Tag: uva

  • Vinhos de inverno avançam no Brasil e safra 2026 deve crescer 15%

    Vinhos de inverno avançam no Brasil e safra 2026 deve crescer 15%

    A colheita de uvas de inverno 2026 já começou em regiões fora do eixo tradicional da vitivinicultura brasileira e reforça a expansão do setor no país. Vinícolas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste iniciaram os trabalhos com expectativa de crescimento de 15% na safra, impulsionado pela ampliação das áreas de plantio.

    Atualmente, 60 vinícolas associadas à Anprovin (Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno) cultivam cerca de 500 hectares de vinhedos. O avanço resulta da consolidação da técnica da Dupla Poda, adotada ao longo das últimas duas décadas e responsável por viabilizar a produção de vinhos finos em novas regiões brasileiras.

    A colheita já ocorre na Chapada Diamantina (BA), com destaque para variedades como Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. No Centro-Oeste, produtores de Goiás e do Distrito Federal intensificam a colheita entre julho e agosto, com ampla diversidade de castas, incluindo Syrah, Chardonnay, Malbec, Tempranillo e Sangiovese. No Sudeste, estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo concentraram a colheita entre junho e julho, com uvas que já originaram rótulos premiados com mais de 90 pontos em guias internacionais.

    Dupla Poda

    A técnica da Dupla Poda, desenvolvida a partir de pesquisas iniciadas em 2000 pelo pesquisador Murilo Regina, inverte o ciclo da videira com duas podas anuais. Esse manejo direciona a colheita para o inverno, período marcado por clima seco, maior insolação e menor incidência de doenças, fatores que favorecem a maturação fenólica e elevam a qualidade das uvas.

    O setor apresenta forte presença de propriedades familiares, que representam cerca de 90% das vinícolas associadas. Esse perfil estimula a diversificação produtiva em áreas tradicionalmente ocupadas por café, grãos e pecuária leiteira. Além de fortalecer a sucessão familiar e a sustentabilidade no campo.

    A qualidade da produção também se apoia em investimentos em tecnologia e controle. O Centro de Análises e Pesquisa da Anprovin/ABDI, em Brasília, recebeu aporte de R$ 3,4 milhões e atua na certificação dos vinhos. O selo da entidade garante rastreabilidade, altitude, lote e origem das uvas.

    Em 2025, os associados produziram cerca de 1,5 milhão de garrafas. Além disso, há aproximadamente 100 novos projetos em desenvolvimento nessas regiões, elevando a área potencial para mais de 1.000 hectares. A expectativa do setor é dobrar a capacidade produtiva até 2030, acompanhando o crescimento do consumo de vinho no Brasil.

    Novos investimentos

    Segundo o presidente da Anprovin, Claudio Góes, o aumento da demanda interna tem incentivado novos investimentos e fortalecido toda a cadeia produtiva. O avanço da safra 2026 também acompanha o reconhecimento internacional dos vinhos de inverno brasileiros, que ganham espaço pela qualidade e pelo diferencial tecnológico.

    Para produtores rurais com condições favoráveis, como altitude, solo bem drenado e inverno seco, a vitivinicultura de inverno se consolida como alternativa rentável e estratégica. Além da produção, o setor impulsiona o enoturismo e contribui para o desenvolvimento econômico de pequenas cidades brasileiras.

  • Recorde: exportação de maçã cresce mais de 200% em seis meses

    Recorde: exportação de maçã cresce mais de 200% em seis meses

    A fruticultura brasileira alcançou um novo marco no comércio internacional no primeiro semestre de 2026. Mesmo diante de um cenário global mais desafiador, o setor registrou avanço simultâneo em receita e em volume embarcado de frutas, impulsionado principalmente pelo desempenho recorde da maçã.

    Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras de frutas somaram US$ 707,9 milhões e 619,1 mil toneladas. O resultado representa um salto de 20,64% em valor e de 13,32% em volume na comparação com o mesmo período de 2025, quando o país faturou US$ 586,8 milhões com o embarque de 546,3 mil toneladas.

    Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), os embarques de manga, maçã, abacate e melancia impulsionaram o desempenho do setor. Já as vendas de uva, banana e melão enfrentaram desafios pontuais na temporada, sem comprometer o resultado geral.

    Waldyr Promicia, presidente da Abrafrutas, atribui o avanço à diversificação de mercados e ao investimento contínuo em tecnologia. “O primeiro semestre confirma a capacidade do setor de responder aos desafios com eficiência, qualidade e abertura de mercados. A diversificação dos destinos, o investimento constante em tecnologia e as ações de promoção comercial das frutas brasileiras, desenvolvidas por meio do projeto Frutas do Brasil, em parceria com a ApexBrasil, têm fortalecido a presença dos nossos produtos no mercado internacional e ampliado as oportunidades para os produtores brasileiros”, destacou o dirigente.

    Maçã registra a maior alta da história e lidera exportações

    A maçã protagonizou o resultado do semestre com expansão histórica de 223,55% em faturamento e 225,11% em volume. Moises Lopes de Albuquerque, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), explica que o salto decorre da maior safra já registrada no país, que sucede dois anos de retração provocada por fatores climáticos. A Índia manteve a liderança entre os compradores, seguida por Arábia Saudita e Rússia.

    mangas
    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    A manga segue entre os principais produtos da pauta exportadora e cresceu 42,41% em valor e 37,96% em volume, resultado da alta qualidade do produto e da consolidação em mercados estratégicos.

    O abacate apresentou expansão de 72,52% em valor e 92,68% em volume. A melhor safra dos últimos cinco anos em São Paulo ampliou a oferta destinada ao exterior.

    A melancia avançou 30,59% em receita e 6,27% em volume, beneficiada pela constância de oferta e pela qualidade da produção do Nordeste.

    O levantamento também identificou avanços nas exportações de limões, limas e mamão, o que reforça a diversificação da pauta brasileira de frutas.

    Uva e banana enfrentam retração no mercado externo

    Algumas culturas sentiram o impacto de gargalos comerciais e climáticos no período. A uva registrou queda de 27,92% em valor e 27,86% em volume. Uma retração conjuntural motivada por incertezas no mercado norte-americano após o anúncio de novas tarifas pelos Estados Unidos, o que desacelerou os embarques.

    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    A banana teve redução de 15,63% em valor e 27,19% em volume. A concorrência no Mercosul pressionou o produto brasileiro, já que frutas vindas do Equador, Bolívia e Paraguai chegaram ao mercado a preços mais competitivos.

    Já o melão sofreu leve queda de 2% no volume embarcado, em razão de impactos climáticos pontuais. Ainda assim, a receita subiu 8,18%, sustentada por preços melhores e pela demanda firme no exterior.

    A Abrafrutas espera manter o ritmo de crescimento na segunda metade do ano. A entidade avalia que a ampliação de novos mercados e a competitividade das frutas brasileiras serão estratégicas para mitigar riscos globais e consolidar um novo recorde anual de exportações do setor.

  • Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

    A entidade informou que a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o impacto da medida sobre o setor. Mesmo assim, parte das vendas brasileiras continuará sujeita à cobrança. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo americano. Segundo ela, a inclusão de novos produtos na lista de exceções preservou 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos.

    Isentos da tarifa

    Entre os produtos excluídos da tarifa estão pescados, mel e café solúvel. De acordo com Mori, a ampliação das exceções ocorreu após atuação técnica da CNA e de outras entidades do setor privado junto ao governo americano. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.

    Madeira, arroz, ovos e açúcar continuam tarifados

    Apesar das exceções, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%. Segundo a CNA, esses produtos movimentaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.

    A entidade também destacou a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções. As autoridades dos EUA afirmaram que alguns produtos brasileiros são essenciais para a indústria americana. Além disso, alegaram oferta insuficiente no mercado interno e risco de impactos em setores estratégicos da economia.

