Tag: aquicultura

  • Ibama inclui pirarucu em lista de espécies invasoras e preocupa setor produtivo

    Ibama inclui pirarucu em lista de espécies invasoras e preocupa setor produtivo

    O Ibama classificou o pirarucu (Arapaima gigas) como espécie exótica invasora fora de sua área natural, decisão que provocou forte reação do setor de piscicultura no país. A medida foi oficializada pela Instrução Normativa nº 7/2026, publicada recentemente. E levantou preocupações sobre insegurança jurídica, impactos nos investimentos e falta de diálogo com a cadeia produtiva.

    O novo enquadramento surpreendeu produtores e entidades representativas, já que o tema ainda estava em discussão na Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio). O setor questiona a falta de alinhamento institucional e o processo de decisão adotado pelo Ibama, que pode afetar diretamente o ambiente de negócios da piscicultura.

    Reconhecido como uma das espécies de maior potencial econômico da aquicultura nacional, o pirarucu já é cultivado em diversos estados. E impulsiona a geração de emprego e renda no interior do país. A nova classificação, entretanto, ameaça o planejamento produtivo, a expansão das atividades e a segurança jurídica dos empreendimentos do setor.

    O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, afirmou que a medida traz contradições e insegurança ao setor. “A decisão causa grande preocupação, principalmente pela ausência de diálogo sobre um tema tão sensível. O pirarucu é estratégico para a piscicultura brasileira e tem forte potencial para o desenvolvimento regional”, destacou.

    Políticas públicas

    Medeiros também apontou o paradoxo nas políticas públicas sobre o tema. “Há poucos anos, o governo incentivava a produção de pirarucu como alternativa sustentável para a aquicultura. Agora, a nova norma pode restringir sua utilização e criar um precedente perigoso”, reforçou.

    Diante da repercussão, a Peixe BR defende a revisão imediata da Instrução Normativa nº 7/2026. E pede maior articulação entre os órgãos públicos e o Ministério da Pesca e Aquicultura. Para a entidade, garantir previsibilidade e estabilidade regulatória é essencial para preservar os investimentos e o crescimento da piscicultura nacional.

  • Tanques-rede de grande volume avançam na criação de tilápias

    Tanques-rede de grande volume avançam na criação de tilápias

    O Instituto de Pesca (IP-Apta), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, amplia as pesquisas sobre o uso de tanques-rede de grande volume na piscicultura continental, com foco na sustentabilidade e na eficiência produtiva da criação de tilápias.

    Desde 2017, a Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental, em São José do Rio Preto (SP), conduz os estudos em parceria com a Fisher Piscicultura Água Vermelha. Os testes ocorrem no reservatório de Água Vermelha, onde os tanques-rede funcionam em estrutura comercial, enquanto as análises de qualidade da água e desempenho dos peixes são realizadas nos laboratórios do Instituto.

    Estruturas flutuantes sustentáveis

    Os tanques-rede de grande volume consistem em estruturas flutuantes de materiais duráveis, como duralumínio e telas de aço inox, ideais para o cultivo intensivo de peixes. Podem ser instalados em reservatórios de hidrelétricas, lagos e outros ambientes com grande circulação de água.

    Entre as vantagens estão a alta produtividade, o melhor aproveitamento do fluxo natural, a facilidade de manejo e despesca e a redução de impactos ambientais. O sistema ainda permite cultivo escalonado e flexibilidade operacional, o que favorece a produção contínua ao longo do ano.

    Monitoramento de qualidade e desempenho

    O Instituto de Pesca monitora mais de 70 tanques-rede, cada um com 450 m³, que abrigam cerca de 2,1 milhões de tilápias. As coletas de dados ocorrem mensalmente em três pontos do reservatório: a montante, no centro e a jusante da área de cultivo.

    Os pesquisadores medem variáveis como temperatura da água, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, condutividade elétrica e transparência. Além de nutrientes e compostos nitrogenados (fósforo total, nitrito, nitrato e amônia). As análises laboratoriais confirmaram que os índices se mantêm dentro dos padrões adequados à piscicultura, conforme as resoluções CONAMA nº 375/2005 e 413/2009.

