Autor: Beto Ribeiro

  • Condições produtivas no Vietnã elevam preços do café no Brasil

    Condições produtivas no Vietnã elevam preços do café no Brasil

    Apesar de a colheita de café ter sido iniciada no Brasil, o mercado doméstico tem apresentado reação nos preços, segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A influência vem do contexto internacional, em especial das condições produtivas do Vietnã.

    O país asiático, que é o maior produtor mundial de robusta, tem atravessado um período de clima seco, o que deve resultar em importantes consequências para a safra local. A possibilidade de a disponibilidade total de café ao fim da safra 2024/25 ficar aquém do necessário tem elevado os preços do café brasileiro. No Brasil, o clima tem ajudado no andamento da colheita, que ainda está ganhando ritmo.

    Levantamento do Cepea mostra que, até o momento, o total colhido equivale a menos de 20% da produção esperada. Tanto para o arábica quanto para o robusta, os relatos de grãos mais miúdos e com problemas de formação têm sido muito frequentes, mas essas condições podem melhorar conforme a colheita avançar.

    Cenário internacional

    Segundo os pesquisadores do Cepea, a influência vem do contexto internacional, em especial das condições produtivas do Vietnã. O país asiático, que é o maior produtor mundial de robusta, tem atravessado um período de clima seco, o que deve resultar em importantes consequências para a safra local.

    A possibilidade de a disponibilidade total de café ao fim da safra 2024/25 ficar aquém do necessário, por sua vez, tem elevado os preços do café brasileiro. Essa perspectiva de menor oferta global tem impactado diretamente o mercado interno brasileiro.

    Cenário nacional

    No Brasil, o clima tem ajudado no andamento da colheita, que ainda está ganhando ritmo. Levantamento do Cepea mostra que, até o momento, o total colhido equivale a menos de 20% da produção esperada.

    Tanto para o arábica quanto para o robusta, os relatos de grãos mais miúdos e com problemas de formação têm sido muito frequentes. Essas condições, no entanto, podem melhorar conforme a colheita avançar.

    Apesar desses desafios, o mercado doméstico tem apresentado reação nos preços, influenciado pelo cenário internacional e pelas condições produtivas do Vietnã. A perspectiva de menor oferta global tem impactado diretamente o mercado interno brasileiro, elevando os preços do café.

  • Pesquisa identifica nematoide nocivo ao cultivo de tomate industrial

    Pesquisa identifica nematoide nocivo ao cultivo de tomate industrial

    Áreas de cultivo de tomateiro para processamento industrial do estado de Goiás vêm sendo afetadas por uma espécie de nematoide que afeta o crescimento da planta, efeito conhecido como “tomate travado”. A praga ainda prejudica as raízes ao provocar atrofia radicular e resultando em redução da produtividade em até 80%. Especialistas estimam que 554 hectares já foram afetados pelo patógeno.

    As ocorrências foram registradas nos primeiros meses de 2024, quando os cultivos de tomate industrial nos municípios goianos Silvânia (122 ha), Vianópolis (104 ha), Luziânia (178 ha), Hidrolândia (60 ha) e Bela Vista de Goiás (90 ha) apresentaram problemas semelhantes nas áreas produtoras. Alertada por produtores, a Embrapa Hortaliças (DF) identificou a origem. “Por meio de análise preliminar, com base nos sintomas apresentados, considerou-se a possibilidade de os fitonematoides serem a causa do problema”, explica o pesquisador Jadir Pinheiro, responsável pelo laboratório de Nematologia da Embrapa Hortaliças.

