Com a chegada dos dias mais frios, o vinho tinto volta a ganhar espaço na mesa dos brasileiros. Muita gente, porém, ainda hesita diante das prateleiras do supermercado: não sabe por onde começar, qual rótulo escolher ou qual vinho combina melhor com cada ocasião.
A boa notícia é que entender de vinho exige muito menos técnica do que parece. O mercado oferece cada vez mais opções acessíveis e versáteis, e qualquer pessoa consegue começar a explorar esse universo sem dominar termos complicados nem gastar uma fortuna em garrafas sofisticadas.
Como escolher o primeiro vinho sem errar
Paulino Costinha, especialista em vinhos e espumantes do Supermercados Mundial, recomenda começar pelos rótulos mais fáceis de beber, aqueles que funcionam bem no dia a dia sem exigir experiência prévia.
“Muita gente acha que vinho é complicado, mas hoje existem rótulos muito versáteis e acessíveis. O importante é começar por vinhos mais equilibrados e entender aos poucos quais sabores agradam mais”, explica o especialista.
Paulino separou as opções mais indicadas para quem ainda não tem intimidade com vinhos:
Merlot: tem corpo macio e leve, e harmoniza com facilidade
Cabernet Sauvignon: apresenta sabor mais intenso e combina bem com carnes e massas
Pinot Noir: traz um perfil mais delicado e leve
Tintos de médio corpo: acompanham bem as refeições do dia a dia
A ocasião também define a escolha certa
Além da uva, a ocasião pesa na hora de escolher a garrafa. Vinhos mais leves combinam com jantares simples e encontros descontraídos, enquanto rótulos mais encorpados acompanham melhor pratos intensos e as noites mais frias do ano.
Quem ainda tem dúvidas pode contar com ajuda especializada. A maioria das grandes redes de supermercados mantêm profissionais dedicados à área de adega, prontos para orientar os clientes e sugerir rótulos de acordo com gosto pessoal, ocasião e faixa de preço.
“Hoje muita gente quer aprender mais sobre vinho, mas sem aquela formalidade toda. O consumidor procura praticidade, quer entender o que combina com o próprio gosto e descobrir opções para o dia a dia”, finaliza Paulino.
A deriva de herbicidas hormonais causou um prejuízo estimado em R$ 210 milhões à vitivinicultura do Rio Grande do Sul entre os anos de 2018 e 2025. O Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) apresentou o estudo inédito que calcula, pela primeira vez, o tamanho do impacto financeiro na cadeia produtiva da uva.
A Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FEENG) viabilizou o projeto, que contou com a execução técnica de pesquisadores do IFRS Campus Bento Gonçalves.
O tamanho do prejuízo e o risco futuro
Os dados oficiais de casos registrados somam um impacto de R$ 161,6 milhões. No entanto, os pesquisadores estimam que o prejuízo real atinja os R$ 210 milhões quando a conta inclui as perdas de produtividade, a necessidade de renovar vinhedos e o aumento nos custos de manejo.
A situação pode piorar se o setor não adotar medidas corretivas. As projeções do estudo indicam que, caso o cenário atual continue sem alterações, a deriva provocará um prejuízo adicional de R$ 150,1 milhões nos próximos cinco anos.
Incerteza congela investimentos em vinhedos gaúchos
O problema ultrapassa a perda imediata de uvas no campo. A deriva tornou-se um risco permanente para a atividade e afeta diretamente o planejamento estratégico das empresas. Todos os produtores entrevistados pelo estudo afirmaram que reduziram ou adiaram investimentos devido à insegurança gerada pelos episódios de deriva.
Pesquisa foi construída a partir da análise de mais de 400 ocorrências registradas de deriva no Rio Grande do Sul. Foto: Consevitis-RS/Divulgação
A incerteza prejudica decisões cruciais para o setor, tais como:
A renovação e expansão de vinhedos;
O lançamento de novos produtos;
Os investimentos privados em enoturismo;
Projetos coletivos de indicação geográfica.
