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  • Tarifas dos EUA ameaçam exportações do agro gaúcho

    Tarifas dos EUA ameaçam exportações do agro gaúcho

    Uma proposta dos Estados Unidos pode afetar fortemente as exportações do Rio Grande do Sul. A medida prevê uma sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras. A proposta tem como base a Seção 301 do Trade Act de 1974. A Assessoria Econômica da Farsul divulgou a análise nesta terça-feira (2).

    Segundo o levantamento, 43,7% das exportações brasileiras aos Estados Unidos entrariam no escopo da medida. O percentual corresponde a US$ 16,5 bilhões em vendas anuais.

    No Rio Grande do Sul, a exposição é ainda maior. Cerca de 81,1% das exportações ao mercado americano ficariam sujeitas à sobretaxa. O estado exporta US$ 1,34 bilhão para os Estados Unidos. Nesse cenário, o impacto tarifário potencial alcançaria US$ 334 milhões.

    Agro gaúcho aparece entre os mais vulneráveis

    O relatório aponta maior vulnerabilidade do Rio Grande do Sul em relação ao restante do país. A situação ocorre devido à composição da pauta exportadora gaúcha. O estado concentra vendas em madeira, fumo e produtos florestais. Esses setores ficaram fora das listas de exclusão elaboradas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos.

    No agronegócio, a diferença também chama atenção. Enquanto 36,8% das exportações brasileiras do setor seriam atingidas, no Rio Grande do Sul o percentual chega a 74,9%. Em valores, a medida alcançaria US$ 4,19 bilhões do agro brasileiro. Já no estado, o montante exposto soma US$ 575 milhões. Nesse caso, o impacto tarifário potencial sobre o agronegócio gaúcho seria de US$ 144 milhões.

    Fumo e madeira lideram lista de produtos afetados

    O fumo não manufaturado tipo Virgínia aparece entre os produtos mais vulneráveis. O item registrou exportações de US$ 122 milhões. A sobretaxa potencial pode alcançar US$ 30 milhões.

    Também aparecem na lista a madeira serrada de Pinus, com US$ 81 milhões exportados, e os calçados de couro, com US$ 62 milhões. O fumo tipo Burley soma outros US$ 49 milhões em exportações. Juntos, os dois tipos de fumo representam 31,4% do agronegócio gaúcho incluído na proposta.

    No cenário nacional, os produtos mais afetados seriam o sebo bovino, com US$ 416 milhões exportados. Além disso, entram na lista produtos florestais, como madeira compensada e obras de marcenaria. O complexo sucroalcooleiro também aparece entre os segmentos mais expostos, com US$ 401 milhões em vendas.

    Exclusões beneficiam agronegócio brasileiro

    A diferença entre Brasil e Rio Grande do Sul tem origem na lista de exclusões da proposta americana. Produtos como carne bovina fresca, suco de laranja concentrado, café em grão e fertilizantes ficaram fora da sobretaxa. Esses itens possuem participação relevante nas exportações brasileiras aos Estados Unidos.

    Por outro lado, o Rio Grande do Sul não embarca esses produtos em volumes expressivos para aquele mercado. Como resultado, apenas 18,9% das exportações gaúchas contam com proteção das exclusões. No Brasil, esse percentual chega a 56,3%.

    Negociações serão decisivas

    A Farsul destaca que o impacto potencial de US$ 334 milhões não representa perda financeira automática. Segundo o relatório, a sobretaxa pode reduzir margens dos exportadores. Além disso, a medida pode diminuir embarques, reduzir participação de mercado ou elevar custos para importadores.

    O documento ressalta que as negociações sobre inclusões e exclusões serão fundamentais para reduzir os impactos econômicos. A investigação americana também aborda temas além das tarifas. Washington questiona aspectos relacionados ao PIX, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas ambientais. Dessa forma, o processo pode resultar em medidas setoriais adicionais.

    Para o Rio Grande do Sul, que exportou US$ 1,65 bilhão aos Estados Unidos em 2025, o resultado das negociações terá efeitos diretos sobre a economia estadual.

  • Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Estados Unidos propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do USTR

    Os Estados Unidos propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida ainda passa por consulta pública antes de uma decisão final, prevista para julho de 2026.

    O USTR estabeleceu um cronograma para o processo: interessados devem solicitar participação em audiência até 22 de junho. O envio de comentários escritos vai até 1º de julho, e a audiência pública ocorre em 6 de julho. O prazo legal para adoção das medidas termina em 15 de julho.

    Lista de exceções inclui alimentos, fertilizantes e aeronaves

    A proposta inclui uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos ou com oferta insuficiente no mercado americano. Entre os itens isentos estão materiais informativos e doações, além de produtos agrícolas e industriais.

    A lista menciona carnes, frutas, café, chá, especiarias, cereais, sementes e fertilizantes. Também aparecem aeronaves e peças, minerais de terras raras, produtos químicos orgânicos e itens farmacêuticos.

    USTR aponta práticas comerciais e ambientais como justificativa

    O relatório do USTR reúne críticas ao Brasil em diferentes frentes. O documento cita decisões judiciais relacionadas a plataformas digitais, com alegações de ordens sigilosas para remoção de conteúdo político e suspensão de perfis, além de multas e restrições a ativos.

    O órgão também questiona regras de pagamento eletrônico e aponta suposto favorecimento a empresas locais.

    Etanol, acordos comerciais e reciprocidade entram no radar

    Os Estados Unidos também criticam acordos preferenciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. Segundo o USTR, o Brasil aplica tarifas menores a centenas de produtos desses parceiros sem oferecer tratamento equivalente aos EUA.

    O relatório destaca ainda o setor de etanol. O órgão afirma que, desde 2017, o Brasil não mantém reciprocidade no acesso ao mercado.

    Outros pontos levantados incluem desmatamento ilegal, propriedade intelectual e combate à corrupção. O USTR avalia que o Brasil não aplica de forma eficaz sua legislação ambiental.

    O documento também critica a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na análise de patentes. E aponta falhas no enfrentamento a práticas de suborno e corrupção.

    A Amcham Brasil emitiu uma nota oficial agora pela manhã

    Nota

    O relatório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), publicado em 1º de junho no âmbito da investigação da Seção 301 envolvendo práticas comerciais do Brasil, recomenda, em caráter preliminar, a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Caso confirmadas, essas medidas aumentarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.

    Ao mesmo tempo, o relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes dos dois países em 7 de maio, e sinaliza interesse na continuidade das negociações até a decisão final prevista para 15 de julho. Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas.

    “O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    A Amcham acompanha também a expectativa de divulgação, nos próximos dias, do relatório de outra investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderá resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

    Nesse contexto, torna-se ainda mais relevante buscar uma solução negociada na investigação 301 envolvendo o Brasil, de forma a evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países.

    A Amcham Brasil permanece à disposição para contribuir com a continuidades das negociações e apoiar iniciativas que fortaleçam a parceria econômica entre Brasil e Estados Unidos.

  • Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) avalia com otimismo e cautela a nova tarifa dos Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos anunciou taxa de 10% sobre importações globais. A medida também vale para o café solúvel brasileiro. Antes, os EUA aplicavam tarifa de 50% desde agosto de 2025. Como resultado, o volume exportado caiu cerca de 50% nos últimos seis meses.

    De volta ao jogo

    Agora, a nova alíquota restaura parte da competitividade do produto nacional. Os Estados Unidos mantêm parceria histórica com o Brasil há mais de 60 anos. Atualmente, o país responde por 20% das exportações brasileiras de café solúvel. Além disso, as compras anuais superam US$ 220 milhões.

    Com a nova tarifa, o Brasil volta a competir em condições semelhantes a outros fornecedores globais. O México permanece como exceção, pois mantém tarifa zero. Assim, o setor considera a mudança um passo relevante para reequilibrar o comércio.

