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  • Especiarias amazônicas conquistam mercados na Europa, Ásia e Oriente Médio

    Especiarias amazônicas conquistam mercados na Europa, Ásia e Oriente Médio

    Mais de 50 empresas brasileiras participam nesta semana da edição Amazônia do Exporta Mais Brasil, no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus.

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) é quem promove a iniciativa, que reúne 13 compradores internacionais de 11 países interessados em ampliar seus fornecedores.

    Compradores da Argentina, China, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Israel, Itália, Líbano, Países Baixos, República Tcheca e Rússia buscam produtos como açaí, café, castanha-do-brasil, frutas processadas, pescado amazônico e outras proteínas animais.

    Trabalho de inteligência comercial aproxima Brasil e Europa

    Vincent Furlan, especialista do escritório da ApexBrasil em Bruxelas, atribui essa aproximação ao trabalho de inteligência comercial que a Agência desenvolve no Brasil e no exterior.

    “Primeiro, precisamos identificar fornecedores amazônicos capazes de atender às exigências dos compradores europeus. A ApexBrasil conhece as empresas brasileiras. E ao mesmo tempo, nossa equipe em Bruxelas conhece as demandas do mercado europeu e mantém relacionamento com esses compradores”, afirma Furlan.

    Segundo ele, esse trabalho permitiu trazer empresas da República Tcheca, dos Países Baixos e da Itália interessadas em superfoods amazônicos, produtos que ganham valorização crescente na Europa por seus atributos nutricionais e de saúde.

    Furlan destaca ainda que, além da qualidade dos produtos, fatores como rastreabilidade, certificações e sustentabilidade decidem a conquista de espaço no mercado europeu.

    “O comprador europeu quer conhecer a história do produto, saber como ele foi produzido e quais benefícios oferece. Certificações e sustentabilidade são aspectos fundamentais para quem deseja acessar esse mercado.”

    Foto: ApexBrasil

    Rodada facilita contato direto entre empresas e compradores

    Para as empresas brasileiras, o Exporta Mais Brasil reúne, em um único ambiente, compradores efetivamente interessados em determinados produtos e mercados. Esse formato reduz custos de prospecção e acelera a abertura de novos negócios.

    A Polpa Norte, empresa especializada na produção de açaí, sorvetes e polpas de frutas amazônicas, exporta atualmente para cerca de 20 países e participa das ações da ApexBrasil há mais de duas décadas. Renato Geller, diretor de exportação da empresa, explica que a rodada facilita o contato direto com compradores qualificados.

    “A grande dificuldade é identificar o comprador que realmente tem interesse no seu produto. A vinda desses compradores para a região é muito interessante porque concentra empresas que já atuam no segmento e permite realizar reuniões com representantes de diversos mercados em um único lugar”, diz Geller.

    Conhecer a origem dos produtos faz diferença

    Para os compradores, visitar as empresas e acompanhar de perto os processos produtivos representa um diferencial importante na construção de novos negócios.

    Lourdes Vignolo, diretora da empresa holandesa NH Superfoods, destaca que as visitas permitem verificar aspectos fundamentais para atender às exigências do mercado europeu.

    “É muito importante que a ApexBrasil organize esses encontros porque essa é a melhor maneira de conhecer os produtores e as instalações. Assim conseguimos entender como os alimentos são produzidos. Além de verificar os processos, o controle de qualidade e os padrões de segurança alimentar que buscamos na Europa”, afirma.

    Segundo Lourdes, o contato direto com as empresas brasileiras também fortalece a construção de relações comerciais de longo prazo e amplia a confiança entre compradores e fornecedores. Especialmente em um mercado que valoriza cada vez mais a origem, a rastreabilidade e a sustentabilidade dos produtos.

    Plano de R$ 210 milhões busca diversificar mercados após tarifas dos EUA

    A edição Amazônia do Exporta Mais Brasil acontece um dia após o lançamento do Plano de Diversificação de Exportações, que a ApexBrasil apresentou em São Paulo. A iniciativa prevê R$ 210 milhões em investimentos para apoiar até 5.300 empresas brasileiras impactadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, por meio de ações voltadas à abertura de novos mercados.

    A estratégia contempla 36 mercados prioritários e combina rodadas de negócios, participação em feiras internacionais, consultorias especializadas, bolsas de exportação e atendimento individualizado para ampliar a presença das empresas brasileiras no comércio internacional.

