Tag: turismo

  • Produção de uva cresce em Goiás e impulsiona turismo

    Produção de uva cresce em Goiás e impulsiona turismo

    A produção de uva em Goiás mais que dobrou entre 2020 e 2024, consolidando o avanço da vitivinicultura no Cerrado e impulsionando o surgimento de novos destinos turísticos no Centro-Oeste.

    Dados da Embrapa, reunidos no Panorama da Viticultura no Brasil (2020–2024), mostram que o estado saiu de 1.516 toneladas para 3.264 toneladas no período. Embora ainda distante do Rio Grande do Sul, líder nacional, o crescimento marca uma mudança estrutural na produção agrícola goiana.

    Segundo a Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), Goiás já responde por 7% da produção de vinhos no Brasil, com destaque para rótulos elaborados em condições tropicais.

    Tecnologia impulsiona cultivo no Cerrado

    A expansão da viticultura para regiões de clima tropical ganhou força com a adoção da técnica de dupla poda. O método altera o ciclo natural da videira e induz a maturação no inverno, período mais seco e favorável à qualidade das uvas.

    Foto: Divulgação

    Com isso, o Brasil alcançou produção anual próxima de 1,8 milhão de toneladas de uva, ao mesmo tempo em que regiões como o Cerrado passaram a investir no cultivo e na produção de vinhos finos.

    Em Goiás, áreas como o entorno do Distrito Federal, Paraúna e Hidrolândia já cultivam a fruta, mas a principal vitrine do setor hoje é a Rota dos Pirineus.

    Rota dos Pirineus lidera vitivinicultura em Goiás

    Localizada entre Pirenópolis, Cocalzinho e Corumbá, a Rota dos Pirineus reúne nove vinícolas e se consolida como o principal polo de vinhos finos do Centro-Oeste.

    A região combina produção vitivinícola com gastronomia artesanal, especialmente queijos, e fortalece um roteiro turístico que inclui visitas guiadas, degustações e experiências diretamente com produtores.

    Cachoeira do Salto
    Cachoeira do Salto. Foto: Divulgação

    Esse modelo tem ampliado a visibilidade dos vinhos do Cerrado e estimulado o desenvolvimento econômico local.

    Turismo cresce e atrai novos investimentos

    O avanço da vitivinicultura se soma aos atrativos naturais da região, como serras, cachoeiras e clima ameno, elevando o fluxo turístico.

    A Rota dos Pirineus recebe cerca de 80 mil visitantes por mês na baixa temporada e até 120 mil na alta temporada. Esse movimento impulsiona o mercado imobiliário e a oferta de hospedagens de curta duração.

    Empreendimentos como o condomínio Salto Imperial surgem nesse contexto. Localizado próximo ao Salto Corumbá, o projeto vendeu 93% dos lotes na primeira fase e já iniciou a segunda etapa.

    Segundo o coordenador de vendas Rodrigo Ribeiro, terrenos com topografia acidentada lideram a procura, impulsionados pela demanda por imóveis com apelo visual e potencial para locação.

    Novo perfil de moradores e estilo de vida

    Além do turismo, a região também atrai novos moradores, especialmente profissionais que adotaram o teletrabalho.

    De acordo com o especialista imobiliário Robério Siquiero, cresce a busca por segunda residência entre profissionais de tecnologia e outros setores, interessados em conciliar trabalho remoto e qualidade de vida.

    Para os desenvolvedores, o interesse vai além do investimento imobiliário. “As pessoas buscam experiências, contato com a natureza e um estilo de vida mais equilibrado”, afirma Rodrigo Estivallet, sócio do projeto.

  • Sítio Arqueológico Serra do Letreiro amplia turismo histórico e cultural

    Sítio Arqueológico Serra do Letreiro amplia turismo histórico e cultural

    Santa Cruz dos Milagres, conhecida nacionalmente pelo turismo religioso, também preserva um rico patrimônio histórico e cultural. O Sítio Arqueológico Serra do Letreiro, localizado a 32 km da sede do município, na Fazenda Serra Negra, exemplifica esse potencial.

    O local abriga gravuras e pinturas rupestres que comprovam a presença de humanos pré-históricos na região. Essas inscrições constituem um valioso patrimônio arqueológico e ajudam a preservar a memória dos povos que habitaram o território piauiense há milhares de anos. O sítio não apenas fortalece o turismo cultural, mas também integra um amplo roteiro de valorização dos vestígios da ocupação humana no Piauí. A iniciativa contribui para o desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas.