Regiões mais afetadas no Rio Grande do Sul
O estudo aponta que o impacto se distribui de forma heterogênea pelo estado. Os prejuízos concentram-se principalmente nas regiões onde a produção de uva convive lado a lado com sistemas de agricultura extensiva que utilizam os herbicidas hormonais.
Foto: Consevitis-RS/divulgação
Os pesquisadores identificaram registros de deriva em importantes polos de cultivo de uva, incluindo a Campanha Gaúcha, Região Central, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Planalto, Missõe. E com registros mais pontuais, a Serra Gaúcha.
A equipe estruturou a pesquisa analisando mais de 400 ocorrências registradas no estado e realizando entrevistas de campo. Os dados oficiais indicam que os episódios afetaram diretamente cerca de 700 hectares de vinhedos, embora os pesquisadores ressaltem que a área atingida pode ser ainda maior.
Dados técnicos para mediar o conflito agrícola
A elaboração do estudo ocorreu sob o Termo de Colaboração FPE nº 4837/2022, firmado entre o Consevitis-RS e a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A coordenação científica do trabalho ficou a cargo dos doutores Shana Sabbado Flores, Leonardo Cury da Silva e Jorge Viel.
Para a Dra. Shana, a pesquisa cumpre o papel de transformar relatos informais em evidências técnicas integradas. Já o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, reforça que os dados qualificados darão suporte para o diálogo institucional, buscando formas de preservar a vitivinicultura em harmonia com as demais culturas agrícolas gaúchas.
As exportações brasileiras de vinhos e espumantes mantiveram a trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2026 e confirmaram o avanço da vitivinicultura nacional no mercado internacional. Entre janeiro e junho, os embarques somaram US$ 6,79 milhões, um salto de 23,73% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor exportado havia alcançado US$ 5,49 milhões.
O desempenho reflete um movimento construído ao longo dos últimos anos, que ampliou a presença do vinho brasileiro em mercados estratégicos, consolidou ações de promoção comercial e diversificou os destinos internacionais dos produtos. No período, os vinhos e espumantes nacionais chegaram a 79 países, um crescimento de 20,4% no número de mercados atendidos.
O gerente de Promoção para Mercado Externo do Consevitis-RS, Rafael Romagna, atribui o resultado a um trabalho contínuo de promoção internacional. Segundo ele, a presença em feiras, rodadas de negócios e ações com compradores e formadores de opinião amplia a visibilidade e a competitividade dos vinhos brasileiros no exterior. Romagna também destaca a maior diversificação de mercados como fator que reduz a dependência de poucos destinos.
Para o gestor, os números indicam uma evolução consistente do posicionamento do vinho brasileiro no cenário internacional, fruto de um processo contínuo de fortalecimento da imagem do país como produtor de vinhos de qualidade.
Vinhos avançam acima dos espumantes e ampliam presença internacional
Os espumantes continuam como o principal cartão de visitas da vitivinicultura brasileira no exterior, mas o primeiro semestre de 2026 trouxe uma mudança relevante: os vinhos registraram crescimento superior ao dos espumantes nas exportações em valor. Enquanto os espumantes avançaram 19,50% e atingiram US$ 1,18 milhão, os vinhos cresceram 24,66% e alcançaram US$ 5,61 milhões.
Setor vitivinícola brasileiro reúne milhares de famílias produtoras. Foto: César Silvestro/ Vagão Filmes
Romagna interpreta o desempenho como sinal de que o reconhecimento internacional conquistado pelos espumantes brasileiros começa a se estender aos vinhos tranquilos. Segundo ele, os vinhos brasileiros vêm conquistando espaço no mercado internacional em um contexto geral, o que complementa um movimento já consolidado dos espumantes, e mostra ampliação do reconhecimento da qualidade dos produtos brasileiros em diferentes categorias. O executivo reforça que os espumantes seguem como porta de entrada importante para diversos mercados, mas o interesse por vinhos que expressem a diversidade da produção nacional e agreguem valor pela origem cresce de forma consistente.
