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  • Bioinsumo amplia restauração de áreas degradadas no Brasil

    Bioinsumo amplia restauração de áreas degradadas no Brasil

    Pesquisadores da Embrapa Agrobiologia (RJ) desenvolveram um bioinsumo de amplo espectro capaz de beneficiar mais de 30 espécies florestais leguminosas. Em geral, o produto promete revolucionar a recuperação de solos degradados e impulsionar o mercado de bioinsumos no País.

    O inoculante amplia o uso de uma técnica reconhecida desde os anos 1990, baseada em microrganismos que regeneram solos afetados por mineração, erosão ou ocupação urbana desordenada. O produto está em fase final de desenvolvimento e deve simplificar projetos de restauração ecológica em todos os biomas brasileiros.

    Pesquisa seleciona bactérias que beneficiam 31 espécies florestais

    Entre mais de 800 estirpes de rizóbios (bactérias do solo) estudadas pela Embrapa, duas foram selecionadas pela eficiência em simbiose com 31 espécies florestais. Em resumo, essa descoberta elimina uma das maiores barreiras à aplicação em larga escala da técnica: a especificidade entre bactéria e planta hospedeira.
    “Essas estirpes eliminam a limitação técnica e tornam o processo mais acessível”, explica Sérgio Faria, pesquisador da Embrapa Agrobiologia. O inoculante multiespécies permitirá atender várias leguminosas nativas e comerciais, ampliando as opções para viveiristas e restauradores.

    Inoculante multiespécies reduz custos e amplia eficiência

    A indústria de bioinsumos enfrenta desafios para produzir um inoculante específico para cada espécie florestal. Porém, com a nova formulação, será possível reduzir custos, simplificar a logística e aumentar a eficiência operacional. “Ter um produto de ampla compatibilidade representa um avanço técnico e econômico para o setor”, afirma Faria. Portanto, o objetivo é oferecer um único inoculante eficiente para diferentes espécies florestais, garantindo boa fixação de nitrogênio e desempenho estável em campo.

    Três décadas de pesquisa em restauração ecológica

    O avanço resulta de décadas de trabalho da Embrapa Agrobiologia, com apoio de universidades, instituições públicas e empresas privadas. A equipe une ciência do solo, microbiologia e ecologia para restaurar paisagens degradadas por meio de processos naturais.
    A técnica surgiu há mais de 30 anos, quando pesquisadores buscavam recuperar solos minerados e sem vida. Na época, menos de dez espécies leguminosas, como sabiá, gliricídia e saman, foram testadas.
    Hoje, a base de dados da Embrapa reúne centenas de espécies adaptadas a todos os biomas brasileiros, da Amazônia ao Semiárido. “Temos conhecimento para orientar o uso de leguminosas em qualquer tipo de solo e clima”, destaca o pesquisador Alexander Resende.

    Microrganismos transformam solo degradado em solo fértil

    A tecnologia se apoia na simbiose entre plantas e microrganismos. Os rizóbios colonizam as raízes das leguminosas, formam nódulos e convertem nitrogênio do ar em nutrientes para as plantas.
    Já os fungos micorrízicos aumentam o alcance das raízes, melhoram a absorção de água e fósforo e aceleram o crescimento vegetal.
    Essa relação fortalece o solo e reativa ciclos ecológicos essenciais, como a retenção de água e a ciclagem de nutrientes. “Selecionamos bactérias, fungos e plantas capazes de formar um sistema eficiente e sustentável”, resume Eduardo Campello, pesquisador da Embrapa.

    Resultados comprovados em áreas de mineração e erosão

    A técnica já foi testada com sucesso em áreas de mineração de bauxita e ferro na Amazônia e em Minas Gerais. Também mostrou bons resultados em jazidas de piçarra no Rio Grande do Norte e em encostas degradadas no Rio de Janeiro.
    Os primeiros sinais aparecem após 12 meses, com o solo coberto e a erosão controlada. Em até cinco anos, as áreas ganham aspecto de floresta jovem. Após dez anos, mais de 40 novas espécies vegetais voltam a crescer naturalmente — número que chega a 70 espécies na Amazônia.
    “A vida volta, e o solo volta a respirar”, diz Faria, que atua com microrganismos desde os primeiros testes da Embrapa Agrobiologia.

