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  • Conheça a nova uva branca da Embrapa para o Sul do País

    Conheça a nova uva branca da Embrapa para o Sul do País

    A Embrapa lançou a BRS Pérola, nova cultivar de uva branca sem sementes voltada aos produtores da região Sul do Brasil. A novidade une alta produtividade ao manejo simplificado e chega ao mercado como alternativa à tradicional uva Itália, que contém sementes. Avaliações na Serra Gaúcha e em Santa Catarina, em parceria com a Epagri, apontam potencial produtivo de até 30 toneladas por hectare com uso de cobertura plástica.

    A baga alongada é um dos atrativos da BRS Pérola, como mostra o pesquisador João Dimas Maia – Foto: Viviane Zanella/Embrapa

    “O aumento do turismo rural e do enoturismo vem estimulando os investimentos no plantio de uvas de mesa para venda na propriedade, no sistema ‘colha e pague’. Consegue-se, assim, ampliar os lucros com a venda direta aos consumidores”, afirma João Maia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho (RS).

    Segundo Maia, os produtores buscam um portfólio diversificado, mas também exigem produtividade e facilidade de manejo. A BRS Pérola atende a essa demanda: suas bagas têm formato alongado, textura crocante e firme, sabor neutro e equilíbrio entre açúcares e acidez. Características similares às da Thompson Seedless, referência no mercado de uva branca sem sementes do Vale do São Francisco.

    Um dos principais atrativos da cultivar é o cacho mais solto, de baixa compacidade, que facilita o raleio e reduz a demanda por mão de obra. “As plantas apresentam boa fertilidade de gemas em varas médias e isso permite alcançar produtividades entre 25 e 30 toneladas por hectare com poda mista”, destaca a pesquisadora Patrícia Ritschel, coordenadora do programa Uvas do Brasil.

    A pesquisadora Patrícia Ritschel (foto à esquerda), uma das coordenadoras do programa Uvas do Brasil. Foto: Viviane Zanella

    Produtor que testou a cultivar aposta no sucesso

    O viticultor Jair Freiberger, de Alto Feliz (RS), está no terceiro ano de produção da BRS Pérola e não esconde o entusiasmo. “A baga mais alongada, a coloração amarelo-vivo e a crocância vão conquistar os clientes”, avalia. Seu parreiral de quase um hectare reúne diferentes cultivares e opera no sistema “colha e pague”. Freiberger acredita que o público jovem vai preferir a BRS Pérola à uva Itália justamente pela ausência de sementes.

    Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin, o lançamento reforça o compromisso da instituição com soluções de impacto direto no campo. “A BRS Pérola será uma alternativa para a Serra Gaúcha capaz de agregar valor à produção, fortalecer a viticultura de mesa e reafirmar o papel da ciência pública como instrumento de desenvolvimento, inovação e sustentabilidade para a agricultura brasileira”, diz.

    Da pesquisa ao campo

    A Embrapa desenvolveu a BRS Pérola a partir de um cruzamento genético realizado em 2004. Após anos de testes e validações, a empresa definiu o sistema de produção adequado à região Sul. A cultivar não tem recomendação para o Semiárido Brasileiro.

    Na Serra Gaúcha, as bagas atingem cerca de 18 milímetros de diâmetro após aplicação de ácido giberélico. O ciclo desde o início da brotação até o final da maturação, sob cobertura plástica, dura 170 dias, com colheita em fevereiro. O que classifica a BRS Pérola como cultivar de ciclo médio na região.

    A recomendação para cultivo prevê sistema de latada, espaçamento de 2,50 metros entre filas e 2,00 metros entre plantas, sobre o porta-enxerto Paulsen 1103, sempre com cobertura plástica. “O uso da cobertura é fundamental para garantir a produção de uvas de mesa de qualidade na Região Sul”, observa Ritschel.

    Como adquirir as mudas

    A BRS Pérola chega ao mercado pelos viveiros licenciados Viecelli Viveiros (Videira/SC) e MP Mudas (Vacaria/RS), que já recebem pedidos para mudas de 2026. Outros viveiristas licenciados podem adquirir material básico diretamente pela Estação Experimental de Canoinhas/SC (e-mail: [email protected] | tel.: (47) 3627-4199). As reservas acontecem entre abril e junho, com entregas a partir da segunda quinzena de julho.

