Tag: mercado internacional

  • Angola prepara 800 mil hectares para receber empresas brasileiras

    Angola prepara 800 mil hectares para receber empresas brasileiras

    A Angola prepara uma área de 800 mil hectares para receber operações de empresas brasileiras do agronegócio. A iniciativa faz parte da estratégia do governo angolano para ampliar a produção agrícola, reduzir a dependência de importações e desenvolver novas cadeias produtivas no país.

    A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (12) pelo ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac Maria dos Anjos, durante o Fórum do Agronegócio Angola-Brasil, realizado pelo LIDE Angola, em Luanda.

    Segundo o governo, a área deverá ser disponibilizada para o levantamento e o ordenamento de operações empresariais integradas às comunidades locais.

    https://www.instagram.com/p/Db_Slj8JAH0/?igsh=MTY1aGwxZWw3cXo4bA==

    Angola quer ampliar produção agrícola com investimentos brasileiros

    Durante o evento, Isaac dos Anjos afirmou que a relação com o Brasil passa por uma nova fase.

    Segundo o ministro, a intenção é avançar de uma cooperação predominantemente técnica para uma parceria voltada a investimentos, inovação e construção de cadeias produtivas.

    “Queremos parceiros que produzam em Angola, transformem em Angola e contribuam para abastecer o mercado nacional e também conquistar mercados regionais e internacionais.”

    A estratégia também busca reduzir a necessidade de importação de alimentos e aumentar a capacidade de exportação de produtos agrícolas.

    Projeto Terra Lunda terá investimento de US$ 83,2 milhões

    Além da área destinada a potenciais operações empresariais, o ministro apresentou o Projeto Terra Lunda, previsto para ser desenvolvido na província de Lunda Norte.

    O empreendimento deverá ocupar aproximadamente 20 mil hectares e tem investimento estimado em US$ 83,2 milhões.

    A previsão é que o projeto seja estruturado entre 2027 e 2030, com a incorporação de aproximadamente 5 mil hectares por ano.

    A Lunda Norte já aparece entre as regiões de interesse para investidores brasileiros. Em fevereiro de 2026, empresários do Brasil avaliaram oportunidades agrícolas na província, incluindo a produção em larga escala de milho, soja, arroz, feijão e trigo.

    Agricultura angolana busca formar cadeia produtiva

    Para o governo angolano, a expansão da produção não depende apenas da disponibilidade de terras.

    O país também precisa desenvolver infraestrutura para transportar, armazenar, processar e comercializar os produtos agrícolas.

    Isaac dos Anjos destacou justamente esse desafio durante o fórum.

    “Não basta produzir. É preciso que toda a cadeia seja construída, é preciso transportar, é preciso conservar, é preciso calibrar”, afirmou o ministro.

    A estratégia aproxima o debate sobre produção agrícola de outros setores, como logística, armazenagem, processamento e infraestrutura.

    Além disso, esse aspecto também ganha importância diante do potencial do Corredor do Lobito, considerado estratégico para conectar regiões produtoras de Angola ao litoral e facilitar o acesso a mercado internacional.

    LIDE Angola é lançado durante fórum do agronegócio

    O Fórum do Agronegócio Angola-Brasil também marcou o lançamento oficial do LIDE Angola.

    Segundo Venceslau Andrade, presidente da nova unidade, a organização pretende manter uma plataforma permanente de diálogo entre empresas e investidores.

    “Este não é apenas um evento empresarial. É o início de uma plataforma permanente de diálogo, cooperação e promoção de investimento entre Angola, o Brasil e os principais mercados internacionais”, afirmou.

    A expectativa é que a aproximação estimule novos projetos entre empresas dos dois países, principalmente em setores ligados à produção agrícola e à agroindústria.

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  • Noruega veta carnes brasileiras a partir de setembro

    Noruega veta carnes brasileiras a partir de setembro

    A Noruega deixará de importar carnes e derivados do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026. Embora o país nórdico não faça parte da União Europeia (UE), a decisão acompanha o regulamento do bloco europeu para a entrada de produtos de origem animal, especialmente em relação ao uso de agentes antimicrobianos na produção.

    A medida preocupa o setor brasileiro, sobretudo os exportadores de carne bovina. Isso porque, apesar do volume relativamente pequeno vendido à Noruega, empresários temem que o bloqueio provoque desgaste na imagem das proteínas brasileiras no mercado internacional.

