Tag: Agro Brasil

  • Ostentação no campo: veja o Corvette de R$ 2 mi de Zezé

    Ostentação no campo: veja o Corvette de R$ 2 mi de Zezé

    Quando Zezé Di Camargo apareceu nas redes sociais ao volante de um Chevrolet Corvette Stingray 2026, vermelho, conversível, com motor V8 de 495 cavalos e preço beirando os R$ 2 milhões, as manchetes foram rápidas em falar de ostentação. Faz sentido, o carro impressiona. Acelera de zero a 100 km/h em três segundos e atinge 312 km/h. É uma das primeiras unidades do modelo a chegar ao Brasil, em configuração exclusiva para o mercado nacional.

    Mas essa é a parte mais fácil de contar. O que pouca gente sabe, ou prefere não dizer, é de onde veio o dinheiro que sustenta esse estilo de vida. E a resposta passa muito menos pelo microfone do que pelo pasto.

    Zezé Di Camargo com o Chevrolet Corvette Stingray 2026
    (Foto: Reprodução/Instagram)

    Criado no sítio, moldado pelo campo

    Mirosmar José de Camargo, o Zezé, nasceu em 1962 em Pirenópolis, no interior de Goiás, em uma família numerosa e de vida simples no meio rural. O pai, Seu Francisco, criou nove filhos no sítio, sempre com dificuldade, mas com muita música e com o sonho de ver os filhos brilharem. O menino cresceu em contato direto com a terra, com o gado, com o ritmo do campo. Esse DNA nunca saiu dele.

    Décadas depois, quando o sucesso chegou com a dupla Zezé Di Camargo & Luciano no começo dos anos 1990, a primeira grande compra não foi um apartamento em São Paulo nem um carro importado. Foi uma fazenda em Araguapaz, Goiás, adquirida em 1993 e batizada com o nome do maior hit da carreira: É o Amor. “Sonhava em ter a minha fazenda para não precisar passar pelo que minha família passou”, disse ele em entrevista. Essa frase resume bem de onde vem a relação dele com o campo.

    1.500 hectares, nelore puro e leilões milionários

    A Fazenda É o Amor não é apenas um refúgio emocional. É um negócio sério, avaliado atualmente em torno de R$ 65 milhões, segundo especialistas do setor. A propriedade cobre 1.500 hectares às margens do Rio dos Peixes, com instalações modernas, laboratório próprio de reprodução animal e um programa de melhoramento genético de gado nelore que coloca Zezé entre os criadores mais respeitados de Goiás.

    Os touros produzidos na fazenda chegam a valer até R$ 1,5 milhão cada, e os leilões anuais organizados pelo cantor podem render até R$ 6 milhões em uma única edição. Além disso, Zezé participa do PMGZ, o Programa de Melhoramento Genético do Zebu, um dos mais rigorosos do Brasil para pecuária de corte. Não é hobby. É pecuária de alto nível.

    Mais recentemente, o cantor também começou a olhar para a agricultura. Relatos indicam interesse em expandir as atividades da fazenda para a produção de soja, o que, se confirmado, colocaria o sertanejo entre os produtores rurais mais diversificados do setor.

    Fazenda É o Amor, em Goiás, possui 1500 hectares — Foto: Instagram/ Reprodução

    O campo como alicerce de uma fortuna

    Há um padrão bem conhecido no agronegócio brasileiro: artistas e celebridades oriundas do interior que, ao acumularem renda, voltam os investimentos para a terra. Zezé Di Camargo é talvez o exemplo mais emblemático dessa equação. A música deu visibilidade e caixa. O campo deu consistência e patrimônio.

    Não por acaso, a fazenda foi o cenário escolhido para gravar o EP solo “Rústico”, projeto que o próprio Zezé descreveu como um retorno às origens, e também serviu de locação para uma série documental na Netflix sobre sua trajetória familiar. O campo, para ele, não é pano de fundo. É identidade.

    Além do gado, a propriedade recebe cães resgatados, funciona como santuário animal após a decisão do cantor de encerrar o abate na fazenda, e opera com energia solar, reduzindo a conta mensal de energia de R$ 5 mil para R$ 100. Uma iniciativa que mostra como produtores rurais modernos combinam rentabilidade com consciência ambiental.

    O Corvette como símbolo de uma jornada que começa no pasto

    O carro vermelho que tomou as redes sociais é a ponta visível de uma história muito mais profunda. Zezé Di Camargo não é uma celebridade que comprou fazenda para parecer fazendeiro. É um homem do campo que virou cantor, fez fortuna com os dois mundos, e nunca desvinculou os dois. A trajetória dele é, em certa medida, a trajetória de toda uma geração do agronegócio brasileiro que saiu da escassez rural e construiu patrimônio com trabalho, terra e genética animal.

    O Corvette impressiona. Mas o que realmente deveria impressionar é a fazenda que o pagou.

  • Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Safra brasileira ganha fôlego: China explode importações de açúcar em 320%

    Os números que saíram da alfândega chinesa nesta semana deixaram pouca margem para dúvida: a China está comprando commodities agrícolas em ritmo acelerado, e o açúcar lidera essa corrida com folga. No primeiro trimestre de 2026, as importações do adoçante saltaram 320% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China. Em volume, o país absorveu 620 mil toneladas entre janeiro e março. Só em março, entraram 100 mil toneladas, 41,9% a mais do que em março de 2025.

    Para quem acompanha o setor sucroenergético, esse sinal importa. A China é o maior país do mundo em população e uma das economias que mais cresce em consumo de alimentos processados. Quando ela acelera as compras de açúcar nessa magnitude, o impacto chega rápido ao mercado internacional e, inevitavelmente, ao Brasil, maior exportador global do produto.

    O que está por trás de uma alta de 320%

    Não existe uma causa única para um salto desse tamanho. O cenário combina produção interna chinesa abaixo do esperado, aumento no consumo doméstico e uma estratégia de recomposição de estoques que o governo chinês vem adotando com mais frequência desde 2024. A pressão sobre os preços internacionais do açúcar bruto já reflete parte desse movimento.

    Para o setor canavieiro brasileiro, que abre agora a safra 2026/27, a notícia chega em boa hora. A demanda aquecida da China tende a sustentar as cotações e pode favorecer a decisão das usinas pelo mix mais voltado ao açúcar em detrimento do etanol, pelo menos nos primeiros meses da safra.

    Milho e fertilizantes também disparam nas compras chinesas

    O açúcar não está sozinho nessa tendência. As importações chinesas de milho em março chegaram a 220 mil toneladas, uma alta de 177,4% frente ao mesmo mês de 2025. Em valor, o crescimento foi de 150%, totalizando US$ 56,6 milhões só no mês. No acumulado do trimestre, o volume atingiu 770 mil toneladas, com avanço de 198% na comparação anual e valor total de US$ 197,6 milhões.

    Os fertilizantes também entraram forte no radar das importações. Em março, a China comprou 1,68 milhão de toneladas, alta de 26,5% em relação ao ano anterior. No primeiro trimestre, o total chegou a 5 milhões de toneladas, crescimento de 30,5%. Esse dado tem relevância direta para o produtor brasileiro: a demanda chinesa por fertilizantes pressiona preços globais e pode encarecer os custos de produção das próximas safras.

    Soja avança no mês, mas recua no trimestre

    A soja apresentou um comportamento mais dividido. Em março, as importações chinesas alcançaram 4,02 milhões de toneladas, crescimento de 14,7% frente ao mesmo mês de 2025, com valor de US$ 1,93 bilhão, alta de 19,9%. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre, o volume recuou 3,1%, para 16,58 milhões de toneladas. Em valores, o crescimento foi modesto, de 1,7%, somando US$ 8,03 bilhões.

    Isso significa que março foi forte, mas janeiro e fevereiro ficaram aquém do ritmo do ano passado, puxando o resultado trimestral para baixo. O cenário reforça a importância de não interpretar um único mês de alta como uma tendência consolidada.

    Óleo de soja: alta no mês, queda no trimestre

    O comportamento do óleo de soja seguiu lógica parecida. Em março, as importações chinesas somaram 10 mil toneladas, avanço de 45,1% na comparação anual, com valor de US$ 7,6 milhões, alta de 59%. Porém, no acumulado do primeiro trimestre, as compras caíram 35,3% frente ao mesmo período de 2025, totalizando 180 mil toneladas.

    A oscilação indica que a China ajusta suas compras de derivados de soja de forma estratégica, aproveitando janelas de preço, o que torna esse mercado mais volátil e imprevisível para os exportadores brasileiros.

    O que o produtor brasileiro precisa observar daqui para frente

    Os dados do primeiro trimestre entregam uma mensagem clara: a China ainda é o termômetro mais importante do agronegócio global. Quando compra mais, move mercados. Quando recua, derruba cotações. O movimento atual, especialmente no açúcar e no milho, favorece o produtor brasileiro no curto prazo. Mas a assimetria entre o desempenho mensal e o trimestral da soja e do óleo de soja serve de alerta: a demanda chinesa pode ser intensa em um mês e fraca no seguinte.

    Para o setor sucroenergético, o cenário de abertura de safra é animador. A demanda está aquecida, e a China sinaliza que quer comprar mais. A pergunta que fica é quanto tempo esse ritmo se sustenta, e se a oferta global vai conseguir acompanhar.

  • Greve trava porto argentino e gera prejuízo de US$ 300 mi em grãos

    Greve trava porto argentino e gera prejuízo de US$ 300 mi em grãos

    Uma greve de proprietários de caminhões paralisou, na prática, o porto de Quequén, na província de Buenos Aires, e deixou 18 navios aguardando carregamento. O motivo do impasse é direto: os transportadores querem um reajuste de 25% nas tarifas de frete, pressionados pela alta nos preços dos combustíveis após o acirramento do conflito no Irã. As entidades rurais, por outro lado, oferecem 14%. A diferença, aparentemente pequena em pontos percentuais, virou um travamento de proporções milionárias.