Identidade brasileira ganha espaço entre consumidores
A evolução das exportações acompanha uma mudança no comportamento do consumidor internacional. Importadores buscam cada vez mais produtos capazes de contar histórias, traduzir seus territórios de origem e oferecer características únicas. Um movimento que favorece países produtores com identidade própria. Romagna afirma que o consumidor internacional demonstra interesse por vinhos que carreguem histórias e expressem seus territórios de origem, cenário em que o vinho brasileiro tem conseguido se destacar.
Rodadas internacionais promovidas pelo Exporta Mais Vinhos, na Wine South America, fazem parte da estratégia que impulsiona as exportações de vinhos brasileiros. Foto: Divulgação Wines of Brazil
O executivo destaca que o Brasil reúne características pouco comuns no cenário mundial, como a convivência de três modelos distintos de vitivinicultura. O país hoje apresenta ao mercado internacional vinhos produzidos em regiões tradicionais, vinhos de inverno e vinhos tropicais, o que amplia a capacidade de atender diferentes perfis de consumidores e fortalece o posicionamento do Brasil como produtor inovador.
Outro diferencial é o reconhecimento internacional dos espumantes brasileiros, reforçado pela criação da primeira Denominação de Origem específica para espumantes do Hemisfério Sul, que consolidou a reputação do país nessa categoria.
Promoção internacional aproxima vinícolas e compradores
Parte desse crescimento está ligada às ações desenvolvidas pelo Wines of Brazil. Ao longo de 2025 e do primeiro semestre de 2026, o projeto intensificou sua presença em eventos como a Wine Paris, a ProWein Düsseldorf e a Vinexpo America, além de promover rodadas de negócios, missões comerciais e projetos compradores realizados no Brasil.
Romagna descreve o Wines of Brazil como um facilitador do processo de internacionalização das vinícolas brasileiras, já que essas iniciativas aproximam empresas e compradores internacionais e geram oportunidades comerciais que contribuem diretamente para o crescimento das exportações. Os indicadores do projeto sustentam essa avaliação. As ações desenvolvidas em 2024 e 2025 geraram cerca de US$ 21,5 milhões em oportunidades de negócios para as empresas participantes. Um volume expressivo diante dos aproximadamente US$ 24 milhões em exportações somados no mesmo período.
Diversificação de mercados reduz riscos e amplia oportunidades
Além do crescimento em valor, a ampliação da presença internacional é outro indicador estratégico para o Wines of Brazil. Em vez de concentrar as exportações em poucos destinos, o projeto busca fortalecer mercados já consolidados e, ao mesmo tempo, abrir novas oportunidades comerciais. Romagna explica que o crescimento em mercados consolidados ocorreu paralelamente à entrada em novos destinos, resultado da estratégia de prospecção internacional desenvolvida pelo projeto e pelas vinícolas participantes.
A participação em feiras internacionais integra a estratégia para ampliar a visibilidade dos vinhos brasileiros e gerar oportunidades de negócios no mercado externo. Foto: Divulgação Wines of Brazil
A Rússia figura entre os exemplos citados pelo executivo. O país passou a receber atenção especial do Wines of Brazil nos últimos anos, em função de mudanças no cenário internacional. E o projeto identificou ali uma oportunidade de mercado que motivou investimento contínuo na prospecção de compradores locais.
Para os próximos anos, Estados Unidos, China, Reino Unido, México e Paraguai estão entre os mercados prioritários do projeto. E que também acompanha oportunidades em países como Japão, Emirados Árabes Unidos e Rússia.
Perspectiva é manter trajetória de crescimento
Mesmo diante das incertezas do cenário econômico internacional, a expectativa é de continuidade no processo de internacionalização. Romagna afirma que os resultados do primeiro semestre reforçam perspectivas positivas para o restante de 2026. E reconhece que o cenário internacional exige cautela diante das oscilações econômicas e geopolíticas. Ainda assim, ele aposta que o trabalho consistente de promoção internacional continuará ampliando a presença do vinho brasileiro no exterior.