    O percurso até o sítio oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer a comunidade tradicional Alto Bonito, situada às margens do Rio São Nicolau. A combinação entre patrimônio arqueológico, belezas naturais e manifestações culturais proporciona uma experiência singular de conexão com a história e as tradições locais.

    Rota do Homem Americano

    O Serra do Letreiro integra a Rota do Homem Americano (ROTHAM Piauí), projeto desenvolvido pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e pela Rede Pense Piauí. A iniciativa reúne locais com vestígios da passagem do homem americano pré-colonial e forma roteiros ecoturísticos que se estendem de Sul a Norte do estado. O projeto valoriza a riqueza arqueológica, ambiental e cultural do Piauí.

    Foto: Hildengard Alves

    A ROTHAM Piauí conta com apoio da Secretaria de Estado do Turismo (Setur-PI), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), de prefeituras municipais, das empresas Eco Adventure e Rota Combo, além do trade turístico e de comunidades urbanas e rurais. O professor doutor Rômulo Fontenele, do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da Natureza da UFPI, coordena o projeto.

    Diversificação

    O secretário municipal de Turismo de Santa Cruz dos Milagres, Hildengard Alves, destaca que o sítio representa uma oportunidade de ampliar e diversificar a oferta turística do município. “Santa Cruz dos Milagres é reconhecida pela força da fé e do turismo religioso, mas também possui riquezas históricas e culturais que merecem ser conhecidas. O Sítio Arqueológico Serra do Letreiro é um patrimônio de grande relevância, capaz de despertar o interesse de pesquisadores, estudantes e turistas que buscam experiências ligadas à história e à cultura do nosso povo”, afirmou.

    O secretário de Estado do Turismo, Daniel Oliveira, ressalta a importância de valorizar os atrativos arqueológicos para o desenvolvimento do turismo regional. “O Piauí possui um dos mais importantes patrimônios arqueológicos do Brasil, e iniciativas como a divulgação da Serra do Letreiro contribuem para ampliar o conhecimento sobre esses tesouros históricos. Nosso compromisso consiste em fortalecer o turismo cultural e incentivar a visitação responsável, gerando oportunidades para as comunidades locais e promovendo a preservação desse legado para as futuras gerações”, afirmou o gestor.

    Com potencial para atrair visitantes interessados em história, arqueologia, cultura e natureza, o Sítio Arqueológico Serra do Letreiro consolida Santa Cruz dos Milagres como destino turístico diversificado no cenário piauiense.

  • Nova rota de turismo rural na Zona da Mata impulsiona renda no campo

    Nova rota de turismo rural na Zona da Mata impulsiona renda no campo

    A Zona da Mata mineira ganha uma nova aposta no turismo rural com a inauguração da Rota Ferrovia da Bocaina, marcada para esta quarta-feira (3). O projeto conta com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) e da IGR Serras de Ibitipoca, além da parceria das prefeituras de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas. A iniciativa conecta produtores rurais, empreendedores e comunidades locais para estimular o desenvolvimento regional.

    A abertura oficial ocorre às 15h, no Rancho Minas Forno, em Cachoeira do São Bento, zona rural de Lima Duarte. A programação começa com a palestra “Turismo Rural e desenvolvimento: parcerias que transformam vidas no campo”, ministrada pela coordenadora estadual de turismo rural e artesanato da Emater-MG, Thatiana Daniella Garcia. As atividades seguem até sábado (6) e incluem passeio ciclístico, caminhada ecológica e lançamento de livro.

    A organização estima a participação de cerca de 300 turistas. Interessados em participar do ciclismo ou da caminhada devem se inscrever previamente pelos telefones (32) 99907-1819 e (27) 98844-2068.

    Rota

    A rota reúne 21 empreendimentos, entre restaurantes, pousadas, bares e propriedades rurais. Os pontos estão distribuídos nas comunidades de Cachoeira de São Bento, Rosa Gomes, Souza do Rio Grande, São José do Palmital, São Domingos da Bocaina, Capoeira Grande, Dois Córregos e Viegas, além dos municípios de Lima Duarte, Olaria e Bom Jardim de Minas.

