Autor: Henrique Rodarte

  • Batata sobe e some do prato

    Batata sobe e some do prato

    Os preços da batata no Brasil têm mostrado uma tendência de alta recentemente, conforme indicado pelo último Boletim Prohort da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), afetando a produção. Em janeiro de 2024, a batata apresentou uma elevação de preços pelo terceiro mês consecutivo, com a média ponderada registrando um aumento de 20,37% em relação ao mês anterior. Essa tendência foi observada na maioria das Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país, com aumentos significativos em mercados como Vitória (28,19%), Belo Horizonte (26,10%), Rio de Janeiro (25,02%) e São Paulo (23,68%)​ (CONAB)​.

    A elevação dos preços pode ser atribuída ao início do período de entressafra do tubérculo. O pico da safra das águas já passou, enquanto a safra da seca/inverno ainda não apresentou força suficiente para pressionar as cotações para baixo​ (Conab)​. A Conab também observa que, apesar da queda nas cotações de algumas outras hortaliças, como a alface e a cenoura, os preços da batata se mantêm elevados devido à oferta restrita e à alta demanda​ (CONAB)​​ (Conab)​.

    Esses movimentos de preços refletem as dinâmicas de oferta e demanda, bem como as condições climáticas que impactam diretamente a produção agrícola. A entressafra da batata, combinada com uma menor oferta e uma demanda constante, tende a manter os preços elevados no curto prazo.

    Cenário para o produtor

    A produção de batata no Brasil tem apresentado um cenário misto nos últimos anos. Embora o país seja um dos maiores produtores mundiais, com uma produção anual em torno de 3,5 milhões de toneladas, os produtores têm enfrentado desafios que impactam diretamente em seu faturamento.

    A produção de batata no Brasil está concentrada principalmente nos estados de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Juntos eles respondem por cerca de 70% da produção nacional. O rendimento médio da cultura é de aproximadamente 30 toneladas por hectare, um valor considerado baixo quando comparado a outros países produtores.

    Diversos fatores contribuem para esse baixo rendimento, como a utilização de tecnologias ultrapassadas, a falta de acesso a sementes de qualidade e a ocorrência de pragas e doenças. Além disso, as condições climáticas adversas, como estiagens prolongadas e geadas, também têm afetado a produtividade da cultura.

    Custos de Produção

    Os custos de produção da batata têm aumentado significativamente nos últimos anos, principalmente devido à elevação dos preços dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos. Estima-se que os custos de produção da cultura tenham subido cerca de 30% nos últimos dois anos.

    Esse aumento nos custos de produção tem pressionado as margens de lucro dos produtores, reduzindo sua rentabilidade. Muitos produtores têm optado por reduzir a área plantada. Ou até mesmo abandonar a atividade, o que pode levar a uma queda na oferta de batata no mercado.

    Perspectivas para o Produtor

    Apesar dos desafios enfrentados, a perspectiva para o produtor de batata é de melhora nos próximos anos. Com a adoção de novas tecnologias e a melhoria na gestão da propriedade, é possível aumentar a produtividade e reduzir os custos de produção.

    Além disso, a demanda por batata no mercado interno e externo tem se mantido estável, o que pode garantir melhores preços aos produtores. Estima-se que o preço médio recebido pelo produtor de batata em 2023 tenha sido de R$ 60,00 por saca de 50 quilos.

    No entanto, para que os produtores possam aproveitar essa oportunidade, é necessário que haja investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Assim como políticas públicas que incentivem a adoção de tecnologias e a melhoria da infraestrutura rural.

    Em resumo, a produção de batata no Brasil enfrenta desafios, mas também apresenta oportunidades para os produtores que investirem em tecnologia e gestão. Com a adoção de práticas mais eficientes e a melhoria das condições de mercado, é possível aumentar a rentabilidade da cultura e garantir a sustentabilidade da atividade no longo prazo.