    Além disso, o setor já não acredita que o governo federal conseguirá reverter a decisão antes da entrada em vigor do embargo.

    Exportadores criticam atuação do governo

    Executivos do setor avaliam que o Ministério da Agricultura não conseguiu apresentar uma resposta técnica capaz de evitar a restrição europeia.

    Com a proximidade de 3 de setembro, portanto, a expectativa de reversão da medida diminuiu. Agora, a principal preocupação dos exportadores está em um possível efeito dominó.

    Isso porque países africanos podem seguir as orientações da União Europeia e também restringir a entrada de proteínas brasileiras.

    Segundo uma fonte do setor, países de língua francesa na África já deram sinalizações nesse sentido.

    Noruega retirou Brasil da lista de países autorizados

    A informação sobre o bloqueio norueguês chegou ao Ministério da Agricultura e aos exportadores brasileiros há poucos dias, por meio do posto diplomático do Brasil em Oslo.

    A Mattilsynet, Autoridade de Segurança Alimentar da Noruega, informou que o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar proteínas animais para o mercado europeu.

    De acordo com o órgão, a decisão ocorreu pela falta de informações consideradas suficientes para comprovar a implementação das medidas exigidas sobre o uso de antimicrobianos.

    Com isso, certificados sanitários emitidos a partir de 3 de setembro de 2026 não poderão ser utilizados para importar essas mercadorias do Brasil.

    A restrição permanecerá válida até que o país possa ser novamente incluído na lista de países terceiros autorizados.

    Cargas com certificados antigos ainda serão aceitas

    Apesar do bloqueio, a Noruega estabeleceu uma regra de transição.

    Os carregamentos acompanhados de certificados sanitários emitidos até 2 de setembro de 2026 poderão entrar no país. Além disso, mercadorias que chegarem ao controle de fronteira depois dessa data também poderão ser aceitas, desde que os documentos sanitários tenham sido emitidos dentro do prazo permitido.

    Portanto, a data de emissão do certificado será determinante para a entrada das cargas brasileiras.

    Noruega compra pouco, mas efeito pode ser maior

    Os dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura, mostram que a Noruega representa uma parcela pequena das exportações brasileiras de proteínas.

    Em 2025, os noruegueses compraram:

    • 279 toneladas de carne bovina, no valor de US$ 3,8 milhões;
    • 45 toneladas de carne de frango;
    • 43,8 toneladas de pescados;
    • 41,2 toneladas de ovos.

    Ao todo, as compras da cesta de proteínas que agora entram na mira do bloqueio comercial movimentaram US$ 4,5 milhões para os exportadores brasileiros em 2025.

    O valor, portanto, é pequeno diante do tamanho das exportações brasileiras de proteínas. Ainda assim, o impacto potencial preocupa o setor.

    Isso porque o principal receio não está apenas na perda das vendas para a Noruega. O temor maior é que a decisão seja seguida por outros mercados.

    Setor teme efeito dominó nas exportações

    A possibilidade de outros países adotarem medidas semelhantes aumentou a preocupação entre os exportadores.

    Nesse cenário, a eventual adesão de países africanos às regras europeias poderia ampliar o número de destinos afetados pelas restrições.

    Por isso, o setor acompanha a movimentação internacional com atenção. Além da perda de mercados, uma sequência de bloqueios poderia pressionar a percepção sobre a qualidade e a segurança sanitária das proteínas brasileiras.

    Enquanto isso, o Brasil terá de apresentar as informações e medidas necessárias para tentar recuperar sua posição na lista de países autorizados.

  • Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    A gripe aviária ampliou a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce na produção animal e reforçou o papel da biologia molecular na vigilância sanitária. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais clínicos. Com isso, produtores, profissionais da medicina veterinária e autoridades sanitárias conseguem agir com mais rapidez diante de possíveis ameaças aos plantéis.

    Para Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, a mudança acompanha um cenário em que a sanidade animal passou a exigir monitoramento cada vez mais preciso e contínuo. Segundo ela, os desafios enfrentados pelos aviários estão relacionados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e também à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

    “Os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos”, afirma Tatiani.

    Na avaliação da especialista, a vigilância molecular permite antecipar a identificação de agentes causadores de doenças. Dessa forma, a produção pode responder mais rapidamente diante de um risco sanitário, reduzindo a possibilidade de perdas e fortalecendo as medidas de controle.

