Tag: Grãos

  • Exportações de soja brasileira devem crescer 5,1%, aponta Conab

    Exportações de soja brasileira devem crescer 5,1%, aponta Conab

    A Conab deixou claro: a soja brasileira vem forte. Muito forte. A estatal projeta que as exportações do grão devem alcançar 112,1 milhões de toneladas na safra 2025/2026. É um salto de 5,11%. Poucos setores crescem assim, quase sem fazer barulho — mas crescem.

    E o motivo aparece logo no início da lavoura. A área plantada deve subir para 49,07 milhões de hectares. São quase dois milhões a mais do que no ciclo passado. É chão demais. Mas o produtor segue confiante, quase teimoso. Planta porque sabe que tem mercado. E tem mesmo.

    A produtividade? Firme. Praticamente igual ao último ciclo: 3.620 kg por hectare. Além disso, nada de grandes rupturas aqui. Apenas aquela constância boa, meio silenciosa, que o campo entende bem. E, conforme o clima ajuda — e tudo indica que vai ajudar — a máquina roda sem soluço. No fim das contas, é o tipo de regularidade que deixa o produtor respirar um pouco melhor.

    No comércio exterior, o Brasil já prepara o bote. As exportações devem bater recorde histórico. Um novo topo. Lá fora, principalmente na China, a demanda continua acesa. É proteína vegetal pra todo lado. É fábrica, é ração, é indústria puxando o ritmo. E o Brasil entrega. Entrega muito.

    Safra de grãos no Brasil

    A safra total de grãos deve chegar a 354,8 milhões de toneladas. Quem lidera esse pelotão? A soja, claro. É ela que empurra, que abre caminho, por exemplo, que segura a barra das exportações quando o resto oscila.

    Condições climáticas mais gentis. Plantio acelerado nas principais regiões. Logística que — aos trancos e barrancos — vai melhorando. Custos ainda competitivos. E tecnologia que já virou parte da rotina, quase como se fosse mais um funcionário da fazenda.

    Tudo isso junto empurra a soja para mais um ciclo vigoroso. Talvez o mais forte. Talvez só mais um capítulo dessa história longa, que o Brasil parece contar de olhos fechados.

  • Produtores rurais celebram aprovação do acordo Mercosul-União Europeia

    Produtores rurais celebram aprovação do acordo Mercosul-União Europeia

    O Acordo Mercosul-União Europeia deve criar a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores e redução gradual de tarifas sobre a maioria dos produtos negociados entre os blocos. A expectativa do setor rural é alta, pois o acordo amplia mercados, fortalece a competitividade internacional e oferece segurança para investimentos no agronegócio brasileiro.

    O acordo elimina progressivamente tarifas sobre 91% dos produtos europeus e 92% dos produtos sul-americanos em até 15 anos, beneficiando principalmente o agronegócio dos dois blocos.

    Segundo Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de São Paulo (Faesp), o tratado traz a oportunidade de ampliar mercados. Além de reduzir barreiras e garantir previsibilidade para os produtores rurais brasileiros. “O setor ganha competitividade ao diversificar destinos e assegurar saída para a produção excedente”, destaca Meirelles.

    O Acordo Mercosul-UE abre possibilidades especialmente para carnes, grãos, frutas e produtos com valor agregado. Com isso, o agronegócio pode investir com mais confiança em tecnologia, qualidade e sustentabilidade. Além disso, o Brasil poderá atuar como um garante da segurança alimentar europeia, aproveitando sua capacidade de realizar três safras anuais.

    Meirelles explica que acordos bilaterais são essenciais para que o produtor rural minimize riscos financeiros, diversifique os mercados e mantenha a estabilidade econômica. “Essa diversificação protege contra oscilações de preços e crises regionais, permitindo ao produtor rural continuar investindo e ter renda mais estável”, afirma.

    Maior bloco econômico mundial

    Para Úrsula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o acordo é um marco que consolida a UE como o maior bloco econômico mundial. Ela destaca a importância estratégica desses tratados para fortalecer relações e enfrentar desafios globais, como a modernização do comércio mundial e o reforço da confiança mútua.

