Tag: mercado internacional

  • China assume liderança mundial na produção de tambaqui

    China assume liderança mundial na produção de tambaqui

    A China ultrapassou o Brasil e assumiu a liderança mundial na produção de tambaqui, transformando o peixe amazônico em mais uma commodity da aquicultura global. O país asiático aplicou ao Colossoma macropomum o mesmo modelo industrial que já o consolidou como maior produtor mundial de proteína aquática: planejamento de longo prazo, forte apoio estatal, integração logística e produção em larga escala.

    A mudança ocorreu de forma silenciosa nos últimos anos, reposicionando a espécie dentro das cadeias globais de proteína animal. O Brasil produziu 113 mil toneladas de tambaqui em 2024, representando um crescimento de 3,92% em relação ao ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    A ascensão chinesa contrasta com a trajetória brasileira. Enquanto o país sul-americano concentra a produção no consumo interno e em feiras regionais, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a China estruturou cadeias completas que incluem processamento industrial de filés, produtos congelados e logística voltada à exportação contínua.

    Características biológicas atraem mercado internacional

    O sucesso do tambaqui fora do Brasil está diretamente ligado às suas características biológicas. O peixe apresenta crescimento rápido, rusticidade e excelente conversão alimentar, fatores essenciais para sistemas de aquicultura intensiva. Além disso, a espécie tolera variações ambientais, adapta-se bem a altas densidades de cultivo e possui carne branca de sabor suave, com ampla aceitação do consumidor.

    Essas características despertaram o interesse de países com forte tradição em aquicultura industrial. Para a China, que busca espécies eficientes para atender seu gigantesco mercado interno e manter fluxo constante de exportações, o tambaqui encaixou-se de forma quase ideal no modelo produtivo.

    Modelo industrial chinês versus produção brasileira

    A entrada do tambaqui na matriz aquícola chinesa ocorreu por meio de programas controlados de introdução, adaptação genética e aprimoramento dos sistemas de cultivo. Em pouco tempo, a espécie passou a ser criada em tanques escavados, estruturas semi-intensivas e sistemas altamente tecnificados, com controle rigoroso de alimentação, sanidade e processamento pós-abate.

    O diferencial chinês está na escala produtiva, na logística integrada, no processamento com valor agregado e na capacidade de manter fornecimento estável ao mercado global. No Brasil, o tambaqui é ainda majoritariamente associado ao consumo fresco, comercializado em feiras locais e mercados regionais, o que limita volumes e padronização para exportação.

    Foto: Frank Nery/Secom Rondônia

    Dados de organismos internacionais como a FAO indicam que a expansão da aquicultura chinesa ocorre de forma consistente desde os anos 2000, com forte apoio estatal, investimentos em pesquisa aplicada e políticas voltadas à segurança alimentar.

    Brasil mantém protagonismo científico e genético

    Mesmo tendo sido superado em volume de produção, o Brasil continua sendo a principal referência mundial em genética, pesquisa e desenvolvimento tecnológico do tambaqui. O país concentra os principais bancos genéticos da espécie e domina tecnologias de reprodução, larvicultura e engorda em clima tropical.

    Universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras foram responsáveis por avanços decisivos nessas áreas, muitos deles posteriormente adotados em outros países. Na prática, parte relevante do conhecimento aplicado hoje na Ásia tem origem em pesquisas conduzidas no território brasileiro.

    Produção nacional em números

    O IBGE apurou que o volume total de peixes de água doce para consumo alcançou, em 2024, a marca de 724,8 mil toneladas. Desse total, a tilápia contribuiu com 499 mil toneladas (68,89%) e os peixes redondos (tambaqui, pacu, pirapitinga e seus híbridos) contribuíram com 177 mil toneladas (24,4%).

    A Região Norte se mantém como principal produtora, respondendo por 62,3% do total de peixes redondos, com destaque para Rondônia, que concentra 33,5% da produção nacional. No estado, o tambaqui representa 93,8% do pescado cultivado.

    O Mato Grosso aparece em segundo lugar com 16,3% da produção, onde predominam o tambacu e a tambatinga. O Maranhão responde por 12,3% da produção nacional, com divisão equilibrada entre o tambaqui e os híbridos.

