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  • Tarifa dos EUA sobre arroz brasileiro ameaça exportações e preocupa indústria nacional

    Tarifa dos EUA sobre arroz brasileiro ameaça exportações e preocupa indústria nacional

    O governo dos Estados Unidos impôs uma tarifa de 50% sobre o arroz beneficiado do Brasil. A medida, em vigor desde quarta-feira (6), reduz a competitividade do produto no mercado americano e preocupa a indústria nacional.

    A Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) alerta para os impactos da decisão. Os EUA são um dos principais destinos do arroz branco brasileiro, representando 13% do valor exportado em 2023.

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    Nos últimos três anos, as vendas para o mercado americano cresceram mais de 50%. O país se consolidou como comprador do grão de alta qualidade, com maior valor agregado.

    Perdas milionárias e risco de desequilíbrio

    Com a nova tarifa, a indústria projeta perdas de até US$ 25 milhões por ano. O setor também teme um excesso de oferta no mercado interno, o que pode derrubar os preços e afetar a rentabilidade.

    A Abiarroz defende uma ação rápida do governo brasileiro nas negociações com os EUA. A entidade ressalta a importância do mercado americano, que absorve cerca de 10% do arroz beneficiado no Brasil.

    Sem competitividade, o país pode perder espaço para concorrentes como Tailândia e Índia. A associação reforça a necessidade de estratégias para manter o arroz brasileiro em mercados estratégicos e garantir a sustentabilidade do setor.

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  • Caneta amarga de Trump esfria café solúvel brasileiro

    Caneta amarga de Trump esfria café solúvel brasileiro

    A canetada amarga do ex-presidente Donald Trump, que impôs uma tarifa de 50% ao café solúvel brasileiro, caiu como pedra no setor cafeeiro nacional. Não é para menos: os Estados Unidos são, disparado, o maior comprador desse tipo de café produzido no Brasil.

    Setor acende o alerta vermelho

    A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), que representa todo o setor no país, soou o alarme diante da nova política tarifária. “Em 2024, os EUA representaram 20% das exportações brasileiras do segmento, cerca de 780 mil sacas de 60 kg”, informou a entidade em nota oficial.

    Brasil é peça-chave no mercado americano

    Na prática, o Brasil ocupa hoje o segundo lugar entre os maiores fornecedores de café solúvel para os Estados Unidos, com mais de 25% do mercado. Ou seja, a cada quatro xícaras de café instantâneo nos EUA, uma vem do Brasil — e esse dado mostra o tamanho do impacto da medida.

    Concorrência deve ganhar espaço com tarifa menor

    Com a nova tarifa salgada, o protagonismo brasileiro pode derreter feito açúcar em café quente, especialmente diante de concorrentes com taxas bem menores ou isentas. Nesse cenário, o produto brasileiro perde competitividade, enquanto países como o México ganham força ao oferecer preços mais atraentes aos compradores americanos.

    México sai ileso, Brasil paga o maior preço

    Pra se ter uma ideia, o México — maior concorrente — escapou ileso da nova taxação e seguirá exportando sem pagar tarifa alguma. Outros países enfrentam taxas entre 10% e 27%, bem abaixo dos 50% reservados exclusivamente ao Brasil, que agora amarga o topo do ranking.

    Diálogo e diplomacia são as apostas da indústria

    “Estamos certos de que haverá perda significativa para concorrentes com taxas menores, por isso já abrimos diálogo com a National Coffee Association (NCA) e com autoridades brasileiras”, comunicou a ABICS. Ou seja, o setor aposta no diálogo para conter os danos. “Seguimos trabalhando para garantir bom senso e soluções concretas a um setor essencial para o Brasil, maior produtor mundial de café, e para os EUA, maior consumidor global”, completou.

    Enquanto isso, o café solúvel brasileiro assiste de longe, inquieto e ansioso, torcendo para não esfriar de vez nas prateleiras americanas.

