Tag: Vinho

  • Brasil bate recorde histórico no consumo de vinho; entenda os motivos

    Brasil bate recorde histórico no consumo de vinho; entenda os motivos

    Enquanto o mercado mundial de bebidas alcoólicas enfrenta uma desaceleração e busca se adaptar aos novos hábitos de consumo, o Brasil segue em sentido contrário. O país alcançou o maior volume de consumo de vinho de sua história recente, consolidando um movimento de crescimento que surpreende especialistas do setor.

    Consumo de vinho bate recorde no Brasil

    Segundo o levantamento mais recente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o Brasil chegou à marca de 4,4 milhões de hectolitros consumidos. O volume representa um crescimento expressivo de 41,9% em relação ao ano anterior.

    Além disso, o desempenho brasileiro chama atenção por destoar completamente do cenário internacional. Enquanto o consumo global de vinho caiu 2,7%, países tradicionalmente fortes na produção, como Chile e Argentina, acumulam retrações constantes nos últimos cinco anos.

    Em contrapartida, o mercado brasileiro mantém um ritmo acelerado de expansão e amplia o interesse do público pela bebida.

    Mudança de comportamento impulsiona o setor

    Entre os fatores apontados por especialistas, a mudança no perfil dos consumidores aparece como uma das principais razões para o crescimento do vinho no país.

    Atualmente, muitos consumidores enxergam o vinho como uma alternativa mais equilibrada em comparação com outras bebidas alcoólicas. Por isso, a categoria sofre menos impacto da chamada tendência da “geração sem ressaca”, formada por jovens que passaram a consumir menos álcool do que as gerações anteriores.

    Geração Z opta por rótulos de baixa intervenção (orgânicos/naturais) e valorizam marcas sustentáveis e com propósito — (Foto: Cesar Silvestro/Divulgação)

    Vinhos orgânicos e biodinâmicos atraem novos públicos

    Outro fator importante para o avanço do setor é a popularização dos vinhos orgânicos e biodinâmicos. Essa nova categoria de produtos vem conquistando tanto consumidores experientes quanto integrantes da Geração Z, que valorizam opções consideradas mais naturais e sustentáveis.

    Consequentemente, produtores e importadores passaram a investir em rótulos com propostas diferenciadas, ampliando a variedade disponível no mercado brasileiro.

    Setor vitivinícola brasileiro reúne milhares de famílias produtoras — (Foto: César Silvestro/ Vagão Filmes)

    Mercado ainda tem espaço para crescer

    Especialistas destacam ainda que o mercado brasileiro de vinho continua relativamente pequeno quando comparado ao de países tradicionais no consumo da bebida. Dessa forma, qualquer aumento na base de consumidores já provoca impactos percentuais relevantes.

    Por isso, mesmo pequenas mudanças no perfil do público pesquisado ou no hábito de compra acabam gerando números expressivos nas estatísticas do setor.

    Diante desse cenário, a expectativa é que o mercado brasileiro continue atraindo investimentos e ampliando sua presença nos próximos anos.

  • Câmara aprova criação do Dia Nacional do Vinho

    Câmara aprova criação do Dia Nacional do Vinho

    A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3801/04, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que cria o Dia Nacional do Vinho, a ser celebrado no primeiro domingo de junho.

    O texto recebeu alterações no Senado para retirar o trecho que previa a inclusão da data no calendário oficial de diferentes ministérios. Agora, a proposta segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), responsável pela redação final, antes de ser encaminhada para sanção presidencial.

    Segundo Paulo Pimenta, a produção de vinhos no Brasil teve início com a chegada dos imigrantes italianos ao Rio Grande do Sul, em 1875.

    “O Brasil, portanto, é um país jovem na elaboração de vinhos, comparado a outras tradicionais nações produtoras. Contudo, é evidente o interesse cada vez maior dos brasileiros pelo produto”, afirmou o parlamentar.

    Setor aposta em crescimento do consumo

    De acordo com o deputado, a criação da data busca fortalecer o setor vitivinícola brasileiro e incentivar o turismo nas regiões produtoras.