    Cautela

    Apesar do avanço, a entidade mantém cautela diante das incertezas da Seção 301. O Brasil está entre os países sob investigação nesse mecanismo. Por isso, novas medidas tarifárias podem atingir produtos brasileiros. A associação defende diálogo e harmonia entre os dois governos. Segundo a entidade, previsibilidade e estabilidade garantem segurança nas relações comerciais.

    Expectativa para reunião entre Lula e Donald Trump

    A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Donald Trump está prevista para março. O setor considera o encontro uma oportunidade estratégica para incluir o café solúvel nas pautas bilaterais.

    Atualmente, café verde e café torrado entram no mercado norte-americano com tarifa zero. Por isso, a entidade busca tratamento semelhante para o café solúvel brasileiro. O setor vive momento de apreensão, atenção e esperança.

    A indústria quer retomar protagonismo nos Estados Unidos, seu principal e mais tradicional cliente. Além disso, o segmento busca preservar o papel estratégico desse mercado na cadeia de valor.

  • Tarifa dos EUA freia exportações de café solúvel

    Tarifa dos EUA freia exportações de café solúvel

    O tarifaço dos Estados Unidos interrompeu o ciclo de recordes das exportações brasileiras de café solúvel em 2025. O Brasil exportou 85,082 mil toneladas do produto no ano, segundo a ABICS. Esse volume equivale a 3,688 milhões de sacas de 60 quilos. Em resumo, o resultado representa queda de 10,6% frente a 2024. Apesar disso, a receita cambial cresceu e atingiu nível histórico.

    As exportações geraram US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% em relação ao ano anterior. Segundo a ABICS, a valorização do café sustentou os preços do solúvel.

    Preços compensam menor volume exportado

    A alta das cotações do arábica e do canéfora elevou o valor do café solúvel. Assim, mesmo com menos embarques, o faturamento externo avançou. O diretor da ABICS, Aguinaldo Lima, atribui o ganho à matéria-prima mais cara.

    Tarifa de 50% derruba vendas aos Estados Unidos

    A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos impactou fortemente os embarques brasileiros. As exportações ao mercado norte-americano caíram 28,2% em 2025. Entre agosto e dezembro, a retração chegou a 40%.

    Segundo Lima, a medida reduziu a competitividade do produto brasileiro. Além disso, importadores buscaram fornecedores com tarifas menores. Como resultado, o Brasil perdeu participação em um mercado estratégico.

    EUA seguem líderes, apesar da queda

    Mesmo com o tarifaço, os Estados Unidos lideraram as importações do café solúvel brasileiro. O país comprou 558.740 sacas em 2025. Na sequência, a Argentina importou 291.919 sacas, com crescimento de 40,2%. A Rússia ocupou o terceiro lugar, com 278.050 sacas, alta de 9,8%. Outros destinos relevantes foram Indonésia, México e Vietnã. A Colômbia ampliou as compras em 178,2%, alcançando 130.029 sacas. Segundo a ABICS, esses países também produzem café solúvel em larga escala. Redirecionamento enfrenta obstáculos comerciais

    A queda nas vendas aos EUA exige redirecionamento das exportações brasileiras. Entretanto, o cenário global impõe desafios ao setor. O Brasil possui poucos acordos comerciais amplos, segundo a ABICS. Além disso, outras tarifas reduzem a competitividade do café solúvel nacional. Lima afirma que redirecionar grandes volumes demanda tempo e investimentos. O processo exige marketing, adaptação regulatória e negociações comerciais.

    Consumo interno bate novo recorde

    Enquanto as exportações recuaram, o mercado interno apresentou forte crescimento. O consumo doméstico atingiu 27,008 mil toneladas em 2025. O volume equivale a 1,170 milhão de sacas. O resultado representa alta de 9,5% frente a 2024. Segundo Lima, o consumidor brasileiro aderiu mais ao café solúvel. A menor inflação do produto também estimulou a demanda interna.