    Segundo a extensionista da Emater-MG, Roberta Brangioni, a rota amplia as oportunidades de renda e fortalece o desenvolvimento rural sustentável. “A proposta consolida o turismo rural como alternativa complementar à atividade agropecuária”, afirma.

    O técnico da IGR Serras de Ibitipoca, Márcio Lucinda, destaca que o projeto pode impulsionar melhorias em infraestrutura e serviços públicos nas áreas rurais. “A iniciativa amplia a oferta de lazer, hospedagem e alimentação, além de incentivar novos empreendimentos turísticos”, explica.

    Origem do projeto

    A criação da Rota Ferrovia da Bocaina começou em 2024, durante o II Seminário Regional de Turismo Rural promovido pela Emater-MG. A proposta surgiu após uma produtora rural apresentar a ideia de estruturar um roteiro turístico na região.

    Em parceria com a IGR Serras de Ibitipoca e apoio das prefeituras, a Emater-MG realizou diagnósticos comunitários com base na metodologia Mexpar para mapear o potencial turístico das localidades. As equipes também conduziram visitas técnicas e orientaram produtores sobre boas práticas agropecuárias, manipulação de alimentos e serviços de hospedagem.

    Localizada entre a Serra Negra e a Serra do Ibitipoca, a rota possui cerca de 85 quilômetros de extensão e preserva vestígios de um antigo ramal ferroviário planejado para ligar Lima Duarte a Bom Jardim de Minas.

  • Safra 2026 de azeitonas bate recorde na Serra Gaúcha

    Safra 2026 de azeitonas bate recorde na Serra Gaúcha

    O Olivas de Gramado alcançou um marco histórico na safra de azeitonas de 2026 e consolidou o melhor desempenho desde o início da produção, em 2020. Em cerca de 60 dias de colheita, o empreendimento colheu aproximadamente 80 toneladas de azeitonas, cultivadas em mais de 12,6 mil oliveiras distribuídas em 29 hectares, na Serra Gaúcha.

    O volume representa um crescimento de 220% em relação à safra de 2025, quando a produção somou 25 mil quilos. O resultado garantiu a extração de mais de 10 mil litros de azeite extravirgem no lagar próprio, destinado às linhas especiais aromatizadas e ao rótulo Terroir Serrano, já reconhecido em mais de dez concursos internacionais.

    O avanço na produção reflete o manejo preciso dos olivais, aliado às condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo. A equipe técnica também contribuiu diretamente para o desempenho, ao manter padrões elevados nas etapas de colheita e extração.

    Segundo o CEO e mestre lagareiro do Olivas de Gramado, André Bertolucci, a safra representa uma recuperação importante após anos desafiadores. “Depois de duas safras impactadas pelo clima, 2026 trouxe um recorde absoluto na quantidade de frutos colhidos, tanto no Olivas de Gramado quanto na maior parte dos olivais do Rio Grande do Sul”, afirma.

    Bertolucci destaca ainda o impacto do crescimento para o mercado. “O aumento da produção abre espaço para novos mercados. E fortalece o azeite brasileiro, que já se destaca pela qualidade e agora alcança um número maior de consumidores”, completa.

    Premiações internacionais

    A safra 2026 já conquistou reconhecimento fora do país. O azeite produzido pelo Olivas de Gramado recebeu medalha de ouro no Anatolian International Olive Oil Competition, na Turquia, e no Masters of Olive Oil, em Monte Carlo.

    O rótulo Terroir Serrano ainda participará de outras competições relevantes ao longo do ano, como o EVOO IOOC, na Itália, e o London IOOC, na Inglaterra.

    Olivoturismo em expansão

    Pioneiro no olivoturismo no Brasil, o Olivas de Gramado amplia sua atuação ao integrar produção agrícola e experiência turística. Localizado na Linha Nova, marco zero do município, o parque ocupa uma área cercada por Mata Atlântica e formações naturais com cristais de quartzo.

    O empreendimento oferece atrações que combinam lazer, gastronomia e educação. Entre as experiências disponíveis estão visitas guiadas pelos olivais, degustações sensoriais de azeite, trilhas ecológicas e atividades interativas.

    A estrutura inclui trattoria, cafeteria, áreas para piquenique e espaços temáticos. Os visitantes também podem participar de experiências como a criação de blends personalizados de azeite e imersões sobre a história e cultura da olivicultura.

