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  • Perigo: escorpiões invadem cidades brasileiras

    Perigo: escorpiões invadem cidades brasileiras

    Um estudo publicado na revista Frontiers in Public Health revela que os escorpiões estão se espalhando rapidamente pelas cidades brasileiras. Entre 2014 e 2023, o país registrou mais de 1,1 milhão de picadas, um aumento alarmante de 155%. Os pesquisadores alertam que o crescimento urbano acelerado e as alterações no clima são os principais responsáveis pela infestação.

    Reprodução: Instituto Butantan

    Por que os escorpiões estão se multiplicando nas cidades?

    Segundo a pesquisa liderada pela professora Manuela Berto Pucca, da Unesp, as áreas urbanas oferecem condições perfeitas para os escorpiões:

    • Abrigo fácil: eles se escondem em paredes, entulhos, bueiros e até dentro de casas.
    • Alimento abundante: baratas e outros insetos urbanos são sua principal fonte de comida.
    • Clima favorável: esgotos quentes, verões mais intensos e umidade ajudam na reprodução.

    Além disso, algumas espécies podem sobreviver mais de um ano sem comer e se reproduzir sem acasalamento, tornando seu controle ainda mais difícil.

    Números assustadores: 2 milhões de casos até 2033

    Dados preliminares de 2024 já apontam quase 200 mil picadas e 133 mortes no Brasil. Se o ritmo continuar, os pesquisadores estimam que 2 milhões de novos casos podem ocorrer entre 2025 e 2033.

    Reprodução: Instituto Butantan

    Crianças e idosos são os mais vulneráveis – apenas 0,1% das picadas são fatais, mas, nesses grupos, o risco é maior. Os sintomas mais comuns incluem:

    • Dor intensa e ardência
    • Inchaço e vermelhidão
    • Náuseas e formigamento

    Como se proteger?

    A prevenção é a melhor arma contra os escorpiões. Veja as recomendações dos especialistas:

    •  Mantenha a casa limpa, evitando acúmulo de lixo e entulho.
    •  Vede frestas em paredes, portas e janelas.
    •  Use telas em ralos e mantenha bueiros fechados.
    •  Sempre sacuda roupas, sapatos e toalhas antes de usar.
    •  Controle baratas e outros insetos, que atraem escorpiões.

    O que fazer se for picado?

    A recomendação é não esperar os sintomas piorarem. Procure imediatamente um hospital ou UPA, onde o soro antiveneno está disponível gratuitamente pelo SUS.

    “Uma única picada pode ser fatal para uma criança. Não subestime o perigo”, alerta a professora Eliane Candiani Arantes, da USP, uma das autoras do estudo.

    Escorpiões não são vilões, mas exigem atenção

    Apesar do risco, os pesquisadores destacam que os escorpiões têm papel importante no ecossistema, ajudando no controle de pragas. O problema é a convivência desprotegida em áreas urbanas.

    Reprodução: Instituto Butantan

    Países como Paraguai, Bolívia e México também enfrentam surtos semelhantes, transformando o “escorpionismo” em uma crise de saúde pública.

    Fique atento: com as mudanças climáticas, o problema tende a piorar. Tomar medidas preventivas agora pode salvar vidas no futuro.

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  • USP desenvolve tecnologia para reduzir perdas bilionárias na produção de etanol

    USP desenvolve tecnologia para reduzir perdas bilionárias na produção de etanol

    Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão finalizando uma solução inovadora para reduzir perdas causadas por contaminações microbianas na produção de etanol. Combinando espectrometria de massas e inteligência artificial (IA), o método promete identificar bactérias prejudiciais ao processo de fermentação em tempo recorde, otimizando o uso de antimicrobianos e aumentando a eficiência industrial. A tecnologia, desenvolvida no âmbito do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), tem potencial para ser aplicada também em setores como alimentos, cervejas e carnes.

    Tecnologia adaptada da saúde para a indústria

    O projeto, financiado pela Shell Brasil via cláusula de P&D da ANP, utiliza o equipamento MALDI-TOF (Matrix-Assisted Laser Desorption/Ionization Time-of-Flight), comum em diagnósticos hospitalares. Segundo Carlos Alberto Labate, coordenador do estudo e professor da ESALQ-USP, a técnica está sendo adaptada para o ambiente industrial: “Assim como o MALDI-TOF identifica microrganismos em hospitais, estamos desenvolvendo métodos para detectar contaminantes em usinas com a mesma rapidez e precisão”.

