Tag: Mel

  • Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    Produção de mel no Amapá cresce com tecnologia e união de apicultores

    A produção de mel no Amapá vive um novo ciclo. Entre florestas preservadas e comunidades rurais dedicadas, apicultores do Estado têm aumentado produtividade e qualidade, graças à adoção de práticas mais eficientes e à organização cooperativa. A mudança, que começou nos municípios de Porto Grande e Itaubal, tem transformado o modo de trabalho e fortalecido a economia local.

    Nos últimos meses, produtores ligados à Coopermel Amapá passaram a utilizar kits de produção com equipamentos modernos para manejo das colmeias, extração e armazenamento. O que antes dependia de processos manuais e demorados agora flui com mais eficiência e segurança, permitindo maior aproveitamento da safra e melhor conservação do produto.

    Segundo Júlio Avelar, presidente da cooperativa, a inovação representa um divisor de águas para quem vive da apicultura. “Antes, tudo era mais lento e difícil. Agora produzimos mais, armazenamos melhor e mantemos o ritmo da colheita. O produtor se sente valorizado e acredita mais no próprio trabalho”, relata.

    Mel de qualidade e processo sustentável

    O avanço tecnológico não apenas impulsionou a produção, mas também elevou o padrão de qualidade do mel amapaense, que hoje começa a se destacar no mercado regional. Para Edicleuma Santana, apicultora e integrante da agroindústria local, os ganhos vão além do volume produzido. “Os equipamentos trouxeram mais segurança no processamento e garantem um produto de excelência. Isso é essencial para conquistar o consumidor e abrir novos mercados”, destaca.

    Foto: Divulgação Júlio Avelar

    Ela reforça que a base desse sucesso está na assistência técnica e nas boas práticas de manejo, garantindo que o mel mantenha características naturais e seguras desde o campo até o envase.

    Cooperação e sustentabilidade

    A organização dos produtores através da Coopermel tem sido fundamental para enfrentar desafios logísticos e naturais da Amazônia. A cooperativa já reúne dezenas de apicultores em expansão por diferentes municípios, fortalecendo a cadeia produtiva e criando oportunidades de renda.

    Além do impacto econômico, a atividade tem papel direto na preservação ambiental. Como depende das abelhas e da conservação da flora nativa, a apicultura incentiva o cuidado com a floresta e contribui para o equilíbrio do ecossistema amazônico.

    Com resultados cada vez mais visíveis, o mel do Amapá se consolida como símbolo de resistência, qualidade e sustentabilidade. Mostrando que inovação e cooperação podem transformar comunidades rurais e abrir novas perspectivas para o campo amazônico.

  • Biólogo transforma 1.200 colmeias em negócio sustentável e mira expansão global

    Biólogo transforma 1.200 colmeias em negócio sustentável e mira expansão global

    A apicultura paulista cresceu 22% em 2024, atingindo 6.772 toneladas de mel produzidas no estado. Por trás desse número, histórias como a de Celso Ribeiro Cavalcanti de Souza ajudam a explicar por que o setor virou estratégico para o desenvolvimento rural de São Paulo. Fundador da Estação do Mel, em Pindamonhangaba, ele construiu um modelo de negócio que une pesquisa de ponta, agronegócio e experiência ao consumidor.

    Foto: Divulgação

    A relação de Celso com as abelhas começou aos 10 anos, quando manejava uma pequena colmeia de abelhas sem ferrão no quintal de casa. Criado em uma região vizinha ao atual Instituto Biológico, antes chamado de Centro de Apicultura Tropical, ele transformou a curiosidade infantil em carreira. Formou-se técnico em agropecuária pelo Colégio Agrícola de Jacareí e, mais tarde, graduou-se em Biologia e Farmácia.

    O diferencial de Celso foi circular entre dois mundos que raramente se encontram: a pesquisa acadêmica e o trabalho braçal no campo. Durante 14 anos, ele atuou na Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), conduzindo o plantel de seleção genética de abelhas rainhas.

    “Trabalhei na prática como produtor e, simultaneamente, dentro do maior centro de pesquisa de abelhas africanizadas do mundo”, conta Celso. Enquanto avançava na ciência apícola, ele estruturava seus próprios apiários, chegando a manejar 1.200 colmeias com tecnologia de ponta.