    Atualmente, cerca de 10% dos gaúchos consomem vinho, percentual acima da média nacional, estimada em 1,8% da população brasileira.

    “Acreditamos que a criação da data oficial possa estimular a população brasileira a adotar este hábito, que, como é comprovado pela ciência, é benéfico à saúde – desde que o consumo seja moderado, regular, junto das refeições”, declarou Pimenta.

    Cadeia do vinho gera milhares de empregos

    O setor vitivinícola brasileiro reúne mais de 16 mil famílias de produtores rurais, principalmente em pequenas propriedades familiares.

    Além disso, o país possui mais de 600 vinícolas, responsáveis por gerar cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva.

    As vitivinícolas controlam todas as etapas da produção, desde o cultivo das uvas até o engarrafamento do vinho.

  • Além do vinho, salmão também lidera exportações em 2026

    Além do vinho, salmão também lidera exportações em 2026

    As exportações do Chile para o Brasil movimentaram US$ 897 milhões entre janeiro e abril de 2026, segundo dados do ProChile, órgão ligado ao Ministério das Relações Exteriores chileno. O valor representa 4,72% de todos os embarques do país no período e mantém o Brasil como o quinto principal destino das exportações chilenas no mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos, Japão e Índia.

    Entre os produtos mais exportados ao mercado brasileiro, o salmão e a truta seguem na liderança. Juntos, eles somaram US$ 359 milhões nos quatro primeiros meses do ano, o equivalente a 40% de tudo o que o Chile vendeu ao Brasil no período. Além disso, o setor registrou crescimento de 3,6% na comparação com o mesmo intervalo de 2025.

    O vinho aparece na segunda posição entre os destaques da pauta exportadora chilena. As vendas da bebida alcançaram US$ 64 milhões entre janeiro e abril, avanço de 17,6% em relação ao ano anterior.

    Dentro da categoria, os vinhos tintos engarrafados lideraram os embarques, com US$ 31 milhões e alta de 28,3%. Na sequência aparecem os vinhos brancos engarrafados, como Riesling, Pinot Blanc e blends, que somaram US$ 8 milhões, crescimento de 38,7%. Já os vinhos tintos Cabernet Sauvignon engarrafados movimentaram US$ 6 milhões, com avanço de 7,6%.

    Segundo Hugo Corales, diretor do ProChile no Brasil, a relação comercial entre os dois países segue fortalecida. Atualmente, as exportações chilenas ao mercado brasileiro giram em torno de US$ 4,6 bilhões por ano, enquanto as vendas brasileiras ao Chile variam entre US$ 7 bilhões e US$ 9 bilhões.

    “Essa forte relação faz do Brasil o principal mercado do Chile na América Latina. Quase 100% do salmão, mais de 44% do vinho importado e a liderança mundial em cerejas e frutas secas vêm de um único vizinho, a menos de quatro horas de voo”, destacou Corales.

    Brasil registra recorde no consumo de vinho

    Enquanto o consumo mundial de vinho caiu 2,7%, o Brasil seguiu na contramão e bateu recorde em 2025. De acordo com dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo interno cresceu 41,9%, alcançando 4,4 milhões de hectolitros, a maior marca já registrada no país.

    O aquecimento do mercado também impulsionou a produção nacional. A área de vinhedos brasileiros cresceu pelo quinto ano consecutivo e atingiu 91 mil hectares.

    Além disso, o setor vitivinícola encerrou 2025 com faturamento estimado em R$ 21,1 bilhões, resultado 10% superior ao registrado no ano anterior.

  • Brasil bate recorde de consumo de vinho

    Brasil bate recorde de consumo de vinho

    O setor vitivinícola brasileiro vive um momento histórico. Enquanto o consumo mundial de vinho recuou 2,7%, o Brasil registrou um crescimento de 41,9% no consumo interno em 2025. Segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), os brasileiros consumiram 4,4 milhões de hectolitros, a maior marca já registrada no país.

    Este aquecimento do mercado interno reflete diretamente nos números de produção e faturamento. A área de vinhedos no Brasil cresceu pelo quinto ano consecutivo, atingindo 91 mil hectares. Em termos financeiros, o setor encerrou o ano de 2025 com um faturamento estimado de R$ 21,1 bilhões, o que representa uma alta de 10% em comparação ao ano anterior.