    Atualmente, a identificação de bactérias leva dias, mas a nova metodologia reduzirá o processo para horas. Isso permitirá às usinas agir rapidamente. E reduzir perdas que chegam a 2% da produção nacional de etanol – equivalente a R$ 1,5 bilhão anuais, segundo dados do setor.

    A inovação inclui a integração de modelos de IA capazes de identificar múltiplos microrganismos em uma única análise, simplificando etapas e reduzindo custos. Labate destaca que o sistema pode evoluir para soluções automatizadas: “No futuro, a IA não só detectará o contaminante. Mas sugerirá medidas corretivas, aumentando ainda mais a eficiência”.

    Aplicação além do etanol

    A tecnologia também beneficiará indústrias que dependem de processos fermentativos, como produção de cerveja e laticínios. “O controle preciso de contaminações é essencial para segurança e produtividade em diversos setores”, explica Labate.

    O projeto, que conta com parceria da Raízen, tem conclusão prevista para maio de 2025.

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  • Pesquisadores da USP desenvolvem fertilizante inovador

    Pesquisadores da USP desenvolvem fertilizante inovador

    A crescente demanda por alimentos, rações e biocombustíveis sustentáveis está impulsionando cientistas e produtores a buscar soluções inovadoras para garantir a produtividade agrícola. De acordo com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, a população mundial deve atingir 9,7 bilhões até 2050, exigindo um aumento de aproximadamente 47% na produção agrícola global.

    Nesse contexto, o Fertilizante Nitrogenado Multinutriente de Eficiência Aumentada foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). A nova patente promete reduzir significativamente as perdas de nutrientes no solo e melhorar o rendimento das lavouras.

    Bruno Cassim, doutorando pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP e um dos responsáveis pela patente, explica que a produção agrícola tem crescido nas últimas décadas, principalmente pelo uso de fertilizantes nitrogenados como a ureia. “A ureia é o fertilizante nitrogenado mais popular para fornecer nitrogênio às plantas. No entanto, quando aplicada na superfície do solo, pode ser perdida por volatilização de amônia, causando prejuízos econômicos e contaminação de ecossistemas”, afirma Cassim.

    Solução inovadora

    Para resolver o problema da volatilização, a equipe de pesquisadores combinou a ureia com micronutrientes e o estabilizador NBPT. Essa nova formulação visa minimizar as perdas de nitrogênio, garantindo maior aproveitamento do fertilizante e aumento da produtividade no campo. “Com a adição do NBPT e micronutrientes em macro ou nanoescala nos grânulos de ureia, conseguimos diminuir as emissões gasosas de nitrogênio e aumentar a disponibilidade de nutrientes para as plantas”, explica Cassim.

    A tecnologia atende agricultores e empresas do agronegócio, beneficiando tanto grandes quanto pequenos produtores. O fertilizante fornece nitrogênio e micronutrientes essenciais ao crescimento inicial das plantas quando aplicado no momento da semeadura. No entanto, a adubação de cobertura é a forma mais recomendada de uso para maximizar a redução das perdas por volatilização.

    Fase de desenvolvimento

    Atualmente, o fertilizante está em fase de testes e desenvolvimento. Estudos realizados em laboratório e em campo têm mostrado resultados promissores. Contudo, Cassim ressalta que algumas interações físico-químicas entre o estabilizador NBPT e os micronutrientes ainda precisam ser melhor compreendidas antes da comercialização do produto.

    “Estamos confiantes de que esse fertilizante multinutriente pode melhorar a produtividade e a qualidade dos cultivos. Especialmente em um cenário onde a deficiência de micronutrientes se torna cada vez mais comum”, conclui Cassim.

    A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), financiou os estudos. Projetos de doutorado e pós-doutorado, orientados pelo professor Rafael Otto da Esalq, resultaram no desenvolvimento da patente.. Além de Cassim, participaram do processo os pesquisadores Izaias Lisboa e Frederico Pereira da Esalq, além de Clelber Prestes do Cena/USP.