    Estação do Mel: verticalização, turismo e inovação

    Localizada próxima ao eixo turístico de Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão, a Estação do Mel não se limita à produção de mel, pólen e própolis. A empresa aposta no turismo de experiência: visitantes participam de “um dia de apicultor”, com cafés da manhã temáticos e dias de campo.

    Foto: Divulgação

    Com a formação farmacêutica como trunfo, Celso desenvolveu linhas exclusivas de bebidas, vinho, cachaça e vinagre de mel, cosméticos como shampoos, cremes e sabonetes à base de produtos da colmeia, e tratamentos de apiterapia, que incluem ingestão de própolis, inalação do ar da colmeia e massagens detox com mel.

    São Paulo lidera, biodiversidade agradece

    Dados do Instituto de Economia Agrícola e da Defesa Agropecuária, da Secretaria de Agricultura, apontam mais de 235 mil colmeias de abelhas africanizadas distribuídas em 1.926 apiários, com produção anual de 5,15 mil toneladas. As abelhas nativas somam mais de 30 mil colmeias em mais de 3 mil meliponários.

    Para Carolina Matos, especialista ambiental da CATI, o avanço do setor combina geração de renda e conservação: “São Paulo vem mostrando que é possível crescer com responsabilidade ambiental. A apicultura e a meliponicultura geram emprego no campo, fortalecem a economia local e contribuem diretamente para a conservação ambiental, por meio da polinização e da preservação da biodiversidade.”

    Aos 56 anos, Celso não reduz o ritmo. “O futuro é transformar isso em uma grande empresa em nível mundial”, projeta. Sua trajetória comprova que o agronegócio paulista ganha força quando a ciência de laboratório encontra o suor do produtor rural . E quando um biólogo decide, desde criança, escutar o zumbido das abelhas.

  • Abóbora movimenta R$ 106 milhões e ganha espaço no Paraná

    Abóbora movimenta R$ 106 milhões e ganha espaço no Paraná

    A abóbora se consolida como uma das principais culturas da olericultura paranaense. Em 2025, o Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura alcançou R$ 106,5 milhões, segundo o boletim conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O cultivo está presente em 330 dos 399 municípios do estado, com produção de 50,7 mil toneladas em 2,8 mil hectares.

    Experimento no Oeste apresenta resultados 50% acima da média em produção de abóboras e contribui para a segurança alimentar da região. Foto: IDR-Paraná

    A região de Curitiba lidera os indicadores estaduais com 33,9% do total, seguida por Jacarezinho (12,6%) e União da Vitória (9,5%). No atacado da Ceasa Curitiba, o quilo da abóbora seca custa em média R$ 2,50, alta de 25% em relação a março de 2025.

    Para o agrônomo Paulo Andrade, do Deral, o cultivo da abóbora fortalece a renda de pequenos e médios produtores e amplia a diversificação das propriedades rurais. “O produto mantém preços estáveis e atende diferentes usos, especialmente na culinária”, explica.

    Milho e trigo mantêm ritmo de produção

    A colheita da primeira safra de milho 2025/26 alcança 54% da área total de 341 mil hectares, com expansão de 21,5% na área plantada em relação ao ciclo anterior. O Sudoeste do Paraná se destaca com alta de 55,1% no cultivo.

    Já o trigo reforça sua importância industrial: o estado possui capacidade de moagem de 4 milhões de toneladas, com 87% desse potencial utilizado em 2024 para atender à forte demanda interna.

    Proteínas e lácteos em ritmos distintos

    A suinocultura brasileira fechou 2025 com recorde histórico de 5,598 milhões de toneladas produzidas e exportadas. Em contrapartida, o setor lácteo paranaense enfrenta queda nos preços: o litro pago ao produtor atingiu média de R$ 2,11 em fevereiro.

    A pesca também mostra sinais de retomada, com a normalização das atividades após o fim do período de defeso (Piracema) em 28 de fevereiro.

    Mel paranaense lidera exportações

    O Paraná iniciou 2026 como o maior exportador nacional de mel “in natura”, com receita de US$ 1,608 milhão em janeiro. O setor de apicultura busca recuperação após o fim das tarifas recíprocas de 50% impostas pelos Estados Unidos. Com a taxa global reduzida para 15%, o mel paranaense volta a ganhar competitividade no mercado internacional.

    Segundo o Deral, o agronegócio do Paraná mantém projeções otimistas para 2026, com novos recordes esperados na produção de carnes e avanço da segunda safra de milho, que já cobre 62% da área estimada. O estado aposta no fortalecimento do parque moageiro e na expansão de mercados de nicho hortifrutigranjeiros para compensar a redução da área de culturas de inverno como o trigo.

  • Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Apicultura: pecuarista mineiro transforma curiosidade em negócio

    Osmério Fernandes Moreira trabalha há 30 anos com pecuária e agricultura em Guapé, no Sul de Minas Gerais. Há cinco anos, uma conversa casual com um hóspede transformou sua rotina e abriu portas para um novo mercado: a apicultura.

    Agricultor Osmério Fernandes, ao centro. Foto: Arquivo Pessoal

    “Aluguei meu rancho para três casais. Um dos rapazes me falou que aqui na região seria ideal para a criação de abelhas. Acatei a ideia por curiosidade e daí em diante fui montando os apiários e continuo até hoje”, conta o produtor.

    O agricultor iniciou a atividade com apenas uma colmeia. Atualmente, gerencia mais de 100 colmeias distribuídas entre Capitólio, Guapé e Pimenta. A produção anual ultrapassa 1,5 mil quilos de mel.

    Produtor supera desafios e conquista Selo Arte

    O desconhecimento sobre apicultura e a regularização da agroindústria Reserva do Imperador representaram os principais obstáculos na trajetória de Osmério. Com apoio técnico e dedicação, o apicultor venceu as adversidades.

    “Possuímos o Selo Arte, somos cadastrados no Cicanastra (Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande), que assegura a qualidade do nosso mel e do própolis. Agora a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paranaíba) me convidou para viabilizar um projeto de entreposto de mel e própolis no território da Canastra”, revela o produtor.

    Emater-MG presta assistência técnica e inspira outros apicultores

    Belchior Teixeira de Souza, coordenador técnico regional de pecuária da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), acompanha o desenvolvimento do negócio de Osmério.

    O técnico explica que a regularização valoriza o produto, atesta a qualidade sanitária e abre portas para o mercado formal. A certificação também permite o acesso a programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    “A história de Osmério inspira outros apicultores da região. Nós o convidamos para ministrar uma palestra durante o concurso de qualidade do mel que realizamos no ano passado. Os participantes conheceram sua trajetória, principalmente como superou os desafios e legalizou a agroindústria. Destaco ainda que ele demonstra grande envolvimento com as pautas ambientais”, afirma Belchior.

    Serra da Canastra reúne condições ideais para apicultura

    A Emater-MG incentiva a produção de mel e própolis na região da Serra da Canastra, principalmente por meio do Concurso Regional de Qualidade. Segundo Belchior, a flora preservada e o alto fluxo turístico criam condições favoráveis tanto para a criação de abelhas quanto para a comercialização dos produtos.

    A região atrai cada vez mais apicultores interessados em produzir mel de qualidade certificada e conquistar novos mercados no Sul de Minas Gerais.

  • Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores

    Mel seguro e de qualidade: nova cartilha ensina boas práticas aos apicultores

    O mel exige cuidado desde a retirada da colmeia até o envase final para manter a qualidade e garantir a segurança alimentar. Pensando nisso, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) lançou a “Cartilha Apicultura: Boas Práticas de Processamento”, que orienta apicultores sobre manejo adequado, higienização e prevenção de contaminações. O material está disponível gratuitamente na Livraria Virtual da Emater-MG.

    Segundo a publicação, o mel é um alimento natural produzido a partir do néctar das flores, e sua qualidade depende diretamente das plantas visitadas pelas abelhas, da pureza da água que consomem e dos cuidados do apicultor ao longo de todas as etapas de produção e processamento.

    De acordo com a cartilha, o produto deve manter as mesmas características que possuía dentro da colmeia. Uma vez perdida, a qualidade não pode ser recuperada, o que exige atenção constante aos critérios físicos, químicos e sensoriais, bem como ao cumprimento da legislação brasileira sobre alimentos de origem animal.

    “A produção de um mel seguro depende do manejo correto e do uso adequado das boas práticas durante a coleta, o transporte e o processamento, reduzindo os riscos de contaminações”, explica Márcia Portugal, coordenadora estadual de Pequenos Animais da Emater-MG e autora da cartilha.

    Principais riscos de contaminação

    O material técnico alerta sobre três tipos de contaminação:

    • Física, causada por materiais estranhos como terra, fragmentos de madeira ou insetos.
    • Química, decorrente de resíduos de detergentes, medicamentos ou agrotóxicos.
    • Biológica, provocada por microrganismos como leveduras e bactérias, que podem gerar fermentação e comprometer a segurança do consumidor.