    O agrônomo Daniel Grohs, responsável pelo Programa de Mudas de Qualidade da Embrapa, orienta os viticultores a fazerem o pedido com um ano de antecedência. “O plantio deve acontecer na primavera, pois são mudas do tipo ‘raiz nua’, fora de substrato e em estágio de dormência”, esclarece. Grohs recomenda ainda que o produtor inspecione a qualidade das mudas ao recebê-las, de preferência com o viveirista presente.

    A BRS Pérola se junta a outras cultivares sem sementes da Embrapa já disponíveis para a região Sul: BRS Vitória (preta, sabor framboesa, a mais produzida no Brasil), BRS Isis (vermelha, tardia, sem necessidade de ácido giberélico no Sul) e BRS Melodia (rosada, sabor tutti-frutti, alta tolerância à antracnose).

  • Rio Grande do Sul projeta safra recorde de uva para 2025/2026

    Rio Grande do Sul projeta safra recorde de uva para 2025/2026

    O Rio Grande do Sul, maior produtor de uvas do Brasil, projeta uma safra de 905.291 toneladas para a temporada 2025/2026, superando a média histórica tanto em volume quanto em regularidade produtiva. O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Thompsson Didone, acompanha o desenvolvimento da cultura no Estado e confirma as perspectivas positivas para a colheita.

    A viticultura gaúcha movimenta 15 mil famílias, em sua maioria agricultores familiares, que cultivam diretamente as parreiras. O setor tem forte impacto social e econômico na região.

    O Estado cultiva aproximadamente 42,4 mil hectares de uva, sendo que a Serra Gaúcha concentra 36,6 mil hectares dessa área. A região consolida sua posição como o maior polo de produção e processamento de uvas do país.

    “A maior parte dessa área destina-se à uva para processamento industrial, que a indústria utiliza na elaboração de vinhos, sucos e espumantes. No entanto, o Estado também conta com uma área expressiva de mais de 3 mil hectares de uva de mesa, voltada ao consumo in natura”, detalha Didone.

    O extensionista rural mantém expectativas positivas para a safra atual. “Em termos de quantidade, a safra deve superar uma safra considerada normal. Tivemos um inverno com frio adequado e de boa qualidade, o que é fundamental para o bom desenvolvimento das videiras”, explica.

    Inverno com 400 horas de frio impulsiona desenvolvimento das videiras

    As condições climáticas do inverno de 2025 determinaram o bom desempenho da safra. Segundo Didone, as videiras necessitam de um número mínimo de horas de frio abaixo de 7,2 °C para garantir brotação uniforme e boa formação dos cachos. As variedades americanas demandam entre 150 e 250 horas, enquanto algumas uvas viníferas exigem até 400 horas de frio.

    “Nesse ano, em várias regiões do Estado, superamos as 400 horas de frio, com temperaturas estáveis, sem oscilações bruscas. Isso permitiu uma excelente emissão de brotos e cachos, refletindo diretamente no potencial produtivo da safra”, destaca Didone.

    Colheita atrasa 15 dias, mas mantém qualidade elevada

    Apesar do bom desenvolvimento das plantas, a colheita começou com um atraso de 10 a 15 dias em relação a uma safra considerada normal. As temperaturas mais baixas e a menor incidência de sol no mês de setembro retardaram o desenvolvimento vegetativo das videiras.

    “Esse atraso não interferiu na qualidade da uva. Apenas alongou o ciclo”, ressalta o extensionista rural. As primeiras vinícolas já iniciaram o processo de industrialização, que deve se intensificar nas próximas semanas.

    A previsão indica uma safra com duração de um mês e meio a dois meses, dependendo das condições climáticas ao longo do período de colheita.

    Uvas americanas dominam 85% da produção estadual

    Aproximadamente 85% da produção estadual compõe-se de uvas americanas e híbridas, enquanto as viníferas representam entre 12% e 15% da área plantada. As variedades americanas e híbridas apresentam, em geral, produção superior à média.

    Entre as viníferas, a produção também se mostra acima do normal, com destaque para a Chardonnay, variedade importante para a elaboração de vinhos finos e, especialmente, de espumantes, um dos principais produtos da Serra Gaúcha.

    Thompsson Didone ressalta que as avaliações de qualidade ainda são parciais. “A uva que as vinícolas recebem até o momento apresenta boa qualidade. Ainda é cedo para uma avaliação definitiva, pois a qualidade depende muito das condições climáticas semana a semana, como períodos de chuva ou maior insolação”, explica.

    Emater estima aumento de até 10% na safra 2025/2026

    A estimativa preliminar da Emater/RS-Ascar indica que a safra 2025/2026 deverá apresentar um acréscimo de 5% a 10% em relação a uma safra normal. Se comparada à safra passada, que já alcançou bons resultados, o aumento deve ficar em torno de 5%.