    De acordo com os resultados, a qualidade da água apresenta variações naturais ligadas ao clima e ao nível do reservatório, mas sem diferenças significativas entre os pontos monitorados. As correntes naturais do local ajudam na dispersão e renovação da água, favorecendo a estabilidade ambiental.

    Expansão da pesquisa

    Para a pesquisadora Daniela Castellani, responsável pelo estudo, as pesquisas do Instituto de Pesca demonstram o potencial da ciência aplicada em fortalecer a aquicultura nacional. “O trabalho promove inovação, sustentabilidade e competitividade no setor”, afirma.

    Em 2026, o Instituto iniciará um novo projeto com tanques-rede de grande volume no reservatório de Itaipu. Portanto, ampliando a pesquisa e impulsionando o uso de tecnologias sustentáveis na piscicultura brasileira.

  • Produção paulista de tilápia cresce 4% e alcança 54 mil toneladas em 2025

    Produção paulista de tilápia cresce 4% e alcança 54 mil toneladas em 2025

    A produção de tilápia em São Paulo cresceu 4% em volume durante 2025, segundo dados preliminares do Valor da Produção da Aquicultura Paulista. O estado alcançou 54,17 mil toneladas do pescado e registrou faturamento de R$ 494,11 milhões no período. As informações vêm do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

    São Paulo mantém a segunda posição no ranking nacional de produção de tilápia, atrás apenas do Paraná. A piscicultura paulista consolida-se como um dos pilares dinâmicos do agronegócio estadual, com perspectivas otimistas para os próximos meses.

    Tanques-rede em reservatórios concentram 75% da produção estadual

    A tecnologia de criação em tanques-rede impulsionou o crescimento da produção e da produtividade da tilápia no estado. Atualmente, esse sistema de cultivo concentra-se principalmente nos grandes reservatórios hidrelétricos do oeste paulista e já responde por mais de 75% do volume total produzido.

    O levantamento da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e do IEA contabilizou mais de 12 mil unidades de tanques-rede em operação durante 2024. Os viveiros escavados, por sua vez, mantêm relevância no planalto e na região da Mantiqueira, onde atendem tanto a produção comercial quanto o mercado de pesque-pague.

    “Espera-se que as condições climáticas favoráveis de temperatura e luminosidade impulsionem a produção no segundo semestre, podendo reverter a queda no valor total da produção deste cálculo preliminar”, destaca artigo científico publicado no site do IEA.

    Frigoríficos paulistas ampliam capacidade de processamento e aproveitamento

    A estrutura de processamento paulista mostra-se robusta: 21 frigoríficos concentram 86% do abate estadual. Parte da produção ainda segue para abatedouros em estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

    Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do IEA, aponta o potencial de expansão do setor. “Colabora imensamente a esse crescimento da produção a instalação de grandes frigoríficos especializados no abate e processamento da tilápia (filetagem) com aproveitamento do couro para outros usos, inclusive, para o tratamento de queimaduras de primeiro grau”, explica.

    Pesquisa científica impulsiona produtividade e qualidade dos peixes

    O pesquisador do IEA, Eder Pinnati, destaca que a pesquisa científica tem contribuído para a melhoria da produtividade e da qualidade dos peixes criados no estado. “São diversos desafios que vão desde a qualidade da água até a gestão da cadeia que estão sendo estudados concomitantemente, e o IEA inicia o acompanhamento e divulgação de dados e informações da cadeia produtiva da tilápia”, afirma.

    Diante da relevância e intensificação da atividade na agropecuária paulista, a tilápia entrou no Valor da Produção Agropecuária (VPA) em 2025. O indicador, elaborado desde 1948, gera um ranking de relevância econômica para os produtos do setor e serve de base para análises, planejamento e formulação de políticas públicas.

    O setor segue atraindo novos investimentos, com aumento contínuo no número de criatórios cadastrados pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA). Como a maior parte do abastecimento paulista ainda vem de outros estados, há potencial de expansão bastante favorável para o incremento e intensificação das criações de tilápias, segundo Vegro.