Exportações brasileiras no 1º semestre de 2026
Valor exportado: US$ 6,79 milhões
Crescimento geral: +23,73%
Espumantes: US$ 1,18 milhão (+19,50%)
Vinhos: US$ 5,61 milhões (+24,66%)
Destinos: 79 países (+20,4%)
Empresas exportadoras apoiadas pelo projeto: 19 vinícolas
Participação das empresas do projeto nas exportações totais: 60,81%
Participação das empresas do projeto nas exportações de espumantes: 65,83%
Diferenciais que fortalecem o vinho brasileiro no exterior
Reconhecimento internacional dos espumantes brasileiros
Diversidade de terroirs e regiões produtoras
Produção em três modelos de vitivinicultura: tradicional, vinhos de inverno e vinhos tropicais
A colheita de uvas de inverno 2026 já começou em regiões fora do eixo tradicional da vitivinicultura brasileira e reforça a expansão do setor no país. Vinícolas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste iniciaram os trabalhos com expectativa de crescimento de 15% na safra, impulsionado pela ampliação das áreas de plantio.
Atualmente, 60 vinícolas associadas à Anprovin (Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno) cultivam cerca de 500 hectares de vinhedos. O avanço resulta da consolidação da técnica da Dupla Poda, adotada ao longo das últimas duas décadas e responsável por viabilizar a produção de vinhos finos em novas regiões brasileiras.
A colheita já ocorre na Chapada Diamantina (BA), com destaque para variedades como Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. No Centro-Oeste, produtores de Goiás e do Distrito Federal intensificam a colheita entre julho e agosto, com ampla diversidade de castas, incluindo Syrah, Chardonnay, Malbec, Tempranillo e Sangiovese. No Sudeste, estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo concentraram a colheita entre junho e julho, com uvas que já originaram rótulos premiados com mais de 90 pontos em guias internacionais.
Dupla Poda
A técnica da Dupla Poda, desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas em 2000 pelo pesquisador Murilo Regina, inverte o ciclo da videira com duas podas anuais. Esse manejo direciona a colheita para o inverno, período marcado por clima seco, maior insolação e menor incidência de doenças, fatores que favorecem a maturação fenólica e elevam a qualidade das uvas.
O setor apresenta forte presença de propriedades familiares, que representam cerca de 90% das vinícolas associadas. Esse perfil estimula a diversificação produtiva em áreas tradicionalmente ocupadas por café, grãos e pecuária leiteira. Além de fortalecer a sucessão familiar e a sustentabilidade no campo.
A qualidade da produção também se apoia em investimentos em tecnologia e controle. O Centro de Análises e Pesquisa da Anprovin/ABDI, em Brasília, recebeu aporte de R$ 3,4 milhões e atua na certificação dos vinhos. O selo da entidade garante rastreabilidade, altitude, lote e origem das uvas.
Em 2025, os associados produziram cerca de 1,5 milhão de garrafas. Além disso, há aproximadamente 100 novos projetos em desenvolvimento nessas regiões, elevando a área potencial para mais de 1.000 hectares. A expectativa do setor é dobrar a capacidade produtiva até 2030, acompanhando o crescimento do consumo de vinho no Brasil.
Novos investimentos
Segundo o presidente da Anprovin, Claudio Góes, o aumento da demanda interna tem incentivado novos investimentos e fortalecido toda a cadeia produtiva. O avanço da safra 2026 também acompanha o reconhecimento internacional dos vinhos de inverno brasileiros, que ganham espaço pela qualidade e pelo diferencial tecnológico.
Para produtores rurais com condições favoráveis, como altitude, solo bem drenado e inverno seco, a vitivinicultura de inverno se consolida como alternativa rentável e estratégica. Além da produção, o setor impulsiona o enoturismo e contribui para o desenvolvimento econômico de pequenas cidades brasileiras.