    Desafios  para o Brasil

    A mudança no eixo da produção mundial de tambaqui evidencia um movimento maior da aquicultura contemporânea:. Quem domina escala, logística e industrialização lidera o mercado, mesmo quando a espécie tem origem em outro país.

    Enquanto a China transforma o tambaqui em uma proteína global, o Brasil enfrenta o desafio de converter seu protagonismo científico em maior competitividade industrial, agregando valor, ampliando escala e fortalecendo sua presença internacional.

    tambaqui
    Foto: Siglia Souza/Embrapa

    Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, o tambaqui é a espécie nativa mais produzida no país por seu rápido crescimento e sua ótima qualidade. O peixe que nasceu na Amazônia agora circula pelo mundo. E o futuro dessa cadeia depende de como o país de origem irá se posicionar nesse novo cenário globalizado.

    A produção aquícola de tambaqui aumentou de 13 mil toneladas em 2000 para 142 mil toneladas em 2016, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A FAO destaca que existe enorme potencial para o cultivo da espécie em grande e pequena escala.

    A aquicultura mundial tem crescido de forma consistente. A produção global de pesca e aquicultura em 2022 atingiu 223,2 milhões de toneladas, um aumento de 4,4% em relação a 2020. Pela primeira vez na história, a aquicultura de animais aquáticos superou a pesca extrativa em volume de produção.

  • Demanda por etanol e ração sustenta alta do milho no Brasil e em Chicago

    Demanda por etanol e ração sustenta alta do milho no Brasil e em Chicago

    O milho manteve a trajetória de valorização no início de dezembro, tanto no mercado internacional quanto no doméstico. Isso de acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. A demanda firme pelo grão, especialmente para ração e produção de etanol, continua sustentando os preços no Brasil.

    Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho encerrou novembro com a terceira valorização mensal consecutiva, acumulando alta de 2,1% e cotação média de US$ 4,30 por bushel. Nos primeiros dez dias de dezembro, o cereal manteve o viés positivo, avançando mais 1,1%, para cerca de US$ 4,35 por bushel. Além de acompanhar o desempenho da soja, o milho norte-americano foi favorecido pela forte demanda externa, mantendo-se competitivo frente a origens como Brasil e Argentina.

    Mercado interno

    No mercado interno, os preços também subiram. Em Sorriso (MT), referência para o milho brasileiro, o grão valorizou 2,8% em novembro, alcançando R$ 50 por saca, e somou mais 3,1% na primeira quinzena de dezembro, chegando a R$ 51,30 por saca. A demanda doméstica aquecida atuou como principal pilar de sustentação, impulsionada pelo aumento no consumo para rações animais e produção de etanol.

    Apesar do ritmo de exportações abaixo do esperado no início da temporada, a menor intensidade dos embarques não exerceu pressão sobre os preços, já que o consumo interno tem absorvido parte da oferta. O Itaú BBA destaca ainda que as preocupações com o plantio da segunda safra, especialmente em regiões com atraso na colheita da soja e riscos climáticos, também ajudam a segurar as cotações na curva futura da B3.

    Os próximos dias serão decisivos para a definição da janela de semeadura da segunda safra e dos investimentos no cultivo de milho. A área plantada dependerá diretamente dos preços de mercado, do avanço da soja e das condições climáticas nas principais regiões produtoras.

  • Produtores de frutas conquistam certificação internacional com apoio do Sebrae

    Produtores de frutas conquistam certificação internacional com apoio do Sebrae

    O Sebrae comanda dois projetos que preparam produtores rurais e empresas da Serra Gaúcha para exportar frutas ao mercado internacional. As iniciativas focam em qualificar propriedades e packings (pavilhões de processamento pós-colheita) para atender certificações e padrões técnicos que importadores estrangeiros exigem.

    O Sebrae desenvolve o primeiro projeto em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). A iniciativa estrutura toda a cadeia produtiva, desde o produtor até os centros de classificação.

    “O trabalho envolve desde a formação de preço de venda para o mercado exportador até a adequação das propriedades e packings às certificações exigidas, como GlobalG.A.P. e Halal”, explica Angélica Brandalise, gestora de projetos do Sebrae Serra Gaúcha.