    “Pequenos descuidos em equipamentos, instalações ou higiene da equipe podem inviabilizar o produto e trazer riscos à saúde pública”, destaca Portugal.

    Orientações sobre higienização e processamento do mel

    A cartilha reúne recomendações sobre limpeza de equipamentos, higiene da mão de obra e procedimentos adequados na colheita, transporte e extração do mel. O documento orienta a sanitização correta de pisos, paredes e superfícies com produtos apropriados e em concentrações seguras.

    No processamento, o mel passa por etapas como centrifugação, filtragem, decantação, envase e armazenamento. Cada fase deve respeitar parâmetros técnicos para evitar degradação dos açúcares e formação de substâncias indesejáveis, mantendo a pureza e a estabilidade do produto.

    Armazenamento e conservação

    O armazenamento adequado também é essencial. Para preservar o aroma, o sabor e as enzimas naturais, o consumidor deve guardar o mel em local seco, escuro e em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração. A cristalização é um processo normal e indica pureza, não defeito do produto.

    A apicultura mineira é praticada, em sua maioria, por pequenos produtores rurais. O estado reúne cerca de 7,5 mil agricultores familiares dedicados à produção de mel, própolis e derivados, com uma produção anual estimada em 7,6 mil toneladas. As principais regiões produtoras são o Centro, Centro-Oeste e Norte de Minas, segundo dados da Emater-MG.

  • Família mineira lança primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas

    Família mineira lança primeiro gin do Brasil com mel de abelhas nativas

    O sonho de uma vida tranquila em meio à natureza levou uma família de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a criar uma bebida inédita no país: o Gin Puhuk, primeiro destilado brasileiro elaborado com mel de abelhas nativas sem ferrão.

    Tudo começou quando Maria de Fátima Godinho e Ivan Correia de Souza compraram uma propriedade nas montanhas de Nova Lima para desfrutar a aposentadoria. A rotina pacata ganhou novo rumo após o filho, Lucas, convidá-los para um curso de produção de cerveja. O que era um passatempo acabou virando negócio: a família abriu uma microcervejaria e, depois, uma destilaria artesanal.

    Durante a pandemia de Covid-19, o projeto ganhou uma nova líder: Fernanda Godinho de Souza, filha do casal, que se formou como Master Distiller e decidiu criar um gin com identidade brasileira. “O gin me encanta pela relação com os botânicos e com a natureza. O mel trouxe uma doçura natural e uma assinatura única para a bebida”, conta Fernanda.

    Identidade e sabor brasileiro

    O gin é uma bebida destilada de base neutra aromatizada com botânicos como ervas, frutas e raízes. No Gin Puhuk, o zimbro mantém o toque tradicional, mas o diferencial está no mel produzido no próprio meliponário da família.

    Na linha Old Tom, Fernanda utiliza mel da abelha Jataí, apreciada pelas propriedades medicinais, e da Uruçu-Amarela, uma das maiores produtoras entre as espécies nativas. “Hoje temos 11 espécies em nosso meliponário. Elas garantem sabor, autenticidade e sustentabilidade ao produto”, explica.

    O nome “Puhuk” também reforça essa conexão com a natureza: significa “abelha” na língua indígena Machacali, de Minas Gerais.

    Produção local e apoio técnico

    O Gin Puhuk faz parte de um arranjo produtivo local com apoio da Emater-MG. A destilaria compra a maior parte dos botânicos de agricultores familiares da região, fortalecendo a economia local. Apenas o zimbro é importado.

    A extensionista da Emater-MG Adriene Patrícia Lemos destaca o papel da instituição no apoio às agroindústrias artesanais. “Acompanha-se desde a capacitação até a regularização dos empreendimentos. Nosso foco é garantir boas práticas e qualidade no processo produtivo”, afirma.

    Atualmente, o Gin Puhuk é vendido em feiras organizadas pela Emater-MG, em bares de Nova Lima e Belo Horizonte, e também pela internet. A cada garrafa, a família mineira reforça o compromisso com a inovação, o território e a biodiversidade.

  • Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Tarifas dos EUA ainda ameaçam milhares de empregos

    Mais de um terço das mercadorias brasileiras continua sob tarifas de 40% impostas pelos Estados Unidos, mesmo após a retirada de taxas sobre café, carne bovina e frutas há um mês. Produtores de mel, pescados, máquinas e calçados enfrentam riscos crescentes aos negócios e alertam para perdas de competitividade no mercado americano.