  • Perigo – lagartas matam mais de 7 mil bovinos no Brasil

    Perigo – lagartas matam mais de 7 mil bovinos no Brasil

    Em Roraima, uma grave infestação de lagartas, identificadas como Spodoptera frugiperda, popularmente conhecidas como lagarta-do-cartucho, resultou na morte de mais de 7 mil bovinos, segundo relatos recentes. As lagartas são conhecidas por sua voracidade e capacidade de causar danos significativos às plantações e pastagens. Isso essencialmente priva os animais de sua principal fonte de alimentação.

    As condições climáticas, incluindo temperaturas elevadas e a escassez de chuvas, têm aumentado a proliferação dessas lagartas. Essas condições criam um ambiente ideal para a reprodução das mariposas adultas, que posteriormente põem ovos que se transformam nas lagartas destrutivas. As mariposas adultas, detectadas em grandes quantidades nas armadilhas de monitoramento, indicam que os pecuaristas terão uma temporada difícil para o controle dessa praga​​.

    A infestação não apenas reduz a disponibilidade de pasto para o gado, mas também aumenta a necessidade de uso de inseticidas, elevando os custos de produção e afetando a saúde do ecossistema local. A morte de tantos bovinos impacta severamente a economia agrícola de Roraima, onde a pecuária é uma atividade econômica crucial.

    Especialistas sugerem que medidas integradas de manejo, incluindo a utilização de vírus específicos para lagartas e a introdução de inimigos naturais, são essenciais para controlar essa praga. No entanto, a resistência crescente das lagartas aos inseticidas químicos complica ainda mais a situação​ ​.

    Essa crise sublinha a importância de práticas agrícolas sustentáveis e de uma vigilância constante para mitigar os impactos das pragas e proteger tanto a agricultura quanto a pecuária da região.

    Governo de Roraima decretou situação de emergência no estado

    O governo de Roraima anunciou o lançamento do Programa Emergencial de Apoio à Pecuária Familiar em resposta aos impactos da estiagem, escassez de recursos hídricos, incêndios e infestações de pragas que afetaram severamente os pequenos produtores do estado.

    Durante coletiva de imprensa, o governador Antonio Denarium assinou o decreto que reconhece a situação de emergência nos municípios mais afetados. Entre eles Amajari, Alto Alegre, Bonfim, Cantá, Caracaraí, Iracema, Mucajaí, Pacaraima, Normandia e Uiramutã. O texto prevê medidas para minimizar os danos e auxiliar a população afetada. Ele conta com a atuação conjunta do estado e prefeituras na recuperação das áreas atingidas.

    O programa disponibilizará crédito de até R$ 1.750 por hectare atingido, com um teto de R$ 8.750 por produtor. Os recursos poderão ser utilizados para a compra direta de insumos, como adubo e sementes, com subsídio de até 90% dos custos. Além disso, o governo fornecerá apoio técnico para a recuperação de pastagens e renegociação de dívidas dos produtores rurais afetados.

    Segundo o governador, Roraima tem o maior crescimento do rebanho bovino do país, e a manutenção da pecuária é essencial para a economia do estado. O programa visa não apenas a recuperação imediata, mas também a promoção de práticas sustentáveis que reforcem a resiliência das comunidades rurais em situações futuras.

    Visitas ao locais de crise

    O presidente do Iater, Marcelo Pereira, informou que técnicos do instituto estão realizando visitas nas propriedades rurais. Eles irão elaborar um levantamento das áreas de pastagens afetadas. Dados preliminares apontam que, em Mucajaí e Iracema, foram verificados 698 diagnósticos, com 5.591 animais mortos e 46.329 hectares de área de pastagem perdida.

    O programa emergencial representa um esforço conjunto entre o governo estadual, instituições de classe e a comunidade rural para superar os desafios impostos pelos desastres naturais. Com isso, deve assegurar a sustentabilidade do setor agropecuário em Roraima.

  • Como o clima afeta os preços dos alimentos

    Como o clima afeta os preços dos alimentos

    A chegada de uma frente fria nos próximos dias na região Sudeste do Brasil deve ter impactos significativos na produção de alimentos. Essa mudança climática pode afetar diversos setores da agropecuária, desde a agricultura até a pecuária.