    A GlobalG.A.P. (sigla em inglês para Boas Práticas Agrícolas Mundiais) e a certificação Halal (práticas aceitáveis segundo a lei islâmica) representam requisitos fundamentais para acessar mercados europeus e árabes.

    Produtores realizam pitch internacional de vendas

    O projeto incluiu atividades práticas que começaram no segundo semestre. Na última semana, produtores e representantes dos packings apresentaram simulações de negociação diante de um especialista em comércio internacional.

    “Ele trabalha muito com exportação para vários países, e o pessoal apresentou o pitch. Cada um tinha seu horário, e ele fez observações e sugestões para melhorarem a apresentação”, comenta Angélica.

    A gestora afirma que os participantes poderão iniciar as primeiras operações de exportação já na próxima safra.

    Zanette Frutas lidera grupo de 17 produtores rumo à certificação

    A Zanette Frutas, de Caxias do Sul, integra o projeto com 17 produtores parceiros que iniciam o processo de certificação internacional. A diretora Kelin Zanette explica que a empresa buscou a exportação após safras marcadas por grande oferta no mercado interno.

    https://www.instagram.com/p/DO6H8LYgO9L/

    “A gente percebe que tem uma concorrência muito grande aqui no Brasil, porque precisa vender essa fruta num pequeno período”, explica a diretora.

    Caqui brasileiro encontra janela única no mercado global

    O caqui lidera a produção da empresa. O Brasil possui uma janela única de produção da fruta, o que abre espaço comercial em mercados que não conseguem produzir na mesma época.

    Antes de procurar o Sebrae, a Zanette tentou acessar compradores estrangeiros, mas encontrou uma barreira: a exigência de certificações, especialmente para o mercado europeu.

    “É um selo reconhecido mundialmente. Nada mais é do que boas práticas: ambiente limpo, defensivos usados de forma responsável, sustentabilidade, bem-estar das pessoas que trabalham”, descreve Kelin sobre a GlobalG.A.P.

    Processo de certificação envolve mudanças culturais

    Com apoio do Sebrae, a empresa estruturou um grupo de produtores que agora inicia a certificação Local G.A.P., enquanto o packing da Zanette busca a GlobalG.A.P. A diretora destaca que o processo é longo e demanda registro minucioso de todas as atividades no campo.

    Após visitas técnicas e diagnóstico das propriedades, a empresa adequa os locais de armazenamento dos produtos usados nos pomares, seguindo regras específicas de ventilação, estrutura e segurança. Paralelamente, os produtores organizam o caderno de campo, onde registram todas as atividades de manejo.

    A escolha dos 17 participantes considerou a presença de sucessores nas propriedades.

    “O produtor vai investir se ele vê que vai ter segmento naquilo. Por isso selecionamos propriedades onde se percebe sucessão familiar”, diz Kelin.

    Emirados Árabes Unidos lideram interesse de exportação

    A Zanette já exporta há cerca de seis anos para países da América do Sul e, nos últimos três anos, enviou frutas para a Europa. No momento, o mercado dos Emirados Árabes Unidos concentra o maior interesse da empresa.

    Para a próxima safra, a empresa planeja testar o mercado canadense.

    “A gente costuma dar passos, não saltos. Vamos fazer experiências, não grandes volumes, porque ainda precisamos conhecer bem o mercado e entender todas as regras do país”, afirma a diretora.

    Silvestrin integra projeto exclusivo com foco em caqui

    O Sebrae desenvolve uma segunda ação em parceria exclusiva com a empresa Silvestrin, que envolve 10 produtores rurais. Cada parte aporta 50% dos recursos necessários para executar as consultorias e adequações.

    “A equipe técnica do Sebrae está visitando as propriedades indicadas para aplicar checklists, orientar correções e preparar os produtores para a auditoria externa que garante a certificação”, detalha Angélica Brandalise.

    O trabalho iniciou no fim de setembro. A expectativa é que, no próximo ano, as propriedades participantes passem pela auditoria e recebam a chancela da GlobalG.A.P.

    Empresa familiar mantém contato com 350 agricultores

    O diretor-geral da Silvestrin Frutas, Daniel Silvestrin, explica que a iniciativa nasce da história da empresa, formada por uma família de produtores que hoje mantém contato direto com mais de 350 agricultores da região.