    O setor de pescados enfrenta um cenário de encolhimento, segundo a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescado). A entidade estima que o Brasil perdeu cerca de US$ 250 milhões em exportações de pescados aos Estados Unidos em 2025, após perder competitividade para países não tarifados.

    A situação é especialmente crítica para a tilápia. No início de 2025, até 99% da tilápia brasileira tinha como destino os Estados Unidos. Com as tarifas, a PeixeBR (Associação Brasileira da Piscicultura) projeta que esse percentual pode cair praticamente a zero.

    As mercadorias redirecionadas para o mercado interno e outros países encontram preços mais baixos, o que compromete a rentabilidade do setor.

    Calçados e máquinas projetam milhares de demissões

    A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) alerta que a permanência das tarifas pode gerar até 8 mil demissões em 2026. O setor já registrou 1.650 demissões em outubro devido à taxação. Nos últimos quatro meses, o volume de exportações de calçados brasileiros aos EUA caiu 23,4%.

    O setor de máquinas também sofre impacto significativo. A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) destaca que as tarifas geraram demissões em diversas empresas. A participação do Brasil no mercado americano despencou de 27% para 13%.

    A associação adverte que novos mercados não conseguem absorver o volume de vendas e as mesmas condições comerciais dos EUA no curto prazo. A demora no corte de impostos pode gerar substituição permanente dos produtos brasileiros por concorrentes estrangeiros.

    Pequenos produtores de mel enfrentam ameaça ao sustento

    A guerra comercial compromete principalmente pequenos produtores e agricultores familiares, que representam a maioria dos produtores de mel no Brasil. A Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel) ressalta que 53% do mel produzido no país tem como destino os Estados Unidos.

    A entidade pede que o governo solucione a taxação por meio de diplomacia estratégica, alertando para os riscos à cadeia produtiva.

    Café solúvel perde liderança no mercado americano

    A Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) aponta “risco de perda permanente de mercado”. Os EUA são o principal destino do café solúvel brasileiro, mas as vendas ao país caíram 52% em volume desde agosto, quando começou a taxação.

    Em outubro, a Rússia assumiu o lugar dos EUA como principal destino do café solúvel brasileiro. No entanto, o mercado russo não absorve a mesma demanda americana.

    Tarifaço teve redução parcial há um mês

    Trump anunciou a retirada de tarifas sobre café, carne bovina, frutas, suco de laranja, cacau e madeira em novembro, após meses de negociações com o governo brasileiro. O tarifaço havia atingido mais de 200 produtos.

    Atualmente, 36,5% dos produtos brasileiros seguem taxados, segundo a Câmara de Comércio Brasil-EUA. Máquinas, calçados, roupas, pescados, mel e café solúvel estão entre os itens que mantêm a sobretaxa de 40%.

    Brasil diversifica mercados e registra crescimento nas exportações

    O total de exportações agrícolas do Brasil cresceu 1,7% entre janeiro e novembro de 2025, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). As vendas aos EUA caíram 38% entre agosto e novembro, em comparação ao mesmo período de 2024.

    Carla Beni, economista da FGV, avalia que o impacto negativo das tarifas foi muito menor do que o esperado. A situação obrigou o Brasil a diversificar mercados, o que pode aquecer a economia do país.

    “Quanto mais parceiros comerciais, melhor”, afirma Beni. A maior presença de produtos brasileiros em novos mercados, como a Europa, pode facilitar novos acordos comerciais, como o esperado entre União Europeia e Mercosul.

    Café prevê retomada de vendas em 2026

    O CNC (Conselho Nacional do Café) projeta que a queda de 30% nas exportações aos EUA deve ser retomada no ano que vem. O otimismo se baseia na queda dos impostos e nos baixos estoques no país norte-americano.

    Silas Brasileiro, presidente do CNC, explica que o café não tem validade curta, o que permitiu que produtores estocassem parte das sacas até a solução do problema. Ele destaca que a diversificação de destinos muda para sempre a dinâmica setorial e reduz a dependência futura dos Estados Unidos.

    Setor de carnes mostra resiliência e redireciona vendas

    A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) já registra retomada de vendas após a queda de tarifas. O setor tinha grande presença em muitos países antes das taxações.

