Tag: Mato Grosso do Sul

  • Demanda por etanol impulsiona expansão histórica do sorgo

    Demanda por etanol impulsiona expansão histórica do sorgo

    O sorgo ganhou protagonismo na segunda safra de Mato Grosso do Sul e se firmou como peça estratégica no planejamento agrícola do Estado. O avanço da cultura, impulsionado pela demanda das usinas de etanol de milho, transformou o sorgo em uma escolha econômica planejada, e não mais em solução emergencial.

    Dados do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio), ferramenta gerida pelo Governo do Estado por meio da Semadesc em parceria com a Aprosoja, mostram que a área cultivada saltou de pouco mais de 5 mil hectares para quase 400 mil hectares em apenas cinco safras. Um crescimento superior a 7.700%.

    Expansão estratégica guiada pelo mercado

    O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, destaca que o avanço do sorgo “não é casual, é estratégia”. Segundo ele, a expansão reflete a força do mercado e a demanda das usinas de etanol instaladas em Mato Grosso do Sul. “O fator decisivo foi o surgimento de uma demanda estruturada, com contratos de compra que garantem previsibilidade e segurança econômica ao produtor”, afirma.

    De acordo com o SIGA, o salto mais expressivo começou na safra 2021/2022, quando o sorgo passou a ocupar áreas maiores e ganhar escala rapidamente. Após ajustes de adaptação, a cultura voltou a crescer com força em 2024/2025, praticamente dobrando sua área. Verruck explica que essa consolidação mostra que o sorgo já faz parte do planejamento da safrinha, especialmente em regiões de maior risco climático e janela curta após a soja.

    A consolidação das usinas de etanol de milho no Estado foi um divisor de águas para a cultura. Antes limitada pela falta de mercado, a produção de sorgo encontrou sustentação nas indústrias que agora firmam contratos diretos, garantem escala e oferecem condições logísticas adequadas. “O mercado passou a dar sustentação e a criar um ciclo virtuoso de crescimento”, ressalta Verruck.

    Mapa do avanço: regiões com maior expansão

    Os dados mais recentes do SIGA mostram que dez municípios concentram metade da área plantada de sorgo na segunda safra sul-mato-grossense. Entre os principais estão Ponta Porã, Maracaju, Bonito, Bela Vista e Sidrolândia.

    Esses polos agrícolas correspondem justamente às regiões onde o milho enfrenta maiores restrições de clima ou janela de plantio, e o sorgo surge como ferramenta eficaz de gestão de risco produtivo.

    Resistência e viabilidade garantem espaço

    Para o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, o crescimento do sorgo comprova sua viabilidade técnica e econômica na segunda safra. “Por ser mais resistente às intempéries e doenças, o sorgo se adapta melhor a áreas marginais, onde o milho teria mais dificuldade”, explica.

    Beretta acrescenta que a estrutura proporcionada pelas usinas, com contratos, mercado garantido e armazenagem, eliminou os maiores obstáculos históricos da cultura. “Essas condições dão segurança ao produtor e consolidam o sorgo como uma opção sólida dentro da rotação agrícola”, afirma.

    Mato Grosso do Sul entre os maiores produtores

    No cenário nacional, a Conab projeta que o Brasil ultrapasse 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, com Mato Grosso do Sul ocupando a quarta posição entre os principais estados produtores.

    Para Verruck, o caso de sucesso do sorgo em MS reflete o potencial da integração entre produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade. “Quando há mercado, contratos e visão de longo prazo, a produtividade cresce, o risco cai e o desenvolvimento se consolida”, resume.

  • Conheça a Nascente Azul, o local mais visitado em Bonito (MS)

    Conheça a Nascente Azul, o local mais visitado em Bonito (MS)

    A Nascente Azul encerrou 2025 como o atrativo turístico mais visitado de Bonito (MS), mantendo a liderança pelo sexto ano consecutivo. O parque registrou mais de 112 mil vouchers emitidos pelas agências de turismo da cidade, que recebeu 220.243 visitantes entre janeiro e setembro, consolidando-se como referência nacional em turismo sustentável.

    Foto: Divulgação Nascente Azul

    Durante dezembro, período de alta temporada, a flutuação da Nascente Azul destacou-se como a mais procurada do destino. Os números confirmam a preferência dos turistas: atualmente, um em cada três visitantes de Bonito escolhe o complexo para vivenciar o contato com a natureza preservada do Mato Grosso do Sul.

    Números recordes consolidam liderança no ecoturismo sul-mato-grossense

    Os atrativos turísticos de Bonito receberam 706.812 visitações entre janeiro e outubro de 2025, aumento de 0,98% em relação ao mesmo período de 2024. O crescimento reflete a força do ecoturismo na região da Serra da Bodoquena e reforça o protagonismo de Bonito como destino turístico de natureza.