    A queda brusca de temperatura e a possibilidade de geadas podem prejudicar severamente as lavouras de frutas, hortaliças e grãos. Culturas sensíveis ao frio, como tomate, morango e citros, correm risco de ter danos às folhas, flores e frutos, comprometendo a produtividade e a qualidade dos alimentos.

    Além disso, a ocorrência de chuvas intensas associadas à frente fria pode causar alagamentos e erosão do solo, prejudicando o desenvolvimento das plantas e dificultando os trabalhos de colheita e transporte.

    Impactos do clima na Pecuária

    O gado de corte e de leite também sofre com a queda brusca de temperatura. O estresse térmico pode levar a uma redução no consumo de alimento e água, queda na produção de leite e até mesmo a morte de animais mais fracos ou doentes.

    A necessidade de fornecer abrigo e suplementação alimentar aos rebanhos durante esse período de frio intenso também aumenta os custos de produção para os pecuaristas.

    Para minimizar os impactos da frente fria, os produtores rurais devem adotar medidas preventivas, como:

    • Proteger as lavouras com coberturas plásticas ou telas;
    • Irrigar as plantações para evitar danos por geada;
    • Fornecer abrigo e suplementação alimentar adequada aos animais;
    • Monitorar constantemente as condições climáticas e estar preparado para agir rapidamente.

    Essas ações podem ajudar a preservar a produção de alimentos e evitar perdas significativas durante esse período de instabilidade climática. No entanto, é importante ressaltar que os efeitos da frente fria podem ser sentidos ao longo de toda a cadeia produtiva, afetando os preços e a disponibilidade de diversos produtos agrícolas.

    Precipitação no Brasil afeta cultivos de feijão, milho e trigo, revela Conab

    Junho trouxe chuvas intensas para o Norte, Nordeste e Sul, favorecendo algumas culturas e prejudicando outras

    Nas primeiras semanas de junho, o Brasil registrou volumes significativos de precipitação nas regiões Norte, Nordeste e Sul. Essas chuvas beneficiaram o desenvolvimento do feijão e do milho terceira safra na região do Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia). No entanto, dificultaram a implantação e o estabelecimento do trigo no Rio Grande do Sul. Por outro lado, o tempo seco predominou no restante do país, favorecendo a maturação e a colheita do algodão e do milho segunda safra. Isso restringe o desenvolvimento do milho em estágio reprodutivo e do trigo em diferentes fases.

    A análise é parte do Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA) de junho, publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que apresenta uma análise detalhada das condições agroclimáticas e imagens de satélite dos cultivos de verão da safra 2023/2024.

    Impactos do clima na produção agrícola

    O boletim destaca que a análise espectral mostrou uma predominância de áreas com anomalias negativas do Índice de Vegetação (IV), causadas principalmente pela antecipação da colheita do milho e pelo atraso na semeadura e desenvolvimento do trigo. A falta de chuvas e as altas temperaturas durante o desenvolvimento do milho anteciparam sua maturação em algumas áreas. Isso impacta negativamente as lavouras em estágio reprodutivo. O trigo semeado mais cedo em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Paraná também sofreu restrições hídricas, prejudicando seu desenvolvimento.

    Nas regiões Oeste Catarinense e Noroeste Rio-Grandense, os gráficos de evolução do IV indicaram atrasos na semeadura e desenvolvimento dos cultivos de inverno.

    O Boletim de Monitoramento Agrícola é publicado mensalmente e resulta da colaboração entre a Conab, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam), além de agentes colaboradores que contribuem com dados pesquisados em campo. O boletim completo está disponível no site da Conab, oferecendo uma visão abrangente das condições agrícolas no Brasil.

  • Leite mais caro – o que esperar para o futuro?

    Leite mais caro – o que esperar para o futuro?