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  • USP testa primeira planta de hidrogênio renovável a partir do etanol

    USP testa primeira planta de hidrogênio renovável a partir do etanol

    A Universidade de São Paulo (USP) iniciou testes da primeira estação experimental do mundo para produção de hidrogênio renovável a partir do etanol. O projeto, conduzido pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), busca impulsionar a transição energética e reduzir emissões de carbono.

    Em geral, a iniciativa recebeu investimento de R$ 50 milhões e reúne grandes empresas e instituições, como Shell Brasil, Raízen, Hytron, SENAI CETIQT e a própria USP. Também participam Toyota, Hyundai, Marcopolo e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU). Em resumo, a tecnologia pretende mostrar a viabilidade do etanol como fonte sustentável de hidrogênio, aproveitando a infraestrutura já existente no país.

    Capacidade e aplicações

    A planta-piloto pode produzir 100 quilos de hidrogênio por dia. Ou seja, volume suficiente para abastecer três ônibus e dois veículos leves. Os pesquisadores testarão o hidrogênio em coletivos da USP e nos modelos Toyota Mirai e Hyundai Nexo, ambos movidos a células a combustível.

    Ao mesmo tempo, os cientistas avaliarão a conversão do etanol em hidrogênio e o desempenho do combustível nos veículos. “Estamos demonstrando que o etanol pode ser um vetor eficiente para o hidrogênio sustentável”, afirma Julio Meneghini, diretor científico do RCGI. “O Brasil tem uma infraestrutura consolidada para o etanol, o que favorece a descarbonização de setores industriais e do transporte”, completa.

    O hidrogênio será produzido por reforma a vapor do etanol, processo químico que combina o biocombustível com água em altas temperaturas para gerar hidrogênio. Esse método reduz emissões porque o CO₂ liberado pode ser compensado pelo cultivo da cana-de-açúcar.

    Impacto na indústria e na mobilidade

    A iniciativa pode impulsionar a mobilidade sustentável no Brasil. Fabricantes de aviões, caminhões e ônibus terão acesso a uma fonte estratégica de hidrogênio para desenvolvimento de novas tecnologias.

    “A produção em grande escala pode beneficiar diversos setores, da mobilidade à fabricação de fertilizantes sustentáveis”, diz Meneghini. A expectativa é que o projeto gere dados para ampliar sua aplicação comercial. “Queremos mostrar que essa solução é viável e pode fortalecer a transição energética do Brasil”, destaca o pesquisador.

    O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, reforça a importância da pesquisa. “Nosso papel é desenvolver tecnologias inovadoras para acelerar a transição energética e posicionar o Brasil como líder global”, afirma. Segundo ele, energia mais barata e com menor pegada de carbono pode tornar o país referência no setor.

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visitou a planta no dia 19 de fevereiro e destacou o impacto econômico do projeto. “São Paulo tem infraestrutura, pesquisa científica e mão de obra qualificada para liderar a transição energética no Brasil”, afirma. Além disso, ele acredita que a iniciativa pode transformar a indústria e fortalecer a produção de energia limpa para exportação.

    Avanço estratégico

    O desenvolvimento da planta experimental marca um passo importante para o hidrogênio sustentável no Brasil. Meneghini aposta que a tecnologia consolidará o país como referência global na produção de energia limpa. “Essa solução pode reduzir a dependência de combustíveis fósseis e impulsionar setores estratégicos de forma sustentável”, conclui.

     

  • Mama-cadela: a fruta do cerrado rica em pró-vitamina A

    Mama-cadela: a fruta do cerrado rica em pró-vitamina A

    A mama-cadela (Brosimum gaudichaudii), uma fruta nativa do Cerrado brasileiro, tem ganhado atenção por suas propriedades nutricionais e seu potencial para diversificar a alimentação. Com uma polpa doce e fibrosa, a fruta é conhecida por seu valor em pró-vitamina A, essencial para a saúde ocular e imunológica.

    A mama-cadela é uma fruta de cor que varia entre o amarelo e o alaranjado, pequena em tamanho, e frequentemente chamada de “chicletinho do Cerrado” devido à sua textura. Segundo Grazieli Pascoal, nutricionista e professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a fruta é negligenciada na dieta brasileira, apesar de seu alto valor nutricional.

