Tag: Ministério da Agricultura e Pecuária

  • Mapa apreende 36 mil kg de arroz e feijão irregular

    Mapa apreende 36 mil kg de arroz e feijão irregular

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma força-tarefa de fiscalização em estabelecimentos de beneficiamento e empacotamento de arroz, feijão e outros cereais no estado de São Paulo. A operação ocorreu por meio do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), ligado à Secretaria de Defesa Agropecuária.

    arroz irregular em um galpão com profissional do MAPA
    Mapa realiza força-tarefa e identifica irregularidades em arroz e feijão no estado de São Paulo.

    As equipes atuaram nos municípios de Itu, Sorocaba, Campinas, Rio Claro, Cerquilho e Elias Fausto. Os fiscais verificaram a qualidade dos produtos, a rastreabilidade e o cumprimento das normas previstas na legislação brasileira.

    Durante a operação, auditores fiscais federais agropecuários analisaram documentos das empresas, origem dos produtos, condições das instalações e processos produtivos.

    Em Itu, Campinas e Sorocaba, a fiscalização apreendeu cerca de 30 mil quilos de feijão sem comprovação de origem e com falhas na rastreabilidade. Parte dos lotes apresentava insetos vivos, o que descumpre os padrões exigidos para comercialização.

    Já em Rio Claro, Elias Fausto e Cerquilho, os fiscais inspecionaram 139,1 mil quilos de arroz. A operação resultou na apreensão e inutilização de 24 bobinas de embalagens. Em um dos estabelecimentos, a equipe apreendeu 6 mil quilos de arroz por falta de registro no Mapa para a atividade de empacotamento.

    Ausência do processo obrigatório

    Os auditores também identificaram ausência do processo obrigatório de classificação dos grãos antes da embalagem, etapa essencial para garantir a qualidade do produto. Diante das irregularidades, uma empresa teve a produção suspensa de forma cautelar.

    A operação também incluiu a coleta de 20 amostras de produtos nacionais e importados. O material seguirá para análise laboratorial dentro dos programas oficiais de controle de qualidade e monitoramento de resíduos e contaminantes.

    Com a ação, o Mapa reforça a fiscalização sobre produtos vegetais, com foco na proteção do consumidor, na garantia da qualidade dos alimentos e na promoção da concorrência justa no setor.

  • Mapa libera 3,1 milhões de doses de vacina contra clostridioses

    Mapa libera 3,1 milhões de doses de vacina contra clostridioses

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) disponibilizou 3.133.524 doses de vacinas contra clostridioses no mercado brasileiro entre os dias 1º e 12 de junho de 2026. Todo o volume corresponde a produtos importados, reforçando a dependência externa diante da recente escassez desses imunizantes no país.

    A falta de vacinas contra clostridioses tem preocupado produtores rurais nos últimos meses, principalmente pela importância estratégica da imunização para a sanidade do rebanho bovino. As clostridioses são doenças infecciosas causadas por bactérias do gênero Clostridium, presentes no solo e no trato digestivo dos animais. Elas podem provocar quadros graves, como carbúnculo sintomático (manqueira), enterotoxemia e tétano, com alta taxa de mortalidade.

    Prevenção

    A vacinação é a principal ferramenta de prevenção contra essas enfermidades, reduzindo perdas econômicas e garantindo maior produtividade na pecuária. Sem a imunização adequada, o risco de surtos aumenta, especialmente em sistemas intensivos e durante períodos de estresse animal.

    Diante da redução na oferta nacional, o Mapa intensificou ações para regularizar o abastecimento. O ministério atua diretamente com a indústria de insumos veterinários para ampliar a produção interna, além de viabilizar a importação emergencial de vacinas. Também tem acelerado os processos de fiscalização e liberação dos produtos no país.

    A entrada dessas mais de 3,1 milhões de doses representa um alívio parcial para o setor, mas o cenário ainda exige atenção. Especialistas alertam que a regularidade no fornecimento será essencial para evitar impactos sanitários e econômicos na pecuária brasileira ao longo de 2026.

  • Vacinas contra clostridioses voltam ao mercado

    Vacinas contra clostridioses voltam ao mercado

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) liberou 2.470.600 doses de vacinas contra clostridioses no mercado nacional nesta semana. Do total, 1.360.800 doses (55,08%) têm fabricação nacional. E 1.109.800 (44,92%) são importadas.

