Autor: Henrique Rodarte

  • Produção de cacau sustentável no Brasil

    Produção de cacau sustentável no Brasil

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.877, de 2024, que cria os selos verdes “Cacau Cabruca” e “Cacau Amazônia”. Essa medida visa atestar a sustentabilidade e o interesse social e ambiental da cacauicultura brasileira. A norma busca valorizar o cultivo sustentável de cacau, contribuindo para a preservação ambiental e impulsionando a produção nacional.

    O Brasil cultiva diversas variedades de cacau, entre as principais estão:

    • Cacau Forasteiro: Comum na Amazônia, é resistente e tem produtividade elevada.
    • Cacau Crioulo: Conhecido pela alta qualidade, é mais suscetível a doenças.
    • Cacau Trinitário: Híbrido do Forasteiro e Crioulo, combina produtividade e qualidade.
    Cacau
    Selo verde promove sustentabilidade

    A cacauicultura é crucial para a economia brasileira, especialmente nos estados da Bahia e Pará. A Bahia, principal produtor, responde por cerca de 70% da produção nacional. O Pará tem se destacado pela expansão de suas lavouras, contribuindo significativamente para o crescimento do setor.

    Selos Verdes e Sustentabilidade

    A nova legislação promove o cultivo sustentável de cacau, incentivando práticas agroflorestais que preservam a biodiversidade. O selo “Cacau Cabruca” certifica o cacau cultivado na Mata Atlântica sob sombra de árvores nativas, enquanto o “Cacau Amazônia” certifica o cultivo em sistemas agroflorestais na Amazônia. Esses selos visam agregar valor ao produto brasileiro, aumentando sua competitividade no mercado internacional.

    Preço do Cacau e do Chocolate no Mundo

    O preço do cacau tem grande influência no mercado global de chocolate. Em anos recentes, fatores como mudanças climáticas, doenças e também flutuações econômicas têm impactado os preços. Portanto, a valorização de cacau certificado e sustentável pode beneficiar produtores brasileiros, melhorando suas margens de lucro e oferecendo um produto diferenciado aos consumidores.

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    Desafios e Oportunidades

    Produtores que aderirem aos critérios de sustentabilidade dos novos selos verdes poderão usar a certificação para promover seus produtos. No entanto, devem arcar com as despesas das análises e vistorias necessárias. Os selos têm validade de dois anos, podendo ser renovados, desde que os produtores mantenham práticas sustentáveis.

    Além disso, a iniciativa representa um passo importante para a cacauicultura brasileira, incentivando a adoção de práticas agrícolas que preservam o meio ambiente e contribuem para a sustentabilidade econômica e social do setor.

  • Saiba como estão os preços dos alimentos pelo mundo

    Saiba como estão os preços dos alimentos pelo mundo

    O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) ficou estável em junho, registrando uma média de 120,6 pontos, praticamente o mesmo nível revisado do mês anterior.

    Apesar da consolidação após três meses de alta, o índice permaneceu 2,10% abaixo do valor correspondente de 2023 e 24,80% menor que o pico de 160,3 pontos registrado em março de 2022.
    Cereais

    O índice de preços dos Cereais registrou uma média de 115,2 pontos em junho. Isso representa uma queda de 3% em relação a maio e 9% em relação a junho de 2023. A baixa nos preços do trigo foi atribuída às colheitas em andamento no Hemisfério Norte, à perspectiva de melhora na produção de exportadores como Cazaquistão e Ucrânia e também à implementação de uma proibição de importação pela Turquia.

    Os preços do milho caíram com o progresso nas colheitas na Argentina e no Brasil, além da expectativa de maior produção e da área plantada maior que o esperado nos EUA.

    Óleos Vegetais

    O índice de preços dos Óleos Vegetais teve média de 131,8 pontos em junho. Comparativamente, uma alta de 3,10% em relação a maio, registrando o nível mais alto desde março de 2023. A demanda global reativada devido ao aumento da competitividade impulsionou a recuperação nos preços do óleo de palma.

    Os preços dos óleos de soja e de girassol subiram com a demanda firme do setor de biocombustíveis nas Américas e pela redução da oferta na região do Mar Negro, respectivamente.