    Segundo dados do porto, os navios parados deveriam carregar, juntos, 159 mil toneladas de sementes de girassol, 109 mil toneladas de milho, 99 mil toneladas de cevada e 92 mil toneladas de trigo. Com os caminhões bloqueando o acesso ao terminal, os grãos simplesmente não chegam aos navios.

    US$ 300 milhões em perdas e o peso do porto no mercado global

    Gustavo Idígoras, presidente da câmara CIARA-CEC, que representa exportadores e processadores de grãos argentinos, não deixou dúvidas sobre a gravidade da situação. “Essa situação em Quequén está se tornando insustentável. Estamos impedidos de operar em todos os terminais do porto”, afirmou.

    Idígoras estimou as perdas em cerca de US$ 300 milhões. O número tem peso concreto quando se leva em conta o papel estratégico de Quequén: por ali passa cerca de 20% de todas as exportações de soja da Argentina, um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos. Portanto, o que acontece nesse porto importa muito além das fronteiras argentinas.

    Os navios em espera têm como destinos Vietnã, China, Brasil, Malásia e Espanha, entre outros países. Qualquer atraso no carregamento repercute direto nas cadeias de suprimentos de grãos nesses mercados.

    A negociação que não avança

    O governo da província de Buenos Aires prometeu convocar uma nova rodada de diálogo entre transportadores e entidades rurais, mas ainda não há data confirmada. Pablo Ginestet, secretário da Carbap, associação de produtores rurais de Buenos Aires e La Pampa, disse nesta quinta-feira que nenhuma comunicação chegou até eles.

    “Não temos notícias de uma nova reunião”, declarou Ginestet. Ele também lembrou que um foco semelhante de protesto em Bahia Blanca já havia sido resolvido. O isolamento do impasse em Quequén, para ele, levanta questionamentos sobre a postura dos transportadores locais. “Só resta um local de conflito, que é Necochea. Depois disso, o resto da província e o país estão funcionando normalmente. Parece ser um capricho dos transportadores de Necochea não quererem chegar a um acordo”, afirmou.

    A Reuters tentou ouvir o Ministério dos Transportes de Buenos Aires e a câmara de transportes Atcade, diretamente envolvida no protesto, mas nenhum dos dois respondeu até o fechamento da reportagem.

    O combustível por trás do impasse

    A raiz do conflito vai além de Quequén. A alta nos preços dos combustíveis, intensificada após a eclosão da guerra no Irã, comprimiu as margens dos transportadores de todo o país. Esse cenário empurrou as demandas por reajuste de frete para cima e criou um ambiente de tensão em vários pontos do setor logístico argentino.

    O que diferencia Quequén dos outros casos é a recusa em negociar. Enquanto outros focos foram resolvidos com acordos entre as partes, os caminhoneiros de Necochea mantêm o bloqueio, e os navios continuam parados.

    O que esse travamento significa para o agronegócio

    Para quem acompanha o mercado de grãos, a situação na Argentina é um alerta. O país vive um período crítico de exportação de sua safra, e qualquer interrupção logística de grande escala afeta preços e prazos de entrega no mercado internacional. O Brasil, como destino direto de parte dos embarques em atraso e como concorrente nas exportações de grãos, observa o cenário de perto.

    O desfecho ainda é incerto. Enquanto o governo provincial tenta articular uma nova rodada de negociações, os navios seguem ancorados, os grãos seguem parados e o relógio do prejuízo continua correndo.

  • Crédito rural dá sinal de alívio, mas Banco do Brasil alerta para risco à frente

    Crédito rural dá sinal de alívio, mas Banco do Brasil alerta para risco à frente

    O Banco do Brasil, maior financiador do agronegócio nacional, enxergou nos primeiros 15 dias de abril alguma melhora na adimplência das operações de custeio. O banco, porém, mantém a cautela. O setor acumula uma escalada de recuperações judiciais e agora ainda precisa lidar com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os custos da próxima safra.

    Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (23) por executivos do BB durante o BB Day. O fluxo de vencimentos do agro soma R$ 155,6 bilhões em 2026, com 59,4% concentrados no período de abril a setembro. Do total, R$ 87,8 bilhões correspondem a crédito de custeio.

    A carteira muda, mas o passado ainda pesa

    O vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar, Gilson Bittencourt, explicou que mais de 80% do que o banco recebe em custeio neste mês ainda vem de operações contratadas entre abril e junho do ano passado. Ou seja, boa parte do que vence agora carrega a marca das condições antigas de concessão de crédito.

