Tag: Mel

  • Paraná consolida liderança na produção de mel

    Paraná consolida liderança na produção de mel

    O 19º Seminário Paranaense de Meliponicultura, realizado no último fim de semana em Prudentópolis, tornou-se um termômetro do crescimento explosivo do setor no estado. Com mais de 500 participantes, o evento superou expectativas. E evidenciou a meliponicultora, criação de abelhas nativas sem ferrão, como uma lucrativa frente de negócios no agronegócio paranaense.

    O seminário, o primeiro na cidade desde 2018, contou com palestras e oficinas que focaram na geração de renda, sustentabilidade e equilíbrio ambiental. A organização foi da Câmara Técnica do setor, que reúne associações de produtores, universidades e entidades públicas como o IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná).

    Ouro líquido: o valor estratégico do mel sem ferrão

    Diferente da apicultura tradicional (com abelhas com ferrão do gênero Apis), a meliponicultura produz um mel mais raro e valorizado. Embora a produção por enxame seja menor (de 0,5 kg a 3 kg, contra uma média de 25 kg da Apis), o preço no mercado é significativamente maior.

    De acordo com extensionistas do IDR-Paraná, o mel das abelhas sem ferrão pode ser comercializado pelo produtor a preços entre R$ 70 e R$ 150 o quilo. Em comparação, o mel da abelha comum (Apis) chega à indústria em torno de R$ 10 o quilo. Esse valor agregado, somado aos menores custos de manejo, transforma a atividade em uma poderosa fonte de renda complementar para a agricultura familiar.

    “Os temas abordados foram ótimos, cumprindo os objetivos de transmitir conhecimentos sobre a promoção e geração de renda. O feedback foi muito positivo”, afirmou Marlon Tiago Hladczuk, extensionista do IDR-Paraná.

    Paraná: líder nacional na produção de mel

    O fortalecimento da meliponicultura ocorre em um momento em que o Paraná se consolida como potência no mercado do mel. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, compilados pelo Deral/Seab, mostram que o estado assumiu a liderança na produção nacional em 2024, com 9,82 mil toneladas. O equivalente a 14,6% da produção brasileira.

    Na esteira do sucesso, o estado também é o terceiro maior exportador do produto em 2025, com 5,57 mil toneladas vendidas ao exterior, gerando uma receita de US$ 18,64 milhões. Os Estados Unidos são o principal destino, absorvendo 82,5% do mel exportado pelo Paraná.

  • Hidromel: bebida milenar dos vikings também é feita no Brasil

    Hidromel: bebida milenar dos vikings também é feita no Brasil

    O hidromel é uma bebida alcoólica milenar obtida através da fermentação do mel diluído em água. Considerada mais antiga que o vinho e a cerveja, esta bebida conquistou civilizações ao longo da história, desde os vikings escandinavos até os gregos antigos, que a chamavam de “néctar dos deuses”.

    A produção do hidromel envolve um processo de fermentação natural, onde leveduras convertem os açúcares do mel em álcool, resultando em uma bebida que pode variar de 8% a 18% de teor alcoólico.

    A história do hidromel remonta a mais de 4.000 anos. Registros arqueológicos indicam que povos da antiga Mesopotâmia, Egito e China já produziam e consumiam esta bebida. Na cultura nórdica, o hidromel ocupava lugar de destaque nos banquetes vikings, sendo considerado a bebida dos guerreiros e símbolo de celebração. Na mitologia grega, acreditava-se que o hidromel conferia imortalidade e sabedoria, razão pela qual era associado aos deuses do Olimpo.

    Durante a Idade Média, o hidromel manteve sua popularidade na Europa, especialmente em regiões onde a produção de vinho era limitada. Mosteiros medieval produziam a bebida tanto para consumo quanto para fins medicinais, aproveitando as propriedades benéficas do mel.

    Características e sabor

    O sabor do hidromel varia consideravelmente de acordo com o tipo de mel utilizado, o tempo de fermentação e os ingredientes adicionais. Em sua versão tradicional, a bebida apresenta notas doces e complexas, com toques florais e frutados que refletem a origem botânica do mel. A textura pode ser seca, semi-seca ou doce, dependendo da quantidade de açúcar residual após a fermentação.