    Desde março, o volume acumulado ultrapassa 41 milhões de doses. Um número que reflete tanto a pressão da demanda quanto o esforço do governo para suprir uma escassez que tem preocupado produtores rurais em todo o Brasil.

    O que são as clostridioses e por que são tão perigosas

    Clostridioses são doenças infecciosas causadas por bactérias do gênero Clostridium, organismos que vivem no solo e no trato intestinal dos animais e produzem toxinas extremamente potentes. Os principais animais afetados são bovinos, ovinos, caprinos, equinos e suínos.

    A característica mais temida das clostridioses é a velocidade de progressão. Doenças como o carbúnculo sintomático (manqueira), o botulismo, o edema maligno e a enterotoxemia podem matar em questão de horas após os primeiros sintomas, que incluem claudicação, inchaço muscular, cólica, paralisia e morte súbita sem sinais prévios. Em muitos casos, o produtor encontra o animal já morto sem nenhum indício aparente de enfermidade.

    O tratamento raramente funciona quando o diagnóstico acontece tarde, o que torna a vacinação preventiva a única estratégia eficaz de controle. Um único surto pode eliminar dezenas de cabeças em poucos dias, causando prejuízos que comprometem a viabilidade financeira de pequenas e médias propriedades.

    Por que faltam vacinas no Brasil

    A crise de abastecimento que se arrasta desde o início de 2026 tem origem em uma combinação de fatores. A produção nacional de vacinas veterinárias contra clostridioses depende de poucos laboratórios com capacidade industrial, o que torna o setor vulnerável a quebras de estoque, problemas logísticos e picos sazonais de demanda. Especialmente nos meses de chuva, quando os animais têm mais contato com solos úmidos e contaminados.

    Além disso, o processo de registro e liberação sanitária de produtos importados é burocrático e lento, o que atrasa a entrada de vacinas estrangeiras no mercado mesmo quando há oferta disponível no exterior.

    O Mapa atua diretamente com a indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da produção nacional, viabilizar importações e agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação. A estratégia de combinar fabricação doméstica com importação é a resposta do governo para garantir o abastecimento enquanto a capacidade produtiva interna não consegue atender sozinha à demanda.

    O que dizem os números

    A liberação de mais de 41 milhões de doses desde março indica uma recuperação progressiva do estoque. Mas especialistas e associações de produtores alertam que o ritmo ainda não é suficiente para repor o déficit acumulado nos meses anteriores.

    O calendário vacinal recomendado exige aplicações periódicas, geralmente anuais ou semestrais, e atrasos na imunização deixam o rebanho exposto justamente no período de maior risco.

    O Mapa não divulgou estimativa de quando o abastecimento deve se normalizar completamente.

  • Plataforma digital deve agilizar registro de defensivos agrícolas no Brasil

    Plataforma digital deve agilizar registro de defensivos agrícolas no Brasil

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançaram nesta terça-feira (26) o Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA), uma plataforma digital criada para modernizar e integrar os processos regulatórios de defensivos agrícolas no Brasil.

    O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, no lançamento do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica (SISPA). Foto: Percio Campos/Mapa

    A nova ferramenta reúne órgãos federais, setor produtivo e instituições parceiras em um único ambiente digital, com o objetivo de reduzir falhas de comunicação, aumentar a transparência e dar mais agilidade às análises e registros de produtos agrícolas.

    Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o desenvolvimento do sistema surgiu de uma demanda interna dos próprios servidores públicos. De acordo com ele, a fragmentação entre sistemas dificultava o fluxo de informações e a tomada de decisões.

    “O projeto nasce de um desejo interno. Havia dificuldade de comunicação entre diferentes sistemas e agora vemos uma integração importante entre os atores envolvidos”, afirmou Safatle. Ele também destacou que a plataforma permitirá maior acompanhamento por parte do setor privado, ampliando a transparência e a eficiência regulatória.

    Transformação digital

    A iniciativa faz parte da estratégia de transformação digital da defesa agropecuária brasileira, conforme destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Para o ministro, o SISPA deve contribuir para aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro e fortalecer os mecanismos de controle e monitoramento.