    No entanto, a fatia da carteira originada com alienação fiduciária e reforço de garantias já mostra um desempenho visivelmente melhor em adimplência. Essa parcela ainda representa cerca de 20% do recebimento de custeio, mas o banco vê nela um sinal encorajador.

    Recuperação em U ou em W? O BB não sabe ainda

    A maior incógnita no horizonte está na trajetória de recuperação das renegociações de crédito. O vice-presidente de gestão financeira, Geovanne Tobias, admitiu que o banco ainda não tem resposta sobre como essa curva vai se desenhar.

    “Ainda estamos observando o comportamento de como as renegociações dentro do agro vão performar, a nova safra que vai ser colhida, se essa recuperação tende a ser uma recuperação em U ou em W. Ainda não sabemos, eu suspeito que talvez seja mais uma recuperação em W”, afirmou.

    Uma recuperação em W significa que o setor pode sofrer uma nova piora depois de uma melhora inicial. Para o produtor rural, isso se traduz em mais incerteza no acesso a crédito futuro e condições possivelmente mais rigorosas na hora de contratar financiamento.

    No âmbito da MP 1314, que autoriza renegociações de dívidas, o fluxo de vencimentos soma R$ 36,5 bilhões. Desse total, 91,8% têm garantia de imóvel e mais de 72% estão vinculados a alienação fiduciária. Já na carteira prorrogada, os vencimentos chegam a R$ 64,5 bilhões.

    Recuperações judiciais caem, mas produtores buscam saída

    O volume de novos processos de recuperação judicial recuou de forma consistente nos últimos trimestres. No primeiro trimestre de 2026, os pedidos somaram R$ 1,34 bilhão. No terceiro trimestre do ano passado, esse número chegou a R$ 1,84 bilhão, ou seja, uma redução considerável. O número de novos registros também caiu: foram 162 no primeiro trimestre de 2026, ante 209 no terceiro trimestre de 2025.

    O vice-presidente de gestão de risco, Felipe Prince, chamou a atenção para um dado que revela a pressão que os produtores endividados estão sentindo. Alguns deles chegam ao banco querendo encerrar o processo de recuperação judicial porque estão sem acesso a crédito para a nova safra.

    “Eles estão no momento de fazer os investimentos para a nova safra e não encontram crédito. E aí têm nos procurado para que possamos apoiar nesse processo de saída das recuperações judiciais”, relatou Prince.

    Prince também ressaltou que a carteira da safra 2025/26 apresenta um perfil de vencimentos mais equilibrado e com saldo menor, resultado de uma política mais criteriosa na concessão de crédito. “E aí passamos a entregar safras (de crédito) melhores”, reforçou.

    Guerra no Irã e o risco para a safra 26/27

    Um fator externo ganhou espaço na discussão: a guerra no Oriente Médio. Por ora, o impacto sobre os custos dos produtores da safra atual é limitado. Prince explicou que os insumos já estavam nas fazendas quando o conflito eclodiu e a produção da safra 2025/26 está em fase de encerramento. No entanto, a próxima safra é outra história.

    “Agora, sim, pode trazer um efeito para a próxima safra”, afirmou Prince. O BB acompanha os desenvolvimentos do conflito para ajustar os modelos de concessão de crédito da safra 2026/27, prevendo uma possível elevação de custos conforme o conflito se prolongue ou não.

    Bittencourt, por sua vez, fez questão de colocar ponderação na análise. Segundo ele, qualquer afirmação sobre margens apertadas ou dificuldades dos produtores neste momento é, nas palavras dele, “estudo de futurologia”. A maior parte dos insumos para a próxima safra será comprada a partir de junho e julho. “Pode ser sim, se chegarmos em junho e a guerra ainda estiver em andamento, o bloqueio do Estreito de Ormuz ainda estiver com limitações de transporte, pode sim (ter um impacto) e estamos nos preparando para isso”, concluiu.

  • Exportações de soja dos EUA afundam 18% e abrem brecha no mercado

    Exportações de soja dos EUA afundam 18% e abrem brecha no mercado

    Você, produtor, já sentiu essa freada no mercado de soja? O USDA jogou um balde de água fria nos números americanos. As vendas externas despencaram 18% no acumulado, e isso mexe direto no tabuleiro global do grão.

    Como a queda na soja americana impacta a sua safra?
    (Foto: Embrapa)

    Números que preocupam o produtor

    Na semana encerrada em 16 de abril, os EUA venderam 364,6 mil toneladas de soja. O volume cresceu 47% ante a semana anterior, mas ficou 7% abaixo da média das últimas quatro semanas. O Japão liderou as compras, embora o mercado contasse com algo entre 200 mil e 600 mil toneladas.

    O acumulado da temporada pinta o quadro real. Os americanos bateram 38,517 milhões de toneladas até agora, 18% menos que no mesmo período do ano passado.

    Soja patina, milho dispara

    Enquanto a soja americana engasga, o milho decola. Os EUA exportaram 1,316 milhão de toneladas na mesma semana, puxados pela Coreia do Sul, e o total da temporada já supera o ano anterior em 28%.