    Diretor-geral da Silvestrin Frutas, Daniel Silvestrin.Foto: Daniel Silvestrin / Arquivo Pessoal

    “Através dessa parceria com o Sebrae, a gente conseguiu achar uma solução que pode proporcionar a evolução das técnicas. O Sebrae tem bastante conhecimento nessa parte de certificação e normatização com as novas tendências mundiais para o campo”, afirma.

    Os 10 produtores selecionados trabalham com caqui, cultura que a empresa considera a mais promissora para exportação neste momento. A escolha levou em conta o potencial da fruta para acessar novos mercados e o perfil dos agricultores envolvidos.

    “A gente selecionou produtores que querem evoluir, querem se adequar e têm um volume condizente para justificar os investimentos”, explica o diretor.

    Rastreabilidade completa atende exigências do mercado europeu

    As propriedades já começaram um processo de correções e melhorias, orientado pelas visitas técnicas do Sebrae. As adequações incluem infraestrutura para armazenamento e destinação correta de resíduos, uso apropriado de EPIs e preenchimento rigoroso das cadernetas de campo.

    Silvestrin destaca que esses registros são essenciais para atender às normas legais e às exigências dos mercados importadores, especialmente o europeu, que trabalha com rastreabilidade completa das frutas.

    “Se encontrar qualquer inconformidade lá no destino, a gente tem até a obrigação de apresentar de onde esse produto saiu. Isso é importante para que o produtor não seja lesado e que os demais também não sejam prejudicados”, destaca.

    Certificação abre portas para supermercados europeus

    A certificação amplia significativamente as oportunidades de exportação, já que redes de supermercados na Europa só negociam com fornecedores que atendem integralmente aos protocolos internacionais.

    Atualmente, a Silvestrin envia frutas para a Espanha, de onde seguem para outros países europeus, além de comercializar regularmente para o Canadá e Argentina. Com a certificação, a empresa pretende fortalecer esses destinos antes de buscar novos mercados.

    “No momento, esses mercados ainda têm espaço de crescimento bem significativo. A gente não quer capilarizar e abrir muitos países. O foco é dar consistência onde já estamos iniciando”, conclui o diretor.

  • China revoga embargo e retoma importação de frango do Brasil

    China revoga embargo e retoma importação de frango do Brasil

    Em uma decisão amplamente comemorada pelo agronegócio brasileiro, o governo da China revogou a suspensão às exportações de carne de frango do Brasil. A medida, anunciada pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), entra em vigor imediatamente e põe fim a um embargo que durava desde maio, quando um único foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) foi detectado no Rio Grande do Sul.

    A retomada do comércio com a China, principal destino da carne de frango brasileira, é crucial para a economia do país. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil é o maior exportador mundial do produto, sendo responsável por aproximadamente 35% de todo o frango comercializado globalmente. Em 2022, as vendas para os chineses somaram mais de US$ 1,2 bilhão, destacando a importância estratégica desse mercado.

    A revogação foi baseada nos resultados da análise de risco conduzida pelas autoridades sanitárias chinesas, que atestaram a eficácia dos controles implementados pelo Brasil. Conforme comunicado oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), desde 18 de junho o país recuperou o status sanitário de “país livre de IAAP”, após a conclusão bem-sucedida de todos os procedimentos de desinfecção e vigilância na propriedade afetada.

    Fim do embargo e panorama atual

    A suspensão temporária foi um reflexo dos protocolos sanitários internacionais. A detecção de um caso em uma granja comercial em Montenegro (RS) acionou medidas automáticas por parte de alguns países importadores. No entanto, a rápida ação do Mapa e dos produtores para conter e erradicar o vírus foi fundamental para minimizar o impacto.

    Com a reabertura do mercado chinês, a atenção do setor agora se volta para o Canadá, que se tornou o único país a manter a suspensão total das importações de carne de aves brasileiras. A ABPA e o governo brasileiro já sinalizaram que estão trabalhando junto às autoridades canadenses para normalizar o fluxo comercial o mais breve possível.