    “Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, explica.

    A preocupação ganhou força diante da experiência recente com a influenza aviária de alta patogenicidade, considerada uma das principais ameaças à produção animal global. O cenário reforçou a necessidade de ampliar a vigilância laboratorial e adotar ferramentas capazes de identificar a circulação de agentes infecciosos com maior antecedência.

    Vigilância molecular amplia capacidade de prevenção

    De acordo com Tatiani, o diagnóstico molecular não se limita à identificação inicial de um agente infeccioso. A tecnologia também permite caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as possíveis rotas de disseminação dos patógenos.

    Essas informações ajudam a orientar decisões relacionadas à biossegurança e aos programas sanitários. Na prática, o monitoramento oferece elementos para que produtores e autoridades possam avaliar riscos e definir estratégias de controle de maneira mais rápida e precisa.

    A especialista avalia que a experiência com doenças de grande impacto econômico demonstrou a importância de investir em prevenção antes que um surto esteja instalado. Entre os exemplos estão a própria influenza aviária, a peste suína africana e a febre aftosa.

    Para a avicultura, esse acompanhamento contínuo representa uma ferramenta adicional de proteção dos plantéis. Além disso, a capacidade de identificar riscos com antecedência pode contribuir para reduzir impactos econômicos e preservar a regularidade das operações.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais”, destaca Tatiani.

    A afirmação resume uma mudança de estratégia na sanidade animal. Em vez de concentrar as ações apenas na resposta a uma doença já manifestada, a vigilância molecular permite trabalhar com uma lógica de acompanhamento permanente.

    Diagnóstico molecular chega a outras doenças

    A evolução das ferramentas de diagnóstico também ampliou o uso dos exames moleculares para outras enfermidades de importância econômica. Além da influenza aviária, os testes vêm sendo utilizados na detecção de doenças como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal.

    Tatiani explica que a ampliação dessas aplicações acompanha a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos na medicina veterinária. A identificação antecipada de agentes pode apoiar decisões clínicas e contribuir para um controle sanitário mais eficiente dos rebanhos.

    Esse movimento também ganha relevância diante das exigências dos mercados internacionais. A manutenção de padrões sanitários rigorosos é um fator importante para a competitividade da agropecuária brasileira. Por isso, a capacidade de monitorar doenças e demonstrar controle sanitário contribui para proteger a produção e manter a confiança dos compradores.

    Na visão da especialista, o diagnóstico molecular tende a ocupar um espaço cada vez mais permanente na rotina da produção animal. O objetivo é transformar a vigilância em uma prática contínua, capaz de identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, afirma Tatiani.

    A adoção dessas ferramentas, portanto, amplia a capacidade de prevenção e resposta da cadeia produtiva. Na avicultura, o diagnóstico precoce se soma às medidas de biossegurança para reduzir riscos e proteger os plantéis.

    Ao mesmo tempo, o uso contínuo da vigilância molecular pode contribuir para preservar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer a posição da produção brasileira no mercado internacional. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa diante de uma suspeita e passa a integrar uma estratégia permanente de proteção da atividade agropecuária.

  • Cooperativas do agro exportam US$ 17,4 bilhões em 2025

    Cooperativas do agro exportam US$ 17,4 bilhões em 2025

    As cooperativas brasileiras do agronegócio exportaram US$ 17,4 bilhões (cerca de R$ 96 bilhões) em 2025, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

    O resultado representa 10,3% de todas as exportações do agronegócio brasileiro, reforçando a importância do cooperativismo para o comércio exterior do país.

    Apesar do desempenho expressivo, as vendas internacionais seguem concentradas. Das 140 cooperativas exportadoras em atividade, apenas dez responderam por 67% de todo o volume embarcado ao exterior.

    Cooperativas do agro movimentaram R$ 487 bilhões

    Além do avanço nas exportações, as cooperativas agropecuárias registraram faturamento de R$ 487,3 bilhões em 2025.

    O valor representa crescimento de 11,2% em comparação com o ano anterior.

    Considerando todos os segmentos do cooperativismo brasileiro, a movimentação econômica alcançou R$ 848 bilhões, equivalente a 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

    Café e carne de aves lideram as exportações

    Entre os principais itens exportados pelas cooperativas brasileiras estão o café, carne de aves, farelo de soja, carne suína e óleo de soja.