O reaproveitamento de resíduos da produção de vinho ganha destaque na Califórnia com a criação de um ingrediente funcional que melhora o sabor do chocolate amargo. Desenvolvido a partir do Chardonnay, o produto também apresenta potencial nutricional e reforça práticas sustentáveis na indústria alimentícia.
Reprodução: Redes Sociais
A Vine to Bar, fundada por Peggy Furth e Barbara Banke, utiliza subprodutos do processamento da uva Chardonnay, como cascas, polpa, caules e sementes, para criar o Wellvine, um pó rico em compostos bioativos. A proposta une sustentabilidade, inovação alimentar e saúde.
O Chardonnay lidera o cultivo de uvas na Califórnia desde o século XIX, o que garante ampla disponibilidade de matéria-prima. Apesar disso, a indústria historicamente descartou esses resíduos.
Segundo Barbara Banke, o potencial desses materiais sempre existiu. “Tudo era tratado como sobra, mas ainda era um produto fresco que poderia ter melhor aproveitamento”, afirma.
Pesquisa revela benefícios nutricionais do Wellvine
A empresa contou com o apoio científico do Dr. Harold Schmitz, da Universidade da Califórnia em Davis (UC Davis). A equipe identificou alta concentração de fibras e oligossacarídeos no material, compostos presentes no leite materno humano e importantes para a saúde intestinal.
O diferencial surgiu durante os testes com chocolate amargo. Em vez de alterar negativamente o sabor, o Wellvine intensificou as características sensoriais do produto.
Ingrediente melhora sabor do chocolate amargo
“Observamos que o ingrediente não apenas agregou valor nutricional, mas também melhorou o sabor do chocolate”, explica Schmitz. “Isso abre um novo caminho para a indústria.”
Além do apelo sensorial, o projeto responde a uma demanda crescente por alimentos mais saudáveis. Furth destaca a relação com o aumento de doenças metabólicas.
“O mercado precisa oferecer alternativas que contribuam para a saúde. Esse é um caminho essencial para o futuro da alimentação”, afirma.
A proposta também resgata o conceito de alimento natural. Para Scott Forsberg, gerente de vendas da empresa, a iniciativa vai na contramão da industrialização excessiva da dieta.
“Estamos falando de comida de verdade. Nos últimos 60 anos, a alimentação se distanciou disso”, diz.
Reprodução: Redes Sociais
Produto já chega à alta gastronomia
O Wellvine já começa a ganhar espaço na alta gastronomia. O chef Dustin Valette incorporou o ingrediente ao cardápio do restaurante The Matheson, em Sonoma.
“Os antioxidantes chamam atenção, mas o sabor é o que realmente se destaca”, afirma.
Barbara Banke ressalta que a inovação representa uma ruptura com tradições consolidadas da chocolateria europeia. “A Europa domina o chocolate de alta qualidade, mas nunca explorou esse tipo de abordagem”, conclui.
Pesquisadores identificaram novas pistas sobre a origem da produção moderna de vinho a partir da análise de DNA de sementes de uva com cerca de 2 mil anos, encontradas na Toscana, na Itália. O estudo revela que vinhedos da era romana integravam uma rede agrícola avançada que influenciou diretamente a viticultura atual.
A equipe, liderada por cientistas da Universidade de York, analisou sementes preservadas em poços antigos no sítio arqueológico de Cetamura del Chianti. Etruscos, romanos e, posteriormente, italianos medievais habitaram o local.
Os pesquisadores sequenciaram o DNA de 80 sementes e identificaram um padrão genético consistente. A maioria pertenceu a uma única variedade de uva, mantida por séculos e transmitida diretamente dos etruscos aos romanos.
Além disso, a análise genética permitiu determinar a cor das uvas cultivadas na região. Os resultados mostram que o clone dominante produzia uvas brancas, o que surpreendeu a equipe, já que Chianti atualmente se destaca pelos vinhos tintos à base de sangiovese.