    Paulistas consomem tilápia abaixo do recomendado pela OMS

    A tilápia lidera a preferência dos paulistas entre os pescados, seguida por salmão, pescada e atum. O alto custo da proteína, porém, limita o consumo. Os dados fazem parte de pesquisa recente do Instituto de Oceanografia (IO) da USP, em parceria com o Instituto de Pesca do Estado de São Paulo (IP-APTA).

    O estudo mostra que o consumo de peixes, crustáceos e moluscos no estado está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em média, os paulistas consomem esses alimentos apenas de uma a três vezes por mês. Enquanto a OMS sugere o consumo pelo menos duas vezes por semana.

    Celso Vegro destaca o potencial de crescimento do consumo. “Em razão dessa maior demanda objetiva, a estrutura produtiva paulista está reagindo positivamente em exemplo do clássico econômico em que a demanda faz a oferta”, explica o pesquisador.

  • Banco de germoplasma de tilápia promete aumentar produtividade da aquicultura brasileira

    Banco de germoplasma de tilápia promete aumentar produtividade da aquicultura brasileira

    O Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde criou um amplo banco de germoplasma de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) analisando nove populações da espécie, amostradas dos estados de Santa Catarina até o Ceará. A tilapicultura responde por 65% da produção nacional de peixes cultivados.

    O estudo avaliou nove populações de tilápia provenientes de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Ceará. Os pesquisadores analisaram estoques comerciais, populações cultivadas e grupos de origens distintas da espécie, que lidera a produção de pescado no Brasil e representa a principal força da aquicultura nacional.

    A equipe examinou características corporais como comprimento, peso e altura dos exemplares. Os cientistas também mediram o potencial de rendimento de filé por meio de ultrassonografia e conduziram avaliações genéticas utilizando marcadores moleculares.

    Diversidade genética supera diferenças físicas

    Os resultados revelaram que a diversidade genética entre as populações supera as diferenças fenotípicas – as características físicas visíveis. O estudo identificou distintos níveis de diferenciação e isolamento entre os estoques avaliados, mesmo quando as aparências físicas se mostravam semelhantes.

    Essa variabilidade genética apresenta desafios e oportunidades. Os pesquisadores detectaram níveis preocupantes de endogamia em algumas populações, especialmente nas linhagens mais antigas. Cruzamentos entre indivíduos geneticamente muito próximos podem comprometer o desempenho produtivo ao longo do tempo.

    Por outro lado, a diversidade genética permite a formação de populações-base para programas de melhoramento genético direcionados às condições ambientais de cada região brasileira.

    Banco in situ preserva material genético

    A Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental (DAPDPC) do IP, em São José do Rio Preto (SP), mantém o banco de germoplasma in situ. Nesse modelo, os pesquisadores conservam os peixes no próprio local de criação, preservando material genético cuidadosamente caracterizado.

    O banco funciona como um “arquivo vivo” de material genético. A estrutura reúne e preserva diferentes linhagens da espécie para garantir a diversidade genética, apoiar pesquisas científicas e subsidiar programas de melhoramento genético na aquicultura.

    Linhagens adaptadas para cada região

    Os autores do estudo destacam que o banco de germoplasma permitirá o desenvolvimento de linhagens mais adaptadas a diferentes realidades produtivas. Os produtores do Sul poderão contar com peixes mais tolerantes ao frio, enquanto os do Nordeste terão acesso a exemplares resistentes ao calor e à salinidade. O banco também viabiliza a criação de linhagens com maior rendimento de filé.

    “O banco de germoplasma funciona como um verdadeiro seguro genético da tilápia no Brasil. Ele garante a preservação de linhagens importantes, apoia pesquisas futuras e contribui diretamente para a sustentabilidade da aquicultura, ao permitir ganhos produtivos com menor impacto ambiental e maior segurança para os produtores”, afirma Fernando Stopato da Fonseca, pesquisador do IP e responsável pelo estudo.

    As estratégias desenvolvidas a partir do banco de germoplasma contribuem para o aumento da produtividade, a redução de custos para os produtores, o fortalecimento da segurança alimentar e a sustentabilidade da aquicultura brasileira.