    Esses produtos mantêm forte presença nos mercados internacionais e ajudam a consolidar a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Cooperativismo volta a crescer em número de organizações

    Além disso, o levantamento da OCB também mostra a retomada da expansão do cooperativismo no país.

    Em 2025, o Brasil passou a contar com 4.400 cooperativas distribuídas em 3.425 municípios.

    Os indicadores econômicos revelam um setor em crescimento:

    • R$ 848 bilhões em ingressos totais;
    • Crescimento de 12% em relação a 2024;
    • R$ 1,6 trilhão em ativos;
    • Alta de 14,9% no patrimônio;
    • R$ 61,3 bilhões distribuídos em sobras aos cooperados;
    • Crescimento de 14,2% sobre o ano anterior;
    • 613.375 empregos diretos gerados;
    • Expansão de 6,1% no número de trabalhadores.

    Segundo a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, os resultados refletem a força do modelo cooperativista.

    “Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente porque entrega resultados concretos para as pessoas. Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades”, afirmou.

    Patrimônio supera R$ 1,6 trilhão

    Outro destaque do levantamento é o fortalecimento da participação econômica das cooperativas brasileiras.

    O patrimônio do setor atingiu R$ 1,6 trilhão em ativos, impulsionado principalmente pelo Ramo Crédito, responsável por mais de 72% desse total.

    Já o Ramo Agropecuário segue como o principal motor econômico do cooperativismo nacional. O segmento concentra 57,4% dos ingressos do setor e permanece como o maior empregador do movimento, com aproximadamente 277 mil postos de trabalho.

    O desempenho reforça a relevância das cooperativas para a geração de renda, empregos e desenvolvimento das comunidades rurais em todo o Brasil.

  • Preço do cacau cai, mas gigantes do chocolate ainda enfrentam impactos

    Preço do cacau cai, mas gigantes do chocolate ainda enfrentam impactos

    Apesar da recente queda nas cotações internacionais do cacau, as maiores fabricantes de chocolate do mundo ainda enfrentam dificuldades para recuperar as margens de lucro. Empresas como Barry Callebaut, Lindt e Nestlé afirmam que a alta histórica registrada nos últimos anos continua pressionando os resultados financeiros e alterando o comportamento dos consumidores.

    Os reajustes de preços aplicados pelas fabricantes reduziram o volume de vendas em diversos mercados, enquanto fatores como inflação, conflitos geopolíticos e mudanças climáticas seguem influenciando a cadeia global do cacau.

    Lindt registra queda nas vendas

    A Lindt informou que aumentou os preços em 11,8% no primeiro semestre. Como consequência, o volume de chocolates vendidos caiu 7,5%.

    Segundo o CEO da companhia, Adalbert Lechner, os preços recordes do cacau obrigaram todo o setor a realizar reajustes sem precedentes. Além disso, inflação, incertezas econômicas e conflitos internacionais reduziram o consumo.

    A empresa também destacou que a crise no Oriente Médio diminuiu o fluxo de turistas asiáticos e do Oriente Médio para a Europa, afetando o segmento de varejo voltado aos viajantes.

    Barry Callebaut amplia vendas de cacau

    A Barry Callebaut, maior fabricante mundial de produtos derivados de cacau e chocolate, informou que o consumo de chocolate caiu 4,4% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Mesmo assim, o volume total comercializado pela empresa cresceu 5,7%, encerrando uma sequência de mais de dois anos de retração.

    As vendas globais de cacau avançaram 18%, impulsionadas pela correção do mercado ocorrida no início do ano.

    Nestlé também sente os efeitos

    A Nestlé informou que a valorização do cacau e do café reduziu em 2,8% seu lucro operacional subjacente no primeiro semestre.

    A área de confeitaria representa quase 10% do faturamento da companhia. A expectativa é de recuperação gradual das margens conforme os preços da matéria-prima continuem se estabilizando.

    El Niño e mudanças climáticas explicam a crise

    A forte valorização do cacau teve origem principalmente nas perdas de safra registradas na África Ocidental.

    Segundo pesquisadores da Oxford Martin School, o fenômeno El Niño provocou períodos prolongados de calor, estiagem e chuvas irregulares na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% a 70% da produção mundial de cacau.

    Além do El Niño, o avanço das mudanças climáticas agravou ainda mais o cenário, reduzindo a produtividade das lavouras e elevando os preços internacionais da commodity.