Segundo os cientistas, entre 300 a.C. e 300 d.C., os habitantes da região descartavam sementes em poços profundos. O ambiente sem oxigênio preservou o material genético ao longo dos séculos, possibilitando o estudo atual.
Império Romano
Com a expansão do Império Romano, novas variedades de uva chegaram à região. Os dados indicam que os romanos introduziram videiras de diferentes partes do império, ampliando a diversidade genética local.
Os testes também revelaram que o principal clone identificado em Cetamura possui forte relação genética com sementes antigas encontradas no sul da França. Esse dado reforça a existência de redes agrícolas de longa distância durante o período romano.
Portanto, para os pesquisadores, essas conexões ajudam a explicar como práticas agrícolas e variedades de uva se disseminaram e contribuíram para a padronização da produção de vinho ao longo da história.
A vitivinicultura brasileira ganhou destaque internacional com a conquista de uma importante premiação em um dos concursos mais tradicionais do setor. Nesta segunda-feira (8), o Aurora Desalcoolizado Cabernet Sauvignon Não Adoçado, da Vinícola Aurora, recebeu medalha de bronze no International Wine & Spirit Competition (IWSC) 2026, realizado em Londres, na Inglaterra.
O rótulo garantiu a terceira colocação após passar por avaliações às cegas que reuniram bebidas sem álcool de diversos países. Além disso, foi o único vinho desalcoolizado brasileiro a conquistar premiação na competição.
Sem alcóol?
Responsável pelo projeto de bebidas desalcoolizadas da cooperativa, o enólogo Christian Bernardi destacou que os vinhos dessa categoria seguem o mesmo processo de elaboração dos vinhos tradicionais.
Segundo ele, diferentemente das bebidas classificadas como “zero álcool”, produzidas a partir de suco de uva, os vinhos desalcoolizados passam por todas as etapas da vinificação antes da retirada do álcool.
No entanto, Bernardi explica que o maior desafio está justamente na fase final do processo. Isso porque é necessário remover o álcool sem comprometer os aromas, sabores e demais características sensoriais desenvolvidas durante a produção.
“A tecnologia foi desenvolvida dentro da Aurora, utilizando equipamentos que permitem a extração completa do álcool com rigoroso controle de temperatura e pressão. A premiação valida esse esforço de inovação”, afirmou Bernardi, em nota.
De acordo com as especificações técnicas da vinícola, o produto é elaborado com uvas Cabernet Sauvignon da safra 2025 e passa por um breve período de maturação em barris de carvalho. Além disso, apresenta perfil seco e, segundo a empresa, não possui dulçor, característica que reforça sua proposta de oferecer uma experiência mais próxima dos vinhos tradicionais.
O reconhecimento internacional reforça o avanço da inovação na cadeia vitivinícola brasileira e evidencia o potencial dos produtos nacionais em um mercado global cada vez mais atento às alternativas sem álcool.
Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil desarticularam, na última sexta-feira (5), um esquema de contrabando de vinhos e azeite argentino no município de Barracão, no Sudoeste do Paraná. A operação resultou na apreensão de uma carga avaliada em mais de R$ 1,5 milhão e na prisão em flagrante de um suspeito.
Foto: Sindireceita
A ação integrou a Operação Brasil, iniciativa federal de combate ao crime organizado, e contou com a participação do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFRON), da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e da Polícia Federal. Equipes monitoravam um imóvel na região com suspeita de servir como depósito de mercadorias ilícitas antes de a operação ser deflagrada.
O que os agentes encontraram
Durante a abordagem ao imóvel, os fiscais e policiais localizaram:
216 galões de azeite de oliva (equivalente a 1.080 litros)
1.321 caixas de vinho (totalizando 6.605 garrafas)
Nenhum dos produtos tinha documentação legal para ingresso no território brasileiro, requisito obrigatório para importação regular, que inclui registro na Receita Federal, pagamento de impostos como II (Imposto de Importação) e IPI, além de autorização sanitária do Ministério da Agricultura. A ausência desses documentos configura crime de descaminho ou contrabando, sujeito a penas de um a quatro anos de reclusão, conforme o Código Penal brasileiro.
