Tag: amazônia

  • Nova filhote de jaguatirica vira atração no Zoológico de São Paulo

    Nova filhote de jaguatirica vira atração no Zoológico de São Paulo

    O Zoológico de São Paulo passou a exibir ao público uma filhote de jaguatirica nascida no fim de abril, resultado do programa de conservação da instituição. A cria é filha de dois animais que equipes especializadas resgataram em diferentes regiões do país após situações de risco ambiental.

    https://www.instagram.com/p/DarOTmbS_u7/

    A fêmea Jaci foi resgatada durante os incêndios no Pantanal mato-grossense, em 2024. Após avaliação técnica, especialistas constataram que ela não poderia retornar à natureza. Já o macho Rudá foi encontrado ainda filhote na Floresta Nacional de Tefé (AM), após perder a mãe. O Zoo SP recebeu ambos por meio do programa Avião Solidário, da Latam Airlines, e os integrou às ações de conservação da espécie.

    Nascimento e adaptação monitorada

    A filhote nasceu saudável e permaneceu em área técnica durante os primeiros dois meses de vida, sob monitoramento constante da equipe veterinária. Após exames preventivos e período de adaptação, o zoológico liberou mãe e filha para a área de visitação.

    Filhote de jaguatirica com sua mãe
    Filhote nasceu em abril e passou dois meses sob monitoramento antes de ir à área de visitação. Foto: Leandro Ferreira/ZOO SP

    Desde o nascimento, Jaci cuida integralmente da cria. Nas primeiras semanas, a alimentação ocorreu exclusivamente com leite materno. Após cerca de um mês, a mãe iniciou a introdução de pequenas presas, estimulando os comportamentos naturais da espécie e o desenvolvimento da filhote.

    Comportamento e desenvolvimento

    A jaguatirica apresenta hábitos solitários. A fêmea assume os cuidados com a cria por um longo período, enquanto o macho permanece em recinto separado. Ao atingir a fase adulta, a filhote tende a seguir de forma independente, sem manter vínculos permanentes com a mãe.

    A jaguatirica (Leopardus pardalis) é o maior felino de pequeno porte das Américas, com peso entre 11 kg e 16 kg e cerca de 50 cm de altura. Carnívora, ocupa posição intermediária na cadeia alimentar e se alimenta de roedores, aves e marsupiais, contribuindo para o controle dessas populações.

    Filhote de jaguatirica brincando
    Nascimento reforça ações de conservação da fauna brasileira no Zoo SP. Foto: Leandro Ferreira/ZOO SP

    A espécie ocorre desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina e está presente em todos os biomas brasileiros. Adaptável, vive em florestas tropicais, savanas e áreas de caatinga, com preferência por ambientes de vegetação densa. Apesar de não estar oficialmente ameaçada de extinção, estudos indicam redução gradual das populações em áreas naturais.

    Com hábitos predominantemente noturnos, a jaguatirica pode permanecer ativa por várias horas durante a noite e consumir até 800 gramas de carne nesse período.

    Zoo SP lança campanha com ingressos promocionais

    O Zoológico de São Paulo oferece ingressos com valores promocionais durante o período de férias. Confira:

    • Zoológico de São Paulo: R$ 69,90 (ingresso antecipado)
    • Jardim Botânico: R$ 19,90 (ingresso antecipado)
    • Simba Safari: R$ 69,90 (ingresso antecipado)
    • Combo com cinco atrações (Zoo SP, Jardim Botânico, Simba Safari, Mundo Dino e Acqua Zoo): de R$ 379,50 por R$ 149,90 na compra antecipada
  • Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    Projeto brasileiro usa nanotecnologia para restaurar florestas

    A bio e a nanotecnologia estão ampliando as alternativas para recuperar áreas degradadas na Amazônia. Nesse contexto, o projeto NanoRad’s reúne empresas e instituições de pesquisa para acelerar o desenvolvimento de plantios florestais. A iniciativa é liderada pela Krilltech em parceria com a Shell Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), a Bioflore e outros parceiros estratégicos. Além disso, o projeto conquistou a medalha de prata no Energy Summit Awards, durante evento realizado em junho, no Rio de Janeiro.

    O reconhecimento reforça o potencial da tecnologia brasileira para apoiar a restauração ambiental. Ao mesmo tempo, evidencia a importância da cooperação entre ciência e iniciativa privada. Com isso, o projeto ganha visibilidade como uma solução voltada à recuperação de ecossistemas amazônicos.

    Tecnologia busca acelerar a recuperação florestal

    O NanoRad’s utiliza soluções de biotecnologia e nanotecnologia para estimular o crescimento das plantas. Dessa forma, o projeto pretende tornar mais eficiente o processo de restauração florestal. Além disso, a tecnologia contribui para a regeneração de áreas degradadas na Amazônia.

    Segundo os responsáveis pela iniciativa, a proposta amplia o desempenho dos plantios florestais. Ao mesmo tempo, fortalece ações voltadas à conservação ambiental. Por isso, o projeto integra um conjunto de soluções baseadas na natureza para recuperar ecossistemas.