    Especialistas apontam que a retomada com a China deve ser rápida, com os embarques sendo normalizados nas próximas semanas. Portanto, reintegrando o produto brasileiro, conhecido por sua qualidade e competitividade, ao prato dos consumidores chineses.

  • Soja: China sinaliza compras dos EUA; decisão afeta Brasil

    Soja: China sinaliza compras dos EUA; decisão afeta Brasil

    A sinalização de que a China pode retomar parte das compras de soja dos Estados Unidos reduziu os prêmios de exportação no Brasil, segundo o Cepea.

    O Centro de Pesquisas informou que os contratos para embarque em 2026 voltaram a registrar patamares negativos, movimento que não ocorria desde julho. Mesmo com essa pressão, as cotações da oleaginosa no mercado físico permaneceram firmes durante a última semana.

    Os produtores brasileiros preferiram negociar lotes para entrega imediata e pagamento a prazo, buscando garantir os preços atuais, explicam os pesquisadores.

    Para a safra 2025/26, a Conab estima produção recorde de 177,6 milhões de toneladas de soja. A projeção já considera uma possível queda de produtividade no Centro-Oeste, por causa dos efeitos do fenômeno La Niña.
    Em contrapartida, as chuvas registradas nos últimos dias trouxeram alívio e otimismo ao setor, reforçando as expectativas de um ciclo produtivo favorável.

  • Exportações do agronegócio batem recorde histórico em setembro de 2025

    Exportações do agronegócio batem recorde histórico em setembro de 2025

    O agronegócio brasileiro conquistou um marco inédito em setembro de 2025, registrando o maior valor de exportações para o mês desde o início da série histórica. O setor exportou US$ 14,95 bilhões, um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024, consolidando-se como responsável por 49% de todas as exportações nacionais.

    O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento de 7,4% nos volumes embarcados, compensando uma leve queda de 1,1% nos preços médios internacionais. No acumulado de janeiro a setembro, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 126,6 bilhões, avanço de 0,7% na comparação anual.

    Carnes lideram crescimento das exportações

    Entre os destaques do mês, a carne bovina in natura alcançou US$ 1,77 bilhão, alta expressiva de 55,6%. A carne suína estabeleceu novo recorde histórico ao atingir US$ 346,1 milhões, crescimento de 28,6%, com volume embarcado quase dobrando (78,2%).

    O milho também apresentou desempenho robusto, com exportações de US$ 1,52 bilhão, incremento de 23,5% em relação a setembro de 2024.

    Café e pescados mantêm trajetória positiva

    Produtos tradicionalmente afetados por barreiras tarifárias mostraram resiliência. O café manteve-se acima da marca de US$ 1 bilhão, com US$ 1,3 bilhão exportados e crescimento de 9,3%. Os pescados somaram US$ 38,7 milhões, com aumento de 6,1% em volume.

    A estratégia de diversificação da pauta exportadora gerou resultados expressivos. Produtos menos tradicionais registraram recordes históricos de volume: sementes de oleaginosas (exceto soja) cresceram 92,3%, melancias frescas avançaram 65%, feijões tiveram alta de 50,8% e lácteos expandiram 13,7%.

    No conjunto, os produtos não tradicionais cresceram 9,2% em setembro e 19,1% no acumulado do ano.

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, atribuiu os resultados à estratégia de abertura e diversificação de mercados iniciada em 2023. “Foram abertas 444 novas oportunidades para produtores e exportadores brasileiros, demonstrando a competitividade do agronegócio mesmo em cenário externo desafiador”, afirmou.

    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, enfatizou que mais de 60 missões internacionais foram realizadas em 2025, além de feiras e iniciativas como a Caravana do Agro Exportador, desenvolvidas em parceria com ApexBrasil e Ministério das Relações Exteriores.

    Superávit comercial beneficia economia brasileira

    O agronegócio acumulou superávit comercial superior a US$ 111 bilhões nos primeiros nove meses do ano, contribuindo significativamente para o equilíbrio das contas externas do Brasil. As importações do setor cresceram 7,3% em setembro e 5,4% no acumulado anual.

    A expansão das exportações, aliada à manutenção da oferta interna, gera empregos, atrai divisas estrangeiras e estimula investimentos em inovação e sustentabilidade, fortalecendo a posição do Brasil como fornecedor confiável para a segurança alimentar global.