    O preço do leite captado em maio aumentou pelo sétimo mês consecutivo, registrando uma elevação de 9,8% em relação a abril, alcançando R$ 2,7114/litro na “Média Brasil” do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Desde janeiro, o valor pago ao produtor acumula um avanço real de 30,4%, considerando os valores deflacionados pelo IPCA de maio. No entanto, o preço médio de maio ficou 4,82% abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior, em termos reais.

    Essa alta se deve à redução na produção no campo. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea teve uma pequena reação de 0,14% de abril para maio, mas acumula uma queda de 7,7% na parcial deste ano.

    Tendência de alta no ano

    O preço do leite pago ao produtor no Brasil tem apresentado uma tendência de alta nos últimos meses. No ano vem acumulando um avanço real de 30,4% desde janeiro. Em maio, o preço médio chegou a R$ 2,7114/litro na “Média Brasil” do Cepea, uma elevação de 9,8% em relação a abril.

    grafico sobre preço do leite
    Reprodução – CEPEA

    Esse movimento de alta é explicado principalmente pela redução da produção no campo. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea acumula baixa de 7,7% na parcial de 2024. Fatores como o clima adverso (seca e calor) e a retração das margens dos pecuaristas no final de 2023 têm limitado a oferta de leite.

    No entanto, apesar da valorização, o preço médio de maio ficou 4,82% abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, em termos reais. Além disso, o aumento do preço do leite não tem sido repassado na mesma intensidade para os derivados lácteos, devido à pressão dos canais de distribuição por valores mais baixos.
    As importações também continuam sendo um fator de pressão sobre o mercado lácteo. De janeiro a abril, as compras externas somaram quase 774 milhões de litros em equivalente leite, 15% a mais que no mesmo período de 2023.

    Expectativa para o futuro

    Para o futuro, a expectativa é que o ritmo de valorização do leite ao produtor perca força a partir de junho. A oferta tende a se recuperar gradualmente. Assim,  os laticínios podem ter dificuldades em manter o ritmo de altas nos preços pagos aos produtores devido à margem reduzida na venda dos derivados.

    Portanto, embora o preço do leite tenha apresentado uma forte alta nos últimos meses, impulsionado pela redução da produção, fatores como as importações e a pressão dos canais de distribuição podem limitar o avanço das cotações no curto prazo. A recuperação da oferta e a pressão sobre as margens da indústria também devem contribuir para uma desaceleração do ritmo de valorização do leite ao produtor nos próximos meses.

  • Bolívia – como instabilidade política afeta agricultura

    Bolívia – como instabilidade política afeta agricultura

    A agricultura na Bolívia enfrenta vários desafios, incluindo infraestrutura precária, acesso limitado a tecnologias modernas e vulnerabilidade às mudanças climáticas. A expansão agrícola tem gerado preocupações ambientais, como desmatamento e degradação do solo. Para enfrentar esses desafios, o governo e organizações internacionais estão investindo em programas de agricultura sustentável e apoio aos pequenos agricultores.

    A instabilidade política na Bolívia tem afetado negativamente a agricultura. Mudanças frequentes na liderança governamental e políticas agrárias inconsistentes criam um ambiente de incerteza para os agricultores. Protestos e conflitos sociais também interrompem a produção e distribuição de alimentos, impactando a economia rural e nacional. A falta de políticas agrícolas estáveis dificulta o planejamento a longo prazo e o investimento em tecnologias e infraestrutura, essenciais para o desenvolvimento sustentável do setor agrícola.

    Crise na Bolívia – Reprodução Exército boliviano

    Produção de Soja e Exportação

    A agricultura é um setor crucial para a economia boliviana, empregando cerca de 30% da população e contribuindo com 13% do PIB. O país se destaca pela produção de soja, quinoa, milho, café e coca, além de uma ampla variedade de frutas e vegetais. A Bolívia é um dos maiores exportadores de quinoa, um grão importante para pequenos agricultores.

    A soja é o principal produto agrícola da Bolívia, especialmente no departamento de Santa Cruz, e a produção tem crescido de forma constante. Em 2022, o país produziu aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de soja, exportando principalmente para a China e países da União Europeia.