    O Núcleo de Pesquisa Pescado para Saúde é apoiado pela FAPESP no âmbito do programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) e tem sede no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) com a participação de pesquisadores do Instituto de Pesca, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e das universidades de Mogi das Cruzes (UMC) e Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

    A iniciativa resulta de um estudo que mapeou características genéticas e fenotípicas da espécie em diferentes regiões do país. A revista científica Critical Insights in Aquaculture publicou os resultados da pesquisa.

  • Brasil avança na retomada das exportações de pescado para União Europeia

    Brasil avança na retomada das exportações de pescado para União Europeia

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se com o ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, para discutir a retomada das exportações de pescado brasileiro para a União Europeia. O governo federal intensifica esforços para reabrir o mercado europeu, suspenso desde 2017.

    Foto: Mapa

    A União Europeia deve realizar auditoria nas plantas frigoríficas de pescado brasileiras durante o primeiro semestre de 2026. A inspeção representa etapa essencial para a reabertura do mercado europeu ao produto brasileiro.

    “Essa reabertura é uma prioridade para nós. Aguardamos com expectativa a auditoria nas plantas frigoríficas de pescado brasileiras, prevista para o primeiro semestre de 2026, etapa essencial para a retomada desse mercado”, destacou o ministro Carlos Fávaro.

    Governo cria grupo de trabalho interministerial

    Os ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Pesca e Aquicultura (MPA) anunciaram a criação de um grupo de trabalho interministerial. A iniciativa conta com o apoio da Câmara Setorial da Produção e Indústria dos Pescados.

    “Decidimos pela criação de um grupo de trabalho interministerial, com o apoio da Câmara Setorial da Produção e Indústria dos Pescados. Vamos juntos planejar e organizar essa missão, num esforço coletivo com o setor produtivo para garantirmos o protagonismo que merecemos no mercado externo, com foco na valorização do nosso pescado lá fora”, afirmou o ministro André de Paula.

    Diálogo permanente com autoridades europeias

    O Mapa e o MPA mantêm diálogo permanente com a autoridade sanitária da União Europeia desde 2023. Neste período, os ministérios implementaram medidas para adequar as embarcações pesqueiras brasileiras aos critérios higiênico-sanitários exigidos pela União Europeia e pelo Reino Unido.

    As ações visam preparar o setor pesqueiro nacional para atender todos os requisitos necessários à retomada das exportações para o bloco europeu.

    A União Europeia suspendeu as importações de pescado brasileiro em 2017. Desde então, o país trabalha para restabelecer o acesso ao mercado europeu, considerado estratégico para o setor pesqueiro nacional.

    A criação do grupo de trabalho interministerial reforça o compromisso do governo brasileiro em recuperar esse importante canal de exportação e valorizar o pescado nacional no mercado internacional.

  • Dia do Engenheiro de Pesca é celebrado hoje

    Dia do Engenheiro de Pesca é celebrado hoje

    O Brasil celebra neste domingo, 14 de dezembro, o Dia do Engenheiro de Pesca. A data reconhece profissionais que transformam a pesca e a aquicultura no país. Paula Maria Gênova de Castro Campanha, pesquisadora do Instituto de Pesca (IP-Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, representa esse compromisso com dedicação científica e responsabilidade socioambiental.

    A Universidade Federal do Ceará (UFC) formou Paula em Engenharia de Pesca em 1978. Ela conquistou o mestrado em Oceanografia Biológica pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP) em 1989 e concluiu o doutorado pela mesma instituição em 2000. Desde 1987, a pesquisadora atua no IP, onde desenvolve pesquisas e colabora com o Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Pesca do Instituto (PPGIP). No programa, ela orienta alunos de mestrado e ministra três disciplinas sobre sustentabilidade e ciência pesqueira.

    Atuação em órgãos nacionais fortalece gestão pesqueira

    Paula participa ativamente de grupos que articulam e gerenciam a pesca no Brasil. A pesquisadora integra diversos Grupos de Trabalho em colegiados e comissões de órgãos normativos, incluindo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

    O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) coordena o Plano de Recuperação do pintado na bacia do Alto Paraná, iniciativa da qual Paula faz parte. A pesquisadora também compõe o Plano de Ação e o Grupo de Assessoramento Técnico (GAT), ambos focados na conservação e manejo do pintado e de outras espécies migradoras nativas.