    CNA continuará defendendo o agronegócio brasileiro

    Sueme Mori informou que a CNA acompanhou toda a investigação comercial. A entidade apresentou estudos técnicos e participou de consultas públicas e audiências realizadas em Washington.

    Segundo a diretora, a confederação demonstrou que a competitividade do agronegócio brasileiro resulta de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas. Além disso, a CNA defendeu a exclusão dos produtos agropecuários da medida. Para a entidade, Brasil e Estados Unidos mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial estratégica para ambos os países.

    Mori afirmou que a confederação continuará acompanhando o caso. Também buscará alternativas para reduzir os impactos da tarifa sobre o agronegócio brasileiro. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA”, concluiu.

  • Produção de uva cresce em Goiás e impulsiona turismo

    Produção de uva cresce em Goiás e impulsiona turismo

    A produção de uva em Goiás mais que dobrou entre 2020 e 2024, consolidando o avanço da vitivinicultura no Cerrado e impulsionando o surgimento de novos destinos turísticos no Centro-Oeste.

    Dados da Embrapa, reunidos no Panorama da Viticultura no Brasil (2020–2024), mostram que o estado saiu de 1.516 toneladas para 3.264 toneladas no período. Embora ainda distante do Rio Grande do Sul, líder nacional, o crescimento marca uma mudança estrutural na produção agrícola goiana.

    Segundo a Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), Goiás já responde por 7% da produção de vinhos no Brasil, com destaque para rótulos elaborados em condições tropicais.

    Tecnologia impulsiona cultivo no Cerrado

    A expansão da viticultura para regiões de clima tropical ganhou força com a adoção da técnica de dupla poda. O método altera o ciclo natural da videira e induz a maturação no inverno, período mais seco e favorável à qualidade das uvas.

    Foto: Divulgação

    Com isso, o Brasil alcançou produção anual próxima de 1,8 milhão de toneladas de uva, ao mesmo tempo em que regiões como o Cerrado passaram a investir no cultivo e na produção de vinhos finos.

    Em Goiás, áreas como o entorno do Distrito Federal, Paraúna e Hidrolândia já cultivam a fruta, mas a principal vitrine do setor hoje é a Rota dos Pirineus.

    Rota dos Pirineus lidera vitivinicultura em Goiás

    Localizada entre Pirenópolis, Cocalzinho e Corumbá, a Rota dos Pirineus reúne nove vinícolas e se consolida como o principal polo de vinhos finos do Centro-Oeste.

    A região combina produção vitivinícola com gastronomia artesanal, especialmente queijos, e fortalece um roteiro turístico que inclui visitas guiadas, degustações e experiências diretamente com produtores.

    Cachoeira do Salto
    Cachoeira do Salto. Foto: Divulgação

    Esse modelo tem ampliado a visibilidade dos vinhos do Cerrado e estimulado o desenvolvimento econômico local.

    Turismo cresce e atrai novos investimentos

    O avanço da vitivinicultura se soma aos atrativos naturais da região, como serras, cachoeiras e clima ameno, elevando o fluxo turístico.

    A Rota dos Pirineus recebe cerca de 80 mil visitantes por mês na baixa temporada e até 120 mil na alta temporada. Esse movimento impulsiona o mercado imobiliário e a oferta de hospedagens de curta duração.

    Empreendimentos como o condomínio Salto Imperial surgem nesse contexto. Localizado próximo ao Salto Corumbá, o projeto vendeu 93% dos lotes na primeira fase e já iniciou a segunda etapa.

    Segundo o coordenador de vendas Rodrigo Ribeiro, terrenos com topografia acidentada lideram a procura, impulsionados pela demanda por imóveis com apelo visual e potencial para locação.

    Novo perfil de moradores e estilo de vida

    Além do turismo, a região também atrai novos moradores, especialmente profissionais que adotaram o teletrabalho.

    De acordo com o especialista imobiliário Robério Siquiero, cresce a busca por segunda residência entre profissionais de tecnologia e outros setores, interessados em conciliar trabalho remoto e qualidade de vida.