    Reforma Tributária eleva custos do setor

    A Reforma Tributária trará impactos relevantes à indústria de café solúvel. A partir de 2027, o setor perderá o crédito presumido de 7,4%. A medida elevará o custo implícito das exportações durante a transição tributária.

    Segundo a ABICS, a indústria pode perder R$ 430 milhões por ano. O valor representa 7,4% das exportações de 2025. Por saca, o custo adicional equivale a US$ 19,89.

    Perspectivas exigem estratégia para 2026

    O setor enfrenta contraste entre mercado interno forte e comércio externo desafiador. A possível perda do mercado norte-americano exige resposta estratégica. A diversificação de destinos e novos acordos comerciais tornam-se prioritários.

    A União Europeia surge como alternativa promissora no médio prazo. Além disso, o setor busca diálogo para mitigar efeitos da Reforma Tributária. Segundo Lima, investimentos de R$ 2,5 bilhões reforçam a resiliência da indústria.

     

  • China impõe tarifa de 55% à carne bovina importada

    China impõe tarifa de 55% à carne bovina importada

    O Ministério do Comércio da China confirmou a imposição de salvaguardas sobre a carne bovina importada.
    A medida inclui tarifa adicional de 55% para volumes que superarem cotas estabelecidas. O ministério publicou a decisão em comunicado oficial nesta quarta-feira, 31 de dezembro.

    As regras entram em vigor em 1º de janeiro de 2026. O prazo de validade será de três anos, até 31 de dezembro de 2028. A decisão confirma discussões realizadas em recentes reuniões bilaterais.

    O tema ganhou relevância devido ao avanço das exportações brasileiras ao mercado chinês. O Brasil figura entre os principais fornecedores de carne bovina à China. Segundo o comunicado, a medida resulta de investigação iniciada em dezembro de 2024. As autoridades analisaram o crescimento das importações e os efeitos sobre a indústria doméstica.

    O ministério avaliou também a relação entre aumento das compras externas e prejuízos ao setor local. Ao final do processo, a China concluiu que as importações causaram danos graves à indústria nacional. O governo estabeleceu nexo direto entre o crescimento das importações e os impactos econômicos internos.

    Entenda como as medidas vão funcionar

    As salvaguardas combinarão cotas específicas por país com tarifas adicionais. A tarifa extra incidirá apenas sobre volumes que ultrapassarem os limites definidos. Dentro da cota anual, a carne bovina importada manterá a tarifa atualmente vigente. Acima da cota, os importadores pagarão tarifa adicional de 55%. A alíquota será aplicada sobre o imposto já em vigor.

    O ministério informou que as cotas não utilizadas não poderão ser transferidas. Cada ano terá limites independentes para importação. As medidas abrangem carne bovina fresca, refrigerada ou congelada.
    O texto inclui produtos com ou sem osso, inteiros ou em meia carcaça.

    Acordos e exceções

    Durante as salvaguardas, a China suspenderá benefícios do acordo China–Austrália. A decisão prevalecerá sobre compromissos bilaterais existentes para carne bovina. O comunicado prevê exceções para países em desenvolvimento. A isenção vale para países com participação inferior a 3% das importações chinesas.

    O conjunto desses países não poderá ultrapassar 9% do total importado. Caso os limites sejam superados, a salvaguarda poderá valer no ano seguinte. A lista de países excluídos consta em anexo ao anúncio oficial.
    O Ministério do Comércio afirmou que poderá revisar as medidas. A reavaliação dependerá de mudanças no mercado ou na indústria doméstica.

    Posicionamento do setor brasileiro

    A ABIEC e a CNA avaliam que a salvaguarda altera o acesso ao mercado chinês. As entidades afirmam que a medida exige reorganização da produção e das exportações. Segundo as organizações, os embarques envolvem produtos com maior valor agregado. Esses produtos têm perfil distinto do consumo doméstico brasileiro. O setor associa as exportações à geração de emprego e renda.