    Divulgação – Embrapa/Paulo Lanzetta

    Recomendações

    O pesquisador ressalta a importância do controle preventivo como principal ferramenta para lidar com esse problema. Ele recomenda uma série de ações para impedir a infestação do patógeno como: plantar mudas sadias, produzidas preferencialmente em bandejas e com substratos esterilizados; evitar terrenos infestados, buscando conhecimento prévio do histórico da área de plantio; lavar os pneus de trator e os implementos com jatos de água, para retirar partículas de solo aderidas, deixando-os secar bem antes de entrar em nova área; desinfestar máquinas e implementos agrícolas usados em áreas suspeitas de infestação e que venham a transitar em área a ser cultivada; e limpar poços e canais de irrigação após o período chuvoso para manter a água limpa e evitar a dispersão de nematoides.

    É importante também incorporar matéria orgânica ao solo, que proporciona aumento populacional de microrganismos antagônicos aos nematoides, além de enriquecer a área e tornar as plantas mais tolerantes à infecção.

    Fazer o manejo adequado da irrigação, colabora para desfavorecer o aumento da população e o movimento de nematoides, além de retardar a infecção de plantas e a infestação do solo.

    O especialista ainda recomenda retirar restos de outras culturas contaminados da lavoura e destruí-los e nunca os incorporar ao solo na área de cultivo e fazer rotação de culturas com plantas não hospedeiras, principalmente crotalárias, em especial Crotalaria spectabilis, que não multiplica o nematoide-das-lesões radiculares. Pinheiro informa que as crotalárias são ótimos adubos verdes e funcionam como bons condicionadores do solo.

    Como foi feito o diagnóstico

    Conforme o pesquisador, o diagnóstico foi dado após uma série de ações integradas como coletas de solos em regiões com e sem o problema, avaliações comparativas de ocorrência (patógenos) de solo, histórico de utilização das áreas e uma análise histológica (estruturas e processos biológicos) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB).

    A partir dessas iniciativas, foi possível descobrir que o ataque às plantas era causado pelo nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus), mais um novo agente causador de prejuízos para a cadeia produtiva do tomateiro industrial.

    Pinheiro explica que com a intensificação da agricultura no País e a expansão de novas áreas de plantio, o Pratylenchus brachyurus – que até então era considerado um patógeno de importância secundária para a cultura do tomateiro do segmento indústria – vem causando danos severos nos plantios comerciais de importantes polos de produção na região Central do Brasil.

    Rotação pode agravar o problema

    Durante a fase de prospecção constatou-se que as áreas de produção no município goiano de Silvânia foram as mais comprometidas pela presença desse patógeno.

    Isso levou os pesquisadores a descobrir um agravante do problema. “Na maioria das áreas avaliadas, verifica-se que a rotação de culturas realizada com soja, milho e arroz fazem com que o problema se agrave ainda mais, pois essas culturas utilizadas na alternância com o tomate são eficientes multiplicadores de P. brachyurus, principalmente a da soja, que vem apresentando prejuízos bastante expressivos nos últimos anos”, ressalta Pinheiro

  • Safra de Café Brasileira em Destaque

    Safra de Café Brasileira em Destaque

    A colheita de café no Brasil já começou, e os produtores estão bastante otimistas. A previsão é de que sejam colhidas 58,81 milhões de sacas beneficiadas nesta temporada, segundo o 2º Levantamento da Safra 2024 de Café, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (23).

    Crescimento Sustentado na Produção de Café

    Este ano é o terceiro consecutivo de crescimento na produção total, com um aumento de 6,8% em relação ao ano passado. Comparado a 2022, um ano de bienalidade positiva mas com baixas produtividades devido a condições climáticas adversas, o crescimento é ainda mais impressionante, chegando a 15,5%.

    Café Arábica em Destaque

    Para o café arábica, a principal variedade cultivada no Brasil, a expectativa é de uma safra de 42,11 milhões de sacas. Esse aumento é impulsionado tanto pela expansão da área em produção quanto pelo aumento da produtividade. A área cultivada cresceu 2,2% nesta temporada, com uma produtividade estimada em 27,7 sacas por hectare, um aumento de 5,9% em relação à safra anterior. Em Minas Gerais, o maior estado produtor de arábica, espera-se uma colheita de 29,84 milhões de sacas.