    O NanoRad’s também faz parte do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad). O centro foi lançado em abril de 2026 com investimento da Shell Brasil. Os recursos são provenientes da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Centro reúne pesquisadores e empresas

    O Cibrad reúne pesquisadores, empresas, startups e instituições científicas. Assim, cria uma rede colaborativa voltada ao desenvolvimento de tecnologias para a recuperação ambiental. O trabalho contempla os nove estados da Amazônia Legal.

    Além disso, o centro conecta pesquisa científica, inovação tecnológica e soluções baseadas na natureza. Com isso, busca ampliar iniciativas voltadas à recuperação de áreas degradadas. Ao mesmo tempo, fortalece projetos com potencial de gerar impactos ambientais positivos.

    A conquista no Energy Summit Awards reforça esse trabalho conjunto. Segundo a Krilltech, o reconhecimento demonstra o potencial da inovação brasileira para enfrentar desafios ambientais. Além disso, destaca a importância da colaboração entre empresas e instituições de pesquisa.

    Para Marcelo Rodrigues, CEO da Krilltech, a premiação reconhece o esforço coletivo para desenvolver novas tecnologias voltadas à restauração ambiental.

    “O reconhecimento do NanoRad’s evidencia a força da colaboração entre diferentes atores do ecossistema de inovação. Acreditamos que tecnologias sustentáveis, aliadas ao conhecimento científico, são fundamentais para acelerar a restauração da Amazônia e construir novos caminhos para uma economia de baixo carbono”, destaca.

    Por fim, a premiação amplia a visibilidade de iniciativas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. Dessa maneira, projetos como o NanoRad’s reforçam o papel da inovação na recuperação de áreas degradadas e na conservação da Amazônia.

  • Mulheres lideram 75% dos projetos apoiados na Amazônia

    Mulheres lideram 75% dos projetos apoiados na Amazônia

    O agro é delas! As mulheres ocupam cargos de coordenação ou direção em 75% das associações apoiadas pelo Fundo Legado Integrado da Região Amazônica (LIRA), iniciativa que fortalece comunidades amazônicas por meio da produção de fitoterápicos, biocosméticos e produtos da sociobiodiversidade.

    Desde 2020, o programa investe na ampliação da infraestrutura, na capacitação de organizações comunitárias e na geração de renda baseada em conhecimentos tradicionais. No ciclo 2025-2026, projetos liderados por mulheres passaram a receber prioridade na seleção.

    Fundo apoia mais de 50 projetos na Amazônia

    O Fundo LIRA apoia atualmente 53 projetos distribuídos em 57 áreas protegidas da Amazônia Legal, com investimentos de cerca de R$ 7 milhões.

    As iniciativas beneficiam mais de 1,2 mil pessoas em comunidades indígenas, extrativistas, rurais e quilombolas de sete estados da região.

    Além dos recursos financeiros, o programa oferece apoio técnico para fortalecer a gestão das organizações e ampliar o acesso a novos financiamentos.

    Produção une tradição e geração de renda

    Os projetos apoiados envolvem a fabricação de fitoterápicos, óleos vegetais, pomadas, sabonetes e biocosméticos produzidos a partir de matérias-primas da floresta.

    Também recebem apoio para processos de regularização, parcerias técnicas e melhorias na infraestrutura de produção.

    Projeto fortalece medicina tradicional indígena

    Um dos exemplos é o Instituto Juma, na Terra Indígena Xipaya, no Pará.

    A organização estruturou um espaço dedicado à produção de fitoterápicos tradicionais, reunindo mulheres indígenas para preservar conhecimentos transmitidos entre gerações.

    O projeto também promove capacitação de jovens, incentiva o cultivo de plantas medicinais e trabalha na regularização dos produtos junto à Anvisa.

    Foto: Divulgação/Instituto Juma

    Estrutura amplia produção de biocosméticos

    Outro destaque é a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra, conhecida como Amélias da Amazônia.

    Com apoio do Fundo LIRA, a associação ampliou sua estrutura para produzir sabonetes, óleos, pomadas, velas aromáticas, repelentes e outros produtos derivados de espécies da floresta, como a andiroba.

    Os investimentos permitiram reformar espaços de trabalho, instalar novos equipamentos e iniciar a implantação de energia solar, aumentando a capacidade de produção e fortalecendo a geração de renda para as famílias da comunidade.

    Bioeconomia fortalece comunidades amazônicas

    Ao incentivar organizações lideradas por mulheres, o Fundo LIRA contribui para ampliar oportunidades econômicas, preservar conhecimentos tradicionais e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia.

    Além da geração de renda, as iniciativas valorizam a biodiversidade da região e estimulam o protagonismo feminino no desenvolvimento das comunidades.

