Tag: inovação no agro

  • Prêmio de citricultura abre inscrições com foco em inovação

    Prêmio de citricultura abre inscrições com foco em inovação

    O Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico (IAC), abriu as inscrições para o Prêmio Centro de Citricultura 2026. O prazo segue até 23 de abril. A premiação acontece em 26 de maio, durante a abertura da 51ª Expocitros, em Cordeirópolis (SP). Neste ano, o tema é “Inovação para o Futuro da Citricultura”, com foco em iniciativas que geram impacto direto na cadeia produtiva.

    Criado em 1997, o prêmio se consolidou como um dos principais reconhecimentos da citricultura brasileira. Ao longo dos anos, a iniciativa destacou projetos, profissionais e instituições que contribuíram para o avanço do setor. Além disso, reforçou a importância da tecnologia e da pesquisa no campo.

    Segundo o diretor do Centro de Citricultura, Dirceu Mattos Jr., o objetivo é valorizar quem impulsiona mudanças reais na atividade. “O prêmio busca identificar e reconhecer iniciativas que fortaleçam a modernização e a competitividade da citricultura”, afirma.

    Critérios valorizam tecnologia e impacto no campo

    Podem participar pessoas físicas, instituições públicas ou privadas e também projetos ligados ao setor. No entanto, a organização prioriza iniciativas com resultados comprovados. Entre os critérios, estão a adoção de tecnologias, o desenvolvimento de soluções práticas e a criação de redes de cooperação.

    Para se inscrever, o interessado deve enviar um documento de até duas páginas por e-mail. O material precisa apresentar o perfil do candidato ou da iniciativa. Também deve detalhar os avanços inovadores e justificar a relevância da contribuição.

    Foto: Expocitros/ Divulgação

    Além disso, o edital recomenda o uso de dados objetivos. Sempre que possível, o participante deve incluir evidências que comprovem o impacto da proposta no setor.

    Um comitê formado por especialistas vai analisar as indicações. O grupo avaliará inovação, impacto e contribuição para o futuro da citricultura. Depois disso, a diretoria do Centro de Citricultura define o vencedor.

    Histórico reforça importância do reconhecimento

    Nas últimas edições, o prêmio destacou diferentes elos da cadeia citrícola. Em 2025, a organização reconheceu a equipe da Expocitros, pelos 50 anos da feira. Já em 2024, o destaque foi a empresa Solo Sagrado. Antes disso, a Fundação Solidaridad recebeu o prêmio em 2023.

    O Programa Globo Rural foi homenageado em 2022. Em 2021, o reconhecimento ficou com o Centro de Ciências Agrárias da UFSCar. Esses exemplos mostram a diversidade de iniciativas que movimentam o setor.

    Com isso, a edição de 2026 deve ampliar ainda mais o alcance do prêmio. A expectativa é destacar soluções inovadoras diante de desafios como clima, produtividade e sustentabilidade.

    A cerimônia de premiação ocorre na abertura da Expocitros. O evento começa às 9h e reúne especialistas, produtores e empresas do setor.

  • Imigração, crise e recomeço: a história da Stara

    Imigração, crise e recomeço: a história da Stara

    A história da Stara começa muito antes da indústria instalada em Não-Me-Toque, no interior do Rio Grande do Sul. Ela tem origem na Holanda, entre pequenos agricultores da tradicional família Stapelbroek que precisaram atravessar o oceano para recomeçar a vida no Brasil.

    Durante visita de jornalistas à fábrica da empresa, realizada paralelamente à Expodireto Cotrijal, a trajetória da companhia foi apresentada pela gerente de marketing da Stara, Cíntia Dal Vesco, revelando como uma pequena oficina familiar se transformou em uma das principais fabricantes de máquinas agrícolas do país.

    Uma família em busca de recomeço

    O ponto de partida remonta ao final da década de 1930 e início dos anos 1940, quando a família Stapelbroek vivia da agricultura de subsistência na Holanda. Além de agricultor, o patriarca também atuava como ferreiro, produzindo ferramentas e pequenas máquinas utilizadas na lavoura.

    Com a Segunda Guerra Mundial e a crise humanitária que atingiu a Europa, a família decidiu migrar para o Brasil. Assim, com apoio da igreja, vendeu tudo o que possuía e embarcou rumo ao país sul-americano em busca de uma nova oportunidade.

    A chegada ocorreu pelo porto de Santos. Em seguida, os imigrantes seguiram para a Fazenda Ribeirão, região que hoje corresponde ao município de Holambra, no interior de São Paulo. A proposta era reconstruir a vida em comunidade, trabalhando em um modelo cooperativo.

    Johannes Bernardus Stapelbroek e sua esposa, Johanna – Foto: Arquivo/ Stara

    Durante quatro anos, a família viveu em condições simples, em uma casa de pau a pique e chão batido. Na bagagem trouxeram sementes e mudas que pretendiam cultivar no Brasil. No entanto, o clima e as características do solo eram muito diferentes da realidade holandesa, o que dificultou a adaptação das culturas.

    Diante das dificuldades, a família decidiu tentar novamente e buscar um novo lugar para recomeçar.

    Da pequena oficina à inovação no campo

    O destino escolhido foi Não-Me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul, município conhecido por reunir colônias de imigrantes holandeses. Foi ali que, por volta de 1960, surgiu a primeira oficina criada pela família em sociedade com os Rauwers. Nascia a Stapelbroek Rauwers & Cia Ltda., dedicada inicialmente a adaptações em máquinas agrícolas.

    Naquele período, a agricultura brasileira começava a ganhar escala comercial. Muitas máquinas eram importadas e precisavam de ajustes para funcionar nas condições do campo brasileiro. Dessa forma, a pequena oficina passou a atender justamente essa demanda.

    Em 29 de agosto de 1960 surgiu oficialmente a Stara. A estrutura era simples: um galpão de madeira com cerca de 400 metros quadrados. O nome da empresa nasceu da união dos sobrenomes Stapelbroek e Rauwers.

    Nos primeiros anos, a empresa produzia pulverizadores e adaptava equipamentos agrícolas. A oficina também fabricava itens variados, como camas hospitalares, cozinhas, cadeiras de dentista e até baterias musicais, mostrando a capacidade técnica dos fundadores.

    Proximidade com produtor

    A proximidade com o produtor rural sempre foi uma característica da empresa. Na fase inicial da mecanização agrícola, um problema comum ocorria durante a capina entre as linhas de plantio: o operador do trator não conseguia visualizar corretamente a posição do equipamento e acabava danificando parte da lavoura.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Por isso, a Stara desenvolveu um sistema de orientação que permitia conduzir a ferramenta com mais precisão entre as linhas da cultura. Para a época, a inovação representou um avanço importante e ajudou a projetar o nome da empresa no setor agrícola.

    O crescimento levou à inauguração de uma nova planta industrial em 1978, com cerca de 8 mil metros quadrados. Com isso, a empresa ampliou sua capacidade de produção. No entanto, o investimento foi financiado com empréstimos em dólar e acabou provocando uma das maiores crises da história da companhia.

    Em 1982, a forte valorização da moeda norte-americana quadruplicou o valor da dívida da empresa praticamente da noite para o dia. Diante desse cenário, a venda da Stara passou a ser considerada como única saída.

    A decisão que salvou a empresa

    Foi nesse momento que entrou em cena Franciscus Johannes Stapelbroek, conhecido na região como “Seu Chico”. Filho do fundador da empresa, ele havia deixado a indústria para realizar o sonho de se tornar agricultor.

    Chamado pelos irmãos para ajudar no processo de venda, Seu Chico tomou uma decisão que mudaria o rumo da história. Produtor respeitado na região e adepto da filosofia de sempre guardar parte da safra como segurança financeira, decidiu investir suas economias na empresa para evitar que o sonho da família terminasse ali.

    Assim, o aporte permitiu que a Stara reorganizasse suas finanças e iniciasse um novo ciclo de crescimento.

    Alguns anos depois, outro personagem passaria a marcar a trajetória da companhia: Gilson Trennepohl. De origem humilde, ele chegou a Não-Me-Toque com poucos pertences e o sonho de trabalhar como radialista.

    Inicialmente trabalhou como garçom em um restaurante em troca de comida. Foi nesse período que conheceu Susana Stapelbroek, filha de Seu Chico. Os dois se casaram e, posteriormente, Gilson pediu uma oportunidade para trabalhar na empresa da família.

    A condição para ingressar na Stara era clara: começaria de baixo e seu crescimento dependeria do desempenho, não do parentesco.

    Ele iniciou como demonstrador de máquinas agrícolas, viajando de fazenda em fazenda para apresentar os equipamentos aos produtores. Com o tempo, destacou-se pela habilidade de comunicação e negociação e acabou assumindo a diretoria comercial.

    Sob sua atuação, a empresa ampliou a linha de produtos, iniciou exportações e passou a investir em novas tecnologias.

    O símbolo do “positivo”

    Desde a década de 1980, Gilson Trennepohl passou a adotar o gesto do polegar levantado como forma de transmitir confiança e otimismo dentro da empresa. O símbolo aparecia frequentemente em fotografias e encontros da companhia.

    Família Stapelbroek Trennepohl (4ª Geração) – Foto: Arquivo/ Stara

    Com o passar dos anos, o gesto ganhou significado dentro da cultura organizacional. Em 2010, durante as comemorações dos 50 anos da Stara, um estudo de marketing indicou a necessidade de um símbolo que representasse a identidade da empresa. Assim, o gesto do “positivo” acabou adotado oficialmente.

    Mais do que uma estratégia de comunicação, o símbolo passou a representar a filosofia de acreditar, seguir em frente e enfrentar desafios com confiança.

    Hoje, prestes a completar 66 anos de história, a Stara mantém sua matriz em Não-Me-Toque, onde reúne milhares de colaboradores e uma ampla estrutura industrial voltada ao desenvolvimento de máquinas agrícolas. A empresa exporta para 35 países e possui unidades industriais e centros de tecnologia no Brasil e no exterior.

    Mesmo com a expansão, a companhia preserva valores ligados à simplicidade e ao relacionamento próximo com produtores rurais e colaboradores. Um exemplo é o bairro planejado criado pela empresa para facilitar o acesso de funcionários à moradia, oferecendo terrenos a preços abaixo do custo.

    Dessa forma, a iniciativa reflete um princípio que acompanha a Stara desde sua origem: construir máquinas é importante, mas construir pessoas é essencial para manter viva a cultura e o legado da empresa.

  • Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    Tecnologia promete recuperar solos afetados por enchentes

    A recuperação da produção agrícola no Rio Grande do Sul, após os impactos dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos, está no centro das discussões da 26ª Expodireto Cotrijal, realizada de 9 a 13 de março em Não-Me-Toque. Durante a feira, a Yara, multinacional líder em nutrição de plantas, anunciou a ampliação de investimentos em programas de recuperação de solos, novas soluções nutricionais e iniciativas voltadas à sustentabilidade da cadeia de alimentos.

    Segundo o vice-presidente de Vendas da Yara Brasil, Diogo Rezende, o cenário do mercado de fertilizantes passa por um momento de reorganização global, após períodos de forte volatilidade nos preços e nas cadeias de suprimento. Ainda assim, o Brasil mantém papel estratégico na produção mundial de alimentos.

    “O agro brasileiro segue como protagonista global. Mesmo diante de desafios climáticos e logísticos, o produtor mantém níveis elevados de produtividade. Nesse contexto, soluções nutricionais eficientes tornam-se cada vez mais importantes para garantir estabilidade e rentabilidade no campo”, afirmou.

    Rezende destacou ainda que o Rio Grande do Sul possui relevância estratégica para o setor de fertilizantes, principalmente pela diversidade de culturas e pelo alto nível tecnológico adotado pelos produtores rurais.

    Recuperação de solos ganha reforço

    Entre os anúncios feitos na feira está a renovação da parceria com a Embrapa no programa Recupera Rural RS, iniciativa voltada à recuperação de solos degradados após as enchentes que atingiram o estado em 2024.

    A empresa destinará R$ 300 mil adicionais ao projeto, elevando para R$ 750 mil o investimento total no programa. As ações incluem diagnóstico técnico das áreas afetadas, orientação agronômica, práticas conservacionistas e acompanhamento direto aos produtores rurais.

    De acordo com a companhia, considerando todas as iniciativas realizadas desde os eventos climáticos extremos, o aporte total destinado ao estado chega a R$ 1,5 milhão, incluindo ações emergenciais de apoio ao setor agrícola.

    Para o vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, Guilherme Schmitz, a reconstrução produtiva do estado passa necessariamente pela recuperação da saúde do solo.

    Da esquerda para direita: Guilherme Schmitz – VP Marketing e Agronomia da Yara Brasil; Marcio Wally, Diretor de Vendas Região Sul da Yara Brasil e Diogo Rezende – VP de Vendas da Yara Brasil – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “O impacto do desastre climático de 2024 ainda é sentido em várias regiões do estado. Por isso, restaurar a fertilidade e a estrutura do solo é fundamental para recuperar a competitividade das propriedades e garantir a segurança alimentar”, afirmou.

    Schmitz acrescentou que a parceria com a Embrapa permite ampliar o alcance das soluções técnicas no campo. “A ciência é essencial nesse processo. Trabalhamos para levar conhecimento agronômico e práticas sustentáveis diretamente ao produtor.”

    Nova solução nutricional chega ao Sul

    Além das ações de recuperação ambiental, a empresa apresentou na Expodireto o YaraBasa FULL, evolução da linha de fertilizantes utilizada em diversas culturas no Brasil.

    A nova formulação integra, em um único grânulo, nutrientes essenciais do tipo NPK, micronutrientes e bioinsumos desenvolvidos pela companhia. A proposta é aumentar a eficiência nutricional das plantas e melhorar o desempenho das lavouras em condições de estresse climático.

    Segundo Márcio Wally, diretor de Vendas da Região Sul da Yara Brasil, o lançamento foi pensado especialmente para os sistemas produtivos predominantes no sul do país, como as rotações de soja e arroz.

    “O produtor da região busca soluções cada vez mais completas e eficientes. O YaraBasa FULL combina nutrição mineral com bioinsumos, o que contribui para maior vigor radicular e melhor tolerância das plantas às variações climáticas”, explicou.

    Testes de campo realizados pela empresa indicam resultados positivos. Até o momento, mais de 25 pesquisas agronômicas foram concluídas, além de cerca de 200 áreas demonstrativas em lavouras comerciais. Outros 14 estudos adicionais seguem em andamento no país.

    Bioinsumos ganham espaço no agro

    Outro destaque apresentado na feira é o avanço do portfólio de bioinsumos da companhia, alinhado à crescente demanda por soluções agrícolas mais sustentáveis.

    Entre os produtos disponíveis está o YaraAmplix SEEDLIFT, desenvolvido para tratamento de sementes. A formulação combina extratos de algas marinhas com nutrientes como nitrogênio, fósforo, zinco e cálcio.

    Ensaios conduzidos pela empresa em lavouras de trigo indicaram aumento de até 50% no volume de raízes, o que contribui para maior eficiência no uso de água e nutrientes.

    Além disso, plantas com melhor desenvolvimento radicular tendem a apresentar maior tolerância a estresses ambientais ao longo do ciclo produtivo.

    Durante os cinco dias da Expodireto Cotrijal, especialistas agronômicos da companhia permanecem no estande para apresentar as tecnologias e orientar produtores sobre estratégias de manejo nutricional.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Sustentabilidade e descarbonização

    As iniciativas apresentadas na feira também fazem parte da estratégia global da empresa voltada à descarbonização da cadeia de alimentos e ao avanço da chamada agricultura regenerativa.

    Nesse contexto, a companhia lançou a campanha de posicionamento chamada “Fator Y”, que busca destacar a combinação entre conhecimento científico, inovação tecnológica e sustentabilidade.

    A proposta é reforçar o papel da agricultura brasileira como fornecedora de alimentos para o mundo, ao mesmo tempo em que incentiva práticas produtivas com menor impacto ambiental.

    Fundada na Noruega em 1905, a Yara atua atualmente em mais de 60 países e conta com cerca de 17 mil colaboradores. No Brasil, a empresa está presente nos principais polos agrícolas e mantém mais de 4 mil funcionários, atendendo produtores de diferentes perfis e culturas.

  • Tecnologia de grandes máquinas chega ao pequeno produtor

    Tecnologia de grandes máquinas chega ao pequeno produtor

    A tecnologia que antes era restrita a máquinas de grande porte começa a ganhar espaço também nas propriedades menores. Durante a 26ª Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, a Massey Ferguson apresentou três novas séries de tratores que ampliam o acesso a recursos de agricultura de precisão para produtores de diferentes perfis.

    Os lançamentos incluem modelos voltados desde pequenas propriedades até operações de maior escala. Entre os destaques estão sistemas de piloto automático, telemetria e monitoramento remoto embarcados diretamente de fábrica, tecnologias que até poucos anos atrás estavam disponíveis apenas em máquinas de alta potência.

    Segundo a empresa, a estratégia é tornar os recursos digitais cada vez mais presentes no dia a dia da agricultura brasileira, independentemente do tamanho da propriedade.

    “Estamos lançando três séries novas de tratores aqui na Expodireto. A proposta é atender desde o pequeno produtor até operações maiores, com máquinas versáteis e tecnologia embarcada”, explica Eder Pinheiro, coordenador de marketing de produto tratores da marca.

    Novas séries ampliam acesso à tecnologia

    Entre as novidades apresentadas está a série MF 3700, voltada principalmente a produtores de menor escala. Os modelos possuem 75 e 85 cavalos de potência e foram projetados para atividades variadas no campo.

    Segundo Pinheiro, a proposta é oferecer uma máquina versátil, capaz de atender diferentes etapas do ciclo produtivo.

    “É um trator pensado no pequeno produtor que precisa de uma máquina mais versátil, um trator ‘faz tudo’, que ele vai utilizar desde o preparo de solo até o plantio e outras operações da propriedade”, afirma.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Os modelos podem contar com transmissões de 15 por 15 ou 30 por 15 marchas, oferecendo maior flexibilidade de uso conforme a necessidade da propriedade.

    Outro destaque da marca na feira é a nova série MF 5M, considerada um lançamento nacional apresentado pela primeira vez durante a Expodireto.

    Os tratores dessa linha possuem potências entre 105 e 145 cavalos e chegam ao mercado para substituir duas séries já consolidadas da fabricante: MF 5700 e MF 6700.

    De acordo com o coordenador da empresa, a nova geração mantém características que já eram bem avaliadas pelos produtores.

    “Mantivemos pontos que o agricultor já aprovava, como a transmissão 12×12 com reversão eletro-hidráulica. Uma novidade importante é o motor de quatro cilindros em um trator de 105 cavalos, que era uma demanda recorrente dos produtores”, destaca.

    Outro diferencial da série é a vazão hidráulica de até 100 litros por minuto, que permite operar diversos tipos de implementos agrícolas com maior eficiência.

    Além disso, os modelos já podem sair de fábrica equipados com piloto automático hidráulico, tecnologia que contribui para maior precisão nas operações agrícolas.

    Segundo a fabricante, o sistema ajuda a reduzir sobreposições de linhas de trabalho e melhora o rendimento operacional, além de favorecer a economia de combustível no dia a dia da propriedade.

    Série MF 6M mira operações mais exigentes

    A terceira linha apresentada na feira é a MF 6M, voltada a operações que demandam maior potência e robustez.

    Os modelos trabalham na faixa de 160 a 190 cavalos de potência e contam com motores de quatro cilindros e transmissão automática.

    De acordo com Pinheiro, o sistema permite maior eficiência durante o trabalho no campo.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    “A transmissão automática trabalha com três marchas e pode operar em rotação fixa. O trator identifica a melhor marcha para aquela condição de trabalho, o que também contribui para a economia de combustível”, explica.

    Com isso, a série atende propriedades que exigem maior capacidade operacional, como grandes áreas de cultivo ou atividades agrícolas intensivas.

    Tecnologia como tendência no campo

    O conjunto de lançamentos reforça uma tendência cada vez mais evidente no agronegócio: a ampliação do acesso às tecnologias de agricultura de precisão.

    Ao incorporar sistemas digitais e recursos de conectividade em máquinas de diferentes categorias, fabricantes buscam atender produtores de variados perfis, desde pequenas propriedades familiares até grandes operações agrícolas.

    Na avaliação da empresa, essa evolução tecnológica tende a impactar diretamente a produtividade e a eficiência das lavouras.

    A expectativa do setor é que, nos próximos anos, ferramentas como piloto automático, monitoramento remoto e análise de dados passem a fazer parte da rotina de um número cada vez maior de produtores brasileiros.

  • Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Manejo antecipado evita perdas de até 90% nas lavouras

    Decisões tomadas ainda no início do ciclo da lavoura podem definir o sucesso da safra. Esse foi um dos principais recados apresentados por especialistas da IHARA durante a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul. A empresa levou à feira um conjunto de tecnologias voltadas ao manejo de pragas, doenças e plantas daninhas, três fatores que seguem entre os principais desafios enfrentados pelo produtor nas culturas de soja, milho e trigo.

    De acordo com o engenheiro agrônomo Rudimar Spannemberg, que atua no desenvolvimento de mercado da companhia, o cenário atual da agricultura exige planejamento técnico cada vez mais preciso. Segundo ele, reduzir investimentos em momentos críticos pode comprometer toda a produtividade da lavoura.

    “Em um cenário de custos pressionados, pode parecer tentador reduzir investimentos. No entanto, insetos, doenças e plantas daninhas precisam ser controlados desde o início do ciclo da cultura. O manejo realizado no momento adequado garante estabilidade produtiva e evita perdas que comprometem os resultados”, afirma.

    Além disso, o especialista lembra que o Rio Grande do Sul ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos. O estado aparece entre os principais polos agrícolas do país e é o segundo em área plantada de soja no Brasil, o que reforça a importância de decisões técnicas bem planejadas.

    Fernando Socolovski e Rudimar Spannemberg – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Plantas daninhas avançam e preocupam produtores

    Entre os temas que mais despertaram atenção na apresentação está o avanço das plantas daninhas resistentes. Estudos técnicos indicam que algumas espécies já estão presentes em mais de 50% das áreas agricultáveis do Brasil.

    Entre as mais comuns estão o capim-amargoso, capim-pé-de-galinha, azevém, corda-de-viola, capim-colonião, caruru e capim-braquiária.

    Segundo o gerente comercial distrital da empresa, Fernando Socolovski, a presença dessas espécies pode provocar impactos significativos na produtividade.

    “O potencial de perdas causado pela matocompetição pode ultrapassar 90% quando o manejo não é feito de forma adequada”, explica.

    No Rio Grande do Sul, uma das plantas daninhas que mais preocupam os agricultores é o caruru. Em algumas regiões, a espécie já está presente em metade das áreas cultivadas. Além disso, a resistência ao glifosato tem dificultado o controle, reduzindo o rendimento das lavouras de soja e outras culturas.

    Nesse cenário, o manejo antecipado torna-se fundamental. Entre as tecnologias apresentadas na feira está o herbicida Yamato SC, desenvolvido para atuar ainda na fase de germinação das plantas daninhas.

    O produto funciona como pré-emergente. Ou seja, ao absorver água no solo, a planta daninha também absorve o produto, o que permite o controle ainda no início do desenvolvimento, antes que a competição com a cultura principal se intensifique.

    Doenças e insetos pressionam a produtividade

    Ao mesmo tempo, as doenças continuam representando um dos maiores riscos à produção agrícola. Entre elas, a ferrugem asiática da soja segue como uma das mais temidas pelos produtores.

    De acordo com especialistas, quando o manejo não é realizado de forma adequada, as perdas podem chegar a 90% da produção.

    Além da ferrugem, outras doenças aparecem em diferentes fases do ciclo da cultura. No início da safra, por exemplo, são comuns problemas como mancha parda, oídio, cercosporiose, crestamento bacteriano e fitóftora.

    Já durante o meio do ciclo surgem doenças como míldio, antracnose, mancha-alvo e mofo branco. No fim do desenvolvimento da lavoura, por sua vez, podem aparecer novamente mancha parda, cercospora, crestamento e ferrugem.

    Nesse contexto, o uso de fungicidas com diferentes mecanismos de ação torna-se uma estratégia importante para garantir eficiência no controle e reduzir o risco de resistência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Tecnologia e inovação no campo

    Outro desafio recorrente nas lavouras brasileiras é o ataque de insetos, especialmente percevejos. Esses insetos podem comprometer diretamente o desenvolvimento das plantas e reduzir a produtividade final.

    Segundo dados apresentados pela empresa, testes realizados em campo indicaram que o inseticida Zeus alcançou até 95% de eficácia no controle do percevejo-marrom em lavouras de soja.

    Além disso, o portfólio da companhia inclui o inseticida Terminus, desenvolvido para o controle de diferentes espécies de percevejos, como o percevejo-marrom e o percevejo barriga-verde.

    A empresa, que possui 62 anos de atuação e sede em Sorocaba, no interior de São Paulo, destaca ainda sua forte ligação com a pesquisa agrícola japonesa. Atualmente, cerca de 60% das novas moléculas que chegam à agricultura brasileira têm origem em empresas japonesas.

    Segundo Socolovski, esse perfil inovador deve resultar em uma nova geração de tecnologias para o campo.

    “Nos próximos anos, a companhia tem potencial para lançar cerca de 240 novos produtos, entre herbicidas, fungicidas e inseticidas”, afirma.

    Por fim, os especialistas reforçam que a agricultura moderna exige cada vez mais conhecimento técnico e planejamento estratégico. A natureza é dinâmica, novas pragas surgem e a resistência a moléculas já conhecidas avança.

    Por isso, o produtor que antecipa decisões e investe em tecnologia tende a proteger melhor sua lavoura e garantir maior estabilidade produtiva nas próximas safras.

  • Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    Soluções japonesas elevam produtividade no campo

    A Ihara apresentou suas principais apostas em inovação, novos produtos e estratégias para ampliar a produtividade agrícola no Brasil durante a 38ª edição da Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Em coletiva de imprensa no evento, o gerente distrital e comercial da empresa, Rafael Scapini, detalhou tendências de mercado, desafios do manejo e os próximos lançamentos previstos no portfólio da companhia.

    Inovação japonesa aplicada ao campo brasileiro

    Reconhecida como uma das principais plataformas de inovação agrícola do Japão no Brasil, a Ihara atua com acionistas majoritariamente ligados ao fornecimento de moléculas. Esse modelo permite que soluções desenvolvidas no maior polo de pesquisa agrícola do mundo cheguem ao campo brasileiro de forma direcionada às necessidades do produtor.

    Rafael Scapini, gerente distrital e comercial da Ihara – Foto: Pedro H, Lopes

    Além disso, a empresa mantém o foco em transformar tecnologia em resultado prático na lavoura. O objetivo, segundo Scapini, é garantir que a inovação chegue até o produto final, com impacto direto na produtividade e na rentabilidade.

    Crescimento do portfólio e novos lançamentos

    O avanço da Ihara no País ocorre de forma consistente. Em 2017, a empresa registrou seu maior crescimento histórico, com o lançamento de 15 produtos em um único ano. Já em 2025, o portfólio alcançou 79 produtos disponíveis, atendendo todas as culturas e segmentos do agronegócio.

    Atualmente, a companhia avalia e desenvolve 22 moléculas, com potencial para originar até 240 novos produtos. Além disso, quatro soluções — dois fungicidas e dois inseticidas — avançam para a fase final de desenvolvimento. “Tem muita coisa nova para vir por aí”, afirmou Scapini.

    Entre os produtos que devem chegar em breve ao agricultor estão o Fusão Fix, fungicida voltado à cultura da soja; o Alecto, inseticida com molécula inédita para o controle de lagartas; e o Olympo, mistura tripla para soja, com ação contra lagartas, percevejos e outras pragas.