    Aproximadamente 800 mil pessoas já vivenciaram as atrações do parque desde sua inauguração. O número cresce anualmente e demonstra o apelo das águas cristalinas e da biodiversidade preservada do cerrado brasileiro. O Aeroporto Regional de Bonito atingiu marca histórica em 2025, com 60.253 passageiros até novembro, facilitando o acesso ao destino.

    Flutuação em águas cristalinas atrai visitantes do Brasil e do exterior

    A principal atividade da Nascente Azul oferece experiência única de flutuação em águas transparentes. Os visitantes observam o colorido da fauna e flora subaquáticas, a diversidade de espécies de peixes nativos e a exuberância da mata nativa ao redor. A nascente impressiona pela intensa tonalidade azul e pela visibilidade excepcional, considerada uma das mais cristalinas do mundo.

    A maioria dos turistas vem de São Paulo (34,77%), Paraná (8,75%), Rio de Janeiro (8,17%), Santa Catarina (7,50%) e Rio Grande do Sul (6,79%). Entre os visitantes internacionais, destacam-se holandeses, paraguaios, norte-americanos e alemães.

    Infraestrutura completa oferece experiências para toda a família

    Além da flutuação, o complexo conta com balneário equipado para todas as idades. O lago de água corrente possui circuito de pontes suspensas, parque aquático flutuante e praia de água doce. Tirolesas aquática e convencional proporcionam adrenalina aos aventureiros, enquanto piscina ecológica, decks para banho e cascata garantem opções de lazer contemplativo.

    O Circuito de Aventura inclui o Pêndulo Humano e tirolesa panorâmica, atividades que oferecem a sensação de voar sobre árvores centenárias e quedas d’água. Trilhas interpretativas e mirantes estratégicos completam a estrutura, permitindo a observação de diferentes perspectivas do ecossistema local. Bar e restaurante atendem visitantes com cardápio que valoriza ingredientes regionais.

    Práticas sustentáveis colocam parque como referência nacional

    A Nascente Azul desenvolveu modelo de gestão ambiental baseado em estudos técnicos e investimentos contínuos em recuperação ecológica. O ecoturismo contribui para a conscientização ambiental e incentiva visitantes a adotarem práticas sustentáveis em suas vidas cotidianas.

    Toda a água utilizada no parque passa por Estação de Tratamento de Água (ETA), garantindo segurança sanitária e reduzindo desperdícios. Os efluentes recebem tratamento completo por meio de Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) dentro da propriedade, evitando qualquer impacto nos cursos d’água naturais.

    O complexo opera com sistema de energia solar fotovoltaica e realiza manejo completo dos resíduos orgânicos gerados no restaurante e bar. Mato Grosso do Sul reafirmou compromisso com neutralidade de carbono até 2030 e integração do turismo à economia de baixo carbono, e a Nascente Azul alinha-se a essas diretrizes.

    Atualmente, 95% da área da propriedade destina-se à preservação ambiental, enquanto apenas 5% recebe visitação controlada. Projetos contínuos de educação ambiental, programas de conservação e ações de sensibilização envolvem colaboradores, moradores locais e visitantes.

    Acessibilidade universal garante inclusão em ambiente natural

    A Nascente Azul estabelece-se como referência nacional em acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Bonito recebeu roteiro acessível e ações de capacitação para prestadores de serviços turísticos, consolidando o município como destino inclusivo.

    Foto: Divulgação Nascente Azul

    O espaço foi planejado nos mínimos detalhes para receber pessoas de todas as idades e condições físicas. Rampas de acesso, equipamentos adaptados, equipe treinada e sinalização específica garantem autonomia e segurança aos visitantes. O Ministério do Turismo cita o atrativo em cartilha oficial como exemplo de boas práticas em acessibilidade em ambientes naturais.

    Bonito conquistou pela 19ª vez o título de Melhor Destino de Ecoturismo do Brasil em 2025, reconhecimento que evidencia o trabalho conjunto entre iniciativa privada, poder público e sociedade civil na construção de um turismo responsável e inclusivo.

    Investimentos garantem excelência e segurança operacional

    A Nascente Azul investe continuamente em infraestrutura, segurança operacional e desenvolvimento de novas experiências. A gestão reafirma o compromisso com a excelência e a missão de proporcionar contato pleno com a natureza preservada do cerrado brasileiro.

    O ecoturismo sustentável une viagens responsáveis com práticas reais de conservação ambiental e fortalecimento comunitário. O modelo implementado pela Nascente Azul demonstra que é possível conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental, gerando benefícios para toda a região da Serra da Bodoquena.

  • Vietnã autoriza quatro novos frigoríficos brasileiros a exportar carne bovina

    Vietnã autoriza quatro novos frigoríficos brasileiros a exportar carne bovina

    O Vietnã autorizou mais quatro frigoríficos brasileiros a exportar carne bovina, elevando para oito o total de plantas habilitadas a atender o mercado do país asiático. A decisão veio após a conclusão da avaliação técnica das autoridades sanitárias vietnamitas, que confirmaram o atendimento aos requisitos de segurança alimentar e sanidade exigidos.

    Os novos frigoríficos estão localizados em Rondônia (2), Mato Grosso do Sul (1) e Tocantins (1). Eles se somam aos estabelecimentos já habilitados em Goiás (3) e Mato Grosso (1), ampliando a presença regional do setor nas exportações.

    Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as autorizações representam um passo importante na consolidação da carne bovina brasileira no mercado asiático. O Vietnã, que abriu seu mercado à carne brasileira em 2025, tem registrado forte crescimento no consumo de proteína animal. O que reforça o potencial de expansão das vendas.

    O Ministério da Fazenda destacou que, além do Vietnã, o Brasil avança nas negociações para ampliar destinos da carne bovina em mercados estratégicos como Indonésia, Filipinas e Arábia Saudita. Em 2025, o país já havia registrado aumento de 17% no volume exportado de carnes e derivados. Isso impulsionado pela reabertura de mercados e pela diversificação de compradores.

    Com as novas habilitações, a capacidade de oferta da carne bovina brasileira praticamente dobrou no Vietnã, fortalecendo a competitividade do produto e consolidando a parceria comercial entre os dois países. O governo brasileiro avalia que o avanço resulta do diálogo técnico constante e da política de abertura de novos mercados adotada pelo agronegócio nacional.

  • MS: prazo para registro da vacinação contra brucelose termina em 31 de dezembro

    MS: prazo para registro da vacinação contra brucelose termina em 31 de dezembro

    O prazo para registrar a vacinação contra a brucelose entra na reta final e ainda há 1.803 propriedades rurais em situação irregular no Mato Grosso do Sul, segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). Os dados atualizados até segunda-feira (15) mostram que 48.578 fêmeas foram vacinadas entre julho e dezembro, mas seguem sem registro no sistema e‑Saniagro.

    O diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold, alerta que o registro é obrigatório e influencia diretamente os índices de cobertura vacinal do Estado. “Sem o registro, a imunização simplesmente não existe para fins sanitários. O prazo para regularizar tudo termina em 31 de dezembro”, reforçou.

    Durante a atualização semestral de rebanhos, encerrada em novembro, a Iagro notificou todos os produtores com pendências tanto pelo sistema e‑Saniagro quanto por e-mail. Mesmo assim, milhares de propriedades ainda não concluíram o processo.

    Ingold destaca que a falta de registro pode gerar autuações e impedir o trânsito de animais, afetando a rotina produtiva e comercial das fazendas. “É fundamental que os produtores resolvam as pendências o quanto antes para evitar prejuízos”, afirmou.

    Procedimentos e orientações

    A vacinação é obrigatória para todas as fêmeas de 3 a 8 meses de idade, devendo ser aplicada por médico-veterinário cadastrado ou vacinador autorizado.

    A marcação segue o padrão nacional:

    • B19 – número “5”;
    • RB51 – letra “V” no lado esquerdo da face.

    Após a aplicação, o produtor deve registrar obrigatoriamente a vacinação no e‑Saniagro.

    Importância sanitária e econômica

    A brucelose é uma das doenças de maior impacto econômico na pecuária, comprometendo a produtividade e a comercialização do rebanho. Manter altos índices de cobertura vacinal é essencial para reforçar a credibilidade sanitária do Mato Grosso do Sul, estado em que o agronegócio é pilar da economia.

    Em caso de dúvidas sobre notificações ou registros, a Iagro orienta os produtores a procurar a Unidade Local mais próxima. Os contatos estão disponíveis no site oficial

  • Mato Grosso do Sul se consolida como nova fronteira da citricultura brasileira

    Mato Grosso do Sul se consolida como nova fronteira da citricultura brasileira

    Mato Grosso do Sul desponta como a nova potência da citricultura nacional. O 1º MS Citrus Summit, realizado em Três Lagoas nos dias 10 e 11 de dezembro, reuniu quase 400 participantes. E confirmou o avanço do Estado em um setor capaz de gerar até 10 mil empregos diretos. Além de transformar o perfil econômico de aproximadamente 30 municípios.

    O evento, promovido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), contou com apoio da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e da Prefeitura de Três Lagoas.

    Embora ainda não figure entre os maiores produtores nacionais, Mato Grosso do Sul vive uma expansão acelerada. Gigantes do setor como Cutrale, Cambuy, Frucamp, Agro Terena, Citrosuco e Grupo Junqueira Rodas já atuam ou iniciam implantação de pomares no território sul-mato-grossense.

    A Cutrale, maior empresa de suco de laranja do mundo, avança no plantio em Sidrolândia com projeção de atingir 8 milhões de caixas por safra quando em plena produção. Dados oficiais indicam que o Estado já ultrapassa 15 mil hectares de citros plantados, com mais 40 mil hectares em fase de implantação.

    Os investimentos se concentram em municípios estratégicos como Sidrolândia, Campo Grande, Terenos, Ribas do Rio Pardo, Dois Irmãos do Buriti, Aparecida do Taboado, Cassilândia, Três Lagoas, Bataguassu e Paranaíba.

    Tolerância zero ao greening garante diferencial competitivo

    O governador Eduardo Riedel destacou na abertura do evento a importância da construção de bases sólidas para o setor. “Temos grandes desafios. São oportunidades como esta que precisamos aproveitar para nivelar conhecimento. Podemos caminhar juntos em um setor que gera emprego, renda e novas oportunidades para nossa gente”, afirmou.

    Foto: Mairinco de Pauda

    A política estadual de tolerância zero ao greening,doença que já devastou pomares no Brasil e no mundo, representa um dos principais atrativos para investidores. A defesa sanitária rigorosa foi tema central da capacitação técnica realizada no dia 10 de dezembro, que reuniu equipes de 30 prefeituras, além de servidores da Agraer e Iagro.

    “O Estado tem clima, solo, isolamento produtivo e, desde o primeiro dia, apoio incondicional do Governo. O cenário é extremamente favorável para ter uma citricultura de alta produtividade e fruta de padrão premium”, avaliou Juliano Ayres, diretor executivo da Fundecitrus.

    Expansão sustentável sem desmatamento

    O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta, enfatizou o diferencial ambiental do modelo adotado em Mato Grosso do Sul. A expansão da citricultura ocorre exclusivamente por meio da conversão de áreas de pastagens, sem necessidade de desmatamento.

    “Temos 18 milhões de hectares de pastagens aptas para a transição para outras culturas. A citricultura é mais um exemplo de diversificação sustentável”, explicou Beretta.

    O secretário da Semadesc, Jaime Verruck, destacou a rapidez da consolidação do setor. “Rapidamente trouxemos os principais players e estruturamos nossas instituições com capacitação, fiscalização e orientação. Hoje, os pomares projetados já colocam MS como o terceiro Estado em área plantada”, afirmou.

    Entre os principais desafios identificados durante o Summit está a questão da mão de obra qualificada. O secretário Verruck apontou novas estratégias em desenvolvimento, incluindo estímulo à mecanização e absorção de trabalhadores indígenas, que já possuem experiência em colheitas de outras culturas em diferentes estados.

    Visita técnica revela práticas de alta tecnologia

    A programação do MS Citrus Summit foi encerrada na quinta-feira (11) com visita técnica à Fazenda Paraíso, próxima a Água Clara. A propriedade, que iniciou o plantio de forma modesta em 2007, hoje cultiva 230 hectares e possui quase 20 anos de tradição na fruticultura estadual.

    Foto: Mairinco de Pauda

    Os mais de 300 participantes conheceram métodos de manejo da laranja, tratamentos fitossanitários, características de porta-enxertos e variedades adaptadas à região, além do sistema de irrigação e produção de limão Tahiti. A fazenda destina frutas selecionadas para mercados de Campo Grande, Belo Horizonte, Ceasa de São Paulo, Rondônia e Manaus, enquanto produtos fora do padrão seguem para indústrias paulistas.

    A propriedade também serviu como modelo de gestão de recursos humanos, recebendo 80 trabalhadores sazonais, principalmente da região Nordeste, que permanecem cerca de dez meses com alojamento, alimentação e benefícios completos.

    “O momento foi essencial para que os participantes do MS Citrus Summit pudessem conhecer na prática uma citricultura já estabelecida e produzindo com alta tecnologia”, concluiu Beretta.

  • Briga de gigantes: sucuri ataca jacaré com abraço mortal

    Briga de gigantes: sucuri ataca jacaré com abraço mortal

    Pescadores que navegavam pelo Rio Ivinhema, em Mato Grosso do Sul, registraram um momento raro e impressionante da natureza: uma sucuri-verde (Eunectes murinus) predando um jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris). As imagens, que voltaram a circular nas redes sociais esta semana, mostram a cobra completamente enrolada em sua presa, em uma demonstração da força e da paciência características da espécie.

    https://www.instagram.com/reel/DHlnR8KRi1m

    No vídeo, é possível observar a sucuri mantendo o jacaré firmemente preso em seus anéis musculosos, aguardando que o réptil sucumba por asfixia. Segundo o autor das imagens, o embate entre os dois animais teria durado aproximadamente três dias, evidenciando a resistência de ambas as espécies e a estratégia de caça da sucuri.

    Embora o registro tenha sido divulgado inicialmente no início do ano, o material ganhou nova repercussão nas últimas semanas, chamando a atenção de especialistas em vida selvagem e curiosos sobre a fauna brasileira.

    Sucuri-verde: a gigante das águas brasileiras

    A sucuri-verde é considerada uma das maiores e mais pesadas cobras do mundo. Ela pode atingir até 9 metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Encontrada principalmente na Bacia Amazônica e no Pantanal, a espécie é conhecida por seu comportamento aquático e por sua técnica de caça por constrição.

    Diferentemente das serpentes venenosas, a sucuri mata suas presas através da constrição, enrolando-se ao redor do animal e apertando gradualmente até que a vítima morra por asfixia ou parada cardíaca. A dieta da espécie é variada e inclui capivaras, veados, aves aquáticas e, como mostra o vídeo, jacarés de pequeno e médio porte.

    A espécie é semi-aquática e passa grande parte do tempo submersa ou próxima a corpos d’água, onde encontra melhores condições de caça e termorregulação. Apesar de seu tamanho impressionante, a sucuri-verde não representa perigo significativo para humanos, sendo geralmente tímida e evitando o contato.

    Jacaré-de-papo-amarelo: predador que virou presa

    O jacaré-de-papo-amarelo é um crocodiliano de médio porte nativo do Brasil, encontrado principalmente em rios, lagoas e pântanos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. A espécie pode chegar a 2,5 metros de comprimento e apresenta coloração amarelada característica na região da mandíbula e do pescoço, o que facilita sua identificação.

    Apesar de ser um predador topo de cadeia em muitos ecossistemas, o jacaré-de-papo-amarelo pode se tornar presa de animais maiores, como grandes sucuris e onças-pintadas. A espécie está classificada como “Pouco Preocupante” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Mas enfrenta ameaças devido à perda de habitat e à caça ilegal.

    Os jacarés desempenham papel ecológico fundamental no controle de populações de peixes e outros animais aquáticos, contribuindo, portanto, para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos brasileiros.

    Encontro raro reforça riqueza da biodiversidade

    O registro feito no Rio Ivinhema reforça a riqueza da biodiversidade de Mato Grosso do Sul. E também a importância da preservação dos ecossistemas aquáticos da região. Interações predatórias entre grandes répteis, embora naturais, raramente são documentadas, tornando o vídeo um importante registro científico e educacional.

    Especialistas ressaltam que episódios como este demonstram a complexidade das relações ecológicas nos biomas brasileiros. E, além disso, a necessidade de políticas efetivas de conservação ambiental para garantir a sobrevivência dessas espécies emblemáticas da fauna nacional.

  • Do rio ao luxo: carne e couro de jacaré do Pantanal conquistam o mundo

    Do rio ao luxo: carne e couro de jacaré do Pantanal conquistam o mundo

    O sol mal desponta em Corumbá, no interior do Pantanal sul-mato-grossense, e o espelho d’água brilha como se o tempo tivesse parado. Ali, na Fazenda Caimasul, a natureza e a indústria parecem conversar na mesma língua. A fazenda, reconhecida como maior produtora de carne e couro de jacaré do Brasil, reúne cerca de 80 mil animais em instalações climatizadas, com capacidade para triplicar esse número.

    Sob o canto das araras e o ronco distante dos motores, há um outro som que domina a paisagem: o respingar compassado da água nas baias de jacarés-do-Pantanal. Tudo é controlado, medido, monitorado. Nada escapa à precisão dos sensores, nem ao olhar atento dos técnicos que acompanham cada etapa, da coleta dos ovos à embalagem final do filé exportado.

    Do ovo ao luxo: o ciclo completo

    A Caimasul conduz todo o processo produtivo, e é justamente isso que a diferencia das demais. Tudo começa às margens do rio Paraguai, onde ribeirinhos coletam cuidadosamente os ovos de jacaré em áreas autorizadas pelo órgão ambiental. Cada unidade pode valer até R$ 5, o que garante uma renda extra para famílias que antes dependiam apenas da pesca e, assim, ajuda a fortalecer a economia local.

    Depois dessa etapa inicial, os ovos seguem viagem até incubadoras modernas, onde a vida se repete dia após dia, sob o zumbido constante dos termostatos e o olhar atento dos técnicos. A partir daí, cada movimento é controlado com precisão: a temperatura, a umidade, o tempo de eclosão. Tudo é calculado para que o processo siga com segurança e eficiência.