Os agentes também identificaram três veículos utilizados na logística do esquema: um Fiat Siena, uma Volkswagen Amarok e uma Fiat Toro.
Fronteira do Paraná com a Argentina, ponto estratégico para o contrabando
Barracão faz fronteira seca com Bernardo de Irigoyen, na província argentina de Misiones, uma das rotas historicamente mais exploradas pelo contrabando no Sul do Brasil. A proximidade com a Argentina, aliada ao alto diferencial de preços de produtos como vinho e azeite entre os dois países, torna a região um alvo frequente de operações da Receita Federal e das forças de segurança.
Vinhos e azeites argentinos chegam a custar até 60% menos do que os similares comercializados legalmente no Brasil. Portanto, isso torna o contrabando financeiramente atrativo para organizações criminosas.
O suspeito preso em flagrante foi levado à Delegacia da Polícia Federal. Já os três veículos apreendidos e toda a mercadoria seguiram para a unidade da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, onde passam por procedimentos fiscais e administrativos. O prejuízo estimado ao esquema criminoso supera R$ 1,5 milhão.
A ideia de que uma taça de vinho por dia faz bem para a saúde é antiga, mas especialistas alertam que a relação entre álcool e benefícios ao organismo ainda gera debate.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), não existe uma dose totalmente segura para o consumo de bebidas alcoólicas. Ainda assim, pesquisas analisam possíveis efeitos positivos do consumo moderado de vinho, especialmente o tinto.
Vinho aparece na dieta mediterrânea
O vinho tinto costuma ser associado à chamada dieta mediterrânea, considerada uma das mais saudáveis do mundo. Nesse padrão alimentar, porém, o consumo acontece em pequenas quantidades e durante as refeições.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia não recomenda que pessoas passem a beber visando benefícios à saúde. No entanto, para quem já consome álcool, a orientação é limitar a ingestão a até duas taças por dia para homens e uma para mulheres.
Benefícios ainda não são comprovados
Estudos investigam compostos presentes no vinho, como os polifenóis e o resveratrol, por possíveis ações antioxidantes e anti-inflamatórias.
Pesquisas observacionais apontam que o consumo moderado pode estar associado a menor risco de algumas doenças cardiovasculares. Entre os efeitos analisados estão melhora da circulação, redução de coágulos e proteção das artérias.
Apesar disso, cientistas reforçam que ainda não existe comprovação definitiva de que o vinho, sozinho, melhora a saúde do coração.
O resveratrol, composto presente no vinho tinto, é um dos antioxidantes mais estudados pela ciência — Foto: Divulgação
Além disso, o excesso de álcool pode elevar a pressão arterial, favorecer arritmias e aumentar o risco de outros problemas de saúde.
Efeitos no cérebro e no intestino também são estudados
Pesquisadores também analisam possíveis impactos do vinho tinto na microbiota intestinal e no declínio cognitivo.
Os polifenóis presentes na bebida podem contribuir para a diversidade de microrganismos benéficos no intestino. Já algumas revisões sugerem que o consumo moderado pode estar ligado a uma progressão mais lenta do declínio cognitivo.
Mesmo assim, especialistas alertam que esses resultados não justificam iniciar o consumo de álcool por motivos de saúde.
Nem todo mundo deve consumir vinho
Grupos como gestantes, lactantes, crianças e adolescentes não devem consumir bebidas alcoólicas. A restrição também vale para pessoas que usam medicamentos que podem interagir com álcool ou possuem doenças crônicas.
Médicos reforçam que a decisão sobre incluir vinho na rotina deve considerar histórico de saúde, uso de medicamentos e riscos individuais.
O famoso bife de ouro voltou aos holofotes após aparecer em um jantar de luxo bancado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em Nova York. O encontro, estimado em cerca de R$ 60 mil, ocorreu no restaurante Nusr-Et Steakhouse, comandado pelo chef turco Salt Bae.