    A trajetória da Castanhas Ouro Verde, participante desta edição do Exporta Mais Brasil, ilustra como a diversificação de mercados pode fortalecer a competitividade das empresas brasileiras diante das mudanças no comércio internacional. Lucas Santana, representante da empresa, conta que os Estados Unidos chegaram a ser o principal destino das exportações da empresa. Mas as tarifas impostas pelo governo norte-americano aceleraram a busca por novos mercados.

    “Os Estados Unidos já foram nosso maior mercado e as tarifas tiveram um impacto muito grande para a empresa. Ficamos quatro meses sem vendas, mas isso também nos levou a buscar novos clientes. Hoje crescemos muito na União Europeia, no Oriente Médio e em outros mercados. A ApexBrasil sempre foi nosso braço direito na área comercial. Um dos eventos que mais impulsionou nossa expansão foi justamente uma edição do Exporta Mais Brasil promovida pela Apex”, relata Santana.

    Manaus recebe o Conexões Produtivas na sexta-feira

    A programação da ApexBrasil em Manaus segue na sexta-feira (14) com o Conexões Produtivas: Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia — Edição Manaus.

    O encontro será promovido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a ApexBrasil e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), e reunirá representantes para discutir as oportunidades abertas pelo acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

    Entre os destaques estão painéis sobre inteligência de mercado, demandas do mercado europeu, oportunidades para empresas da Amazônia e estratégias para ampliar a inserção de produtos brasileiros no comércio internacional.

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  • China já utilizou 90% da cota para carne bovina do Brasil

    China já utilizou 90% da cota para carne bovina do Brasil

    As importações de carne bovina brasileira pela China atingiram 90% da cota estabelecida para o Brasil em 2026, segundo aviso divulgado pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM) nesta segunda-feira (10).

    O comunicado indica que o volume importado em 10 de agosto chegou a 90% do limite definido para o país dentro das medidas de salvaguarda aplicadas pela China à carne bovina.

    A medida está em vigor desde janeiro de 2026 e estabelece cotas específicas para os principais fornecedores do mercado chinês.

    O que acontece quando a cota chegar a 100%?

    A regra chinesa prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre as importações que ultrapassarem a cota destinada a cada país.

    No caso do Brasil, a cota anual de 2026 foi estabelecida em 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse limite, continuam valendo as alíquotas normalmente aplicáveis ao produto.

    O adicional de 55% ainda não está sendo aplicado ao Brasil apenas porque a utilização chegou a 90%.

    A cobrança depende do esgotamento integral da cota.

    Pelas regras publicadas pelo governo chinês, depois que o volume atingir 100% do limite, a tarifa adicional passa a valer a partir do terceiro dia, inclusive, após o atingimento da cota.

    Brasil se aproxima do limite

    O aviso divulgado em agosto mostra uma aceleração da utilização da cota brasileira.

    Em julho, a Câmara de Comércio de Importação e Exportação de Produtos Minerais e Químicos da China informou que as importações de carne bovina do Brasil haviam alcançado 80% da cota em 21 de julho.

    Agora, com o percentual em 90%, o mercado brasileiro se aproxima do limite anual estabelecido por Pequim.

    O aviso mais recente não informa, no texto apresentado, o volume restante em toneladas. Por isso, o dado mais seguro para a notícia é o percentual oficial de utilização da cota.

    Por que a medida preocupa o Brasil?

    A China é o principal mercado da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático respondeu por mais da metade das exportações brasileiras do produto, segundo levantamento citado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

    Por isso, o esgotamento da cota pode aumentar os custos para a entrada da carne brasileira no mercado chinês.

    O impacto dependerá, entre outros fatores, do ritmo das exportações, da demanda chinesa e da capacidade dos frigoríficos brasileiros de direcionar parte da produção para outros destinos.

    Como funciona a salvaguarda chinesa

    A China adotou a medida após uma investigação sobre o aumento das importações de carne bovina e seus efeitos sobre a indústria doméstica.

    A salvaguarda entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 e tem duração prevista de três anos.

    O mecanismo estabelece cotas por país. Quando o limite é atingido, as importações que excedem a cota ficam sujeitas à tarifa adicional de 55%.

    Para o Brasil, o limite de 2026 representa uma parcela relevante do comércio de carne bovina com a China, mas fica abaixo do volume exportado pelo país ao mercado chinês em 2025.

    Próximos passos para o mercado brasileiro

    O principal ponto de atenção agora é o ritmo de utilização da cota.

    Se o limite chegar a 100%, a aplicação da tarifa adicional poderá alterar as condições de competitividade da carne brasileira na China.

    Até lá, a tarifa de 55% não deve ser tratada como uma cobrança já em vigor sobre a carne brasileira.