    Bioinsumo reduz impacto ambiental e fortalece metas climáticas

    O uso do inoculante dispensa a adubação nitrogenada mineral, reduzindo custos e evitando perdas de nitrogênio para a atmosfera e águas subterrâneas. Estima-se que metade do nitrogênio de adubos convencionais se perde por volatilização e lixiviação.
    A inovação também contribui para as metas ambientais do Brasil, como o Código Florestal, o Planaveg e os compromissos do Acordo de Paris.
    “Estamos na década da restauração, e é essencial mostrar soluções brasileiras baseadas na ciência”, reforça Resende.

    Parcerias fortalecem o desenvolvimento da tecnologia

    O projeto recebeu apoio de instituições como CNPq, Capes, Faperj e Faped, além de empresas como Alcoa, BHP, Vale, Petrobras e Norsk Hydro. Também participaram o Cenpes/Petrobras, o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), a UFRRJ e diversas prefeituras locais.
    A Embrapa planeja ampliar os testes com inoculantes multiespécies e capacitar viveiristas em todo o País. A próxima etapa envolve parcerias com a indústria de bioinsumos para viabilizar a produção em larga escala.

    Voçorocas: feridas do solo curadas com ciência

    Foto: divulgação – Embrapa/Eduardo Campello

    Em tupi-guarani, “voçoroca” significa terra rasgada. O termo descreve as imensas crateras causadas pela erosão acelerada, que ameaçam lavouras, estradas e comunidades.
    Há voçorocas com mais de 50 metros de profundidade e 15 mil metros quadrados, formadas ao longo de dois séculos de mau uso do solo.

    Um levantamento da Embrapa Agrobiologia na bacia do rio Barra Mansa (RJ) identificou 154 voçorocas apenas no trecho estudado, com 3 milhões de metros cúbicos de solo erodido. “Sabemos o que precisa ser feito: manter o solo coberto, reintroduzir vegetação e usar espécies que melhorem sua estrutura”, enfatiza Resende.

    As leguminosas inoculadas com microrganismos benéficos ajudam a reconstruir a cobertura vegetal, fixar nitrogênio e estabilizar o terreno. A ciência comprova a possibilidade de curar as terras rasgadas que viram áreas produtivas e sustentáveis.

  • Tecnologia impulsiona nova fase dos Cafés do Brasil

    Tecnologia impulsiona nova fase dos Cafés do Brasil

    O Brasil apresentou um novo posicionamento para os “Cafés do Brasil”, destacando a tecnologia como força motriz da inovação e do desenvolvimento sustentável. O conceito ESG+T, que adiciona “tecnologia” à tradicional sigla ambiental, social e de governança, foi lançado durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG).

    O projeto, desenvolvido pela agência Design Bridge and Partners em parceria com a cadeia produtiva e o governo federal, reforça que tradição e tecnologia caminham juntas. A iniciativa busca mostrar que a cafeicultura brasileira alia inovação e responsabilidade ambiental, social e de governança, renovando diariamente suas práticas em todas as regiões produtoras.

    Modernização

    Segundo Fabrício Andrade, presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, o novo posicionamento moderniza a comunicação do setor. “Atualizamos o que queremos transmitir sobre os ‘Cafés do Brasil’ diante das novas demandas do mercado. Também renovamos a identidade visual e verbal para comunicar desenvolvimento com responsabilidade ambiental e social, boa governança e soluções tecnológicas que geram progresso para todo o país”, afirmou.

    Além da CNA, o trabalho envolveu a ABIC, ABICS, Cecafé, CNC, BSCA e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Andrade explica que o estudo identificou a necessidade de fortalecer a narrativa sobre os impactos positivos da cafeicultura brasileira. “Decidimos incluir o ‘T’, de tecnologia, no ESG, mostrando que o Brasil produz café com inovação, sustentabilidade e compromisso social”, acrescentou.

    Conceito ESG+T

    O conceito ESG+T reforça que o país é referência mundial em qualidade e sustentabilidade. A atualização aproxima a marca das necessidades dos consumidores e das empresas compradoras, valorizando o produto nacional e sua imagem de consistência, segurança alimentar e inovação.

    A modernização também inclui uma nova logomarca, adaptada para mídias digitais. O símbolo mantém o reconhecimento da marca, mas adota linhas mais simples e contemporâneas, refletindo um café moderno e conectado ao futuro. “A marca passa a expressar confiança, ética, autenticidade e diversidade, celebrando as pessoas e culturas que compõem nossa cafeicultura”, explicou Andrade.

