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  • UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    UE começa auditoria no Brasil a dias de possível bloqueio às exportações

    Técnicos da União Europeia (UE) iniciam nesta segunda-feira (24) uma missão de duas semanas no Brasil para avaliar os sistemas de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. A visita acontece a poucos dias da entrada em vigor de uma medida que pode interromper parte das exportações brasileiras de produtos de origem animal ao bloco.

    O principal foco da missão será verificar como o Brasil controla o uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. A avaliação poderá pesar no processo para que o país volte a integrar a lista de fornecedores considerados aptos a exportar esses produtos para o mercado europeu.

    A medida europeia passa a valer em 3 de setembro e alcança categorias como carne bovina, carne de aves, pescado e mel. A decisão de retirar o Brasil da lista foi tomada em maio e posteriormente formalizada em regulamento publicado pela Comissão Europeia. O bloco alegou não ter recebido garantias suficientes sobre o cumprimento das exigências relacionadas ao uso de determinados medicamentos antimicrobianos.

    Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que as negociações técnicas continuavam e afirmou que o Brasil não havia pedido flexibilização das normas sanitárias europeias, mas buscava demonstrar o cumprimento integral das exigências do mercado.

    Setor de aves espera resultado positivo

    Entre representantes da cadeia de aves, a expectativa é de que a auditoria transcorra sem grandes problemas.

    Segundo fontes ouvidas sob reserva, as empresas que vendem para a Europa já adotam há bastante tempo procedimentos específicos para esse mercado, incluindo a segregação dos animais destinados à UE e a não utilização de antimicrobianos como promotores de crescimento.

    A inspeção, portanto, será uma oportunidade para que os técnicos europeus acompanhem essas práticas diretamente nas unidades brasileiras.

    Ainda assim, um eventual retorno do país à lista de exportadores autorizados dependerá exclusivamente de uma nova decisão das autoridades europeias.

    Exportações podem ser interrompidas em setembro

    Mesmo com a presença da missão no país, existe a possibilidade de os embarques serem interrompidos a partir de 3 de setembro, ainda que temporariamente.

    Equipes oficiais que atuam nos frigoríficos já receberam orientação para não certificar, a partir dessa data, mercadorias que não estejam em conformidade com os requisitos europeus referentes ao uso de antimicrobianos.

    A legislação que retira o Brasil da relação de fornecedores habilitados tem aplicação prevista justamente para 3 de setembro de 2026.

    Para que o país volte à lista, será necessária uma decisão do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff), ligado à Comissão Europeia. Reuniões extraordinárias podem ser convocadas, mas o próximo encontro regular está previsto apenas para novembro, segundo fonte a par das negociações.

    Mercado europeu movimenta milhões para o frango brasileiro

    O impasse ocorre em um mercado relevante para a avicultura nacional.

    Em 2026, o Brasil já exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, com faturamento próximo de US$ 680 milhões, segundo dados do Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.

    Somente em julho, os embarques alcançaram 36,8 mil toneladas, movimentando aproximadamente US$ 104,2 milhões.

    Uma interrupção nas vendas, portanto, pode afetar frigoríficos habilitados para atender ao mercado europeu, mesmo que a paralisação seja revertida posteriormente.

    Missão vai visitar empresas em três estados

    A agenda dos técnicos europeus começa com reuniões com representantes do Ministério da Agricultura em Brasília.

    Na sequência, a equipe deve visitar quatro empresas de carne de aves habilitadas a exportar para a União Europeia, localizadas no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

    A missão também inclui inspeções em apiários paranaenses, uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo e agências estaduais de defesa agropecuária.

    Os representantes europeus permanecem no Brasil até 4 de setembro, quando está prevista uma reunião de encerramento em Brasília.

  • Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    Brasil pode voltar à lista de exportadores da UE em 2026

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (18) que acredita que o Brasil será reincluído ainda em 2026 na lista de países autorizados a exportar proteínas animais e derivados para a União Europeia (UE).

    A expectativa ocorre após o bloco europeu retirar o Brasil da relação de países autorizados a fornecer determinados produtos de origem animal. A medida, relacionada às exigências sobre o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas, está prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

    No entanto, a eventual reinclusão na lista não significa que todas as cadeias voltarão a exportar imediatamente.

    Carne bovina pode demorar mais para retornar

    André de Paula explicou que o prazo para a retomada dos embarques dependerá do ciclo de produção de cada cadeia animal.