    Compostos voláteis do mel definem o perfil aromático do hidromel e dão à bebida fragrâncias que remetem a flores, frutas, especiarias ou notas herbáceas. A acidez equilibrada é fundamental para a qualidade da bebida, influenciando tanto o processo de fermentação quanto o sabor final.

    Pesquisa baiana avança na definição de padrões de qualidade para o hidromel brasileiro

    Um estudo conduzido pelo Centro Tecnológico Agropecuário da Bahia (Cetab), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), acaba de ser publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências e investiga as propriedades físico-químicas e aromáticas do hidromel produzido em diferentes regiões brasileiras.

    Foto: Cetab Seagri

    A pesquisa nacional analisou amostras da bebida milenar obtida pela fermentação do mel e busca estabelecer parâmetros de qualidade que possam impulsionar tanto a produção quanto o comércio do hidromel no Brasil.

    Análise aprofundada de amostras regionais

    Os pesquisadores Paulo Mesquita e Manuela Barreto coordenaram o estudo que examinou hidroméis produzidos na Bahia – especificamente nas regiões da Chapada Diamantina e do Recôncavo – e em São Paulo. A equipe considerou diferentes tempos de produção e analisou características cruciais como nível de acidez (pH), resíduos minerais e compostos responsáveis pelo aroma da bebida.

    “Os resultados indicaram que fatores como o tempo de conservação e o tipo de armazenamento interferem diretamente na acidez e na presença de compostos voláteis do hidromel. A partir das características encontradas, foram estabelecidos parâmetros para que o hidromel possa ser melhor produzido e utilizado”, explica Mesquita.

    PH: fator determinante para a qualidade

    O controle da acidez emerge como uma das medidas essenciais para garantir a qualidade do produto final. A pesquisadora Manuela Barreto destaca que o monitoramento do pH exige atenção especial dos produtores. “Uma bebida mais ácida afeta o processo de fermentação, além de prejudicar o sabor”, ressalta a especialista.

    Os cientistas estabeleceram parâmetros que permitem aos produtores monitorar e controlar adequadamente o pH durante todo o processo de fabricação, garantindo um produto final de maior qualidade e sabor mais equilibrado.

    Mercado promissor e pouco explorado

    Apesar de ser uma bebida mais antiga que o vinho e a cerveja, o hidromel ainda ocupa pouco espaço no mercado brasileiro. A maior parte da produção nacional ocorre de forma artesanal, o que evidencia um potencial de crescimento significativo para o setor.

    Os números globais reforçam o otimismo. Segundo a empresa Fortune Business Insights, o mercado mundial de hidromel deve se expandir a uma taxa de crescimento anual de 18,71%, saltando de US$ 432,4 milhões em 2020 para US$ 1,6 bilhão em 2028. Este cenário apresenta oportunidades concretas para produtores brasileiros que investirem na bebida.

    Benefícios para a saúde ampliam o potencial

    A indústria cervejeira artesanal já utiliza o hidromel como ingrediente especial em suas criações. Porém, estudos científicos apontam que os benefícios da bebida vão além do sabor diferenciado.

    Pesquisas demonstram que o consumo moderado de hidromel pode ajudar a prevenir diversos problemas de saúde, incluindo diabetes, câncer, inflamação, infecções respiratórias e distúrbios gastrointestinais. Estes benefícios derivam da presença de ácidos orgânicos, compostos fenólicos e peptídeos presentes no mel, que se mantêm na bebida fermentada.

    O artigo científico completo está disponível para consulta no site da SciELO (Scientific Electronic Library Online), plataforma que reúne publicações científicas de prestígio na América Latina.

  • ES: mel gera R$ 12,3 milhões com alta de 55% na produção

    ES: mel gera R$ 12,3 milhões com alta de 55% na produção

    A produção de mel no Espírito Santo deu um salto. Dados do IBGE mostram que o estado produziu 846 mil quilos do produto em 2024, um crescimento expressivo de 55% em comparação com 2016. O valor da produção mais que dobrou no período, saltando de R$ 6,2 milhões para R$ 12,3 milhões.