    Foto: Fazenda Caimasul

    Ao nascerem, os filhotes são transferidos para baias de água morna (que permanecem entre 27 °C e 30 °C) e recebem uma dieta balanceada, formulada especialmente para o desenvolvimento saudável. Durante cerca de 18 meses, os jacarés crescem em um ambiente controlado, até o momento do abate, quando nada se perde. A carne, o couro, as vísceras e até os ossos são transformados em produtos de alto valor agregado, aproveitando o máximo do potencial de cada animal.

    Depois disso, a carne segue para restaurantes, empórios e mercados internacionais, conquistando espaço no cardápio de chefs e consumidores exigentes. O couro, por sua vez, cruza oceanos e desembarca em ateliês de luxo da Itália, da França e dos Estados Unidos, onde vira bolsas, carteiras e sapatos de grife exibidos em vitrines de Milão, Paris e Nova York.

    É, portanto, o luxo nascido da lama, o ouro verde-oliva do Pantanal, que brilha mundo afora como símbolo de um Brasil capaz de unir natureza, tecnologia e elegância.

    Carne leve, proteína forte

    A carne de jacaré vem ganhando fama de alimento do futuro. É clara, firme e quase sem gordura. Tem sabor suave, lembrando frango ou peixe, e um valor nutricional que impressiona. Estudos do Instituto Federal de Mato Grosso apontam que o teor de colesterol varia entre 42 e 47 mg por 100 g. Ou seja, menos da metade do encontrado na carne bovina.

    Foto: Fazenda Caimasul

    Além disso, é rica em ferro e cálcio, o que a torna aliada de dietas equilibradas. O consumo cresceu 15% em um ano, impulsionado por chefs e influenciadores que descobriram no exótico um novo filão gastronômico.

    No mercado interno, o quilo congelado custa em média R$ 90, enquanto cortes nobres, como o lombo e a cauda, podem chegar a R$ 180. No exterior, a procura cresce nos Estados Unidos e na Europa, onde restaurantes de luxo servem o produto como símbolo de exclusividade tropical.

    Couro que vale ouro

    Se a carne é o corpo, o couro é a alma do negócio. E, no mercado internacional, essa alma brilha. Entre janeiro e agosto de 2025, o preço médio do couro brasileiro valorizou 83% em dólar, alcançando US$ 52 o quilo.

    Apesar da alta nos preços, o volume exportado caiu, reflexo de um mercado mais seletivo. Mesmo assim, França, Itália, Estados Unidos e México seguem entre os principais compradores. As grandes grifes internacionais disputam o couro brasileiro, atraídas pela textura única, pela alta durabilidade e pela origem sustentável do material.

    Foto: Fazenda Caimasul

    O Ministério da Agricultura e os órgãos ambientais estaduais fiscalizam de perto o manejo, garantindo que cada etapa da produção siga as normas de bem-estar animal, rastreabilidade e sustentabilidade ambiental. Aplicativos rastreiam cada ovo, cada lote, cada centímetro de pele curtida.  Afinal, a legalidade é uma condição inegociável.

    Pantanal que gera renda e preserva vida

    O sistema criado no Mato Grosso do Sul une o que parecia incompatível: produção em escala e conservação ambiental. A coleta controlada de ovos garante a reposição natural da espécie, enquanto as fazendas de criação reduzem a caça ilegal.

    Além disso, o modelo gera empregos diretos e indiretos, movimenta o comércio regional e inclui populações ribeirinhas no ciclo produtivo. Cada ovo recolhido com cuidado é também um pequeno ato de preservação.

    Por fim, o que se vê é um retrato do Pantanal que aprende a se reinventar sem trair suas raízes. A água que alimenta o rio é a mesma que sustenta a economia local. A lama que molda os ninhos também molda oportunidades.

    O Brasil que deu certo

    A carne e o couro de jacaré saem do Pantanal com certificados de qualidade e sustentabilidade que abrem portas no mercado global. Entre eles estão o selo do Ministério da Agricultura e o certificado USDA, exigido para entrar nos Estados Unidos.

    Esse modelo de produção, que alia ciência, tradição e cuidado ambiental, colocou o Brasil entre os líderes mundiais do setor. A fazenda Caimasul virou símbolo de um país que produz riqueza sem destruir o que o torna único.

    Enquanto o sol se despede atrás dos buritis, o Pantanal reflete luz dourada sobre as águas paradas. E, no meio desse espelho líquido, o Brasil se olha e se reconhece como potência verde, moderna e viva.

  • Bagres-abelha escalam cachoeiras para migração da espécie

    Bagres-abelha escalam cachoeiras para migração da espécie

    Milhares de bagres-abelha surpreenderam cientistas ao escalar cachoeiras no rio Aquidauana, no Mato Grosso do Sul. A Polícia Militar Ambiental flagrou o fenômeno em novembro de 2024, quando os pequenos peixes subiam rochas escorregadias atrás de uma queda d’água.

    A espécie Rhyacoglanis paranensis, conhecida popularmente como bagre-abelha, demonstrou uma tática de escalada coordenada que intriga zoólogos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Os peixes nadam com força contra a corredeira, buscam abrigo atrás de pedras para recuperar energia e partem novamente para o próximo impulso.

    “A combinação de esforço físico com recuperação estratégica permite que os bagres escalem sem colapsar por exaustão”, explicam os pesquisadores. O comportamento intermitente representa a primeira observação científica de escalada migratória nesta espécie.

    Migração pode estar ligada à reprodução

    Os cientistas acreditam que a agregação massiva indica um movimento reprodutivo. Milhares de indivíduos sobem lentamente as cachoeiras, possivelmente em busca de áreas de desova rio acima. O padrão temporal da migração e a concentração incomum de peixes reforçam essa hipótese.

    O bagre-abelha permanece pouco estudado pela ciência. A espécie habita principalmente tributários e riachos de corredeira na bacia do Alto Paraná, região que inclui partes do Pantanal sul-mato-grossense.

    Características do bagre-abelha

    Rhyacoglanis paranensis recebe o nome popular devido às listras amarelas e pretas que lembram uma abelha. Os peixes adultos raramente ultrapassam 10 centímetros de comprimento. A espécie prefere águas correntes e bem oxigenadas, vivendo em ambientes rochosos onde encontra pequenos invertebrados e matéria orgânica.

    Os bagres-abelha desenvolveram características morfológicas adaptadas à vida em corredeiras. O corpo achatado ventralmente e as nadadeiras peitorais fortes auxiliam na aderência ao substrato rochoso. Barbilhões sensoriais ao redor da boca ajudam a localizar alimento em águas turvas.

    A espécie apresenta hábitos noturnos e costuma se abrigar entre rochas durante o dia. Pesquisadores classificam o bagre-abelha como reofílico, termo que descreve peixes especializados em ambientes de água corrente.

    Conservação de rios ameaçados

    A descoberta alerta para a vulnerabilidade de espécies pequenas em rios fragmentados. Barragens e represamentos podem interromper rotas migratórias essenciais para a reprodução dos bagres-abelha. A construção de hidrelétricas na bacia do Alto Paraná representa uma ameaça crescente.

    “Essas observações reforçam a importância de conhecer a ecologia de espécies menores”, destacam os zoólogos da UFMS. Peixes de pequeno porte frequentemente passam despercebidos em estudos ambientais, apesar de desempenharem papéis cruciais nos ecossistemas aquáticos.

    O rio Aquidauana integra a bacia do Paraguai e abriga diversas espécies endêmicas do Pantanal. A região enfrenta pressões de atividades agropecuárias e projetos de infraestrutura que podem alterar o fluxo natural das águas.

  • MS sofre com falta de silos: déficit bate 11 milhões de toneladas

    MS sofre com falta de silos: déficit bate 11 milhões de toneladas

    Mato Grosso do Sul enfrenta uma crise silenciosa que corrói a rentabilidade do agronegócio: a falta de silos e armazéns para estocar a produção recorde de grãos. O déficit de armazenagem ultrapassou 11 milhões de toneladas no estado, obrigando produtores a venderem suas safras imediatamente após a colheita, sem condições de esperar por melhores preços.

    Os dados, revelados em estudo da Aprosoja/MS com base em informações da Conab e do Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio (SIGA/MS), expõem um gargalo que compromete a competitividade de um dos maiores produtores de soja e milho do país.

    Capacidade instalada não acompanha produção

    Com produção média superior a 22 milhões de toneladas nos últimos cinco anos, MS conta com apenas 16,4 milhões de toneladas em capacidade de armazenamento. Pela metodologia da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), o estado precisaria de 27,5 milhões de toneladas de capacidade instalada.

    O resultado é uma defasagem de 67,8% que transforma oportunidade em prejuízo para milhares de produtores rurais.

    Crescimento desequilibrado agrava problema

    A análise da série histórica entre 2014 e 2025 revela o descompasso entre produção e infraestrutura:

    • Capacidade de armazenagem: cresceu 82% (de 9,01 para 16,39 milhões de toneladas)
    • Produção de grãos: saltou 69% (de 17,23 para 29,11 milhões de toneladas)
    • Déficit: aumentou 54% (de 8,25 para 12,72 milhões de toneladas)

    O pior cenário ocorreu em 2023, quando o déficit atingiu 21,23 milhões de toneladas após uma safra excepcional.

    Governo aposta no FCO para reverter cenário

    O secretário estadual de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, avalia que os números representam uma oportunidade para investimentos.