O caso ganhou repercussão nacional depois que documentos da Polícia Federal apontaram que Vorcaro pediu uma experiência exclusiva para Castro, incluindo carnes folheadas a ouro, vinhos premium e champanhes internacionais.
Como é o famoso “bife de ouro”
O chamado bife de ouro se tornou um dos pratos mais conhecidos da alta gastronomia mundial. A iguaria utiliza cortes nobres, como Tomahawk e Wagyu, carnes valorizadas pelo elevado nível de marmorização, que garante maciez e sabor intenso.
Após o preparo na grelha, o corte recebe delicadas folhas de ouro comestível de 24 quilates. O metal é aplicado diretamente sobre a carne ainda quente e cria o visual luxuoso que viralizou nas redes sociais.
Filé com ouro em restaurante do chef turco Salt Bae — Foto: Reprodução
Apesar da aparência extravagante, o ouro não altera o sabor da carne. Especialistas e críticos gastronômicos afirmam que ele funciona apenas como elemento visual e símbolo de ostentação. Ainda assim, o espetáculo à mesa ajudou a transformar o prato em febre mundial.
Os preços impressionam. Dependendo do restaurante e do corte escolhido, o prato pode custar entre R$ 1,5 mil e mais de R$ 10 mil. Em Londres, por exemplo, versões do famoso tomahawk dourado chegaram a ultrapassar US$ 1 mil.
O sucesso do prato também está ligado ao forte apelo visual. Vídeos publicados por Salt Bae, mostrando o preparo teatral das carnes e o famoso gesto de salgar os cortes com o braço inclinado, viralizaram na internet e transformaram o chef em meme global.
Redes sociais de Salt Bae mostram malabarismo no preparo de carnes — Foto: Reprodução/Instagram
O chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae, nasceu em 1983, na Turquia, e começou a trabalhar ainda jovem como aprendiz de açougueiro em Istambul.
Entre 2007 e 2010, ele viajou para países como Argentina e Estados Unidos para aperfeiçoar técnicas de preparo de carnes. Depois disso, abriu o primeiro restaurante da rede Nusr-Et, em 2010.
A fama mundial veio em 2017, quando vídeos mostrando seu jeito teatral de cortar carnes e jogar sal viralizaram nas redes sociais. O gesto virou meme e ajudou a transformar o chef em um fenômeno da internet.
Jantar de luxo e a investigação da Polícia Federal
Segundo documentos obtidos pela GloboNews, Daniel Vorcaro orientou assessores a organizarem uma experiência diferenciada para Cláudio Castro durante viagem oficial aos Estados Unidos.
“Pede aquela carne de ouro ou alguma especial pra ele ir”, escreveu o banqueiro, conforme a investigação.
A PF afirma ainda que Vorcaro autorizou a compra do vinho Vega-Sicilia Único 2013 e de champanhes internacionais, como Dom Pérignon On Ice e Cristal.
O relatório também indica que funcionários do restaurante informaram que Salt Bae estaria presente no local e atenderia pessoalmente a mesa.
Embora Vorcaro não tenha participado diretamente do jantar, investigadores localizaram um pagamento de US$ 13,3 mil em seu cartão na mesma data do encontro, valor equivalente a cerca de R$ 66 mil na cotação da época.
Castro elogia jantar com Vorcaro — Foto: Reprodução/TV Globo
O jantar ocorreu em maio de 2023, durante a viagem de Cláudio Castro aos Estados Unidos para participar do LIDE Brazil Investment Forum. Meses depois, o Rioprevidência realizou aportes milionários no Banco Master.
Segundo a investigação, o fundo aplicou inicialmente R$ 40 milhões na instituição financeira em novembro de 2023. Pouco depois, houve novos aportes de R$ 80 milhões e R$ 200 milhões.
Os documentos foram enviados ao ministro do STF André Mendonça, relator dos inquéritos relacionados ao caso. A defesa de Cláudio Castro afirma que não houve irregularidades. Já o Banco Master sustenta que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais.