Tag: Logística

  • Fusão amplia soluções tecnológicas para o agro brasileiro

    Fusão amplia soluções tecnológicas para o agro brasileiro

    A integração entre o Grupo Limber Software e a Infogen Informática marca a criação de uma das maiores verticais de tecnologia especializada para o agronegócio no Brasil. A nova operação, que passa a atuar sob a marca Infogen by Limber, reúne mais de 400 clientes, 12 mil usuários ativos e empresas que movimentam cerca de R$ 125 bilhões por ano.

    O movimento incorpora a expertise construída pela Infogen ao longo de décadas ao ecossistema tecnológico do Grupo Limber, que amplia sua capacidade de investimento, desenvolvimento e atendimento ao setor agroindustrial.

    Segundo Fernando Fiorentin, CEO do Grupo Limber Software, a estratégia fortalece a entrega de soluções alinhadas às demandas reais do campo. “O agro exige tecnologias conectadas à realidade da produção e da indústria. Com a Infogen, ampliamos nossa capacidade de integrar gestão, operação e tomada de decisão em um cenário cada vez mais complexo”, afirma.

    A estrutura da Infogen permanece ativa, com Ernani Zottis à frente da vertical agro. A continuidade da liderança preserva o relacionamento com clientes e mantém o conhecimento técnico acumulado pela empresa desde sua fundação.

    Tecnologia para gestão, armazenagem e logística no agro

    A nova operação consolida soluções voltadas à cadeia agroindustrial, com foco em eficiência operacional e inteligência de dados. Entre os destaques está o SiloScan, sistema que utiliza sensores, laser e inteligência artificial para monitorar silos e calcular o volume de grãos com precisão.

    Outra solução é o IPIG, plataforma baseada em visão computacional que automatiza a contagem, pesagem e o monitoramento da temperatura de suínos durante o carregamento. As tecnologias aumentam o controle das operações e fornecem dados em tempo real para apoiar decisões estratégicas.

    As ferramentas desenvolvidas pela Infogen já atendem diferentes segmentos do agronegócio, incluindo gestão administrativa e financeira, armazenagem de grãos, logística, relacionamento com produtores, recebimento de safra e controle industrial.

    Expansão e novos investimentos no agronegócio

    Para Ernani Zottis, a integração abre espaço para acelerar a inovação sem perder a proximidade com o mercado. “Ampliamos nossa capacidade de investimento e desenvolvimento, mantendo o compromisso com soluções alinhadas aos desafios diários do produtor e das agroindústrias”, destaca.

    A LimberAgro também prevê novos investimentos em tecnologia e possíveis movimentos estratégicos para expandir sua atuação em diferentes elos da cadeia produtiva.

    Fundado em 2002, o Grupo Limber Software desenvolve soluções tecnológicas para setores como agroindústria, varejo, indústria, turismo e transportes. A empresa conta com mais de 300 colaboradores, 8,6 mil clientes ativos, 43 mil usuários B2B e mais de 20 milhões de usuários B2C.

    Com sede em Chapecó (SC), a Infogen Informática desenvolve softwares para empresas da cadeia agroindustrial, incluindo cerealistas, indústrias de sementes, fabricantes de fertilizantes, fábricas de ração e agroindústrias. A empresa atua no setor desde 1990 sob liderança de Ernani Zottis.

  • Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    Cecafé critica restrições da Antaq ao leilão do Tecon Santos 10

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) criticou a manifestação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sobre o modelo de leilão do Tecon Santos 10, futuro terminal de contêineres do Porto de Santos. Segundo a entidade, as restrições propostas podem atrasar investimentos, aumentar a insegurança jurídica e reduzir a competitividade do agronegócio brasileiro.

    A Antaq encaminhou sua manifestação à Casa Civil em 2 de julho. No entanto, o posicionamento diverge da orientação apresentada pelo governo federal. A Casa Civil defendeu um modelo com ampla participação no certame, desde que o vencedor assumisse compromisso de desinvestimento caso já possuísse ativos portuários na região. Além disso, o governo sugeriu elevar o valor mínimo de outorga para R$ 1,044 bilhão.

    Cecafé questiona falta de embasamento técnico

    Na avaliação do Cecafé, a Antaq manteve a proposta de realizar o leilão em duas fases e restringiu, na etapa inicial, a participação de armadores que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos. Para a entidade, a agência não apresentou estudos técnicos, indicadores ou análises econômicas que comprovem a necessidade dessa medida.

    O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, afirma que a decisão não traz evidências suficientes para justificar as restrições. Segundo ele, estudos produzidos pela própria Antaq e pela unidade técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam conclusões diferentes das adotadas pela agência reguladora. Dessa forma, o Cecafé considera que a medida carece de fundamentação técnica consistente.

    Entidade alerta para impactos no agronegócio

    O Cecafé afirma que as restrições podem agravar problemas já enfrentados pelas cargas conteinerizadas no Porto de Santos. Atualmente, exportadores e importadores convivem com limitações de capacidade, congestionamentos operacionais e altos custos logísticos. Como consequência, a competitividade das exportações brasileiras pode diminuir.

    Além disso, a entidade acredita que o modelo escolhido pela Antaq aumenta o risco de judicialização. Caso isso aconteça, novos processos judiciais podem atrasar um projeto considerado estratégico para ampliar a infraestrutura portuária do país.

    Segundo Eduardo Heron, esses atrasos afetam diretamente os usuários do porto e toda a cadeia produtiva. Por isso, ele afirma que o aumento dos custos logísticos tende a refletir tanto na competitividade das exportações quanto no preço final dos produtos consumidos pela população.

    Agência deve atuar com critérios técnicos, diz Cecafé

    Na avaliação do diretor técnico do Cecafé, a Antaq deve exercer seu papel regulador com base em critérios objetivos, evidências concretas e análises técnicas. Além disso, a agência precisa garantir segurança regulatória, previsibilidade e eficiência para o setor portuário.

    Heron defende que a Antaq não deve restringir previamente a participação de empresas sem apresentar justificativas robustas. Segundo ele, esse tipo de decisão amplia a insegurança jurídica e reduz a confiança dos investidores.

    O diretor também lembra que a missão institucional da Antaq consiste em regular, supervisionar e fiscalizar os serviços e a infraestrutura aquaviária. Portanto, ao adotar restrições sem demonstrar claramente seus fundamentos técnicos, a agência acaba entrando em um debate concorrencial que já conta com órgãos específicos para esse tipo de análise.

    Casa Civil adotou entendimento diferente

    O Cecafé destaca que a própria Casa Civil recomendou retirar as restrições à participação na primeira fase do leilão. Ao mesmo tempo, o governo sugeriu manter mecanismos de desinvestimento para tratar eventuais questões concorrenciais.

    Apesar dessa orientação, a Antaq decidiu preservar seu entendimento original após meses de análise. Assim, manteve o modelo de licitação dividido em duas etapas.

    Comparação com o terminal de Itajaí

    O Cecafé também compara o caso do Tecon Santos 10 com o processo de arrendamento definitivo do terminal ITJ01, em Itajaí (SC). Na avaliação da entidade, o modelo adotado naquele certame permitiu ampla participação dos interessados e limitou apenas determinadas composições societárias.

    Segundo Eduardo Heron, decisões diferentes para situações semelhantes aumentam a insegurança jurídica quando não apresentam justificativas técnicas claras. Além disso, esse cenário fortalece a percepção de tratamento desigual entre os agentes econômicos.

    Porto de Santos precisa ampliar sua capacidade

    Para o Cecafé, o Porto de Santos precisa avançar rapidamente em uma agenda de expansão logística. A entidade afirma que o Tecon Santos 10 representa apenas uma das iniciativas necessárias. Também considera fundamentais o aprofundamento do canal de navegação, a construção de novos acessos rodoviários e a ampliação das melhorias ferroviárias.

    Na avaliação do conselho, esses investimentos aumentarão a capacidade operacional do principal porto brasileiro. Consequentemente, o país poderá reduzir gargalos logísticos e fortalecer a competitividade do comércio exterior.

    Projeto acumula mais de 13 anos de espera

    O Cecafé lembra que o leilão do Tecon Santos 10 aguarda realização há mais de 13 anos e sofreu diversos adiamentos ao longo desse período.

    Para a entidade, insistir em um modelo que restringe participantes sem comprovação técnica favorece novas disputas judiciais. Como resultado, o cronograma de investimentos pode sofrer novos atrasos. Dessa maneira, exportadores, importadores e toda a cadeia produtiva continuarão enfrentando limitações provocadas pela atual infraestrutura portuária. Enquanto isso, o agronegócio brasileiro seguirá convivendo com custos elevados e perda de competitividade no mercado internacional.

  • Amazônia 2050: o plano para transformar biodiversidade em renda e desenvolvimento

    Amazônia 2050: o plano para transformar biodiversidade em renda e desenvolvimento

    Como transformar o potencial da Amazônia em oportunidades econômicas e sustentáveis? Essa foi a principal discussão durante o lançamento da Agenda Zona Franca de Manaus (ZFM) 2050, realizado na última terça-feira (10), em Brasília (DF).

    Desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), o documento reúne diagnósticos e propostas para os próximos 25 anos, visando ampliar a competitividade regional, diversificar a economia e transformar a combinação entre biodiversidade, ciência, tecnologia e indústria em um vetor permanente de crescimento.

    Coração do Brasil

    A iniciativa parte do entendimento de que a Amazônia concentra ativos estratégicos para o Brasil e para o mundo. No entanto, a região ainda enfrenta gargalos históricos relacionados à infraestrutura, logística, inovação e desenvolvimento social.

    Ao apresentar a importância econômica da Zona Franca de Manaus, Antônio Silva, presidente da Fieam, ressaltou números expressivos registrados pelo modelo em 2025.

    “Em 2025, tivemos um faturamento superior a US$ 41 bilhões e mais de 132 mil empregos diretos. Além de 600 mil postos de trabalhos indiretos induzidos em toda a Zona Franca de Manaus.”

    Estratégia a longo prazo

    Pensar o desenvolvimento amazônico exige planejamento de longo prazo. O presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Rocha, afirmou que o documento representa um compromisso estratégico com o futuro da região e do país.

    Além disso, Rocha destacou que a manutenção das garantias constitucionais da Zona Franca durante a tramitação da Reforma Tributária permitiu ampliar o debate para temas como inovação, competitividade e diversificação produtiva.

    “A Zona Franca de Manaus é uma política de Estado. O documento nos convida a olhar além das urgências e além dos ciclos eleitorais. Construir uma visão de longo prazo é uma estratégia sólida e ambiciosa.”

    Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do Cieam, e Antônio Silva, presidente da Fieam — Foto: Divulgação

    Desindustrialização preocupa especialistas

    O diagnóstico econômico que sustenta a proposta foi apresentado por Márcio Holland, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

    Durante sua análise, o economista alertou para os impactos da desaceleração econômica e para a perda de participação da indústria na economia nacional.

    “O Brasil desacelera e faz uma desindustrialização de forma prematura, antes mesmo de atingir uma renda per capita alta. Corremos o risco de nos tornar um país envelhecido e pobre.”

    Segundo Holland, iniciativas como a Agenda ZFM 2050 tornam-se ainda mais relevantes ao oferecer caminhos para ampliar a competitividade e estimular novos investimentos produtivos.

    Bioeconomia surge como oportunidade estratégica

    De acordo com a empresária Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes e ex-deputada federal , muitos debates sobre a Amazônia ignoram as particularidades territoriais, sociais e logísticas da região.

    “Há um grande equívoco em querer comparar a Amazônia com o resto do país. Nós vivemos em uma região que tem desafios permanentes.”

    Ao abordar as perspectivas da bioeconomia, a empresária ressaltou que a Amazônia abriga uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, mas ainda enfrenta obstáculos que limitam seu aproveitamento econômico.

    Rebecca Garcia, diretora da GBR Componentes — Foto: Divulgação

    Além disso, ela defendeu maior integração entre setor produtivo e governo para garantir uma gestão mais eficiente dos recursos destinados ao desenvolvimento regional.

    “O que a gente precisa é de planejamento. É uma contribuição da indústria, e ao lado da indústria precisa do acompanhamento do governo. Precisa ser compartilhada essa governança.”

    Infraestrutura e logística

    A necessidade de investimentos em infraestrutura também esteve no centro das discussões.

    O deputado federal Capitão Alberto Neto ressaltou que o Amazonas preserva cerca de 97% da cobertura florestal e argumentou que as particularidades amazônicas precisam ser consideradas na formulação das políticas públicas.

    Segundo o parlamentar, a ausência de investimentos contínuos em hidrovias e dragagem compromete tanto o abastecimento quanto o transporte de pessoas durante os períodos de seca.

    Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Dorival da Costa dos Santos, destacou os impactos econômicos e sociais gerados pela Zona Franca ao longo das últimas décadas.

    “É o maior experimento de desenvolvimento do mundo. Produzimos bens de ponta e geramos retorno econômico, industrial e social.”

    Ao mesmo tempo, o representante do governo reforçou que a preservação ambiental deve permanecer como eixo central da estratégia regional.

    ‘Sem floresta em pé não há economia’, garante Dorival da Costa dos Santos — Foto: GOV

    Desenvolvimento e preservação

    O futuro da Amazônia dependerá da capacidade de transformar sua biodiversidade e estrutura produtiva em oportunidades concretas.

    Para os defensores da Agenda ZFM 2050, esse processo exigirá planejamento de longo prazo, investimentos estruturantes e políticas capazes de conciliar crescimento econômico, inovação, bioeconomia e preservação ambiental.

     

  • Lei de armazenagem torna certificação voluntária e destrava investimentos no agro

    Lei de armazenagem torna certificação voluntária e destrava investimentos no agro

    A sanção da Lei nº 15.429/2026, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torna voluntária a certificação de armazéns de produtos agropecuários no Brasil. A medida integra a estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para reduzir burocracia, atrair investimentos privados e ampliar a infraestrutura de armazenagem.

    Com a nova regra, produtores e empresas podem optar pela certificação, que continua disponível para comprovar requisitos técnicos, operacionais e documentais nas atividades de recepção, conservação e expedição de produtos agrícolas.

    Segundo o ministro da Agricultura, André de Paula, a mudança elimina entraves regulatórios e acelera novos projetos no setor. Ele afirma que a medida fortalece a logística, aumenta a competitividade e mantém os padrões de qualidade e segurança sanitária.

    O avanço ocorre em um cenário de crescimento acelerado da produção. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção de grãos cresceu, em média, 6,72% ao ano na última década, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 2,38% no período.

    Déficit

    Atualmente, o Brasil consegue armazenar entre 60% e 63% da produção anual de grãos, o que gera um déficit superior a 130 milhões de toneladas. A expectativa do governo é que a flexibilização das regras estimule a construção de novas estruturas e reduza perdas pós-colheita.

    A nova legislação também reduz custos operacionais. Antes, a certificação obrigatória exigia contratação de organismos acreditados pelo Inmetro, o que elevava despesas para empresas e produtores. Agora, o setor ganha autonomia para decidir quando a certificação faz sentido, de acordo com exigências comerciais e estratégias de mercado.

    Mesmo antes da mudança, apenas 17,6% dos armazéns brasileiros possuíam certificação. O dado indica que o setor já utiliza outros mecanismos para garantir qualidade e eficiência nas operações.

    Qualidade sanitária e exportações

    A lei não altera os controles sanitários nem os critérios de fiscalização dos produtos agropecuários. O Mapa mantém instrumentos como a Classificação Vegetal, auditorias privadas e exigências de rastreabilidade e boas práticas de armazenagem.

    No comércio internacional, a mudança também não traz impactos. O Brasil continua atendendo às exigências sanitárias e fitossanitárias de mercados como União Europeia e China por meio de certificações específicas, como o Certificado Fitossanitário, laudos para organismos geneticamente modificados (OGM) e análises de Limites Máximos de Resíduos (LMR).

    O desempenho recente do agronegócio reforça esse cenário. Em 2025, o setor registrou exportações acima de US$ 169 bilhões e superávit comercial de cerca de US$ 149 bilhões.

    Com a nova lei, o governo busca modernizar o ambiente regulatório e ampliar a capacidade logística do país, em um movimento para sustentar o crescimento da produção agropecuária e aumentar a competitividade global do Brasil.

  • Alta na produção de leite expõe gargalos e impulsiona inovação logística

    Alta na produção de leite expõe gargalos e impulsiona inovação logística

    A produção de leite no Brasil atingiu um novo recorde e intensificou os desafios logísticos da cadeia de lácteos. Dados do IBGE mostram que a aquisição de leite cru chegou a 27,51 bilhões de litros em 2025, alta de 8,5% em relação ao ano anterior e o maior volume da série histórica. No quarto trimestre, a captação somou 7,36 bilhões de litros, avanço anual de 8,6% e novo recorde para o período.

    O crescimento consistente reforça o potencial do setor, mas também pressiona a cadeia a operar com mais eficiência. O principal desafio agora está em garantir que esse volume chegue ao consumidor com qualidade e menor nível de desperdício.

    Cadeia mais complexa exige precisão

    O leite exige uma logística altamente eficiente devido à sua perecibilidade. Qualquer desalinhamento entre produção e consumo gera perdas, seja por excesso de oferta ou falta de produto em momentos de alta demanda.

    Ao mesmo tempo, o comportamento do consumidor muda. A demanda por alimentos frescos, naturais e com origem conhecida cresce no país e favorece modelos de distribuição mais diretos. Segundo o estudo “Do prato ao copo”, da MindMiners, 33% dos brasileiros aumentaram o consumo de alimentos in natura, enquanto 53% alternam entre produtos naturais e industrializados. Entre as bebidas não alcoólicas, 38% priorizam opções naturais.

    Esse cenário impulsiona o retorno de um modelo tradicional: a entrega domiciliar de leite.

    Entrega direta ganha força com tecnologia

    A distribuição porta a porta já fez parte da rotina de consumo no Brasil e sempre operou com base em recorrência e rotas fixas. Agora, a tecnologia amplia o alcance e melhora o controle desse modelo.

    Plataformas digitais integram pedidos, pagamentos e logística em um único sistema, conectando indústria, distribuidores e consumidores. Com isso, empresas passam a operar com dados em tempo real, o que reduz falhas e melhora a eficiência.

    “Não se trata de reinventar a distribuição, mas de organizar melhor um modelo que já funcionava. A digitalização traz previsibilidade e controle para operações antes manuais”, afirma Einat Eisler Carasso, CEO da Food2C.

    Recorrência melhora planejamento e reduz perdas

    Modelos de compra recorrente, como assinaturas, ganham espaço no setor por aumentar a previsibilidade da demanda. Com isso, empresas ajustam melhor a produção, reduzem desperdícios e melhoram o abastecimento.

    A previsibilidade também fortalece a fidelização e melhora a experiência do consumidor, que passa a receber produtos mais frescos com regularidade.

    “A recorrência muda a lógica da operação. Quando a empresa conhece a demanda, consegue planejar toda a cadeia com mais eficiência e agilidade”, diz Einat.

    Digitalização avança no campo e na indústria

    Empresas tradicionais já incorporam essa transformação. A Fazenda Bela Vista, que atua há mais de 30 anos com entrega domiciliar, digitalizou sua operação e passou a centralizar pedidos, pagamentos e dados em uma única plataforma.

    A mudança aumentou o controle operacional e reduziu perdas ao longo da cadeia. “A digitalização elevou nosso nível de organização e eficiência sem perder a proximidade com o cliente”, afirma o diretor comercial Paulo Passarini.

    Dados conectam produção e consumo

    A tecnologia também resolve um dos principais gargalos do setor: a falta de visibilidade sobre o consumidor final. Com dados centralizados, empresas identificam padrões de consumo, ajustam ofertas e tomam decisões mais estratégicas.

    Na logística, sistemas digitais organizam pedidos, preveem demanda e definem rotas com mais precisão, o que reduz erros e otimiza recursos.

    Tendência acompanha expansão do setor

    Com a produção em alta e a demanda por alimentos frescos em crescimento, a digitalização tende a se consolidar como um dos principais vetores de transformação da cadeia de lácteos.

    Mais do que criar novos modelos, a tecnologia moderniza formatos tradicionais e amplia eficiência, escala e qualidade na distribuição.

  • Governo mobiliza Conab para enfrentar gargalo histórico de silos

    Governo mobiliza Conab para enfrentar gargalo histórico de silos

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu-se nesta quinta-feira (28) com a diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para alinhar ações estratégicas nas áreas de armazenagem, estoques públicos e abastecimento alimentar.

    Foto: Percio Campos / Mapa
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    Foto: Percio Campos / Mapa

    A agenda envolveu modernização da infraestrutura de silos, formação de estoques reguladores, acompanhamento da safra de grãos, preços mínimos, seguro rural e cooperação humanitária internacional. Tudo isso num cenário em que o Brasil enfrenta um déficit estrutural de capacidade de armazenagem estimado em 139 milhões de toneladas.

    Um país que colhe mais do que consegue guardar

    O Brasil projeta colheita superior a 356 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo a própria Conab, o maior volume já registrado. O problema: a capacidade estática nacional atingiu 213 milhões de toneladas, crescimento de apenas 0,5% em relação a 2024, ritmo insuficiente frente ao avanço da produção de soja e milho, que cresce cerca de 6% ao ano desde 2010.