    Carne

    O índice de preços da Carne da FAO registrou uma média de 116,9 pontos em junho, praticamente estável em relação a maio, ficando 1,80% abaixo do valor de 2023. A queda nos preços da carne de aves ocorreu devido à oferta abundante, enquanto os preços da carne ovina subiram com a alta demanda.

    A carne suína registrou ligeira alta com um ritmo constante de importações e vendas internas sazonalmente ativas, especialmente na América do Norte. Os preços da carne bovina permaneceram estáveis, com condições globais de oferta e demanda bem equilibradas.

    Lácteos

    O índice de preços dos Lácteos registrou uma média de 127,8 pontos em junho, alta de 1,20% em relação a maio e 6,60% maior que o valor de um ano atrás. As cotações da manteiga registraram a maior alta em 24 meses, com o aumento da demanda global por entregas de curto prazo e baixos estoques na Oceania.

    Os preços do leite em pó desnatado aumentaram, com importações estáveis do Leste Asiático e vendas internas mais altas na Europa Ocidental. O leite em pó integral subiu ligeiramente no mês, enquanto os preços do queijo diminuíram com a desaceleração na demanda global.

    Açúcar

    O índice de preços do Açúcar registrou uma média de 119,4 pontos em junho. Isso representa uma alta de 1,90% em relação a maio, após três quedas consecutivas, mas ainda 21,60% abaixo de junho de 2023. O aumento foi atribuído à colheita abaixo da esperada no Brasil em maio, às chuvas erráticas de monções na Índia e à revisão para baixo nas previsões de rendimento das safras na União Europeia.

    O que é o Índice de Preços de Alimentos da FAO

    O Índice de Preços de Alimentos da FAO é uma medida da variação mensal dos preços internacionais de uma cesta de produtos alimentares. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) calcula o índice com base nos preços de um conjunto de commodities alimentares.

    O índice acompanha as mudanças nos preços internacionais de cinco grupos principais de produtos alimentares:

    • Cereais: inclui trigo, milho, cevada, sorgo e arroz
    • Óleos Vegetais: inclui óleos de soja, palma, colza, girassol e algodão
    • Laticínios: inclui manteiga, leite em pó, queijo e caseína
    • Carne: inclui carnes de frango, bovina, suína e ovina
    • Açúcar: refere-se ao preço do açúcar bruto

    Cada grupo tem um peso diferente no cálculo do índice geral. A FAO calcula o índice mensalmente e mede os preços em dólares americanos.

    Aliás, o Índice de Preços de Alimentos da FAO é amplamente utilizado como indicador da tendência dos preços globais de alimentos. Isso porque ele permite acompanhar as flutuações nos preços internacionais de commodities alimentares e identificar possíveis riscos de insegurança alimentar em regiões vulneráveis.

  • Investimento – Governo Federal destina R$ 6,8 bilhões para o desenvolvimento da cafeicultura brasileira

    Investimento – Governo Federal destina R$ 6,8 bilhões para o desenvolvimento da cafeicultura brasileira

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou as portarias nº 697 e nº 698 que estabelecem os critérios para uso de mais de R$ 6,8 bilhões destinados ao Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), em apoio aos produtores de café. Os recursos foram aprovados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e publicados no Diário Oficial da União desta quarta-feira (3).

    Segundo o secretário-adjunto de Política Agrícola do Mapa, Wilson Vaz, as portarias normatizam a operacionalização de um volume recorde de recursos do Funcafé direcionados aos financiamentos da cafeicultura brasileira. “Estamos trabalhando para efetivar a liberação dos recursos aos cafeicultores e demais beneficiários do Fundo”, afirmou.

    Para a safra 2024/2025, foram destinados:

    • Mais de R$ 1 bilhão para custeio
    • Mais de R$ 2 bilhões para comercialização
    • Mais de R$ 1,6 bilhão para financiamento na aquisição do grão de café
    • Mais de R$ 1 bilhão de crédito para capital de giro para indústrias de café solúvel. Também para indústrias de torrefação de café e para cooperativa de produção
    • Até R$ 30 milhões para a recuperação de cafezais danificados

    O Ministério distribuirá os recursos do Funcafé entre as instituições financeiras com base em critérios definidos. Por exemplo, eles levarão em conta a quantidade de operações de crédito realizadas no ano anterior e o percentual de aplicação dos recursos contratados com os beneficiários.