    Para evitar 50% de impostos sobre mercadorias nos EUA, 60 mil toneladas foram rapidamente redirecionadas para mais de 160 destinos, incluindo Ásia, Europa, Chile e Rússia.

    A troca de compradores apertou o lucro, mas o setor mostrou resiliência. “De janeiro a novembro já exportamos 244,5 mil toneladas e US$ 1,4 bilhão para os EUA, superando todo o resultado de 2024”, destaca Roberto Perosa, presidente da Abiec. O setor espera recuperação total do volume de vendas de 2024 durante 2026.

    Tarifas elevam preços nos EUA

    Ulisses Ruiz de Gamboa, professor de Economia do Insper, explica que a taxação de produtos estrangeiros aumentou preços de itens do cotidiano dos americanos, como café, hambúrguer e suco de laranja.

    O professor ressalta que a maioria dos exportadores brasileiros conseguiu encontrar alternativas. O maior impacto no Brasil ficou localizado em setores específicos que tinham exportação dependente dos EUA.

  • Produção de mel cresce e impulsiona renda de agricultores familiares

    Produção de mel cresce e impulsiona renda de agricultores familiares

    A apicultura vem ganhando espaço no município de Carlinda, no norte de Mato Grosso, onde famílias da agricultura familiar estão descobrindo no mel uma fonte de renda sustentável e uma aliada da conservação ambiental. Em uma região já conhecida pela pecuária leiteira e fruticultura, a produção de mel vem se consolidando como nova frente econômica e fortalecendo o campo com mais oportunidades.

    Foto: Seaf/Empaer

    Nos últimos anos, o avanço da atividade tem sido impulsionado por investimentos e pelo acompanhamento técnico que ajudam produtores a aprimorar suas práticas. Apenas em Carlinda, a agricultura familiar recebeu R$ 3,8 milhões entre 2019 e 2025 em equipamentos, insumos e maquinários. Parte desse investimento foi destinada à apicultura. Com a entrega de 6 mil caixas de abelha e mil kits completos de apicultor. Cada kit contém traje, luvas, formão, botas e fumegador, para pequenos produtores em todo o estado.

    Segundo o extensionista da Empaer, Antônio Carlos Carneiro, a chegada dos equipamentos transformou a atividade local. “A apicultura está ganhando força na região. Conseguimos organizar um grupo de produtores, unir famílias e estimular trocas de conhecimento. Hoje, já são 35 apicultores no município, com 180 caixas distribuídas e produção crescente”, afirma.

    Parceria

    A extensionista Viviane Saches Passos ressalta que a parceria entre a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT) e a Empaer fortalece a cadeia produtiva. “As políticas públicas da Seaf, somadas à assistência técnica da Empaer, estão gerando resultados concretos. Pequenos apicultores, como o senhor Valdete, passaram a comercializar o mel de forma estruturada e ampliar a renda”, explica.

    Foto: Seaf/Empaer

    Exemplo disso é o Sítio Salmos 24, onde o produtor Valdete Pimenta Lopes e sua esposa, Ângela Maria Rodrigues da Silva, fizeram da apicultura mais do que uma profissão, mas um novo modo de vida. Com dois apiários e 60 colmeias espalhadas em 45 hectares, o casal produz mel de qualidade, em meio a áreas de mata nativa e frutíferas. “O mel trouxe renda e satisfação. Aprendemos muito com o acompanhamento técnico e hoje conseguimos investir mais na produção”, conta o produtor.

    A expansão da apicultura em Mato Grosso reforça um modelo produtivo de baixo impacto ambiental, que incentiva a polinização e contribui para o equilíbrio ecológico. Além de gerar renda no campo, o mel vem se firmando como símbolo de um futuro mais sustentável para centenas de famílias da agricultura familiar no estado.

  • Apicultura impulsiona geração de renda no Alto Jequitinhonha

    Apicultura impulsiona geração de renda no Alto Jequitinhonha

    A apicultura vem se consolidando como uma alternativa sustentável de renda para agricultores familiares no município de Couto Magalhães de Minas e em outras comunidades do Alto Jequitinhonha, em Minas Gerais. O avanço é resultado do projeto “Produção de Mel e Própolis Verde no Alto Jequitinhonha”. Desenvolvido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado (Emater-MG), em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, a Codevasf e a Associação dos Apicultores de Couto de Magalhães de Minas (Apicouto).