    Reposicionamento

    Para o diretor de Estratégia da Design Bridge and Partners, Renor Sell Junior, o reposicionamento marca uma virada na história dos Cafés do Brasil. “O país mostra que não é apenas o maior produtor, mas um líder que une tradição e futuro. Ao integrar tecnologia e sustentabilidade, criamos um modelo que preserva raízes e abre novos ciclos de desenvolvimento”, disse.

    O diretor de design da agência, Shingo Sato, destacou que a nova identidade visual traduz inovação em arte. “Ressignificamos a marca pela lente do ESG+T, respeitando o legado e projetando-a para o futuro. O sistema gráfico ESGT Fields transforma a paisagem dos cafezais em expressões digitais vivas e diversas”, completou.
    A fotografia institucional também foi renovada. As imagens abandonam o clichê rústico e artesanal e passam a retratar uma produção tecnológica, diversa e humana. O objetivo é revelar a modernidade da cafeicultura brasileira e o papel da inovação no campo.

    Liderança brasileira

    A força do novo posicionamento se apoia em números que comprovam a liderança brasileira. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, responsável por 31% da produção global, com 54,2 milhões de sacas colhidas na safra 2024/25. Em 2024, o país exportou 50,4 milhões de sacas para cerca de 120 países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Itália e Japão.

    O país também é o segundo maior consumidor mundial de café, com 21,9 milhões de sacas por ano, e possui o maior parque industrial de café solúvel, com capacidade de 132 mil toneladas anuais. O setor conta ainda com um dos maiores bancos de germoplasma do mundo, com cinco mil acessos genéticos e 174 variedades registradas.

    Desde os anos 1980, o Brasil reduziu em 40% a área plantada e aumentou a produção em 87%, impulsionado por tecnologia, melhoramento genético e boas práticas agrícolas. Essa combinação elevou a produtividade em 130%, preservando 43,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas regiões produtoras.

    Sustentabilidade

    A sustentabilidade é outro diferencial. Em Minas Gerais, 99% das 115 mil propriedades de café registradas no CAR não apresentam desmatamento após 2008. Cerca de um terço dessas fazendas mantém mais vegetação nativa do que o exigido por lei, somando 302 mil hectares de áreas excedentes.

    Pesquisas da USP e da Imaflora mostram que a cafeicultura brasileira armazena grandes volumes de carbono em áreas de preservação e reservas legais. As práticas sustentáveis, como uso de fertilizantes organominerais e cobertura vegetal, permitem capturar mais CO₂ do que emitir, reforçando o papel do setor na mitigação climática.

    A Plataforma de Monitoramento Socioambiental Cafés do Brasil garante rastreabilidade e transparência, permitindo comprovar que o café nacional é livre de desmatamento desde 2020. O sistema cruza dados do governo com bases como Prodes e MapBiomas Alerta, atendendo aos requisitos do regulamento europeu EUDR.
    Em Rondônia, o uso de geotecnologia mostrou desmatamento zero em sete dos 15 municípios produtores entre 2020 e 2023. Menos de 1% da área cafeeira na região apresentou vestígios de remoção florestal.
    Com o conceito ESG+T, os Cafés do Brasil reafirmam sua posição de liderança global. O reposicionamento une tradição, sustentabilidade e tecnologia, projetando o café brasileiro como símbolo de inovação e desenvolvimento para o futuro.

  • Tecnologia: empresa enfrenta gripe aviária com drones que disparam laser

    Tecnologia: empresa enfrenta gripe aviária com drones que disparam laser

    A ameaça invisível da gripe aviária, que causa prejuízos devastadores e o abate sanitário de milhões de aves em todo o mundo, está sendo combatida no Japão com uma arma de ficção científica: drones com laser. A gigante de tecnologia e telecomunicações NTT desenvolveu e está implantando um sistema automatizado que usa feixes de luz colorida e intermitente para proteger granjas, espantando corvos, pombos e outras aves que podem carregar o vírus.

    A inovação é uma resposta direta a uma crise severa. Apenas entre janeiro e fevereiro de 2025, a província de Chiba viveu um surto da doença que resultou no sacrifício de mais de 3,3 milhões de galinhas. Diante de cenários como esse, a prevenção se torna a estratégia mais crucial e econômica para os avicultores.

    Como funciona a tecnologia dos drones com laser

    O sistema, resultado de uma parceria entre a NTT e o governo de Chiba, é composto por drones de navegação automática. Quando sensores ou câmeras identificam a presença de aves selvagens na área da granja, o drone é acionado.