    “São informações iniciais. Ao longo da safra, seguiremos acompanhando e divulgando novos informativos sobre a evolução da colheita e da qualidade da uva”, conclui Didone.

    Regularidade climática e desenvolvimento indicam possibilidade de safra histórica

    A vindima, que é a colheita da uva, da vinícola Lidio Carraro ainda está em andamento, mas os sinais que vêm do vinhedo animam os produtores. A colheita segue até março e, até agora, o ciclo tem apresentado regularidade, sanidade e um desenvolvimento que agrada quem acompanha a videira de perto.

    Foto: Vinhedos Lidio Carraro

    Juliano Carraro, diretor comercial da vinícola, avalia positivamente o início do ano. As brotações ocorreram de forma uniforme, a produtividade alcança bons níveis e a sanidade das plantas chama atenção. “Tivemos um comportamento climático favorável em todos os aspectos até o momento, o que indica que podemos ter uma safra com excelentes resultados”, resume.

    Vinhedos escapam de granizo que atingiu outras regiões do sul

    Mesmo com registros de granizo em outras áreas do Sul do país, os vinhedos da Lidio Carraro passaram ilesos. “Esses eventos não atingiram nossas áreas, felizmente”, explica Juliano. Um detalhe que faz diferença quando se pensa em qualidade lá na frente.

    Do ponto de vista técnico, Giovanni Carraro, enólogo da casa, destaca que a safra teve um ritmo muito correto de desenvolvimento, sem extremos. “A videira se desenvolveu nos tempos certos, com uma velocidade média de maturação. Não tivemos períodos prolongados de temperaturas abaixo da média, o que é muito positivo”, explica.

    Esse comportamento climático tende a impactar diretamente o estilo dos vinhos. De acordo com Giovanni, a expectativa aponta para uvas com bagas menores e plantas com menor vigor vegetativo. Na prática, isso costuma resultar em vinhos mais concentrados. “Em termos gerais, deveremos ter vinhos com alta concentração aromática e polifenólica”, afirma.

    Para as variedades mais tardias, cuja colheita acontece ao longo de março, ainda é cedo para conclusões definitivas. Mas o cenário segue favorável. A tendência, segundo o enólogo, aponta para uma safra acima da média em qualidade e, para muitas uvas, também em produtividade.

    Safra 2026 pode entrar para linha especial

    Naturalmente, começa a surgir a pergunta que sempre ronda anos promissores: existe chance de termos vinhos da linha Grande Vindima? Na Lidio Carraro, esse selo fica reservado a safras realmente especiais, como 2012, 2013, 2018 e 2020. Giovanni prefere manter a cautela. “Essa definição só pode ocorrer no dia da colheita. São muitos fatores envolvidos. A expectativa é boa, mas só poderemos confirmar nos próximos 60 dias”, pondera.

    Foto: Vinhedos Lidio Carraro

    Além do aspecto técnico, 2026 carrega também um simbolismo especial para a vinícola. O ano marca mais uma Copa do Mundo, e a Lidio Carraro tem uma relação histórica com o futebol. Em 2014, a vinícola forneceu os vinhos oficiais da Copa do Mundo no Brasil, um marco que projetou a marca internacionalmente e reforçou sua vocação para grandes momentos.

  • Safra de uva no RS deve superar 900 mil toneladas em 2026

    Safra de uva no RS deve superar 900 mil toneladas em 2026

    A safra de uva 2025/2026 no Rio Grande do Sul deve ultrapassar 900 mil toneladas, segundo estimativa divulgada pela Emater/RS-Ascar. O volume previsto é de 905,3 mil toneladas, representando aumento de até 10% em relação à temporada anterior.

    Secretário da Agricultura, Edivilson Brum, representou o governo do Estado no evento. Foto: Emerson Foguinho/ Farsul

    Maior produtor de uvas destinadas à indústria no Estado, Flores da Cunha sediou nesta semana a 1ª Abertura Nacional da Colheita da Uva. O evento que reuniu autoridades, produtores e lideranças da cadeia vitivinícola na Vinícola Luiz Argenta, na Serra Gaúcha.

    Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com 42,4 mil hectares de parreirais voltados à produção industrial e 3,4 mil hectares destinados ao consumo in natura. No município de Flores da Cunha, cerca de 1,5 mil famílias vivem diretamente da vitivinicultura, consolidando o território como uma das principais referências do setor no país.