    O projeto tem transformado a realidade local. Desde 2015, cerca de 100 apicultores da região foram beneficiados com assistência técnica, equipamentos e capacitações voltadas ao fortalecimento da atividade. Segundo o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Assis Antônio Vieira, o apoio foi essencial para superar desafios como a falta de recursos e as dificuldades na comercialização do mel e da própolis. “A parceria tem gerado emprego, renda e valorização dos produtos locais”, destaca.

    Geografia propícia

    De acordo com o extensionista da Emater-MG, José Dilson Pereira Coelho, as condições geográficas da região são ideais para a criação de abelhas e a qualidade da produção. “O aproveitamento da florada nativa e a diversificação da produção têm garantido um mel de alto valor agregado, com sabor e aroma únicos, representando a biodiversidade local”, afirma.

    Na atividade há mais de 10 anos, o presidente da Apicouto, André Marcos da Silva, reforça os resultados positivos. A associação, que hoje reúne 20 produtores e mais de 400 colmeias de abelhas africanizadas, é responsável pelo beneficiamento e pela comercialização dos produtos. “A capacitação reduziu o desperdício, aumentou a qualidade e abriu novos mercados, especialmente nas feiras da região”, comenta.

    Outro beneficiado é Osvaldo Aparecido de Meira, do Apiário Paineira. Ele relata que o apoio recebido permitiu dar continuidade ao negócio. “A doação de equipamentos veio em boa hora e ajudou muito a manter a atividade”, afirma.

    Sustentabilidade e fortalecimento da economia local

    Além de promover geração de renda, o projeto também incentiva práticas sustentáveis no campo. As ações da Emater-MG incluem manejo orgânico, preservação da vegetação nativa e diversificação de floradas, fortalecendo a atividade apícola e a agricultura familiar.

    O secretário Assis Antônio reforça que o trabalho em parceria consolida a apicultura como um dos setores mais promissores da economia local. “A união entre Emater, prefeitura, Senar, Codevasf e Apicouto é essencial para garantir continuidade, apoio técnico e segurança aos produtores”, ressalta.

  • Suplementos: Anvisa proíbe “melzinho do amor” Power Honey

    Suplementos: Anvisa proíbe “melzinho do amor” Power Honey

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária baixou o martelo nesta sexta-feira (28/11) contra mais um produto que prometia maravilhas sem entregar nada além de risco à saúde. O Suplemento Alimentar em Líquido Power Honey, fabricado pela Alemed Nutracêutica Indústria e Comércio Ltda, teve sua comercialização, distribuição, fabricação e até divulgação suspensas imediatamente.

    A decisão não veio do nada. Durante análises de rotina, técnicos da Anvisa identificaram que o produto continha níveis de benzoato de sódio e sorbato de potássio bem acima dos limites considerados seguros para consumo humano. Esses conservantes, quando consumidos em excesso, podem causar desde alergias até problemas mais sérios de saúde.

    Mas o problema não para por aí. O rótulo do Power Honey vinha estampado com alegações terapêuticas que nunca foram comprovadas ou autorizadas pela agência reguladora. Termos como “estimulante natural” aparecem na embalagem sem nenhum respaldo científico, criando expectativas falsas nos consumidores que buscam soluções rápidas para cansaço e falta de energia.

    A própria marca e o nome do produto foram desenhados pra sugerir benefícios que ele simplesmente não pode garantir. É aquela velha história: marketing bonito, produto questionável.

    Por que suplementos “milagrosos” não funcionam (e nunca vão funcionar)

    O caso do Power Honey levanta uma questão que especialistas em nutrição repetem há anos, mas que muita gente ainda ignora: não existe atalho quando o assunto é nutrição. Aquela cápsula colorida ou aquele líquido “energético” nunca vão fazer pelo seu corpo o que um prato equilibrado faz.

    Vamos aos fatos. Quando você consome uma laranja, por exemplo, seu organismo não absorve apenas vitamina C isolada. Junto vem uma complexa rede de fibras, flavonoides, carotenoides e dezenas de outros compostos bioativos que trabalham em sinergia. Essa combinação natural potencializa a absorção dos nutrientes e gera benefícios que a ciência ainda está descobrindo.

    Foto: divulgação – Agência Brasil / Rafa NedderMeyer

    Agora compare isso com um suplemento. Ele te entrega uma versão isolada e sintética de um ou dois nutrientes, geralmente acompanhados de conservantes, corantes e estabilizantes. Seu corpo não reconhece aquilo da mesma forma. A biodisponibilidade, que é a capacidade do organismo de absorver e usar determinado nutriente, costuma ser muito menor quando o nutriente vem de fonte sintética.

    Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition mostrou que pessoas que consomem frutas e vegetais regularmente têm taxas de doenças cardiovasculares significativamente menores do que aquelas que tentam compensar com suplementos vitamínicos. Os pesquisadores concluiram que os benefícios vêm do “pacote completo” que os alimentos oferecem, não de substâncias isoladas.

    O problema das promessas terapêuticas não comprovadas

    Produtos como o Power Honey exploram uma zona cinzenta perigosa. Eles se posicionam como suplementos alimentares, mas fazem alegações que só medicamentos devidamente testados e aprovados poderiam fazer. Quando um rótulo diz que algo é “estimulante natural” ou “melhora o desempenho”, ele está prometendo efeitos terapêuticos específicos.

    Foto: Rodarte/Agência Agro em Campo

    Isso é ilegal por uma razão simples: sem estudos clínicos robustos, não há como garantir que o produto realmente funciona ou que é seguro. E mesmo que alguns ingredientes tenham propriedades benéficas quando consumidos em alimentos, concentrá-los em forma de suplemento pode criar riscos inesperados.

    Os conservantes encontrados em excesso no Power Honey ilustram bem esse ponto. Benzoato de sódio e sorbato de potássio são seguros em pequenas quantidades, mas em doses elevadas podem causar desde irritação gastrointestinal até reações alérgicas graves em pessoas sensíveis. E a empresa certamente sabia dos limites estabelecidos pela legislação.

    Comida de verdade: sem truques, sem atalhos

    Nutricionistas são unânimes: a melhor fonte de nutrientes sempre será comida de verdade. Aquela couve no vapor, aquela beterraba assada, aquele punhado de castanhas. Parece simples demais pra ser verdade? Pois é exatamente por isso que funciona.

    Alimentos integrais trazem benefícios que vão muito além da soma dos seus nutrientes individuais. As fibras das frutas, por exemplo, regulam a velocidade com que o açúcar entra na corrente sanguínea. Os antioxidantes dos vegetais verdes escuros protegem suas células de danos oxidativos de maneiras que suplementos isolados não conseguem replicar.

    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    Tem mais: comer alimentos variados garante que você está consumindo nutrientes que talvez nem saiba que precisa. A ciência da nutrição ainda está descobrindo compostos bioativos novos em alimentos que consumimos há séculos. Quando você aposta tudo em suplementos, você perde essa diversidade protetora.

    Um exemplo prático: estudos mostram que o licopeno do tomate cozido é melhor absorvido quando consumido junto com azeite de oliva. Essa sinergia natural não existe quando você toma uma cápsula de licopeno isolado. Seu corpo foi desenhado pra processar alimentos, não pílulas.

    E quando suplementos realmente são necessários?

    Claro, existem situações específicas onde suplementação faz sentido. Gestantes precisam de ácido fólico. Pessoas com deficiências diagnosticadas podem precisar de ferro ou vitamina B12. Quem vive em regiões com pouca exposição solar pode precisar de vitamina D.

    Mas esses casos devem ser avaliados por profissionais de saúde através de exames e acompanhamento. Não é algo que você decide sozinho no corredor do supermercado porque viu um rótulo bonito prometendo “energia natural” ou “vitalidade renovada”.

    A diferença fundamental é que nesses casos a suplementação é terapêutica e monitorada, não uma aposta de marketing disfarçada de solução mágica.

    O que fazer agora com o Power Honey?

    Se você comprou o produto, a recomendação da Anvisa é clara: pare de consumir imediatamente. A empresa Alemed Nutracêutica foi notificada e deve recolher todas as unidades do mercado, mas consumidores também precisam fazer sua parte.

    Quem teve reações adversas após consumir o Power Honey deve procurar atendimento médico e notificar a Anvisa através do sistema de notificações da agência. Isso ajuda a mapear os impactos reais do produto e proteger outras pessoas.

    E fica o aprendizado: antes de colocar qualquer suplemento na boca, pesquise. Procure saber se a empresa é confiável, se o produto tem registro na Anvisa, se as alegações fazem sentido científico. E, sempre que possível, prefira investir num mercadinho cheio de frutas e verduras do que em promessas engarrafadas.

    Seu corpo vai agradecer. Sua carteira também.