    Conilon em Ascensão

    A Conab também prevê um crescimento na colheita do conilon de 3,3%, apesar de uma leve redução na área plantada. Melhores condições climáticas, especialmente no Espírito Santo, principal estado produtor, e investimentos em tecnologia nas lavouras contribuíram para esse crescimento. A expectativa é colher 16,71 milhões de sacas beneficiadas de conilon, a segunda maior safra registrada pela Conab, com o Espírito Santo respondendo por cerca de 10,81 milhões de sacas.

    Expansão da Área de Cultivo

    A área total destinada à cafeicultura no Brasil em 2024 é de 2,25 milhões de hectares, um aumento de 0,5% em relação à safra anterior. As lavouras em produção cresceram 1,5%, totalizando 1,9 milhão de hectares, enquanto as áreas em formação diminuíram 4,7%.

    Mercado Internacional em Alta

    Após três anos de queda, as exportações de café do Brasil mostram sinais de recuperação em 2024. Nos primeiros quatro meses do ano, as exportações aumentaram 46,5% em volume, atingindo 16,4 milhões de sacas de 60 quilos. A valorização do café no mercado internacional, a recuperação do dólar frente ao real e a expectativa de um aumento na oferta brasileira em 2024 impulsionaram esse crescimento. As vendas internacionais somaram US$ 3,4 bilhões de janeiro a abril, o maior valor já registrado. Com essas perspectivas positivas para a safra de café e um mercado internacional aquecido, os produtores brasileiros estão confiantes no desempenho do setor e nas oportunidades de crescimento que estão por vir.

  • Arrozeiros gaúchos garantem abastecimento de arroz no Brasil, apesar das enchentes

    Arrozeiros gaúchos garantem abastecimento de arroz no Brasil, apesar das enchentes

    A colheita de arroz no Rio Grande do Sul atingiu 83% da área prevista, com resultados de boa qualidade e produtividade, assegurando o abastecimento nacional, conforme a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz).

    O presidente da Federarroz, Alexandre Velho, destaca que dentro dos 83% já colhidos, observam-se boas médias de produtividade. Em suas palavras, “Já temos um bom volume de arroz e mesmo que a gente tenha dificuldades na colheita deste saldo que falta colher, certamente o Rio Grande do Sul tem plenas condições de colher uma safra bem acima dos sete milhões de toneladas. “Apesar das dificuldades na colheita remanescente, Velho assegura que não haverá problemas de abastecimento no mercado interno. Ele aponta um desafio momentâneo de logística, especialmente na ligação com o interior do estado, mas ressalta que a conexão com os grandes centros via BR-101 está normal, permitindo o deslocamento do arroz para as regiões centrais do Brasil.

    O dirigente enfatiza que não há necessidade imediata de importação, considerando o Brasil como um grande produtor de arroz, com aumento de área tanto no Rio Grande do Sul quanto em outros estados produtores. Velho conclui que não há motivos para alertas sobre problemas de abastecimento de arroz.Neste contexto, ele destaca a importância de apoiar os produtores, aguardando a baixa das águas para acessar as lavouras e avaliar o real impacto da situação. A perspectiva é de uma safra significativa, mesmo diante dos desafios logísticos temporários enfrentados.

    Entenda como é a produção de arroz no Rio Grande do Sul

    O Rio Grande do Sul é responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, com uma área de plantio que aumentou 7% no Brasil. A safra gaúcha de 2024 deve chegar a 7,1 milhões de toneladas, resultado dos 758 mil hectares colhidos até agora, mais 101 mil hectares que não foram atingidos pelas inundações e devem ser colhidos nos próximos dias.

    O plantio de arroz no estado segue um processo bem estabelecido. Após a colheita da safra anterior, os produtores preparam o solo para o próximo plantio. Isso envolve a aração e gradagem da terra, além da aplicação de fertilizantes e corretivos, quando necessário.