  • Pesquisadores descobrem duas novas espécies de escorpiões na Amazônia

    Pesquisadores descobrem duas novas espécies de escorpiões na Amazônia

    Uma expedição científica perto da Cachoeira do Evandro, em Mucajaí (RR), revelou duas espécies de escorpião que a ciência ainda não conhecia. Pesquisadores brasileiros batizaram os animais de Brotheas cernii e Cayooca puchus após coletá-los em uma área de floresta a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista, point turístico frequentado por banhistas que nunca haviam reparado nos pequenos moradores das rochas ao redor.

    comparativo entre as novas especies de escorpião
    Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    A professora Manuela Berto Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp, em Araraquara, liderou o grupo que fez a descoberta. Durante as coletas, a equipe notou exemplares com características fora do padrão: coloração diferente, variações no tamanho do corpo e granulação distinta nas pinças. Essas pistas levantaram a suspeita de que os pesquisadores tinham encontrado espécies ainda não descritas. E as suspeitas viraram trabalho científico publicado na revista Diversity.

    A descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e também abre uma porta concreta: o veneno desses escorpiões pode conter moléculas com potencial para a indústria farmacêutica. “Os achados demonstram o quanto a floresta Amazônica, especialmente em estados como Roraima, ainda é pouco explorada cientificamente. Se encontramos duas espécies inéditas em uma única região que investigamos, quantas outras ainda existem na região e não conhecemos?”, questiona Pucca.

    O trabalho marca a estreia do projeto AT-Biota — Desvendando a Riqueza Oculta de Aracnídeos e Triatomíneos em Regiões Inexploradas dos Biomas Brasileiros, coordenado pela própria pesquisadora e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

    Uma região pouco explorada e de grande potencial

    As duas espécies vivem em inselbergs, formações rochosas isoladas que se erguem em meio à floresta e funcionam como verdadeiras ilhas ecológicas. O isolamento prolongado dessas áreas, que se mantém por milhares de anos, favorece o surgimento de espécies exclusivas, adaptadas a condições ambientais bem específicas. O que explica por que ninguém havia encontrado esses escorpiões antes.

    A descoberta de Cayooca puchus chama ainda mais atenção porque o gênero Cayooca reúne pouquíssimos representantes conhecidos pela ciência, o que torna o achado raro mesmo para os padrões da taxonomia.

    escorpião em foto com efeito
    A equipe utilizou lanternas ultravioleta (UV) durante as expedições noturnas, facilitando a localização das novas espécies. Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    As novas espécies também impõem desafios para quem quer estudá-las de perto. Segundo Pucca, os animais são extremamente sensíveis a mudanças ambientais. Mesmo quando os pesquisadores tentam recriar em laboratório a temperatura e a umidade da floresta, alguns exemplares não resistem por muito tempo em cativeiro. “São animais altamente especializados e adaptados a um ambiente muito específico. Mesmo quando tentamos reproduzir essas condições em laboratório, nem sempre conseguimos garantir sua sobrevivência”, explica a docente.

    Anos de expedições até a confirmação

    Confirmar que os exemplares pertenciam a espécies novas exigiu um trabalho de quase uma década. As primeiras expedições à região aconteceram em 2016, quando Pucca ainda integrava o quadro da Universidade Federal de Roraima (UFRR). De lá para cá, as equipes retornaram ao local diversas vezes, em diferentes épocas do ano, para coletar machos, fêmeas, jovens e adultos. Um esforço necessário para reunir evidências suficientes e comparar os animais com todas as espécies já catalogadas.

    Detalhes da estrutura final da cauda, onde fica o ferrão do escorpião Brotheas cernii. Foto: Equipe do Projeto AT-Biota-FAPESP

    O professor André Lira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), conduziu as análises detalhadas que sustentaram a descrição das novas espécies. Outros dois especialistas, Antônio D. Brescovit, do Instituto Butantan, e Edmundo González-Santillán, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), validaram os resultados antes da publicação. “A descrição de novos exemplares exige um conjunto robusto de evidências e a validação por diferentes pesquisadores. É um trabalho minucioso que envolve análises morfológicas detalhadas”, afirma Pucca.

    Os nomes contam histórias pessoais

    A escolha dos nomes científicos guarda também um lado afetivo. Pucca escolheu batizar Brotheas cernii em homenagem ao marido, Felipe Augusto Cerni, pesquisador e professor da UFRR, e à filha do casal, que carrega o mesmo sobrenome. Cerni participou diretamente das expedições e colaborou com a pesquisa.

    nova especie de escorpião no mato
    Além da classificação biológica, a equipe está investigando as moléculas dos venenos dos escorpiões para potencial desenvolvimento de novos medicamentos. Foto: Equipe do AT-Projeto Biota-FAPESP

    Já o nome Cayooca puchus remete à expressão espanhola “pucheros”, usada para descrever uma expressão facial de espanto ou surpresa. A referência brinca com a reação do pesquisador André Lira, primeiro autor do artigo, ao perceber que tinha em mãos uma espécie nunca antes descrita.

    Da descoberta à busca por novos medicamentos

    A descrição taxonômica é só o primeiro capítulo de uma pesquisa mais ampla. Especialista em bioprospecção de moléculas presentes em venenos, Pucca já comanda um novo estudo voltado a investigar os compostos produzidos pelas duas espécies recém-descobertas. “Já estamos analisando os venenos desses escorpiões. Nossa expectativa é que, em breve, possamos publicar novos trabalhos a respeito”, adianta.