    Além disso, as instituições financeiras interessadas em operar os recursos do Funcafé deverão seguir os procedimentos estabelecidos em um edital que será publicado em breve. O chamamento dessas instituições ocorrerá por meio de um Edital de Credenciamento e inexigibilidade de licitação, atendendo a recomendações da área jurídica do Ministério

    Quais são os critérios específicos para a distribuição dos recursos do Funcafé

    De acordo com a Portaria nº 698 do Mapa, os critérios para a distribuição dos recursos do Funcafé entre as instituições financeiras interessadas em operacionalizar esses recursos são:

    • Quantidade de operações de crédito realizadas. A distribuição será baseada na quantidade de operações de crédito. Isso baseado em operações realizadas pela instituição financeira no ano anterior, com base no contrato firmado entre a IF e o Mapa.
    • Percentual de aplicação dos recursos contratados. Outro critério é o percentual de aplicação dos recursos contratados pela instituição financeira com os beneficiários das linhas de crédito, também em relação ao valor contratado no ano anterior.

    Portanto, a alocação dos mais de R$ 6,8 bilhões do Funcafé para a safra 2024/2025 entre as instituições financeiras será definida com base em dois critérios principais. São eles, a quantidade de operações de crédito realizadas no ano anterior e o percentual de aplicação dos recursos contratados com os beneficiários.

  • Novo produto combate Cigarrinha-das-Raízes na Cana-de-Açúcar

    Novo produto combate Cigarrinha-das-Raízes na Cana-de-Açúcar

    A cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata) representa uma das principais pragas nos canaviais brasileiros, especialmente após a suspensão da queima da cana e a adoção da colheita mecanizada, que resulta no acúmulo de palhada. Essa praga pode causar prejuízos de até 60% na produtividade agrícola e na qualidade da matéria-prima ao injetar toxinas nas raízes durante a alimentação.

    Agricultores têm utilizado por mais de uma década produtos baseados em neonicotinoides e piretróides para o controle da cigarrinha-das-raízes. Contudo, a eficácia desses métodos tem diminuído, exigindo soluções mais inovadoras e eficazes. Pesquisas recentes apontam para as diamidas, especialmente as antranílicas, como uma solução promissora.

    Uma dessas soluções é o inseticida desenvolvido pela FMC, que apresenta uma alta sistemicidade, permitindo sua translocação dentro da planta mesmo quando aplicado no solo. “Esse é um fator importante para atingir a cigarrinha ainda na fase ninfa. Testes realizados na safra 23/24 mostraram um controle de até 70% do número de ninfas, 120 dias após a aplicação,” explicou Maurício Oliveira, engenheiro agrônomo e gerente de marketing regional de cana da FMC.

    Maurício Oliveira – gerente de marketing regional de cana da FMC – Divulgação

    Outras pragas afetadas

    Além do controle da cigarrinha, o produto demonstrou eficácia contra outras pragas. Os testes revelaram uma redução de 60% no ataque de Sphenophorus em tocos atacados. Isso 180 dias após a aplicação, e uma diminuição de 75% na infestação da broca da cana (Diatraea saccharalis), 200 dias após a aplicação. “É crucial que o período de controle do produto seja em torno de 90 a 120 dias para que todas as gerações da cigarrinha sejam controladas,” enfatizou Oliveira.

    A sistemicidade do inseticida proporciona um longo residual no controle das pragas. Isso mantendo a proteção dentro da cana e apresentando excelente seletividade aos insetos benéficos, como formigas, joaninhas e tesourinhas. Estes insetos são responsáveis por grande parte do controle de pragas e contribuem para a sustentabilidade do canavial.

    “Nas áreas de teste, esse manejo mais efetivo e inovador demonstrou um aumento de produtividade de 12%, comparado com um tratamento padrão. Ou seja, benefícios para o produtor, matéria-prima e meio ambiente,” afirmou Maurício Oliveira.

    O produto, de nome comercial Verimark®, ainda possui outras vantagens. Por exemplo, como a compatibilidade com a temperatura de gelificação da gelatina bovina comercial (17 °C), e uma alta força de gel, classificando-o como Bloom médio. Sua cor esbranquiçada, inodora e sem turbidez, também atende aos requisitos comerciais da gelatina.