    O secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum, destacou a força da atividade. “A estimativa de uma safra superior a 900 mil toneladas confirma o trabalho qualificado das famílias produtoras e a importância estratégica da vitivinicultura para o desenvolvimento regional”, afirmou.

    Já o secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini, ressaltou o papel da colheita na valorização do enoturismo. “A colheita da uva vai além da produção agrícola. Ela se traduz em experiência turística, identidade cultural e desenvolvimento regional”, disse.

    Também participaram do evento o prefeito de Flores da Cunha, César Ulian, além de representantes estaduais e municipais.

  • Rio Grande do Sul abre colheita da uva com otimismo

    Rio Grande do Sul abre colheita da uva com otimismo

    Com expectativa de superar os resultados do ano passado, a colheita da uva 2026 foi aberta oficialmente neste sábado (10), em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O evento simbólico ocorreu na Vinícola Salton, no distrito de Tuiuty, e marcou também a abertura do programa Bento em Vindima 2026.

    Foto: José M. Estefanon/ Prefeitura de Bento Gonçalves

    A solenidade contou com a presença do secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, que representou o governador Eduardo Leite, além de autoridades estaduais e municipais e lideranças do setor.

    Expectativa de safra farta

    As condições climáticas favoráveis durante o inverno impulsionaram o desenvolvimento das videiras, e a perspectiva é de uma safra igual ou superior à de 2025, quando a produção alcançou 957 mil toneladas de uvas, segundo dados do IBGE. O resultado representou um crescimento de 36% em relação à safra de 2024, que havia totalizado 703 mil toneladas.

    O Rio Grande do Sul se mantém como o maior produtor nacional de uvas e vinhos, com uma cadeia produtiva que envolve aproximadamente 15 mil famílias distribuídas em cerca de 48 mil hectares de parreirais.

    Setor vitivinícola é destaque econômico

    Durante o evento, o secretário Edivilson Brum destacou a relevância da agropecuária para a economia estadual. “A agricultura responde por cerca de 40% do PIB do Estado. Aqui, na Capital do Vinho, celebramos o trabalho e a dignidade de quem cultiva a terra com esforço e dedicação. Que possamos alcançar uma safra expressiva e contar com o clima a favor dos produtores”, afirmou.

    O prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Siqueira, também ressaltou a importância do setor para o município. “Abrir a vindima é valorizar o vinho como resultado do trabalho agrícola e da história de cada família. Mesmo diante dos desafios climáticos, seguimos firmes, defendendo o vinho nacional e o produtor rural”, disse.

    Incentivos e investimentos no setor

    Para fortalecer a competitividade da vitivinicultura, a Seapi e o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis) mantêm um termo de cooperação que destina R$ 44,3 milhões, via Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis), para ações de modernização, promoção e sustentabilidade do setor.

    Os investimentos buscam ampliar a presença dos vinhos gaúchos nos mercados nacional e internacional. Reforçando a imagem do Estado como referência na produção de uvas e vinhos de qualidade.

  • Agricultores familiares recebem novo impulso com aporte do Governo Federal

    Agricultores familiares recebem novo impulso com aporte do Governo Federal

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou um investimento de R$ 14,6 milhões para comprar arroz, uva e pescados de agricultores familiares por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra Institucional. Cooperativas e associações podem enviar as propostas até 25 de dezembro.

    O programa busca garantir renda aos pequenos produtores e fortalecer o abastecimento de equipamentos públicos de alimentação. Segundo a Conab, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) repassará os recursos e coordena as ações de combate à insegurança alimentar.

    No Paraná, o órgão destinará cerca de R$ 4 milhões para a compra de 705 toneladas de arroz polido de agricultores familiares, conforme o Comunicado Compra Institucional nº 11/2025. As entregas ocorrerão nas unidades armazenadoras da Conab e nas estruturas do PAA no estado, seguindo cronograma acordado entre as partes.

    O Rio Grande do Sul será outro estado beneficiado. De acordo com o Comunicado nº 12/2025, o investimento previsto de R$ 2 milhões financiará a aquisição de 606 mil unidades de suco de uva integral (200 ml cada). Os produtos serão entregues nas unidades da Conab gaúchas e direcionados a programas de segurança alimentar.

    Pescadores artesanais

    Já os pescadores artesanais de São Paulo e do Rio de Janeiro contarão com R$ 8 milhões para fornecer mais de 200 toneladas de pescado, segundo o Comunicado nº 13/2025. As entregas serão feitas ao longo de 12 meses às cozinhas solidárias cadastradas pelo MDS. Os preços de referência estão disponíveis nas superintendências regionais da Conab em ambos os estados.