    Vista anatômica da estrutura articulada da região bucal do escorpião Cayooca puchus
    Vista anatômica da estrutura articulada da região bucal do escorpião Cayooca puchus, uma das novas espécies descritas. Crédito: Equipe do Projeto AT-Biota-FAPESP

    O interesse científico tem explicação biológica: como predadores de insetos, os escorpiões desenvolveram ao longo da evolução venenos com moléculas altamente especializadas. Esse arsenal químico desperta o interesse de pesquisadores que enxergam ali potencial para a criação de inseticidas biológicos e novos fármacos. “Esses animais vivem em ambientes extremamente desafiadores e desenvolveram, ao longo da evolução, moléculas ativas muito eficientes. Elas podem inspirar desde novos medicamentos até inseticidas biológicos mais seguros”, destaca a pesquisadora.

    Estudo regional

    Os exemplares vivos coletados nas expedições seguiram para a UFRR, em Boa Vista, onde Pucca já lecionou e mantém parcerias acadêmicas, e não para o laboratório da Unesp, em Araraquara. “Não podemos simplesmente trazer esses escorpiões vivos para o laboratório da Unesp. Além das exigências legais e ambientais, são espécies muito adaptadas às condições da floresta amazônica e bastante sensíveis às mudanças de habitat. Por isso, parte dos estudos precisa ser realizada na própria região onde eles ocorrem”, diz a pesquisadora.

    A equipe já planeja novas expedições a Roraima para ampliar o levantamento da fauna local. Além dos escorpiões, os pesquisadores pretendem investigar aranhas e barbeiros,  grupos de grande relevância ecológica e biomédica. “As maiores descobertas científicas muitas vezes surgem quando estamos explorando o desconhecido. Por isso, conhecer e preservar nossa biodiversidade é fundamental não apenas para a ciência, mas também para o desenvolvimento de soluções que podem beneficiar toda a sociedade”, conclui Pucca.

    Matéria de

    Jornal da Unesp

  • Peixe amazônico se disfarça de folha para capturar presas

    Peixe amazônico se disfarça de folha para capturar presas

    Nas águas tranquilas dos igarapés da Amazônia, um predador desenvolveu uma estratégia impressionante para caçar sem ser percebido. O peixe-folha (Monocirrhus polyacanthus) utiliza uma camuflagem extremamente eficiente, assumindo a aparência de uma folha morta para se aproximar de suas presas.

    Como ele se disfarça

    O segredo está na anatomia. O corpo achatado apresenta formas, linhas e tonalidades que reproduzem com precisão a aparência de uma folha em decomposição caída na água.

    Além disso, pequenas expansões na pele lembram o pecíolo das folhas, reforçando ainda mais o disfarce. A coloração marrom também varia conforme as características do ambiente, enquanto os movimentos lentos acompanham a correnteza, simulando o deslocamento natural da vegetação.

    Peixe folha
    Peixe permanece praticamente invisível para outros organismos — Foto: Reprodução/Blog do Pescador

    Paciência e ataque relâmpago

    A principal tática do peixe-folha é a caça por emboscada. Na maior parte do tempo, ele permanece imóvel ou se movimenta lentamente, reproduzindo o comportamento de uma folha sendo carregada pela água.

    Quando um pequeno peixe, camarão ou outro organismo se aproxima sem perceber o perigo, o predador entra em ação. Com movimentos discretos das nadadeiras, ele ajusta sua posição e aguarda o momento ideal para atacar.

    Então ocorre o golpe final: sua mandíbula protrátil se expande rapidamente, criando um poderoso efeito de sucção capaz de engolir a presa inteira em apenas alguns milissegundos.

    Camuflagem também ajuda na sobrevivência

    O mimetismo não serve apenas para capturar alimento, mas também como mecanismo de defesa.

    Ao se confundir com folhas acumuladas no fundo dos rios, o peixe-folha reduz significativamente as chances de ser identificado por possíveis predadores. Por isso, a adaptação garante vantagens tanto na obtenção de alimento quanto na própria sobrevivência.

    Entre os principais benefícios dessa estratégia estão:

    • Economia de energia, já que não precisa perseguir suas presas;
    • Menor exposição a predadores presentes no ambiente;
    • Alta eficiência na captura de alimento graças ao fator surpresa.

    Conservação dos igarapés é fundamental para a espécie

    A sobrevivência do peixe-folha depende diretamente da preservação dos igarapés e da vegetação que abastece esses ambientes com folhas e matéria orgânica.

    Alterações na cobertura vegetal podem reduzir a disponibilidade dos micro-habitats utilizados pela espécie, comprometendo sua capacidade de caça e proteção.

  • Aranha que se disfarça de fungo é descoberta na Amazônia equatoriana

    Aranha que se disfarça de fungo é descoberta na Amazônia equatoriana

    Pesquisadores registraram pela primeira vez a existência de uma espécie de aranha capaz de imitar a aparência de fungos parasitas. A espécie, denominada Taczanowskia waska, foi encontrada na porção equatoriana da Floresta Amazônica e amplia o conhecimento científico sobre a biodiversidade da região.