    Recentemente, a Ihara também lançou o SEIV, fungicida desenvolvido com tecnologia própria para o controle da mancha-alvo. Segundo a empresa, o produto permite máximo controle da doença e pode elevar a produtividade em até quatro sacas por hectare.

    Custos de produção e busca por eficiência

    De acordo com Scapini, o produtor rural tem ampliado o investimento em tecnologia como resposta às margens cada vez mais apertadas. Atualmente, cerca de 20% dos recursos vão para fungicidas, 25% para inseticidas, 20% para herbicidas e 7% para tratamento de sementes, além de outros custos de manejo.

    No custo total de produção, os fertilizantes representam aproximadamente 25%, enquanto os defensivos somam 15% e as sementes ficam entre 7% e 8%. Para alcançar o ponto de equilíbrio, o produtor precisa colher cerca de 55 sacas de soja por hectare ao adotar um pacote tecnológico completo.

    Nesse contexto, o investimento em manejo adequado deixou de ser opção e passou a ser necessidade. “Novos patamares de produtividade exigem capricho e planejamento”, destacou o gerente.

    Manejo de plantas daninhas e resistência

    O manejo de plantas daninhas se consolidou como um dos maiores desafios da agricultura moderna. A resistência ao glifosato acelerou o uso de herbicidas pré-emergentes, especialmente no Sul do País. Espécies como caruru, buva e capim-pé-de-galinha ganharam espaço com as condições climáticas favoráveis.

    Diante desse cenário, o herbicida Yamato SC ganhou importância no manejo da resistência. O produto oferece maior período de controle, alta seletividade e segurança para o agricultor iniciar a lavoura no limpo.

    Enquanto isso, a evolução genética também transformou o campo. Se antes uma mesma genética atendia grandes regiões, hoje a escolha ocorre por propriedade. Assim, o produtor alia genética, seletividade e tecnologia para alcançar maior eficiência.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Doenças e controle de pragas

    Entre as doenças da soja, a ferrugem asiática segue como a principal preocupação. Dados da Aprosoja indicam que a doença pode comprometer até 90% da produção. Na última safra, o Brasil registrou mais de 240 focos, o maior número já observado.

    Para enfrentar esse desafio, a Ihara destaca os fungicidas Sugoy e Fusão. O Sugoy reúne uma mistura tripla com ação contra ferrugem, mancha-alvo, antracnose e outras doenças. Dessa forma, o produtor não precisa adicionar outros produtos ao manejo. Já o Fusão combina alta performance com baixo investimento, o que o torna indispensável na rotina do campo.

    No controle de insetos, o Zeus se consolidou como referência no manejo de percevejos. Segundo dados apresentados, apenas um percevejo por metro quadrado pode gerar prejuízos superiores a R$ 11 mil em uma área de 100 hectares. “Não é promessa, é resultado de campo”, reforçou Scapini.

    Com foco em inovação contínua, tecnologia japonesa e soluções adaptadas à realidade brasileira, a Ihara projeta um novo ciclo de crescimento no País. A estratégia prioriza eficiência no manejo, controle preciso de pragas e doenças e aumento da rentabilidade. “É o detalhe que faz a diferença dentro do manejo produtivo”, concluiu o gerente.

  • Stara destaca inovação e tecnologia no Show Rural Coopavel

    Stara destaca inovação e tecnologia no Show Rural Coopavel

    A Stara apresentou suas principais inovações em máquinas agrícolas durante o Show Rural Coopavel, realizado em Cascavel, no Oeste do Paraná. Com foco em tecnologia, conectividade e agricultura de precisão, a empresa brasileira destacou novos produtos e soluções voltadas à realidade do produtor rural, reforçando seu posicionamento como referência em inovação no agronegócio.

    Durante coletiva de imprensa, a gerente de Marketing da Stara, Cíntia Dal Vesco, resgatou a trajetória da empresa, fundada por uma família de imigrantes holandeses que chegou ao Brasil após a Segunda Guerra Mundial. Segundo ela, o País ofereceu as condições necessárias para o crescimento e a consolidação da marca no setor de máquinas agrícolas.

    “Somos uma indústria brasileira de origem familiar, que completou 65 anos em 2025. Desde o início, nossa marca carrega a evolução e a renovação constante, principalmente ao levar tecnologia ao agro, aumentando a produtividade do produtor e contribuindo para a produção de mais alimentos para o mundo”, afirmou.

    Pioneirismo e agricultura de precisão

    Nesse contexto, a executiva destacou o papel pioneiro da Stara no desenvolvimento da agricultura de precisão no Brasil. Em 2000, a empresa foi a primeira indústria nacional a unir estruturas robustas de aço à tecnologia necessária para uso direto no campo. A iniciativa marcou uma virada no setor e ampliou a eficiência das operações agrícolas.

    Entretanto, um dos principais desafios ao longo desse processo foi a conectividade nas áreas rurais. “A internet chegava às cidades, mas não à lavoura. Isso limitava o uso pleno das tecnologias disponíveis”, explicou Cíntia.

    Dessa forma, a Stara passou a investir em soluções que garantissem conectividade estável no campo. A parceria com a Starlink, por meio da internet via satélite, surge como resposta a essa demanda. Com isso, a empresa busca potencializar o uso de sistemas embarcados e ampliar a precisão das operações agrícolas.

    Ainda durante a feira, a Stara apresentou cinco novidades, entre lançamentos e tecnologias consideradas estratégicas para o avanço da produtividade no campo.

    Novos produtos e pacote tecnológico

    O diretor-presidente da Stara, Átila Stapelbroek Trennepohl, ressaltou o significado de dar continuidade a um projeto iniciado há quatro gerações. “É um orgulho fazer parte dessa história e seguir algo que começou com meu bisavô”, disse.