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  • Tarifa de 50% imposta pelos EUA ao tabaco brasileiro ameaça exportações

    Tarifa de 50% imposta pelos EUA ao tabaco brasileiro ameaça exportações

    Em decreto publicado no dia 30 de julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou a aplicação de uma tarifa de 50% sobre as importações de tabaco brasileiro a partir de 6 de agosto. A decisão representa um duro golpe para a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano, destino de cerca de 9% das exportações nacionais do setor, equivalente a aproximadamente 40 mil toneladas previstas para a safra 2025/2026.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/ComexStat), apenas entre janeiro e junho de 2025, o Brasil exportou 19 mil toneladas de tabaco para os EUA, gerando US$129 milhões em receitas. Em todo o ano de 2024, o volume exportado supera 39 mil toneladas, movimentando US$255 milhões.

    Reação

    A reação do setor foi imediata. Para Valmor Thesing, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), a manutenção da tarifa cria uma situação extremamente complexa: “A competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano fica ameaçada. Podemos esperar, como consequência, uma redução drástica nos volumes exportados aos clientes americanos”, afirmou.

    Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco. Foto: Felipe Krause/Pixel18dezoito

    Apesar do cenário desafiador, Thesing assegura que não há previsão de demissões imediatas. O tabaco já contratado junto aos produtores, através do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), será adquirido normalmente conforme os contratos de integração. Ele destaca ainda o esforço do setor em redirecionar o volume que seria exportado aos EUA para outros mercados, já que o Brasil comercializa tabaco com mais de 100 países.

    Especialistas apontam que a imposição da tarifa pelos EUA deve elevar substancialmente o preço do tabaco brasileiro no mercado americano. Além de reduzir sua competitividade e gerar pressão para a busca de novos mercados — especialmente China e Bélgica — para absorver o excedente. Projeções, porém, indicam que o Brasil deve ultrapassar a marca de US$3 bilhões em exportações de tabaco em 2025. Com crescimento entre 10% e 15% no volume e no valor das vendas externas.

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    Carne bovina sofre impacto com tarifa dos EUA

    Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, atingindo em cheio a carne bovina. Donald Trump assinou a medida nesta quarta-feira (30). Ela entra em vigor no dia 6 de agosto.
    Apesar do desafio, o Cepea lembra que o estoque mundial de carne é o menor em 20 anos. Atualmente, 49% das exportações brasileiras seguem para a China, principal destino. Portanto, os EUA não têm tantas opções de fornecedores com preços e qualidade semelhantes.

    Setor reage à tarifa norte-americana

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) acompanha com atenção a decisão dos EUA. A nova tarifa de 50% se soma aos atuais 26,4%, elevando a carga total para 76%. Esse cenário ameaça a viabilidade das exportações para os EUA, que importaram 229 mil toneladas em 2024. A expectativa para 2025 era chegar a 400 mil toneladas.

    A entidade mantém diálogo com importadores norte-americanos e colabora com o governo federal em busca de acordo. Além disso, a ABIEC reforça a importância de preservar o fluxo comercial com os EUA. Afinal, o país enfrenta o menor ciclo pecuário dos últimos 80 anos.

    O setor também destaca o esforço conjunto do Ministério da Agricultura, do MDIC e do Itamaraty. Essas instituições trabalham na abertura de novos mercados e articulações diplomáticas. Por fim, a ABIEC afirma que seguirá atuando com propostas e parcerias para manter a competitividade da carne bovina brasileira. O objetivo é garantir previsibilidade aos exportadores e colaborar com a segurança alimentar global.

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  • Café brasileiro enfrenta incertezas com tarifa dos EUA

    Café brasileiro enfrenta incertezas com tarifa dos EUA

    Às vésperas da tarifa de 50% nos Estados Unidos, o setor cafeeiro brasileiro enfrenta incertezas. A medida começa nesta sexta-feira.

    Segundo pesquisadores do Cepea, os preços internos seguem as Bolsas de Nova York e Londres. Oscilações ocorrem devido à atuação especulativa de fundos. Esses agentes aumentam posições compradas diante da expectativa de alta, caso a tarifa entre em vigor.