    Ao contrário do que se imagina, o drone não emite um único feixe de laser concentrado. O modelo BB102 projeta um raio que se divide em múltiplos feixes de luz verde e vermelha. Os técnicos escolheram essas cores por sua eficácia comprovada em afastar diversas espécies, como pombos, corvos, estorninhos e até veados.

    Para aumentar a eficiência, o laser é intermitente, piscando ritmicamente. O efeito de “flash” evita que os animais se acostumem com a luz ou encontrem brechas entre os raios para pousar, o que faz com que eles abandonem a área de forma eficaz.

    Vantagens sobre métodos tradicionais

    A chegada dos drones com laser apresenta uma alternativa superior aos métodos tradicionais de proteção de granjas:

    • Não é invasivo: diferente de ruídos altos ou substâncias químicas, o laser não polui o ambiente nem causa estresse às galinhas dentro do galinheiro.
    • Automatizado: elimina a necessidade de um funcionário ficar monitorando e espantando as aves manualmente, otimizando a mão de obra.
    • Eficiente 24/7: o sistema pode operar continuamente, dia e noite, oferecendo proteção constante.

    Para viabilizar o acesso dos produtores rurais a essa tecnologia de ponta, a NTT informa que subsídios do governo estarão disponíveis, tornando o investimento em prevenção mais acessível para os avicultores. A medida representa um passo vital para fortalecer a biossegurança e garantir a sustentabilidade da avicultura diante de uma ameaça global constante.

  • IA detecta lagarta-do-cartucho e protege lavouras de milho contra prejuízos

    IA detecta lagarta-do-cartucho e protege lavouras de milho contra prejuízos

    A Embrapa Instrumentação (SP) criou um sistema que combina sensores de imagem e inteligência artificial para identificar a lagarta-do-cartucho, uma das pragas mais destrutivas da cultura do milho. O método analisa imagens digitais e reconhece a praga tanto nas folhas quanto nas espigas da planta.

    A tecnologia elimina a subjetividade dos métodos tradicionais, que exigem trabalho intensivo e dependem exclusivamente da observação humana. Produtores rurais podem agora contar com uma ferramenta automatizada que aumenta a precisão na detecção precoce da praga.

    Praga ameaça 70% da produção

    O milho figura entre os cereais mais cultivados globalmente, mas enfrenta uma ameaça séria: a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frungiperda). Pesquisadores da Embrapa estimam que o inseto pode destruir até 70% da produção quando não controlado adequadamente.

    O ataque ocorre em duas fases críticas do desenvolvimento da planta. A lagarta destrói o milho tanto durante o crescimento vegetativo quanto no período reprodutivo, comprometendo toda a safra.

    A revista Electronics publicou o estudo “Computational Intelligence Approach for Fall Armyworm Control in Maize Crop”, assinado por Alex Bertolla e Paulo Cruvinel. Os pesquisadores identificaram uma lacuna significativa entre os métodos atuais de detecção e os resultados necessários para o controle eficaz.

    “A discrepância entre o método atual de detecção e o resultado pretendido nos motivou a pesquisar uma alternativa para a detecção precoce de pragas em áreas cultivadas”, explica Bertolla.

    O estudo concentrou esforços no reconhecimento e classificação de padrões dinâmicos da lagarta-do-cartucho. Além do milho, a praga ataca outras culturas importantes como soja e algodão. A solução desenvolvida oferece aos agrônomos e laboratórios resultados mais precisos no monitoramento.

    Câmera simples captura imagens na lavoura

    A implementação da tecnologia não exige equipamentos caros. Produtores podem acoplar uma câmera fotográfica comum em implementos agrícolas para coletar imagens das lagartas durante as operações na lavoura.

    “A câmera não precisa ser de alto custo, é necessário apenas produzir imagens com boa resolução”, esclarece Bertolla. O sistema captura fotos das pragas presentes nas folhas e espigas enquanto as máquinas realizam outras tarefas no campo.

    O método integra múltiplas tecnologias: processamento digital de imagens e sinais, estatística multivariada, técnicas de aprendizado de máquina e visão computacional. Cruvinel explica que o aprendizado de máquina permite aos sistemas aprender com dados personalizados de treinamento para automatizar tarefas.

    “O aprendizado profundo também é um processo de aprendizado de máquina, mas baseado em redes neurais artificiais com um conjunto de camadas de propósito específico”, detalha o pesquisador.