    Segundo ele, a empresa levou ao Show Rural Coopavel novos produtos da linha de plantio, como a Cinderela e a Princesa, além de soluções já consolidadas, como o Spartacus, que atua como pulverizador e distribuidor, e o Hércules 9.0, voltado exclusivamente à distribuição.

    Além disso, a grande novidade apresentada foi o pacote tecnológico Land Space. A solução integra conexão via satélite, sinal de GPS de alta precisão e internet embarcada de fábrica nas máquinas. “Essas tecnologias, combinadas aos softwares desenvolvidos internamente pela Stara, permitem automatizar processos e simplificar operações que antes limitavam o trabalho no campo”, explicou Trennepohl.

    Com isso, os equipamentos passam a operar com mais precisão, eficiência e segurança, atendendo diferentes perfis de produtores rurais.

    Spartakus amplia versatilidade no campo

    Outro destaque da coletiva foi o Spartakus, apresentado como um conceito inédito no mercado. A máquina reúne, em um único autopropelido, funções de distribuição de fertilizantes, pulverização e semeadura por barras, reforçando a vocação inovadora da Stara.

    Spartakus, considerado pela empresa o primeiro distribuidor por barra e pulverizador do mundo – Foto: Pedro H. Lopes

    De acordo com Trennepohl, o equipamento foi desenvolvido a partir de sistemas já consagrados da empresa, com foco na redução e otimização de custos. “É uma máquina pensada para o produtor que busca eficiência operacional e alta precisão em suas atividades”, afirmou.

    A principal inovação está na possibilidade de realizar a distribuição de fertilizantes diretamente nas barras, por meio de um sistema pneumático com faixa de aplicação de 30 metros.

    Além de permitir ao operador controlar a taxa de aplicação e desligar as seções individualmente, o que garante mais praticidade, assertividade e economia de fertilizantes.

    Outro ponto destacado, o equipamento facilita a calibração e dispensa ajustes complexos, independentemente do produto utilizado. O Spartakus também permite a semeadura em áreas de cultivo de cobertura e incorpora soluções avançadas na pulverização, como os sistemas Bico a Bico e Recirculante Contínuo.

    Para completar, a máquina conta com recursos como Giro Inteligente nas quatro rodas, sistema Sobe e Desce e barras centrais, que ampliam a estabilidade operacional. A cabine ampla, confortável e silenciosa também foi apontada como diferencial importante para o operador.

  • Genética e agricultura digital impulsionam o milho brasileiro

    Genética e agricultura digital impulsionam o milho brasileiro

    A combinação entre genética avançada e agricultura digital vem mudando, na prática, a forma como o milho é cultivado no Brasil. Ao integrar dados de campo, pesquisa genética e híbridos de alto desempenho, produtores têm conseguido extrair mais produtividade por hectare, com maior previsibilidade e melhor retorno econômico, mesmo em cenários climáticos desafiadores.

    Esse movimento marca uma nova fase no mercado de sementes de milho, baseada menos em volume e mais em eficiência. Em vez de soluções genéricas, a aposta está em recomendações personalizadas, ajustadas à realidade de cada talhão. O resultado aparece diretamente na lavoura, com ganhos consistentes de rendimento e uso mais racional de insumos.

    Dados e genética no centro das decisões

    Um dos exemplos dessa transformação é o uso combinado de agricultura digital e portfólio genético para definir densidade de semeadura, posicionamento de híbridos e manejo nutricional. Com base em dados históricos, variabilidade do solo e potencial produtivo de cada área, o sistema orienta o agricultor a tomar decisões mais precisas desde o plantio.

    Na prática, isso significa abandonar médias gerais e trabalhar com recomendações específicas para cada parte da lavoura. Ao considerar o comportamento individual dos híbridos e as condições locais, a tecnologia permite explorar melhor o potencial genético das sementes, reduzindo riscos e desperdícios.

    Segundo especialistas do setor, a estabilidade produtiva passa a ser tão importante quanto o teto de produtividade. “A integração entre genética, posicionamento e ferramentas digitais cria um sistema mais equilibrado, que responde melhor às variações do ambiente”, avalia Marco Túlio, líder do negócio de milho da Bayer no Brasil.

    Resultados comprovados na lavoura

    Os efeitos dessa abordagem já aparecem nos números. Na última safra de inverno, áreas que adotaram o modelo somaram mais de 180 mil hectares e registraram ganhos médios entre quatro e sete sacas por hectare. Além disso, a taxa de sucesso superou 80%, indicador considerado elevado para uma cultura altamente sensível a clima e manejo.

    Para Marlon Denez, líder de soluções digitais para milho, os dados confirmam a maturidade da tecnologia. “Os resultados mostram que não se trata mais de promessa. Há retorno claro sobre o investimento, mesmo em safras desafiadoras”, afirma. Segundo ele, a combinação entre dados, genética e recomendações personalizadas tem se mostrado decisiva para aumentar produtividade e rentabilidade.

    Flexibilidade no manejo é diferencial

    Outro ponto que tem impulsionado a adoção da agricultura digital no milho é a flexibilidade. O agricultor pode escolher em quais áreas aplicar as recomendações e comparar os resultados com o manejo tradicional. Dessa forma, a tecnologia se adapta ao sistema produtivo da fazenda, e não o contrário.

    Além disso, o uso de plataformas digitais permite integrar informações de plantio, colheita e fertilização, facilitando ajustes ao longo do ciclo. Com isso, o produtor ganha autonomia para testar estratégias, escalar a tecnologia gradualmente e tomar decisões baseadas em dados reais da própria operação.