    Estratégia brasileira foca no mercado europeu

    A mudança de comportamento do consumidor brasileiro agora impulsiona a internacionalização das marcas nacionais. O projeto Vin du Brésil exemplifica este movimento ao levar rótulos de alta gama para a Europa. A iniciativa une especialistas como o chef Benoit Mathurin, o jornalista Xavier Vankerrebrouck, o empresário Giovanni Montoneri e o consultor Guilherme França.

    Diferente de estratégias baseadas em volume, o projeto foca no posicionamento premium. A meta estabelecida prevê USD 1 milhão anuais em exportações, com garrafas custando entre 15 e 50 euros no varejo francês. “Na França, o vinho é uma linguagem cultural. Quando apresentamos os vinhos brasileiros, não falamos apenas de qualidade, mas de identidade, origem e emoção”, destaca Vankerrebrouck.

    Identidade e inovação nos terroirs nacionais

    Para conquistar o paladar europeu, a curadoria do projeto selecionou vinhos que destacam a originalidade da enologia brasileira. O portfólio inclui o uso de leveduras indígenas, técnicas de poda invertida e o envelhecimento em barricas de madeiras brasileiras.

    Atualmente, seis vinícolas integram o primeiro lote de exportação:

    • Minas Gerais: Bárbara Eliodora (São Gonçalo do Sapucaí) e Estrada Real (Caldas).
    • Rio Grande do Sul: ArteViva (Bento Gonçalves), La Grande Bellezza (Pinto Bandeira), Manus (Encruzilhada do Sul) e Bebber (Flores da Cunha).

    Futuro da exportação: expansão e reputação

    O projeto planeja ampliar sua presença global rapidamente. Guilherme França, da Intrust Associates, projeta que 15 vinícolas farão parte da plataforma até o final de 2026, aumentando a diversidade de estilos oferecidos ao exterior.

    Imagem gerada por IA/LM Notebook

    Para Giovanni Montoneri, o caráter autoral dos rótulos brasileiros é o que garantirá espaço nas prateleiras europeias, transformando o Brasil em um produtor reconhecido por sua sofisticação e vinhos de identidade. O trabalho atual foca na construção de reputação e na criação de pontes sólidas entre os produtores nacionais e os consumidores globais.

  • Exportação de vinhos italianos ao Brasil cresce 13,9%

    Exportação de vinhos italianos ao Brasil cresce 13,9%

    As exportações de vinhos italianos para o Brasil avançaram 13,9% em 2025, consolidando o país como um dos principais destinos fora da Europa. Os embarques saltaram de US$ 43,2 milhões para US$ 49,2 milhões, segundo dados recentes do setor.

    Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro manteve ritmo de crescimento. As importações totais de vinho aumentaram 6,8% no período, fortalecendo a posição do Brasil como o maior mercado da América Latina e um dos mais relevantes para produtores internacionais.

    A Itália retomou a liderança global na produção de vinho em 2025, com 47,4 milhões de hectolitros, uma alta de 7,5% frente a 2024. O país superou a França (35,9 milhões) e a Espanha (29,4 milhões), conforme dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).

    No comércio exterior, os italianos também lideram. O país responde por 21,8% das exportações globais de vinho, à frente de Espanha (20,1%), França (12,8%), Chile (7,8%) e Portugal (3,5%).

    Mercado

    Os Estados Unidos seguem como principal destino dos vinhos italianos, com 19,5% do volume exportado. Alemanha (16%), Reino Unido (13,8%), Canadá (4%) e França (3,9%) completam a lista dos maiores mercados em volume. Em valor, os EUA também lideram, com 23,5% das receitas.

    Entre os mercados emergentes, o Brasil se destaca pelo crescimento acelerado e pelo potencial de expansão. O avanço nas exportações ocorre em meio à expectativa positiva em torno do acordo entre União Europeia e Mercosul, que deve reduzir barreiras comerciais e ampliar a competitividade dos vinhos europeus no país.