    As entidades destacam que a China permanece como principal destino da carne brasileira. O país asiático segue como mercado estratégico para a pecuária nacional. A medida cria uma quota crescente ao longo dos três primeiros anos.
    O limite inicial será de 1,106 milhão de toneladas no primeiro ano. Dentro da quota, a tarifa será de 12%. Fora da quota, a sobretaxa de 55% elevará a tarifa total para 67%.

    Importação em 2025

    Em 2025, a China importou cerca de 1,7 milhão de toneladas do Brasil. O volume representou 48,3% das exportações brasileiras de carne bovina. Nesse cenário, a cadeia produtiva precisará realizar ajustes.
    As mudanças envolvem produção, logística e exportação. A ABIEC e a CNA destacam a relação comercial construída ao longo de anos. As entidades citam fornecimento regular, previsibilidade e cumprimento sanitário. A carne bovina brasileira complementa o abastecimento do mercado chinês. O produto contribui para a estabilidade da oferta ao consumidor local.

    Impacto da pecuária na economia brasileira

    A cadeia da pecuária bovina tem papel central na economia brasileira. O setor leva renda a milhares de municípios. A atividade sustenta cerca de 7 milhões de empregos diretos e indiretos. Cerca de 70% da produção atende o mercado interno.
    Aproximadamente 30% da carne bovina brasileira segue para exportação.

    As entidades ressaltam o caráter complementar das vendas externas. As exportações ajudam a equilibrar e sustentar a cadeia pecuária nacional. A ABIEC e a CNA acompanharão a implementação das medidas.
    As entidades atuarão junto ao governo brasileiro e às autoridades chinesas. O objetivo é reduzir danos aos pecuaristas e exportadores. As organizações também buscam preservar o fluxo comercial histórico.

  • Trump amplia cota de carne argentina para reduzir preço nos EUA

    Trump amplia cota de carne argentina para reduzir preço nos EUA

    O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, decidiu quadruplicar a cota de importação de carne bovina da Argentina. O volume passa de 20 mil para 80 mil toneladas anuais com tarifas reduzidas.

    A Casa Branca afirma que o objetivo é frear a alta dos preços da carne e ampliar a oferta interna, em um momento de forte pressão inflacionária. Além disso, a medida faz parte de um plano econômico mais amplo para reduzir o custo de vida das famílias americanas.

    O Departamento de Agricultura (USDA) informou que o novo limite tarifário permitirá importações com tarifas preferenciais até 80 mil toneladas por ano. A partir desse ponto, voltam a vigorar alíquotas de 26,4%, aplicadas às quantidades excedentes.

    Escassez de gado pressiona preços e consumo

    Os Estados Unidos enfrentam o menor rebanho bovino em dez anos, resultado direto da seca prolongada em regiões produtoras, do aumento nos custos de ração e da perda de pastagens.

    Esse cenário reduziu a oferta de carne e elevou os preços no varejo, que subiram mais de 50% nos últimos cinco anos. O governo tenta reverter essa tendência antes que o aumento do custo dos alimentos afete de forma mais ampla a economia doméstica.

    Analistas lembram que o consumo americano de carne bovina ultrapassa 12 milhões de toneladas anuais. Por isso, a ampliação da cota argentina representa menos de 1% do total, mas tem valor simbólico no enfrentamento da inflação.

    Setor pecuário reage à decisão da Casa Branca

    Entidades ligadas aos pecuaristas reagiram com preocupação. A National Cattlemen’s Beef Association (NCBA) afirmou que a medida ocorre em um momento delicado para o setor e pode afetar a renda dos produtores.

    Além disso, lideranças rurais de estados como Kansas, Texas e Dakota do Sul cobram maior apoio federal para recompor o rebanho e compensar os efeitos da concorrência estrangeira. Segundo eles, os custos de produção continuam elevados e a abertura da cota tende a pressionar o mercado doméstico.

    No Congresso, parlamentares republicanos solicitaram ao governo que amplie as linhas de crédito e acelere os incentivos à pecuária. Eles defendem a adoção de políticas que garantam estabilidade de preços e sustentação de margens aos criadores.