  • Focas raras usam cavernas submersas para fugir de turistas

    Focas raras usam cavernas submersas para fugir de turistas

    As raras focas-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus) podem estar adotando uma nova estratégia para escapar da intensa movimentação turística no verão europeu. Um estudo publicado na revista científica Oryx revelou que os animais passaram a utilizar pequenas cavernas submersas como abrigo na ilha de Formicula, na Grécia.

    Os pesquisadores registraram as focas descansando e dormindo em estruturas conhecidas como “cavernas de bolhas”, câmaras cheias de ar acessíveis apenas por passagens submersas. A descoberta amplia o entendimento sobre o comportamento da espécie e pode ajudar em futuras estratégias de conservação.

    Espécie segue ameaçada

    As focas-monge-do-mediterrâneo estão entre os pinípedes mais raros do planeta. Atualmente, estima-se que existam entre 444 e 600 indivíduos adultos distribuídos pelo Mediterrâneo e áreas do Atlântico próximas ao noroeste da África.

    Apesar do crescimento lento da população, a espécie ainda é considerada vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

    A foca-monge-do-mediterrâneo é o membro da família das focas mais ameaçado de extinção — (Foto: Divulgação)

    Historicamente, esses animais utilizavam praias abertas para descanso e reprodução. Porém, séculos de perseguição humana fizeram com que buscassem abrigo em cavernas isoladas. Mesmo assim, o turismo próximo a esses locais continua sendo uma ameaça.

    Câmeras revelaram comportamento inédito

    Em 2019, pesquisadores encontraram uma pequena caverna submersa enquanto instalavam equipamentos em uma caverna maior já conhecida em Formicula. O espaço era invisível da superfície e só podia ser acessado mergulhando.

    Para entender como as focas utilizavam o local, os cientistas instalaram câmeras subaquáticas entre 2020 e 2021. Durante 141 dias de monitoramento, os animais apareceram na caverna principal em 30 dias, enquanto a chamada caverna de bolhas foi utilizada em 119 dias.

    As imagens mostraram as focas descansando e dormindo dentro do abrigo, tanto flutuando quanto repousando no fundo da câmara. Os pesquisadores também registraram o comportamento conhecido como “engarrafamento”, quando os animais permanecem na posição vertical dentro da água.


    Registros das focas cochilando em cavernas subaquáticas — (Foto: J. Gonzalvo et al., Oryx)

    “Quando descobrimos remotamente que várias focas estavam inspecionando a câmera à prova d’água menos de uma hora depois de a instalarmos, ficamos realmente impressionados”, afirmou Julien Pfyffer.

    Embora funcionem como refúgio, os pesquisadores classificam essas cavernas como habitats menos adequados. Ainda assim, os locais parecem importantes para a sobrevivência da espécie em regiões com forte presença humana.

    Nos últimos anos, o governo grego também implementou novas regras para navegação e atividades recreativas ao redor de Formicula, medida que pode beneficiar diretamente os animais.

    “Se a tese estiver correta, de que eles dormem nessas cavernas de bolhas porque querem evitar a perturbação humana, se o habitat for protegido o suficiente, eles não precisariam fazer isso”, afirmou Jason Baker à revista Science.

  • Sucuri ou jacaré? Turistas confundem animal gigante em rio no Pantanal

    Sucuri ou jacaré? Turistas confundem animal gigante em rio no Pantanal

    Um grupo de turistas, que faziam um passeio por um rio no Pantanal sul-mato-grossense, foram surpreendidos ao se deparar com uma sucuri de grande porte a poucos metros da embarcação. A serpente, que havia ingerido recentemente uma presa, chegou a ser confundida com um jacaré devido ao seu tamanho.

    Visitantes encontram esses predadores o tempo todo nos rios do Pantanal, usados pra passeios e pesca. A sucuri, maior cobra do mundo, caça em silêncio e atinge até 9 metros, enquanto jacarés-açu dominam as corredeiras.

    Uma das turistas que estava no barco relatou a surpresa com o encontro: “Ganhei a viagem. Estou até tremendo. Tenho muito medo desse bicho, mas foi gratificante ver um animal desse tamanho, ainda mais se alimentando”, disse.