    Para fortalecer essa presença, a ICE (Agência para a Promoção no Exterior e Internacionalização das Empresas Italianas), em parceria com a Veronafiere, participa da Wine South America 2026, realizada entre 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS). A iniciativa reúne 32 empresas italianas e cerca de 300 rótulos de diversas regiões produtoras.

    O evento, em sua sexta edição, se consolida como um dos principais encontros do setor vitivinícola na América Latina, reunindo produtores, importadores e especialistas.

    O embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, destaca que a forte presença italiana na feira reforça a importância estratégica do país no plano de expansão das exportações italianas. Já Milena Del Grosso, diretora da ICE no Brasil, afirma que as ações promocionais já ampliam a participação italiana no mercado brasileiro, embora ainda exista espaço para crescimento.

  • Evento destaca acordo Mercosul-UE e tendências do vinho

    Evento destaca acordo Mercosul-UE e tendências do vinho

    A Wine South America 2026 vai reunir profissionais e especialistas do setor vitivinícola entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS), com foco em negócios, qualificação e tendências do mercado de vinhos. A feira reforça seu papel como um dos principais pontos de conexão do setor ao integrar conteúdo técnico e oportunidades comerciais.

    A programação contará novamente com a curadoria da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS), responsável pelas masterclasses. Ao longo dos três dias, o evento oferecerá 12 aulas exclusivas, com quatro sessões diárias voltadas à análise de regiões produtoras, estilos de vinhos e novas tendências do mercado.

    Os professores da ABS-RS conduzirão as atividades, com participação de convidados especiais. Segundo o sommelier Maurício Roloff, a curadoria busca equilibrar temas como produto, mercado, serviço, tendências e história, alinhando o conteúdo ao perfil do público e dos expositores.

    A programação atende desde iniciantes até profissionais experientes. Entre os destaques estão os vinhos do Norte da Itália, o protagonismo da uva Chardonnay no Vale dos Vinhedos e as diferentes expressões do vinho brasileiro. O evento também inclui conteúdos sobre análise sensorial e formação profissional, ampliando o foco para além do produto.

    Jornada do Sommelier

    Outra novidade será a realização da Jornada do Sommelier dentro da feira. A iniciativa da ABS-RS passa a integrar oficialmente a programação e amplia o debate entre profissionais do setor. O encontro também celebra o Dia do Sommelier e o Dia do Vinho Brasileiro, promovendo troca de experiências e valorização da cultura do vinho.

    A presidente da ABS-RS, Caroline Dani, afirma que a integração da Jornada ao evento fortalece o diálogo e amplia o alcance das discussões. Nesta edição, o principal tema será o impacto do acordo entre Mercosul e União Europeia no mercado de vinhos.

    O debate reunirá produtores, importadores e especialistas para analisar possíveis cenários e estratégias diante das mudanças no comércio internacional. A proposta é compreender como o setor pode se preparar para os efeitos do acordo, considerando o vinho como produto cultural, agrícola e econômico.

    Além disso, especialistas vão discutir tendências globais que devem influenciar o futuro da vitivinicultura, reforçando a importância de adaptação e planejamento estratégico no setor.

  • Vai de Vinho; evento gratuito reúne 19 vinícolas em Porto Alegre

    Vai de Vinho; evento gratuito reúne 19 vinícolas em Porto Alegre

    Porto Alegre recebe neste sábado (11) a segunda edição do Vai de Vinho Brasileiro Festival. O evento gratuito acontece no Parque Farroupilha, a Redenção, das 16h às 21h, e reúne 19 vinícolas gaúchas de diferentes regiões produtoras do Estado.

    A organização transforma o parque em um ponto de encontro entre vinho, gastronomia e entretenimento. O público poderá comprar vinhos, espumantes e suco de uva diretamente com os produtores. A programação inclui ainda atrações musicais, ativações interativas e conteúdos gastronômicos. A abertura oficial ocorre às 17h.

    O DJ Fabio Soares comanda a música ao vivo durante o evento. Os personagens Isa e Bordô, da campanha do Suco de Uva Brasileiro, circularão pelo local distribuindo materiais promocionais como livros de colorir, adesivos e balões.