    Para os desenvolvedores, o interesse vai além do investimento imobiliário. “As pessoas buscam experiências, contato com a natureza e um estilo de vida mais equilibrado”, afirma Rodrigo Estivallet, sócio do projeto.

  • Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Dia Mundial da Fruta: conheça as mais consumidas no Brasil

    Celebrado em 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta chama a atenção para a importância do consumo desses alimentos na promoção da saúde e da qualidade de vida. A data foi criada em 2007, na Alemanha, em parceria com instituições de saúde, com o objetivo de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis e ampliar o consumo diário de frutas.

    Além de fazer parte de uma alimentação equilibrada, as frutas ocupam um papel estratégico na agricultura brasileira. O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de frutas tropicais do mundo, com destaque para culturas como manga, banana, mamão, melão e uva.

    Frutas são aliadas da saúde

    Ricas em água, fibras, vitaminas e minerais, as frutas contribuem para o bom funcionamento do organismo e ajudam na prevenção de diversas doenças.

    Entre os principais benefícios estão o fortalecimento do sistema imunológico, melhora da digestão, auxílio na hidratação do organismo e redução do risco de doenças cardiovasculares.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, quantidade equivalente a aproximadamente cinco porções.

    As frutas mais consumidas no Brasil

    A banana lidera o ranking mundial de consumo e também figura entre as preferidas dos brasileiros.

    O sucesso da fruta está relacionado à praticidade, ao alto valor energético, ao preço acessível e à disponibilidade durante praticamente todo o ano.

    Na sequência aparecem as frutas cítricas, especialmente laranja e limão, seguidas por maçãs e uvas.

    Essas frutas conquistaram espaço no mercado mundial por aliarem valor nutricional, facilidade de transporte e longa conservação após a colheita.

    Por que essas frutas lideram o consumo?

    Cada uma delas reúne características que favorecem sua produção e comercialização em larga escala.

    Banana

    • Rica em potássio e carboidratos;
    • Fonte rápida de energia;
    • Cultivada em mais de 130 países;
    • Disponível durante praticamente todo o ano.

    Laranja e limão

    • Fontes importantes de vitamina C;
    • Muito utilizados na produção de sucos;
    • Casca resistente facilita o transporte e armazenamento.

    Maçãs e uvas

    • Possuem excelente vida útil pós-colheita;
    • São consumidas frescas e também processadas;
    • Dão origem a produtos como vinhos, geleias, doces e passas.

    Brasil tem papel de destaque na fruticultura

    Além de abastecer o mercado interno, o Brasil é um dos principais produtores de frutas tropicais do planeta.

    A manga está entre os produtos agrícolas brasileiros de maior destaque nas exportações, chegando a diversos mercados internacionais graças à qualidade da produção nacional.

    O clima favorável e a diversidade de regiões produtoras permitem que o país cultive uma ampla variedade de frutas ao longo do ano, fortalecendo o agronegócio e gerando empregos em diferentes estados.

  • Vinho brasileiro fica entre melhores do mundo; conheça o rótulo

    Vinho brasileiro fica entre melhores do mundo; conheça o rótulo

    A vitivinicultura brasileira ganhou destaque internacional com a conquista de uma importante premiação em um dos concursos mais tradicionais do setor. Nesta segunda-feira (8), o Aurora Desalcoolizado Cabernet Sauvignon Não Adoçado, da Vinícola Aurora, recebeu medalha de bronze no International Wine & Spirit Competition (IWSC) 2026, realizado em Londres, na Inglaterra.

    O rótulo garantiu a terceira colocação após passar por avaliações às cegas que reuniram bebidas sem álcool de diversos países. Além disso, foi o único vinho desalcoolizado brasileiro a conquistar premiação na competição.

    Sem alcóol?

    Responsável pelo projeto de bebidas desalcoolizadas da cooperativa, o enólogo Christian Bernardi destacou que os vinhos dessa categoria seguem o mesmo processo de elaboração dos vinhos tradicionais.