    Em 2023, a agricultura respondeu por aproximadamente 25% das exportações do país, consolidando-se como um pilar essencial para a economia boliviana. Além da soja, outros produtos agrícolas como quinoa e castanha-do-pará também têm uma presença notável no mercado internacional, especialmente na União Europeia e na China

    O Papel da Quinoa e das abelhas

    A quinoa, conhecida como “ouro dos Andes”, é cultivada principalmente nos departamentos de La Paz, Oruro e Potosí. A produção tem um impacto significativo em comunidades indígenas, e a Bolívia lidera a produção global de quinoa junto com o Peru. Este grão é valorizado por suas propriedades nutricionais e pela demanda crescente nos mercados internacionais.

    As abelhas são essenciais na polinização das culturas agrícolas, aumentando a produtividade e a qualidade das colheitas. Na Bolívia, a preservação das abelhas é crucial para manter a saúde dos ecossistemas agrícolas e garantir a segurança alimentar. Iniciativas para proteger os polinizadores são fundamentais para o desenvolvimento sustentável da agricultura no país.

    O futuro da agricultura boliviana depende de políticas governamentais estáveis, investimentos em infraestrutura e tecnologia, e práticas agrícolas sustentáveis. A integração de métodos modernos de cultivo e a mitigação dos impactos ambientais são essenciais para garantir a sustentabilidade e competitividade do setor agrícola no cenário global.

    A agricultura boliviana, com sua diversidade e desafios, continua a ser um pilar central da economia e cultura do país, impulsionando tanto o desenvolvimento rural quanto a presença da Bolívia nos mercados globais.

  • Convivência entre sojicultura e apicultura no Brasil é possível

    Convivência entre sojicultura e apicultura no Brasil é possível

    Em um estudo conjunto, a BASF e a Embrapa revelaram dados positivos sobre a convivência entre sojicultura e apicultura no Brasil. Com resultados coletados em lavouras de São Gabriel (RS), Maringá (PR) e Dourados (MS) durante a safra 2022/23, a pesquisa demonstrou que a integração dessas atividades é não apenas possível, mas também benéfica para ambas as partes.

    A pesquisa validou um protocolo de Boas Práticas Agrícolas, Apícolas e de Comunicação que guiou as ações de sojicultores e apicultores. “A convivência é vantajosa para ambos, desde que respeitem as boas práticas agrícolas e mantenham um diálogo contínuo”, afirmou Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja (PR). O protocolo inclui o Manejo Integrado de Pragas de Soja (MIP-Soja), que visa reduzir os insetos-praga sem afetar os inimigos naturais.

    Ganhos em Rentabilidade e Sustentabilidade

    A presença de abelhas nas lavouras de soja pode aumentar a produtividade em até 13%, segundo estudos da Embrapa. As abelhas, ao coletarem néctar, atuam como polinizadoras, melhorando a qualidade e quantidade das vagens de soja. Apicultores também se beneficiam, com colheitas de mel que podem chegar a 50 kg por colmeia durante a florada da soja. Isso é mais do que o dobro da média nacional.

    plantação de soja
    Soja e abelhas podem conviver juntos.

    Rodrigo Casado, produtor de soja e mel em Maringá (PR), destacou que a polinização na soja resulta em uma renda extra significativa. Assim sendo, é permitido colheitas de mel de duas a três vezes ao ano. Além disso, a presença das abelhas contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, beneficiando o meio ambiente.

    Importância das Abelhas

    As abelhas desempenham um papel crucial na agricultura, não apenas pela polinização, mas também por manter o equilíbrio dos ecossistemas. A preservação dos polinizadores é vital para garantir a produtividade agrícola e a sustentabilidade dos ecossistemas naturais. “É essencial encontrarmos maneiras efetivas de conservarmos os polinizadores, como as abelhas, para garantir a produtividade da agricultura e o equilíbrio dos nossos ecossistemas naturais”, afirmou Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF.