    Pesquisa e descobertas

    Em seu pós-doutorado, Grazieli Pascoal analisou as características nutricionais da mama-cadela, revelando que a fruta é rica em compostos bioativos, carotenoides e fibras. Esses elementos não são apenas nutrientes, mas também exercem funções antioxidantes benéficas ao organismo. “A mama-cadela pode trazer vários benefícios em uma alimentação saudável, especialmente em relação à quantidade de vitamina A e fibra alimentar”, afirmou Pascoal.

    Uma porção de mama-cadela, equivalente a seis unidades da fruta, atende a mais de 60% da recomendação diária de vitamina A, um valor comparável ao da cenoura. Além disso, a fruta também é uma fonte significativa de vitamina C, que desempenha um papel crucial na absorção de ferro e na função antioxidante do corpo.

    Importância para a biodiversidade alimentar

    Nos últimos anos, o consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil tem aumentado, enquanto a ingestão de frutas e vegetais in natura diminui. Isso tem gerado preocupações sobre a saúde pública, com doenças crônicas se tornando mais prevalentes. “Nossa alimentação está muito monótona”, destaca Pascoal, enfatizando a necessidade de resgatar frutos nativos como a mama-cadela para enriquecer a dieta.

    Apesar dos benefícios nutricionais da mama-cadela, os produtores enfrentam desafios para escoar esses produtos menos conhecidos. A falta de políticas públicas que valorizem alimentos nativos contribui para que os agricultores optem por culturas mais comuns e procuradas no mercado.

    O reconhecimento das propriedades nutricionais da mama-cadela pode contribuir para sua valorização como um alimento culturalmente significativo. Com o apoio de pesquisas e iniciativas que promovam a biodiversidade alimentar, há potencial para integrar essa fruta à dieta brasileira, oferecendo benefícios à saúde e incentivando práticas agrícolas sustentáveis. Grazieli Pascoal conclui: “É fundamental resgatar os saberes sobre essas plantas e a riqueza do nosso bioma.”

    Com informações do Jornal da USP.

  • Kappaphycus alvarezii: macroalga é usada em biofertilizante

    Kappaphycus alvarezii: macroalga é usada em biofertilizante

    A Kappaphycus alvarezii, uma macroalga vermelha amplamente cultivada, está se destacando no Brasil como uma alternativa inovadora para a biofertilização de hortas. Desde a autorização para seu cultivo pelo órgão ambiental estadual em 2022, o interesse pela algicultura tem crescido no litoral norte de São Paulo. O extrato dessa macroalga promove o desenvolvimento das plantas e oferece uma solução sustentável para o setor agrícola.

    Originária das Filipinas, a Kappaphycus alvarezii foi introduzida no Brasil em 1995 por meio de uma colaboração entre a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O IP-Apta desenvolve diversos projetos na Fazenda Marinha Experimental e no Laboratório de Macroalgas Marinhas Ricardo Toledo Lima Pereira (LAMAMA), localizado em Ubatuba (SP).

    Pesquisa e resultados

    Uma pesquisa recente liderada pela pesquisadora Aline Nunes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em parceria com o IP-Apta e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), demonstrou que o extrato aquoso da Kappaphycus alvarezii pode aumentar a produtividade e a qualidade das plantações agrícolas, especialmente da hortelã-pimenta (Mentha piperita). “O biofertilizante derivado da Kappaphycus alvarezii apresenta um grande potencial para aplicação na agricultura”, afirma Nunes.

    Os resultados indicam que a aplicação do extrato promoveu um aumento significativo na altura das plantas, no número de nós e no peso seco da parte aérea da hortelã-pimenta. A pesquisa também observou que as melhorias variaram conforme a concentração do extrato utilizado.

    Benefícios sustentáveis

    O uso do biofertilizante natural representa uma alternativa sustentável e eficaz para o cultivo da hortelã-pimenta. E permite um crescimento mais robusto sem depender de produtos químicos sintéticos. “Esse avanço demonstra o potencial das algas marinhas como aliadas na agricultura sustentável”, destaca Nunes.

    Valéria Gelli, pesquisadora científica do IP-Apta e coordenadora do Programa Algicultura SP, enfatiza que as pesquisas sobre o biofertilizante à base da Kappaphycus alvarezii têm sido realizadas desde 2015. “Este novo estudo reafirma sua eficiência agronômica como uma solução sustentável, com grande potencial para reduzir a dependência de produtos químicos”, conclui Gelli.