    Atrás desses números, está o trabalho da agricultura familiar. Municípios como Aracruz (10,6%), Fundão (9,7%) e Marechal Floriano (9,5%) se destacam como os maiores produtores do estado, consolidando a apicultura como uma atividade econômica vital para o interior capixaba.

    De acordo com o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, a apicultura é uma prioridade no Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG 4). “A apicultura capixaba tem grande potencial para gerar renda e diversificar a produção. Estabelecemos objetivos claros, como ampliar a assistência técnica e fortalecer o cooperativismo. Nosso grande desafio é chegar a 2032 produzindo mil toneladas de mel”, projetou Bergoli.

    Abelhas nativas impulsionam mercado de alto valor

    Além da apicultura tradicional, a meliponicultura – criação de abelhas nativas sem ferrão – ganha espaço nas propriedades rurais. Espécies como jataí, uruçu e mandaçaia produzem um mel com características únicas e alto valor agregado, muito procurado por suas propriedades medicinais. Esta prática não só oferece uma alternativa de renda interessante para os pequenos produtores, mas também é crucial para a conservação da biodiversidade local.

    A importância das abelhas vai além da produção de mel. Elas exercem um papel estratégico na sustentabilidade e na segurança alimentar. Como principais polinizadoras de diversas culturas agrícolas, as abelhas aumentam a produtividade das lavouras e mantêm o equilíbrio dos ecossistemas, unindo geração de renda e preservação ambiental.

  • Minas reúne setor para discutir soluções contra efeitos da crise climática na produção de mel

    Minas reúne setor para discutir soluções contra efeitos da crise climática na produção de mel

    Mais de 1.500 pessoas ocupam o Parque João Alencar Athayde, em Montes Claros, até esta sexta-feira, para debater um dos maiores desafios da apicultura brasileira: os impactos da crise climática na produção de mel e na polinização. O 5º Congresso Mineiro de Apicultura e Meliponicultura e o 22º Seminário de Apicultura do Norte de Minas acontecem em um contexto estratégico, às vésperas da COP-30.

    A Federação Mineira de Apicultura (Femap) organiza o evento em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de entidades trocam experiências e buscam soluções conjuntas para proteger o setor.

    O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, recebeu homenagem durante a abertura do congresso pelo apoio ao desenvolvimento da apicultura em Minas Gerais. Ele destacou a relevância da atividade para a agricultura familiar.

    “Milhares de produtores trabalham nesta cadeia e agregam valor no mel e no propólis. A Secretaria de Agricultura está presente, com a Emater, o IMA e a Epamig, trabalhando junto aos produtores e à Femap para fortalecer cada vez mais este setor”, afirmou Fernandes.

    O evento também homenageou líderes do Sebrae-MG, Faemg/Senar, Codevasf e Ocemg, parceiros da iniciativa.

    Mudanças climáticas ameaçam abelhas e segurança alimentar

    Os efeitos negativos da crise climática dominam as discussões do congresso. O vice-presidente da Femap, Elizeu Araújo, alerta para a urgência do tema.

    “A mudança climática prejudica a produção de mel e afeta negativamente a biodiversidade e a segurança alimentar global, devido à dependência da polinização para a produção de alimentos. Precisamos debater e encontrar uma saída”, destacou Araújo.

    O evento oferece palestras, painéis, oficinas e uma feira de produtos apícolas e novas tecnologias para o setor.

    A escolha de Montes Claros como sede reflete a importância histórica e produtiva do Norte de Minas para a apicultura. A região, junto com o Vale do Jequitinhonha, concentra o maior número de abelhas do estado e produz o mel de aroeira, reconhecido por seus comprovados poderes medicinais.

    A apicultura mineira movimenta números expressivos. O estado produz, em média, 7,67 mil toneladas de mel por ano, segundo dados da Emater-MG. A região Central lidera a produção estadual com 1.757.993 kg de mel, o que representa 22,90% do total. O Centro-Oeste mineiro vem em segundo lugar, com 1.415.230 kg (18,43%), seguido pelo Norte de Minas com 1.099.954 kg (14,33%) e Jequitinhonha/Mucuri com 1.053.190 kg (13,72%).