    A primeira edição do festival, realizada em 2025 em Florianópolis, atraiu mais de 2 mil pessoas. Em Porto Alegre, o evento reforça a conexão entre o vinho brasileiro e o estilo de vida urbano, aproximando novos públicos da cultura da bebida.

    O Conservis-RS (Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul) realiza o festival em parceria com a Seapi (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação).

    Serviço

    O quê: Vai de Vinho Brasileiro Festival

    Quando: 11 de abril (sábado), das 16h às 21h

    Onde: Parque Farroupilha (Redenção), em Porto Alegre

    Entrada: gratuita

  • Brasil ganha força e atrai produtores de vinho do mundo

    Brasil ganha força e atrai produtores de vinho do mundo

    O Brasil vem ganhando espaço no mercado global de vinhos e, com isso, passa a atrair cada vez mais interesse de produtores internacionais.

    Esse movimento deve se refletir na Wine South America 2026, que acontece entre os dias 12 e 14 de maio, em Bento Gonçalves. A edição contará com a participação de países que ainda não integravam o evento, o que reforça o avanço do setor no país.

    Brasil entra no radar global

    Nos últimos anos, o mercado brasileiro passou a chamar atenção pela combinação entre consumo crescente e potencial de expansão.

    Além disso, a diversificação de mercados e o avanço de acordos comerciais têm direcionado o interesse de produtores estrangeiros para a América Latina. Nesse cenário, o Brasil se consolida como um ponto estratégico para negócios no continente.

    Por isso, eventos do setor ganham força como espaços de conexão entre oferta internacional e demanda local.

    Novos países ampliam presença

    A entrada de novos participantes reforça esse movimento. Países como Nova Zelândia e Alemanha passam a integrar o evento, enquanto outros mercados tradicionais ampliam sua presença.

    Ao mesmo tempo, produtores buscam não apenas apresentar seus rótulos, mas também entender o perfil do consumidor brasileiro e criar parcerias comerciais. Com isso, a feira se posiciona como porta de entrada para marcas que desejam expandir atuação na região.

    Produção brasileira ganha espaço

    Enquanto cresce o interesse internacional, a produção nacional também avança.

    Além do protagonismo do Rio Grande do Sul, outras regiões começam a ganhar destaque, como Santa Catarina, Bahia e até áreas do Centro-Oeste.

    Esse avanço ocorre porque produtores exploram diferentes condições de clima, solo e altitude. Como resultado, surgem vinhos com características próprias e maior reconhecimento no mercado.

    Diversidade de terroirs impulsiona setor

    A expansão da vitivinicultura brasileira mostra que o setor vai além das regiões tradicionais. Hoje, novos polos produtivos investem em tecnologia e manejo para melhorar a qualidade. Além disso, a diversidade de terroirs permite maior variedade de estilos, o que amplia o interesse do consumidor.

    Dessa forma, o Brasil fortalece sua posição tanto na produção quanto no consumo de vinhos.

    Serra Gaúcha segue como referência

    Mesmo com a expansão, a Serra Gaúcha continua como principal polo do setor.

    A região concentra grande parte da produção nacional e mantém reconhecimento pela qualidade dos vinhos e espumantes. Além disso, áreas como o Vale dos Vinhedos possuem certificações que reforçam esse padrão.
    Assim, o local segue como centro estratégico para negócios e eventos do segmento.

    Mercado deve seguir em expansão

    A combinação entre consumo interno, interesse internacional e diversificação produtiva indica um cenário de crescimento para os próximos anos.

    Por isso, o Brasil tende a consolidar seu papel no mercado global de vinhos, tanto como produtor quanto como destino estratégico para novos investimentos.

  • Conheça as mulheres por trás de uma das maiores vinícolas do Brasil

    Conheça as mulheres por trás de uma das maiores vinícolas do Brasil

    No universo do vinho brasileiro, poucas histórias combinam tradição familiar e visão de mercado com tanta coerência quanto a da vinícola Lidio Carraro. E no centro dessa trajetória estão duas mulheres: Isabel Carraro, matriarca da família, e Patricia Carraro, diretora criativa de marketing. Mãe e filha. Posturas distintas. Um mesmo propósito.