    A descoberta ocorreu após a publicação de uma fotografia do animal na plataforma de ciência iNaturalist. Inicialmente, observadores acreditaram que o organismo retratado fosse um fungo. No entanto, análises posteriores revelaram tratar-se de uma aranha.

    “Descobertas como essas demonstram o valor das coleções científicas. Elas nos permitem classificar novas espécies e compará-las com espécimes históricos. Aliadas à colaboração internacional e à ciência cidadã, isso abre novas oportunidades para a pesquisa da biodiversidade”, destacou a pesquisadora Nadine Dupérré, uma das autoras do trabalho.

    A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Leibniz para Análise da Mudança da Biodiversidade (LIB), da Alemanha.

    Camuflagem ajuda na sobrevivência da espécie

    Segundo os cientistas, a Taczanowskia waska apresenta estruturas alongadas que se estendem até o abdômen, além de uma coloração clara semelhante à observada em fungos do gênero Gibellula, conhecidos por parasitar aranhas.

    Dessa forma, a espécie utiliza a aparência de fungo como estratégia de camuflagem, reduzindo o risco de ser identificada por predadores.

    Aranha que se disfarça de fungo
    Taczanowskia waska, nova espécie de aranha, apresenta estruturas no abdômen que imitam fungos parasitas — Foto: David Diaz-Guevara/Reprodução Phys

    Para aumentar a eficiência dessa estratégia, a aranha permanece imóvel em áreas das folhas onde esses fungos costumam se desenvolver. Assim, torna-se ainda mais difícil distingui-la do ambiente natural.

    Além de revelar características inéditas do pouco estudado gênero Taczanowskia, a descoberta contribui para ampliar o conhecimento sobre a rica fauna amazônica presente na região equatoriana da floresta.

  • Piscicultura: novo protocolo revela como doenças de peixes se espalham por rios e igarapés

    Piscicultura: novo protocolo revela como doenças de peixes se espalham por rios e igarapés

    Uma pesquisa inédita no Brasil revelou que pisciculturas localizadas em uma mesma bacia hidrográfica podem contaminar umas às outras por meio da água, mesmo a grandes distâncias. O estudo, conduzido pela Embrapa Pesca e Aquicultura em parceria com um instituto veterinário italiano, aplicou pela primeira vez no país um protocolo baseado em Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para mapear o risco de propagação de doenças entre fazendas aquícolas. Os resultados foram publicados na revista científica Frontiers in Marine Science.

    Peixes em uma rede de pesca
    Foto: Jefferson Christofoletti/Embrapa

    A ferramenta gera mapas que classificam cada propriedade aquícola em nível alto, médio ou baixo de risco sanitário, de acordo com sua posição no curso d’água em relação a focos de infecção conhecidos. O objetivo é viabilizar um sistema de alerta precoce capaz de orientar ações de contenção antes que surtos se alastrem pela cadeia produtiva.

    Como funciona o mapeamento

    O protocolo foi desenvolvido pelo Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), da Itália. A instituição tem histórico consolidado no controle de emergências sanitárias animais, incluindo a influenza aviária. E foi adaptado para a realidade da aquicultura brasileira em parceria com a Embrapa.

    A lógica do sistema é simples, mas poderosa: a água é um vetor natural de transmissão de patógenos. Quando uma propriedade está posicionada a montante de outra e existe conectividade hídrica entre elas, o fluxo do rio pode carregar ovos, cistos, bactérias ou vírus de um viveiro ao seguinte. O protocolo analisa exatamente essa rede de conexões.

    “A saúde na aquicultura não depende apenas do que acontece dentro de uma única fazenda. Ela também está ligada à rede hidrográfica, ao fluxo de água e à forma como o espaço de produção é organizado no território”, explica o geógrafo Rodrigo Macario, do IZSVe.

    O mapeamento começa pela identificação e georreferenciamento de todas as propriedades aquícolas em uma bacia hidrográfica. Em seguida, calcula-se a conectividade hídrica entre elas. Com base nessa análise, cada fazenda recebe uma classificação de risco:

    • Alto risco: propriedades a jusante de um foco de infecção confirmado, diretamente conectadas pelo fluxo da água
    • Médio risco: propriedades em áreas de conectividade indireta ou sazonal
    • Baixo risco: propriedades sem conectividade hídrica com focos conhecidos da doença

    O parasita escolhido para o teste

    A validação do protocolo no Brasil utilizou como objeto de estudo o acantocéfalo, um dos parasitas mais comuns em tambaquis (Colossoma macropomum), principal espécie da piscicultura amazônica. A escolha se deveu à abundância de dados disponíveis e à relevância econômica da enfermidade. Em 2015, houve um surto significativo no estado de Rondônia.

    Os pesquisadores conhecem relativamente bem o ciclo de vida do parasita: os peixes infectados eliminam os ovos nas fezes, pequenos crustáceos chamados ostracodes ingerem esses ovos e, em seguida, transmitem o parasita aos peixes saudáveis que se alimentam deles. O ciclo completo dura cerca de dois meses.