    Sucuri é confundida com jacaré por turistas no Pantanal (Foto: Reprodução/ Célio Araújo)

    Cena comum no Pantanal

    O guia Célio Araújo registrou o vídeo viral e explicou que o volume do animal resulta da ingestão recente de um cateto, o porco-do-mato que ele predou logo antes do encontro. Ele ainda afirmou que cenas assim não são incomuns no Pantanal.

    “Sempre estamos na expectativa de encontrar uma sucuri, e quando isso acontece é preciso ter muito cuidado. É um animal arisco, que teme o ser humano, mas não pode ser subestimado”, afirmou.

     

  • Bahamas transforma turismo em conservação ambiental

    Bahamas transforma turismo em conservação ambiental

    Com mais de 700 ilhas, praias de areia branca e um mar em tons impossíveis de azul, as Bahamas já são conhecidas como um dos destinos mais cobiçados do Caribe. O que poucos viajantes brasileiros sabem é que o arquipélago vai muito além do cartão-postal: nos últimos anos, o destino se tornou referência em turismo sustentável e ecoturismo, combinando beleza natural com práticas concretas de conservação ambiental.

    Foto: Bahamas Ministry of Tourism, Investments and Aviation (BMOTIA)

    O compromisso com a preservação não fica no discurso. As Bahamas abrigam áreas marinhas protegidas, parques nacionais e iniciativas voltadas à conservação de manguezais, recifes de coral e pradarias marinhas,ecossistemas fundamentais para a biodiversidade local e para o equilíbrio climático do planeta. Para o visitante, esse cuidado se traduz em experiências mais autênticas: mergulhos em recifes intactos, passeios de caiaque por águas rasas e tranquilas, observação de vida selvagem e trilhas em cenários praticamente intocados.

    Andros e Exuma: natureza em estado puro

    A ilha de Andros concentra alguns dos melhores exemplos dessa proposta. Lar da terceira maior barreira de corais do mundo, a região é um convite para quem busca aventura com propósito. Snorkeling, mergulho, observação de pássaros e exploração dos famosos blue holes, buracos azuis de beleza singular, convivem com um forte senso de responsabilidade ambiental.

    Em Exuma, a transparência da água e a riqueza da vida marinha reforçam o valor das práticas responsáveis no turismo náutico. As experiências ao ar livre ganham outro significado quando o ambiente ao redor permanece preservado. E o visitante percebe que faz parte dessa equação.

    O luxo de andar descalço

    Outro diferencial das Bahamas está no conceito de Barefoot Luxury, o luxo de andar descalço na areia branca, saborear o tempo sem pressa e trocar o excesso pelo essencial. Mais do que consumir atrações em ritmo acelerado, o arquipélago convida a um olhar contemplativo:. Travessias entre ilhas menores, passeios com operadores locais e experiências que valorizam cultura, paisagem e respeito ao ambiente natural.

    Foto: Bahamas Ministry of Tourism, Investments and Aviation (BMOTIA)

    Para um público brasileiro cada vez mais atento ao impacto de suas escolhas, essa proposta ressoa com uma demanda crescente por destinos que unem beleza, exclusividade e consciência ambiental.

    Comunidades locais no centro da experiência

    A sustentabilidade das Bahamas também passa pela valorização de quem vive no arquipélago. Roteiros que priorizam guias locais, pequenas embarcações, hospedagens integradas ao entorno e atividades em áreas protegidas criam um ciclo virtuoso. O viajante contribui para preservar exatamente aquilo que torna o destino tão singular.

    Foto: Bahamas Ministry of Tourism, Investments and Aviation (BMOTIA)

    Ao escolher esse modelo de turismo, o visitante não apenas desfruta de paisagens extraordinárias, ele ajuda a garantir que essas paisagens continuem existindo. Nas Bahamas, luxo de verdade é admirar a natureza em seu estado mais puro e ajudar a mantê-la assim.

  • Mais turistas, mais demanda: o impacto direto no agronegócio brasileiro

    Mais turistas, mais demanda: o impacto direto no agronegócio brasileiro

    O turismo doméstico brasileiro mantém trajetória de crescimento em 2026 e, ao mesmo tempo, começa a gerar efeitos concretos sobre o agronegócio. Dados recentes mostram que o país ultrapassou 17 milhões de passageiros em voos nacionais apenas no primeiro bimestre, o que representa alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025.