    Maricultor de Santa Catarina produz biofertilizante

    O maricultor Raulino de Souza Filho, conhecido como Nino, está inovando na agricultura ao cultivar a macroalga Kappaphycus alvarezii em Palhoça, na Grande Florianópolis. Desde a autorização para o cultivo dessa alga pelo órgão ambiental estadual em 2022, Nino decidiu investir no negócio e já montou uma fábrica para produzir extrato de alga destinado à fabricação de biofertilizantes.

    Com uma área de produção de 1,54 hectare, Raulino iniciou suas atividades de forma experimental em parceria com a Epagri. “A alga tem um grande potencial e estamos trabalhando em cima disso. Sou apaixonado por inovação e já tenho mais de 20 anos de parceria com a Epagri. Acreditei nesse projeto e vou ser pioneiro em Santa Catarina”, afirma Nino.

    Em 2022, enquanto ainda operava experimentalmente, ele produziu 36 mil litros do extrato de alga, vendendo cerca de 30% da produção. Para 2023, a previsão é aumentar a produção para 50 mil litros e futuramente comercializar o fertilizante pronto. “Há uma grande demanda por algas. Estou conversando com colegas maricultores que poderão produzir a macroalga consorciada com cultivos de ostras e mexilhões”, explica o empresário.

    Transformação das macroalgas

    Outro exemplo de sucesso no uso das macroalgas é a maricultora Tatiana Gama da Cunha, que também atua em Florianópolis. Ela utiliza as macroalgas para criar alimentos, cosméticos e biofertilizantes artesanais. Com o apoio da Epagri, Tatiana fundou a empresa Algama e inaugurou em 2023 a primeira unidade de beneficiamento de macroalgas para alimentação em Santa Catarina.

    O interesse pela Kappaphycus alvarezii surgiu como uma alternativa para melhorar a qualidade da água nos cultivos de moluscos na fazenda da família, localizada no Ribeirão da Ilha. “O trabalho com algas é mais leve”, comenta Tatiana.

    Tatiana tem explorado formas de agregar valor ao produto, desenvolvendo artesanalmente sabonetes, hidratantes, xampus, condicionadores e biofertilizantes. Em 2022, ela colheu 4 toneladas de macroalgas em uma área de 0,5 hectare e planeja expandir seu cultivo focando na produção alimentar e oferecendo oficinas culinárias sobre o uso das algas.

    “O consumo de alimentos à base de algas traz vários benefícios para a saúde. Elas são consideradas polivitamínicos naturais e têm propriedades antioxidantes”, defende Tatiana.

    Apoio Institucional

    O apoio da Epagri tem sido fundamental para o desenvolvimento desses negócios. Tatiana participou do curso “Mulheres em Ação” e elaborou um projeto que viabilizou sua unidade de beneficiamento. Com o financiamento obtido através do Programa Jovens e Mulheres em Ação da Secretaria da Agricultura, ela recebeu R$ 11 mil para dar início ao seu empreendimento.

    O cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii está se consolidando como uma alternativa sustentável e promissora para o setor maricultor em Santa Catarina. Com iniciativas como as de Raulino e Tatiana, as macroalgas não apenas contribuem para a saúde do meio ambiente, mas também oferecem novas oportunidades econômicas para os produtores locais. As perspectivas são otimistas para o futuro desse mercado emergente no estado.

    A utilização do biofertilizante derivado da macroalga Kappaphycus alvarezii não apenas promete aumentar a produtividade das plantações de hortelã-pimenta. Mas também representa um passo importante em direção à sustentabilidade na agricultura brasileira. Com o crescimento do interesse por práticas agrícolas ecológicas, essa inovação pode transformar o setor e contribuir para um futuro mais verde.

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  • Óleo de amendoim é alternativa saudável a “crise do azeite”

    Óleo de amendoim é alternativa saudável a “crise do azeite”

    Com altos preços, a crise do azeite de oliva tem levado os consumidores brasileiros a buscar alternativas mais acessíveis, como o óleo de amendoim. Este óleo, extraído da planta Arachis hypogaea, é amplamente utilizado em bares, estádios e restaurantes em todo o Brasil, onde o amendoim é um petisco popular.