    Segundo ele, diferentemente das bebidas classificadas como “zero álcool”, produzidas a partir de suco de uva, os vinhos desalcoolizados passam por todas as etapas da vinificação antes da retirada do álcool.

    No entanto, Bernardi explica que o maior desafio está justamente na fase final do processo. Isso porque é necessário remover o álcool sem comprometer os aromas, sabores e demais características sensoriais desenvolvidas durante a produção.

    “A tecnologia foi desenvolvida dentro da Aurora, utilizando equipamentos que permitem a extração completa do álcool com rigoroso controle de temperatura e pressão. A premiação valida esse esforço de inovação”, afirmou Bernardi, em nota.

    Bebida mantém teor alcoólico inferior a 0,5% — Foto: Vinícola Aurora

    Uvas selecionadas

    De acordo com as especificações técnicas da vinícola, o produto é elaborado com uvas Cabernet Sauvignon da safra 2025 e passa por um breve período de maturação em barris de carvalho. Além disso, apresenta perfil seco e, segundo a empresa, não possui dulçor, característica que reforça sua proposta de oferecer uma experiência mais próxima dos vinhos tradicionais.

    O reconhecimento internacional reforça o avanço da inovação na cadeia vitivinícola brasileira e evidencia o potencial dos produtos nacionais em um mercado global cada vez mais atento às alternativas sem álcool.

  • Vinho: conheça a Merlot gaúcha que surpreende o mercado nacional

    Vinho: conheça a Merlot gaúcha que surpreende o mercado nacional

    A uva Merlot sempre ocupou lugar central na história dos vinhos finos brasileiros. Originária de Bordeaux, na França, a variedade encontrou na Serra Gaúcha um dos melhores terroirs fora da Europa. E dentro da região, um município se destaca cada vez mais: Monte Belo do Sul, considerada a maior produtora per capita de uvas viníferas da América Latina.

    Foto: Divulgação

    O município integra a Indicação de Procedência Monte Belo e parte da Denominação de Origem Vale dos Vinhedos. A combinação de altitude elevada, solos bem drenados e significativa amplitude térmica cria condições ideais para o amadurecimento lento e completo da Merlot, uma variedade sensível ao excesso de umidade e ao vigor vegetativo descontrolado.

    “O solo basáltico e semi argiloso de Monte Belo propicia melhor absorção de nutrientes e confere profundidade às raízes das videiras. Aliada à altitude e à brisa constante nos vinhedos, essa combinação permite conduzir o amadurecimento sem grandes riscos”, explica Felipe Marques Pereira, vinhateiro e proprietário da Casa Marques Pereira.

    A Quinta da Orada e o segredo do Cru Jerivás

    Os vinhedos da Quinta da Orada, propriedade da família Marques Pereira, ocupam 15 hectares entre 466 e 543 metros de altitude. O relevo acidentado favorece a circulação de ar e acelera a dissipação da umidade. Enquanto as encostas garantem exposição solar equilibrada ao longo do ciclo vegetativo.

    Foto: Divulgação

    O destaque da propriedade é a parcela Cru Jerivás, situada na parte mais alta do vinhedo. Ali, onde a ventilação é maior e o subsolo revela ágatas, ametistas e cristais de quartzo, a Merlot atinge concentrações fora do comum.

    Safra 2026 histórica: 27 °Brix raramente vistos no Brasil

    A safra de 2026 marcou um novo patamar para a vitivinicultura gaúcha. Em algumas parcelas da Casa Marques Pereira, a Merlot alcançou até 27 °Brix, índice de maturação raramente registrado para a variedade no país. O resultado foi impulsionado por um inverno frio e prolongado. Isso assegurou boa dormência das videiras, seguido de um período de amadurecimento com baixa incidência de chuvas. O que garantiu concentração, sanidade e qualidade superior das uvas.