    Especialistas destacam que não há sinais claros de queda nos preços domésticos por causa da medida. Os Estados Unidos permanecem como principal destino do café brasileiro. Em 2024, o Brasil respondeu por 23% das compras norte-americanas, segundo a USITC.

    A Colômbia representou 17% das importações, e o Vietnã, 4%. No café arábica, o Brasil lidera os embarques aos EUA. A Colômbia, principal concorrente, continuará isenta da tarifa.

    Para o robusta, o Vietnã negocia reduzir a taxa para 20%, abaixo dos 46% iniciais. O Cepea avalia que a nova tarifa pode afetar a competitividade do Brasil e os preços ao consumidor americano.

    A formulação dos blends tradicionais também pode mudar, pois usam grãos brasileiros como base sensorial. O Brasil pode redirecionar parte da produção para outros mercados, exigindo agilidade logística e estratégias comerciais para conter prejuízos.

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  • Tarifaço dos EUA pode cortar US$ 5,8 bilhões do agro

    Tarifaço dos EUA pode cortar US$ 5,8 bilhões do agro

    O agronegócio brasileiro pode perder até US$ 5,8 bilhões por ano com as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta que a medida entrará em vigor a partir de agosto. Em geral, as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros podem reduzir pela metade o valor exportado em 2024.

    Segundo a CNA, alguns setores sentirão mais os impactos. O suco de laranja, por exemplo, pode ter as exportações para os EUA reduzidas a zero. Além disso, a carne bovina deve cair 47% e o sebo bovino, 50%. Ao mesmo tempo, produtos de madeira podem ter queda entre 25% e 100%, conforme cálculos da entidade.

    O café verde deve sofrer menos. A oferta global do grão caiu nos últimos anos, o que dificulta substituições. Ainda assim, a CNA estima recuo de 25% nas vendas aos Estados Unidos.

    A confederação analisou exportações de US$ 12,1 bilhões para os EUA em 2024. O estudo considerou a elasticidade das importações, que mede como o volume reage a mudanças nos preços. Segundo a entidade, o aumento das tarifas será repassado integralmente aos preços finais, elevando-os também em 50%.

    O levantamento usou dados de comércio norte-americano dos últimos cinco anos. “A maioria dos produtos do agro exportados tem elasticidade menor que –1, o que indica alta sensibilidade ao preço”, explica a CNA. Com isso, a estimativa é de queda de 48% no valor total pago pelas importações.

    Setores mais afetados

    O suco de laranja paga hoje tarifas entre 5,26% e 6,13%. Em 2024, as exportações alcançaram 1 milhão de toneladas e US$ 795 milhões em receita. Com as novas taxas, que chegarão a mais de 55%, as vendas devem ser inviabilizadas.

    O café verde não paga tarifas atualmente. Em 2024, as exportações renderam US$ 1,9 bilhão com 439 mil toneladas. Com o tarifaço, a CNA prevê redução para 329 mil toneladas e faturamento de US$ 1,4 bilhão.

    Para o açúcar, a queda prevista é de 74% no volume exportado. Em 2024, foram 1,035 milhão de toneladas. Com as novas tarifas, devem cair para 266 mil toneladas. A receita deve recuar de US$ 1,8 bilhão para US$ 1,2 bilhão. Hoje, o açúcar já paga 40,6% de tarifa. Com a taxa extra, chegará a 90,6%.

    A carne bovina paga atualmente até 26,4% de tarifa. Em 2024, o Brasil exportou 183 mil toneladas e faturou US$ 1,9 bilhão. Com as novas alíquotas, que podem chegar a 76,4%, as vendas cairão para 97 mil toneladas. O faturamento deve ficar em US$ 1,2 bilhão.

    O sebo bovino, ovino ou caprino paga hoje 0,3% de tarifa. Em 2024, foram 334 mil toneladas embarcadas. Em geral, a CNA estima redução de 50% no volume e no faturamento, que cairá para US$ 176 milhões.