    O cenário também aumenta a importância da diversificação dos mercados compradores para o setor pecuário brasileiro, especialmente caso a cota chinesa seja totalmente utilizada antes do fim de 2026.

  • EUA impõem nova tarifa e ampliam pressão ao agro brasileiro

    EUA impõem nova tarifa e ampliam pressão ao agro brasileiro

    O governo dos Estados Unidos ampliou as restrições comerciais contra o Brasil. A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (24). O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu as investigações da Seção 301 sobre trabalho forçado.

    Como resultado, o órgão aplicou uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. O USTR avaliou 60 parceiros comerciais, responsáveis por 99,4% das importações norte-americanas. Segundo o governo americano, o Brasil não proíbe nem aplica de forma efetiva restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. A decisão prevê exceções para determinados produtos e situações específicas.

    Medida cria nova frente de pressão comercial

    O USTR inaugurou uma nova estratégia ao relacionar o acesso ao mercado americano ao combate ao trabalho forçado. Diferentemente da investigação encerrada em 15 de julho, a nova medida alcança 60 economias. A tarifa aplicada exclusivamente ao Brasil permanece válida e continua produzindo efeitos.

    Brasil integra grupo de países com maior tarifa

    O USTR classificou o Brasil entre 54 economias que, segundo sua avaliação, não aplicam proibição efetiva às importações ligadas ao trabalho forçado. Outras seis economias possuem mecanismos de controle, mas ainda não os aplicam plenamente. Entre elas estão Canadá, México, União Europeia, Equador, Indonésia e Paquistão. O órgão estabeleceu tarifas de 10% para alguns países e de 12,5% para os demais, incluindo o Brasil.

    Produtos poderão acumular tarifas de até 37,5%

    A nova medida difere da tarifa adicional de 25% aplicada ao Brasil em outra investigação da Seção 301.
    As listas de exceções das duas decisões não são iguais. Por isso, alguns produtos antes isentos da tarifa de 25% agora pagarão a nova alíquota de 12,5%.

    Quando um produto estiver sujeito às duas medidas, as tarifas serão cumulativas. Nesse caso, a taxação adicional chegará a 37,5%. Entre os exemplos estão café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, tilápia, produtos específicos de madeira, couros e peles.

    Mais da metade das exportações do agro segue isenta

    A análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostra impactos distintos sobre o agronegócio. Segundo a entidade, 53,14% das exportações agropecuárias brasileiras para os Estados Unidos permanecem isentas das duas medidas. Outros 12,34% pagarão apenas a nova tarifa de 12,5%.
    Já 32,91% das exportações enfrentarão a tributação acumulada de 37,5%. Além disso, 1,61% dos produtos continuam sujeitos exclusivamente às medidas da Seção 232.

    Café e carne seguem protegidos

    Entre os principais produtos exportados aos Estados Unidos, o café em grão continua totalmente isento das novas medidas. A carne bovina congelada também permanece fora das tarifas adicionais da Seção 301.
    Por outro lado, parte dos produtos de madeira poderá enfrentar tributação de até 37,5%. Alguns sucos também passam a recolher a nova tarifa de 12,5%.

    CNA critica decisão dos Estados Unidos

    A CNA informou que acompanhou toda a investigação iniciada em março de 2026. A entidade apresentou contribuições técnicas, participou das audiências públicas e coordenou o setor agropecuário durante o processo.
    Nas manifestações enviadas ao USTR, a confederação afirmou que o Brasil possui uma legislação robusta contra o trabalho análogo à escravidão.

    Segundo a CNA, o país adota regras mais amplas que as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A entidade destacou que o sistema brasileiro inclui prevenção, fiscalização, responsabilização e transparência. Além disso, a CNA argumentou que as tarifas não fortalecem a proteção aos trabalhadores.
    Para a confederação, a medida penaliza produtores que cumprem a legislação e reduz a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Medida poderá sofrer alterações

    O USTR encerrou a fase ordinária das investigações abertas em março deste ano.
    Mesmo assim, o governo americano poderá alterar as listas de exceções ou promover novos ajustes nas tarifas.
    A CNA informou que continuará acompanhando o tema e defenderá os interesses dos produtores rurais brasileiros.

  • EUA taxam Brasil em 12,5% por trabalho forçado na cadeia de importação

    EUA taxam Brasil em 12,5% por trabalho forçado na cadeia de importação

    Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) justifica a medida pela suposta falha do Brasil em fiscalizar a importação de bens fabricados com trabalho forçado.