    8 medalhas de ouro e reconhecimento nacional

    O desempenho no campo se refletiu diretamente nas avaliações especializadas. Na edição de 2026 da Grande Prova Vinhos do Brasil, uma das principais avaliações às cegas do país, promovida pelo crítico Marcelo Copello, a Casa Marques Pereira conquistou oito medalhas de ouro.

    Entre os rótulos premiados, o Casa Marques Pereira Merlot Reserva 2022 recebeu medalha de ouro, consolidando o reconhecimento tanto da vinícola quanto do município como referências na produção da variedade no Brasil.

    O avanço técnico de Monte Belo do Sul, aliado às condições naturais excepcionais do terroir, coloca a região entre as que mais evoluíram na Serra Gaúcha nos últimos anos. E a Merlot segue como protagonista dessa história.

  • Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Uva no sertão? João Gomes explica aposta no Vale do São Francisco

    Durante uma viagem pela Suíça, João Gomes movimentou as redes sociais ao brincar que teria comprado uma fazenda no país europeu. A piada acabou sendo levada a sério por parte do público, levando o artista a se pronunciar em vídeo. O que veio depois da negativa, porém, chamou ainda mais atenção do que o boato.

    Ao esclarecer que a declaração não era verdadeira, o cantor revelou que já possui duas propriedades rurais no Brasil. “As fazendas que eu tenho mesmo são de uva, em Petrolina, e de gado, na Bahia”, disse. Direto, sem rodeios e com uma revelação que diz muito sobre como o artista escolheu guardar o dinheiro que o forró lhe trouxe.

    Uma aposta no Vale do São Francisco

    A propriedade que mais chamou atenção fica em Petrolina, no tradicional Vale do São Francisco, região conhecida nacionalmente pela produção de frutas irrigadas. A fazenda é avaliada em cerca de R$ 2 milhões e reúne área produtiva voltada ao cultivo de uvas, amplos terrenos cercados pela paisagem característica do sertão nordestino e estrutura rural moderna.

    Não é por acaso que João Gomes escolheu exatamente essa região. O Vale do São Francisco é hoje um dos polos vitivinícolas mais relevantes do Brasil, e a lógica produtiva do semiárido tem uma vantagem que surpreende quem ainda associa uva ao sul do país: com sol o ano inteiro e um sistema de irrigação por gotejamento, os produtores da região conseguem simular o período de hibernação da planta em tempo menor, o que permite duas safras de uvas por ano. Dois ciclos anuais, no mesmo hectare: isso muda completamente a conta.

    O campo como ponto de retorno

    O que diferencia João Gomes de outros artistas do gênero é a sua capacidade de dialogar com o público jovem sem perder a essência da cultura nordestina. Além do talento musical, a trajetória do artista é marcada pela humildade. Ele frequentemente menciona em entrevistas que seu maior desejo através da música sempre foi mudar a realidade de sua família e honrar suas origens.

    Investir em terra, nesse contexto, não é apenas estratégia financeira. É uma forma de manter os pés fincados onde tudo começou. Imagens divulgadas pelo próprio artista mostram visitas em família à propriedade, contato com a natureza e uma rotina mais tranquila longe dos palcos. No fundo, a fazenda parece cumprir um papel que vai além da produção: é o ponto de retorno.

    O Vale do São Francisco e o agronegócio

    A escolha de Petrolina também revela um movimento maior. A agricultura irrigada na região não só possibilitou a produção de uvas, como também de vinhos que passaram a ter seus rótulos premiados, além de outros produtos derivados como sucos, doces e geleias. A vitivinicultura no sertão nordestino saiu do improvável para virar referência nacional e vem atraindo olhares de fora do setor, inclusive de quem, como João Gomes, enxergou na terra uma aplicação tão sólida quanto qualquer outro ativo.

    Desde que ganhou projeção nacional, em 2021, o cantor ampliou seu patrimônio e investiu em diferentes imóveis. Mas foi na uva do sertão que ele deixou a aposta mais simbólica: a de que o Nordeste produz, e produz bem.