    Esse descompasso cria instabilidade. O Brasil ganha espaço, especialmente na China, mas a concorrência acirrada pressiona preços e estoques em todo lado.

    Motivos da freada nos EUA

    Tarifas entre EUA e China travam as compras chinesas de soja americana. Produtores do outro lado do oceano lidam com estoques parados e vendas mornas para a nova safra.

    O USDA estima exportações totais em 41,9 milhões de toneladas pros EUA. Aqui no Brasil, isso impulsiona nossos embarques, mas aperta a oferta interna para esmagamento.

    Oportunidade e risco para o Brasil

    Nossos exportadores avançam na Ásia com força. No entanto, esse ritmo acelerado pode encarecer o grão para a indústria local e corroer margens no esmagamento. Fique ligado nos próximos dados do USDA. Uma virada americana ameaça nossa fatia, mas por ora, o jogo favorece quem embarca mais rápido

  • Sem crédito, sem escala: a solução que muda a produção de borracha na Amazônia

    Sem crédito, sem escala: a solução que muda a produção de borracha na Amazônia

    A cadeia da borracha na Amazônia sempre esbarrou nos mesmos obstáculos. Falta crédito, sobra incerteza, e a produção acaba ficando aquém do potencial. Agora, um arranjo que avança no interior do Amazonas começa a mexer nessa lógica e chama atenção pelos resultados recentes.

    Presente em cinco municípios, Manicoré, Eirunepé, Pauini, Barcelos e Canutama, o chamado Arranjo da Borracha ganhou tração nos últimos ciclos e vem se consolidando como uma alternativa prática para estruturar a sociobioeconomia na região.

    Crescimento que chama atenção

    Entre as safras 2022/2023 e 2024/2025, o número de negócios comunitários envolvidos subiu de sete para onze. Esse avanço não ficou só no papel. Na safra mais recente, o arranjo movimentou cerca de R$ 3,1 milhões e beneficiou diretamente 636 famílias extrativistas.

    Na prática, isso significa mais previsibilidade de renda em um setor historicamente marcado por instabilidade. Além disso, indica que a organização coletiva começa a reduzir um problema crônico da região: a dificuldade de acessar mercados de forma consistente.

    O crédito que muda o jogo

    O ponto central do modelo está no chamado crédito educativo. Diferente de linhas tradicionais, ele está vinculado a contratos de venda. Assim, as associações conseguem capital de giro antes da entrega da produção.

    Isso resolve gargalos antigos. Entre eles, a falta de escala, os custos logísticos elevados e, principalmente, a ausência de previsibilidade. Com o financiamento alinhado à comercialização, o risco diminui e o planejamento melhora.

    A Conexsus lidera essa estrutura, oferecendo o crédito a custo zero e articulando parceiros que entram com capital para reduzir riscos e sustentar a operação.

    Um dos mecanismos mais relevantes do arranjo é o uso da conta escrow. Nela, o comprador deposita o pagamento da produção, mas o dinheiro só é liberado conforme as condições acordadas previamente.

    Esse detalhe técnico faz diferença. Ele aumenta a transparência, reduz conflitos e cria um ambiente mais seguro para ambos os lados. Para o produtor, significa menos risco de inadimplência. Para o comprador, maior controle sobre a entrega.

    Mais do que financiamento

    O modelo não se limita ao crédito. Ele inclui capacitação em gestão, protocolos comerciais e adequação a padrões de mercado, como rastreabilidade e indicadores socioambientais.

    Na safra 2025/2026, o arranjo avançou mais um passo com a implementação de um protocolo de gestão que permite liberar recursos conforme a demanda de cada negócio comunitário. Os repasses ocorrem entre agosto e dezembro, acompanhando o ritmo produtivo local.

    Esse processo é monitorado pelo programa Veredas, que acompanha o uso dos recursos e reforça a sustentabilidade das operações.

    Um sinal para a sociobioeconomia

    Ao conectar conhecimento tradicional com exigências de mercado, o Arranjo da Borracha reposiciona uma cadeia histórica da Amazônia. Mais do que aumentar a produção, ele reorganiza a forma como o valor circula.

    Pedro Frizo, diretor da Conexsus, resume o impacto: “Entendemos o Arranjo da Borracha como caso exemplar de conexão entre negócios comunitários e empresas compradoras, onde o crédito educativo, acompanhado de assistência técnica e financeira, têm o potencial de fortalecer as organizações e expandir significativamente a sua capacidade de geração de renda.”

    O que está em jogo vai além da borracha. O modelo começa a mostrar que, quando crédito, mercado e organização caminham juntos, até cadeias consideradas estagnadas podem ganhar novo fôlego.