    O plantio propriamente dito ocorre entre os meses de outubro e dezembro, dependendo das condições climáticas. A semeadura é feita com máquinas específicas, que depositam as sementes em linhas espaçadas, garantindo uma distribuição uniforme na lavoura.

    Após a germinação, as plantas de arroz precisam de água para seu desenvolvimento. Nessa fase, as lavouras são inundadas, criando uma lâmina d’água que permanece até próximo à colheita. O controle de plantas daninhas, pragas e doenças é feito com o uso de herbicidas, inseticidas e fungicidas, sempre seguindo as recomendações técnicas.

    A colheita do arroz no Rio Grande do Sul ocorre entre os meses de fevereiro e maio, dependendo da cultivar plantada e das condições climáticas. As máquinas colhedeiras retiram os grãos maduros das plantas, separando-os da palha e armazenando-os em um tanque acoplado. Após a colheita, o arroz é transportado para as unidades de beneficiamento, onde é seco, limpo, polido e embalado, ficando pronto para ser comercializado e consumido.

  • Vespa: inimiga natural da Broca-das-Pontas do cajueiro

    Vespa: inimiga natural da Broca-das-Pontas do cajueiro

    Uma descoberta da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aponta o uso de vespas parasitoides do gênero Goniozus legneri (Hymenoptera: Bethylidae) como opção biológica para controlar a praga conhecida como broca-das-pontas (Anthistarcha binocularis) do cajueiro.”Essa é uma das piores ameaças à cultura, uma vez que ocorre nos ramos frutíferos, inviabilizando a formação de frutos”, afirma a pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical Nívia Dias. O resultado, publicado no estudo “Primeiro registro do parasitoide Goniozus legneri (Hymenoptera: Bethylidae) sobre a broca-das-pontas do cajueiro no Brasil”, abre caminho para o fortalecimento de práticas de controle biológico na cajucultura brasileira, aliando saúde e sustentabilidade aos sistemas de produção. “As pulverizações com produtos químicos podem não atingir a broca-das-pontas, pois, na fase larval, ela fica alojada no interior do ramo floral. A identificação de agentes de controle biológico que possam contornar essa dificuldade é crucial para o desenvolvimento de programas de manejo de pragas da cultura do caju”, explica Nívia Dias.

    Potencial para controle biológico

    Divulgação – Embrapa/Ariane Soares

    Segundo a pesquisadora, as vespas parasitoides são pequenos insetos que desempenham um papel crucial no controle natural de pragas. “Elas recebem essa classificação porque colocam seus ovos dentro do inseto hospedeiro (pragas prejudiciais à agricultura), matando-o. Geralmente, são altamente especializadas, com espécies diferentes para pragas específicas e, por isso, muito eficazes na redução da população de insetos nocivos, sem prejudicar insetos benéficos, animais e o meio ambiente”, afirma.Nívia Dias defende o controle biológico como uma estratégia promissora a ser utilizada no manejo integrado de pragas (MIP) do cajueiro. “Os inimigos naturais são grandes responsáveis pela mortalidade natural em agroecossistemas, favorecendo a manutenção do equilíbrio ambiental”, salienta. A pesquisadora explica que, além da identificação do parasitoide, é preciso investir em pesquisas para conhecer o seu comportamento em condições de laboratório. “Isso nos oferece respostas sobre a taxa de parasitismo e o potencial para controlar a praga”, acrescenta.

    Primeiro registro no Brasil

    Divulgação – Embrapa/Ariane Soares

    Para identificar a espécie de vespa com maior potencial de controle da broca-das-pontas, foram coletadas 93 lagartas em plantas de cajueiro que apresentavam o sintoma clássico do ataque da praga — orifício com excrementos fecais resultante da alimentação das lagartas.”Esse é o primeiro registro dessa espécie de parasitoide no Brasil e, consequentemente, também o primeiro registro de sua associação com a broca-das-pontas na cultura do cajueiro”, comemora Nívia Dias. A pesquisadora reitera a relevância do controle biológico como a técnica mais segura contra pragas e doenças. “Trata-se do método mais sustentável dentro do manejo integrado de pragas. Não apresenta riscos, pois é algo que ocorre de forma natural e específica na interação entre insetos”, observa.

  • Safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul bate recorde histórico em 2023/2024

    Safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul bate recorde histórico em 2023/2024

    A região Centro-Sul do Brasil concluiu a safra 2023/2024 com um recorde histórico de processamento de cana-de-açúcar. As unidades produtoras da região processaram 654,43 milhões de toneladas da matéria-prima, um crescimento de 19,29% em relação às 548,62 milhões de toneladas registradas na temporada 2022/2023.O maior aumento na moagem foi observado em São Paulo, que registrou avanço de 23,24% (387,60 milhões de toneladas na safra 2023/2024, ante 314,51 milhões no ciclo passado). Outros estados também bateram recordes, como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com crescimento variando de 8,74% a 17,47%. De acordo com Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA, “pela primeira vez registramos recorde na moagem, na fabricação de etanol e na fabricação de açúcar no mesmo ano. A expectativa no início da safra já indicava um crescimento de produção, mas os valores registrados no final do ciclo surpreenderam”.

    Produtividade agrícola em alta

    A safra recém-encerrada foi marcada por uma notável recuperação da produtividade agrícola nos canaviais da região Centro-Sul. As lavouras registraram rendimento de 87,2 toneladas de cana por hectare colhido, aumento de 19% em relação à safra 2022/2023, de acordo com o levantamento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).O Estado de São Paulo, responsável por 60% da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul, apresentou crescimento de 23,0% (90,7 toneladas por hectare nesta safra versus 73,7 toneladas por hectare no ciclo anterior), com destaque para as regiões de Araçatuba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, que registraram índice médio de 94,6 toneladas por hectare e aumentos de 31,5%, 20,2% e 24,8%, respectivamente. Nos demais estados produtores, o crescimento variou de 9,0% em Goiás a 20% no Mato Grosso do Sul. “Esse resultado observado no campo advém principalmente de um regime climático excepcional na primavera-verão de 2022 e início de 2023, aliado ao esforço constante da cadeia sucroenergética para a incorporação recursos tecnológicos que permitam maximizar os resultados na lavoura”, acrescentou Rodrigues.

    Qualidade da matéria-prima

    A qualidade da matéria-prima colhida na safra 2023/2024, mensurada em kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar processada, apresentou redução de 1,10% na comparação com o último ciclo agrícola, atingindo 139,22 kg de ATR por tonelada.”A redução na concentração de açúcares na planta foi menos drástica do que o esperado diante índice de precipitação pluviométrica acima da média e do alongamento do período de moagem registrados neste ano”, disse o executivo.

    Produção de açúcar e etanol bate recordes

    A produção final de açúcar atingiu o recorde histórico de 42,42 milhões de toneladas na safra 2023/2024, aumento de 25,7% sobre as 33,75 milhões de toneladas registradas no ciclo passado, e crescimento de 10,3% na comparação com o recorde anterior de produção, verificado na safra 2020/2021 (38,46 milhões de toneladas).

    Rodrigues salientou que apesar do avanço na produção de açúcar, apenas 48,83% da cana-de-açúcar foi direcionado à fabricação do adoçante, sendo a maior parte da cana moída utilizada na produção de etanol.Nesse contexto, a produção de etanol no ciclo 2023/2024 também registrou recorde histórico de produção no Centro-Sul, com destaque para o impressionante aumento de 1,83 bilhão de litros de biocombustível produzidos a partir do milho de segunda safra. No total, as unidades do Centro-Sul produziram 33,59 bilhões de litros do renovável, uma alta expressiva de 16,16% em relação ao volume da última safra (28,92 bilhões de litros) e crescimento de 1,01% na comparação com o recorde anterior de produção verificado no ciclo 2019/2020 (33,26 bilhões de litros).