    O coordenador da Comissão Técnica de Cafeicultura da Faesp, Guilherme Vicentini, vê o acordo como forma de garantir maior rentabilidade e continuidade para o produtor rural. Que passa a ter mais opções de mercados globais.

    Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), avalia que o benefício tarifário ao Mercosul será uma vantagem competitiva importante, considerando que a União Europeia já é o segundo maior destino das exportações brasileiras, mesmo sem privilégios tarifários. Ela ressalta que o acordo deve acelerar processos de negociação com outros parceiros comerciais, em um cenário geopolítico global em transformação.

  • Safra recorde de grãos consolida Paraná como potência agrícola

    Safra recorde de grãos consolida Paraná como potência agrícola

    O Paraná caminha para colher 46,3 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/2025, um volume inédita para o estado. O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, divulgou os dados nesta semana. A previsão supera a safra anterior (38,48 milhões de toneladas) e bate o recorde de 45,48 milhões de toneladas registrado em 2022/2023.

    Soja, milho e feijão tiveram produções excepcionais. O estado colheu 21 milhões de toneladas de soja no último ciclo. A produção de milho atingiu 20,4 milhões de toneladas, e a de feijão, 841 mil toneladas. O arroz (136 mil t) e o café (44,9 mil t) também integraram a cesta da safra histórica.

    Culturas de inverno impulsionam resultado final

    A colheita das culturas de inverno, ainda em andamento, consolidará o recorde. Os produtores já colheram 41% da área de trigo, com rendimento médio saltando de 2.139 kg/ha para 3.258 kg/ha na comparação com a safra passada. A produtividade da cevada também aumentou, subindo de 3.841 kg/ha para 4.333 kg/ha.

    “As últimas chuvas colaboraram para que essas produtividades pudessem ser alcançadas”, afirmou Hugo Godinho, chefe da Divisão de Conjuntura do Deral. Ele ponderou que os ventos fortes causaram acamamento em algumas lavouras. A expectativa é de uma safra de 449 mil toneladas de cevada.

    O Paraná mantém sua posição como o segundo maior produtor de grãos do Brasil, responsável por 13,3% da produção nacional, atrás apenas do Mato Grosso.

    As previsões para a safra de verão 2025/2026 também são positivas. As chuvas recentes umedeceram o solo para o plantio, que deve se intensificar nos próximos dias. O estado espera produzir 25,7 milhões de toneladas na próxima safra, com a soja como carro-chefe (21,9 milhões de toneladas estimadas).

  • Mercado: oferta abundante pressiona preços do milho e trigo

    Mercado: oferta abundante pressiona preços do milho e trigo

    O cenário macroeconômico global mantém foco nas expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos. O Federal Reserve sinaliza possíveis cortes de juros a partir de setembro. Esse movimento impactaria diretamente o fluxo cambial global.

    A perspectiva de queda na taxa americana tende a fortalecer moedas emergentes, especialmente o real. A ampliação do diferencial de juros favorece essa tendência. O real apresenta trajetória de valorização desde janeiro, movimento que pode se intensificar nos próximos meses.

    O Brasil enfrenta fatores adicionais de risco. O processo eleitoral de 2026 já começa a influenciar o mercado. Historicamente, a proximidade do calendário eleitoral gera maior volatilidade cambial, principalmente no último trimestre do ano anterior.

    Tensões comerciais globais mantêm incertezas relevantes. As medidas protecionistas e retaliações entre EUA e China afetam os fluxos internacionais de commodities.

    “O mercado de grãos opera sob forte influência não apenas de fundamentos agrícolas, mas também do ambiente macroeconômico”, avalia Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado de Grãos & Oleaginosas da Hedgepoint Global Markets.

    Milho 2025/26 inicia com expectativa de oferta robusta

    A produção mundial deve crescer mais de 60 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. Os Estados Unidos puxam esse crescimento. A demanda também avança significativamente, sustentada pelo consumo para ração e crescimento do uso industrial, principalmente para etanol.