  • 3 farofas que prometem roubar a cena no seu churrasco

    3 farofas que prometem roubar a cena no seu churrasco

    Quem pensa que farofa deve ser só farinha, óleo e cebola ainda não experimentou essa versão. A sugestão começa com 1 xícara de arroz Tio João parboilizado, cozido conforme instruções da embalagem, esfriado e reservado. A ideia é transformar o arroz em estrutura de um acompanhamento mais preenchido, com corpo e gordura que aguenta qualquer tipo de carne da grelha .

    Enquanto isso, numa frigideira grande, você aquece 1 colher de azeite Nova Oliva, 1 colher de manteiga, e acrescenta 150 g de bacon picado, ½ pimenta dedo‑de‑moça picada e 1 cebola grande picada até dourar. O resultado é uma base aromática, salgadinha e picante, perfeita para dialogar com carne forte. Depois, desliga o fogo e mistura 1 cenoura média ralada grossa, 1 xícara de azeitonas verdes picadas, o arroz reservado, 100 g de castanha de caju picada grossamente e 1 xícara de farinha de mandioca crua .

    O resto é ajuste de sabor: sal e salsa picada a gosto. O prato sai com textura mista, crocante e macia ao mesmo tempo, e funciona até como “guarnição” cujo nome já chama atenção: não é só farofa, é um arroz farofado em cima de pão de alho, costela, frango ou linguiça .

    Farofa de feijão vermelho que usa sobra inteligente

    Se sobrar feijão vermelho na panela, essa receita é a desculpa perfeita para não deixar passar. O ponto de partida são 4 xícaras de feijão vermelho Meu Biju já cozido e 500 g de farinha de mandioca, que formam a base seca e macia da farofa .

    Para construir o sabor, você começa refogando 3 colheres de margarina com ½ cebola cortada em cubos em uma panela. Depois entra 2 ovos batidos, que são deixados fritarem e salgados “a gosto”. O feijão vermelho é adicionado em seguida, assim como a farinha de mandioca, que é torrada levemente até pegar cor e crocância .

    O resultado é uma farofa pesada, úmida na medida certa, com presença marcante de feijão e um toque de ovo que lembra muito a sensação de comida de casa. Para finalizar, salpica salsinha picada por cima e deixa a farofa respirar um pouco antes de levar à mesa, pois o aroma de cebola, feijão e gordura costuma ser suficiente para já chamar atenção .

    Farofa de feijão com banana: o contraste que funciona

    A terceira opção é a mais ousada: 2 colheres de manteiga, 3 bananas‑da‑terra maduras picadas em cubos, 1 cebola roxa média picada, 1 xícara de feijão carioca Meu Biju cozido al dente, sem caldo, 1 xícara de farinha de mandioca grossa, sal a gosto e ½ xícara de cebolinha picada .

    A técnica começa derretendo a manteiga em uma frigideira e refogando a banana até ela dourar. A partir daí, entra a cebola roxa, que amacia e deixa a panela com um fundo caramelo que combina perfeitamente com a doçura do amarelo. O feijão carioca, sem caldo, é adicionado em seguida, junto com a farinha de mandioca, e tudo é misturado até que a textura fique homogênea, com partes bem crocantes e outras mais macias .

    O sal entra na etapa de correção de gosto, e a cebolinha vai no final como toque verde e frescor, cortando um pouco da gordura e da doçura. A combinação de banana, feijão e mandioca cria um sabor que lembra pratos de comida regional, com a diferença de que tudo acontece em poucos minutos, sem precisar de forno ou panela de pressão .

    Jeito brasileiro de comer

    As três versões têm algo em comum: todas partem de ingredientes de prateleira, baratos e conhecidos, e tentam regenerar a ideia de farofa como algo “básico demais”. Em vez de tratar a farinha apenas como coadjuvante, as receitas a colocam no centro, misturando‑a com arroz, feijões, bacon, castanhas e banana, assim elas viram objeto de curiosidade, matéria de post, de vídeo de rede social e até de desafio de família no fim de semana .

    Além disso, todas trabalham com praticidade, algo que a Joaspar, detentora das marcas, calcula que o público de hoje valoriza muito. Cozinhar não precisa virar maratona de horas; em menos de 30 minutos, dá para montar uma farofa que vira protagonista do prato ou inspiração para um conteúno visual cheio de cores, fumaça, carne e conversa de churrasco .

  • “Eu estava tentando salvá‑la”: o caso da lagosta que virou lição amarga sobre ativismo

    “Eu estava tentando salvá‑la”: o caso da lagosta que virou lição amarga sobre ativismo

    Uma ativista britânica invadiu um restaurante em Weymouth, na Inglaterra, pegou uma lagosta viva e a jogou no mar, convencida de que estava “salvando” o animal do cardápio. O gesto virou caso de polícia, virou meme e agora serve de exemplo de como uma ação pensada para ajudar os animais pode terminar em punição e em risco para o próprio animal que deveria ser protegido.

    https://www.instagram.com/reel/DXcVd0RCVij/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==

    Impulso que vira furto e dano criminal

    Emma Smart, de 47 anos, entrou no restaurante Catch at the Old Fish Market, caminhou até o tanque com a lagosta, ignorou as tentativas de funcionários de impedi‑la e levou o animal para o porto, onde o arremessou na água. A Justiça britânica classificou o ato como impulso motivado por preocupação com o bem‑estar animal, mas considerou que houve furto e dano criminal à criatura.