    Esse avanço reflete uma mudança clara no comportamento do consumidor. Com o dólar valorizado e um cenário internacional instável, os brasileiros passaram a priorizar viagens dentro do país. Como resultado, destinos consolidados registram aumento no fluxo turístico e, consequentemente, ampliam a demanda por alimentos, insumos e serviços ligados ao agro.

    Novo cenário global redireciona consumo e fortalece o mercado interno

    A atual conjuntura internacional tem papel decisivo nessa transformação. De acordo com Márcio Piccoli, diretor de operações do Amazon Parques & Resorts, o contexto global influencia diretamente o turismo nacional.

    “A valorização da moeda americana encarece viagens ao exterior, enquanto conflitos no Oriente Médio elevam a volatilidade do setor aéreo, o que impacta o custo das passagens e a previsibilidade das viagens internacionais. Esse quadro tem direcionado o fluxo para destinos nacionais e ampliado a demanda por hospedagens mais estruturadas”, afirma.

    Nesse sentido, o aumento do turismo interno não apenas movimenta o setor de serviços, mas também fortalece o mercado interno como um todo. Portanto, o agronegócio passa a se beneficiar de uma demanda mais previsível e regionalizada.

    Penha (SC) exemplifica como turismo impacta o agro

    O município de Penha, no litoral norte de Santa Catarina, já demonstra na prática os efeitos desse crescimento. Conhecida por abrigar o parque temático Beto Carrero World, a cidade registrou um aumento expressivo na chegada de turistas por via aérea.

    Na última temporada, o modal aéreo cresceu 46,9% e passou a representar 14,2% do total de visitantes. Além disso, o gasto médio por turista atingiu R$ 8.224, o segundo maior da série histórica. Já a despesa média com hospedagem chegou a R$ 4.359, valor 26% acima da média histórica.

    Esses números revelam um ponto estratégico para o agronegócio. Turistas com maior poder de consumo tendem a demandar alimentos de melhor qualidade, produtos diferenciados e experiências gastronômicas. Dessa forma, produtores rurais encontram espaço para agregar valor e diversificar a produção.

    Expansão da hotelaria impulsiona cadeias produtivas rurais

    Ao mesmo tempo, o crescimento do turismo estimula novos investimentos em infraestrutura. O Amazon Parques & Resorts, em construção em Penha, ilustra essa tendência. O empreendimento terá mais de 20 mil metros quadrados de área construída, com três torres, mais de 200 unidades de multipropriedade, 420 leitos e capacidade para até 1.056 hóspedes.

    Para o agronegócio, isso representa uma oportunidade direta. Hotéis e resorts desse porte necessitam de fornecimento contínuo de alimentos, bebidas e insumos. Assim, produtores locais podem estabelecer parcerias estratégicas, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade.

    Cadeias curtas ganham força e valorizam o produtor local

    Com o aumento do fluxo turístico, cresce também a valorização de produtos regionais. Restaurantes e hotéis buscam diferenciação por meio da gastronomia local, o que impulsiona cadeias curtas de abastecimento.

    Além disso, esse movimento reduz a dependência de grandes centros distribuidores. Por outro lado, exige maior profissionalização dos produtores, especialmente em aspectos como regularidade de entrega, padronização e certificações.

    Ainda assim, o cenário é positivo. Regiões que integram turismo e agro tendem a capturar mais valor econômico. Portanto, o avanço do turismo doméstico pode se consolidar como um vetor importante de desenvolvimento rural.

    Oportunidade estratégica para o agro brasileiro em 2026

    Diante desse contexto, o agronegócio brasileiro encontra uma nova frente de crescimento. O aumento do turismo interno amplia o mercado consumidor e cria canais alternativos de comercialização.

    Além disso, produtores que atuam próximos a polos turísticos podem reduzir a exposição a oscilações do mercado externo. Dessa forma, o fortalecimento do consumo interno contribui para maior estabilidade e previsibilidade no setor. 

  • Mulheres lideram revolução no turismo sustentável brasileiro

    Mulheres lideram revolução no turismo sustentável brasileiro

    As mulheres representam 44% dos empreendedores no turismo sustentável brasileiro, número expressivamente superior à média nacional de 34% em todos os setores. Entre os viajantes, a presença feminina chega a 70%, segundo relatório de impacto da Vivalá Turismo Sustentável.