    O USTR atribui a taxação à falha do Brasil em proibir e fiscalizar a entrada, no mercado doméstico, de produtos feitos total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países. A cobrança abrange a totalidade das exportações brasileiras, sem isenções, diferentemente da tarifa de 25% aplicada por “práticas desleais”, que reserva uma lista de 2.100 exceções.

    A nova alíquota substitui a taxa adicional de 10% prevista na Seção 122 da legislação comercial americana, que expirava justamente nesta data.

    Países afetados

    O governo dos Estados Unidos also aplicou sobretaxas a outros parceiros comerciais. Cinquenta e quatro países receberam a taxação de 12,5%. Enquanto outros cinco países e o bloco da União Europeia, formado por 27 nações, sofreram tarifa de 10% por terem adotado proibições ao trabalho forçado, ainda que com fiscalização considerada insuficiente. A investigação que embasou a medida seguiu a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

    O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, classificou a situação como inaceitável. “A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores norte-americanos a competir em um campo desigual”, declarou.

    A CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que a medida pode afetar 4.187 produtos brasileiros. Os setores atingidos somam US$ 14,9 bilhões em vendas anuais aos Estados Unidos. Segundo a entidade, a combinação das duas tarifas pode adicionar 37,5 pontos percentuais sobre esses bens, dos quais 62% funcionam como insumos intermediários em processos produtivos.

    USTR aponta indícios de trabalho forçado na pecuária brasileira

    O relatório do USTR reconhece as medidas adotadas pelo governo brasileiro para inibir a compra de bens produzidos com trabalho forçado. Mas classifica como “injustificada” a dificuldade do país em implementar compromissos assumidos em acordos de livre comércio.

    O documento aponta indícios de trabalho forçado na produção de carne no Brasil e associa a prática ao crescimento das exportações do setor na última década. “É notório que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil”, registra o relatório.

    China entra no radar do governo americano

    O relatório do USTR também destaca a relação comercial entre Brasil e China. As vendas de carne bovina congelada para o mercado chinês saltaram de 94 mil toneladas para 1,65 milhão de toneladas entre 2015 e 2025. Ou seja, um salto de mais de 17 vezes, enquanto as exportações americanas para a China registraram tendência de queda no mesmo período.

    “A falha da China em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de carne bovina congelada do Brasil com base em trabalho forçado conferiu uma vantagem de custo à carne bovina brasileira e distorceu a concorrência”, diz o relatório.

    Governo brasileiro rebate a decisão

    O Itamaraty já havia criticado a possibilidade de sanções antes do anúncio oficial. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou que a investigação da Seção 301 pode prejudicar políticas internas de combate ao trabalho escravo.

    “Esta investigação da Seção 301, e quaisquer ações dos Estados Unidos que possam dela resultar, ameaçam minar o progresso alcançado por tais iniciativas brasileiras. E portanto, comprometer os objetivos do USTR ao iniciar esta investigação”, afirmou Vieira.

    O Itamaraty sustenta que a cobrança contraria as normas de comércio da OMC (Organização Mundial do Comércio). E defende o sistema brasileiro de combate ao trabalho escravo, que nos últimos anos aprimorou o conceito de “condição análoga à de escravo” no Código Penal e criou a chamada “lista suja” do trabalho escravo.

  • Sobretaxa chinesa x tarifa americana: o que muda para o agronegócio brasileiro

    Sobretaxa chinesa x tarifa americana: o que muda para o agronegócio brasileiro

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou nota nesta semana para desmentir uma informação que circula nas redes sociais: a de que a China teria imposto, neste mês, uma nova taxação sobre as importações de carne bovina brasileira.

    Segundo o órgão, não houve mudança recente nas regras. O que existe é uma medida de salvaguarda anunciada no fim de 2025, que só entra em ação quando as exportações de cada país ultrapassam uma cota específica.

    A confusão ganhou tração porque parte do debate público tem colocado a sobretaxa chinesa lado a lado com a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos às importações brasileiras em 2025. As duas medidas, porém, têm origem, lógica e efeitos diferentes.

    O que diz a nota do Mapa

    De acordo com o esclarecimento oficial, a China anunciou no fim do ano passado a decisão de aplicar uma tarifa de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota estabelecida para o país. Essa condição, afirma o Mapa, ainda não foi atingida.

    O mecanismo funciona como uma salvaguarda válida para todos os exportadores de carne bovina para o mercado chinês, não apenas para o Brasil. Cada país recebe uma cota anual com tarifa de importação de 12%. O Brasil ficou com o maior volume entre os fornecedores, de 1,106 milhão de toneladas. Somente as exportações que excederem essa cota, de qualquer país, passam a pagar a sobretaxa adicional de 55%.