    A cientista ainda integra o Comitê de Gestão da Pesca (CPG Centro-Sul). Recentemente, o MPA organizou workshops sobre repovoamento e gestão pesqueira nas bacias hidrográficas brasileiras. Paula apresentou resultados sobre o monitoramento pesqueiro continental na bacia do rio Tietê, em São Paulo.

    Reconhecimento destaca excelência e impacto social

    No dia 5 de dezembro, Cristiane Neiva, coordenadora do IP, homenageou Paula como Destaque IP 2025. A celebração reconheceu o trabalho que a pesquisadora desenvolve na instituição. A homenagem destacou sua trajetória de excelência, dedicação às pesquisas, formação de novos profissionais e o impacto positivo que suas ações geram para a sustentabilidade da pesca continental e a valorização das comunidades pesqueiras.

    “Fiquei muito grata, honrada e emocionada pela homenagem que recebi por meio da coordenação do IP. Quero dizer a todos que a recebo com muita humildade e carinho, e faço questão de repartir esse momento especial com todos os colegas, amigos e servidores desta casa, que fazem parte dessa homenagem. Meus agradecimentos sinceros às queridas gestoras Cristiane Neiva e Luciana Menezes. Muito obrigada!”, declarou a pesquisadora.

    Paula também parabenizou os engenheiros de pesca pelo dia da profissão. “Profissão na qual me formei como carreira das Ciências Agrárias pela Universidade Federal do Ceará. E posteriormente, tive a oportunidade de trilhar em novos mares e rios”.

  • Tilápia impulsiona aquicultura capixaba

    Tilápia impulsiona aquicultura capixaba

    O Espírito Santo recupera sua força na produção de peixes cultivados. O estado alcançou 7,1 mil toneladas em 2024, volume 73% superior ao registrado em 2017, quando a produção atingiu seu ponto mais baixo com 3,73 mil toneladas. A tilápia concentra praticamente toda a atividade aquícola estadual. A espécie responde por 99,46% da produção capixaba e registrou 7,03 mil toneladas em 2024. Os demais peixes representam menos de 1% do volume total.

    O setor movimentou R$ 68,4 milhões em 2024, mais que o dobro dos R$ 26,3 milhões contabilizados em 2020. Os números demonstram não apenas a recuperação quantitativa, mas também o ganho de valor agregado na atividade.

    A aquicultura capixaba atravessou um período de oscilações entre 2014 e 2020. A partir de 2021, o setor retomou trajetória consistente de crescimento, apoiado em modernização tecnológica e organização produtiva.

    Linhares concentra quase metade da produção estadual

    Três municípios concentram a maior parte da tilapicultura capixaba. Linhares lidera o ranking com 3,2 mil toneladas, equivalente a 45,5% do total estadual. Domingos Martins ocupa a segunda posição com 1,4 mil toneladas (20,05%), seguido por Marechal Floriano com 550 toneladas (7,82%).

    Guarapari, Muniz Freire e Alegre também expandem seus sistemas produtivos. Esses municípios investem em tecnologias adaptadas às condições locais e ampliam sua participação no setor.

    O crescimento recente reflete a capacidade do setor em incorporar inovações. Os produtores capixabas adotam melhoria genética, sistemas de aeração, alimentação balanceada e protocolos rigorosos de controle sanitário.

    A tilapicultura capixaba conquista espaço no mercado pela regularidade do produto. A espécie atende tanto o varejo quanto a indústria, setores que demandam qualidade consistente e fornecimento estável.

    Estado aposta na atividade como vetor de desenvolvimento

    O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destaca o papel estratégico da tilápia. “O Estado vive um ciclo de crescimento sustentado, fruto dos investimentos em tecnologia, qualificação e organização produtiva. Esse resultado representa mais renda para as famílias rurais, diversificação econômica e segurança alimentar para a população”, afirma Bergoli.

    A tilapicultura se consolida como uma das atividades mais promissoras do agronegócio capixaba. O setor combina geração de renda no campo, diversificação da economia regional e oferta de proteína de qualidade para a população.