    Cada família participante do programa pode comercializar até R$ 30 mil por ano. Mesmo que também forneça produtos ao PNAE ou a outras modalidades do PAA. Já as cooperativas e associações podem participar com até R$ 6 milhões por ano, e mulheres devem apresentar pelo menos 50% das propostas.

    O site da Conab reúne os comunicados oficiais e permite consultar os critérios de pontuação, os prazos e os valores de referência. A estatal deve divulgar o resultado da classificação das organizações inscritas em 26 de dezembro.

    A Compra Institucional permite que o governo adquira alimentos diretamente da agricultura familiar, garantindo preços justos e apoio à produção local.

  • Ciência e união vencem fungo e recupera 95% da produção de uvas Niágara

    Ciência e união vencem fungo e recupera 95% da produção de uvas Niágara

    Uma colaboração estratégica entre Embrapa, órgãos estaduais e prefeituras paulistas conseguiu reverter uma das piores crises já enfrentadas pela viticultura do estado. O Plano Emergencial de Controle à Podridão Madura da Uva recuperou 95% da produção de uvas Niágara em propriedades do Circuito das Frutas, principal polo vitícola de São Paulo.

    Em 2024, a região foi assolada por uma epidemia da podridão da uva madura, causada pelo fungo Glomerella cingulata. A doença dizimou lavouras inteiras em Jundiaí, Louveira, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Indaiatuba e Elias Fausto, com perdas chegando a 100% em algumas propriedades.

    “A doença ainda persiste em alguns parreirais, mas com incidência bem menor”, explica Sérgio Mesquita Pompermaier, diretor do Departamento de Agronegócio da Prefeitura de Jundiaí.

    O impacto foi tão severo que chegou a ameaçar eventos tradicionais como a Festa da Uva de Jundiaí.

    Ciência e técnica como salvação

    O plano selecionou 13 propriedades rurais para aplicação de protocolo científico desenvolvido pela Embrapa Uva e Vinho (RS) e Embrapa Territorial (SP). As propriedades que seguiram 100% das orientações técnicas alcançaram índices de recuperação de até 95%, enquanto outras obtiveram melhorias de até 70%.

    Lucas Garrido, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, identificou que a epidemia resultou de uma combinação fatal: temperaturas acima da média, umidade constante e presença de restos culturais contaminados. Porém, os prejuízos foram amplificados por falhas no manejo.

    “Em alguns casos, o produto certo estava na propriedade, mas não foi utilizado. Ou foi aplicado de forma errada”, destaca Rafael Mingoti, analista da Embrapa Territorial e coordenador da iniciativa.

    Do desespero ao sucesso: história de superação

    Atalívio Rufino, produtor de Elias Fausto, exemplifica a transformação possível. Em 2024, perdeu quase toda a produção. Assim, ele foi obrigado a dispensar funcionários. Sua propriedade, selecionada para os experimentos da Embrapa, hoje colhe os frutos da mudança de manejo.

    Cacho de videira de Niágara rosada com unidades apodrecidas. Foto: Rafael Mingoti/Embrapa

    “Antes, retirávamos os galhos e cachos que apodreciam sem tanto zelo. Agora, estamos retirando, queimando ou descartando longe. Também regularizamos o equipamento e aumentamos o volume de calda”, relata o produtor.

    Protocolo técnico baseado em evidências

    O protocolo desenvolvido inclui práticas integradas de controle:

    • Eliminação rigorosa de restos culturais infectados
    • Aplicações preventivas durante dormência hibernal
    • Uso de fungicidas eficazes em estágios estratégicos (floração, grão-ervilha, pré-fechamento do cacho)
    • Alternância entre produtos sistêmicos e de contato
    • Ajuste e calibragem adequada de pulverizadores
    • Utilização de produtos biológicos na maturação final

    Pesquisa avança para protocolo definitivo

    Estudos conduzidos pelo Instituto Biológico estão identificando as espécies do fungo Colletotrichum presentes na região. A diversidade encontrada explica a variabilidade de resposta aos tratamentos e reforça a importância do diagnóstico preciso.

    “Ainda não é possível afirmar se há resistência a algum fungicida, mas uma possível presença de múltiplas espécies reforça a importância de conhecer bem as causas do problema”, explica Mingoti.