    O resultado é uma equação desfavorável: o Brasil só tem capacidade de armazenar 70% da colheita. Nos Estados Unidos, esse percentual varia entre 130% e 140%. Os americanos possuem capacidade de 615 milhões de toneladas, quase três vezes maior, com 65% dos silos dentro das fazendas. No Brasil, apenas 17% das estruturas ficam em propriedades rurais, o que aumenta a dependência de armazéns externos e pressiona a logística.

    Geografia

    O déficit não é apenas de volume, mas também geográfico. O Mato Grosso concentra a maior capacidade individual do país, com 52 milhões de toneladas, mas ainda sofre com um déficit de 51% em relação à produção de soja e milho. Em estados como Rondônia, a carência chega a 75%. No MATOPIBA, uma das principais fronteiras agrícolas, o déficit alcança até 60%, obrigando produtores a escoarem rapidamente a safra por falta de estruturas próximas.

    As consequências vão além da logística. Cerca de 10% da produção nacional de grãos é perdida durante o armazenamento, segundo a Embrapa. Ao preço médio da soja em março de 2026, esse volume representa algo próximo de R$ 14 bilhões que deixam de circular na economia.E só em ICMS, cerca de R$ 1,6 bilhão deixam de entrar nos cofres públicos.

    Fechar esse buraco tem preço. Para eliminar o déficit de 92 milhões de toneladas identificado pelo Itaú BBA, seriam necessários R$ 102 bilhões em investimentos. O custo de construção de silos também encareceu: subiu de R$ 700 por tonelada em 2019 para cerca de R$ 1.100 por tonelada em 2025.

    O que o governo faz para enfrentar o problema

    Na reunião desta quinta, André de Paula destacou o papel central da Conab na formulação de políticas públicas. “A Conab continua sendo a principal responsável pelos levantamentos de safra, custos de produção, estoques públicos e perspectivas para a agropecuária, informações que servem de base para a construção das políticas do Ministério”, afirmou.

    O secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares, reforçou o papel operacional da companhia em subvenções econômicas, aquisições públicas e equalização de preços. “Quando o mercado apresenta distorções que prejudicam tanto o produtor quanto o consumidor, é a Conab que atua para garantir maior equilíbrio na cadeia produtiva”, disse.

    Atualmente, os armazéns da Conab têm capacidade estática próxima de 1,7 milhão de toneladas, com cerca de 1,2 milhão de toneladas armazenadas. A companhia trabalha na modernização dessa infraestrutura e na ampliação da capacidade operacional da rede armazenadora federal.

    Medidas

    Entre as medidas concretas discutidas no encontro, está a liberação de R$ 54,3 milhões em crédito suplementar pela Casa Civil. O recurso viabiliza a antecipação da compra de milho e a formação de estoques reguladores preventivos diante dos possíveis impactos do El Niño em 2026. No Plano Safra 2025/26, o governo também destinou R$ 4,5 bilhões para o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), com juros entre 8,5% e 10% ao ano. Embora especialistas do setor avaliem que taxas ideais estariam entre 6% e 6,5% ao ano, próximas às praticadas nos Estados Unidos.

    O diretor-presidente da Conab, Sílvio Isoppo Porto, ressaltou a importância do diálogo entre os dois ministérios. “A construção da política agrícola brasileira se dá de forma conjunta entre o Mapa e o MDA, especialmente na definição dos Planos Safra e nas ações de suporte ao produtor rural”, disse.

    A pauta incluiu ainda a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) para a safra de verão, o Seguro Rural e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). A Conab também apresentou sua atuação em operações de ajuda humanitária internacional, com o envio de arroz e leite em pó para a Bolívia e ações de assistência alimentar a Cuba.

  • Agro pede aumento imediato da mistura de biodiesel

    Agro pede aumento imediato da mistura de biodiesel

    Entidades do agronegócio pedem aumento imediato da mistura de biodiesel no diesel. O setor quer elevar o percentual de 15% para 17%. Uma carta aberta reúne 43 entidades do agronegócio e defende a mudança na política energética nacional Segundo o documento, a medida ajuda a proteger a economia brasileira contra choques externos e fortalece a segurança energética.

    Além disso, as entidades afirmam que a iniciativa reforça a liderança do Brasil na transição energética global. O texto destaca que o cenário internacional vive forte instabilidade geopolítica e grandes oscilações nos preços do petróleo. Esse movimento, segundo o setor, provoca impactos diretos sobre a economia brasileira e eleva o risco de pressões nos combustíveis.