    O impacto econômico é expressivo. “Peixes parasitados deixam de ganhar até 20% do peso esperado em comparação com animais saudáveis, o que, em escala comercial, representa perda considerável de produtividade”, destaca Marta Ummus, geógrafa da Embrapa Amazônia Oriental e uma das líderes do estudo. Para produtores da Amazônia, que já enfrentam desvantagens logísticas frente a outras regiões, cada ponto percentual de perda pesa no orçamento.

    Risco ampliado na Amazônia

    Na Bacia do Rio Machado, em Rondônia, área escolhida para o estudo de caso, os pesquisadores identificaram uma particularidade preocupante: produtores da região costumam escavar tanques de piscicultura diretamente no leito dos igarapés. Isso cria uma conectividade hídrica praticamente permanente entre as propriedades, ampliando significativamente o risco de propagação de patógenos.

    “Se uma propriedade está a montante de outra e há conectividade hídrica entre elas, o fluxo de água carrega consigo ovos, cistos, bactérias ou vírus”, alerta a pesquisadora Patricia Oliveira Maciel, especialista em sanidade da Embrapa Pesca e Aquicultura.

    Obstáculo: falta de dados oficiais

    Um dos principais entraves encontrados pela equipe foi a dificuldade de obter dados primários junto aos órgãos estaduais de defesa sanitária animal. Por questões de segurança e de política institucional, os responsáveis não disponibilizaram as informações georreferenciadas sobre a ocorrência de doenças. Os pesquisadores precisaram recorrer a dados secundários extraídos de artigos científicos publicados.

    A situação expõe uma lacuna crítica na política de vigilância sanitária do país. “Precisamos de uma política de dados mais transparente”, defende Ummus. “Na Itália, há um controle muito maior no georreferenciamento de pisciculturas e seus problemas de sanidade. Aqui, há muitas criações funcionando na informalidade, o que prejudica o acesso a dados espaciais e sanitários.”

    Na União Europeia, as normas sanitárias impõem obrigações específicas aos produtores aquícolas: em casos de mortalidade anormal ou de queda significativa na produção sem causa conhecida, eles devem acionar um veterinário, que pode encaminhar o caso às autoridades oficiais.

    Um protocolo universal

    Embora os pesquisadores tenham testado o protocolo SIG com foco no acantocéfalo, a ferramenta permanece neutra em relação ao agente infeccioso. A mesma estrutura metodológica permite monitorar qualquer patógeno transmitido pela água, desde que os usuários ajustem parâmetros como tempo de sobrevivência no ambiente, período de incubação e dose infectante mínima.

    Peixe Tambaqui fora da agua não mão se uma pessoa
    Foto: Alily Melo/Embrapa

    “Não se trata de uma solução para um problema específico, mas de uma plataforma metodológica que pode ser empregada continuamente, adaptada a diferentes contextos e patógenos, e incorporada a políticas públicas de sanidade aquícola”, afirma Ummus.

    Próximos passos

    Para que a ferramenta chegue efetivamente ao campo, os pesquisadores apontam três desafios a superar: o acesso restrito a dados primários dos órgãos estaduais; a informalidade de uma parcela expressiva dos produtores aquícolas amazônicos, que operam sem licenciamento ambiental ou registro oficial; e a fragmentação da cadeia produtiva, que dificulta a rastreabilidade sanitária entre os elos de produção de alevinos, engorda, abate e processamento.

    “A aquicultura brasileira tem potencial para crescer de forma sustentável e competitiva, mas isso passa necessariamente pelo fortalecimento dos sistemas de vigilância sanitária. E, nesse campo, a inteligência geográfica pode ser uma aliada poderosa. Desde que haja dados, política pública e vontade institucional para colocá-la em prática”, conclui Ummus.

    A revista Frontiers in Marine Science publicou a pesquisa. E resulta de acordo de cooperação técnico-científica entre a Embrapa e o Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), da Itália.

  • Amazônia 2050: o plano para transformar biodiversidade em renda e desenvolvimento

    Amazônia 2050: o plano para transformar biodiversidade em renda e desenvolvimento

    Como transformar o potencial da Amazônia em oportunidades econômicas e sustentáveis? Essa foi a principal discussão durante o lançamento da Agenda Zona Franca de Manaus (ZFM) 2050, realizado na última terça-feira (10), em Brasília (DF).

    Desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), o documento reúne diagnósticos e propostas para os próximos 25 anos, visando ampliar a competitividade regional, diversificar a economia e transformar a combinação entre biodiversidade, ciência, tecnologia e indústria em um vetor permanente de crescimento.

    Coração do Brasil

    A iniciativa parte do entendimento de que a Amazônia concentra ativos estratégicos para o Brasil e para o mundo. No entanto, a região ainda enfrenta gargalos históricos relacionados à infraestrutura, logística, inovação e desenvolvimento social.

    Ao apresentar a importância econômica da Zona Franca de Manaus, Antônio Silva, presidente da Fieam, ressaltou números expressivos registrados pelo modelo em 2025.

    “Em 2025, tivemos um faturamento superior a US$ 41 bilhões e mais de 132 mil empregos diretos. Além de 600 mil postos de trabalhos indiretos induzidos em toda a Zona Franca de Manaus.”