    Parceria BASF e Embrapa

    A colaboração entre BASF e Embrapa resultou em uma websérie disponível na Fazenda BASF, abordando temas como a união entre sojicultura e apicultura, qualidade do mel de soja, e tecnologia de aplicação de insumos. Essa parceria promove boas práticas agrícolas, segurança alimentar, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, reforçando o legado da agricultura brasileira.

  • Novas estratégias para o controle do greening

    Novas estratégias para o controle do greening

    A Expocitros 2024, principal feira citrícola do Brasil, realizada em Cordeirópolis (SP), destacou novas estratégias para o controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), vetor da doença greening. A equipe técnica da Sipcam Nichino celebrou a aceitação de sua nova estratégia para controle do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri). Esse é o vetor da doença ‘greening’. A nova abordagem, que utiliza os compostos buprofezina e fenpiroximato, mostrou-se altamente eficaz, com controle de 80% a 100% das populações do inseto.

    evento expocitrus
    Reprodução – divulgação

    De acordo com pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), a combinação desses compostos oferece uma solução economicamente viável e agronomicamente eficaz para os citricultores. “Buprofezina atua por contato e vapor em todas as etapas de desenvolvimento do psilídeo, recomendando-se duas aplicações com intervalos de sete dias nos períodos de maior ocorrência de brotações”, explicou Marcelo Palazim, engenheiro agrônomo e um especialista do setor.

    Previsão de Avanço do Greening na Safra 2024-25

    Especialistas apontam que a prevalência de preços baixos para a caixa de laranja nos últimos anos tem desmotivado produtores a investir no controle do greening, resultando em um aumento significativo do inseto-vetor. Gilberto Tozatti, da Citrus Consulting, estima que a doença deverá avançar de 38% para mais de 50% dos pomares do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais na safra 2024-25.

    Dados do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) indicam prejuízos de até R$ 3,5 milhões em 2023 devido à intensidade da doença em determinadas fazendas. “O greening representa hoje a principal preocupação dos citricultores, causando grandes perdas de produtividade e aumento no preço da laranja. Medidas eficazes de manejo são essenciais para reduzir os danos e garantir a rentabilidade dos produtores”, concluiu um especialista do setor.

    Greening no Brasil

    O greening, ou Huanglongbing (HLB), é uma das doenças mais devastadoras da citricultura brasileira, comprometendo a produtividade dos pomares e a qualidade das frutas. Transmitido pelo psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), o greening afeta grandes áreas de cultivo, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. A falta de controle adequado, impulsionada por baixos investimentos, agrava a disseminação da doença. Medidas integradas de manejo e novas estratégias de controle são cruciais para mitigar os impactos econômicos e preservar a saúde dos pomares brasileiros.

  • Como ganhar dinheiro plantando capim?

    Como ganhar dinheiro plantando capim?

    As brachiarias são essenciais para a pecuária brasileira, oferecendo pasto de alta qualidade e resistência. Cultivadas amplamente, estas gramíneas são fundamentais para a sustentabilidade e lucratividade no setor agropecuário.

    O potencial econômico das brachiarias é significativo. Dados da Embrapa indicam que o lucro por hectare pode variar entre R$ 1.500 e R$ 3.000, considerando a produtividade média e o preço da carne. A integração lavoura-pecuária também potencializa ganhos, promovendo a sustentabilidade.

    Para o plantio de brachiarias, o preparo do solo deve ser minucioso, incluindo análise de solo, correção de acidez e adubação adequada. A semeadura ocorre preferencialmente no início da estação chuvosa. O ciclo de crescimento até o ponto de colheita varia de 60 a 120 dias, dependendo das condições climáticas e do manejo.

    Entre as variedades mais plantadas no Brasil, destacam-se:

    • Brachiaria brizantha: Popular pela alta produtividade e qualidade nutricional.
    • Brachiaria decumbens: Conhecida pela resistência e adaptabilidade.
    • Brachiaria ruziziensis: Utilizada principalmente em consórcio com culturas anuais.