    O quadro global sinaliza abundância de oferta, mas apresenta nuances importantes. Qualquer descompasso climático na América do Sul ou aumento inesperado da demanda chinesa pode alterar o balanço.

    Brasil revisa safra de milho para 138,2 milhões de toneladas

    A Hedgepoint revisou a safra total 24/25 para 138,2 milhões de toneladas. O número fica acima da estimativa de junho (+3,7 milhões de toneladas) e do USDA (132 milhões de toneladas). Produtividades recordes em várias regiões do Centro-Oeste explicam essa revisão, segundo Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado.

    A empresa projeta estoques finais de 11,6 milhões de toneladas, mais folgados que o ciclo anterior. O consumo interno em expansão impulsiona o setor de etanol de milho. Na temporada 2024/25, cerca de 24 milhões de toneladas devem abastecer a produção de etanol. Esse volume pode dobrar em poucos anos com novas usinas entrando em operação.

    As exportações alcançam estimativa de 42 milhões de toneladas, mas enfrentam risco de redução. A forte competitividade do milho americano explica essa pressão.

    A comercialização da segunda safra segue lenta (43% versus 50% da média histórica). Produtores seguram parte do volume esperando preços melhores.

    Os preços domésticos em Campinas ficam em torno de R$ 64-65 por saca. A ampla oferta pressiona esses valores (dados até 29/08).

    O Brasil terá de competir também com a Argentina, que deve ampliar exportações no próximo ciclo, avalia o analista.

    Estados Unidos projetam safra recorde de 425 milhões de toneladas

    O USDA surpreendeu o mercado em agosto ao projetar safra recorde de 425 milhões de toneladas. Essa estimativa fica muito acima das expectativas médias (406-407 milhões de toneladas). Trata-se da maior safra já registrada no país.

    Os estoques devem subir de 33 milhões de toneladas para 53 milhões de toneladas. Isso amplia a pressão sobre os contratos em Chicago, que já romperam o piso de US$ 4,30 por bushel. Atualmente trabalham próximos a US$ 4,00 por bushel.

    As exportações mantêm ritmo forte. Mais de 18 milhões de toneladas já foram vendidas para 2025/26, praticamente o dobro do ano anterior no mesmo período.

    O clima favoreceu todo o desenvolvimento da safra. Os índices vegetativos (NDVI) ficaram acima da média histórica. Boas condições marcaram o início da colheita.

    Eventuais revisões de produtividade pelo USDA em setembro/outubro podem reduzir parcialmente a estimativa. Ainda assim, o quadro permanece confortável.

    China mantém potencial para ampliar importações

    A China projeta estoques finais em queda. Produção estável e crescimento do consumo explicam esse cenário.

    As margens da suinocultura permanecem em patamares baixos. Isso limita estímulos para aumento imediato do uso de ração. O rebanho permanece elevado e estável.

    O governo chinês pode optar por recompor estoques estratégicos (em torno de 190-200 milhões de toneladas). Há espaço para importações adicionais, criando oportunidade para Brasil e Argentina. Em 2023/24, o Brasil exportou mais de 20 milhões de toneladas para a China.

    No curto prazo, o milho americano tende a continuar mais competitivo. Isso pode impactar as exportações brasileiras.

    Argentina ganha competitividade após unificação cambial

    A produção atual fica estimada em 50 milhões de toneladas, com possibilidade de aumento para 2025/26. As margens do milho superam as da soja. A expectativa é de crescimento da área.

    O câmbio unificado pelo governo argentino reduziu distorções e aumentou previsibilidade. Isso incentiva a comercialização antecipada. Produtores já venderam cerca de 5% da nova safra (versus 1% no mesmo período do ano passado).

    As exportações devem crescer, competindo diretamente com o milho brasileiro no segundo semestre.

    O risco climático permanece relevante. A NOAA projeta 60% de chance de La Niña ainda em 2025. Isso pode trazer seca na Argentina e Sul do Brasil, afetando produtividades.

    Trigo mundial apresenta oferta abundante com pressão baixista

    A produção tende a superar a do ano anterior. União Europeia e Rússia puxam principalmente esse crescimento. A Ucrânia permanece limitada pela guerra.