    A busca por relações mais justas explica esse cenário. “No modelo tradicional, as mulheres ocupam funções operacionais, enquanto os cargos de decisão seguem majoritariamente masculinos”, explica Mariana Oliveira, coordenadora de operações da Vivalá. “Já o turismo responsável contribui para reduzir desigualdades de gênero e promove ambientes mais acolhedores para viajantes.”

    O turismo de base comunitária, que combina geração de renda local com imersão cultural, tende a ampliar esses números. O setor avança no cumprimento da equidade de gênero, um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.

    Liderança feminina na Amazônia inspira modelo de turismo comunitário

    Às margens do Rio Negro, Horenilde da Silva Gomes, a Nilde, comanda a Caboclo’s House Ecolodge, hospedagem considerada top 1% das melhores do mundo pelo TripAdvisor. Filha de ribeirinhos, ela cresceu com 13 irmãos no Lago de Acajatuba, a 70 km de Manaus.

    Nilde, CEO da Caboclo’s House Ecolodge. Foto: Divulgação Vivalá

    “A floresta, o rio, a sabedoria popular e a vida comunitária moldaram quem sou”, conta Nilde. O turismo entrou em sua vida quando o pai recebia visitantes na Casa de Farinha e a mãe ensinava medicina natural com plantas.

    Em 2005, após trabalhar em um hotel de selva, Nilde enxergou seu caminho. Com os pais, comprou um flutuante e abriu um restaurante. Depois, adquiriram um terreno e criaram a Caboclo’s House, projeto familiar ribeirinho liderado por mulheres.

    “As dificuldades financeiras eram grandes, e ser mulher empreendendo na região não era simples”, lembra. Em 2017, uma viajante conectou Nilde a um grupo de interessados na experiência local. A parceria com a Vivalá ampliou horizontes.

    Hoje, Nilde coleciona prêmios e reconhecimento. “Ver o hotel entre os melhores do mundo prova que um sonho improvável deu mais que certo”, afirma.

    União feminina fortalece negócios na comunidade

    Nilde incentiva outras mulheres a buscar seu espaço. Um exemplo é Sueula Teixeira Andrade, fundadora do Cheiro da Floresta, que produz cosméticos naturais amazônicos. “Incentivei Sueula a acreditar no talento dela. Hoje ela vende produtos e oferece oficinas para hóspedes”, conta Nilde.

    Sueula participou de mentorias de empreendedorismo oferecidas pela Vivalá na região. “Aprendi a lidar com dinheiro e com meu negócio. As trocas me fizeram crescer e enxergar o potencial das minhas mãos”, diz.

    Seus ancestrais ensinaram Sueula a cuidar da floresta e manusear ervas e óleos. Com as capacitações, ela transformou paixão em negócio rentável. “A matéria-prima está no meu quintal. A cosmética natural mudou minha vida.”

    Sueula destaca a força feminina na comunidade. “A maioria dos empreendimentos de turismo sustentável tem mulheres na gestão. Nós nos fortalecemos juntas para mostrar que somos capazes, mesmo com os desafios.”

    Mulheres em campo ampliam segurança das viajantes

    Atualmente, 80% dos destinos da Vivalá contam com pelo menos uma mulher na equipe de campo. A organização fortalece a autonomia econômica feminina ao gerar oportunidades de renda justa no turismo comunitário.

    Mônica Azevedo Rodrigues, guia especializada em ecoturismo na Chapada dos Veadeiros, explica sua diferença: “Sei exatamente onde estão as dores e receios de outras mulheres. Há algo singular em compartilhar vivências com outra mulher; o reconhecimento genuíno de um lugar de fala compartilhado.”

    Foto: Divulgação Vivalá

    Guiar mulheres exige atenção redobrada à segurança, principalmente ao lidar com prestadores de serviço homens. A presença de lideranças femininas durante as viagens funciona como ato de empoderamento e transmite confiança.

    “Vejo mulheres tomando a frente nas próprias escolhas”, observa Mônica. “Querem incentivar outras a viajar sozinhas, a viver sem depender de companhia. A vida corre rápido demais para esperar o momento ideal.”

    A viajante Rita Alves sentiu essa diferença na Amazônia. “Vivenciei uma experiência real em comunidade ribeirinha, conduzida por mulheres e homens fortes, afetuosos e respeitosos com a floresta. A equipe realizou reunião prévia para alinhar expectativas. Me senti segura, respeitada e bem acompanhada.”