    Os dados coletados embasarão uma proposta submetida à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para desenvolvimento de sistema de aviso e protocolo consolidado de manejo integrado.

    Capacitação técnica em setembro

    Os resultados e recomendações serão apresentados em eventos técnicos nos dias 16 e 18 de setembro. O seminário ocorrerá na Associação Agrícola de Jundiaí (13h30-18h30), enquanto o Dia de Campo acontecerá no Sítio Dois Irmãos, em Elias Fausto (14h-17h).

    Equipe da Embrapa e produtor durante acompanhamento de ensaios na propriedade de Atalívio Rufino – Foto: Atalívio Rufino/Embrapa

    Apesar do sucesso, os especialistas alertam que não é momento para relaxar. “Não é hora de abaixar a guarda”, reforça Mingoti. “É essencial manter a vigilância, aplicar corretamente os defensivos e eliminar restos culturais. Só assim vamos consolidar os avanços obtidos.”

    A recuperação da viticultura paulista demonstra como a parceria entre ciência e produtores pode superar desafios aparentemente impossíveis, garantindo a sustentabilidade de uma atividade econômica centenária e tradicional do estado.

  • Pesca na Lagoa de Araruama gera R$ 3,9 milhões no primeiro semestre

    Pesca na Lagoa de Araruama gera R$ 3,9 milhões no primeiro semestre

    A pesca na Lagoa de Araruama movimentou cerca de R$ 3,9 milhões na economia local de janeiro a junho de 2025. O dado considera apenas a primeira venda do pescado, realizada diretamente pelos pescadores. A informação vem do Programa da Estatística Pesqueira da Lagoa de Araruama, ação da Universidade Veiga de Almeida (UVA) em parceria com a Prolagos, que monitora o setor desde 2022.

    No primeiro semestre, os pescadores capturaram 258.559 quilos de peixes e camarões, com preço médio de R$ 15 por quilo na primeira venda. São Pedro da Aldeia lidera a produção regional, com 145.963 quilos, equivalente a 56% do total. Cabo Frio, Arraial do Cabo e Iguaba Grande aparecem em seguida, com volumes de 56.150 kg, 32.660 kg e 23.786 kg, respectivamente.

    Entre 2022 e 2024, pesquisadores da UVA entrevistaram 197 pescadores para traçar o perfil socioeconômico da categoria. A maioria tem entre 36 e 50 anos. Segundo Eduardo Pimenta, coordenador do projeto, a ausência de jovens no setor representa um alerta para a sucessão na atividade. Ele destaca que fatores econômicos e sociais levam os jovens a buscar outras oportunidades fora da pesca.

    Método

    Para coletar os dados, o grupo usa o método censitário baseado nos Mapas de Bordo, ou seja, os agentes de campo registram as informações oficiais da pesca.

    O estudo também estimou o impacto da cadeia produtiva da pesca na geração de empregos. A pesca lagunar direta emprega 513 pessoas, enquanto setores relacionados, como culinária, transporte, construção naval e comércio de insumos, sustentam outros 2.052 empregos indiretos. Em outras palavras, cada trabalho direto gera cerca de quatro empregos adicionais na região.

    Quanto à renda, 66% dos pescadores declararam ganhar menos que três salários mínimos. Outros 23% recebem entre três e cinco salários, e apenas 11% declararam rendas acima disso. Porém, Pimenta ressalta que a renda varia conforme o município, influenciada pela organização comunitária, oferta de empregos sazonais e políticas locais de apoio à pesca.

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  • Brasil diversifica mercados após ameaça de tarifas americanas sobre frutas tropicais

    Brasil diversifica mercados após ameaça de tarifas americanas sobre frutas tropicais

    Os Estados Unidos preparam novas tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros para o início do mês. A medida vai além das tradicionais exportações de laranja e café. Agora, frutas frescas como manga e uva também enfrentam a ameaça do “tarifaço” americano.

    O setor frutícola brasileiro acende o sinal de alerta. Produtores temem impactos diretos já no segundo semestre de 2025, período crucial para as exportações dessas culturas.

    A manga deve sentir os efeitos mais rapidamente. As exportações para o mercado norte-americano começam em agosto. O timing preocupa produtores que planejavam uma safra otimista, baseada na valorização cambial e na recuperação dos polos frutíferos nordestinos.

    A região Nordeste concentra a produção de manga destinada ao exterior. Os produtores locais contavam com o cenário favorável para expandir negócios com os EUA.

    Uva brasileira perde competitividade

    A uva de mesa brasileira também entra na zona de risco. A colheita para exportação inicia na segunda quinzena de setembro, especialmente no Vale do São Francisco.