    Isabel Carraro. Divulgação vinícola Lidio Carraro

    No Dia Internacional da Mulher, a vinícola gaúcha, sediada no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, escolhe reconhecer o papel concreto dessas duas figuras, não com discursos genéricos, mas com uma narrativa construída ao longo de décadas de trabalho, decisões difíceis e muito vinho.

    A liderança que acolhe

    Isabel Carraro é esposa de Lidio Carraro e mãe de Patricia, Giovanni e Juliano. Avó de nove netos, ela exerce a liderança de forma natural, firme nos momentos de crise, sensível no cotidiano da empresa familiar.

    Seu espírito empreendedor esteve presente nos três grandes momentos da vinícola: implantação, expansão e consolidação. Nos períodos mais difíceis, foi Isabel quem manteve o equilíbrio entre as decisões de negócio e a coesão familiar. Afinal, nenhuma estratégia empresarial sustenta uma empresa de origem familiar sem o suporte humano que vem de dentro de casa.

    Além do papel interno, Isabel é o rosto da hospitalidade da Lidio Carraro. Frequentemente, recebe clientes, parceiros e visitantes na sede da vinícola boutique, transformando cada visita em uma experiência que vai além do vinho na taça. Esse gesto repetido ao longo dos anos criou algo raro no setor: uma comunidade de pessoas que se sentem parte da família Carraro.

    A guardiã da identidade da marca

    Se Isabel firmou as bases, Patricia Carraro assumiu a missão de projetar esse legado para o mercado nacional e internacional. Como diretora criativa de marketing, ela zela pela identidade visual, pelo posicionamento estratégico e pela narrativa que acompanha cada rótulo da vinícola.

    Internamente, Patricia carrega a descrição de “guardiã dos valores da família”, e o papel justifica o título. Cada campanha, cada lançamento e cada reposicionamento de marca passam pelo seu olhar, com uma premissa clara: inovar sem descaracterizar, crescer sem perder a essência.

    Com uma visão feminina e contemporânea, Patricia transformou a comunicação da Lidio Carraro em extensão direta da filosofia purista que orienta a produção dos vinhos. Para ela, o desafio permanente é “preservar quem somos enquanto avançamos” — especialmente num setor em que o novo parece, cada vez mais, disputar espaço com o autêntico.

    Um legado a quatro mãos

    A história da Lidio Carraro poderia se resumir à trajetória de uma vinícola que cresceu e ganhou reconhecimento. Mas ela é, antes de tudo, a história de uma família que soube permanecer unida. E de duas mulheres com perfis complementares que ajudaram a construir não apenas uma empresa, mas uma cultura organizacional.

    Isabel representa a base: a segurança, o acolhimento e a força silenciosa que sustenta decisões importantes. Patricia representa o movimento: a estratégia, a criatividade e o olhar que conecta o passado ao futuro.

    Juntas, elas sintetizam o que a Lidio Carraro celebra neste 8 de março: a liderança feminina que une gerações, preserva valores e projeta crescimento, com autenticidade e sem abrir mão de quem se é.

  • Vinícola aposta em enoturismo para conectar produção e consumidor

    Vinícola aposta em enoturismo para conectar produção e consumidor

    A Vinícola Essenza dá início, neste fim de fevereiro, à colheita que vai originar a safra 2026 de seus vinhos. O processo acontece em vinhedos situados entre 1.200 e 1.910 metros de altitude na Serra da Mantiqueira, reconhecidos como os mais altos do mundo. E segue um modelo adotado por poucas produtoras no Brasil: a colheita de verão, que antecipa etapas do calendário vitivinícola tradicional, normalmente concentrado no inverno.

    A decisão de colher fora da época convencional não é uma curiosidade logística. É uma escolha técnica que, segundo o produtor e proprietário Herbert Sales, permite maior controle sobre a maturação das uvas e favorece a preservação das características naturais da fruta. “A colheita de verão exige atenção em todas as fases, porque o clima impõe desafios que só podem ser superados com método e disciplina”, afirma Sales.