    Agricultura familiar sustenta 80% da produção de mel

    A agricultura familiar responde por aproximadamente 80% da produção de mel em Minas Gerais e cerca de 70% da produção de própolis. Dos 9.229 produtores do estado, 7.526 são agricultores familiares.

    O mel mineiro alcança mercados internacionais exigentes, como União Europeia, Reino Unido, Japão e Canadá.

    A Seapa apoia o setor com ações concretas. Em 2025, o governo estadual investiu mais de R$ 1,6 milhão na compra de 455 kits de apicultura, distribuídos em várias regiões mineiras.

    Cada kit inclui cinco colmeias, carretilhas, cera de abelha, formão, fumigador, garfo desoperculador e equipamentos de segurança. A estrutura pode produzir entre 100 e 125 kg de mel por ano, além de própolis, pólen, cera e geleia real.

    A diversificação também fortalece a rentabilidade da apicultura mineira. Em 2023, o estado produziu cerca de 260 toneladas de própolis, conquistando o primeiro lugar nacional na produção de própolis verde.

  • Mel do Vale do Paraíba conquista Indicação Geográfica

    Mel do Vale do Paraíba conquista Indicação Geográfica

    O Vale do Paraíba recebeu, em agosto, a Indicação Geográfica (IG) do mel. O reconhecimento fortalece a apicultura em 35 municípios paulistas. O reconhecimento é o 10º do estado de São Paulo. Ele valoriza produtores e reforça a imagem do agro paulista em qualidade e sustentabilidade.

    Produtores celebram conquista coletiva

    Foto: divulgação – Secretaria de Agricultura de SP

    A produtora Vanilda Santos, presidente da Câmara Setorial dos Produtos Apícolas do Estado, comemorou a vitória em Taubaté. Ela destacou que a certificação nasceu do esforço conjunto de representantes e produtores da região. “Mais que uma certificação, é uma conquista coletiva que reflete a dedicação da cadeia produtiva”, afirmou Vanilda.

    Com mais de 20 anos de experiência, a produtora familiar produz 3,5 toneladas de mel por ano. Ela baseia o trabalho em sustentabilidade e preservação das abelhas. Em seus rótulos, Vanilda exibe a flor da grumixama, nativa da Mata Atlântica. A imagem homenageia sua sogra, Maria Eugênia, e valoriza a biodiversidade regional.

    Tradição familiar fortalece apicultura

    Em Tremembé, o produtor Antônio Carlos Dionísio, o Tavinho, e seu pai, Otávio, atuam exclusivamente na apicultura. Eles administram três apiários e a loja Apiário Brasil. “Empregamos sete integrantes da família em todas as etapas de produção”, contou Tavinho.

    O produtor busca o SISP Artesanal e a certificação da Associação Nutrir, que vai gerir o IG do mel. “O selo vai reconhecer nossa produção diferenciada e de qualidade”, disse.

    Apoio impulsionou a conquista

    A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo apoiou o processo, por meio da CATI Regional de Pindamonhangaba e da Defesa Agropecuária. Em parceria com Sebrae e Universidade de Taubaté, a CATI elaborou documentos para comprovar a relevância da cadeia produtiva do mel.

    Segundo Haley Silva de Carvalho, chefe da CATI Regional, o órgão participou desde 2013 com orientações, capacitações e apoio técnico à apicultura. A Defesa Agropecuária atua na inspeção sanitária das colmeias e assegura padrões de segurança alimentar. O órgão também incentiva selos de inspeção para valorizar produtos artesanais. Vanilda destacou a importância do selo SISP Artesanal. “Ele reduz burocracias, mantém a qualidade e abre novos mercados para os produtores”, explicou.

    São Paulo amplia produção e pesquisa

    São Paulo é o maior consumidor de produtos apícolas e o quarto produtor nacional. O estado possui cinco mil propriedades e produz 5,4 mil toneladas anuais. Os pesquisadores alertam, desde 2006, para o declínio das abelhas e seus impactos no ecossistema. O Instituto Biológico lidera pesquisas sobre a sanidade dos polinizadores.