    Governo americano promete incentivo à produção interna

    Para reduzir tensões com o setor, o USDA prepara um pacote de estímulos voltado à produção nacional. O plano prevê incentivos fiscais, ampliação do acesso a pastagens federais e financiamento de longo prazo para pequenos e médios produtores.

    O governo também planeja investir na capacidade de abate e processamento dentro do território americano, com o objetivo de diminuir gargalos logísticos e fortalecer a cadeia de valor da carne bovina.

    Essas medidas devem ser anunciadas ainda neste trimestre, segundo fontes do Departamento de Agricultura. O pacote poderá incluir parcerias com o setor privado e subsídios para modernização de frigoríficos regionais.

    Argentina comemora avanço comercial com os EUA

    O governo de Javier Milei celebrou a ampliação da cota como um sinal de confiança na carne argentina. Segundo o Ministério da Agricultura, a decisão fortalece o comércio bilateral e, além disso, reforça a imagem do país como fornecedor confiável de proteína bovina de alta qualidade.

    A Argentina exportou mais de 700 mil toneladas de carne bovina em 2024 e, por isso, enxerga no mercado americano uma oportunidade estratégica de expansão. Além de ampliar as receitas do setor, a medida pode estimular investimentos em frigoríficos locais e elevar a competitividade internacional do produto argentino.

    Enquanto isso, parte dos embarques deve abastecer redes de fast food e processadores industriais nos Estados Unidos, o que, por sua vez, pode consolidar a presença da carne argentina em nichos de alto consumo e garantir contratos de longo prazo com grandes distribuidoras. Dessa forma, Buenos Aires aposta em uma reaproximação comercial com Washington, após anos de restrições e quotas limitadas impostas ao produto.

    Ações futuras e impactos políticos

    O governo Trump pretende monitorar os preços ao consumidor nas próximas semanas e reavaliar o mecanismo tarifário caso haja desajuste no mercado. Paralelamente, o gabinete econômico analisa novas parcerias com países do Mercosul para diversificar as fontes de abastecimento.

    Especialistas em política comercial afirmam que a medida tem impacto político imediato, por mostrar reação do governo diante da inflação alimentar. Ainda assim, o efeito econômico é limitado, já que o volume adicional cobre apenas uma pequena fração do consumo interno.

  • EUA retiram tarifa de 10% sobre celulose brasileira

    EUA retiram tarifa de 10% sobre celulose brasileira

    O governo dos Estados Unidos retirou a tarifa de 10% sobre a celulose brasileira exportada ao país desde abril. A medida, segundo analistas, pressionava produtores americanos que dependem da matéria-prima para fabricar papéis “tissue”, como papel higiênico e lenços umedecidos.

    A fibra já havia escapado da alíquota adicional de 40%. Na sexta-feira (5), o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva sobre política tarifária. A Casa Branca publicou o novo documento na segunda-feira (8), redefinindo parâmetros para negociações comerciais.

    Detalhes da isenção

    O Anexo II da ordem atualizou a lista de produtos isentos da tarifa de 10%. O texto incluiu três descrições de celulose no SH4 4703: 4703.11.00, 4703.21.00 e 4703.29.00. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), essas categorias representam mais de 90% do volume exportado em 2024. O total enviado foi de 3 milhões de toneladas.

    O novo decreto não alterou tarifas adicionais sobre papéis em geral e painéis de madeira, como MDF e MDP. Esses produtos seguem com alíquotas de 50% (10% + 40%) e 40%, respectivamente.

    O anúncio das tarifas em abril movimentou o mercado global de celulose. Os preços perderam fôlego e clientes adiantaram pedidos para reduzir custos. Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras para os EUA caíram 15,2% em valor e 8,5% em volume, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Apenas em maio, a queda em valor chegou a 35%.