  • JBS investe R$ 10,2 Milhões em CRA para financiar pecuária regenerativa na Amazônia

    JBS investe R$ 10,2 Milhões em CRA para financiar pecuária regenerativa na Amazônia

    A JBS anunciou o aporte de R$ 10,2 milhões em um novo CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) lastreado no programa “JUNTOS: Pessoas+Floresta+Amazônia”. O CRA, emitido pela empresa Rio Capim Agrossilvipastoril e estruturado pela Vox Capital, prevê uma emissão total de R$ 100 milhões, sendo a primeira nesta semana, de R$ 50 milhões, e a segunda, em 2025, no mesmo valor.”Esse projeto é absolutamente disruptivo e tem um poder transformacional para a pecuária brasileira. Colocar o foco em produtividade para aumentar a sustentabilidade é o que vai garantir o engajamento nesse processo de transformação”, avalia Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS. “Por que o produtor rural não investe em genética e manejo do solo? Porque não tem capital nem assistência técnica. É aí que entra o programa Juntos. Acreditamos tanto neste modelo de desenvolvimento socioambiental que vamos entrar com a cota de maior risco para provar que ser sustentável é mais lucrativo”, completa Tomazoni.

    Os valores serão aplicados no atendimento de 3.500 pequenos criadores de gado atuantes na área da Amazônia Legal, oferecendo consultoria sobre o uso da terra, aumentando a rentabilidade e freando o desmatamento ilegal do bioma. “Estamos viabilizando a operação para gerar impacto positivo por meio de negócios que sejam inclusivos e ambientalmente sustentáveis para a Amazônia, e, ao mesmo tempo, que tenham retorno financeiro. Queremos que a Faria Lima veja retorno ao investir no pequeno produtor com toda a segurança necessária, dentro de um novo padrão de modelo de negócio”, afirma Andrea Azevedo, diretora-executiva do Fundo JBS pela Amazônia.

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    Gordura do leite: muito mais do que um vilão

    O CRA conta com um diferencial considerado raro no mercado financeiro: a existência de um comitê de risco e impacto. “Investidores e o pequeno produtor atuante na Amazônia Legal carecem de iniciativas com viabilidade técnica e financeira que apoiem a pecuária regenerativa de forma integrada. O programa JUNTOS, agora por meio do CRA com um comitê de prestação de contas, atenderão às demandas das duas pontas”, explica Valmir Ortega, CEO da Rio Capim.

    A abordagem do CRA é via blended finance, com recursos oriundos de fundos concessionados e privados e centrados no projeto “JUNTOS” de agricultura regenerativa. “O blended finance permite tanto para o emissor, como para o tomador do crédito, uma taxa muito competitiva. A partir dessa base, o emissor consegue alavancar seu próprio negócio, honrar com seu compromisso, e ao mesmo tempo, criar uma estrutura que o leve a oferecer uma taxa mais atrativa para o mercado. É uma operação ganha-ganha”, esclarece Daniel Brandão, diretor de nature-based solutions na Vox Capital.

  • Gordura do leite: muito mais do que um vilão

    Gordura do leite: muito mais do que um vilão

    Apesar de ser frequentemente criticado por suas propriedades calóricas e seu potencial de elevar os níveis de colesterol LDL, a gordura do leite possui efeitos benéficos surpreendentes para a saúde, de acordo com pesquisas recentes da Abraleite (Associação Brasileira dos Produtores de Leite).  Aquela mesma gordura que muitos consideram um vilão por causa das calorias e do colesterol. Mas, acreditem, ela tem muito mais a oferecer do que você imagina!