    “Essa solução é fruto de uma construção coletiva, feita por muitas mãos, com diálogo e cooperação institucional”, declarou.

    O lançamento contou ainda com a presença do secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, e do presidente da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador Ruy Pereira. Durante o evento, representantes ressaltaram que o novo sistema pode ampliar a cooperação técnica com países da América Latina e da África, além de reforçar a presença do Brasil em mercados internacionais mais exigentes.

  • Mapa estabelece valores de liberação para arroz, milho, trigo e mandioca

    Mapa estabelece valores de liberação para arroz, milho, trigo e mandioca

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria nº 908 no Diário Oficial da União desta quinta-feira (21), estabelecendo os Preços de Liberação dos Estoques Públicos (PLE) para arroz, milho, trigo e derivados da mandioca. A medida orienta as operações de venda da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em leilões públicos até 2027.

    Os preços funcionam como referência para a intervenção do governo no mercado. Quando as cotações superarem o PLE, o governo poderá autorizar a venda de produtos dos estoques públicos para conter altas.

    A Conab executará as operações por meio de leilões no Sistema de Comercialização Eletrônica (Siscoe).

    Preços por produto e região

    O arroz em casca terá preço de liberação de R$ 78,80 por saca de 50 kg no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, válido até 31 de janeiro de 2027. Nas demais regiões, o valor chega a R$ 98,81 por saca de 60 kg.

    A farinha de mandioca fina beneficiada, tipos 1 e 2, terá PLE de R$ 3,01 por quilo nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com vigência até 31 de dezembro de 2026.

    Para a fécula de mandioca, o preço será de R$ 3,53 por quilo nas mesmas regiões, também válido até o fim de 2026.

    No caso do milho, o Mapa definiu valores regionalizados. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o preço será de R$ 69,39 por saca de 60 kg. No Sudeste e no Paraná, ficará em R$ 63,82. Já no Centro-Oeste e no Norte, exceto Tocantins e Pará, o valor será de R$ 48,43.

    No oeste da Bahia e nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins, o milho terá PLE de R$ 58,04 por saca. Nessas regiões, os preços valem até 31 de dezembro de 2026.

    Para o restante do Nordeste, o valor será de R$ 78,37 por saca de 60 kg, com vigência entre 1º de junho de 2026 e 31 de maio de 2027.

    O trigo em grãos, tipo 1 pão, terá preço de liberação de R$ 97,01 por saca de 60 kg na Região Sul, válido entre 1º de julho de 2026 e 30 de junho de 2027.

    Regras para uso dos estoques

    A portaria estabelece que os preços do milho não se aplicam às vendas destinadas ao Programa de Venda em Balcão (ProVB), operado pela Conab.

    Além disso, quando os preços de mercado superarem o PLE, a liberação dos estoques dependerá de autorização prévia do Mapa e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). A decisão também considerará a disponibilidade orçamentária e seguirá as regras da Portaria nº 523/2022.

  • Macaúba baiana impulsiona inovação no agro e geração de energia limpa

    Macaúba baiana impulsiona inovação no agro e geração de energia limpa

    A Bahia aposta na macaúba como vetor de inovação no agronegócio e na produção de biocombustíveis. O tema dominou reunião entre a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e a empresa Acelen nesta semana.  O encontro integra o programa Mapa Conecta, do Ministério da Agricultura e Pecuária, que mapeia empresas, startups e tecnologias inovadoras para o desenvolvimento agropecuário no estado.

    Na ocasião, a Acelen apresentou seu projeto de unidades agrícola e agroindustrial em implantação em Cachoeira e Mucugê. O investimento soma R$ 12 bilhões. A previsão da empresa é produzir 1 bilhão de litros anuais de diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF) a partir de 2029. A escolha do Recôncavo baiano se deve às condições agronômicas favoráveis ao cultivo em larga escala da macaúba, palmeira nativa do Brasil com alto potencial para extração de óleo vegetal.

    O secretário da Agricultura da Bahia, Vivaldo Góis, aposta na expansão do projeto para outras regiões. “Podemos levar a iniciativa ao Vale do São Francisco, que já possui tradição na produção do fruto”, afirmou. Ele reforçou o objetivo da Seagri: “Queremos atrair parceiros que impulsionem o agro baiano, estimulando a produção agrícola e o avanço tecnológico. Isso fortalece uma cadeia produtiva estratégica para o PIB do estado e para a geração de emprego e renda.”