    Produção e Exportação

    O Brasil produz anualmente cerca de 747 mil toneladas de amendoim. Aproximadamente 90% dessa produção concentrada no Estado de São Paulo. As cidades de Tupã, Marília e Jaboticabal são as maiores responsáveis pela produção, contribuindo significativamente para a extração de 87 mil toneladas de óleo de amendoim. Deste total, cerca de 60% é destinado à exportação. A China é o principal comprador, absorvendo 80% das vendas externas.

    A relação comercial entre Brasil e China é histórica e se fortaleceu ao longo dos anos. O Brasil se consolidou como líder na exportação de óleo de amendoim, mesmo ocupando apenas a 12ª posição na produção global deste insumo.

    A necessidade da China de importar alimentos, devido à sua limitada capacidade produtiva interna, impulsionou uma demanda crescente por produtos agrícolas brasileiros, incluindo o óleo de amendoim.

    “O setor agropecuário e mineral [brasileiro] é um setor que desde os primórdios, depois da Segunda Guerra Mundial particularmente, esteve muito focado no mercado internacional,  porque a escala é tão grande que, para o mercado interno, não tem demanda”, explicou o professor Simão Davi Silber, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da Universidade de São Paulo, em entrevista para o Jornal da USP.

    Benefícios Nutricionais

    O óleo de amendoim não só desempenha um papel crucial na economia brasileira. Sendo assim, também oferece diversos benefícios nutricionais, em meio a crise do azeite de oliva.

    Ele é rico em vitamina E e antioxidantes como o resveratrol, que ajudam na desintoxicação do corpo e na prevenção de doenças como Alzheimer.

    Além disso, contém gorduras poli-insaturadas, especialmente ômega-6, que são benéficas para a saúde cardiovascular e o sistema imunológico.

    “Já tem diversos estudos comprovando boas atividades fisiológicas e metabólicas do Ômega 6, por exemplo, para sistema imunológico, parte estética, saúde cardiovascular e muitas outras”, afirma Juliana Gimenez Casagrande, nutricionista e doutora em Ciência dos Alimentos, em depoimento ao Jornal da USP.

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    O amendoim é um alimento popular que se encaixa bem em eventos sociais, tornando-se uma opção saudável e saborosa para petiscos.

    O alto ponto de fumaça do óleo (232 ºC, segundo o Guia Michelin) também o torna ideal para frituras. Afinal resiste a temperaturas elevadas sem degradar-se rapidamente.

    Com a crescente busca por alternativas ao azeite de oliva e a popularidade do amendoim no Brasil, o óleo de amendoim tem se destacado.

    À medida que os consumidores se tornam mais conscientes dos benefícios desse óleo e da sua versatilidade na cozinha, é provável que sua aceitação no mercado interno continue a crescer.

    Portanto, a combinação da demanda externa com as qualidades intrínsecas do produto posiciona o Brasil favoravelmente no cenário global das exportações agrícolas.

  • Veja as 10 melhores faculdades de veterinária do Brasil

    Veja as 10 melhores faculdades de veterinária do Brasil

    O Dia do médico-veterinário, celebrado em 9 de setembro, é uma data que homenageia os profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado e à saúde dos animais, além de desempenharem um papel crucial na saúde pública e na segurança alimentar.

    O Agro em Campo apresenta a lista com as dez melhores faculdades de medicina veterinária do Brasil. O ranking é publicado pela Edurank, tradicional instituição que avalia universidades em 183 países.

    Melhores Faculdades de Medicina Veterinária no Brasil

    1. Universidade de São Paulo (USP) – São Paulo
    2. Universidade Estadual Paulista (UNESP) – São Paulo
    3. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Minas Gerais
    4. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Rio Grande do Sul
    5. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) – Rio de Janeiro
    6. Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) – Rio Grande do Sul
    7. Universidade Estadual de Londrina (UEL) – Paraná
    8. Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Minas Gerais
    9. Universidade Federal de Paraná (UFPR) – Paraná
    10. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) – São Paulo

    Dia do Médico-Veterinário

    Entre os dias 7 e 8 de setembro, o Senado iluminou-se de verde em homenagem ao Dia do Médico-Veterinário, celebrado hoje (09/09). Além disso, aqueles que passaram nas proximidades do local puderam perceber a campanha nacional intitulada “Uma profissão, várias formas de cuidar. Médico com V de valor. Médico com V de vida”, que foi lançada pelo Sistema Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs).