    No caso da carne bovina, por exemplo, o ministro afirmou que não há expectativa de retorno imediato, porque o ciclo de produção do gado é mais longo.

    “O que nós estamos brigando é para que nós sejamos reincluídos na lista porque na lista, quando inclui um país, não quer dizer que vai comprar do país, quer dizer que o país está habilitado a lhe fornecer. Se voltarmos, como vamos voltar à lista, aí você terá a sinalização para que, em tendo a carne nas condições em que o mercado europeu exige, você fornece”, afirmou em entrevista à rádio Nova Brasil Recife.

    O ministro também destacou que a reinclusão depende da adequação dos produtos brasileiros às exigências sanitárias europeias.

    “A luta no primeiro momento, que estamos trabalhando e tenho certeza que vamos ter sucesso, é para realistar o Brasil. No segundo momento, vamos ter o produto de acordo com as exigências colocadas pelo mercado europeu e vamos voltar a fornecer nossa carne bovina, nossas aves, nosso pescado, nosso mel, nossos ovos”, acrescentou.

    Exigências sobre antimicrobianos

    A retirada do Brasil da lista europeia está relacionada à necessidade de comprovação de que os requisitos do bloco sobre antimicrobianos são cumpridos ao longo da cadeia produtiva.

    A questão envolve mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade capazes de demonstrar a conformidade dos produtos destinados ao mercado europeu. A decisão europeia não equivale, por si só, à constatação de contaminação da carne brasileira.

    Além disso, o ministro salientou que ficar fora da lista pode gerar impactos além do mercado europeu.

    Outros países podem seguir exigências da UE

    Segundo André de Paula, entre 10 e 18 países também seguem exigências sanitárias baseadas nas regras europeias e poderiam adotar medidas semelhantes.

    “A União Europeia é um mercado importante e muitos países regulam as exigências sanitárias que fazem a partir da regulação da UE. Não poder fornecer para a UE tem como implicação também não fornecer para [uma lista de] 10 a 18 países que seguem essas regras. Ainda não estão definidos, mas como seguem as regras, podem seguir no mesmo caminho”, afirmou André de Paula.

    Recentemente, a Noruega decidiu acompanhar a decisão europeia e não comprar os produtos a partir de 3 de setembro.

    Governo espera retomar fornecimento

    Questionado sobre o restabelecimento do fornecimento, o ministro disse que a normalização do comércio pode demorar para algumas cadeias.

    “Trabalhamos para realistar, sim, nesse semestre. O fornecimento depende muito do período da cadeia”, completou.

    “Imagino que a carne bovina não [volte em setembro] porque temos um ciclo do boi muito maior que o da ave. Essas pactuações permitem que rapidamente, como o ciclo da ave é 45 dias, possamos ter aves que estejam aptas a voltar a ter o status de estar na lista de países que fornecem a Europa”, explicou.

    Negociações envolvem diferentes áreas do governo

    André de Paula afirmou que o governo brasileiro trabalha em diferentes frentes para tentar solucionar a questão.

    Segundo ele, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura participa das negociações técnicas, enquanto o chanceler Mauro Vieira atua na frente diplomática e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa das negociações em nível de Estado.

    “Estamos trabalhando intensamente para que isso [interrupção no fornecimento] não ocorra. Tenho expectativa favorável em relação a essa questão”, disse.

    “É uma questão tão importante que envolve todos os níveis do governo (…) Tem a esfera diplomática, e o chanceler Mauro Vieira está envolvido, e próprio presidente Lula participa dessas questões com negociações diretas com as maiores autoridades da comunidade europeia. É um esforço que envolve o país todo”, completou.

    Ministro cita interesses comerciais nas negociações

    André de Paula disse ainda que “por trás das questões técnicas tem questões econômicas e políticas” e, por isso, as negociações são intensas.

    “A carne bovina brasileira tem competitividade enorme. Muitos países da Europa têm carne oito vezes mais cara que a nossa. É evidente que por trás de exigências sanitárias também existem interesses que a gente compreende. Todo país luta para proteger seus produtores e isso exige diálogo”, explicou.

    O ministro também lembrou que há interesses de países europeus em manter o comércio de seus produtos com o Brasil e afirmou que o governo brasileiro possui “instrumentos importantes” nas negociações.

    “A França tem interesse na exportação de vinho, a Espanha do azeite. Todos têm seu interesse. É uma pactuação que envolve o governo todo”, concluiu.