  • RJ impulsiona exportação de gado vivo com projeto pioneiro no Porto do Açu

    RJ impulsiona exportação de gado vivo com projeto pioneiro no Porto do Açu

    O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, deu um passo decisivo para se tornar um corredor de exportação de gado vivo para o Rio de Janeiro. Em uma visita técnica realizada nesta semana, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPPA) apresentou a produtores rurais e entidades do setor os detalhes do projeto que iniciará suas operações em escala experimental pelo Terminal Multicargas do porto.

    A iniciativa, considerada estratégica para o agronegócio fluminense, tem o objetivo de ampliar os mercados internacionais para a pecuária do estado, aumentando sua competitividade e rentabilidade. O encontro reuniu representantes do Sindicato Rural, da Federação de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (FAERJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), além de técnicos da Pesagro-Rio e da Superintendência de Defesa Agropecuária.

    De acordo com o secretário de Agricultura, Dr. Flávio, a medida é um marco para o setor. “Estamos criando condições para que os nossos produtores tenham acesso a novos mercados e possam competir com igualdade com outros estados exportadores. O Porto do Açu tem potencial para se tornar um grande corredor de exportação do nosso agro”, destacou.

    A primeira fase do projeto será crucial para o seu sucesso a longo prazo. Nesta etapa experimental, o foco será ajustar todos os protocolos operacionais, com ênfase no bem-estar animal e no rigoroso cumprimento das exigências sanitárias internacionais. O sucesso nessa fase é visto como fundamental para consolidar a confiança dos mercados importadores e garantir a sustentabilidade da operação.

    Parceria estratégica com o agro

    Para o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo, a iniciativa fortalece a parceria com o setor agropecuário. “A proposta é possibilitar que os produtores utilizem o Porto do Açu para o escoamento de suas produções. O porto possui uma estrutura moderna e preparada. Nosso objetivo é ampliar a eficiência e a competitividade do setor, garantindo que os produtores tenham acesso a mercados internacionais, melhores preços e maior rentabilidade”, ressaltou Figueiredo.

    Foto: Divulgação

    A expectativa é que, uma vez consolidado, o novo corredor de exportação posicione o Rio de Janeiro não apenas como um player nacional no agronegócio. Mas também como uma referência emergente na exportação pecuária, trazendo novos investimentos e fortalecendo a economia local.

     

  • Recorde histórico: avicultura exporta US$ 5,4 bilhões em 2025

    Recorde histórico: avicultura exporta US$ 5,4 bilhões em 2025

    No Dia da Avicultura, celebrado nesta quinta-feira (28 de agosto), o Brasil tem motivos de sobra para comemorar. A avicultura nacional alcançou um marco histórico ao exportar mais de US$ 5,47 bilhões em carnes de frango e miudezas apenas nos primeiros sete meses de 2025, consolidando o país como potência mundial no setor.

    Os números impressionam: foram 2,9 milhões de toneladas de carnes e miudezas de frango exportadas entre janeiro e julho, enquanto as exportações de ovos somaram US$ 123,78 milhões no mesmo período, segundo dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (SCRI/Mapa).

    28 de agosto é o Dia da Avicultura

    A data celebra uma atividade que tem raízes profundas na história brasileira, já que as aves chegaram ao país com os colonizadores portugueses por volta de 1500, embora a comercialização tenha se iniciado efetivamente em 1860. A avicultura brasileira nasceu como uma prática familiar, voltada inicialmente para subsistência, com comercialização apenas dos excedentes em feiras livres.

    “A avicultura é motivo de orgulho para o Brasil. Esse setor gera milhões de empregos, garante alimento de qualidade para os brasileiros e conquista mercados em todo o mundo”, destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

    Mercados internacionais impulsionam crescimento

    O sucesso da avicultura brasileira no mercado internacional reflete a qualidade e competitividade dos produtos nacionais. Os principais destinos das carnes de frango brasileiras são:

    • Arábia Saudita – maior importador
    • China – mercado estratégico em crescimento
    • Emirados Árabes Unidos – porta de entrada para o Oriente Médio
    • Japão – mercado premium exigente
    • México – parceiro tradicional das Américas
    • Filipinas – crescente consumidor asiático

    Já as miudezas de frango encontram forte demanda em China, Hong Kong, Gana e Arábia Saudita, demonstrando a diversificação geográfica das exportações brasileiras.