    Mercado segue atento ao clima

    Embora haja expectativa de excedente na safra 2025/2026, a Barry Callebaut alertou que um novo episódio forte de El Niño previsto para 2026 e 2027 pode voltar a pressionar a oferta mundial.

    Analistas também afirmam que a Lindt conseguiu realizar operações de proteção de preços para 2027, estratégia que pode reduzir significativamente seus custos nos próximos anos.

    Geopolítica influencia o mercado

    Além das questões climáticas, fatores geopolíticos continuam interferindo na cadeia do cacau.

    As tarifas comerciais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocaram oscilações temporárias nos preços e interrupções na logística internacional.

    Chocolate premium

    Enquanto aguardam uma recuperação mais consistente do mercado, as fabricantes investem em inovação para atrair consumidores.

    A Lindt ampliou sua presença nas redes sociais após o sucesso da barra de chocolate inspirada no chamado “Chocolate Dubai”, lançada em dezembro de 2024 e rapidamente transformada em tendência mundial.

    Segundo Adalbert Lechner, a estratégia busca aproximar a marca dos consumidores mais jovens e transformar as redes sociais em um canal permanente de descoberta e compra.

    A Nestlé segue caminho semelhante. O CEO Philipp Navratil afirmou que a companhia ampliará os investimentos em marketing de influência, priorizando campanhas digitais, conteúdo orgânico e formatos voltados ao público jovem.

    Empresas evitam novos reajustes

    Apesar da pressão sobre os custos, as fabricantes têm buscado preservar o posicionamento premium sem depender exclusivamente de novos aumentos de preços.

    A Lindt reduziu valores de forma seletiva em mercados como Alemanha e Suíça durante o período de Natal para estimular o consumo.

    Já a Barry Callebaut aposta na expansão do segmento Gourmet, direcionado a chefs e confeiteiros, além de ampliar sua linha de chocolates especiais de maior valor agregado.

    Com a acomodação dos preços do cacau, o setor espera recuperar gradualmente a demanda. Ainda assim, especialistas alertam que eventos climáticos extremos e tensões geopolíticas continuarão sendo fatores determinantes para o mercado global da commodity.

  • Etanol de milho pode impulsionar demanda global com uso em navios

    Etanol de milho pode impulsionar demanda global com uso em navios

    O etanol produzido a partir do milho pode abrir um novo mercado para os produtores e ampliar a demanda mundial pelo grão nos próximos anos. A National Corn Growers Association, entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, defende o uso do biocombustível no transporte marítimo como alternativa para acelerar a descarbonização da navegação.

    A proposta aproveita uma infraestrutura já existente de produção, armazenamento e distribuição do etanol, reduzindo custos para a adoção do combustível pelo setor naval. Além disso, a iniciativa integra a estratégia da NCGA para ampliar os mercados consumidores da safra norte-americana, que alcançou o recorde de 17 bilhões de bushels em 2025, com valor estimado em US$ 70,1 bilhões.

    Transporte marítimo busca reduzir emissões

    O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa. Por isso, empresas do setor buscam alternativas aos combustíveis derivados do petróleo para atender às metas de descarbonização estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO).

    Nesse cenário, o etanol de milho ganha espaço por apresentar características semelhantes às do metanol, outro combustível renovável utilizado na indústria naval. Além disso, sua cadeia logística já está consolidada em diversos mercados, o que facilita uma eventual expansão do uso em escala comercial.

    Segundo a empresa de navegação Maersk, essa infraestrutura existente pode acelerar a adoção do etanol como combustível marítimo.

    Mercado pode ampliar o consumo de milho

    A NCGA estima que, caso o etanol conquiste 10% do mercado global de combustíveis para navios, a demanda adicional poderá chegar a aproximadamente 3 bilhões de bushels de milho.

    O volume é semelhante às exportações anuais de milho dos Estados Unidos, indicando um potencial significativo para fortalecer a renda dos produtores e ampliar a competitividade da cadeia agrícola.

    Testes reforçam a viabilidade do combustível

    Empresas ligadas à navegação já iniciaram projetos para validar o uso do etanol em embarcações comerciais.

    Entre os principais avanços estão o abastecimento de um navio movido integralmente a etanol realizado pela Maersk; o desenvolvimento de motores marítimos movidos a etanol pela fabricante suíça WinGD e encomendas da nova tecnologia por armadores interessados em reduzir emissões.