  • Impressionante: abelhas voam mais de 80 mil km para produzir mel

    Impressionante: abelhas voam mais de 80 mil km para produzir mel

    Para produzir uma única libra de mel, as abelhas de uma colmeia visitam cerca de dois milhões de flores e voam mais de 80 mil quilômetros. Essa é uma distância equivalente a mais de duas voltas ao redor do planeta. A conta transforma um item comum de supermercado em um verdadeiro recibo de trabalho coletivo.

    Foto: Cistina Gallo/Epagri SC

    Organizações de apicultura repetem amplamente esse número, mas ele funciona como aproximação, não como medida exata. O Canadian Honey Council calcula um valor mais próximo de 2,6 milhões de flores, a partir de estudos de campo mais antigos, e destaca que os valores usados nesse cálculo representam médias. A ordem de grandeza, porém, permanece a mesma.

    Cada abelha coletora visita entre 50 e 100 flores por viagem antes de retornar à colmeia para descarregar o néctar. Nesse ritmo, as operárias somam entre 20 mil e 40 mil viagens de coleta para completar os dois milhões de visitas.

    A escala individual revela a dimensão do esforço: ao longo de toda a vida, uma abelha operária produz apenas um doze avos de colher de chá de mel.

    Uma vida curta dedicada ao trabalho coletivo

    As abelhas nem dedicam toda a vida à coleta de néctar. Uma operária de primavera ou verão vive, em geral, entre seis e oito semanas. Ela passa as primeiras três semanas realizando tarefas dentro da colmeia e só começa a forragear mais tarde, embora esse tempo varie conforme as necessidades da colônia.

    Os dois milhões de flores, portanto, não resultam do esforço de uma única abelha incansável. Eles representam o trabalho de uma força coletiva, rotativa e de vida curta.

    As distâncias dividem opiniões entre pesquisadores

    A distância percorrida gera mais controvérsia entre as fontes. Um número frequentemente citado aponta que as abelhas de uma colmeia voam mais de 88 mil quilômetros para produzir uma libra de mel. Ou seja, o equivalente a pouco mais de duas voltas completas ao redor da Terra, cuja circunferência soma cerca de 40 mil quilômetros no equador.

    Foto: divulgação – Secretaria de Agricultura de SP

    Outras fontes citam números ainda maiores, próximos de 145 mil quilômetros. Essa diferença resulta de estimativas distintas, não de métodos de medição diferentes. Diversas publicações apresentam o valor maior como a distância que uma única abelha precisaria voar, mas nenhuma abelha produz uma grama de mel sozinha. Trata-se de outra estimativa do voo total agregado da colônia, baseada em médias arredondadas diferentes.

    Fatores como a quantidade de néctar transportada por viagem, o teor de açúcar do néctar, a distância das flores em relação à colmeia e a quantidade de água que precisa evaporar durante a produção do mel alteram o resultado em dezenas de milhares de quilômetros.

    A dança que reduz o esforço das abelhas

    Uma colônia perderia muito mais energia de voo se cada abelha precisasse descobrir boas flores sozinha. Para evitar esse desperdício, as abelhas compartilham informações por meio da chamada dança do requebrado (waggle dance), um movimento em formato de oito decifrado pelo cientista Karl von Frisch, descoberta que lhe rendeu parte do Prêmio Nobel em 1973.

    A dança transmite informações sobre direção e distância. Experimentos modernos confirmam que a duração da parte vibratória do movimento varia conforme a distância até o alvo, enquanto o ângulo indica a direção do alimento em relação ao sol.

    Foto: Fernando Vivas / GOVBA

    Esse sistema de comunicação evita que os números fiquem ainda maiores. Quando pesquisadores impediram colônias de acessar as informações úteis da dança, as abelhas passaram a forragear mais longe das colmeias. A dança recruta operárias para áreas de coleta mais próximas e concentra o esforço coletivo.

    Assim, independentemente do número exato adotado, o panorama geral não muda. Um pote de mel na prateleira da cozinha carrega uma libra de voo concentrado: cerca de dois milhões de visitas a flores e quilômetros suficientes para dar ao menos duas voltas no planeta, produzidos fração por fração de colher de chá por gerações de operárias de vida curta.

  • Regularização da apicultura fortalece cadeia do mel

    Regularização da apicultura fortalece cadeia do mel

    A regularização da apicultura em Minas Gerais impulsiona a cadeia produtiva do mel, amplia a segurança sanitária e fortalece a confiança do consumidor. O trabalho conduzido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) abrange desde o cadastro de produtores até a fiscalização de estabelecimentos, criando um ambiente mais seguro e competitivo para o setor.

    Quem consome mel ou própolis raramente percebe a complexidade por trás da produção. No estado, o IMA monitora áreas de criação, controla o trânsito de abelhas e fiscaliza unidades de processamento. Essas ações estruturam a cadeia apícola e valorizam os produtores que atuam dentro das normas.

    Defesa sanitária e controle de doenças

    O IMA mantém o cadastro de apicultores e meliponicultores e exige a atualização periódica das informações sobre colmeias e abelhas-rainha. O órgão também emite a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para o transporte de abelhas em Minas Gerais.

    As medidas seguem o Programa Nacional de Sanidade Apícola (PNSAb), que atua na prevenção, monitoramento e controle de doenças e pragas, como o pequeno besouro das colmeias. Segundo o coordenador estadual do programa, Eduardo Lage, o controle sanitário permite mapear a atividade e definir estratégias mais eficientes de mitigação de riscos.

    Crescimento da formalização no setor

    O número de explorações apícolas e meliponícolas cadastradas no estado cresceu 145% entre abril de 2023 e maio de 2026, passando de 1.735 para 4.257 registros. O avanço reflete maior adesão dos produtores à regularização.

    De acordo com Eduardo Lage, o cadastro representa uma exigência legal e uma ferramenta essencial para proteger a atividade em situações de emergência sanitária. A rastreabilidade dos enxames, garantida pela emissão da GTA, permite respostas rápidas em casos de surtos ou pragas.

    Inspeção garante qualidade e segurança

    Os estabelecimentos que processam mel e derivados precisam de registro em serviços de inspeção municipal (SIM), estadual (SIE/IMA) ou federal (SIF). A exigência assegura fiscalização contínua e avaliação das condições sanitárias, além da qualidade das matérias-primas.

    A fiscal agropecuária Mariana Telles, da Gerência de Inspeção de Produtos de Origem Animal do IMA, destaca que a formalização reduz riscos de fraudes e amplia a oferta de alimentos seguros. Segundo ela, a rastreabilidade e a certificação aumentam a confiança do consumidor e abrem novos mercados para os produtores.

    Valorização e reconhecimento no mercado

    A regularização também impulsiona a valorização dos produtos apícolas. Um exemplo recente ocorreu no 25º Congresso Brasileiro de Apicultura (Conbrapi), realizado em Florianópolis, onde o mel do Apiário Âmbar, registrado no IMA desde 2020, conquistou o título de melhor do Brasil na categoria empresa.

    A diretora do apiário, Natálha Abreu, afirma que o acompanhamento técnico do instituto contribui para práticas sustentáveis e fortalece a credibilidade da marca junto a parceiros e consumidores.

  • Feira do Mel de Santa Catarina reúne 300 produtores

    Feira do Mel de Santa Catarina reúne 300 produtores

    Florianópolis recebe a 25ª Feira do Mel de Santa Catarina entre 10 e 13 de junho, no Largo da Alfândega. O evento reúne produtores, associações e instituições da apicultura e meliponicultura e deve movimentar até 55 mil quilos de mel e derivados.

    Foto: Cristina Gallo

    A feira funciona das 8h às 19h, com encerramento antecipado no sábado (13), às 16h. Considerada uma das principais vitrines do setor no estado, a iniciativa conecta produtores diretamente ao consumidor, fortalece a agricultura familiar e amplia o acesso a produtos com origem garantida.

    Organização e expectativa de vendas

    A Faasc, Epagri, Secretaria de Estado da Agricultura e Prefeitura de Florianópolis organizam o evento, com apoio de Sebrae/SC, Faesc/Senar, UFSC, Cidasc e Alesc. A atuação conjunta dessas instituições consolida Santa Catarina como referência nacional na produção de mel.

    A estrutura contará com cerca de 600 m² e 35 estandes, representando mais de 300 produtores catarinenses. A organização projeta a comercialização entre 45 mil e 55 mil quilos de mel e produtos da colmeia durante os quatro dias.

    Preços e acesso ao consumidor

    Os visitantes encontrarão preços tabelados. O mel silvestre será vendido a R$ 40/kg e o mel de melato de bracatinga a R$ 55/kg. A venda direta elimina intermediários e favorece preços mais acessíveis.

    A programação inclui atividades gastronômicas, lançamentos de produtos e ações de difusão de conhecimento. O público também poderá conhecer colmeias de abelhas sem ferrão, ampliando o espaço da meliponicultura no evento.

    A feira ainda apresenta bebidas e alimentos produzidos à base de mel, reforçando o potencial de agregação de valor da cadeia produtiva.

    Produtos disponíveis

    Entre os principais itens comercializados estão:

    • Mel multifloral e monofloral
    • Mel composto
    • Mel de melato de bracatinga
    • Méis de abelhas sem ferrão
    • Mel em favos e mel cremoso
    • Própolis (extrato e in natura)
    • Pólen e geleia real
    • Cera de abelha e velas artesanais

    Também haverá produtos derivados e alimentos como bolos, cucas, pães, bolachas, trufas, alfajores e mel com nozes, além de cosméticos como sabonetes, shampoos, cremes e pomadas.

    Entre as bebidas, o público encontrará hidromel, cervejas, licores, cachaças, steinhaeger, chás e bebidas energéticas.

    Santa Catarina se destaca na apicultura

    Santa Catarina ocupa posição estratégica na produção nacional de mel. Dados da Cidasc (2024) indicam 13.401 apicultores e mais de 358 mil colmeias distribuídas pelo estado.

    Segundo o IBGE (2023), o estado é o 8º maior produtor do país, com 4.234 toneladas anuais. No mercado externo, ocupa a 3ª posição entre os exportadores brasileiros, com 5.476,8 toneladas embarcadas.

    A produtividade também chama atenção: 68 kg/km², muito acima da média nacional de 4,8 kg/km².

    Esse desempenho resulta da tradição dos produtores e do suporte técnico de instituições como Epagri, Cidasc, Senar e Sebrae, além da atuação da Faasc, que reúne 50 associações e representa mais de 2 mil produtores.

    Serviço

    • Evento: 25ª Feira do Mel de Santa Catarina
    • Data: 10 a 12 de junho, das 8h às 19h; 13 de junho, das 8h às 16h
    • Local: Largo da Alfândega, Florianópolis (SC)
    • Entrada: gratuita
  • FAESP reage a restrições europeias contra produtos brasileiros

    FAESP reage a restrições europeias contra produtos brasileiros

    A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) criticou as novas restrições da União Europeia contra produtos brasileiros. A medida afeta carnes, mel e outros itens de origem animal exportados pelo país.

    A entidade classificou a decisão como discriminatória e sem embasamento técnico ou científico. Além disso, afirmou que a iniciativa cria obstáculos ao comércio internacional. Segundo a FAESP, a União Europeia alterou unilateralmente condições discutidas durante décadas com o Mercosul. Para a federação, as novas exigências comprometem a previsibilidade das relações comerciais.

    A entidade argumenta que o bloco europeu justificou a medida com base no uso de antibióticos na produção animal. No entanto, a FAESP afirma que outros grandes exportadores utilizam produtos semelhantes.

    De acordo com a federação, países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia não sofreram restrições equivalentes. Por isso, a entidade vê tratamento desigual aos produtos brasileiros.

    Na avaliação da FAESP, a decisão revela uma postura protecionista. Segundo a entidade, o objetivo seria reduzir a competitividade da agropecuária brasileira no mercado internacional.

    A federação também destaca que o Brasil segue rigorosos protocolos sanitários. Além disso, afirma que a qualidade da produção nacional possui reconhecimento mundial.

    Segundo a entidade, o país desenvolveu um dos mais sólidos sistemas de controle sanitário do mundo. Esse modelo ajudou a consolidar o Brasil como referência na produção de proteína animal.

    A FAESP considera a medida uma agressão comercial e reputacional ao agronegócio brasileiro. Por isso, cobra uma atuação mais firme do governo federal nas negociações internacionais.

    Para a entidade, o Brasil precisa defender seus interesses comerciais com maior intensidade. Além disso, não deve aceitar medidas consideradas injustificadas.

    Ação com o Mercosul

    A federação também propõe uma ação conjunta dos países do Mercosul. Segundo a FAESP, Brasil, Argentina e Uruguai devem adotar uma posição unificada diante da decisão europeia.

    A entidade acredita que uma resposta coordenada fortalece o poder de negociação do bloco. Dessa forma, os países poderiam enfrentar as novas barreiras comerciais com mais eficiência.

    O presidente da FAESP, Tirso Meirelles, afirmou que os produtores rurais investem continuamente em qualidade, sanidade e sustentabilidade. Segundo ele, a diplomacia brasileira deve garantir tratamento justo ao setor. Meirelles também defendeu a preservação da competitividade conquistada pelo agronegócio nacional. Para ele, o setor precisa manter espaço nos mercados internacionais.

    Ao concluir a nota, a FAESP destacou o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar global. A entidade afirmou ainda que o respeito às regras do comércio internacional é essencial para manter as relações comerciais entre países e blocos econômicos.

     

  • Mel da agricultura familiar do Norte de Minas conquista Europa, EUA e Oriente Médio

    Mel da agricultura familiar do Norte de Minas conquista Europa, EUA e Oriente Médio

    O mel do Norte de Minas consolidou sua presença no mercado internacional e atingiu cerca de 350 toneladas exportadas desde 2022. Apenas nos primeiros meses de 2026, produtores da agricultura familiar já enviaram 42 toneladas para países como Suíça, Bélgica e Kuwait. Os dados são da Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), que coordena a comercialização externa.

    O produto tem como principal diferencial o perfil sensorial. As abelhas exploram uma área de transição entre Cerrado e Caatinga, o que gera méis com sabores únicos. Floradas de café, abacate e aroeira ampliam a variedade e agregam valor ao produto. O modelo de produção, próximo do artesanal, também atende à demanda internacional por alimentos sustentáveis e certificados.

    Certificação e acesso ao mercado

    O acesso ao mercado externo avançou com apoio técnico e qualificação dos produtores. O Sebrae Minas atua desde 2016 com capacitações, estratégias comerciais e participação em feiras. Em 2023, a entidade iniciou uma consultoria em parceria com a Coopemapi para entender o comportamento do consumidor europeu.

    O estudo identificou maior demanda por méis certificados, associados à alimentação saudável e propriedades funcionais. Em 2024, apicultores participaram de uma missão técnica na Suíça e observaram fatores decisivos para vendas, como embalagem e rotulagem nutricional. Segundo o analista do Sebrae Minas, Walmath Magalhães, a certificação fortalece a credibilidade do produto em mercados mais exigentes.

    Atualmente, os produtores buscam certificações como Naturland e Bio Suisse, consideradas entre as mais rigorosas da Europa. O Sebrae oferece suporte técnico para aprimorar o manejo e garantir padrões de produção mais sustentáveis.

    Produção em expansão

    O crescimento da apicultura já impacta a renda dos produtores. Em Bocaiuva, o apicultor Gilson Gonçalves Ferreira aumentou a produção em 15 vezes nos últimos sete anos. Ele saiu de 100 quilos a cada seis meses para 1,5 mil quilos no mesmo período, com crescimento médio anual de 10%.

    Os apiários se distribuem em propriedades próprias e áreas cedidas por parceiros, o que fortalece a cooperação entre produtores. A maior parte do mel tem origem em floradas nativas e de eucalipto. Para Ferreira, a entrada na cooperativa facilitou o acesso ao mercado externo e garantiu escala de comercialização.

    Desafios e estratégia de mercado

    O avanço individual acompanha o crescimento coletivo da apicultura na região. Mesmo com o aumento da demanda, o setor ainda enfrenta desafios como variações climáticas, que afetam a produção, e a necessidade de melhorar a gestão e o fluxo de caixa.

    A Coopemapi reúne cerca de 200 integrantes e completa dez anos em 2026. A entidade busca ampliar a participação no mercado internacional e planeja exportar mel já processado e com marca própria, agregando valor ao produto.

    Equilíbrio entre mercado interno e externo

    Apesar do foco nas exportações, os produtores também mantêm presença no mercado brasileiro. A estratégia inclui participação em feiras e fortalecimento do varejo nacional.

    O mercado europeu se destaca como um dos maiores consumidores globais de mel, com cerca de 20% da demanda mundial. O consumo per capita varia entre 500 gramas e 1,2 quilo por ano, muito acima da média brasileira, que fica entre 60 e 240 gramas. Esse cenário reforça o potencial de crescimento das exportações do mel do Norte de Minas.