    Colesterol: nem tudo é o que parece

    Apesar de poder elevar um pouco o colesterol LDL (o ruim), a gordura do leite tem um efeito positivo geral no perfil lipídico. Ela aumenta os níveis de HDL, o bom colesterol. E o HDL faz um trabalho incrível: remove o excesso de LDL das paredes das artérias, diminuindo o risco de placas de gordura. Então, não é bem um vilão, né?

    Divulgação – Abraleite

    Ácidos graxos: os aliados da saúde

    A gordura do leite contém ácidos graxos muito benéficos, como o ácido linoleico conjugado (CLA) e o ácido vaccênico (VA). Esses compostos têm efeitos positivos na composição corporal: reduzem a gordura e aumentam a massa magra. O CLA ainda fortalece o sistema imunológico, deixando a gente mais protegido.

    Saúde cerebral: um trunfo surpreendente

    Vocês não vão acreditar, mas a gordura do leite também pode proteger a saúde do cérebro e aliviar os efeitos ruins do estresse. Estudos mostram que os ácidos graxos presentes nela têm um papel neuroprotetor, preservando a função cerebral mesmo quando estamos estressados.Então, pessoal, não dá pra dizer que a gordura do leite é só um vilão. Ela pode ser um grande aliado da saúde, desde que consumida com moderação e fazendo parte de uma alimentação equilibrada. Os benefícios vão muito além do colesterol, chegando até no cérebro e no sistema imunológico. Então, não tenha medo da gordura do leite, ela tem muito a oferecer!

  • Usinas de Cana-de-Açúcar Promovem Projetos para Preservação das Abelhas no Brasil

    Usinas de Cana-de-Açúcar Promovem Projetos para Preservação das Abelhas no Brasil

    No mês de maio, comemora-se o Dia Mundial da Abelha e o Dia Internacional da Biodiversidade, respectivamente. Ambas as datas foram estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e alertam para a necessidade de preservação dos diversos ecossistemas ao redor do globo. No Brasil, as usinas de cana-de-açúcar mantêm projetos específicos voltados para a proteção desses insetos, de forma a garantir a convivência de apiários e meliponários com a produção agrícola. As abelhas são responsáveis pela polinização de mais de 90% das plantas nativas e 75% das lavouras, garantindo a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar.

    Renata Camargo, gerente de Sustentabilidade da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), explica que os projetos desenvolvidos pelas usinas não só atendem às exigências da legislação vigente, com adoção de técnicas de manejo adequadas, como vão além dessas obrigações.”Os projetos incluem ações em diferentes frentes de atuação, desde medidas de segurança na aplicação aérea de defensivos agrícolas, até o cadastramento e monitoramento dos apiários e meliponários. Com uso de tecnologia, novos recursos de comunicação e ações de responsabilidade socioambiental, as usinas estão promovendo a coexistência harmoniosa e a preservação das abelhas”, pontua Renata.

    Protocolo Agroambiental Etanol Mais Verde

    Nos últimos anos, a UNICA desenvolveu ações junto às usinas associadas para incentivar a boa convivência não só com apicultores e meliponicultores, mas com produtores de alimentos orgânicos e de outras culturas no entorno das usinas. A instituição também participou diretamente da construção do regulamento das Diretivas Técnicas do Protocolo Agroambiental Etanol Mais Verde, elaborado em 2017, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo.”O documento estabeleceu uma série de diretivas voltadas à garantia da sustentabilidade na cadeia produtiva da cana-de-açúcar, incluindo eliminação da queima como método agrícola pré-colheita e boas práticas no uso de agrotóxicos nas áreas de canaviais do estado. As usinas se adaptaram rapidamente às exigências deste protocolo e ainda foram além. Até hoje estamos colhendo os frutos. Há projetos muito importantes sendo desenvolvidos e aprimorados, que são cases de sustentabilidade, preservação da biodiversidade e convivência pacífica entre usinas e pequenos produtores do mel e derivados”, destaca a gerente de Sustentabilidade da UNICA.