    Produtos de madeira também terão forte impacto. Portas podem ter redução de 93%, soleiras 77% e pasta química 25%. Para o álcool etílico, a queda prevista é de 71% no volume e no valor exportado.

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    Brasil diversifica mercados após ameaça de tarifas americanas sobre frutas tropicais

    Os Estados Unidos preparam novas tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros para o início do mês. A medida vai além das tradicionais exportações de laranja e café. Agora, frutas frescas como manga e uva também enfrentam a ameaça do “tarifaço” americano.

    O setor frutícola brasileiro acende o sinal de alerta. Produtores temem impactos diretos já no segundo semestre de 2025, período crucial para as exportações dessas culturas.

    A manga deve sentir os efeitos mais rapidamente. As exportações para o mercado norte-americano começam em agosto. O timing preocupa produtores que planejavam uma safra otimista, baseada na valorização cambial e na recuperação dos polos frutíferos nordestinos.

    A região Nordeste concentra a produção de manga destinada ao exterior. Os produtores locais contavam com o cenário favorável para expandir negócios com os EUA.

    Uva brasileira perde competitividade

    A uva de mesa brasileira também entra na zona de risco. A colheita para exportação inicia na segunda quinzena de setembro, especialmente no Vale do São Francisco.

    O produto brasileiro ganhou espaço no mercado americano nos últimos anos. A qualidade e variedade das uvas nacionais conquistaram consumidores dos EUA. Porém, as novas tarifas podem beneficiar concorrentes de outros países.

    Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, vê oportunidade na crise. “É hora de diversificar e construir novos parceiros comerciais”, afirma o executivo. “Essa tarifa não é o fim da lavoura, mas o sinal para defender nossa produção com estratégia.”

    O setor se mobiliza para encontrar saídas viáveis. Antes das ameaças tarifárias, produtores projetavam crescimento nas exportações de frutas frescas para os EUA.

    União Europeia como alternativa principal

    Especialistas apontam dois caminhos para os produtores brasileiros. O primeiro envolve a diversificação de mercados internacionais. O segundo foca no fortalecimento do mercado interno.

    A União Europeia surge como destino natural. O bloco europeu já conhece os protocolos fitossanitários brasileiros. Reino Unido, Emirados Árabes, Canadá e países asiáticos também ampliam o consumo de frutas tropicais.

    O mercado doméstico pode absorver volumes maiores de frutas. Porém, essa estratégia pressiona os preços ao produtor. A situação exige atenção redobrada à logística, qualidade e negociação com grandes redes varejistas.

    Produtores precisam se preparar para margens menores no mercado interno. A competição com frutas importadas também pode intensificar.

    Governo articula medidas de apoio

    Entidades do setor produtivo buscam apoio do governo federal. As propostas incluem crédito emergencial, estímulo à abertura de novos mercados e atuação diplomática.

    O objetivo é reverter ou minimizar os efeitos das tarifas americanas. A organização da cadeia produtiva torna-se fundamental para manter a competitividade brasileira.

    “Estamos comprometidos em levar tecnologia e inovação para o campo”, destaca Leonardo Sodré. O executivo defende investimentos em pesquisa e desenvolvimento como caminho para uma agricultura sustentável.

    A combinação de tecnologia com conhecimento do produtor pode fortalecer o setor. A estratégia visa manter a relevância do Brasil no mercado global de frutas frescas, mesmo diante das adversidades comerciais.

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  • Frigoríficos reavaliam exportações após tarifa dos EUA

    Frigoríficos reavaliam exportações após tarifa dos EUA

    A decisão dos Estados Unidos de cobrar uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira, a partir de 1º de agosto, caiu como um balde de água fria sobre o setor. O anúncio feito por Donald Trump pegou os frigoríficos de surpresa e acendeu o alerta em empresas que dependem do mercado norte-americano.