    O Laboratório Especializado em Sanidade Apícola, em Pindamonhangaba, é o único do país. Ele diagnostica vírus, fungos, bactérias e parasitas que afetam abelhas africanizadas e nativas.
    A Indicação Geográfica do mel do Vale do Paraíba reforça a identidade regional, amplia mercados e valoriza a produção sustentável paulista.

  • Distrito Federal incluirá mel da agricultura familiar na merenda escolar

    Distrito Federal incluirá mel da agricultura familiar na merenda escolar

    Governo do Distrito Federal anunciou um edital inédito para compra de mel da agricultura familiar. O edital garante 13,2 toneladas do produto para a merenda de cerca de 438 mil estudantes da rede pública.

    A medida integra o Programa Nacional de Alimentação Escolar do DF, coordenado pela Emater, Seagri e Secretaria de Educação. O investimento inicial chega a R$ 463,9 mil e busca avaliar logística, entrega e aceitação do mel pelos alunos. Segundo Cleison Duval, presidente da Emater-DF, a iniciativa fortalece cadeias produtivas locais e valoriza a identidade regional do mel. “Estamos mostrando que a agricultura familiar pode atender demandas de escala, gerar renda e diversificar sua produção”, destacou Duval. A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, ressaltou que a ação amplia a segurança alimentar e incentiva agricultores a expandirem a produção.
    “Nossas crianças recebem agora uma merenda mais saudável e diversificada. Se tivéssemos mais toneladas, compraríamos todas”, afirmou Paranaguá.

    Merenda escolar

    Atualmente, a merenda escolar prioriza alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, hortaliças, queijos e agora o mel. Os grupos interessados devem enviar documentação até 30 de setembro, exclusivamente por e-mail, à Comissão de Chamada Pública.
    A iniciativa também acompanha a ampliação da meta do Pnae, que elevou de 30% para 45% a compra da agricultura familiar. No lançamento, participaram cooperativas de apicultores e produtores agrícolas do DF e da Ride, além do sindicato da categoria.

    Produção de mel

    O presidente da Cooapis, Eliseu Sérgio, destacou que a oportunidade fortalece os apicultores e amplia a renda das famílias associadas. A cooperativa reúne 25 famílias e espera alcançar 50 até o fim do ano, ampliando a capacidade de produção de mel. Com novo entreposto, a Cooapis prevê processar até 20 toneladas de mel por ano a partir de 2026.

    O chefe do Núcleo de Produção Sustentável, João Ricardo Soares, destacou a importância da cooperação entre instituições públicas e agricultores. Segundo ele, a iniciativa transforma a demanda em oportunidade concreta e qualifica a produção voltada à alimentação escolar.

    Blaiton de Carvalho, da Emater-DF, afirmou que a chamada pública estimula a reorganização da cadeia produtiva do mel no DF. “O setor tem agora o desafio positivo de crescer de forma estruturada e sustentável para atender a demanda”, avaliou Carvalho.

  • Família de apicultores transforma tradição em negócio sustentável

    Família de apicultores transforma tradição em negócio sustentável

    O apicultor Rogério Rodrigo de Freitas Gouvêa descobriu sua vocação aos sete anos. Naquela época, observava o avô manejar as abelhas na propriedade rural do município de Três Marias, região Central de Minas Gerais. Hoje, três décadas depois, comanda um dos apiários mais produtivos da região.

    “Observar meu avô era uma experiência gratificante. Já nascia em mim uma vontade fervorosa de dar continuidade ao negócio”, conta o produtor. Seu pai também trabalhava na atividade, mas nenhum dos dois teve a iniciativa de montar um entreposto próprio de mel.

    Há 18 anos, Rogério Rodrigo iniciou a construção de seu próprio entreposto. O investimento transformou completamente os negócios da família. “Com a ajuda da minha esposa pude realizar meu sonho. Deixei de atuar como atravessador, registrei minha marca e me tornei protagonista no mercado”, celebra.

    A família recebeu apoio técnico da Emater-MG para concretizar o projeto. A extensionista Poliana Guimarães Ribeiro acompanha os apicultores nos processos de rotulagem, comercialização e gestão da agroindústria instalada na propriedade.

    Apiário Apis Bela Flor sustenta família com produção diversificada

    O casal obtém crescimento constante no negócio. Atualmente, mantém mais de 600 colmeias ativas. A apicultura familiar sustentável representa o principal diferencial do apiário Apis Bela Flor, segundo a extensionista.