    Leonardo Ferreira, gerente de Relações Institucionais e Responsabilidade Social da Acelen, destacou o impacto da parceria. “O projeto gera valor no território baiano com soluções de baixo carbono e energia limpa. Também transforma áreas degradadas em territórios produtivos, posiciona a Bahia como líder na transição energética e promove inclusão socioprodutiva das comunidades.”

    Tecnologia e inovação conectam projetos

    A chefe de Gabinete da Seagri, Jorgete Oliveira, defendeu a integração entre iniciativas inovadoras. “Por meio do Mapa Conecta, a Seagri e o Mapa levantam empresas baianas com projetos inovadores, startups e tecnologias para o agro. A ideia é conectar essas iniciativas a grandes projetos estruturantes, como o da Acelen, fortalecendo o intercâmbio de conhecimento e soluções tecnológicas para o campo na Bahia.”

    A consultora de Inovação Agropecuária do Mapa, Patrícia Fonseca, acrescentou: “Essa parceria com a Acelen permite que experiências desenvolvidas por instituições baianas em tecnologia e inovação sejam aplicadas pela empresa e disseminadas em outras unidades no país.”

    Por que a macaúba é estratégica

    A macaúba (Acrocomia aculeata) se destaca pelo alto rendimento de óleo vegetal para biocombustíveis e pela grande capacidade de absorver gás carbônico da atmosfera. Estudos mostram que os combustíveis derivados da macaúba podem reduzir em até 80% as emissões de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis. O cultivo também favorece a cobertura vegetal, a conservação do solo, a recuperação de mananciais hídricos e serve de alimento para aves e animais nativos.

    Atualmente, o Brasil mistura 14 litros de biodiesel a cada 100 litros de diesel comercializados. Esse mercado movimenta cerca de 9 bilhões de litros por ano. A demanda tende a crescer: o setor de aviação civil planeja utilizar 480 bilhões de litros de SAF até 2050, o que pode triplicar o consumo de óleo vegetal nos próximos 25 anos.

    Diante desse cenário, a macaúba surge como alternativa estratégica para o futuro dos biocombustíveis no país, aliando alta produtividade por hectare e sustentabilidade.

  • Tecnologia de infravermelho flagra azeites suspeitos durante fiscalização

    Tecnologia de infravermelho flagra azeites suspeitos durante fiscalização

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou nesta semana uma operação de fiscalização em quatro grandes redes atacadistas do Distrito Federal com foco em fraudes em azeites de oliva. A novidade da ação foi o uso de um equipamento portátil de Espectroscopia no Infravermelho Médio (MIR), capaz de analisar a composição química dos produtos diretamente nas prateleiras, sem precisar removê-los dos pontos de venda.

    Foto: MAPA

    A tecnologia funciona como um “scanner molecular”: feixes de luz infravermelha atravessam o produto e revelam sua composição química em tempo real. O aparelho detecta a presença de óleos vegetais mais baratos, como soja, milho e girassol, misturados ao azeite de oliva, o que configura adulteração.

    Durante a ação, auditores fiscais federais agropecuários do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) analisaram 45 amostras. Cinco delas apresentaram indícios de não conformidade com os padrões de identidade e qualidade previstos em lei. O Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) vai realizar análises físico-químicas complementares para confirmar os resultados.

    Brasil registra histórico de apreensões por fraude em azeites

    O problema não é novo. Nos últimos anos, o Brasil registrou sucessivas apreensões de azeites adulterados em diferentes estados. Em 2023, o Procon-SP e o Mapa identificaram diversas marcas com irregularidades em testes de qualidade, e lotes inteiros foram retirados do mercado.

    Operações anteriores no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais também apreenderam produtos que apresentavam proporções inadequadas de ácidos graxos — sinal clássico de mistura com óleos mais baratos.

    A adulteração é atraente para fraudadores porque o azeite extra virgem tem preço significativamente mais alto do que óleos comuns, e a diferença é difícil de detectar a olho nu ou pelo paladar de consumidores não especializados.