    Dois terroirs, um único território

    A produção da Essenza está distribuída em dois terroirs na Serra da Mantiqueira. O primeiro fica no Refúgio Tuiuva, em Maria da Fé (MG), onde estão concentrados o olival e o vinhedo e onde ocorre boa parte do manejo agrícola. O segundo corresponde à sede da vinícola, instalada a 14 quilômetros de Santo Antônio do Pinhal (SP), que além das áreas de cultivo recebe visitantes para experiências que conectam produção e degustação.

    A propriedade ocupa cerca de 51 hectares e cultiva variedades como Alvarinho, Sauvignon Blanc, Shiraz, Merlot, Cabernet Franc, Pinot Noir e Chardonnay. As parreiras têm, em média, cinco anos de idade. Essa fase é considerada estratégica para o equilíbrio entre produtividade e estrutura dos vinhos. “Estamos em um momento em que os vinhedos começam a expressar com mais clareza o perfil que buscamos”, observa Sales.

    A divisão entre os dois terroirs é, para o produtor, uma vantagem técnica deliberada. “Ela permite diversificar microclimas, solos e regimes de insolação ao longo do ano. O terroir não é apenas um fator geográfico. Ele define a identidade do produto e orienta nosso trabalho no campo e na adega”, explica.

    Crescimento de 40% na produção

    Na safra anterior, a Essenza produziu aproximadamente 18 mil litros. Para o ciclo de 2026, a projeção ultrapassa os 25 mil litros. Um crescimento de cerca de 40%, impulsionado pela expansão das áreas produtivas e pela consolidação dos protocolos de manejo. “Esse crescimento reflete planejamento técnico, investimento em campo e amadurecimento da operação”, afirma Sales.

    O avanço ocorre em um contexto de estabilidade do mercado consumidor. Dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) indicam que o consumo per capita de vinho no Brasil permaneceu próximo de 2 litros por habitante em 2025. É abaixo de mercados tradicionais, mas com tendência de recuperação gradual. Para 2026, o setor projeta retomada moderada, sustentada pelo crescimento do enoturismo, pela ampliação da oferta nacional e pelo interesse do consumidor por vinhos de origem identificada.

    Do campo à taça, com rastreabilidade

    O processo produtivo da safra 2026 inclui colheita manual, seleção criteriosa dos cachos e vinificação adaptada a cada variedade. Os tempos de fermentação e maturação são definidos conforme o perfil pretendido para cada rótulo. “Cada vinho nasce de uma decisão técnica, não de improviso”, ressalta o produtor.

    Herbert Sales, proprietário da Vinícola Essenza durante Vindima 2025. Foto: Régis Silva

    Essa abordagem integra o conceito central da vinícola: estabelecer conexão direta entre o ambiente de produção e o perfil dos vinhos entregues ao mercado, com origem controlada e rastreabilidade. “A colheita de verão, o trabalho nos dois terroirs e o respeito às condições naturais da Mantiqueira formam a base do que entregamos em cada garrafa. Nosso compromisso é transformar esse território em identidade, não apenas em volume”, conclui Sales.

    Vindima aberta ao público em março

    A integração entre produção e turismo é parte estrutural da estratégia da Essenza. No dia 1º de março, a vinícola realiza a Vindima Essenza, evento fechado e imersivo em que o público poderá acompanhar etapas da colheita no campo e na adega, com acesso ao processo produtivo e à cultura vitivinícola da região.

    A vinícola integra as Rotas do Vinho de São Paulo, rede que reúne 66 vinícolas em todo o estado, e se destaca pela estrutura que combina visita técnica, menu harmonizado e loja de produtos regionais.

    Os vinhos da Essenza acumulam reconhecimento em concursos de referência. O Shiraz Rosé recebeu Duplo Ouro no Wine of Brasil Awards, além de premiações no International Wine & Spirit Competition e no Decanter World Wine Awards. Já o Alvarinho Mantikir foi premiado no International Wine Challenge, em Londres — um dos concursos de vinhos mais respeitados do mundo.