    Os pesquisadores desenvolveram o algoritmo computacional em Python, linguagem amplamente utilizada em ciência de dados. O programa avalia imagens digitais de diferentes estágios de crescimento da lagarta, identifica seu nível de desenvolvimento e mede a frequência de ocorrência na área cultivada.

    Estudo analisa mais de 2 mil imagens

    A equipe avaliou 2.280 imagens de lagartas-do-cartucho em folhas e espigas de milho. O objetivo foi classificar cinco estágios distintos de desenvolvimento da praga durante o ciclo de produção.

    Os pesquisadores estruturaram o trabalho em quatro fases principais. A primeira etapa envolveu a aquisição e pré-processamento das imagens, incluindo tratamento, remoção de ruídos e padronização de cores.

    Na segunda fase, o sistema realizou a segmentação das imagens para extrair o fundo e destacar apenas as lagartas presentes no ambiente. A terceira etapa extraiu características dos objetos identificados para distinguir exclusivamente o inseto-alvo. O método utilizou informações de cor, textura e características geométricas para caracterizar e reconhecer padrões da lagarta-do-cartucho.

    “No último bloco, utilizamos conceitos da inteligência computacional, baseado em aprendizado profundo, em que uma rede neural artificial convolucional (CNN) treinada permite a classificação dos diferentes estágios da lagarta”, explica Bertolla.

    A CNN analisa especificamente dados visuais. Os pesquisadores também compararam o desempenho usando cinco classificadores conhecidos como máquina de suporte de vetores (SVM), que classificam cada estágio da lagarta individualmente.

    Resultados abrem caminho para aplicação prática

    A qualidade dos resultados confirmou a eficácia da estrutura baseada em aprendizado profundo. Os pesquisadores analisaram acurácia, precisão, tempo de processamento e desempenho de hardware.

    “O método também apresentou resultado considerável em quesitos referentes ao desempenho de hardware e tempo de processamento, o que pode ser também interessante para uma ação futura relacionada à disponibilização dessa tecnologia na versão embarcada, para uso diretamente como parte de implementos agrícolas”, destaca Cruvinel.

    Para trabalhos futuros, os pesquisadores sugerem incluir outras técnicas de inteligência artificial dedicadas ao controle de pragas. As propostas envolvem reconhecimento e classificação de padrões de forma não supervisionada e o uso de câmeras multiespectrais embarcadas em Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) para operação em tempo real nas lavouras.

  • Empresas fecham parceria inédita para transformar suporte ao produtor rural

    Empresas fecham parceria inédita para transformar suporte ao produtor rural

    A Baldan, referência nacional em máquinas e implementos agrícolas, anunciou uma parceria estratégica com a Milwaukee, marca internacionalmente reconhecida em ferramentas. O acordo busca elevar a qualidade e a agilidade no suporte oferecido a produtores rurais e revendas em todo o Brasil.

    Com a parceria, a Milwaukee passa a fornecer as ferramentas usadas pelo time de pós-venda da Baldan e pelos Caminhões Oficina. Esses veículos atuam diretamente em campo, garantindo reparos e montagens de equipamentos com mais rapidez e precisão.

    Segundo Leandro Maria, gerente de pós-vendas da Baldan, a união marca um avanço importante para o setor. “Ao lado da Milwaukee, conseguimos agregar ainda mais valor ao serviço de pós-venda, oferecendo soluções de ponta que fazem diferença no dia a dia do produtor rural”, afirmou.

    Para a Milwaukee, a parceria representa a chance de fortalecer sua presença no agronegócio brasileiro. A empresa destaca ferramentas voltadas para ergonomia, durabilidade e tecnologia de alto desempenho. “Unir forças com uma empresa centenária como a Baldan reforça nosso propósito de transformar a forma como o trabalho é realizado”, disse Paula Cristina Dani, CEO da Milwaukee Brasil.

    Foto: Divulgação
    Mil

    O lançamento oficial ocorreu na sede da Baldan. Durante o evento, a Milwaukee promoveu um workshop exclusivo para colaboradores, apresentando na prática as funcionalidades das ferramentas e mostrando como podem tornar o suporte em campo ainda mais eficiente.

  • Máquinas agrícolas na Expointer destacam tecnologia e inovação

    Máquinas agrícolas na Expointer destacam tecnologia e inovação

    O setor de máquinas e implementos agrícolas voltou a atrair os visitantes da Expointer com equipamentos de alta tecnologia. Neste ano, 150 empresas participaram da feira, número 10% maior que em 2024.