    Esses resultados indicam que a adoção do combustível pode ocorrer sem a necessidade de construir uma cadeia logística completamente nova.

    Expansão ainda depende de políticas públicas

    Apesar dos avanços tecnológicos, a expansão do etanol de milho no transporte marítimo dependerá da criação de políticas públicas e de regras internacionais para avaliação das emissões de carbono dos combustíveis.

    A NCGA defende que os modelos utilizados reconheçam os ganhos de sustentabilidade obtidos pela produção de milho nas últimas décadas.

    Entre as prioridades apontadas pela entidade estão:

    • adoção de metodologias científicas para medir emissões;
    • reconhecimento internacional dos combustíveis renováveis produzidos a partir de culturas agrícolas;
    • fortalecimento das políticas de incentivo às exportações de etanol;
    • integração entre agricultura, energia e meio ambiente.

    Estratégia pode fortalecer o mercado global do milho

    Para o presidente da NCGA, Jed Bower, desenvolver novos mercados para o etanol representa uma estratégia de longo prazo para garantir demanda consistente pelo milho produzido nos Estados Unidos.

    Segundo ele, a diversificação dos mercados consumidores contribui para aumentar a renda dos agricultores e criar perspectivas para as futuras gerações permanecerem na atividade rural.

    Se a tecnologia avançar e as políticas de incentivo forem implementadas, o uso do etanol de milho no transporte marítimo poderá representar um novo capítulo para a cadeia global dos biocombustíveis, unindo inovação, sustentabilidade e novas oportunidades para o agronegócio.

  • Exportação de frango bate recorde histórico em 2026

    Exportação de frango bate recorde histórico em 2026

    As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram recorde histórico no primeiro semestre de 2026. O resultado veio mesmo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio, um dos principais destinos da proteína brasileira.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o desempenho confirma a capacidade da avicultura nacional de ampliar mercados e reduzir os impactos das instabilidades internacionais. Em 2025, o Oriente Médio respondeu por quase 25% das exportações brasileiras de carne de frango. Neste ano, porém, os conflitos na região desafiaram o comércio internacional.

    Exportação de frango cresce apesar da crise no Oriente Médio

    O Cepea explica que os desdobramentos do conflito afetaram o tráfego no Estreito de Ormuz. Como consequência, o recebimento da carne de frango enfrentou dificuldades em diversos países da região. Mesmo assim, o Brasil manteve o ritmo das exportações ao ampliar as vendas para outros mercados estratégicos.

    Os embarques para os Emirados Árabes Unidos recuaram 8,3% no primeiro semestre, frente ao mesmo período de 2025. Por outro lado, as vendas ao Japão cresceram 21,2%. Além disso, os embarques para a África do Sul avançaram expressivos 38,3%. Segundo o Cepea, esse movimento demonstra a ampla diversificação da carteira de compradores da avicultura brasileira.

    Maior volume nas exportações de carne de frango

    O levantamento da Secex, analisado pelo Cepea, mostra que o Brasil exportou 2,9 milhões de toneladas de carne de frango, entre produtos in natura e processados, no primeiro semestre. O volume representa alta de 12,9% sobre as 2,6 milhões de toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.

    Além disso, o resultado estabelece o maior volume para um primeiro semestre desde o início da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior, em 1997.

    Exportação de ovos cresce com aumento das compras do Chile

    As exportações brasileiras de ovos voltaram a avançar em junho. Segundo o Cepea, o principal fator foi o aumento da demanda do mercado chileno.

    Dados da Secex mostram que o Brasil embarcou 2,59 mil toneladas de ovos in natura e processados no mês. O volume cresceu 19% em relação a maio. Contudo, permaneceu 60% abaixo do registrado em junho de 2025.

    Chile lidera importações de ovos brasileiros pelo quinto mês

    O Chile permaneceu como principal destino dos ovos brasileiros pelo quinto mês consecutivo. Em junho, o país importou 1,87 mil toneladas do produto. O volume representa crescimento de 41% frente ao mês anterior.

    Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço das compras ocorreu após o Chile confirmar, em abril, o primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial. Desde então, o mercado chileno intensificou as importações de ovos do Brasil, fortalecendo o desempenho das exportações brasileiras da proteína.