    Por que a tecnologia MIR muda o jogo

    Antes da adoção do equipamento MIR, a fiscalização dependia quase exclusivamente de análises laboratoriais, que demandam tempo e limitam o volume de amostras testadas. Com o scanner portátil, os auditores conseguem triagem imediata no campo e ampliam o número de marcas e lotes monitorados em cada operação. A iniciativa busca, ao mesmo tempo, proteger o consumidor e garantir concorrência leal entre produtores que seguem os padrões legais.

    As ações integram o programa de monitoramento contínuo do Mapa, que verifica regularmente se os produtos comercializados atendem à legislação vigente.

  • Mapa e PF apreendem 48 toneladas de açúcar adulterado no Porto de Paranaguá

    Mapa e PF apreendem 48 toneladas de açúcar adulterado no Porto de Paranaguá

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Polícia Federal (PF) apreenderam aproximadamente 48 toneladas de açúcar VHP com suspeita de adulteração no Porto de Paranaguá (PR). A carga, destinada à exportação, apresentava material insolúvel ,aparentemente areia, em quantidade acima do limite permitido pela legislação brasileira.

    Foto: MAPA

    Testes preliminares realizados no momento da coleta identificaram a contaminação. A análise serve para verificar a pureza do açúcar e detectar possíveis fraudes. Diante dos indícios, auditores fiscais federais agropecuários do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR) coletaram amostras e as encaminharam ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO) para confirmação analítica.

    A empresa responsável pela carga já foi autuada. Como não há rastreabilidade sobre o material misturado ao açúcar, o Mapa considera o produto um risco à defesa agropecuária e deve determinar sua destruição, conforme a legislação ambiental vigente.

    Se os laudos laboratoriais confirmarem a fraude, a carga pode ser desclassificada e declarada imprópria para consumo. O caso também pode gerar sanções administrativas e desdobramentos criminais contra os responsáveis.

    Ação integrada desde 2024

    A operação faz parte de uma articulação permanente entre a Polícia Federal, as autoridades portuárias e o Mapa no combate a fraudes em cargas de exportação, em vigor desde 2024. O trabalho conjunto fortalece a segurança, a rastreabilidade e a credibilidade das operações no Porto de Paranaguá. Especialmente em granéis agrícolas como soja, farelo de soja e açúcar.

    O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, com cerca de 25% da produção global e aproximadamente 50% das exportações mundiais. Em 2024, o país exportou volume recorde de 38,24 milhões de toneladas, com receita superior a US$ 18,6 bilhões.

    Fraudes em cargas de exportação ameaçam esse desempenho. Adulterações podem comprometer mercados estratégicos, elevar exigências sanitárias de países importadores e causar prejuízos econômicos e reputacionais ao agronegócio nacional. A fiscalização rigorosa protege tanto a confiança dos compradores internacionais quanto a integridade do sistema de inspeção brasileiro.

  • Crise: falta de vacinas contra clostridioses ameaça o rebanho brasileiro

    Crise: falta de vacinas contra clostridioses ameaça o rebanho brasileiro

    O Brasil, dono do maior rebanho comercial bovino do mundo, enfrenta desde agosto de 2025 um cenário inédito: a escassez de vacinas contra clostridioses. Esse grupo de doenças bacterianas é responsável por mais de 400 mil mortes de animais por ano no país. O que começou como um alerta localizado no Piauí rapidamente se transformou numa crise sanitária de alcance nacional, com produtores de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre sem acesso a imunizantes nas prateleiras das revendas agropecuárias.

    E o perigo é grande:

    • 400 mil animais mortos por clostridioses por ano no Brasil
    • R$ 1,1 bi em prejuízos diretos estimados anualmente ao setor
    • 100% de taxa de mortalidade após infecção confirmada

    Um gatilho e uma cadeia de consequências

    O estopim da crise foi a identificação de reações adversas graves, incluindo mortes, associadas a lotes das vacinas Excell 10, da Dechra Brasil, e Resguard Multi, da Vaxxinova International. Segundo nota técnica da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), com base em informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), foram registradas 612 mortes suspeitas em bovinos, ovinos e caprinos em diferentes estados, levando à interdição total dos lotes envolvidos e à suspensão da fabricação de um dos produtos.