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    Essa ação integra, portanto, uma iniciativa mais ampla do Sistema CFMV/CRMVs, que, além de ressaltar a relevância da Medicina Veterinária para a sociedade brasileira, busca também destacar a rica biodiversidade do país. Portanto, no Brasil, existem aproximadamente 200 mil médicos-veterinários, sendo que 58% são mulheres e 42% são homens.

    Ou seja, esses profissionais exercem um papel fundamental não só na saúde animal, mas também na produção sustentável, na proteção da vida selvagem e na saúde pública.

    Além disso, o Brasil abriga cerca de 150 milhões de animais domésticos, 234 milhões de bovinos, 45 milhões de suínos, 1,5 bilhão de aves e 29 milhões de ovinos e caprinos, sem contar aproximadamente 120 mil espécies de animais selvagens.

    Esses dados, por sua vez, enfatizam a importância da atuação dos médicos-veterinários em diversas áreas, refletindo o impacto significativo que esses profissionais têm na saúde e bem-estar dos animais, bem como na segurança alimentar e na preservação do meio ambiente.

  • Pesquisadores brasileiros sequenciam genoma do cupuaçu pela primeira vez

    Pesquisadores brasileiros sequenciam genoma do cupuaçu pela primeira vez

    Cientistas brasileiros alcançaram um marco importante ao sequenciar, pela primeira vez, o genoma do cupuaçu (Theobroma grandiflorum), uma fruta típica da Amazônia. Esse avanço promete revolucionar o melhoramento genético da espécie, permitindo identificar e manipular genes que conferem resistência a doenças e aumentam a produtividade, fundamentais para cultivos mais sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas.

    O estudo, que envolveu pesquisadores da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Universidade Federal do Pará (UFPA), Embrapa Amazônia Oriental e Universidade de São Paulo (USP), decodificou 31.381 genes distribuídos em 10 cromossomos. Entre as descobertas, está a confirmação genética de que o cupuaçu compartilha 65% de semelhança com o cacau (Theobroma cacao). A pesquisa também identificou genes ligados à produtividade e à defesa contra a vassoura-de-bruxa, uma doença devastadora causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa.

    Valorização da ciência nacional

    Segundo Alessandro Varani, professor de bioinformática e genômica da Unesp, o trabalho valoriza o potencial da ciência nacional. “Esse é, possivelmente, um dos primeiros artigos a descrever o genoma completo, telômero a telômero, de uma planta da nossa biodiversidade”, destacou Varani. A pesquisa também identificou bactérias do grupo Actinomycetota, que vivem nas folhas do cupuaçu e ajudam na defesa contra doenças.

    O pesquisador Rafael Alves, da Embrapa Amazônia Oriental, ressaltou que a decodificação genômica permite obter resultados em meses, algo que tradicionalmente levaria décadas. “O acesso a esse conhecimento permite saber, já nas primeiras brotações, quais mudas possuem as características mais desejáveis”, afirmou. Alves destacou ainda que os genótipos utilizados no estudo foram escolhidos criteriosamente para maximizar a resistência a doenças como a vassoura-de-bruxa e aumentar a produtividade.

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    A aplicação da bioinformática foi essencial para o sequenciamento genético do cupuaçu, e os desdobramentos dessa pesquisa poderão fortalecer práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis na Amazônia. “Com o genoma 100% sequenciado, abrem-se novas possibilidades para o melhoramento genético da espécie, visando aprimorar características de interesse comercial e ambiental”, explicou Vinícius Abreu, professor da Faculdade de Computação da UFPA.

    Importância econômica

    A relevância econômica do cupuaçu é evidente, especialmente no Pará, onde a fruta ocupa 8.900 hectares e gera uma produção anual de 29 mil toneladas. O estudo “Bioeconomia da sociobiodiversidade no estado do Pará” estimou que a cadeia produtiva do cupuaçu poderia gerar mais de R$ 170 bilhões em renda até 2040. Isso consolida o fruto como um ativo crucial para a bioeconomia da Amazônia.

    Este avanço científico não só protege a produção e aumenta a produtividade, mas também fortalece a bioeconomia da Amazônia. E, principalmente, contribui para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável da região.