    Conforme a Embrapa, o cultivo de brachiarias ocupa uma área significativa no Brasil, contribuindo para a sustentabilidade do solo e o aumento da produtividade pecuária. As variedades citadas são adaptáveis a diferentes condições climáticas e de solo, garantindo pasto de qualidade durante todo o ano.

    Brachiarias híbridas

    Três anos após seu lançamento, a brachiaria híbrida Dunamis, desenvolvida pela Milagro Agro Brasil, já domina 52% do mercado de braquiárias híbridas no país. Este híbrido inovador se destaca pela alta resistência e eficiência na descompactação do solo, características que o tornaram líder isolado no segmento.

    A Dunamis tem atraído atenção em feiras agropecuárias, como a Agrishow 2024 em Ribeirão Preto e a Bahia Farm Show. “Estamos muito felizes com os resultados e o feedback dos pecuaristas”, afirma Dr. Orlando Carlos Martins, fundador da Milagro Agro Brasil. A empresa prevê um crescimento contínuo da área plantada, como explica Alexandre Hemza, diretor de Marketing e Vendas: “Os híbridos representam 3% do mercado hoje, mas a expectativa é que alcancem 90% em 20 anos”.

    Entre as qualidades da Dunamis, destacam-se:

    • Crescimento inicial superior: Em comparação com a Marandu e a Decumbens.
    • Resistência à cigarrinha: Uma praga comum nas pastagens.
    • Adaptação a solos pobres: Incluindo solos de baixa fertilidade e arenosos.
    • Controle de erosão: Eficiente em terrenos com alta declividade.
    • Tolerância à seca: Melhor que a Marandu.
    • Resistência a encharcamentos: Suporta períodos curtos de solo encharcado.
    • Resistência a Rhizoctonia: Fungos causadores da morte súbita das braquiárias.
    • Teores nutricionais: Proteína bruta e digestibilidade superiores à Marandu.

    Futuro da Pecuária Brasileira

    A Milagro Agro Brasil pretende substituir amplamente as variedades mais comuns de braquiárias nas próximas duas décadas. Essa inovação promete tornar a pecuária mais produtiva e sustentável, contribuindo para uma alimentação de qualidade para a população.

    Porém, a Dunamis exemplifica o potencial de inovação no agronegócio brasileiro, demonstrando como avanços tecnológicos podem impulsionar a produtividade e a sustentabilidade no campo.

    O cultivo de brachiarias representa uma alternativa econômica e sustentável para a agricultura brasileira. Com manejo adequado, essas gramíneas não apenas melhoram a produtividade do gado, mas também promovem a conservação do solo e o equilíbrio ecológico.

  • Oportunidade – curso capacita pecuaristas

    Oportunidade – curso capacita pecuaristas

    No próximo dia 2 de julho, Coronel Martins sediará a quinta etapa da Capacitação em Pecuária de Leite, promovida pela Epagri. O curso, que conta com a participação de 18 produtores locais, terá encontros mensais ao longo do ano, culminando em dezembro.

    Elean José Balastrelli, extensionista da Epagri, destaca a relevância da produção de leite para a economia local. “A produção de leite movimentou R$ 25 milhões em 2022, envolvendo 177 produtores,” afirma. A redução de custos é um desafio, por isso o curso para os pecuaristas enfatiza a produção de leite à base de pasto, promovida pela Epagri em todo o Estado por sua sustentabilidade econômica, social e ambiental.

    Tema da Quinta Etapa

    A quinta etapa focará na nutrição animal. As aulas teóricas ocorrerão no Centro de Múltiplo Uso pela manhã, seguidas de atividades práticas em uma propriedade rural à tarde. Esse tema complementa os conteúdos das etapas anteriores, que abordaram produção de mudas de forrageiras, potencial de produção de leite, e sobressemeadura em forrageiras tropicais.

    Os produtores também recebem instruções sobre sucessão familiar, gestão administrativa e financeira, solos, criação de bezerras, qualidade do leite, manejo reprodutivo, e alimentos conservados. A capacitação combina atividades teóricas e práticas, proporcionando um aprendizado completo.