    O espaço também recebeu 20 startups de inovação voltadas ao agronegócio. Ou seja, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, a presença dos expositores reforçou o protagonismo dessa indústria.

    A Expointer oferece vitrine para soluções capazes de atender às demandas do mercado agrícola. Segundo o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), as vendas somaram R$ 7,39 bilhões em 2024. Para 2025, a projeção é otimista, mas com cautela. “O setor enfrenta fatores que influenciaram diretamente nas vendas: tarifaço americano, queda das commodities, estiagem e endividamento dos produtores”, afirmou o presidente do Simers, Cláudio Bier. Apesar dos entraves, Bier ressaltou que a feira é estratégica, gera negócios e movimenta a economia gaúcha.

    Colheitadeira de alta tecnologia

    Os produtores podem adquirir máquinas por crédito ou consórcios. Em resumo, as tecnologias buscam eficiência operacional, menor custo e maior precisão no campo. O destaque de 2025 é uma colheitadeira equipada com sistema de detecção preditiva de culturas como soja, arroz e milho.

    Segundo o fabricante, a inovação pode elevar a produtividade em até 20%. O equipamento também utiliza controle de velocidade via satélite. Ao mesmo tempo, a tecnologia mapeia a lavoura, mede o volume a colher e ajusta automaticamente a velocidade, evitando falhas no processo.

    Cada vez mais, produtores buscam retorno rápido com sensores remotos e sistemas conectados em tempo real.
    O interesse cresce por máquinas híbridas e elétricas, que reduzem insumos e reforçam a sustentabilidade no campo.

  • Sipa: Pernambuco estreia em sistema nacional de inovação agropecuária

    Sipa: Pernambuco estreia em sistema nacional de inovação agropecuária

    Pernambuco se tornou o primeiro estado do Nordeste a aderir ao Sistema de Inovação nos Sistemas Agropecuários (Sipa). O protocolo de intenções que formaliza a adesão foi assinado pela governadora Raquel Lyra, pelo secretário da SDI/Mapa, Pedro Neto, e por secretários estaduais.

    O Sipa busca estimular a criação de um ecossistema dedicado à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação em todas as cadeias do agronegócio. O sistema também fomenta novos negócios no setor agropecuário.

    O protocolo dura cinco anos. Durante esse período, o Ministério da Agricultura (Mapa) oferece cooperação técnica, mentoria e apoio ao crescimento de empresas inovadoras.

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    A Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca (SDA), sob comando de Cícero Moraes, e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), liderada por Mauricélia Vidal, vão coordenar os trabalhos no estado. As duas secretarias formam a Comissão Gestora Estadual Agropecuária.

    Iniciativas

    Flávio Sotero, superintendente de Agricultura e Pecuária de Pernambuco (SFA-PE), destacou as iniciativas de sucesso do estado, resultado da aplicação de pesquisa e tecnologia no campo. Ele citou o cultivo de frutas em perímetros irrigados do Sertão do São Francisco como exemplo.

    “Pernambuco possui grande potencial para inovação e empreendedorismo. Temos casos exitosos, como o Porto Digital no Recife. Agora, vamos focar ainda mais no agronegócio, que é vital para o PIB brasileiro”, afirmou Sotero.

    Na sede da SFA-PE, também ocorreu o plantio de mudas de Ipê-amarelo-Craibeira (Tabebuia aurea), árvore símbolo de Brasília. Para o Parque de Exposições do Cordeiro, selecionaram mudas de Baobá (Adansonia digitata), espécie originária da África, mas comum no Recife.

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  • IA vai ajudar a escolher a carne do churrasco

    IA vai ajudar a escolher a carne do churrasco

    Pesquisadores do Brasil, Canadá e Estados Unidos criaram um sistema de inteligência artificial (IA) que prevê a maciez e o percentual de gordura intramuscular da carne crua por meio de fotos tiradas com celular. O modelo usou 924 imagens de bifes bovinos e 514 de carne suína, capturadas em ambiente controlado com iluminação padrão, durante um ano de coleta coordenada pela equipe do pesquisador Márcio Duarte, da University of Guelph, no Canadá.

    A partir dessas imagens, o pesquisador João Dórea, da University of Wisconsin-Madison, liderou o desenvolvimento do projeto. O pesquisador Guilherme Lobato Menezes e Dário Oliveira, da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp), treinaram redes neurais capazes de analisar as fotos e prever a qualidade da carne. Cada imagem recebeu dados laboratoriais, como a força de cisalhamento, que indica a resistência ao corte, e o teor de gordura entre as fibras musculares.