    A introdução desse novo grupo químico, aliado a um manejo mais tecnológico e inovador, não apenas melhora a eficiência no controle de pragas como também potencializa a produtividade e sustentabilidade dos canaviais brasileiros.

  • Governo Federal entrega de máquinas agrícolas no Rio Grande do Sul

    Governo Federal entrega de máquinas agrícolas no Rio Grande do Sul

    O Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, realiza entrega nesta sexta-feira (5) de máquinas agrícolas, em Porto Alegre (RS). Objetivo é apoiar a agropecuária no estado gaúcho. Equipamentos são provenientes de emendas parlamentares e liberadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). No total, 34 municípios do Rio Grande do Sul serão beneficiados.

    Ministério da Agricultura fará entrega de maquinas agricolas
    Reprodução – Redes sociais

    Simultaneamente, também serão entregues equipamentos em Porto Velho (RO) para auxiliar o agro em 9 municípios. Durante a cerimônia, será realizado um momento de interação entre as duas entregas.

    Assista o evento ao vivo pelo link abaixo.

    https://www.youtube.com/watch?v=aAZideIPLLE

    Agricultores gaúchos reclamam de demora na ajuda do Governo Federal

    Os agricultores do Rio Grande do Sul, severamente afetados pelas intensas chuvas deste ano, expressam frustração com a lentidão na resposta do governo federal. As tempestades causaram prejuízos estimados em R$ 11 bilhões, atingindo 471 municípios e devastando áreas agrícolas essenciais.

    Muitos produtores afirmam que, apesar das promessas de auxílio emergencial, os recursos ainda não chegaram. A falta de assistência rápida compromete não só a recuperação das plantações, mas também a manutenção da infraestrutura rural e o sustento das famílias afetadas.

    O governo federal anunciou recentemente um plano de emergência, mas os agricultores exigem medidas mais ágeis e eficazes. A recuperação total do setor depende de uma resposta rápida e coordenada, enfatizam especialistas. Enquanto isso, a economia rural do estado permanece em estado de alerta, aguardando a tão necessária intervenção federal.

    Chuvas intensas causaram perdas para agricultura

    As intensas chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 causaram prejuízos significativos à agricultura do estado. A Defesa Civil do RS reportou que 471 municípios foram afetados, com perdas estimadas em R$ 11 bilhões. O impacto foi severo, especialmente em áreas agrícolas, prejudicando culturas importantes e infraestrutura rural.

    A produção de grãos, um dos pilares econômicos do estado, sofreu grandes danos, complicando ainda mais a situação financeira dos agricultores locais. A chuva também afetou a produção de hortaliças e frutas, contribuindo para a alta nos preços desses produtos.

    Além dos prejuízos econômicos, a crise climática provocou a destruição de mais de 9.200 unidades habitacionais e danificou outras 100.500, o que intensificou o desafio para as famílias rurais e urbanas. A recuperação total das áreas afetadas deve exigir um esforço conjunto entre governos e setor privado para restaurar a produção agrícola e melhorar a infraestrutura danificada.

    Empresas privadas fazem ações de ajuda às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul

    Além da ajuda do governo e de voluntários, a iniciativa privada também se mobilizou para ajudar os diversos segmentos afetados, inclusive o agro. A Mosaic, empresa do setor de fertilizantes, é um exemplo.
    Por meio de ações envolvendo empregados em diversas regiões e parcerias com organizações da sociedade civil, a companhia está apoiando famílias e moradores de municípios atingidos pelas enchentes.

    Nos últimos dias 18 e 22, as cidades de Esteio e Rio Grande receberam mais de 2 mil cestas de alimentos customizadas especialmente para essas regiões, que necessitavam de um maior abastecimento de proteína. A entrega foi feita em parceria com a CUFA (Central Única das Favelas) e a ONG Ação da Cidadania.