    A ativista entrou no restaurante Catch at the Old Fish Market para pegar o crustáceo

    O tribunal entendeu que não havia intenção de causar sofrimento deliberadamente, mas que a ação foi profundamente equivocada. A ativista recebeu oito meses de liberdade condicional e uma proibição de se aproximar do restaurante pelos próximos três anos, uma forma de afastá‑la do local sem enviar‑a para a prisão.

    O que a ativista não sabia

    Smart acreditava que a lagosta estaria ali para ser servida ao cliente de um restaurante selecionado por reconhecimento gastronômico, mas a realidade era outra. A lagosta, na verdade, vivia como mascote e peça educativa do proprietário, usada para mostrar às crianças como crustáceos como lagostas e siris crescem e mudam de casca ao longo do tempo.

    O gesto que parecia heróico terminou com lagosta morta e ativista condenada

    De acordo com o dono do estabelecimento, há registros mostrando o animal mudando de pele no meio da noite, um momento usado para ensinar o público. Ao invés de “salvar” um comboio de frutos do mar, a ativista acabou interferindo em um animal que já estava em ambiente controlado e com função diferente do que ela imaginava.

    Morreu ao ser jogado no mar

    O dono diz que existe grande chance de o animal ter morrido quase na hora em que foi jogado no mar. A diferença de temperatura entre a água do tanque e a do porto, somada ao modo como o crustáceo foi arremessado, provavelmente o matou rapidamente, na avaliação dele. Em outras palavras, a tentativa de “libertar” a lagosta pode ter sido, na prática, o que antecipou sua morte.

    Na decisão, o juiz destacou que a ação foi profundamente equivocada e que poderia ter prejudicado ainda mais o animal do que permanecer onde estava. A própria ativista admitiu que agiu por impulso, sem refletir sobre o que realmente aconteceria depois de soltar o crustáceo na água.

    O que esse caso ensina sobre ativismo?

    O episódio mistura boas intenções, má informação e falta de diálogo. Em vez de fortalecer a causa dos direitos dos animais, o gesto virou um exemplo de como ações unilaterais, sem conhecimento do contexto, podem gerar efeito contrário, perda de credibilidade e até sofrimento maior para os próprios animais envolvidos.

    Também fica a lição de que protestar pelo bem‑estar animal não pode servir de desculpa para ignorar regras, propriedade e bem‑estar prático. Quando o foco é o impacto visual de uma cena, a mensagem original pode se perder, e o público acaba se lembrando mais do erro do que da causa.

  • Espécies raras do Cerrado estão sob ameaça silenciosa

    Espécies raras do Cerrado estão sob ameaça silenciosa

    Brasília faz 66 anos no coração do Cerrado, mas sua biodiversidade única enfrenta riscos reais da urbanização. Espécies raras como o pirá-brasília e o calango Enyalius capetinga dependem de ações urgentes para sobreviver entre o concreto.

    Fauna invisível sob ameaça

    A capital mistura traçado de Lúcio Costa com o Cerrado vibrante, mas a expansão urbana pressiona habitats. Professor Guarino Rinaldi Colli, da UnB, revela riquezas discretas que sustentam o equilíbrio ecológico. “O Distrito Federal abriga uma enorme diversidade de espécies menores, como pequenos peixes de riachos, anfíbios e répteis”, explica ele.

    Além dos icônicos lobo-guará e arara-canindé, endêmicos como o peixe pirá-brasília e o calango Enyalius capetinga lutam em veredas e matas de galeria. Esses bichos garantem água limpa e solos férteis. No entanto, fragmentação de áreas verdes acelera a perda.

    Pressões urbanas no Cerrado

    Brasília nasceu no Cerrado, bioma hotspot global com milhares de endêmicos. Rodovias viram armadilhas mortais para onças-pardas e antas. Cães domésticos espalham cinomose e parvovirose para canídeos silvestres.

    Colli alerta para o isolamento de populações animais grandes. A malha viária corta rotas de reprodução. Daí, comportamentos como o do lobo-guará, que dispersa sementes como “jardineiro”, perdem espaço vital.

    A anfisbena, cobra-de-duas-cabeças, ergue a cauda para enganar predadores. Formigas-feiticeiras, na verdade vespas sem asas, controlam pragas em ninhos alheios. Esses traços fascinantes mostram adaptações únicas ao Cerrado brasiliense.

    No entanto, urbanização ignora esses detalhes. Seriemas e tamanduás sofrem com atropelamentos constantes. Assim, a “Cidade Parque” precisa de conectividade entre reservas para salvar sua essência.