    O produto brasileiro ganhou espaço no mercado americano nos últimos anos. A qualidade e variedade das uvas nacionais conquistaram consumidores dos EUA. Porém, as novas tarifas podem beneficiar concorrentes de outros países.

    Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, vê oportunidade na crise. “É hora de diversificar e construir novos parceiros comerciais”, afirma o executivo. “Essa tarifa não é o fim da lavoura, mas o sinal para defender nossa produção com estratégia.”

    O setor se mobiliza para encontrar saídas viáveis. Antes das ameaças tarifárias, produtores projetavam crescimento nas exportações de frutas frescas para os EUA.

    União Europeia como alternativa principal

    Especialistas apontam dois caminhos para os produtores brasileiros. O primeiro envolve a diversificação de mercados internacionais. O segundo foca no fortalecimento do mercado interno.

    A União Europeia surge como destino natural. O bloco europeu já conhece os protocolos fitossanitários brasileiros. Reino Unido, Emirados Árabes, Canadá e países asiáticos também ampliam o consumo de frutas tropicais.

    O mercado doméstico pode absorver volumes maiores de frutas. Porém, essa estratégia pressiona os preços ao produtor. A situação exige atenção redobrada à logística, qualidade e negociação com grandes redes varejistas.

    Produtores precisam se preparar para margens menores no mercado interno. A competição com frutas importadas também pode intensificar.

    Governo articula medidas de apoio

    Entidades do setor produtivo buscam apoio do governo federal. As propostas incluem crédito emergencial, estímulo à abertura de novos mercados e atuação diplomática.

    O objetivo é reverter ou minimizar os efeitos das tarifas americanas. A organização da cadeia produtiva torna-se fundamental para manter a competitividade brasileira.

    “Estamos comprometidos em levar tecnologia e inovação para o campo”, destaca Leonardo Sodré. O executivo defende investimentos em pesquisa e desenvolvimento como caminho para uma agricultura sustentável.

    A combinação de tecnologia com conhecimento do produtor pode fortalecer o setor. A estratégia visa manter a relevância do Brasil no mercado global de frutas frescas, mesmo diante das adversidades comerciais.

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  • Veja qual foi eleito o melhor vinho tinto do Brasil

    Veja qual foi eleito o melhor vinho tinto do Brasil

    O vinho Sacramentos Sabina Syrah Seleção de Parcelas 2024, produzido na Serra da Canastra (MG), conquistou o título de Melhor Tinto Brasileiro no Guia Descorchados 2025. Essa é a terceira vez que o rótulo recebe a premiação em apenas quatro safras, consolidando sua relevância no mercado.

    A origem do vinho premiado

    Foto: Divulgação – Sacramentos Vinifer

    A Sacramentos Vinifer assina a produção do vinho. A vinícola iniciou suas atividades em novembro de 2018, quando plantou as primeiras mudas de Syrah e Sauvignon Blanc no Vinhedo São Miguel, localizado na cidade de Sacramento (MG). Até então, a região não era considerada viável para a produção de uvas de alta qualidade.

    A primeira safra da vinícola, em 2021, resultou no Sacramentos Sabina Syrah. O vinho estreou com uma Medalha de Prata no Decanter World Wine Awards 2022, principal concurso de vinhos do mundo. No mesmo ano, também recebeu a maior pontuação entre os vinhos brasileiros no Guia Descorchados. Em 2023, o rótulo foi eleito o Melhor Tinto pela publicação.

    Jorgito Donadelli, cofundador da Sacramentos Vinifer, destaca que o Sabina Syrah Seleção de Parcelas 2024 representa um avanço no trabalho da vinícola. “Esse vinho reafirma nossa busca por um ícone brasileiro”, afirma. O enólogo-chefe da Sacramentos, Alejandro Cardozo, observou diferenças em algumas parcelas do vinhedo e realizou uma seleção especial das uvas Syrah para criar o rótulo.

    Nome do vinho

    Foto: Divulgação – Sacramentos Vinifer

    O nome do vinho homenageia a matriarca da família, Sabina, de origem calabresa. Ela apreciava vinhos enquanto cozinhava no fogão a lenha e transmitia aos filhos histórias de seus antepassados, que produziam vinhos na Itália. Seu filho Jorge, pai de Jorgito, seguiu a tradição familiar e inspirou a criação do rótulo.

    O lançamento do Sabina Syrah Seleção de Parcelas 2024 está previsto para março. O vinho estará à venda no site da Sacramentos Vinifer e nas lojas World Wine.