  • Descoberta genética revela que uva de 600 anos é idêntica à atual Pinot Noir

    Descoberta genética revela que uva de 600 anos é idêntica à atual Pinot Noir

    Uma descoberta impressionante está fascinando tanto cientistas quanto apaixonados por vinho: uma semente de uva de cerca de 600 anos, encontrada no banheiro de um hospital medieval na França, revelou-se geneticamente idêntica às uvas modernas utilizadas na produção do famoso vinho tinto Pinot Noir.

    O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, analisou DNA extraído de 49 sementes de uva encontradas em sítios arqueológicos na França e na Espanha. As amostras datam de diferentes períodos, da Idade do Bronze até a Baixa Idade Média, cobrindo aproximadamente 4 milênios, de 2300 a.C. até 1500 d.C.

    As sementes mais antigas eram de uvas silvestres. Mas, a partir de cerca de 500 a.C., os cientistas observaram que algumas amostras apresentavam alta semelhança genética com as variedades domesticadas ainda cultivadas hoje. Isso sugere que, já naquela época, os humanos adotavam a propagação clonal, técnica na qual usam estacas de plantas selecionadas para reproduzir características desejadas, método que continua essencial na viticultura moderna.

    Segundo a geneticista evolutiva Jazmín Ramos Madrigal, da Universidade de Copenhague, “as civilizações antigas sabiam preservar o que gostavam, e temos de agradecê-las por isso”.

    Joana d’Arc

    Uma das amostras estudadas chamou especialmente a atenção dos pesquisadores. Datada do século XV, época de Joana d’Arc, a semente encontrada na França possui DNA idêntico ao da uva Pinot Noir cultivada atualmente. De acordo com o autor principal Ludovic Orlando, da Universidade de Toulouse, é possível que a heroína francesa tenha provado as mesmas uvas que bebemos hoje.

    Foto: Sistema CNA/Senar

    Embora não se saiba se essas uvas medievais eram consumidas in natura ou usadas na produção de vinho, tudo indica que o clone já era aproveitado pelos vinicultores da época. Como destaca Laurent Bouby, arqueobotânico do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, o país já tinha uma longa tradição na viticultura medieval.

    A conclusão dos pesquisadores mostra que a Pinot Noir se manteve praticamente inalterada por séculos. Uma prova da resistência e popularidade dessa uva, conhecida como “a uva do coração partido” por ser difícil de cultivar. Mas amplamente admirada por sua delicadeza e sabor sofisticado.

  • Safra 2026 do RS deve bater 900 milhões de quilos de uvas e anima setor

    Safra 2026 do RS deve bater 900 milhões de quilos de uvas e anima setor

    O mês de março marca a reta final da safra das uvas no Rio Grande do Sul, e o balanço anima o setor. A produção de 2026 deve se aproximar de 900 milhões de quilos colhidos. Um crescimento de até 15% sobre a safra anterior, segundo dados do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). O volume supera as projeções iniciais e reforça o otimismo da vitivinicultura brasileira às vésperas da próxima edição da Wine South America (WSA), feira profissional que ocorre de 12 a 14 de maio, em Bento Gonçalves (RS).

    A estimativa contempla uva destinada à indústria, ao consumo in natura e à elaboração de vinhos artesanais. Para muitas vinícolas, a WSA representa o primeiro grande palco para apresentar ao mercado as expectativas da nova colheita e ampliar conexões comerciais. O evento reúne produtores, compradores e especialistas da cadeia vitivinícola da América Latina.

    Vinícola de Pinto Bandeira celebra condições climáticas favoráveis

    Na Vinícola La Grande Bellezza, em Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, os proprietários Rossano Biazus e Cristiana Petriz descrevem uma colheita excepcional. “Todas as variedades se ajustaram bem às condições climáticas, resultando em uvas sadias e com maturação precisa. Chardonnay e Pinot Noir originaram vinhos base para espumantes muito equilibrados, enquanto as uvas tintas alcançaram sua maturação em excelentes condições”, destacam.