    A produção anual alcança 20 mil quilos de mel e 300 quilos de extrato de própolis e derivados. A família comercializa os produtos através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), farmácias e mercados locais e estaduais.

    Setor enfrenta desafios mas apresenta perspectivas positivas

    Rogério Rodrigo identifica dois principais desafios no setor: a escassez de mão de obra qualificada e o uso inadequado de agrotóxicos em propriedades vizinhas. Apesar das dificuldades, avalia a experiência como gratificante.

    “A vantagem da atividade é trabalhar no campo, em contato direto com a natureza, contribuindo para a preservação ambiental”, destaca o apicultor.

    O mercado da apicultura permanece aquecido. A maior demanda acontece durante os períodos de outono e inverno, quando o consumo de mel e própolis aumenta significativamente.

    Três Marias produz 40 toneladas de mel anualmente

    O município de Três Marias produz cerca de 40 toneladas de mel por ano, revelando tradição consolidada na atividade. A Associação dos Apicultores de Andrequicé (APIS Minas) fortalece o empreendedorismo sustentável e gera renda para 16 apicultores da cidade.

    O técnico agropecuário da Emater-MG, Magno Gomes da Rocha, orienta os produtores sobre o manejo correto do apiário. Ele acompanha a trajetória de Rogério Rodrigo há vários anos.

    Segundo Magno, a instalação do apiário deve ocorrer em local seco, arejado e protegido de ventos fortes. As proximidades precisam ter água limpa e plantas que produzem néctar e pólen em abundância.

    O técnico ressalta a importância de manter o ambiente roçado para facilitar o manejo. Esta prática evita incêndios e ataques de pragas e invasores às colmeias.

    Cuidados essenciais para o sucesso da atividade

    Outros pontos fundamentais destacados pelo especialista incluem a verificação de alergias do apicultor ao veneno das abelhas. As colmeias não podem ficar próximas a residências ou instalações destinadas a animais domésticos.

    O planejamento adequado do apiário e o acompanhamento técnico constante garantem a sustentabilidade do negócio e a geração de renda no campo, mantendo viva a tradição familiar na apicultura mineira.

  • Piauí reforça merenda escolar com mel produzido por apicultores da região

    Piauí reforça merenda escolar com mel produzido por apicultores da região

    O Governo do Piauí anunciou a compra de 11 toneladas de mel para a merenda escolar da rede estadual. O investimento de R$ 492 mil vai atender cerca de 178 mil alunos por dois meses. A primeira entrega do mel ocorreu no município de Uruçuí.

    O secretário da Educação, Washington Bandeira, explicou que o mel não será servido puro nas escolas. Em vez disso, ele será utilizado em receitas como bolos, vitaminas e saladas de frutas. O mel substitui o açúcar refinado, promovendo uma alimentação mais saudável.

    Além de reforçar a alimentação dos estudantes, a compra apoia os apicultores piauienses. Eles enfrentavam dificuldades para vender o produto, devido à taxação de 50% imposta sobre as exportações para os Estados Unidos.

    A Cooperativa Mista de Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes (Comapi) é a fornecedora do mel. A cooperativa reúne cerca de mil famílias de nove municípios da região da caatinga. Com essa iniciativa, o governo também fortalece a agricultura familiar e valoriza os pequenos produtores rurais.

    Vantagens

    O mel é rico em nutrientes como glicose, frutose, vitaminas, minerais e antioxidantes. Esses componentes ajudam a fortalecer a imunidade dos estudantes, além de possuir propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas.

    A nutricionista Micaela Messeas Lima, da 11ª Gerência Regional de Educação, destacou os benefícios do produto. Segundo ela, o mel reforça a alimentação saudável e balanceada da rede estadual e dá mais energia aos alunos para manter o foco durante as aulas em tempo integral.

    No Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Maria Pires Lima, em Uruçuí, os estudantes aprovaram o novo ingrediente no cardápio. Maria Vitória Costa, de 18 anos e aluna da 3ª série do Curso de Informática, afirmou que a inclusão do mel foi “uma surpresa muito boa” e que ele fará diferença na rotina dos estudantes.