     

  • Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    Exportação de café para EUA cai 46% em agosto com tarifa de Trump

    As exportações de café do Brasil para os Estados Unidos sofreram uma queda abrupta de 46% em agosto de 2020. Impactadas diretamente pela tarifa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre o produto. Os dados, divulgados pelo Café (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), revelam uma significativa reconfiguração no fluxo comercial do grão.

    Enquanto as vendas para o maior consumidor mundial despencaram para 301 mil sacas de 60 kg (ante 562 mil em 2019), os países da América Latina emergiram como destinos em crescimento explosivo. As exportações para a Colômbia tiveram um aumento extraordinário de 578%, e para o México, a alta foi de 90%.

    A Alemanha manteve sua posição de liderança, se consolidando como o maior importador individual de café brasileiro no período, com a compra de 414.109 sacas, mesmo com uma ligeira contração no volume.

    Em nota, o presidente da Cecafe, Márcio Ferreira, atribuiu a turbulência diretamente às medidas tarifárias. “As tarifas perturbaram o mercado e abriram a porta para movimentos especulativos”, afirmou. Ferreira também descartou a possibilidade de o setor usar rotas de terceiros países, como México ou Colômbia, para burlar a tarifa e acessar o mercado americano, classificando a prática como de fácil detecção pelas autoridades dos EUA.

    Café solúvel e inflação em alerta

    O segmento de café solúvel foi um dos mais atingidos. De acordo com a ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), as exportações para os EUA desse produto caíram 59,9% em agosto.

    A escalada da tensão comercial preocupa entidades globais e nacionais. Tanto a Organização Internacional do Café (OIC) quanto a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) já alertaram que as tarifas podem elevar os preços globais da commodity. Para o Brasil, que é o segundo maior consumidor do mundo, o aumento dos custos internacionais pode se refletir na inflação doméstica. Como destacou Celirio Inácio, da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café). “O café está ficando mais caro… e isso contribuirá diretamente para a inflação aqui no Brasil”, projetou.

  • Tarifa dos EUA pressiona exportações da fruticultura brasileira

    Tarifa dos EUA pressiona exportações da fruticultura brasileira

    A fruticultura brasileira enfrenta um de seus maiores desafios recentes. Desde 6 de agosto, os Estados Unidos impõem tarifa total de 50% sobre frutas frescas do Brasil. A medida soma a taxa de 10% já existente à sobretaxa de 40% anunciada em julho.

    Mesmo com o impacto na competitividade, parte dos embarques das principais frutas e derivados segue para o mercado norte-americano. Esse movimento afasta, no curto prazo, um colapso na cadeia produtiva.

    Laranja, manga e uva

    A equipe de Hortifrúti do Cepea analisou os produtos mais exportados para os EUA e ouviu agentes estratégicos das cadeias. O estudo focou em suco de laranja, manga e uva. Apenas o suco de laranja, mas não seus subprodutos, ficou isento da sobretaxa de 40%. O produto mantém a tarifa de 10% e a taxa fixa de US$ 415 por tonelada.

    Manga e uva continuam com tributação total de 50%, elevando preços no destino e reduzindo margens de exportadores e produtores. Exportadoras ouvidas pelo Cepea afirmam que parte dos embarques será mantida no segundo semestre. O objetivo é honrar contratos estratégicos e evitar perdas imediatas.

    O anúncio da sobretaxa ocorreu após acordos logísticos já definidos, o que limita o redirecionamento das vendas nesta safra. Ainda não se sabe qual será o volume excedente no mercado interno e o efeito sobre novos investimentos, especialmente no Vale do São Francisco.

    No caso do suco de laranja, a isenção da sobretaxa resultou de articulação institucional. A indústria norte-americana depende majoritariamente do produto brasileiro. Empresas brasileiras, por sua vez, mantêm investimentos bilionários em fábricas e terminais nos EUA. A CitrusBR informou ao Cepea que esses fatores foram decisivos para a exclusão da tarifa extra.

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    A Abrafrutas defende uma estratégia dupla: negociar com importadores para diluir impactos e manter contratos, e acionar o governo brasileiro. Entre as medidas sugeridas estão prorrogação de custeios, crédito com juros menores, antecipação de créditos à exportação e devolução rápida de ICMS.