    A vinícola planeja levar à WSA toda a sua linha de vinhos e espumantes. “É uma feira onde os vinhos nacionais se sentem à vontade, alinhados às expectativas dos compradores”, afirmam os proprietários.

    Além de espaço para negociações, a WSA funciona como vitrine para tendências do setor. A realização na Serra Gaúcha, maior região produtora de vinhos e espumantes do país, favorece a prospecção comercial e oferece experiência imersiva aos compradores: representantes de redes varejistas, importadoras e distribuidoras podem visitar vinícolas da região e conhecer de perto os processos produtivos.

    Safra 2026 supera desafios climáticos na Serra Gaúcha

    Enfrentar adversidades climáticas faz parte da rotina da vitivinicultura, e a vindima 2026 não fugiu à regra. Em regiões como Flores da Cunha e Nova Pádua, onde fica a Indicação de Procedência (IP) Altos Montes, as vinícolas avaliam a safra como promissora, com boas condições de maturação.

    O enólogo André Tonet, presidente da Altos Montes, aponta o ciclo climático como diferencial. “Tivemos um inverno rigoroso e uma primavera com chuvas dentro da normalidade, o que favoreceu a brotação. O início de 2026 registrou precipitações abaixo da média, permitindo maturação plena das uvas. Vislumbramos uma safra de grande destaque, semelhante à de 2020”, afirma.

    O caminho até a colheita, porém, exigiu resiliência. Em dezembro de 2025, um tornado atingiu o interior de Flores da Cunha, na localidade Travessão Alfredo Chaves, danificando vinhedos e estruturas produtivas. A Vinícola Terrasul Vinhos Finos perdeu tanques de armazenagem e parte das instalações. A resposta da comunidade foi rápida: produtores da região, viticultores de outras cidades da Serra e o Exército organizaram mutirões para reconstruir as estruturas e retomar as atividades.

    “Mesmo com todos esses desafios, acreditamos que a qualidade da safra 2026 foi muito boa e, no geral, com produção acima da média”, afirma Augusto Salvador, enólogo e proprietário da Terrasul.

    Mais de 200 vinícolas brasileiras confirmam presença na WSA 2026

    A edição de 2026 da Wine South America deve reunir um número recorde de vinícolas brasileiras. Na edição anterior, em 2025, cerca de 200 marcas nacionais participaram, representando terroirs como Serra e Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste, Campos de Cima da Serra, Serra Catarinense, Vales da Uva Goethe, Cerrado Goiano, Vale do São Francisco, Serra da Mantiqueira e Brasília, região que estreou no evento em 2025 e já confirmou retorno.

    Foto: Cesar Silvestro/Divulgação

    Entre os nomes confirmados para 2026 estão Miolo, Aurora, Don Guerino, Pizzato e Nova Aliança, além de entidades como Aprobelo (Monte Belo do Sul), Afavin (Farroupilha), Aprovale (Vale dos Vinhedos) e Altos Montes (Flores da Cunha). O evento destaca também regiões com certificação de origem, como as Denominações de Origem Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira, e Indicações de Procedência como Altos Montes e Farroupilha. Um sinal do avanço qualitativo da vitivinicultura nacional rumo ao padrão internacional.

    Wine South America recebe novos países e amplia alcance internacional

    A WSA consolida sua posição como plataforma internacional de negócios. Na edição de 2026, rótulos de mais de 20 países estarão presentes. Incluindo as estreias de Nova Zelândia e Alemanha e o retorno da África do Sul. Itália e Portugal ampliam sua participação, e Chile, Argentina e Uruguai mantêm presença expressiva.

    Ao todo, mais de 400 marcas nacionais e internacionais ocuparão o mesmo espaço durante os três dias de feira, conectando produtores, importadores, distribuidores e compradores de diferentes mercados. A diversidade de origens e estilos consolida a Wine South America como um dos principais pontos de encontro do setor vitivinícola na América Latina.