    Agilidade acompanha o ritmo do campo

    Atenta à dinâmica da lavoura, a entrega das prescrições passou a ocorrer em até 24 horas. Em muitos casos, as recomendações são geradas quase em tempo real. Essa agilidade faz diferença em um cenário de janelas curtas de plantio, no qual decisões atrasadas podem comprometer o desempenho da safra.

    “Sabemos que o tempo do campo é diferente. Por isso, a tecnologia precisa acompanhar o ritmo do produtor”, destaca Denez. A rapidez no acesso às informações reduz gargalos operacionais e aumenta a eficiência no momento mais crítico da cultura.

    Caminho para uma produção mais sustentável

    Ao integrar genética e agricultura digital, o cultivo do milho avança também no uso mais consciente de recursos. A aplicação de insumos em taxa variável e o melhor aproveitamento do potencial produtivo ajudam a reduzir excessos, melhorar a eficiência e contribuir para uma produção mais sustentável.

    Nesse contexto, a tendência é que soluções baseadas em dados ganhem cada vez mais espaço no campo. A expectativa do setor é ampliar significativamente a área cultivada com esse modelo nos próximos anos, consolidando a agricultura digital como um dos principais motores de competitividade do milho brasileiro.

  • Conferência Global de Agricultura Climática discute futuro sustentável do agro

    Conferência Global de Agricultura Climática discute futuro sustentável do agro

    A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) marcou presença na Conferência Global sobre Agricultura Inteligente para o Clima (CSA), em Brasília, entre os dias 5 e 7 de novembro. O evento reuniu cientistas, formuladores de políticas, investidores e empresas para traçar o futuro da alimentação e da agricultura perante as mudanças climáticas.

    A Aiba participou ativamente das discussões através de suas diretoras Cristina Gross (Financeira) e Lizane Ferreira (Executiva), e da coordenadora de projetos Marlize Stuczyski.

    Para Cristina Gross, a experiência foi crucial para fortalecer o setor. “Discutimos métricas, regeneração e paisagens produtivas. Este momento foi essencial para consolidar o agro que queremos: inovador, responsável e alinhado às melhores práticas globais”, afirmou a diretora.

    A Conferência CSA enfatizou inovações do mundo dos negócios com potencial para acelerar soluções práticas. O objetivo central foi promover sistemas alimentares sustentáveis e resilientes ao clima. O evento serviu como um importante preparatório para a COP 30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que Belém (PA) sediou em novembro.

  • Sebrae-SP fortalece empreendedorismo na Hortitec 2025

    Sebrae-SP fortalece empreendedorismo na Hortitec 2025

    O Sebrae-SP reafirmou seu compromisso com o fortalecimento do empreendedorismo rural ao marcar presença de forma estratégica na 30ª edição da Hortitec, em Holambra. Com um estande movimentado até esta sexta-feira (27), a instituição apresentou uma série de ações voltadas ao desenvolvimento de pequenos negócios, com foco especial na inovação e na conexão com o mercado.

    Presente no segundo dia da feira, o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Nelson Hervey Costa, destacou a relevância do evento para os objetivos da instituição. “Estamos mais uma vez na Hortitec, uma grande feira muito conectada ao pequeno produtor, nosso cliente. Temos aqui startups trazendo soluções tecnológicas, inovações e muitos produtores. É assim que reafirmamos nosso compromisso com quem empreende no campo.”

    Startups, pitchs e muito conteúdo técnico

    O estande recebeu uma programação intensa de painéis e encontros técnicos. Apenas nos dois primeiros dias foram realizados dez painéis temáticos, e o encerramento conta com atrações voltadas à inovação, incluindo pitchs de startups do agronegócio. Entre os destaques da sexta-feira estão a apresentação da N&P sobre tecnologia farmacêutica aplicada à hortifruticultura, da FertiSense com foco em adubação inteligente, e uma palestra da Nutralis sobre resistência das plantas ao estresse climático.

    Nilcio Freitas, gerente regional do Sebrae-SP em Campinas, reforçou a importância desse espaço para fomentar o ecossistema agro. “Fomentar o empreendedorismo é uma das nossas missões. Selecionamos negócios para dividir esse espaço conosco, dando visibilidade e acesso a um público estratégico.”

    Caso de sucesso: Tchê Jardins!!! transforma negócio com apoio do Sebrae-SP

    Entre os expositores que passaram pelo espaço, um exemplo se destaca pela trajetória inspiradora: Joel Alexandre Schmitt, proprietário da Tchê Jardins!!!, distribuidora de acessórios para jardinagem e paisagismo de Holambra. Participando pela segunda vez da Hortitec, Joel relata que o evento é uma vitrine fundamental para alcançar novos públicos e reforçar parcerias comerciais. “Mais do que vendas, a feira facilita o relacionamento com fornecedores e clientes, impulsionando a consolidação da nossa marca.”

    Joel Alexandre Schmitt, proprietário da Tchê Jardins – Foto: Agro em Campo/ Pedro H. Lopes

    A história da empresa se entrelaça com a do Sebrae-SP. Foi a partir de eventos, consultorias e do programa Empretec que Joel começou a se reconhecer como empreendedor. A mudança de postura resultou em avanços significativos: registro da marca, expansão do portfólio com seis produtos próprios, mais de mil itens em catálogo e uma estrutura produtiva com mil metros quadrados.

    “O apoio do Sebrae foi decisivo. Hoje a empresa é mais estratégica, sistemática e alinhada às demandas do mercado”, afirmou Joel, que agora aposta em novos equipamentos e investimentos para consolidar ainda mais sua presença no setor.

    A Hortitec 2025 segue até esta sexta-feira com expectativa de receber mais de 30 mil visitantes. A atuação do Sebrae-SP no evento evidencia como o suporte técnico e a valorização do pequeno produtor podem se traduzir em crescimento, inovação e impacto real no campo.

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