    As perspectivas para o setor continuam promissoras. A Companhia de Abastecimento Nacional (Conab) projeta que a produção de carne de frango atinja um novo recorde em 2025, com estimativa de 15,48 milhões de toneladas – um crescimento de 1,5% em comparação a 2024.

    Superação de desafios sanitários fortalece setor

    A avicultura brasileira demonstrou sua resiliência em 2025 ao enfrentar com eficiência o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em plantel comercial, registrado em maio no município de Montenegro, Rio Grande do Sul.

    A resposta do Ministério da Agricultura foi imediata e exemplar: medidas de contenção, controle sanitário rigoroso e comunicação transparente com organismos internacionais. Após cumprir o vazio sanitário de 28 dias, o Brasil se autodeclarou novamente livre da doença em junho.

    “Respondemos com agilidade à gripe aviária, com base em ciência e tecnologia, com um controle sanitário rigoroso. Esse compromisso é o que nos permite ampliar mercados, garantir segurança alimentar e fortalecer ainda mais a confiança na avicultura brasileira”, ressaltou o ministro Fávaro.

    Como resultado desta resposta eficaz, quatro países retiraram as restrições temporárias impostas à importação de carne de aves do Brasil apenas esta semana, demonstrando a confiança internacional no sistema sanitário brasileiro.

    Pilar do agronegócio nacional

    A avicultura se consolidou como um dos pilares fundamentais do agronegócio brasileiro, gerando milhões de empregos diretos e indiretos. Desde a produção de grãos para ração até o processamento industrial e distribuição.

    Foto: Divulgação – ABPA

    “Os avicultores brasileiros são o pilar de um sistema que alimenta o país e o mundo. São homens e mulheres quem, junto com técnicos e toda a força sanitária envolvida, garantem a biosseguridade das granjas, adotam as boas práticas de produção e respondem com agilidade diante dos desafios sanitários. A força da nossa cadeia está na base — e essa base tem nome: os avicultores”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

    O setor não apenas garante proteína animal de qualidade para a mesa dos brasileiros, mas também se tornou uma importante fonte de divisas para o país, contribuindo significativamente para a balança comercial nacional.

    Futuro promissor

    Com tecnologia de ponta, sistemas de biossegurança avançados e uma cadeia produtiva integrada, a avicultura brasileira está posicionada para manter sua trajetória de crescimento sustentável. Consolidando o Brasil como líder mundial em produção e exportação de carne de frango.

    Os números de 2025 já indicam que este será mais um ano histórico para o setor, reafirmando a importância estratégica da avicultura para a economia brasileira e para a segurança alimentar global.

  • Exportação de café do Brasil soma 2,7 milhões de sacas em julho

    Exportação de café do Brasil soma 2,7 milhões de sacas em julho

    As exportações brasileiras de café enfrentam um cenário desafiador em 2025. Apesar de uma receita cambial recorde de US$ 1,033 bilhão em julho, o volume de embarques despencou 27,6% no mesmo período, totalizando 2,733 milhões de sacas de 60 kg. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    O Brasil mantém os Estados Unidos como principal destino de suas exportações de café, representando 16,8% do total embarcado nos primeiros sete meses de 2025. No entanto, a tarifa de 50% imposta pelo governo americano em agosto promete alterar drasticamente esse cenário.

    “Até julho, não observamos o impacto real do tarifaço, já que a medida começou a valer em 6 de agosto”, explica Márcio Ferreira, presidente do Cecafé. “As indústrias americanas possuem estoque para 30 a 60 dias, mas os pedidos de prorrogação já preocupam o setor.”

    Impacto financeiro das prorrogações

    As consequências financeiras das prorrogações vão além da simples postergação de embarques. Segundo Ferreira, o mercado internacional opera no formato “invertido”, onde contratos futuros mais distantes apresentam descontos significativos.