    Foto: Arquivo Agro em Campo

    Segundo a última atualização do Ministério do Comércio chinês (MOFCOM), citada pelo Mapa, o Brasil já utilizou 80% da cota destinada ao país. O volume ainda dentro do limite segue pagando apenas a tarifa padrão de 12%. Reportagens recentes do setor indicam que a sobretaxa passa a valer a partir do terceiro dia após o esgotamento total da cota.

    De onde vem a salvaguarda chinesa

    A medida foi formalizada pelo anúncio nº 87 do Ministério do Comércio da China, publicado em 31 de dezembro de 2025 e em vigor desde 1º de janeiro de 2026, com duração prevista de três anos. Ela resultou de uma investigação conduzida pelas autoridades chinesas. Que concluiu que o crescimento acelerado das importações de carne bovina causou dano relevante à produção doméstica do país.

    Diferentemente de uma proibição ou embargo, Pequim optou por um modelo de cotas por país, combinado com tarifa adicional apenas sobre o volume excedente. O Brasil, principal fornecedor de carne bovina para o mercado chinês, recebeu a maior cota entre todos os países incluídos na medida. Isso é reflexo do peso da pecuária brasileira nas importações do país asiático.

    O governo brasileiro confirmou, em nota oficial divulgada no fim de 2025, que tomou conhecimento da decisão chinesa. E informou que passaria a atuar tanto bilateralmente quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar mitigar os efeitos da salvaguarda, sem sinalizar medidas de retaliação.

    Por que a comparação com a tarifa dos EUA não se sustenta

    A tarifa americana teve origem, alcance e motivação diferentes. Em julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa geral de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros, em vigor a partir de agosto daquele ano. A justificativa apresentada pela Casa Branca não teve relação com desequilíbrios comerciais. Mas com o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, tratado pelo governo americano como uma “caça às bruxas”.

    Foto: Divulgação – Mapa

    A medida atingiu de forma ampla o conjunto das exportações brasileiras aos EUA, embora setores como aeronaves civis, energia, suco de laranja e celulose tenham ficado isentos desde o início. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que Trump havia agido de forma ilegal ao impor tarifas abrangentes de forma unilateral. O que resultou em novas mudanças nas alíquotas, incluindo a retirada de aeronaves, rochas ornamentais, pescados, mel, tabaco e café solúvel da faixa de 50%.

    Assim, a sobretaxa chinesa segue uma lógica distinta: é uma ferramenta de defesa comercial prevista em regras da OMC, aplicada de forma técnica a um único setor (carne bovina), com cota calculada por país e tarifa adicional apenas sobre o volume que excede esse limite. Não há, no mecanismo chinês, motivação política declarada nem abrangência sobre o conjunto da pauta exportadora brasileira.

    Os efeitos práticos para o setor

    Mesmo sendo uma medida técnica e limitada a um produto, a salvaguarda chinesa já provoca ajustes na cadeia da carne bovina. Frigoríficos brasileiros vêm reorganizando o ritmo de embarques mensais para administrar o consumo da cota. E assim, evitar a incidência da tarifa de 55% sobre parte do volume exportado. Reportagens do setor apontam que empresas já avaliam redução no ritmo de produção e a busca por mercados alternativos para escoar o excedente, num cenário em que a oferta de gado no Brasil já enfrentava pressão por outros fatores.

    Apesar do novo mecanismo, o Brasil segue como o maior fornecedor individual de carne bovina para a China. E mantém folga em relação aos demais países cotistas. O desafio agora passa a ser logístico: calibrar os embarques ao longo do ano para não ultrapassar o limite antes do previsto. Ou, quando isso acontecer, direcionar o excedente para outros compradores internacionais.

    A coincidência de datas e a repercussão política em torno das relações comerciais do Brasil favoreceram a mistura entre os dois temas nas redes sociais. Mas, como reforça o Mapa, a salvaguarda chinesa não representa uma taxação geral sobre as vendas brasileiras ao país. Apenas trata-se de um instrumento setorial, previsível e já conhecido pelo mercado desde o fim de 2025, distinto em natureza, origem e alcance da tarifa aplicada pelos Estados Unidos.