    O impacto imediato foi a retirada de parte significativa do estoque disponível do mercado, mas o que veio a seguir agravou ainda mais o quadro. Segundo o MAPA, fabricantes tomaram decisões mercadológicas de descontinuar a produção e a comercialização dos imunizantes entre o final de 2025 e janeiro de 2026. Portanto, reduzindo drasticamente a oferta num setor já fragilizado pela concentração industrial.

    A doença que não tem tratamento

    As clostridioses são causadas por bactérias do gênero Clostridium, presentes no solo e no intestino dos animais. Elas são capazes de permanecer no ambiente por anos na forma de esporos. Quando encontram condições favoráveis, provocam doenças como botulismo, carbúnculo sintomático, gangrena gasosa e enterotoxemia, todas com evolução fulminante. Um animal infectado pode morrer entre 12 e 48 horas após os primeiros sintomas, muitas vezes sem sinais prévios. A taxa de mortalidade é de 100% nos casos confirmados, e o tratamento, na prática, é inviável. A única saída é a prevenção. E a prevenção depende de vacinas.

    A queda na vigilância sanitária agravou ainda mais a situação após o encerramento da vacinação obrigatória contra a febre aftosa, concluído depois de o Brasil conquistar o status de país livre da doença. Especialistas alertam que a mobilização de produtores em torno das campanhas de aftosa funcionava também como um reforço indireto para outras vacinações, incluindo as clostridioses. Com o fim desse protocolo, parte dos rebanhos ficou mais vulnerável.

    Cronologia da crise

    • Agosto 2025: MAPA é notificado sobre reações adversas no Piauí; lotes das vacinas Excell 10 (lotes 016/2024 e 018/2024) são interditados preventivamente.
    • Setembro 2025: Adapar (PR) emite nota técnica; 612 mortes suspeitas em análise nos estados. Fabricação da Resguard Multi (Vaxxinova) é suspensa.
    • Dezembro 2025 – Janeiro 2026: Fabricantes descontinuam produção e comercialização por decisão mercadológica, agravando o desabastecimento.
    • Março – Abril 2026: MAPA libera 14,6 milhões de doses em ações emergenciais, combinando produção nacional e importações.
    • Maio 2026: Sindan projeta entrega de 8 a 10 milhões de doses mensais até dezembro, com expectativa de superar 100 milhões de doses no ano.

    O que o governo está fazendo

    Pressionado pelo setor produtivo, o MAPA adotou medidas emergenciais: passou a estimular fabricantes nacionais a ampliar a produção, acelerar processos de fiscalização e registro, e facilitar a importação de imunizantes. O resultado parcial foi a liberação de 14.640.910 doses entre março e abril de 2026. Mas o volume não atende à demanda de um rebanho bovino estimado em mais de 220 milhões de cabeças, já que parte dos animais necessita de revacinação anual.

    Em 5 de maio de 2026, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) divulgou projeção de entrega entre 8 e 10 milhões de doses mensais até o fim do ano, com possibilidade de ampliação no segundo semestre. A meta é disponibilizar mais de 100 milhões de doses até dezembro. Para os produtores que já perderam animais nos últimos meses, no entanto, qualquer chegada de vacinas chega tarde demais.

    O que os produtores podem fazer agora

    Enquanto o abastecimento não se normaliza, especialistas e agências de defesa agropecuária recomendam redobrar os cuidados de manejo: descartar carcaças corretamente para evitar contaminação das pastagens, não reutilizar agulhas, eliminar materiais cortantes nas instalações e monitorar fontes de água.

    Em casos de suspeita de mortes relacionadas a clostridioses, o produtor deve fazer a notificação pelo sistema e-SISBRAVET. Ou nos escritórios locais dos órgãos estaduais de defesa agropecuária. Quando vacinas estiverem disponíveis, a prioridade deve ser a vacinação de bezerros (a partir de 3 meses) e de vacas prenhes (um mês antes do parto). Além da revacinação anual do rebanho.

    Nota do MAPA

    O Mapa emitiu uma nota oficial sobre o tema:

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que o atual cenário de desabastecimento de vacinas contra clostridioses decorre, principalmente, de decisões mercadológicas adotadas por fabricantes, que descontinuaram a produção e a comercialização desses imunizantes entre o final de 2025 e janeiro de 2026.

    Com o objetivo de mitigar os impactos desse cenário, o Mapa vem atuando junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da fabricação e das importações, bem como para acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas.