    Estratégia a longo prazo

    Pensar o desenvolvimento amazônico exige planejamento de longo prazo. O presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Rocha, afirmou que o documento representa um compromisso estratégico com o futuro da região e do país.

    Além disso, Rocha destacou que a manutenção das garantias constitucionais da Zona Franca durante a tramitação da Reforma Tributária permitiu ampliar o debate para temas como inovação, competitividade e diversificação produtiva.

    “A Zona Franca de Manaus é uma política de Estado. O documento nos convida a olhar além das urgências e além dos ciclos eleitorais. Construir uma visão de longo prazo é uma estratégia sólida e ambiciosa.”

    Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do Cieam, e Antônio Silva, presidente da Fieam — Foto: Divulgação

    Desindustrialização preocupa especialistas

    O diagnóstico econômico que sustenta a proposta foi apresentado por Márcio Holland, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

    Durante sua análise, o economista alertou para os impactos da desaceleração econômica e para a perda de participação da indústria na economia nacional.

    “O Brasil desacelera e faz uma desindustrialização de forma prematura, antes mesmo de atingir uma renda per capita alta. Corremos o risco de nos tornar um país envelhecido e pobre.”

    Segundo Holland, iniciativas como a Agenda ZFM 2050 tornam-se ainda mais relevantes ao oferecer caminhos para ampliar a competitividade e estimular novos investimentos produtivos.

    Bioeconomia surge como oportunidade estratégica

    De acordo com a empresária Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes e ex-deputada federal , muitos debates sobre a Amazônia ignoram as particularidades territoriais, sociais e logísticas da região.

    “Há um grande equívoco em querer comparar a Amazônia com o resto do país. Nós vivemos em uma região que tem desafios permanentes.”

    Ao abordar as perspectivas da bioeconomia, a empresária ressaltou que a Amazônia abriga uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, mas ainda enfrenta obstáculos que limitam seu aproveitamento econômico.

    Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes — Foto: Divulgação

    Além disso, ela defendeu maior integração entre setor produtivo e governo para garantir uma gestão mais eficiente dos recursos destinados ao desenvolvimento regional.

    “O que a gente precisa é de planejamento. É uma contribuição da indústria, e ao lado da indústria precisa do acompanhamento do governo. Precisa ser compartilhada essa governança.”

    Infraestrutura e logística

    A necessidade de investimentos em infraestrutura também esteve no centro das discussões.

    O deputado federal Capitão Alberto Neto ressaltou que o Amazonas preserva cerca de 97% da cobertura florestal e argumentou que as particularidades amazônicas precisam ser consideradas na formulação das políticas públicas.

    Segundo o parlamentar, a ausência de investimentos contínuos em hidrovias e dragagem compromete tanto o abastecimento quanto o transporte de pessoas durante os períodos de seca.

    Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Dorival da Costa dos Santos, destacou os impactos econômicos e sociais gerados pela Zona Franca ao longo das últimas décadas.

    “É o maior experimento de desenvolvimento do mundo. Produzimos bens de ponta e geramos retorno econômico, industrial e social.”

    Ao mesmo tempo, o representante do governo reforçou que a preservação ambiental deve permanecer como eixo central da estratégia regional.

    ‘Sem floresta em pé não há economia’, garante Dorival da Costa dos Santos — Foto: GOV

    Desenvolvimento e preservação

    O futuro da Amazônia dependerá da capacidade de transformar sua biodiversidade e estrutura produtiva em oportunidades concretas.

    Para os defensores da Agenda ZFM 2050, esse processo exigirá planejamento de longo prazo, investimentos estruturantes e políticas capazes de conciliar crescimento econômico, inovação, bioeconomia e preservação ambiental.

     

  • Governo usará dados de desmatamento em negociações com os EUA; entenda

    Governo usará dados de desmatamento em negociações com os EUA; entenda

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (11) que o governo brasileiro enviará aos EUA os dados mais recentes sobre a redução do desmatamento no país. A medida ocorre em meio às discussões envolvendo uma possível ampliação de tarifas sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

    Durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília, Lula disse que as informações serão encaminhadas ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

    Segundo o presidente, o governo pretende apresentar os avanços ambientais alcançados pelo Brasil para contestar argumentos utilizados por autoridades americanas ao defenderem medidas tarifárias contra o país.

    “Vamos ter que pegar esses dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior”, declarou.

    Além disso, Lula afirmou que o governo fará comparações entre os indicadores ambientais brasileiros e os resultados registrados pelos Estados Unidos.

    “Agora é a hora da comparação. Eles mentiram na primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que tiveram superávit muito alto em 15 anos”, pontuou.

    “É muito mais barato a gente trabalhar para evitar o desmatamento”, afirma o presidente — Foto: Ricardo Stuckert/PR

    Dados ambientais

    De acordo com o presidente, parte das críticas feitas pelos Estados Unidos ao Brasil estaria baseada no desconhecimento das políticas implementadas para combater o desmatamento.

    O tema ganhou ainda mais relevância após o governo americano recomendar, na semana passada, a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida com base em investigações conduzidas pela Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

    Entre os pontos analisados pelo órgão estão questões relacionadas ao desmatamento, ao etanol, ao sistema de pagamentos Pix e ao comércio popular da Rua 25 de Março.