    Diante da mudança, o setor começou a repensar os próximos passos. Segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), ainda não há uma definição concreta. No entanto, o clima é de urgência. “Estamos conversando sobre os impactos e tentando entender se realmente compensa continuar enviando carne para lá”, afirmou ele, em entrevista à Reuters.

    Frigoríficos já começam a recuar

    Como resposta imediata, frigoríficos de Mato Grosso do Sul decidiram interromper temporariamente a produção de carne destinada aos Estados Unidos. A pausa, segundo fontes do setor, é estratégica: melhor suspender agora do que correr o risco de acumular carne sem destino, com preços que, após a tarifa, podem não cobrir nem os custos de produção.

    Apesar da suspensão, os demais mercados continuam recebendo normalmente. A medida, por enquanto, é limitada ao que seria enviado aos americanos.

    Exportações podem migrar para China, Chile e Oriente Médio

    Com os Estados Unidos ficando menos atrativos, outras regiões ganham força como destino da carne brasileira. Entre elas estão China, Chile e países do Oriente Médio — todos já conhecidos por importar volumes relevantes e que podem absorver parte do que antes ia para os EUA.

    Essa reconfiguração, no entanto, traz um efeito colateral: mais carne disponível no mercado interno. Caso as exportações não se ajustem rápido, o excedente pode derrubar os preços no Brasil, especialmente no atacado. Isso até pode ser uma boa notícia para o consumidor, mas preocupa quem vive da exportação.

    Governo acompanha e discute reação diplomática

    Para tentar conter os danos, o governo federal criou um comitê interministerial que vai acompanhar de perto os impactos da nova tarifa. A ideia é avaliar medidas que possam amenizar as perdas e discutir uma possível resposta diplomática.

    Dentro do setor, a cobrança é clara: querem uma atuação firme de Brasília. Muitos representantes do setor enxergam a tarifa como uma decisão política, sem base técnica, que rompe acordos comerciais e ameaça uma das principais cadeias produtivas do país.

    Enquanto isso, os frigoríficos seguem cautelosos. Avaliam cenário por cenário, calculam prejuízos potenciais e buscam caminhos viáveis. Uma coisa, no entanto, já está clara para todos: o jogo mudou e rápido.

    Aspecto Situação Atual
    Exportações para os EUA Em avaliação; frigoríficos consideram redirecionar embarques
    Medida tarifária Tarifa de 50% passa a valer em 1º de agosto de 2025
    Reação do setor Suspensões em Mato Grosso do Sul e busca por novos mercados
    Impacto esperado Possível queda no preço da carne no mercado interno
    Ação do governo Comitê criado para analisar impactos e negociar resposta diplomática

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  • Setor citrícola brasileiro pode enfrentar colapso com nova tarifa

    Setor citrícola brasileiro pode enfrentar colapso com nova tarifa

    O presidente Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, medida que entrará em vigor em 1º de agosto de 2025. A decisão atinge diretamente o setor citrícola brasileiro, dominado por três grandes empresas: Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus Company.

    A Cutrale destina 98% da produção de suco de laranja para exportação em mais de 90 países, com forte presença nos mercados americano, europeu e asiático. A Citrosuco, formada pela fusão entre Fischer e Citrovita em 2010, ultrapassou a Cutrale em participação no mercado global. Juntas, essas companhias controlam a maior fatia do mercado mundial de suco de laranja.

    O Brasil exporta cerca de 95% da produção nacional de suco cítrico. Os Estados Unidos representam o maior mercado individual, absorvendo 42% das exportações brasileiras. A Europa consome 52% da produção, com destaque para Alemanha, França e Reino Unido.

    Tarifa pode tornar 70% do preço final apenas impostos, diz associação setorial

    Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), alerta para o impacto devastador da nova tarifa. “Se a sobretaxa for adotada, o imposto vai responder por 70% do valor da tonelada: serão US$ 2.500 de US$ 3.500 negociados”, explica.