  • Exportação de carne bovina cresceu 15,5% no primeiro semestre

    Exportação de carne bovina cresceu 15,5% no primeiro semestre

    A exportação de carne bovina brasileira segue em ritmo recorde em 2026. O Brasil embarcou 1,705 milhão de toneladas entre janeiro e junho, volume 15,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita alcançou US$ 9,85 bilhões, crescimento de 36,2%.

    Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base nas estatísticas do Governo Federal.

    Somente em junho, o país exportou 317,3 mil toneladas de carne bovina, alta de 16,6% na comparação anual. A receita somou US$ 1,975 bilhão, avanço de 38,1%, estabelecendo o melhor resultado mensal da série histórica tanto em volume quanto em faturamento.

    China impulsiona as exportações brasileiras

    A China permaneceu como o principal destino da carne bovina brasileira no primeiro semestre.

    Entre janeiro e junho, o país asiático importou 794,7 mil toneladas, crescimento de 24% em relação ao mesmo período de 2025. A receita gerada pelas vendas ao mercado chinês atingiu US$ 4,87 bilhões, alta de 49,4%.

    Em junho, os chineses compraram 161,9 mil toneladas da proteína brasileira, aumento de 19% na comparação anual. O faturamento chegou a US$ 1,08 bilhão, crescimento de 39,5%.

    Segundo a Abiec, o desempenho foi favorecido pela intensificação das compras dentro da cota chinesa de importação com tarifa reduzida, de 1,1 milhão de toneladas.

    Estados Unidos mantêm segunda posição

    Os Estados Unidos seguiram como o segundo maior comprador da carne bovina brasileira.

    No primeiro semestre, o mercado norte-americano importou 205 mil toneladas, gerando US$ 1,35 bilhão em receita. O crescimento foi de 13% em volume e de 29,8% em valor.

    Apesar do avanço no acumulado do ano, o desempenho de junho foi mais moderado. O Brasil embarcou 26,4 mil toneladas para os Estados Unidos, queda de 8,3% frente ao mesmo mês de 2025.

    Mesmo com o recuo no volume, a receita aumentou 16,4%, alcançando US$ 192,9 milhões.

    Outros mercados ampliam compras

    Além de China e Estados Unidos, outros destinos ampliaram significativamente as compras de carne bovina brasileira em junho.

    O Chile ocupou a terceira posição, com 12,9 mil toneladas embarcadas, crescimento de 67,5%, enquanto a receita avançou 56,8%, chegando a US$ 81,7 milhões. Já o México apareceu em seguida, com 11,8 mil toneladas, alta de 153,9%.

    O faturamento alcançou US$ 74 milhões, avanço de 136,6%.

    Em receita, a União Europeia ocupou a quarta colocação em junho, com US$ 75,2 milhões, atrás apenas de China, Estados Unidos e Chile.

    Exportações seguem fortalecidas no agronegócio

    No acumulado do semestre, o Chile importou 70,7 mil toneladas, movimentando US$ 420,2 milhões, com crescimento de 20% em volume e de 33,2% em receita.

    A Rússia adquiriu 62,2 mil toneladas, alta de 53,8% no volume e de 58,9% no faturamento, que chegou a US$ 284,1 milhões.

    Já a União Europeia importou 51,2 mil toneladas de carne bovina brasileira no período, gerando US$ 452,3 milhões. O bloco registrou crescimento de 18,2% em volume e de 53,5% em receita.

    Com os resultados do primeiro semestre, a exportação de carne bovina reforça o bom desempenho do agronegócio brasileiro no mercado internacional e mantém a proteína entre os principais produtos da pauta exportadora do país.

  • El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    El Niño pode mudar produção global de café nos próximos anos

    A confirmação de um novo episódio de El Niño para o segundo semestre de 2026 voltou a acender o alerta no mercado internacional de café.

    Embora os impactos variem de acordo com a intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região produtora, especialistas avaliam que o clima poderá influenciar a oferta global da commodity entre 2026 e 2027.

    Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño costumam ser diferentes entre os países produtores e dependem do estágio das lavouras quando o fenômeno ocorre.

    Brasil deve escapar dos impactos imediatos

    O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, não deve sofrer impactos diretos na safra 2026/27, segundo a projeção atual da consultoria.

    Mesmo assim, um período mais chuvoso durante o outono e o inverno pode provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade dos preços no mercado.