    Paralelamente, cerca de 3 mil crianças e adolescentes receberão kits de proteção (produtos de higiene e saúde) por meio da parceria do Instituto Mosaic com o Programa de Resposta à Emergência da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

    Ministro Favaro e Eduardo de Souza da Mosaic; Governo Federal e iniciativa privada colaboram no Rio Grande do Sul – Reprodução Redes Sociais

    A empresa também engajou profissionais de diferentes regiões do Brasil e no exterior para beneficiar a população gaúcha. “Criamos um canal interno para que funcionários da empresa possam doar recursos financeiros em benefício às vítimas das enchentes, por meio do Programa de Doações dos Funcionários da Mosaic. Essa corrente de solidariedade formada pelos funcionários permitiu somar forças junto a tantas outras empresas e pessoas físicas em prol daquela população que ainda necessita de grande auxílio”, explica Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic.

    Doações e congelamento de preço

    O Carrefour congelou os preços de todos os seus produtos até o dia 31 de maio nas lojas do Rio Grande do Sul – Carrefour, Atacadão, Sam’s Club e Nacional.

    A XP, empresa fundada em Porto Alegre, se uniu ao movimento União BR, para pedir doações em benefício dos atingidos pelas chuvas no Rio Grande do Sul. Enquanqo isso, o Mercado Livre, junto com o seu banco digital Mercado Pago, doou diretamente R$ 1 milhão para a ONG Ação da Cidadania.

    A AMBEV trocou sua linha de produção para envasar água, e muitas outras empresas seguiram a mesma linha. O que mostra que tanto o poder público como o governo se  uniram para ajudar, mas o impacto dessa ajuda ainda não foi o suficiente pra reconstruir a vida de toda essa população e produção atingidas pela água. A entrega de máquinas agrícolas é um etapa nessa longa lista de necessidades do setor no estado.

  • Inovação – conheça a gelatina de peixe

    Inovação – conheça a gelatina de peixe

    Pesquisadores da Embrapa desenvolveram uma alternativa inovadora para substituir a gelatina convencional derivada do couro bovino e suíno. A solução vem da pele do tambaqui (Colossoma macropomum), um peixe nativo brasileiro de grande relevância econômica.

    Normalmente, a pele, escamas e cabeça do tambaqui são utilizadas na fabricação de ração para peixes. Entretanto, a gelatina extraída da pele do tambaqui apresenta aplicações alimentícias e farmacêuticas, tornando-se um coproduto de maior valor agregado. “A gelatina de pele de tambaqui pode servir para diversas aplicações, incluindo filmes, microcápsulas para remédios e espessantes”, afirmou a pesquisadora Fernanda Ramalho Procópio, bolsista CNPq de pós-doutorado durante o estudo.

    Crescimento da piscicultura no Brasil

    A piscicultura no Brasil tem mostrado um crescimento substancial, com aprimoramentos no processamento de peixes. Segundo o Anuário da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR 2022), a produção nacional de pescado aumentou 45% desde 2014, com a tilápia representando 65% dessa produção. Além disso, o tambaqui lidera entre as espécies nativas, com mais de 30% da produção total.

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    O projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil” (BRS Aqua), coordenado pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO). E também conta com apoio financeiro do BNDES, CNPq e do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). A iniciativa envolve mais de 240 empregados de 23 unidades da Embrapa e mais de 60 parceiros públicos e privados.

    Sustentabilidade e valor agregado

    Manuel Antônio Jacintho, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), destaca que até 50% das matérias-primas iniciais em algumas espécies são descartadas. Isso inclui cabeças, carcaças, pele e escamas. “A conversão dos resíduos em produtos de valor torna a cadeia mais sustentável”, afirma Jacintho.

    pesquisador Manuel Antônio Jacintho – Crédito – Gisele Rosso

    A gelatina da pele do tambaqui apresentou propriedades comparáveis às gelatinas bovina e suína. Por outro lado, a força de gel (consistência) foi de 123 ± 20 gramas, classificada como Bloom médio, enquanto a cor esbranquiçada e inodora atende aos requisitos comerciais. Adriano Mattos, supervisor do Laboratório de Tecnologia da Biomassa da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), destaca que a temperatura de gelificação da gelatina de tambaqui (16 °C) é similar à da gelatina bovina comercial (17 °C).

    Potencial econômico e ambiental

    Além disso, Fernanda Procópio explica que a gelatina de pele de tambaqui se adequa a determinados produtos, como clarificação de bebidas e produção de cápsulas moles. A alta concentração de aminoácidos sugere que a pele do tambaqui pode ser uma valiosa fonte de peptídeos de colágeno.