    A matemática é simples: de cada US$ 3.500 por tonelada, apenas US$ 1.000 restaria para remunerar toda a cadeia produtiva. “Isso torna inviável a venda para os EUA”, conclui Netto.

    Estudos indicam que o suco de laranja, que atualmente possui tarifa de 5,9%, pode ter a sobretaxa elevada para 15,9% com as novas medidas. O impacto financeiro pode superar R$ 1 bilhão para o setor.

    Mercado interno brasileiro não consegue absorver excedente de produção

    A Europa não possui capacidade para absorver todo o volume exportado aos Estados Unidos. Mercados asiáticos como China e Coreia do Sul crescem, mas não são suficientes para comprar o excedente americano. “A Índia tem grande potencial, por conta da classe média gigantesca, mas as negociações levam tempo”, observa Netto.

    O Brasil também não consegue reverter a produção para o mercado interno. A indústria cítrica foi estruturada para exportação e demanda capital intensivo. O produto viaja a granel em navios-tanque, com envase realizado no destino final.

    “Não dá para reverter a produção ao mercado interno, pois isso demandaria um trabalho de envase, marketing, distribuição”, explica Netto. Ele acrescenta que, como país tropical, “a população está acostumada a consumir sucos naturais” em vez de produtos industrializados.

    Impacto econômico e alternativas de mercado

    Do total das exportações brasileiras, cerca de 15% têm como destino os Estados Unidos. A nova tarifa pode forçar empresas a buscar mercados alternativos ou reduzir drasticamente a produção.

    O setor citrícola brasileiro emprega milhares de trabalhadores, especialmente na região de Araraquara (SP), onde a Cutrale mantém sua sede. A Citrosuco, por sua vez, opera seis mil funcionários, chegando a dez mil durante a safra.

    As empresas mantêm dois terminais portuários no Brasil e seis no exterior – nos Estados Unidos, Bélgica, Austrália e Japão, demonstrando a complexidade logística do setor.

    A guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos pode redefinir completamente o mapa de exportações do agronegócio brasileiro. Para o setor citrícola, a sobrevivência depende da capacidade de diversificar mercados e reduzir a dependência americana.

    Preços para o consumidor brasileiro

    Contrariamente ao que se poderia esperar, a tarifa americana não deve gerar redução significativa nos preços do suco de laranja para o consumidor brasileiro. A estrutura industrial foi planejada para exportação, não para atender o mercado interno.

    A eventual queda nos preços internacionais pode beneficiar países importadores europeus e asiáticos, mas dificilmente impactará o Brasil. O consumidor nacional continuará preferindo sucos naturais, enquanto a indústria luta para encontrar novos mercados para seus produtos concentrados.

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  • Exportação de pescados aos Estados Unidos é suspensa após tarifa

    Exportação de pescados aos Estados Unidos é suspensa após tarifa

    As exportações brasileiras de pescados para os Estados Unidos estão paralisadas desde a última quinta-feira (10). A suspensão ocorre após o anúncio do presidente Donald Trump sobre a nova taxação.

    Segundo a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), o setor deixou de embarcar 1.500 toneladas de peixes e frutos do mar. Os contêineres estão parados em diversos portos, principalmente na Bahia, Ceará e Pernambuco.

    De acordo com o diretor-executivo da Abipesca, Jairo Gund, o envio foi interrompido por causa do tempo de transporte. Os produtos levam cerca de três semanas para chegar ao território norte-americano por via marítima.

    Com isso, os compradores dos Estados Unidos temem o impacto do novo imposto. A tarifa entra em vigor em 1º de agosto. Os empresários norte-americanos estão inseguros quanto ao preço final dos produtos após a cobrança.

    O mercado dos Estados Unidos representa 70% das exportações brasileiras do setor. A suspensão afeta diretamente pequenos aquicultores e pescadores artesanais, segundo Gund.

    Esses produtores, ligados à agricultura familiar, concentram-se na criação de tilápia e na pesca artesanal. O mercado internacional reconhece a alta qualidade dos produtos brasileiros.

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