    Garantia de abastecimento

    Diante disso, as entidades defendem o fortalecimento de soluções internas para garantir abastecimento e estabilidade de preços. Segundo a carta, a ampliação da mistura para B17 oferece uma resposta rápida e alinhada aos interesses nacionais.

    O documento também afirma que a medida reduz riscos de desabastecimento e amplia a segurança energética do país. A decisão depende do Conselho Nacional de Política Energética. O colegiado avaliaria o tema nesta quinta-feira, 12 de março.

    No entanto, o governo adiou a reunião para 19 de março e ainda não confirmou a inclusão do tema na pauta.As entidades também destacam a dependência brasileira do diesel importado, considerada um problema estrutural. Além disso, o setor aponta dificuldades na compra e no transporte do combustível devido à guerra no Irã.

    Escoamento da safra

    Segundo o documento, o momento coincide com o escoamento da safra agrícola, período crucial para o transporte rodoviário. Nesse contexto, o setor afirma que ampliar a oferta de combustível ajuda a manter a competitividade e o abastecimento nacional.

    As entidades também defendem que o país possui capacidade instalada para ampliar rapidamente a produção de biodiesel. Segundo o texto, a indústria brasileira conta com matéria-prima disponível e logística estruturada para atender a nova demanda.

    Cronograma

    Pelo cronograma atual, a mistura obrigatória deveria subir de 15% para 16% em março. No entanto, o Conselho Nacional de Política Energética ainda não avaliou oficialmente essa mudança. Enquanto isso, testes técnicos analisam a viabilidade de misturas com percentuais mais elevados. Parte do setor avalia que o país já poderia elevar a mistura até 20%. A possibilidade existe porque a Lei do Combustível do Futuro autoriza percentuais maiores em situações excepcionais.

    Segundo as entidades, a adoção do B17 reduziria a necessidade de importação de diesel. Além disso, a medida fortaleceria a indústria nacional e daria maior previsibilidade ao setor produtivo. O documento também afirma que o uso de biodiesel em níveis mais altos é tecnicamente seguro. Segundo o setor, o biocombustível brasileiro segue rigorosos padrões de qualidade e confiabilidade.

    Diferentemente de outras alternativas, o biodiesel não exige adaptações caras em veículos ou infraestrutura. Além disso, empresas já utilizam voluntariamente o biodiesel puro em algumas operações comerciais. Segundo o setor, essa prática comprova a segurança e a eficiência do biocombustível no mercado brasileiro.

  • Nova rota aérea leva alimentos brasileiros frescos para turistas na África em tempo recorde

    Nova rota aérea leva alimentos brasileiros frescos para turistas na África em tempo recorde

    Pela primeira vez, o Brasil exportou hortifrútis frescos em um voo direto para a Ilha do Sal, em Cabo Verde. A operação pioneira, que partiu do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), promete revolucionar o abastecimento de alimentos perecíveis no arquipélago africano.

    Em vez de seguir a rota tradicional, que incluía escalas em aeroportos europeus e posterior transporte marítimo, a carga com cerca de 5 toneladas de alimentos brasileiros seguiu em um cargueiro fretado diretamente para o destino. A iniciativa, acompanhada pela Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tem como objetivo testar a viabilidade de tornar essa entrega direta uma prática frequente.

    “O mercado de Cabo Verde já conhece os produtos brasileiros, mas a logística anterior era mais demorada. Este primeiro embarque é um teste com pequenas quantidades de diferentes itens para verificar a viabilidade de adotar essa entrega direta com mais frequência”, explicou Rita Lourenço, chefe da Vigiagro em Viracopos.

    Qualidade e agilidade na mesa do consumidor

    A nova logística representa um salto de qualidade para os alimentos que chegarão à ilha. Ao eliminar as escalas e o transbordo, o tempo de transporte é drasticamente reduzido, o que é crucial para itens altamente perecíveis. Entre os produtos enviados estão os mais sensíveis, como alface, tomate e pimentão.

    De acordo com a servidora do Mapa, os voos diretos são fundamentais para ampliar o tempo de prateleira. Além de melhorar a conservação e garantir a apresentação ideal dos alimentos. Outro diferencial importante é que os hortifrútis seguiram diretamente do produtor para o destino final, sem a atuação de intermediários, um modelo que agrega valor e assegura a qualidade superior dos produtos brasileiros no exterior.

    A expectativa é que essa remessa abasteça, principalmente, hotéis e resorts da Ilha do Sal, um dos destinos turísticos mais procurados de Cabo Verde, localizada na costa noroeste da África.

    Lista de produtos embarcados na operação inédita:

    Frutas: lima ácida Tahiti (1.310 kg), mamão (891 kg), manga (576 kg). Abacate avocado (720 kg), figo roxo (240 kg), pitaya (36 kg), goiaba (13,8 kg) e carambola (7,2 kg).

    Legumes e Hortaliças: pimentão (234 kg), mandioca (108 kg), tomate fresco (18 kg) e alface fresca (6,4 kg).

  • Importações de arroz avançam com oferta restrita

    Importações de arroz avançam com oferta restrita

    O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul registra oferta restrita e baixa liquidez. O levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada mostra preocupação crescente entre agentes do setor.
    Além da escassez do cereal, a alta do diesel pressiona os custos de frete e logística. Esse aumento ocorre justamente durante a intensificação da colheita e do transporte da produção.

    Compradores elevam ofertas para garantir produto

    Nos últimos dias, compradores elevaram as ofertas para garantir abastecimento. Alguns agentes reajustaram os preços de aquisição mais de uma vez. Mesmo assim, a disponibilidade de arroz no mercado permaneceu limitada.

    Produtores seguram vendas e priorizam colheita

    Segundo pesquisadores do Cepea, parte dos produtores mantém postura retraída. Ou seja, esses produtores aguardam sinais mais claros do mercado antes de negociar. Ao mesmo tempo, outra parcela concentra esforços nos trabalhos de colheita. Em algumas regiões, produtores relatam produtividade menor nas lavouras.

    Alta do diesel preocupa cadeia do arroz

    Agentes consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada também demonstram preocupação com o diesel mais caro. Os relatos indicam inclusive desabastecimento regional do combustível.
    As tensões geopolíticas globais impulsionam essa alta de preços.

    Colheitas simultâneas ampliam pressão logística

    O cenário preocupa especialmente o setor no Rio Grande do Sul. No estado, a colheita de arroz ocorre ao mesmo tempo que a safra de soja. Essa coincidência aumenta a demanda por transporte e amplia os custos logísticos do agronegócio.

     

  • Com investimento de R$ 4,5 milhões, Yara fortalece operação logística no Rio Grande do Sul

    Com investimento de R$ 4,5 milhões, Yara fortalece operação logística no Rio Grande do Sul

    A Yara Brasil inaugurou o novo Centro de Distribuição da unidade de Cruz Alta (RS). A empresa investiu R$ 4,5 milhões na estrutura, que amplia a capacidade de armazenagem e movimentação de fertilizantes e transforma a unidade em um hub estratégico de mistura e distribuição no Sul do país.

    A nova estrutura permite operar anualmente 100 mil toneladas de fertilizantes, o equivalente a quase 20 caminhões carregados por dia. A capacidade estática chega a 16 mil toneladas em big bags. Com a expansão, a unidade abriu 10 novos postos de trabalho diretos.

    “A nova estrutura permitirá maior segurança no armazenamento, eficiência operacional e redução de gargalos logísticos, atendendo melhor e com mais qualidade os produtores da região. Nosso investimento reforça o compromisso da Yara com o desenvolvimento do agronegócio no Estado e o fortalecimento da competitividade regional”, afirma Lucas Elizalde, Diretor de Operações da Regional Sul e Cerrado da Yara.

    O armazém funcionará exclusivamente para o portfólio de alta tecnologia da companhia, incluindo as linhas YaraBasa, YaraBasa FULL, YaraMila e YaraBela. A expectativa da empresa é que a expansão impulsione o desempenho da unidade, com crescimento estimado de 25% no faturamento em volume.

    A localização privilegiada e a logística eficiente consolidam Cruz Alta como um polo regional de distribuição de fertilizantes. A unidade amplia a competitividade local e contribui para o desenvolvimento do agronegócio no Rio Grande do Sul, além de atender clientes em outros estados.

    A Yara mantém três unidades operacionais no Rio Grande do Sul: Porto Alegre; Rio Grande, onde está a maior e mais moderna planta de fertilizantes da América Latina; e Cruz Alta.