    Como resultado das ações emergenciais adotadas, o Ministério liberou, nos meses de março e abril de 2026, o total de 14.640.910 doses de vacinas contra clostridioses, entre produtos de fabricação nacional e importados.

    Além disso, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) informou, em 5 de maio de 2026, estimativa inicial de entrega entre 8 milhões e 10 milhões de doses mensais até dezembro, com possibilidade de ampliação no segundo semestre. A projeção é de que possam ser disponibilizadas mais de 100 milhões de doses até o final do ano.

  • Encontro discute plano para reduzir dependência de fertilizantes importados

    Encontro discute plano para reduzir dependência de fertilizantes importados

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reuniu lideranças da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) para debater o cenário do mercado interno e externo de fertilizantes e traçar estratégias para reduzir a dependência brasileira de importações, hoje em torno de 85% do total consumido no país.

    Foto: Guilherme Martimon / Mapa

    O ministro André de Paula recebeu o presidente do Conselho de Administração da Anda, Elias Lima, e destacou que o contato com a entidade é essencial para priorizar demandas estratégicas do setor. A Anda reúne mais de 120 associados, que vão de pequenos misturadores e entidades de classe a grandes multinacionais.

    O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, apresentou o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), aprovado pelo Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert). A meta é ambiciosa: até 2050, o Brasil deve ser capaz de produzir entre 45% e 50% dos fertilizantes que consome internamente, ante os apenas 15% atuais.

    “Reconhecemos o quão necessária é a implementação do PNF para a redução da dependência de fertilizantes, especialmente pelo seu impacto na segurança alimentar do nosso país”, afirmou Elias Lima.

    A pauta da reunião incluiu ainda abertura de mercados e o potencial dos bioinsumos no Brasil. Participaram o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart; o diretor-executivo da Anda, Ricardo Tortorella; e o conselheiro Marcelo Silvestre.

    Mercado bate recorde, mas importação segue dominante

    Em 2025, o Brasil entregou 49,11 milhões de toneladas de fertilizantes ao mercado. Um crescimento de 7,7% em relação ao ano anterior e um novo recorde histórico. O desempenho acompanhou a expansão da produção agrícola: a safra de grãos chegou a 346,1 milhões de toneladas, ante 292,5 milhões em 2024, o que elevou a demanda por insumos nutricionais, sobretudo nas lavouras de soja e milho.

    Mato Grosso liderou o consumo com 11,40 milhões de toneladas, 23,2% do total nacional, seguido por Paraná e São Paulo. O protagonismo do Centro-Oeste reforça o papel estratégico da região tanto na produção de grãos quanto na absorção de insumos agrícolas.

    Apesar do recorde, a dependência de importações permanece elevada. 43,32 milhões de toneladas vieram do exterior em 2025, enquanto a produção nacional de fertilizantes intermediários cresceu apenas 2,5%, chegando a 7,22 milhões de toneladas. O avanço da indústria interna ainda é modesto diante do volume importado.

    Para Leonardo Sodré, CEO da GIROAgro, o agronegócio brasileiro entra em 2026 em um momento decisivo. “O país enfrenta adversidades climáticas, custos de produção em alta e um mercado volátil, mas também oportunidades estratégicas capazes de reposicionar o produtor no centro da economia global”, afirmou. Segundo ele, planejamento e ferramentas ágeis de gestão serão fundamentais para transformar riscos em vantagens competitivas.

    Agro puxa o PIB e coloca fertilizantes no centro do debate econômico

    Mesmo com instabilidades climáticas e pressões logísticas, o setor garantiu abastecimento regular ao produtor rural em 2025. A Anda destaca que as entregas ocorreram de forma organizada, o que permitiu melhor planejamento da janela de plantio e maximização do potencial das lavouras.

    No conjunto da economia, a agropecuária cresceu 11,7% e foi o principal pilar de expansão do PIB em 2025, ao lado da indústria extrativa. Os dois setores responderam por grande parte do avanço de 2,3% do Produto Interno Bruto. O desempenho do campo, sustentado por insumos como fertilizantes, consolida o agro como vetor de crescimento em um cenário de investimento ainda moderado e consumo desacelerado. E reforça a importância estratégica do setor para a renda nacional, o comércio exterior e a estabilidade macroeconômica.