  • Conheça o primeiro meliponário educativo da Zona da Mata mineira

    Conheça o primeiro meliponário educativo da Zona da Mata mineira

    O Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) consolida-se como um dos principais destinos de educação ambiental da Zona da Mata mineira. Situado na Mata do Krambeck, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica em área urbana do Brasil, o espaço ganhou uma nova atração que promete encantar visitantes de todas as idades: o Meliponário de Abelhas Nativas e a Trilha do Mel.

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    É o primeiro meliponário destinado à educação ambiental na Zona da Mata mineira, representando um marco na conservação e estudo das abelhas sem ferrão da região. O projeto, coordenado pela professora Ana Paula Gelli e viabilizado por meio de financiamento da FAPEMIG, oferece uma experiência educativa única aos visitantes.

    Um fragmento de Mata Atlântica preservado

    O Jardim Botânico da UFJF abriga mais de 400 espécies nativas da Mata Atlântica, oferecendo aos visitantes a oportunidade de compreender os usos, relações ecológicas e dimensões culturais dessa biodiversidade. O espaço funciona como um verdadeiro laboratório a céu aberto, onde ações de educação ambiental possibilitam a troca de saberes sobre a biodiversidade.

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    A visitação é gratuita e aberta ao público em geral. Horário de visitação de terça a domingo, das 8h às 17h, com última entrada de visitantes às 16h. O acesso se dá pela Rua Coronel Almeida Novaes 246, no Bairro Santa Terezinha.

    Trilha do Mel: uma jornada pelo mundo das abelhas nativas

    A Trilha do Mel conduz os visitantes através de um percurso educativo até o meliponário, onde podem observar de perto diferentes espécies de abelhas sem ferrão. O acesso ao início da trilha se dá pelo caminho à esquerda do primeiro lago do Jardim, sendo também possível percorrê-la próxima ao segundo lago.

    Ao longo do percurso, painéis interpretativos apresentam informações sobre a ecologia, o comportamento e a importância desses polinizadores para os ecossistemas. A experiência é complementada por oficinas e atividades educativas que sensibilizam o público para a necessidade de conservação da biodiversidade.

    O meliponário é formado por uma série de abrigos que simulam os ninhos naturais das abelhas da tribo Meliponini. Cada abrigo contém uma caixa de madeira modular, separada para abrigar o ninho e os potes de alimento – mel e pólen. As estruturas, instaladas sob telhado verde, se parecem com uma sequência de casinhas, construídas pelo criador de abelhas nativas e marceneiro Paulo César Munck.

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    Inicialmente, cinco espécies de abelhas nativas e sociais ocupam 13 casas do “condomínio”: jataí, mandaguari, uruçú-amarela e iraí. Das 550 espécies sem ferrão identificadas em países tropicais e subtropicais, cerca de 250 foram encontradas no Brasil, demonstrando a riqueza dessa fauna nacional.

    Na Trilha também é possível observar o “hotel” para abelhas solitárias, como a abelha da orquídea e a mamangava, ampliando ainda mais a diversidade de espécies apresentadas aos visitantes.

    A importância das abelhas sem ferrão

    Segundo Dr. Breno Moreira Motta, biólogo e diretor do Jardim Botânico UFJF, “O Meliponário foi planejado com foco na conservação das abelhas sem ferrão, espécies fundamentais da nossa biodiversidade. Além da conservação, o projeto desenvolve atividades de educação ambiental. Nessas ações, busca-se mostrar à comunidade a importância das abelhas para o equilíbrio dos ecossistemas. O espaço também contribui para a pesquisa científica e extensão universitária. Visitantes podem aprender sobre a biologia e os hábitos dessas espécies. O projeto aproxima ciência e sociedade, despertando consciência ambiental.”

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    As abelhas sem ferrão exercem papel fundamental nos processos de polinização, influenciando diretamente a regeneração natural, a manutenção da diversidade vegetal e a estabilidade dos ecossistemas tropicais. A perda de habitat, o uso indiscriminado de agrotóxicos e as mudanças climáticas têm impactado significativamente essas populações, reforçando a necessidade de projetos de conservação e educação ambiental.