    Sem apoio, a entidade alerta para queda de preços, redução de margens e menor capacidade de investimento. A situação ameaça cadeias como açaí, gengibre, manga e uva.

    Ações prioritárias

    1. Mobilização internacional – Negociar com importadores e buscar isenção tarifária para frutas não cultivadas nos EUA ou em períodos específicos.
    2. Ações governamentais – Criar crédito emergencial, prorrogar financiamentos e acelerar a restituição de tributos.
    3. Gestão estratégica – Escalonar colheitas, reduzir custos logísticos e ampliar vendas para Europa, América do Sul e Ásia.

    Segundo Margarete Boteon, coordenadora da Hortifruti Brasil, manter embarques aos EUA e diversificar mercados será essencial. “Essas ações preservam competitividade, rentabilidade e capacidade de investimento da fruticultura brasileira, especialmente das cadeias mais vulneráveis”, afirmou.

     

  • Cacau – tarifaço ameaça exportações com prejuízo de R$ 190 milhões

    Cacau – tarifaço ameaça exportações com prejuízo de R$ 190 milhões

    O recente tarifaço comercial imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil coloca em grave risco o setor brasileiro de cacau, que ficou fora da lista de exceções anunciada pela Casa Branca. A sobretaxa de 50%, que combina uma taxa adicional de 40% com uma anterior de 10%, ameaça inviabilizar as exportações brasileiras de derivados do cacau para o mercado americano, segundo avaliação da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC).

    Estima-se que, apenas em 2025, as perdas possam alcançar US$ 36 milhões (aproximadamente R$ 190 milhões na cotação atual). A taxa impacta diretamente itens como manteiga de cacau, pasta, pó e amêndoas in natura, sendo que os Estados Unidos respondem por cerca de 18% das exportações brasileiras do setor. Em 2024, as vendas para os EUA somaram US$ 72,7 milhões e só no primeiro semestre deste ano ultrapassaram US$ 64,8 milhões.

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    A AIPC alerta que a tarifa elevada tornará os produtos brasileiros proibitivos no mercado americano, levando os importadores a buscarem fornecedores alternativos. Isso deve refletir em uma redução de quase 10% na moagem nacional do cacau, aumento da ociosidade da indústria para até 37% e comprometimento de aproximadamente 70 mil empregos diretos e indiretos, especialmente nas regiões produtoras da Bahia, Pará e São Paulo.

    Até o momento, empresários do setor mantêm negociações com autoridades brasileiras para pressionar por uma negociação que inclua o cacau na lista de exceções, buscando minimizar os danos. O governo dos EUA já sinalizou para a possibilidade de criar uma lista de isenções para produtos agrícolas que não são produzidos em grande escala no país, como café, manga e cacau, fato que poderia representar um alívio para o agronegócio brasileiro.

    Impactos

    Porém, enquanto a definição desta lista é aguardada, a indústria nacional enfrenta o impacto severo da sobretaxa, que compromete a competitividade das exportações e ameaça o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do cacau. O cenário também traz consequências para os pequenos agricultores familiares, que formam a base da produção e podem sofrer com a redução dos preços pagos e desestímulo ao cultivo.

    Em meio a este contexto, o setor brasileiro de cacau busca apoio junto ao governo federal para fortalecer a diplomacia e negociar a reversão da tarifação, preservando a estabilidade econômica e os postos de trabalho que dependem dessa importante atividade agroindustrial.

    Este tarifaço de 50% entrou em vigor em 6 de agosto de 2025, impactando cerca de 36% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, enquanto produtos como suco de laranja, petróleo, aeronaves e celulose foram incluídos em uma lista de exceções à sobretaxa.

    A continuidade das negociações e a possível inclusão do cacau na lista de exceções são acompanhadas com expectativa pelo setor, que visa garantir a manutenção das exportações para o mercado americano e a sustentabilidade da cadeia produtiva nacional.

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