  • Como o Vietnã se tornou gigante mundial na produção de peixe

    Como o Vietnã se tornou gigante mundial na produção de peixe

    O mundo acordou em 2024 para uma realidade que vinha se consolidando nas últimas duas décadas. Dados da FAO confirmaram: o Vietnã ultrapassou a marca de 1,75 milhão de toneladas anuais de pangasius e agora figura entre os maiores produtores de peixes cultivados do planeta. Enquanto países como Noruega e Chile dominam manchetes com salmão, o Vietnã construiu silenciosamente um império baseado no peixe-gato de água doce.

    A história começa nos anos 2000, quando autoridades vietnamitas decidiram apostar todas as fichas na aquicultura industrial. A estratégia funcionou além das expectativas. Hoje, o setor movimenta bilhões de dólares em exportações e abastece mais de 80 países, do Oriente Médio à América Latina.

    O peixe que virou fenômeno global

    Conhecido no Brasil como panga, o pangasius conquistou mercados por três motivos simples: carne branca, sabor neutro e preço acessível. Restaurantes, escolas e hospitais ao redor do mundo descobriram nele uma alternativa econômica para cardápios variados.

    Mas o segredo vietnamita vai muito além da espécie escolhida. O país desenvolveu uma cadeia verticalizada que controla cada etapa, desde a seleção genética dos reprodutores até o embarque dos filés congelados rumo aos portos internacionais. Empresas gerenciam fábricas de ração, laboratórios de larvicultura, fazendas de engorda e frigoríficos com padrões industriais.

    O ciclo produtivo impressiona. Em apenas sete a nove meses, alevinos se transformam em peixes adultos prontos para abate. O rendimento após filetagem supera 40%, número que poucas espécies conseguem alcançar. Com manejo adequado, os viveiros atingem densidades elevadas sem comprometer qualidade — algo viabilizado por sensores de oxigênio dissolvido e protocolos sanitários rigorosos.

    Três pilares sustentam o império do panga

    Analistas internacionais apontam fatores decisivos para o domínio vietnamita. Primeiro: custo de produção imbatível. O pangasius sai mais barato que tilápia, salmão e até camarões cultivados. Segundo: oferta constante durante o ano todo, sem interrupções sazonais. Terceiro: padronização industrial, com filés uniformes que facilitam logística e distribuição.

    A geografia ajudou. Temperatura estável e grande disponibilidade hídrica criaram condições perfeitas para produção contínua. Viveiros operam em regime quase ininterrupto, alimentando uma cadeia que emprega centenas de milhares de pessoas formalmente — número que explode quando somamos agricultores familiares, transportadores e pequenos prestadores de serviço.

    Comunidades rurais que antes dependiam de agricultura de subsistência encontraram no pangasius uma saída da pobreza. O governo vietnamita destaca esse impacto social como um dos maiores legados da expansão aquícola.

    Brasil na mira: a polêmica da tilápia vietnamita

    A expansão vietnamita não para no pangasius. Recentemente, o país asiático começou a mirar o mercado brasileiro com outro produto: tilápia. A movimentação gerou reação imediata da Peixe BR, entidade que representa os piscicultores nacionais.

    O Brasil é um dos maiores produtores de tilápia da América Latina, com uma cadeia consolidada que emprega milhares de famílias e movimenta bilhões de reais anualmente. A entrada de tilápia vietnamita no mercado brasileiro acendeu um sinal de alerta no setor.

    “A indústria nacional de tilápia investiu pesado em tecnologia, sustentabilidade e geração de empregos locais”, argumentam representantes da Peixe BR. “Permitir importação massiva de um país com custos de produção artificialmente baixos pode comprometer toda essa cadeia.”

    A entidade defende que o governo brasileiro adote medidas para proteger a produção nacional. Entre os argumentos, destacam diferenças significativas em legislação trabalhista, normas ambientais e subsídios governamentais que criam condições desiguais de competição.

    O debate ganha força num momento em que o Vietnã busca diversificar destinos de exportação. Com capacidade industrial instalada e logística azeitada, o país asiático vê no Brasil uma oportunidade de expandir presença na América do Sul — movimento que preocupa produtores locais de tilápia.