    “O Governo de Mato Grosso do Sul tem direcionado esforços para estimular a armazenagem em propriedades rurais, especialmente por meio do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste), que oferece prazos mais longos e taxas de juros competitivas”, explica Verruck.

    O secretário defende ainda a ampliação de linhas de crédito específicas. “Atualmente, a construção de armazéns com recursos baseados na taxa Selic inviabiliza economicamente o empreendimento”, afirma.

    Concentração regional agrava desigualdade

    O levantamento aponta que 73 dos 78 municípios analisados apresentam déficit de armazenagem. Maracaju, o maior produtor estadual, registra déficit de 1,32 milhão de toneladas.

    Dourados destaca-se como exceção, com superávit e capacidade instalada de 2,35 milhões de toneladas.

    Outro dado preocupante: apenas cinco municípios concentram 49% da capacidade total de armazenamento, mas respondem por apenas 38% da produção estadual.

    Projeções indicam agravamento do problema

    A safra nacional de grãos deve atingir 350,2 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 16,3% em relação ao ano anterior. Para MS, isso significa que o déficit tende a aumentar sem novos investimentos massivos em infraestrutura.

    “É fundamental fomentar o apoio aos produtores por meio do acesso ao FCO. Essa medida tem potencial para aprimorar significativamente a formação de preços no estado”, pontua Verruck.

    A falta de armazéns adequados aumenta riscos de perdas pós-colheita, eleva custos logísticos e pressiona o escoamento da produção. A dependência do modal rodoviário, especialmente ao longo da BR-163, cria gargalos que encarecem o transporte.

    “A ausência de capacidade adequada impede o produtor de obter preços mais vantajosos. A falta de espaço força a venda rápida, muitas vezes a preços menos favoráveis”, admite o secretário.

    Estratégias para enfrentamento

    O governo estadual aposta em diversas frentes para reverter o quadro:

    • Apoio ao produtor via FCO
    • Suporte às cooperativas pelo Procoop
    • Reativação da malha ferroviária
    • Expansão do uso da hidrovia do Rio Paraguai
    • Implementação da Rota Bioceânica

    Verruck destaca ainda a necessidade de diversificação da infraestrutura. “É preciso expandir a capacidade de armazenagem segregada para diferentes culturas, além de soja e milho. O sorgo, por exemplo, requer soluções específicas. A utilização dos mesmos armazéns para diferentes grãos limita o escoamento da produção”, conclui o secretário.

  • Boi mergulha em rio e vídeo viraliza nas redes sociais

    Boi mergulha em rio e vídeo viraliza nas redes sociais

    Um vídeo inusitado chamou atenção nas redes sociais neste sábado (11). As imagens mostram um boi da raça Nelore mergulhando no Rio Formoso, em Bonito, Mato Grosso do Sul. O animal saltou de um barranco e nadou calmamente até outro trecho do rio.

    Turistas que visitavam a Chácara São Jorge, localizada a 16 km do centro de Bonito, registraram o momento. O espaço de lazer fica às margens do Rio Formoso, um dos principais atrativos da cidade turística.

    A Chácara São Jorge esclareceu que o bovino pertence a uma fazenda vizinha. Segundo a administração do local, o Nelore buscou o rio para se refrescar devido às altas temperaturas registradas na região.

    O vídeo rapidamente viralizou e gerou comentários surpresos. Muitos internautas questionaram se as imagens eram reais ou criadas por inteligência artificial. A chácara garantiu a autenticidade do registro e descartou qualquer manipulação digital.

    Comportamento natural demonstra adaptação dos animais

    O episódio reforça a curiosidade sobre como animais de grande porte interagem com ambientes naturais. Durante todo o percurso aquático, o Nelore manteve a tranquilidade, demonstrando habilidade natural para nadar.

    Apesar de muitas pessoas acharem anormal esse comportamento, bois e vacas sabem nadar naturalmente. Segundo especialistas em comportamento animal e veterinários, os bovinos possuem capacidade instintiva de natação, assim como a maioria dos mamíferos terrestres.

    Estudos sobre comportamento bovino indicam que esses animais buscam corpos d’água não apenas para beber, mas também para regular a temperatura corporal em dias quentes. A natação funciona como estratégia de termorregulação, especialmente importante para raças adaptadas a climas tropicais, como o Nelore.

    Pecuaristas relatam que bovinos criados próximos a rios e lagos frequentemente entram na água voluntariamente. Em regiões alagadas, como o Pantanal, os animais atravessam grandes distâncias nadando durante as cheias. A capacidade de flutuação dos bovinos resulta de sua estrutura corporal e distribuição de gordura, que facilitam a locomoção aquática.

    Portanto, o comportamento do Nelore em Bonito representa uma atitude completamente natural. O animal apenas seguiu seu instinto de buscar alívio térmico em um ambiente aquático disponível.