    Categorias

    O modelo classificou cortes em categorias como “macia”, “intermediária” e “dura”, além de estimar valores numéricos exatos de maciez e gordura. A precisão do sistema mostrou-se superior à dos consumidores: ele acertou 76,5% das previsões para maciez na carne bovina, contra 46,7% dos participantes humanos. Para a carne suína, a IA atingiu 81,5% de acerto, enquanto a gordura intramuscular apresentou 77% e 79% de precisão nas carnes bovina e suína, respectivamente.

    “Estimamos o percentual de gordura intramuscular com grande precisão, algo essencial para definir a suculência e sabor da carne, e que o consumidor dificilmente avalia só olhando”, destacou Guilherme Menezes.

    Atualmente, o sistema funciona para cortes de contrafilé bovino e lombo suíno. Os pesquisadores planejam testar o modelo em outros cortes e diferentes condições. O objetivo é apoiar o desenvolvimento de aplicativos que ajudem consumidores a escolher cortes de melhor qualidade na compra. Além de preservar transparência e justiça na precificação para a indústria.

    Para o pesquisador Dário Oliveira, da FGV EMAp, essa inovação pode transformar a cadeia produtiva da carne no Brasil. O país é um dos maiores produtores e exportadores mundiais do setor. Além de gerar impacto direto na vida das pessoas e na economia do país.

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  • Tecnologia aumenta produtividade da agricultura familiar no Maranhão

    Tecnologia aumenta produtividade da agricultura familiar no Maranhão

    A Roça Sustentável, tecnologia da Embrapa, tem aumentado a produção de alimentos em áreas da agricultura familiar no Maranhão. O sistema reúne soluções modernas e sustentáveis, com baixo custo, adaptadas às condições do estado. A proposta veio da Embrapa Amazônia Oriental (AM) e foi ajustada pela Embrapa Maranhão (MA).

    O pacote tecnológico é baseado no Sistema Bragantino e mostrou ganhos expressivos na produção. Em resumo, com ele, a colheita da mandioca ocorre sete meses antes do convencional. Já as lavouras de arroz e milho tiveram aumento de até 50% na produtividade. Segundo o analista da Embrapa, Carlos Santiago, a mandioca atinge 30 toneladas por hectare em 11 meses com a nova técnica. Sem o sistema, são apenas 8 toneladas após 18 meses.

    Roça Sustentável

    A Roça Sustentável surgiu de um processo de inovação feito diretamente nas propriedades familiares, com participação ativa dos agricultores. Antes, os cultivos ocorriam em áreas compartilhadas, sem planejamento técnico ou retorno econômico. Agora, há organização e foco na produtividade.

    O sistema adota o policultivo com ênfase nas variedades preferidas pelos agricultores. Assim, ele amplia a oferta de alimentos e melhora a renda. Além disso, os cultivos são planejados em faixas organizadas, evitando competição entre plantas por luz, água, nutrientes e espaço.

    Sustentabilidade no lugar do fogo

    O método evita queimadas e desmatamento, comuns na tradicional “roça no toco”, sistema baseado em derruba e queima da vegetação. A Roça Sustentável substitui essa prática por técnicas como rotação de culturas e uso da “safrinha”, aproveitando melhor o período de chuvas.

    Portanto, essa reorganização ambiental reduz o impacto no solo, conserva a biodiversidade e facilita o manejo de pragas e doenças. Ao mesmo tempo, os agricultores também adotam adubação equilibrada, adaptada a cada cultura, para melhorar a nutrição das plantas e preservar o solo.

    Por exemplo, o arroz fornece potássio ao solo e deixa 80% do nutriente na palhada, beneficiando o cultivo seguinte, como a mandioca.

    Redução de esforço e aumento de renda

    Santiago destaca que o sistema reduz o esforço físico e o gasto com mão de obra. Ou seja, a lavoura, bem manejada, produz mais. Com isso, as famílias ganham tempo, melhoram a renda e a qualidade de vida. A produtividade e a segurança alimentar também aumentam.

    A adubação, feita no momento certo e com a dose exata, evita impacto ambiental e melhora a resposta agronômica das lavouras. Além disso, o uso consciente de defensivos só ocorre quando necessário, e de forma controlada, garantindo sustentabilidade e eficiência.