    De acordo com Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint, o monitoramento climático continua sendo fundamental para os próximos meses.

    “Embora a produção da safra 2026/27 não deva ser afetada, o andamento da colheita e a fase de florada exigem atenção.”

    Próxima safra pode enfrentar desafios

    Os maiores riscos ainda estão ligados ao desenvolvimento da próxima temporada.

    Isso porque alterações nos padrões de chuva e temperatura podem influenciar etapas decisivas para a formação dos grãos e para o potencial produtivo das lavouras.

    O comportamento climático durante a florada será um dos fatores mais observados pelo mercado nos próximos meses.

    Leia mais: Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    América Central e Ásia estão entre as regiões mais vulneráveis

    Fora do Brasil, os efeitos do El Niño podem ser mais significativos.

    Segundo a Hedgepoint, importantes produtores da América Central e da Ásia apresentam maior risco de enfrentar problemas climáticos nas safras 2026/27 e 2027/28.

    A preocupação aumenta diante da possibilidade de um evento forte entre o final de 2026 e o início de 2027.

    Nessas regiões, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor podem comprometer fases importantes do desenvolvimento das lavouras, reduzindo a produtividade e pressionando a oferta mundial de café.

    Caso o fenômeno ganhe força nos próximos meses, o mercado poderá reagir antecipadamente às expectativas de menor produção em algumas das principais regiões produtoras do mundo.

  • Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Apesar de a China ser o principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, produtores e moradores da fronteira agrícola demonstram maior confiança nos Estados Unidos do que no país asiático.

    A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela FGV RI (Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas) em municípios da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil no fim de 2025.

    O levantamento revela uma diferença significativa entre dependência econômica e confiança política.

    Dependência comercial não significa confiança

    A China concentra atualmente cerca de 80% das exportações brasileiras de soja e 86% das vendas externas de carne bovina.

    Mesmo assim, os entrevistados demonstraram maior confiança nos Estados Unidos.

    Segundo a pesquisa:

    21,8% consideram os EUA “muito confiáveis”;

    12,6% atribuem a mesma avaliação à China.

    A diferença supera nove pontos percentuais.

    O estudo também aponta que a confiança na China caiu quase 20 pontos percentuais em comparação com 2017, período em que as relações comerciais entre os dois países continuaram avançando.

    Segundo os pesquisadores, o resultado mostra que laços econômicos e alinhamentos políticos seguem caminhos distintos.

    “A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente. A pesquisa mostra que confiança política e dependência econômica são coisas distintas e seguem lógicas diferentes”, afirmou Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores do estudo.

    Leia mais: Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    União Europeia gera percepção dividida

    A pesquisa também avaliou como os entrevistados enxergam as exigências ambientais da União Europeia para produtos agrícolas.

    De um lado, 74,3% acreditam que atender às normas ambientais europeias fortalece a reputação internacional do Brasil.

    Por outro:

    66,9% afirmam que as exigências reduzem a competitividade dos produtos brasileiros;

    61,5% entendem que as regras atendem principalmente aos interesses econômicos da própria União Europeia.

    Segundo os pesquisadores, essas avaliações não são contraditórias.

    A interpretação é que o setor vê as exigências como uma condição necessária para manter acesso a um mercado estratégico, mesmo sem compartilhar integralmente os valores defendidos pelo bloco europeu.

    Fronteira agrícola tem perfil mais conservador

    O levantamento também traçou um panorama político dos moradores da região.

    De acordo com os dados:

    83,5% se identificam como de direita ou centro;

    16,5% se declaram de esquerda.

    A pesquisa aponta ainda que:

    55,9% acreditam que o governo interfere excessivamente na vida das pessoas;

    64,3% avaliam que a regulação estatal gera mais efeitos negativos do que positivos para os negócios.

    Segundo os autores, essas percepções influenciam a forma como a população da fronteira agrícola avalia parceiros internacionais como Estados Unidos, China e União Europeia.

    Peso político do agro pode crescer

    O estudo destaca ainda o aumento da relevância eleitoral da fronteira agrícola brasileira.

    Os estados que compõem essa região representam aproximadamente 15% do eleitorado nacional.

    Para os pesquisadores, esse crescimento pode ampliar a influência das preferências regionais nos debates sobre política externa e nas relações do Brasil com Washington, Pequim e Bruxelas.

    “Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, concluiu Matias Spektor.

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