    “Explorar aplicações e estratégias para a utilização de resíduos do processamento de tambaqui contribui para o desenvolvimento de uma economia circular na indústria de processamento de pescado”, conclui Manuel Jacintho, ressaltando porém o potencial de aumento de renda para produtores e a redução do impacto ambiental.

  • ApexBrasil abre inscrições para o Fórum Empresarial Bolívia-Brasil

    ApexBrasil abre inscrições para o Fórum Empresarial Bolívia-Brasil

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou a abertura das inscrições para o Fórum Empresarial Bolívia-Brasil, que ocorrerá em 9 de julho, em Santa Cruz de la Sierra. O evento coincide com a visita do presidente Luís Inácio Lula da Silva à Bolívia e contará com sua participação no encerramento, ao lado do presidente boliviano, Luis Alberto Arce. A ApexBrasil aceitará inscrições até 5 de julho, através do link fornecido pela agência.

    O Fórum tem como objetivo fortalecer o comércio bilateral entre os dois países e fomentar parcerias estratégicas em áreas como energia, minerais críticos e sustentabilidade na agricultura e no extrativismo. Serão realizados painéis de discussão que abordarão esses temas, além de oferecer oportunidades de networking e negócios entre empresários brasileiros e bolivianos.

    “O comércio bilateral com a Bolívia diminuiu nos últimos anos e precisamos recuperar esse espaço. Queremos fortalecer não só as relações comerciais, como também os laços diplomáticos e políticos com os irmãos bolivianos. Uma das parcerias estratégicas que podemos firmar é em torno da cadeia da castanha-do-brasil, item muito importante para as vendas internacionais dos dois países. É possível torná-la mais competitiva, alavancando o desenvolvimento sustentável na região”, afirmou Jorge Viana, presidente da ApexBrasil.

    Além de Viana, estarão presentes no Fórum o embaixador do Brasil na Bolívia, Luís Henrique Sobreira Lopes, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e os presidentes Lula e Arce. O evento está aberto a instituições públicas e empresas de qualquer porte e nível de maturidade exportadora.

    Comércio com a Bolívia

    O Brasil é o principal destino das exportações bolivianas e seu segundo maior fornecedor, atrás apenas da China, com 16,6% de participação no mercado boliviano. O comércio bilateral entre os países totaliza cerca de US$ 3,3 bilhões. Um estudo recente da ApexBrasil identificou mais de 1.400 oportunidades para produtos brasileiros no mercado boliviano. As  principais em setores como combustíveis, máquinas e equipamentos, artigos manufaturados e produtos químicos.

    Para mais informações e inscrições, os interessados podem clicar aqui e acessar o link fornecido pela ApexBrasil até 5 de julho.

  • Aumento da inadimplência no agronegócio preocupa instituições financeiras

    Aumento da inadimplência no agronegócio preocupa instituições financeiras

    O crescente índice de inadimplência no setor agropecuário brasileiro tem gerado preocupação entre instituições financeiras. Uma delas é a Plantae Agrocrédito, que está avaliando com cautela suas políticas de crédito para o ano. A empresa tem investido em novas tecnologias para manter baixos índices de inadimplência, mesmo em um cenário econômico desafiador.

    As discussões sobre o novo Plano Safra intensificaram-se em junho, com representantes de associações e parlamentares buscando um Plano Agrícola e Pecuário que atenda às demandas do setor. Contudo, a insegurança prevalece, especialmente no setor de grãos, devido aos desafios climáticos adversos e à queda significativa nos preços da safra 2023/2024.

    Indíces de inadimplência crescem

    “Os índices de inadimplência no agronegócio estão alarmantes, sendo os maiores dos últimos cinco a sete anos. A insegurança no setor é palpável, com bancos preferindo conceder crédito apenas aos produtores mais robustos e agroindústrias de maior liquidez. Isso deixa outros players do agronegócio em uma situação delicada,” afirmou Wolney Arruda Filho, Presidente do Plantae Agrocrédito e também produtor rural.