    Enquanto isso, consumidores brasileiros continuam comprando panga vietnamita em supermercados e restaurantes, muitas vezes sem saber a origem do produto. A possível chegada da tilápia asiática adiciona mais um capítulo a essa história de disputa comercial entre produção local e importação em larga escala.

    Pressão externa impulsiona inovações ambientais

    Como toda produção intensiva, a criação vietnamita enfrentou críticas. Organizações internacionais questionaram manejo de água, destino de efluentes e origem das rações utilizadas. A resposta veio na forma de investimentos pesados.

    Nos últimos anos, grandes produtores implementaram depuradores biológicos, viveiros de sedimentação e sistemas de recirculação parcial. Fórmulas de ração reduziram dependência de farinha de peixe — ponto sensível no debate sobre sustentabilidade global.

    Relatórios recentes mostram que grupos líderes já operam em conformidade com normas de mercados exigentes como Europa e Estados Unidos. A pressão externa, que poderia ter freado o crescimento, acabou impulsionando eficiência e reduzindo custos por hectare.

    Projeções apontam para 2 milhões de toneladas

    O Ministério da Agricultura do Vietnã projeta ultrapassar 2 milhões de toneladas anuais nos próximos anos. Novos sistemas automatizados de engorda e viveiros mais profundos permitem densidades maiores sem comprometer bem-estar animal.

    Enquanto o pescado cultivado ganha espaço como alternativa à pesca extrativa, países que dominam essa tecnologia ocupam posição estratégica no cenário alimentar global. O Vietnã, com estrutura consolidada e mão de obra especializada, pode disputar espaço com gigantes como China, Índia e Indonésia.

    O pangasius deixou de ser apenas um peixe comum do Sudeste Asiático. Hoje protagoniza uma cadeia globalizada, moldada por engenharia hídrica, manejo intensivo e logística internacional de alta eficiência. A ascensão vietnamita prova que a aquicultura moderna não é mais complemento da pesca tradicional, é um dos motores mais importantes da economia alimentar do século XXI.

    E com a possível chegada da tilápia vietnamita ao Brasil, essa história está longe de terminar. O próximo capítulo promete debates acalorados entre defesa da produção nacional e abertura comercial. Uma disputa que vai além de números e envolve empregos, sustentabilidade e soberania alimentar.

  • Senar lança trilha de formação em aquicultura

    Senar lança trilha de formação em aquicultura

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural lançou, na sexta-feira (28), sua primeira trilha de formação em aquicultura. A iniciativa busca ampliar a capacitação técnica de profissionais que atendem produtores em todos os estados. Além disso, o curso atualiza os conteúdos aplicados pela Assistência Técnica e Gerencial.

    A trilha reúne cinco módulos e soma 150 horas de conteúdo técnico especializado. O material integra teoria, prática e situações reais do campo. Segundo o Senar, o projeto qualifica ainda mais o atendimento prestado aos produtores rurais.

    O diretor-adjunto da ATeG, Rafael Diego Costa, destacou o foco na excelência das visitas técnicas. De acordo com ele, o curso amplia competências e fortalece soluções aplicadas no dia a dia. O objetivo é entregar orientações que gerem resultados práticos ao produtor rural. Além disso, a trilha acompanha tendências e demandas atuais da cadeia produtiva.

    Para marcar o lançamento, técnicos participaram de uma live especial de abertura. O encontro reuniu o responsável pelo treinamento, Eduardo Ono. O especialista apresentou um panorama atualizado do mercado aquícola brasileiro. Ele destacou, ainda, a evolução acelerada da cadeia nos últimos anos.

    Segundo Ono, o setor figura entre os mais promissores do agronegócio nacional. O consultor também explicou os três pilares do sucesso da atividade. Eles envolvem tecnologia e pessoas, políticas e normas e, por fim, o mercado. De acordo com ele, esses fatores garantem organização, produtividade e crescimento.

    Como acessar

    Para acessar o curso, o técnico deve entrar na Trilha de Agentes da plataforma da Educação Corporativa do Senar.