    Chamado à ação coletiva

    Preservação começa com atitudes simples: evite alimentar silvestres, dirija devagar perto de parques, controle pets. Colli reforça: “Dirigir com atenção em áreas próximas a parques e manter cães e gatos sob controle são medidas fundamentais”.

    A população transforma o aniversário em legado. Conservar Brasília salva o Cerrado ao redor, beneficiando agricultura e água para todos. De outra forma, joias ecológicas somem para sempre.

  • Receitas da Roça: o tutu de feijão que nasceu do fundo da panela

    Receitas da Roça: o tutu de feijão que nasceu do fundo da panela

    O tutu de feijão não é só comida de domingo na roça. É, antes de tudo, um retrato de época: tempo de feijão, farinha e pouco sal, em que sobrar qualquer coisa era luxo.

    Para muitos historiadores, a origem do tutu está ligada à época colonial, quando a alimentação de escravizados, indígenas e portugueses se misturou nas cozinhas do interior. O que restava no fundo do caldo de feijão, sobras e até o que “caía” das panelas, virava papinha espessa ao receber farinha de mandioca ou de milho.

    A palavra “tutu”, aliás, teria raízes africanas, ligada a papas baseadas em farinha, algo tipo “papão” ou “engrossar” o que já existe. Em vez de criar um novo prato, a gente aprendeu a esticar o que tinha.

    O tutu que viajou nas costas do tropeiro

    O prato ganhou corpo de verdade nas estradas de tropeiro, quando homens atravessavam o interior levando mercadoria, carne de porco, bacon e feijão seco.

    Em acampamentos à beira do caminho, o feijão cozido ganhava farinha de mandioca, virava uma massa cremosa e resistia a frio e longos dias de viagem. O que começara como forma de não perder caldo virou refeição completa, capaz de encher o estômago de quem levava dias a cavalo.

    Nos séculos XVIII e XIX, o tutu se instalou na cultura mineira e paulista, entrando em casas de fazenda, igrejas e botecos como acompanhamento de torresmo, linguiça e couve. A receita foi se adaptando: ora mais seca, ora mais mole, mas sempre com o mesmo conceito de aproveitar cada gota de feijão.

    Por que o tutu virou símbolo de afeto

    Hoje, o tutu de feijão carrega muito mais do que sabor: carrega memória de roça, de casa de avó e de fogão de lenha. Muita gente lembra que a avó só fazia tutu em dias de visita importante, quando a couve picada fina, o torresmo crocante e o bife de porco subiam de prato no almoço de domingo.

    Em Minas, o tutu é quase sinônimo de mesa de família, tanto que virou destaque em agendas de turismo, com restaurantes de estrada se gabando de “tutu à mineira” como um dos pilares do cardápio. O prato ajuda a contar a história de uma região que soube transformar restos em herança, aperto em orgulho.

    Receita de Tutu de feijão tradicional

    Ingredientes (para 4 a 6 porções):

    • 2 xícaras de feijão cozido com o caldo

    • 1 cebola pequena picada

    • 3 dentes de alho picados

    • 100 g de bacon picado

    • 1 linguiça calabresa ou linguiça tradicional picada

    • 1 xícara de cheiro verde picado (salsa e cebolinha)

    • 1 xícara de farinha de mandioca (ou farinha de milho, se quiser versão mais “caipira”)

    • Sal e pimenta a gosto

    • 1 fio de óleo ou azeite para refogar

    Modo de preparo:

    1. Aqueça o óleo em uma panela ou frigideira grande e frite o bacon até começar a soltar gordura. Em seguida, junte a cebola, o alho e a linguiça, refogando até dourar e soltar aroma.

    2. Acrescente o feijão já cozido com parte do caldo, mexendo bem para incorporar o refogado. Deixe ferver por alguns minutos e combine o cheiro verde, ajustando sal e pimenta ao seu gosto.

    3. Com o fogo baixo, coloque a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sem parar. A quantidade de farinha determina a textura: mais seca, firme, quase como um purê; menos farinha, mais cremosa, lembrando uma papinha espessa.

    4. Cozinhe por mais alguns minutos até a mistura soltar do fundo da panela, sem ficar grudando nas laterais.

    5. Sirva bem quente, acompanhado de arroz branco, couve refogada, torresmo, linguiça frita e ovo frito, se quiser fechar a mesa de roça completa.

    Como o tutu continua falando do Brasil

    O tutu de feijão hoje é um paradoxo elegante: é prato de boteco de classe, de highway mineiro e de familiaridade de roça, tudo ao mesmo tempo.

    Para muitos, ele ainda representa uma cultura de não desperdício, de aproveitar sobras de feijão e transformar carência em conforto. E é justamente por isso que combina tão bem com o quadro “Receitas da roça”: cada porção de tutu, por mais simples que pareça, carrega dentro de si uma história de escravo, tropeiro, vovó de fogão de lenha e família reunida em volta da mesa.