    Mapeamento via satélite e GPS

    A COFCO International, empresa de agronegócio, lançou o Projeto Polinizar para conciliar a produção de cana-de-açúcar com a preservação das abelhas. O projeto utiliza tecnologia de ponta para identificar e georreferenciar apiários próximos aos canaviais, garantindo a proteção das colmeias durante a aplicação de defensivos agrícolas.

    O Projeto Polinizar realiza um mapeamento via satélite dos apiários que fazem divisa com as lavouras de cana da COFCO International. Os dados coletados são transmitidos ao GPS das aeronaves responsáveis pela pulverização, que contam com uma bomba de alta precisão equipada com um sistema de travamento automático ao identificar a aproximação das colmeias. Dessa forma, não há aplicação de inseticidas em áreas classificadas como de “restrição”.

    O projeto está dividido em quatro frentes principais: identificação de apicultores para o georreferenciamento dos apiários; capacitação de apicultores; mapeamento das colmeias para manejo das lavouras e apiários; e treinamentos para empresas de aviação agrícola sobre protocolos de segurança, aplicabilidade de defensivos e desenvolvimento de novas tecnologias.

    Desde a implementação do projeto, não houve mais registros de mortandade de abelhas relacionadas às aplicações da COFCO International nas regiões próximas às suas usinas de açúcar e etanol, localizadas no noroeste do estado de São Paulo. O projeto ganhou reconhecimento internacional e foi apresentado como case da UNICA na 14ª Conferência das Partes da Convenção Sobre Diversidade Biológica (COP-14), promovida pela ONU, no Egito, em 2018.

    Meio Bilhão de Abelhas Salvas

    A São Martinho, uma das maiores empresas do setor sucroenergético do país, estima que seu Projeto Abelhas tenha garantido a proteção de aproximadamente meio bilhão de abelhas desde 2019. A iniciativa, desenvolvida em conjunto com apicultores locais, monitora as áreas vizinhas às lavouras de cana-de-açúcar nas quatro unidades da companhia.”O Projeto Abelhas é uma ação contínua para a preservação de polinizadores no entorno das nossas unidades”, explica André Tebaldi, Assessor de Meio Ambiente da São Martinho.
    “O total controle e manejo das aplicações, associados à comunicação constante com os apicultores, foram fundamentais para garantir a efetividade do projeto.”

    A chave para o sucesso do projeto foi o investimento em novas tecnologias de comunicação. A companhia identificou os apicultores das áreas vizinhas e realizou um trabalho para auxiliar na melhor distribuição espacial dos apiários, usando georreferenciamento. Além disso, a usina utiliza um aplicativo para emitir alertas sobre as pulverizações, informando os apicultores com pelo menos 48 horas de antecedência. Desde 2019, a intensificação da gestão e comunicação junto aos apicultores conferiu uma melhora significativa nos indicadores, não sendo identificada qualquer tipo de mortandade de abelhas desde então”, destaca Tebaldi.

    Benefícios Socioambientais

    O Projeto Abelhas traz benefícios não apenas para a preservação das abelhas, mas também para a comunidade local. A São Martinho também desenvolve o Programa Ciclo do Mel, em parceria com a Associação de Apicultores de Botucatu, que fortalece a atividade econômica dos apicultores e beneficia crianças e jovens atendidos por um projeto social.”Como a espécie é muito sensível, a convivência saudável demonstra que a aplicação de defensivos agrícolas é realizada dentro da legislação, garantindo a proteção das abelhas e, consequentemente, que os níveis de polinização sejam suficientes para a permanência da biodiversidade do ecossistema”, explica Moacir Fernandes Filho, diretor da São Manoel. Além disso, o programa incentiva a apicultura regional, oferecendo apoio jurídico e acesso a crédito. Em contrapartida, a Associação de Apicultores doa anualmente o valor correspondente a 1kg de mel por colmeia instalada para uma instituição social que atende crianças e adolescentes em vulnerabilidade.