    Experiência educativa para toda a família

    As visitas mediadas ocorrem de terça a sexta, em dois horários, das 8h às 11h e das 13h às 16h. São gratuitas, sendo necessário agendamento apenas para escolas e grupos organizados. O ambiente é acessível e pensado para acolher públicos diversos, desde famílias até pesquisadores.

    O Jardim Botânico oferece ainda trilhas ecológicas, estufas, coleções científicas e áreas de lazer. Entre suas principais ações estão a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e a realização de projetos de pesquisa. Oficinas, visitas guiadas e exposições são promovidas ao longo do ano, sempre com o objetivo de aproximar ciência e sociedade.

    Foto: Divulgação

    O projeto integra pesquisa, extensão e conservação, proporcionando oportunidades para estudos em taxonomia, comportamento, conservação genética e manejo racional de meliponíneos. O espaço reforça a compreensão de que a preservação das abelhas não se restringe apenas à produção de mel, mas está intrinsecamente associada à segurança alimentar e à manutenção da biodiversidade.

    “A criação do Meliponário sempre esteve entre os objetivos do Jardim Botânico da UFJF. Esse sonho foi concretizado graças à iniciativa da professora Ana Paula Gelli, coordenadora do projeto”, reforça Motta.

    Foto: Breno Moreira/Divulgação

    O Meliponário configura-se como um instrumento estratégico na promoção da conservação da fauna nativa e da educação ambiental de base científica, contribuindo para a formação de uma consciência ambiental crítica e voltada à sustentabilidade.

    A Trilha do Mel representa um convite ao conhecimento e à valorização da natureza. O espaço de harmonia e beleza cênica oferece uma experiência de aprendizado, lazer e contato direto com a sociobiodiversidade, consolidando o Jardim Botânico da UFJF como referência em educação ambiental na região.

    Serviço:

    Local: Jardim Botânico da UFJF

    Endereço: Rua Coronel Almeida Novaes, 246 – Santa Terezinha, Juiz de Fora/MG

    Funcionamento: Terça a domingo, das 8h às 17h (última entrada às 16h)

    Entrada: Gratuita

    Informações: Não é necessário agendamento para visitas individuais

    Contato: Site oficial do Jardim Botânico UFJF para agendamento de grupos escolares

  • Apicultores cobram medidas contra tarifa dos EUA

    Apicultores cobram medidas contra tarifa dos EUA

    A Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) se reuniu com o governo federal em Brasília. O encontro contou com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e sua equipe. A pauta central foi a taxação imposta pelos Estados Unidos ao mel brasileiro. Em geral, a medida ameaça diretamente apicultores e meliponicultores, que dependem fortemente das exportações para os norte-americanos.

    Impacto na agricultura familiar

    A CBA representa cerca de 500 mil criadores de abelhas. A maioria pertence à agricultura familiar e integra cooperativas e associações. A reunião foi articulada pela Federação Mineira de Apicultura (FEMAP) com apoio de parlamentares de Minas Gerais e Santa Catarina. Também participaram representantes da Codevasf.

    O setor defende medidas urgentes. Entre as propostas estão campanhas de incentivo ao consumo interno e abertura de novas linhas de crédito. A estratégia imediata é redirecionar parte da produção ao mercado interno. Em médio e longo prazo, o objetivo é diversificar exportações.

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    Documento com dez ações prioritárias:

    Entre elas, campanhas publicitárias sobre a importância do mel, mudanças em normas de acesso ao Pronaf e fortalecimento das cooperativas. Além disso, o setor pede ainda suspensão de financiamentos em 2025, revisão da política de alimentação escolar e compras governamentais de mel em sachê.

    Outra demanda é incluir a apicultura no Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais, reconhecendo sua contribuição à preservação da natureza. Ao mesmo tempo, a CBA também cobra isenção de impostos federais para cooperativas da agricultura familiar. O pedido inclui IPI, PIS e Cofins.

    O último ponto trata do projeto de lei 4139/2023. O texto propõe restringir o uso da palavra “mel” em rótulos de alimentos. A entidade argumenta que a medida pode fortalecer o mercado interno e valorizar a produção nacional.