  • Nem todo mel é igual: cor, sabor e textura denunciam a florada

    Nem todo mel é igual: cor, sabor e textura denunciam a florada

    A ideia de que todo mel é parecido ainda engana muita gente. Na prática, a cor, o sabor, o aroma e até a textura do produto variam conforme a florada visitada pelas abelhas, o que muda completamente o resultado final no pote.

    Mel claro não significa, automaticamente, mel melhor. O que define o perfil do produto é a origem botânica do néctar, além do manejo feito no apiário e das características naturais de cada planta.

    A flor manda no resultado

    As abelhas produzem mel a partir do néctar das flores, e cada espécie vegetal imprime traços próprios ao alimento. Por isso, um mel pode sair mais suave, mais escuro, mais encorpado ou mais aromático, dependendo da florada predominante na região.

    Esse detalhe faz diferença porque quebra uma leitura simplista do produto. A cor, sozinha, não serve como régua de qualidade. Dois méis com aparência diferente podem ser igualmente bons, cada um com características próprias e usos distintos.

    Cor não é sinônimo de qualidade
    (Foto: Aires Mariga/Epagri)

    Sabor, aroma e textura também mudam

    A variação não para na aparência. O sabor do mel acompanha a florada e pode ir de notas mais leves a perfis mais intensos, com aromas mais marcantes.

    Méis mais claros costumam ter gosto suave. Já os mais escuros tendem a apresentar sabor mais forte e personalidade sensorial mais evidente. Isso não representa defeito, mas sim uma assinatura natural da planta de origem.

    Outro ponto que costuma gerar dúvida é a cristalização. Quando o mel cristaliza, muita gente acha que ele estragou. Não é isso que acontece. O processo pode indicar apenas que o produto é puro, já que a formação de cristais depende da composição natural do mel.

    O impacto para o produtor

    Para o apicultor, essa diferença vai além da curiosidade. A florada influencia o perfil comercial do mel, o valor agregado e até o público que vai consumir aquele produto.

    Há méis com sabores mais delicados, que agradam a quem busca suavidade. Outros têm gosto mais forte e podem atrair consumidores que preferem características mais intensas. Ou seja, a florada ajuda a definir mercado, identidade e posicionamento.

    Na prática, isso exige atenção na produção e na comunicação com o consumidor. Explicar a origem do mel e suas particularidades pode valorizar o produto e evitar comparações injustas entre tipos diferentes.

    O que o consumidor precisa observar?

    Na hora da compra, o consumidor precisa olhar além da cor. A aparência pode chamar atenção, mas não entrega sozinha a qualidade do mel.

    O mais importante é entender que cada florada produz um resultado específico. É isso que faz um mel ser mais suave, outro mais forte, um mais claro e outro mais escuro. No fim, a diferença entre os méis começa muito antes da embalagem. Ela nasce nas flores, passa pelas abelhas e chega ao pote com identidade própria.

  • Conheça a abelha que produz mel vermelho

    Conheça a abelha que produz mel vermelho

    A abelha uruçu-nordestina vem chamando atenção por um detalhe que foge do comum: o mel avermelhado. A cor, que circulou nas redes sociais e despertou curiosidade, não aparece por acaso. Ela está ligada a uma combinação de fatores naturais que envolve a espécie, o ambiente e as plantas visitadas pelas abelhas.

    Um grupo essencial para os ecossistemas

    Essa espécie pertence ao grupo das abelhas sem ferrão, tão importantes para o equilíbrio dos ecossistemas. No Brasil, esse conjunto reúne mais de 250 espécies nativas e desempenha um papel essencial na polinização de culturas agrícolas e plantas silvestres. Além disso, também é responsável por produzir méis com características bem diferentes entre si.

    Onde vive a uruçu-nordestina

    A uruçu-nordestina, conhecida cientificamente como Melipona scutellaris, aparece em estados do Nordeste, como Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Ceará. Por isso, sua presença fica mais restrita a essas regiões, onde o clima e a vegetação ajudam a explicar parte da identidade da espécie.

    O que muita gente chama de mel vermelho, no entanto, também passa pela forma como a colmeia é construída. Segundo especialistas, as abelhas sem ferrão não usam apenas cera pura, como ocorre com algumas outras espécies. Elas produzem uma mistura chamada cerume, formada por cera e resinas vegetais coletadas no ambiente.

    Como a vegetação influencia a cor?

