas leiteiras e comprovou o que produtores rurais já suspeitavam: a automação combinada de ordenha e alimentação aumenta significativamente a produtividade. Os números mostram um ganho médio de 7,4% na produção diária de leite por vaca quando comparadas propriedades que automatizam ambos os processos com aquelas que robotizam apenas a ordenha.

    A pesquisa, realizada entre janeiro de 2023 e maio de 2024, avaliou indicadores como volume de produção, frequência de ordenhas e comportamento das vacas em relação aos sistemas automatizados. Os resultados apontam uma correlação direta entre a disponibilidade constante de alimento e o aumento nas visitas voluntárias aos robôs de ordenha.

    O segredo está na rotina

    Segundo Letícia Fernandes, especialista da equipe Farm Management Support da Lely América Latina, a tecnologia não substitui boas práticas — ela as aprimora. “Quando o básico é feito com precisão e constância, o resultado aparece em todos os níveis. A vaca se alimenta melhor, ordenha com mais frequência e o produtor ganha eficiência”, explica.

    O princípio é simples: vacas que têm acesso contínuo ao alimento seguem seu comportamento natural de se alimentar em pequenas porções ao longo do dia. Isso reduz períodos de jejum, melhora a digestão e, consequentemente, estimula a produção leiteira.

    Caso brasileiro comprova eficácia

    Na Cabanha Stefini, localizada em Sertão (RS), os resultados práticos superaram as expectativas. A propriedade mantém 60 vacas holandesas em lactação sob gestão de Diogo Stefini, zootecnista especializado em nutrição bovina.

    “O empurrador automático de comida fez as vacas voltarem mais vezes ao cocho. Em menos de 30 dias, registramos um aumento de 4 litros de leite por animal apenas com essa mudança”, relata o produtor.

    Após implementar também a ordenha robotizada, a fazenda alcançou um incremento total de aproximadamente 20% na produção. Além disso, houve redução significativa na demanda por mão de obra. “Hoje temos mais tempo para cuidar das bezerras e do planejamento estratégico. As vacas estão mais calmas, com menos estresse, o que trouxe estabilidade ao rebanho”, complementa Stefini.

    Tendência global em sustentabilidade

    Para Letícia Fernandes, os dados reforçam uma tendência mundial de integração entre tecnologia, bem-estar animal e rentabilidade econômica. “Eliminar tarefas repetitivas e garantir constância na rotina transforma o sistema em um ambiente produtivo 24 horas por dia, com animais mais saudáveis e ativos”, afirma.

    A especialista ressalta que, embora os números representem médias globais, os resultados podem variar conforme manejo, manutenção dos equipamentos e frequência de uso. “Mesmo com variações, as tendências mostram que a automação se tornou aliada indispensável da eficiência e sustentabilidade na pecuária leiteira moderna”, conclui.

    A pesquisa reforça o posicionamento da tecnologia como ferramenta estratégica para o futuro do agronegócio, combinando produtividade econômica com práticas de bem-estar animal. Uma demanda crescente tanto do mercado quanto de consumidores conscientes.

  • RJ impulsiona exportação de gado vivo com projeto pioneiro no Porto do Açu

    RJ impulsiona exportação de gado vivo com projeto pioneiro no Porto do Açu

    O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, deu um passo decisivo para se tornar um corredor de exportação de gado vivo para o Rio de Janeiro. Em uma visita técnica realizada nesta semana, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPPA) apresentou a produtores rurais e entidades do setor os detalhes do projeto que iniciará suas operações em escala experimental pelo Terminal Multicargas do porto.

    A iniciativa, considerada estratégica para o agronegócio fluminense, tem o objetivo de ampliar os mercados internacionais para a pecuária do estado, aumentando sua competitividade e rentabilidade. O encontro reuniu representantes do Sindicato Rural, da Federação de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), além de técnicos da Pesagro-Rio e da Superintendência de Defesa Agropecuária.

    De acordo com o secretário de Agricultura, Dr. Flávio, a medida é um marco para o setor. “Estamos criando condições para que os nossos produtores tenham acesso a novos mercados e possam competir com igualdade com outros estados exportadores. O Porto do Açu tem potencial para se tornar um grande corredor de exportação do nosso agro”, destacou.

    A primeira fase do projeto será crucial para o seu sucesso a longo prazo. Nesta etapa experimental, o foco será ajustar todos os protocolos operacionais, com ênfase no bem-estar animal e no rigoroso cumprimento das exigências sanitárias internacionais. O sucesso nessa fase é visto como fundamental para consolidar a confiança dos mercados importadores e garantir a sustentabilidade da operação.

    Parceria estratégica com o agro

    Para o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, a iniciativa fortalece a parceria com o setor agropecuário. “A proposta é possibilitar que os produtores utilizem o Porto do Açu para o escoamento de suas produções. O porto possui uma estrutura moderna e preparada. Nosso objetivo é ampliar a eficiência e a competitividade do setor, garantindo que os produtores tenham acesso a mercados internacionais, melhores preços e maior rentabilidade”, ressaltou Figueiredo.

    Foto: Divulgação

    A expectativa é que, uma vez consolidado, o novo corredor de exportação posicione o Rio de Janeiro não apenas como um player nacional no agronegócio. Mas também como uma referência emergente na exportação pecuária, trazendo novos investimentos e fortalecendo a economia local.

     

  • Identificação eletrônica reduz em 32% tempo de manejo em bovinos de corte, revela estudo

    Identificação eletrônica reduz em 32% tempo de manejo em bovinos de corte, revela estudo

    Um estudo realizado na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) comprovou que a identificação eletrônica (IE) é capaz de reduzir em 32,31% o tempo de manejo de bovinos de corte, comparado à marcação a fogo (MF). A pesquisa envolveu 22 bovinos Nelore na Fazenda Experimental Capim Branco e utilizou identificadores eletrônicos da marca Allflex.

    Os animais foram divididos em dois grupos para avaliar o tempo médio de manejo por cada método, medido semanalmente durante 11 semanas. O tempo médio de manejo com IE foi de 7,43 minutos, contra 10,98 minutos da marcação a fogo, evidenciando maior rapidez e eficiência no processo.

    Além da redução do tempo, a IE apresenta benefícios importantes, como otimização da mão de obra, diminuição do risco de acidentes e melhora no bem-estar animal, segundo o estudo elaborado pela zootecnista Bianca A. B. Pereira, para a conclusão do curso de Zootecnia da Universidade Federal de Uberlândia.

    A identificação eletrônica utilizada no experimento opera com tecnologia RFID (Radio Frequency Identification), que permite o reconhecimento dos animais via chips integrados, facilitando o registro e a gestão de dados como vacinação, peso, tratamentos e desempenho reprodutivo. Esses dados possibilitam um manejo individualizado e decisões mais assertivas na administração do rebanho, aumentando a produtividade e a sustentabilidade da pecuária.

    Evolução da pecuária

    Para Laura Villarreal, diretora da unidade de Ruminantes da MSD Saúde Animal, a IE, aliada à análise de dados e automação, será fundamental para a evolução da pecuária, proporcionando maior eficiência, segurança e rastreabilidade. “A implementação da identificação eletrônica como padrão na pecuária de corte é essencial para aumentar a eficiência produtiva e garantir o bem-estar dos animais”, afirma.

    O avanço da tecnologia no campo impulsiona a pecuária de precisão, abrindo novas oportunidades para produtores e atendendo às demandas do mercado nacional e exportador. Com a IE, é possível garantir um histórico completo e confiável dos animais. Portanto, agregando valor à produção e ajudando a posicionar o Brasil de forma competitiva no setor agropecuário.