  • Tarifa de 67% trava exportações de carne para a China

    Tarifa de 67% trava exportações de carne para a China

    A carne bovina brasileira enfrenta um novo obstáculo no principal mercado internacional. A China passou a cobrar tarifa total de 67% sobre embarques acima da cota anual. O Brasil esgotou integralmente esse limite no início deste mês. Com isso, as exportações excedentes passaram a pagar uma sobretaxa de 55%. Além disso, permanece a tarifa de importação de 12% já aplicada pelo governo chinês.

    Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o novo cenário inviabiliza economicamente os embarques. O presidente da entidade, Roberto Perosa, afirmou que não existem negociações entre Brasil e China. Ele fez a declaração durante cerimônia na unidade industrial da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina.

    Segundo Perosa, o governo chinês não sinalizou mudanças nas medidas adotadas. “As notícias que vêm da China e do governo chinês não são de nenhum tipo de negociação.” “Sempre aguardamos as negociações entre os governos e, neste momento, não há”, afirmou.

    Anúncio das salvaguardas

    A China anunciou as salvaguardas em dezembro de 2025. A decisão ocorreu após investigação sobre o aumento das importações de carne bovina. O governo chinês estabeleceu cota anual de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil.

    Os embarques acima desse volume passaram a sofrer tributação adicional. Pelas regras definidas por Pequim, as salvaguardas permanecerão por três anos. Mesmo assim, o governo poderá revisar as medidas durante esse período.

    Até a mudança, a China liderava as compras de carne bovina brasileira. O país respondia por mais da metade das exportações do setor. Agora, as indústrias deverão ampliar as vendas para outros mercados. Além disso, buscarão fortalecer negócios com países que já importam carne bovina brasileira.

    A Abiec afirma que qualquer mudança dependerá de negociações entre os governos. Enquanto isso, as empresas seguirão operando sob as novas regras chinesas.

    Impacto no mercado brasileiro

    A entidade também prevê reflexos no mercado brasileiro. A redução das exportações pode elevar a oferta de carne bovina no país. Inicialmente, esse movimento tende a pressionar os preços da arroba do boi gordo.

    Além disso, os preços da carne no atacado também podem recuar. No entanto, a Abiec acredita que esse efeito poderá ser temporário. A expectativa é redirecionar parte da produção para novos mercados e reduzir os impactos das restrições chinesas.

  • Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

    A entidade informou que a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o impacto da medida sobre o setor. Mesmo assim, parte das vendas brasileiras continuará sujeita à cobrança. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo americano. Segundo ela, a inclusão de novos produtos na lista de exceções preservou 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos.

    Isentos da tarifa

    Entre os produtos excluídos da tarifa estão pescados, mel e café solúvel. De acordo com Mori, a ampliação das exceções ocorreu após atuação técnica da CNA e de outras entidades do setor privado junto ao governo americano. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.

    Madeira, arroz, ovos e açúcar continuam tarifados

    Apesar das exceções, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%. Segundo a CNA, esses produtos movimentaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.

    A entidade também destacou a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções. As autoridades dos EUA afirmaram que alguns produtos brasileiros são essenciais para a indústria americana. Além disso, alegaram oferta insuficiente no mercado interno e risco de impactos em setores estratégicos da economia.

    CNA continuará defendendo o agronegócio brasileiro

    Sueme Mori informou que a CNA acompanhou toda a investigação comercial. A entidade apresentou estudos técnicos e participou de consultas públicas e audiências realizadas em Washington.

    Segundo a diretora, a confederação demonstrou que a competitividade do agronegócio brasileiro resulta de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas. Além disso, a CNA defendeu a exclusão dos produtos agropecuários da medida. Para a entidade, Brasil e Estados Unidos mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial estratégica para ambos os países.

    Mori afirmou que a confederação continuará acompanhando o caso. Também buscará alternativas para reduzir os impactos da tarifa sobre o agronegócio brasileiro. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA”, concluiu.

  • Trump confirma tarifa de 25% contra o Brasil após meses de negociação

    Trump confirma tarifa de 25% contra o Brasil após meses de negociação

    Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (15/7) a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação que motivou a decisão e atribuiu ao Brasil a adoção de “práticas desleais” que prejudicam empresas e exportadores norte-americanos.

    Junto com a recomendação de aplicar as tarifas, o USTR também propôs à Casa Branca uma atualização na lista de isenções, que define quais produtos ficam de fora da nova alíquota.

    O Palácio do Planalto já esperava a decisão, mesmo após meses de negociação com o órgão americano. O governo brasileiro aguardava o anúncio oficial para dimensionar o alcance da medida, tanto em relação às alíquotas quanto à lista de produtos afetados.