    Essa combinação muda bastante o aspecto das estruturas internas da colmeia. O cerume é usado para formar potes de armazenamento de mel, além de abrigar áreas de criação das larvas. Como as resinas variam conforme a vegetação disponível, a cor final também pode mudar.

    A tonalidade avermelhada aparece com mais frequência em áreas próximas a manguezais e restingas. Nesses locais, as abelhas visitam plantas específicas e coletam resinas que puxam essa coloração para o material da colmeia. Assim, o tom do mel ou do cerume acaba refletindo, em parte, o ambiente em que a abelha vive.

    Além disso, pesquisadores apontam uma relação direta entre essa coloração e a chamada própolis vermelha, outro produto natural bastante valorizado. Como ambos dependem da resina coletada nas plantas, a cor acaba funcionando quase como uma assinatura do território visitado pelas abelhas.

    Um sinal da biodiversidade local

    No fundo, o caso da uruçu-nordestina ajuda a mostrar como a natureza trabalha com detalhes que nem sempre passam despercebidos por quem observa com atenção. Um mel vermelho não é apenas uma curiosidade visual. Ele também revela a ligação entre biodiversidade, vegetação e os recursos que cada região oferece.

    Por outro lado, o interesse crescente por esse tipo de abelha reforça a importância da meliponicultura e da conservação das espécies nativas. Quando uma abelha sem ferrão ganha visibilidade, também ganha espaço a discussão sobre preservação, manejo adequado e valor ambiental.

    Muito além de uma curiosidade viral

    A uruçu-nordestina, portanto, chama atenção não só pelo mel raro, mas também pelo papel que desempenha na natureza. E é justamente essa mistura de beleza, função ecológica e particularidade local que explica por que ela voltou a viralizar.

  • Colheita de mel no RS chega ao fim e produtividade reduz em várias regiões

    Colheita de mel no RS chega ao fim e produtividade reduz em várias regiões

    A colheita de mel no Rio Grande do Sul se aproxima do fim ou já encerrou na maior parte do estado. Os apicultores enfrentam redução gradual da entrada de néctar, o que diminui a produtividade em algumas regiões.

    De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta semana, os produtores intensificaram os manejos para preparar as colmeias para o período de escassez. As ações incluem controle de enxameação e organização dos apiários. Apesar do cenário, algumas áreas ainda registram boa atividade das abelhas e resultados produtivos satisfatórios.

    Bagé e Pelotas mantêm bom desempenho

    Na região de Bagé, os apiários apresentam boas condições sanitárias. As abelhas continuam recebendo néctar e pólen de espécies do campo nativo e de alguns eucaliptos. Os produtores aproveitam os poucos dias secos para monitorar os enxames e realizar a colheita do mel acumulado durante o verão.

    Em Pelotas, a produção já superou a do ano anterior em cidades como Amaral Ferrador e Pinheiro Machado. Os enxames mostram alta atividade e intensificação da enxameação, o que indica bom desenvolvimento das colmeias. No Chuí e em Piratini, a extração de mel continua em andamento.

    Caxias do Sul e Passo Fundo registram queda

    O tempo seco predominante em Caxias do Sul favoreceu o trabalho das abelhas campeiras, mas a entrada de néctar diminuiu consideravelmente. Isso reduziu a postura das rainhas e deixou os enxames menos populosos. Os produtores que colheram mel no período observaram menor produtividade.

    Em Passo Fundo, a redução gradual das floradas, como carqueja, mata-campo, eucalipto e cipós, causa menor acúmulo de mel. Nas regiões de Ijuí e Frederico Westphalen, a colheita também se aproxima do fim, e os apicultores já manejam as colmeias para as temperaturas mais baixas e a escassez de floradas.

    Na região de Porto Alegre, a produção de mel aumentou devido à maior movimentação das abelhas e à boa entrada de néctar nas colmeias.

    Meliponicultura avança com mel de Jataí e própolis

    As condições climáticas favoráveis e a abundância de alimentos também beneficiam a meliponicultura na região de Porto Alegre. Os enxames seguem fortes, o que favorece a multiplicação das colônias.

    Municípios como Santo Antônio da Patrulha já comercializam mel de Jataí. O quilo do produto chega a R$ 230,00. Os preços variam conforme a espécie produtora e a oferta regional.

    A própolis também ganha espaço no mercado. Alguns meliponicultores estão produzindo extrato de própolis de abelhas sem ferrão. O produto apresenta potencial de crescimento devido aos compostos bioativos e aos benefícios à saúde.