    Wolney Arruda, administrador de empresas e Presidente Plantae Agrocrédito

    A alta taxa de juros é outro fator de preocupação tanto para o setor financeiro quanto para os produtores rurais. Com a manutenção dos juros altos e o aumento do déficit fiscal do governo, tem sido difícil articular um Plano Safra que atenda adequadamente às necessidades do setor. “O cenário fiscal do país, agravado por gastos imprevistos, como a recente tragédia no RS, também pesa contra uma política de crédito mais robusta. A demanda anual do setor do agronegócio é próxima de R$ 1 trilhão, com cerca de 35% supridos pelo Plano Safra e o restante por diversas linhas de crédito. No entanto, o ambiente atual impõe uma cautela sem precedentes,” explicou Arruda Filho.

    A alta inadimplência no agronegócio reflete as condições adversas enfrentadas pelo setor. Embora algumas empresas tenham conseguido se manter ilesas devido às características específicas de seus produtos e à estrutura de contratos fixos, a maioria não teve essa sorte. “Conseguimos manter um índice de inadimplência muito baixo devido às características do nosso produto. As estratégias de mitigação de riscos e o uso de novas tecnologias foram cruciais para navegar por esses tempos,” completou o presidente da Plantae Agrocrédito.

    Banco do Brasil libera valor recorde de R$ 260 bilhões

    O Banco do Brasil anunciou o maior investimento de sua história para a safra 2024/2025, disponibilizando R$ 260 bilhões, um valor 13% maior que o anterior. Desses recursos, R$ 50 bilhões serão destinados aos agricultores familiares e médios produtores, um crescimento de 44% em relação à safra passada.

  • Fórum da Liderança Sindical Feminina destaca a importância das mulheres no agro

    Fórum da Liderança Sindical Feminina destaca a importância das mulheres no agro

    O primeiro Fórum da Liderança Sindical Feminina, realizado hoje na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em Brasília. Ele reuniu lideranças femininas do agro de todas as regiões do país. O evento, organizado pela Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA, contou com a presença de representantes sindicais e destacou a importância da atuação das mulheres no setor agropecuário.

    Em sua mensagem de abertura, o presidente da CNA, João Martins, enfatizou o papel crucial das mulheres no desenvolvimento do agro, do sistema sindical e do Brasil. “Desde a criação da Comissão, em agosto de 2022, alcançamos conquistas significativas, sempre buscando aumentar a presença e a representatividade feminina no sistema sindical e melhorar a qualidade produtiva na agropecuária realizada por mulheres no campo,” afirmou Martins. Ele destacou o crescimento dos grupos estaduais do Sistema CNA/Senar de 3 para 18, sublinhando a crescente presença feminina na direção e organização de propriedades e empresas rurais.

    Mulheres do agro se reúnem no Fórum da Liderança Sindical Feminina

    Durante o fórum, as participantes se engajaram em painéis em formato de mesa redonda e participaram de uma oficina sobre representatividade rural. O evento também ofereceu um espaço de vivência, onde as participantes puderam aprender mais sobre a atuação do Sistema CNA/Senar.

    Grandes nomes do setor presentes

    A senadora Tereza Cristina, em seu discurso de abertura, compartilhou sua experiência no setor agropecuário e na política. Ela agradeceu João Martins e odiretor-geral do Senar, Daniel Carrara, pelo apoio às mulheres líderes. “Não foi uma trajetória fácil, mas precisamos que as mulheres ocupem cada vez mais espaços na política, no Legislativo, no Executivo e na política sindical para mudar a vida das pessoas,” disse a senadora. Ela incentivou as participantes a não desistirem de seus objetivos: “Nós fomos feitas para ultrapassar barreiras.”

    Senadora Tereza Cristina durante o Fórum da Liderança Sindical Feminina

    Daniel Carrara destacou a influência de sua mãe em sua trajetória e carreira, e elogiou as iniciativas do Sistema CNA/Senar para promover a participação feminina. “Hoje, eu tenho o prazer de dizer que o Sistema CNA/Senar é a casa da produtora rural. Vocês, juntas, estão aqui para colocar o agro no patamar que ele deve estar, que é no topo,” afirmou Carrara.