    Impacto bilionário atinge múltiplos setores da indústria

    As novas taxas atingem diversos setores da indústria brasileira. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida pode afetar cerca de 4 mil produtos e gerar um impacto de aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações aos EUA.

    Autoridades que se reuniram nesta manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir assuntos internacionais avaliam que os argumentos apresentados pelos EUA carecem de base técnica e escondem viés político.

    Aplicação de tarifa terá grande impacto na exportação. Foto: divulgação – Porto de Santos

    O comércio entre os dois países favorece os Estados Unidos em termos de saldo comercial. Ainda assim, o governo de Donald Trump sustenta que o Brasil pratica medidas que oneram a indústria e os produtores americanos, e justifica a nova tarifa como forma de equilibrar a balança bilateral.

    Investigação usa Seção 301 e mira Pix, etanol e desmatamento

    O USTR fundamentou a investigação na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que rege a política comercial americana. O documento questiona a atuação do Brasil em áreas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

    O relatório também dedica críticas específicas ao Pix e ao Banco Central do Brasil. Segundo o USTR, o sistema de pagamentos instantâneos cria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços similares.

    As principais acusações contra o Brasil

    • Comércio digital e pagamentos eletrônicos: os EUA acusam o Brasil de restringir empresas americanas de tecnologia e pagamentos, e citam decisões judiciais que determinam remoção de conteúdos, bloqueio de perfis e aplicação de multas às plataformas.
    • Tarifas preferenciais: o governo americano afirma que o Brasil concede tarifas de importação mais baixas a produtos do México e da Índia. E não estende o mesmo tratamento aos produtos dos EUA.
    • Combate à corrupção: o USTR considera insuficientes as medidas brasileiras contra suborno e corrupção.
    • Propriedade intelectual: o relatório aponta falhas no combate à pirataria e à falsificação, além de demora na análise de pedidos de patentes.
    • Etanol: os EUA alegam que o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário recíproco ao etanol americano depois de alterar sua política de importação em 2017.
    • Desmatamento ilegal: o governo americano argumenta que o Brasil possui legislação para combater o desmatamento, mas falha em aplicá-la de forma eficaz.

    Governo brasileiro avalia decisão como política

    A conclusão da investigação seguiu para a Casa Branca, onde aguarda o aval de Donald Trump, uma etapa que encerra o rito, incluindo as audiências realizadas para ouvir empresários e representantes da sociedade civil sobre o impacto das tarifas.

    Apesar de a investigação se apoiar formalmente em critérios técnicos da Seção 301, o governo brasileiro enxerga viés político na decisão. A avaliação se apoia, entre outros fatores, na aproximação da Casa Branca com políticos da oposição no Brasil, como o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), participou da audiência sobre o tema nos Estados Unidos, ao lado de dezenas de inscritos brasileiros e americanos. A maioria das empresas e associações usou o espaço de argumentação no USTR para se posicionar contra as tarifas. Flávio Bolsonaro, por sua vez, adotou tom mais político durante a reunião. Ele classificou o momento como o “pior possível” para a taxação, por causa do período pré-eleitoral, e afirmou que a medida beneficiaria Lula.

    Segunda investigação pode elevar tarifas para 37,5%

    Além da taxa de 25% já confirmada, o governo brasileiro aguarda a conclusão de uma segunda investigação, que sugere uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Essa apuração se baseia em denúncias de exploração de trabalho forçado. Caso as duas investigações avancem, setores da indústria brasileira podem enfrentar tarifas somadas de até 37,5%.

    “Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses. E seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

  • Tarifa sobre tilápia em SP atinge todos os pescados importados

    Tarifa sobre tilápia em SP atinge todos os pescados importados

    O decreto assinado pelo governador Tarcísio, que estabeleceu tributação sobre a importação de tilápia em SP, acabou produzindo efeitos sobre todo o mercado de pescados importados. Com a nova regra, espécies que anteriormente eram isentas passaram a recolher ICMS de 7%, incluindo salmão, bacalhau, polaca, merluza, cação, sardinha e pangasius, além da própria tilápia.

    A medida atende a uma reivindicação antiga de entidades ligadas à piscicultura nacional, como a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca). Desde o ano passado, a entrada de filé de tilápia do Vietnã no mercado brasileiro vem pressionando a cadeia produtiva por chegar ao país com preços inferiores aos custos de produção da indústria nacional.

    Segundo Emerson Esteves, diretor-tesoureiro da Peixe SP, a legislação paulista difere da adotada em outros estados produtores.

    “A lei no Paraná e em outros estados como Santa Catarina e Minas Gerais permite a isenção de apenas um produto. Nesses estados, o governo aumentou o ICMS para até 22% no caso da importação do filé de tilápia.”