    Na quarta-feira (10), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão, Lula voltou a criticar as medidas protecionistas adotadas pelo governo de Donald Trump e questionou as críticas feitas ao desempenho ambiental brasileiro.

    “Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores [dos EUA] têm para vir um tal de diretor financeiro impor multa por causa do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas?”, afirmou durante discurso.

    Desmatamento em queda

    Segundo um levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento registrou queda tanto no Cerrado quanto na Amazônia em maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.

    No Cerrado, a redução foi de 12,2%. Já na Amazônia, a retração alcançou 61,4%.

    Lula classificou os números como um resultado “extraordinariamente positivo” e destacou a importância da cooperação entre governos federal, estaduais e municipais. Além disso, defendeu o fortalecimento da estrutura dos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental.

    Ministério do Meio Ambiente descarta motivação política

    O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a divulgação dos indicadores ambientais não teve o objetivo de responder diretamente ao governo americano.

    Segundo ele, a publicação dos dados segue uma política de transparência adotada pelo Brasil há anos.

    Ao comentar os resultados, entretanto, o ministro afirmou que a redução do desmatamento enfraquece as acusações feitas pelos americanos.

    “Põe por terra definitivamente a acusação injusta e improcedente dos Estados Unidos”, declarou, ao se referir ao uso da questão ambiental como justificativa para a adoção de tarifas.

    Capobianco também rebateu críticas relacionadas à exportação de madeira brasileira. De acordo com o ministro, toda a madeira destinada ao mercado externo passa por sistemas de monitoramento.

    “O Brasil não está promovendo desmatamento ilegal; Brasil não está exportando madeira ilegal”, afirmou.


    A rastreabilidade da madeira é uma exigência crescente dos mercados internacionais e tem ganhado importância nas exportações brasileiras — Foto: Ibama

    Dados devem subsidiar negociações comerciais

    As informações divulgadas pelo Ministério do Meio Ambiente poderão servir como base técnica para as negociações conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) com autoridades norte-americanas.

    Com isso, o governo espera utilizar os resultados ambientais mais recentes como argumento para fortalecer a posição brasileira nas discussões comerciais e reduzir pressões sobre as exportações do país, especialmente de setores ligados ao agronegócio, à bioenergia e às commodities agrícolas.

  • Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    A união entre o saber popular e a pesquisa científica deu origem a uma ferramenta que promete revolucionar o manejo da banana na região amazônica: o “Rabo de Jaraqui”. O nome curioso é uma homenagem ao peixe típico da bacia amazônica (Semaprochilodus taeniurus e Semaprochilodus insignis), cuja cauda se assemelha ao formato do equipamento.

    agricultor Raimundo Miguel Barbosa de Lima, mais conhecido como Barbosa Batiferro. Foto: Embrapa

    Idealizado pelo produtor rural Raimundo Miguel Barbosa de Lima, conhecido como “Barbosa Batiferro”, em Itacoatiara (AM), o removedor artesanal de folhas foi desenvolvido a partir de materiais reciclados encontrados na própria propriedade. A inovação ganhou escala após a parceria com o pesquisador Luadir Gasparotto, da Embrapa Amazônia Ocidental, que realizou a validação científica e sistematizou o conhecimento no Comunicado Técnico 181.

    Eficiência no controle de pragas

    O “Rabo de Jaraqui” resolve um dos principais gargalos da bananicultura: a desfolha. Segundo especialistas, uma bananeira produz entre 40 e 50 folhas em seu ciclo. E a remoção de folhas velhas ou doentes é vital para o controle fitossanitário. O processo facilita a entrada de luz solar e a circulação de ar, reduzindo a umidade e, consequentemente, os focos de pragas como o moleque-da-bananeira e doenças fúngicas.

    Pesquisador Luadir Gasparotto. Foto: Embrapa

    Além do ganho agronômico, a ferramenta destaca-se pelo baixo custo e pelo viés ambiental. Entre os principais benefícios citados nas fontes, destacam-se:

    • Reciclagem: pode ser confeccionada com sucatas de serralheria, lâminas de foices, enxadas ou discos de arado.
    • Adubação natural: as folhas cortadas se decompõem no solo, aumentando a matéria orgânica e melhorando a retenção de água.
    • Segurança: reduz o abrigo para animais peçonhentos e melhora a ergonomia do trabalhador.

    Dicas de manejo e higiene

    Para garantir a eficácia, Barbosa Batiferro ressalta que a lâmina deve estar sempre amolada para um corte limpo, feito de baixo para cima para não danificar o pseudocaule da planta. Outro ponto crucial é a esterilização. O inventor recomenda mergulhar a ferramenta em uma mistura de água e água sanitária ao trocar de lote ou variedade de banana, evitando a transmissão de doenças entre as plantas.

    Com a divulgação oficial pela Embrapa, a expectativa é que o “Rabo de Jaraqui” se torne um padrão em outras propriedades da região. Assim, consolidando-se como um exemplo de como a inovação sustentável pode nascer da observação prática no campo.