    Stéphanie Ferreira, presidente da Comissão Nacional das Mulheres do Agro da CNA, ressaltou a relevância do fórum e agradeceu às representantes estaduais e convidadas presentes. Ela relatou as conquistas da Comissão, atribuindo-as ao trabalho realizado dentro dos objetivos e eixos de atuação propostos. Conquistas que incluem o desenvolvimento de lideranças femininas, apoio a grupos estaduais e representação política e técnica. “Esse trabalho que fazemos no Sistema CNA/Senar é para que tenhamos cada vez mais mulheres ocupando espaços. Cada uma de nós sabe como devemos ser resilientes nessa jornada. E somos,” concluiu Stéphanie, durante o Fórum da Liderança Sindical Feminina.

  • Saiba o que é Comércio Justo, que ganha espaço no agro

    Saiba o que é Comércio Justo, que ganha espaço no agro

    O Comércio Justo tem se destacado no Brasil como um modelo alternativo de negócios que faz diferença na vida de muitas famílias que dependem da agricultura. Com a crise climática global ameaçando a sustentabilidade do planeta, os produtores e trabalhadores rurais envolvidos no sistema Fairtrade (Comércio Justo) contribuem com a gestão responsável e sustentável dos recursos naturais.

    O Comércio Justo cria um canal de comercialização mais direto entre produtores e consumidores, proporcionando relações comerciais mais justas e pagamento de melhores preços pelos produtos Fairtrade. Os produtores e trabalhadores Fairtrade cumprem uma série de requisitos que abrangem direitos humanos e preservação ambiental.

    Beneficiários e produtos

    Cerca de 10 mil famílias de pequenos produtores e trabalhadores agrícolas cultivam café, laranja, mel, castanha de caju, limão, manga, mamão, uva, guaraná, soja, ervas finas e especiarias em mais de 50 associações e cooperativas. Esses produtores recebem benefícios do sistema Fairtrade, que visam melhorar suas condições de vida e trabalho.

    Anualmente, diversas atividades promovem o sistema tanto nos países produtores como o Brasil quanto nos principais países consumidores, majoritariamente na Europa. Em 2023, o tema central da campanha mundial foi “Ao semear o Comércio Justo colhemos esperança”. Este tema foi amplamente divulgado por Organizações de Pequenos Produtores (OPPs) certificadas Fairtrade e por Cidades e Universidades Pelo Comércio Justo em eventos realizados em maio, o Mês do Comércio Justo.

    Impacto das atividades

    Esses eventos visam promover os conceitos, princípios e valores do Comércio Justo, sensibilizando consumidores para o consumo responsável e sustentável. Maurício Alves Hervaz, presidente da Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFAIR), destacou a importância dessas ações para mostrar aos brasileiros os benefícios do sistema.

    “O mercado interno de cafés especiais e certificados é grande, e todas as ações de divulgação e marketing fortalecem e fomentam esse comércio interno”, afirmou Hervaz.

    Comércio justo em ação
    Reprodução – divulgação

    A Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) são reconhecidas como “Universidades pelo Comércio Justo”. Esse reconhecimento faz parte do projeto Universidades Latino-Americanas pelo Comércio Justo, promovido pela CLAC desde 2015.

    Além disso, quatro cidades brasileiras possuem o título de Cidades Latino-Americanas pelo Comércio Justo: Boa Esperança, Poço Fundo, Santana da Vargem e Muqui. A cidade mineira de Nova Resende está em processo de reconhecimento.

    10 anos do projeto no Brasil

    Em Boa Esperança, o Comitê Gestor comemorou 10 anos do projeto na cidade com diversas atividades. Incluindo o lançamento de novos produtos Fairtrade e a premiação de estabelecimentos comerciais. Já em Poço Fundo, a feira de produtores locais e palestras sobre Fairtrade foram destaques.

    Já em Santana da Vargem, alunos das escolas locais receberam o título de Embaixadores do Comércio Justo. Eles também visitaram a cooperativa local para aprender sobre a produção de café. E em Muqui, a cooperativa local realizou ações de conscientização e venda de produtos Fairtrade.

    Enfim, o método é um movimento que promove relações comerciais justas, visando melhorar as condições de vida de produtores e trabalhadores. E também conscientizar consumidores sobre a importância de escolher produtos certificados. A Fairtrade International define as normas e certifica os produtos que recebem a marca “Fairtrade”.