    Setor importador pede revisão

    Logo após a publicação do decreto, a Associação Brasileira de Fomento ao Pescado (Abrapes), entidade que representa indústrias importadoras, tradings e distribuidoras, iniciou conversas com o governo paulista para solicitar o retorno da isenção dos demais pescados importados.

    A entidade argumenta que a decisão afeta uma cadeia composta por 110 indústrias, responsáveis pela geração de aproximadamente 60 mil empregos diretos e indiretos.

    O presidente da Abrapes, Julio César Antonio, afirmou que a entidade apoia a tributação da tilápia, mas considera inadequado estender a cobrança a outras espécies.

    “Somos favoráveis à tributação da tilápia, mas isso não pode atingir todos os pescados importados. O decreto inviabiliza todas as indústrias importadoras do nosso Estado, que importa de 70% a 80% do pescado que processa”, disse,

    Graças à sua eficiência produtiva, a tilápia se tornou uma das espécies mais importantes para o desenvolvimento da piscicultura nacional — Foto: Ricardo Trida/Secom GOVSC

    Além disso, segundo ele, a reivindicação conta com apoio do Sindicato da Indústria da Pesca no Estado de São Paulo (Sipesp) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

    Governo avalia alternativa para outros pescados

    De acordo com Julio César Antonio, o governador compreendeu as preocupações apresentadas pelo setor.

    Assim, uma proposta já foi encaminhada ao governo para restabelecer a isenção dos pescados importados que não possuem produção nas águas brasileiras, mantendo a cobrança de ICMS sobre a tilápia. Segundo o dirigente, foi criada uma força-tarefa envolvendo as secretarias da Fazenda e da Agricultura, e a expectativa é que uma definição ocorra entre 15 e 30 dias.

    Secretaria dialoga com a cadeia produtiva

    Em nota, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo informou que acompanha o tema e mantém diálogo permanente com os diferentes segmentos da cadeia do pescado, especialmente os produtores paulistas.

    “As medidas adotadas têm como objetivo garantir condições equilibradas de competitividade para quem produz, gera emprego e riqueza no Estado e no país. Eventuais impactos sobre importadores serão tratados pela Secretaria da Fazenda e Planejamento, por meio de instrumentos previstos na legislação tributária, caso demandem ajustes.”

    Projeto propõe veto à importação

    Enquanto o debate avança em São Paulo, uma proposta ainda mais rígida tramita no Congresso Nacional.

    Na Câmara dos Deputados, um projeto de lei prevê a proibição da importação de tilápia e seus derivados em todo o território nacional. A proposta abrange desde peixes vivos e alevinos até produtos resfriados, congelados, filetados ou processados, destinados tanto ao consumo humano quanto animal.

    O texto já recebeu aprovação na Comissão de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e prevê aplicação de multas, além da destruição das cargas irregulares.

    Para se tornar lei, a proposta ainda precisa passar por outras comissões e pelo plenário da Câmara antes de seguir para análise do Senado Federal.

  • Carne bovina, açaí e suco de laranja escapam de tarifa dos EUA

    Carne bovina, açaí e suco de laranja escapam de tarifa dos EUA

    O governo dos Estados Unidos propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados do Brasil e de outros 59 países. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (3).

    A nova cobrança tem como base uma investigação sobre mercadorias supostamente produzidas com uso de trabalho forçado.

    Entenda o anúncio da medida

    A proposta surgiu um dia após os EUA anunciarem uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras. O governo norte-americano alegou práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.

    Segundo o documento, trabalho forçado inclui qualquer serviço exigido sob ameaça e sem consentimento voluntário do trabalhador.

    As novas tarifas ainda não entram em vigor. Antes disso, o governo americano abrirá consulta pública e realizará audiências a partir de 7 de julho.

    A resolução prevê a cobrança sobre produtos dos países investigados. No entanto, uma lista com mais de 80 páginas traz diversas exceções.

    Isenção da tarifa de 12,5%

    Entre os produtos brasileiros isentos da tarifa adicional de 12,5% estão carne bovina, suco de laranja, tomate, castanha-do-pará, banana, abacaxi e manga. A lista também inclui café, exceto o solúvel, além de cevada e açaí.

    Por outro lado, produtos dispensados da nova tarifa, mas não da sobretaxa anterior, passarão a pagar 25%. Já os itens que não aparecem em nenhuma das listas de exclusão poderão enfrentar uma cobrança acumulada de 37,5%.