    Expectativas e Parcerias

    Dado o sucesso da primeira edição, a Epagri já planeja uma segunda edição para o próximo ano, visando alcançar mais famílias rurais. Elean atende cerca de 300 famílias agricultoras em Coronel Martins. A capacitação é realizada em parceria com a prefeitura local, Secretaria de Agricultura, Cresol Inovação, Sicoob Original e Cooperalfa.

    Este curso para pecuaristas representa um esforço significativo para promover a sustentabilidade e a eficiência na produção de leite, garantindo o desenvolvimento contínuo da pecuária leiteira em Coronel Martins.

  • Começa hoje 20º Encontro de Agronegócios em Sertãozinho

    Começa hoje 20º Encontro de Agronegócios em Sertãozinho

    Entre os dias 24 e 28 deste mês, a cidade de Sertãozinho será palco do 20º Encontro de Agronegócios, evento anual que reúne expositores dos setores de máquinas, agroquímicos e insumos para o setor sucroenergético. No centro de eventos Manoel Carlos de Azevedo Ortolan, mais conhecido com Centro de Eventos Copercana, especialistas apresentarão inovações tecnológicas voltadas ao aumento da produtividade e ao controle de pragas na cultura da cana-de-açúcar.

    Conforme o engenheiro agrônomo Gabriel Villela, estudos recentes demonstram que o uso de bioestimulantes traz benefícios significativos para o manejo nutricional da cana-de-açúcar, o que afeta o setor sucroenergético. Ensaios realizados em cidades paulistas indicam um aumento de até 20% no número de perfilhos de cana por metro. O uso correto desses produtos também tem contribuído para o desenvolvimento das raízes e a redução de plantas daninhas.

    Controle de Pragas

    As principais pragas que afetam a cultura da cana-de-açúcar no Brasil incluem:

    • Broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis): A lagarta dessa praga se alimenta do interior do colmo, causando danos significativos à produtividade e qualidade da cana.
    • Broca gigante (Castnia licus): Essa praga também ataca o interior do colmo, deixando-o oco e enfraquecido, podendo levar à morte da planta.
    • Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata): As cigarrinhas sugam a seiva das raízes, enfraquecendo a planta e reduzindo a produtividade.
    • Cupins: Atacam os toletes durante o plantio e as raízes e colmos durante o desenvolvimento da cultura, causando danos e morte de plantas.
    • Formigas cortadeiras (Atta spp.): Consomem as folhas novas, causando desfolha e prejuízos à fotossíntese.
    • Gorgulho-da-cana (Sphenophorus levis): As larvas dessa praga se alimentam da base da touceira e do sistema radicular, podendo matar as plantas.
    • Elasmo (Hyponeuma taltula): As larvas dessa praga atacam o sistema radicular, enfraquecendo a planta.
    Máquinas colhendo cana-de-açucar
    Produtores de cana-de-açúcar precisam tomar cuidado com as pragas que atacam a lavoura.

    O manejo integrado dessas pragas, envolvendo práticas culturais, biológicas e químicas, é essencial para minimizar os danos e manter a produtividade e qualidade da cana-de-açúcar.

    Opções para combate

    O inseticida Takumi, de última geração, lançado há três anos, tem se destacado no combate à broca-da-cana (Diatraea saccharalis). Marcelo Palazim, engenheiro agrônomo, ressalta que estudos em parceria com o Instituto Agronômico (IAC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) mostram uma redução da infestação nos colmos da cana-de-açúcar de 10% para 1%. O produto é altamente eficaz e seletivo, preservando os inimigos naturais da praga e sendo adequado para o manejo integrado de pragas (MIP).

    Resultados de ensaios em seis áreas de cana-de-açúcar apontam ganhos associados ao uso de reguladores de crescimento, conforme coordenado pelo consultor Edison Baldan Jr. Em diferentes condições de campo, a tecnologia avaliou o aumento da qualidade da matéria-prima, com incrementos na quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) variando de 130 kg a 145 kg por hectare.