     

  • Câmara aprova crédito para pesca artesanal e aquicultura familiar com juros reduzidos

    Câmara aprova crédito para pesca artesanal e aquicultura familiar com juros reduzidos

    Na beira do rio, o pescador artesanal faz conta no caderno antes de jogar a rede na água. O motor da embarcação está velho, o tanque de piscicultura precisa de reforma, e o crédito rural quase nunca conversa com a realidade dele. Essa cena, comum em comunidades pesqueiras pelo país, motivou um movimento em Brasília. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que cria uma linha especial de crédito rural para pesca artesanal e aquicultura familiar.

    Na prática, o texto abre uma porta de financiamento mais barata para pescadores artesanais e aquicultores familiares. A nova linha de crédito oferece recursos tanto para custeio do dia a dia da produção quanto para investimentos maiores, com juros menores e prazos mais folgados que os tradicionais. A ideia é tirar o setor da margem do sistema financeiro e colocá‑lo no mapa do crédito rural em condições menos sufocantes.

    Pelo projeto, o crédito de custeio pode chegar a até R$ 50 mil por beneficiario, com juros de 4% ao ano e prazo mínimo de oito anos. Nesse caso, o produtor poderá ter até três anos de carência antes de começar a quitar o financiamento.

    Quem poderá se beneficiar

    O projeto não abre para qualquer perfil. Apenas pescadores artesanais e aquicultores familiares com inscrição regular no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) terão acesso ao crédito. A exigência tenta equilibrar o jogo. De um lado, garantir que o dinheiro chegue mesmo a quem vive da pesca e da aquicultura em pequena escala. De outro, evitar desvio do benefício para grandes operadores que já navegam com mais facilidade no sistema financeiro.

    Na lista do que o pescador ou aquicultor pode comprar com o novo crédito cabem praticamente todos os equipamentos essenciais da atividade. Os recursos podem financiar embarcações, motores, redes, sistemas de aeração, tanques, fábrica de gelo, equipamentos de refrigeração e outros insumos ligados diretamente à pesca artesanal e à aquicultura familiar. É o tipo de investimento que, na prática, decide se o peixe chega fresco na banca da feira ou se perde no meio do caminho por falta de gelo e estrutura adequada.

    O texto aprovado na comissão não é exatamente o mesmo apresentado no início. Os deputados aprovaram um substitutivo do relator, deputado Messias Donato (Republicanos‑ES), ao Projeto de Lei 4643/24, de autoria do deputado Raimundo Costa (Pode‑BA). Donato mexeu em pontos centrais do projeto original. Entre as mudanças, tirou a vinculação da nova linha de crédito do Plano Safra 2024/2025 e redesenhou prazos e taxas de juros para tornar as operações mais atrativas.

    “Os ajustes buscam garantir condições favoráveis aos financiamentos pretendidos. E manter o interesse das instituições financeiras em operar a nova linha de crédito”, afirmou o relator, ao defender o texto. A fala revela uma preocupação dupla: aliviar a vida do pescador artesanal e, ao mesmo tempo, convencer os bancos de que vale a pena colocar dinheiro nesse segmento, frequentemente tratado como de alto risco.

    Recursos

    A engenharia financeira da proposta também vem desenhada no texto. A nova linha de crédito para pesca artesanal e aquicultura familiar terá apoio dos fundos constitucionais nas operações que usarem esses recursos. Já nas operações subvencionadas pela União, o governo federal pretende bancar o custo por meio da realocação de parte do dinheiro hoje usado para equalizar juros de outras modalidades de crédito rural. Em outras palavras, o projeto não cria, pelo menos no papel, uma despesa totalmente nova, mas reorganiza o que já existe.

    Apesar do avanço na Comissão de Agricultura, o caminho até virar lei ainda segue longo. A proposta ainda precisa passar pela Comissão de Finanças e Tributação e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), em caráter conclusivo. Depois disso, o texto só ganha força de lei se a Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovarem a medida. Até lá, o pescador continua na expectativa. Torce para que, dessa vez, a linha de crédito saia do papel e chegue de verdade no cais, no viveiro escavado e na pequena fábrica de gelo da comunidade.