    Que tal aprender a produzir vinhos e suco de uva?

    A Embrapa Uva e Vinho oferece mais uma edição do Curso de Elaboração de Vinhos e Suco de Uva. Ou seja, produtores, estudantes e profissionais interessados na produção de vinhos tintos, brancos e suco de uva podem participar do curso totalmente online.

    Em geral, serão duas turmas em 2025. A primeira ocorre de 10 de março a 4 de abril, e a segunda, de 14 de abril a 9 de maio. Portanto, os interessados devem acessar a plataforma e-Campo e pagar a inscrição no valor de R$ 350,00.

    Além disso, Rodrigo Monteiro, coordenador do curso, destaca que a versão online ampliou o alcance da capacitação. “Temos participantes de todo o Brasil e até do exterior”, afirma.

    A Embrapa dividiu o curso em quatro módulos: Vitivinicultura Geral, Processos de Elaboração de Vinhos, Processos de Elaboração de Suco de Uva e Análise Sensorial. Em resumo, o conteúdo inclui apostilas, videoaulas e publicações complementares. Também haverá transmissões ao vivo para tirar dúvidas.

    As inscrições para a Turma 1 vão até 10 de março, e para a Turma 2, até 14 de abril. Portanto, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail: [email protected] ou pelo WhatsApp (54) 3455-8082.

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  • Safra de uva 2025 promete recorde e impulsiona indústria

    Safra de uva 2025 promete recorde e impulsiona indústria

    A safra de uvas de 2025 sinaliza um ano histórico para o Brasil, com projeções otimistas que apontam para um crescimento significativo na produção. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a expectativa é de que a colheita alcance entre 650 e 700 milhões de quilos, superando a produção nacional de 703 mil toneladas em 2024.

    A retomada da produção, após desafios climáticos em 2024, é impulsionada por condições climáticas favoráveis e pela adoção de tecnologias inovadoras nas colheitas. O Valor Bruto da Produção (VBP) da safra de 2024 atingiu R$ 1,68 bilhão, mesmo com a redução no volume, e a produção destinada à indústria totalizou 485,5 mil toneladas, de acordo com dados do Sistema de Declarações Vinícolas (Sisdevin).

    Empresa celebra safra de uvas promissora e fortalece parcerias

    A Zanlorenzi Bebidas, uma empresa do setor, celebra a perspectiva de uma safra de alta qualidade e volumes recordes em 2025. A empresa destaca a Serra Gaúcha (RS) e o Vale do São Francisco (PE) como regiões estratégicas, onde as condições climáticas e a inovação têm contribuído para superar as dificuldades das safras anteriores.

    “O aumento expressivo na produção de uvas em 2025 não só traz benefícios diretos para nossa companhia. Mas  também reforça a importância do setor vitivinícola para a economia brasileira”, afirma Mateus Poggere, Diretor de Produto e Estratégia da Zanlorenzi Bebidas.

    No Vale do São Francisco, a Zanlorenzi utiliza alta tecnologia agronômica, como a fertirrigação, para viabilizar o cultivo de variedades como Magna, Violeta, Carmem, Isabel e Moscato Itália. Na Serra Gaúcha, terroir pioneiro e tradicional, são colhidas uvas Bordô, Isabel, Niágara, Merlot, Moscato e Chardonnay, reconhecidas por sua estrutura e complexidade.

    Solo e clima influenciam

    As características do solo e clima de cada região influenciam na qualidade das uvas. No Vale do São Francisco, as uvas são mais doces e aromáticas, ideais para sucos e espumantes. Já na Serra Gaúcha, a maior amplitude térmica resulta em uvas mais estruturadas, perfeitas para vinhos.

    A Zanlorenzi investe em pesquisa e inovação, em parceria com instituições como a Embrapa, para melhorar a produtividade, o manejo sustentável e a mecanização. A empresa também oferece suporte técnico aos produtores parceiros do Rio Grande do Sul, incorporando as últimas tendências e tecnologias.

    Para enfrentar desafios climáticos e econômicos, a empresa diversifica suas bases produtivas e portfólio, além de adotar tecnologias avançadas em manejo e controle fitossanitário. “Nosso olhar é atento ao futuro. Por isso seguimos investindo na expansão de conhecimentos e práticas que elevem ainda mais nosso padrão de qualidade e inovação na produção. Sempre reafirmando nosso compromisso com a excelência no setor de bebidas”, conclui Poggere.

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