    Conhecimento que transforma

    A Embrapa Maranhão leva a tecnologia às comunidades por meio de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) e ações de capacitação. Em geral, técnicos e produtores recebem treinamentos sobre manejo do solo, arranjos espaciais, adubação e controle de pragas. Portanto, as URTs funcionam como vitrines para mostrar os resultados do sistema, com eventos, visitas técnicas e dias de campo.

    Francisco Elias de Araújo, agricultor do assentamento Cristina Alves, viu a produtividade da mandioca crescer de forma surpreendente. Ele destacou que a Roça Sustentável ajuda na diversificação dos cultivos e na adequação nutricional das plantas. “Estamos no quarto ano produzindo na mesma área, com retorno positivo. Queremos deixar uma terra melhor para nossos filhos”, afirma.

    Presente e futuro no campo

    Foto: Divulgação – Embrapa

    No Maranhão, o sistema já está presente em regiões da Amazônia e do Cerrado, com projetos nas principais áreas agrícolas. Há URTs em São Raimundo das Mangabeiras, Balsas, São Luís e Itapecuru-Mirim, incluindo comunidades quilombolas como Canta Galo e Outeiro dos Nogueiras.

    Geraldo de Matos, conhecido como “Juca”, comemora os resultados. “Nunca vi tanta mandioca em tão pouco espaço”, relata. Além disso, ele afirma que o acesso ao conhecimento científico melhorou a produção e reduziu a carga de trabalho da família.

    Combate à fome e à pobreza

    Já no primeiro ano de uso, os agricultores conseguem atender à demanda alimentar da família com o que produzem. Depois, passam a vender o excedente e expandir as áreas produtivas. Com isso, aumentam a renda e melhoram as condições de vida.

    A Roça Sustentável ajuda a fixar o produtor no campo e mostra às novas gerações que é possível viver da agricultura. “Quando o agricultor vê a produtividade subir, ele acredita no futuro e se orgulha do que construiu”, conclui Santiago.

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  • Empresa aposta em robôs e rodas gigantes para cultivar morangos

    Empresa aposta em robôs e rodas gigantes para cultivar morangos

    No interior da Inglaterra, no condado de Lincolnshire, a empresa Dyson, mais conhecida por fabricar aspiradores e ventiladores, está colhendo frutos bem diferentes. Literalmente. Em uma estufa de 10,5 hectares, o grupo britânico montou uma operação de cultivo vertical de morangos que parece saída de um filme de ficção científica.

    Lá dentro, por exemplo, rodas gigantes de 24 metros de comprimento e 5 metros de altura, cada uma com cerca de 500 quilos, giram lentamente, segurando fileiras de morangueiros. Esse movimento, por sua vez, garante luz uniforme para todas as plantas. Ao mesmo tempo, robôs percorrem os corredores: uns emitem luz UV para eliminar fungos, enquanto outros liberam insetos benéficos para combater pragas.

    Assim que o ponto ideal de maturação dos morangos é atingido, 16 braços mecânicos entram em ação e cuidam do serviço com precisão. Ao longo de apenas um mês, segundo James Dyson, os robôs conseguiram colher impressionantes 200 mil morangos, um resultado que reforça a eficiência do sistema automatizado.

    “Sou um fabricante e, portanto, suponho que, de certa forma, abordei a agricultura sob esse ponto de vista”, diz Dyson no vídeo que apresenta o projeto. “Como podemos torná-la mais eficiente? Que tecnologia podemos implementar para melhorar a qualidade, o sabor dos alimentos e o uso eficiente da terra?”

    Energia limpa, irrigação com chuva e morango o ano inteiro

    A estufa usa energia gerada por um digestor anaeróbico no próprio terreno. O equipamento transforma gases de grãos em eletricidade, aquece a estrutura com o calor excedente e ainda gera um subproduto reaproveitado como fertilizante. A equipe da Dyson coleta a água da chuva que escorre pelo telhado de 760 metros de comprimento e a utiliza para irrigar as plantas. Ao final de cada ciclo, a estufa produz cerca de 1.250 toneladas de morangos por ano. Eles são cultivados, portanto, com o mínimo de luz artificial e distribuídos localmente, o que ajuda a reduzir a pegada de carbono.

    Foto: Divulgação – Dyson

    Para Dyson, o futuro da agricultura passa por essa revolução tecnológica. “A produção sustentável de alimentos, a segurança alimentar e o meio ambiente são vitais para a saúde e a economia do país. A Dyson Farming se esforça para estar na vanguarda disso”, afirma.

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