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    “O vencimento dezembro de 2026 na Bolsa de Nova York está com deságio de 9% a 10% frente ao dezembro de 2025”, detalha o presidente. “Prorrogar um embarque pode gerar perda adicional de US$ 10 por saca, além dos juros do ACC e custos logísticos.”

    Resultados contraditórios no primeiro semestre

    Enquanto o volume de exportações recuou 21,4% nos sete primeiros meses de 2025 (22,150 milhões de sacas), a receita cambial disparou 36%, alcançando US$ 8,555 bilhões – um recorde para o período.

    Essa aparente contradição reflete os elevados preços internacionais do café, impulsionados pelo desequilíbrio entre oferta e demanda global.

    Entre os cinco principais destinos do café brasileiro, a Alemanha ocupa a segunda posição com 2,656 milhões de sacas (-34,1%), seguida por:

    Itália: 1,733 milhão de sacas (-21,9%)

    Japão: 1,459 milhão de sacas (+11,5%)

    Bélgica: 1,374 milhão de sacas (-49,4%)

    China: nova fronteira ou expectativa exagerada?

    O credenciamento de 183 empresas exportadoras brasileiras na China gerou expectativas no mercado. Contudo, Ferreira pondera que isso não garante aumento automático das exportações.

    “A China importou 571.866 sacas de janeiro a julho, ocupando apenas a 11ª posição no ranking”, esclarece. “O crescimento deve ocorrer naturalmente ao longo dos próximos anos.”

    Foto: Agência Agro em Campo

    Os cafés diferenciados (com certificações sustentáveis ou qualidade superior) representaram 21,5% das exportações totais, gerando receita de US$ 2,026 bilhões. Portanto, o preço médio de US$ 425,78 por saca confirma o valor agregado destes produtos.

    Infraestrutura portuária concentrada

    O Porto de Santos mantém liderança absoluta, concentrando 80,4% das exportações (17,809 milhões de sacas). O complexo portuário do Rio de Janeiro responde por 15,5%, enquanto Paranaguá registra apenas 0,9%.

    O Cecafé trabalha diplomaticamente para incluir o café brasileiro na lista de isenções do tarifaço americano, argumentando que o produto não compete com a produção local americana e é fundamental para a economia de ambos os países.

    “Nossa história comercial é muito maior do que este momento”, conclui Ferreira. “Com pragmatismo e diplomacia, devemos negociar em favor dos dois lados.”

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  • Exportações de genética avícola rendem 18,4% mais em março

    Exportações de genética avícola rendem 18,4% mais em março

    As exportações brasileiras de genética avícola cresceram em receita, mesmo com queda no volume embarcado em março de 2025. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques de ovos férteis e pintos de um dia geraram US$ 22,3 milhões. Ou seja, o valor representa alta de 18,4% em relação a março de 2024, quando a receita foi de US$ 18,8 milhões.

    Apesar disso, o volume exportado caiu. Foram 1.777 toneladas, queda de 35,1% frente às 2.738 toneladas do mesmo mês do ano passado. Em geral, no acumulado do primeiro trimestre, a receita chegou a US$ 62 milhões. Isso representa aumento de 7,6% na comparação anual. Por outro lado, o volume total exportado nos três primeiros meses somou 5.668 toneladas. Em resumo, o número representa retração de 27,8% em relação às 7.853 toneladas embarcadas no mesmo período de 2024.

    Principais destinos

    O México liderou as compras em março, com 764 toneladas. Mesmo assim, houve queda de 29,7% frente ao mesmo mês do ano anterior. Na sequência, o Senegal importou 305 toneladas, queda de 28,4%. O Paraguai comprou 259 toneladas, alta de 8,9%. Já a Venezuela aumentou em 148,8% suas aquisições, somando 228 toneladas. A Colômbia também ampliou as compras em 70,1%, com 55 toneladas.

    De acordo com Ricardo Santin, presidente da ABPA, a demanda por genética brasileira segue firme entre os países vizinhos. “Esses mercados buscam pintos de um dia para fortalecer a própria produção com genética avícola brasileira”, afirmou Santin. Segundo ele, essa tendência começou em meados do ano passado e deve continuar nos próximos meses. O executivo reforça que os resultados mostram a confiança internacional na genética avícola produzida no Brasil.

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