    Os estoques globais não crescem no mesmo ritmo e devem permanecer próximos aos níveis de 2024/25. Isso sugere equilíbrio, mas ainda com pressão baixista devido à oferta abundante, segundo a Hedgepoint.

    Estados Unidos mantêm produção estável

    A produção fica um pouco abaixo da safra passada, devido à menor área. Boas produtividades sustentam os números.

    As exportações podem crescer levemente (até 24 milhões de toneladas). Os estoques permanecem elevados.

    Chicago continua pressionado. O peso da ampla disponibilidade global e forte concorrência internacional explicam esse cenário.

    União Europeia amplia produção significativamente

    A safra alcança estimativa de 138 milhões de toneladas, contra 122 milhões de toneladas no ciclo anterior.

    As importações devem cair de 11 para cerca de 6 milhões de toneladas. As exportações devem aumentar.

    O ganho de competitividade europeia pressiona também as exportações da Ucrânia. Estas já sofrem com restrições logísticas e impostos reestabelecidos pela UE.

    A produção argentina fica projetada próxima de 20 milhões de toneladas, com exportações em crescimento.

    No Brasil, a área de trigo permanece limitada por margens pouco atrativas. Isso afeta especialmente o Sul (RS e PR). O país mantém dependência das importações de trigo argentino.

    Ucrânia enfrenta múltiplas limitações

    A produção fica estimada entre 20-23 milhões de toneladas, bem abaixo do pré-guerra (33 milhões de toneladas).

    Além das restrições logísticas, o retorno dos impostos de importação na UE reduz o acesso do trigo ucraniano ao mercado europeu. As exportações devem voltar a cair.

    Rússia consolida posição de maior exportador

    A produção permanece em expansão. As exportações ganham impulso com a retirada (quase total) dos impostos de exportação.

    Apesar de problemas pontuais de clima durante o desenvolvimento da safra, as colheitas indicam produtividades acima da média. Isso consolida a Rússia como maior exportador mundial.

  • Brasil e Japão reforçam parceria no setor de grãos

    Brasil e Japão reforçam parceria no setor de grãos

    A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) participa, nesta quinta-feira (14), do seminário internacional “Grain Talks Brasil – Japão”. O evento será no Pavilhão do Brasil na EXPO OSAKA 2025, em Osaka, Japão.

    O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, representará a entidade e será palestrante no painel “As cadeias produtivas de grãos no Brasil – Eficiência e sustentabilidade”. Ele abordará dados atualizados da produção de grãos no país e a demanda crescente do Japão por milho e soja.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA) e o Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão (MAFF) promovem o seminário. A transmissão também ocorrerá online pela plataforma Microsoft Teams, ampliando o alcance do conteúdo.

    Você também pode gostar:
    + Agro em Campo: Exportação de café do Brasil soma 2,7 milhões de sacas em julho
    + Agro em Campo: Agro quer ser parte da solução na COP30, afirma Abag

    Brasil e Japão

    Segundo o MAPA, o Brasil é um fornecedor estratégico e confiável de soja e milho para o Japão. Em 2023, as exportações agropecuárias brasileiras para o país asiático somaram US$ 4,1 bilhões.

    A pauta de exportações é concentrada em cinco produtos, que responderam por 70% do total enviado. O milho representou 35% das vendas, seguido por carne de frango in natura (23%), café verde (10%), soja em grãos (8,3%) e farelo de soja (6%).

    Além da Abramilho, participam do seminário a Aprosoja, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM). Representantes de multinacionais japonesas como Mitsubishi, Toyota e Marubeni também marcarão presença, reforçando a cooperação no escoamento da produção agrícola brasileira.

     

  • Déficit de armazenagem ameaça produção de grãos no Brasil, aponta estudo

    Déficit de armazenagem ameaça produção de grãos no Brasil, aponta estudo

    O Brasil enfrenta risco de crise na armazenagem de grãos se não ampliar os investimentos. O alerta é do professor Thiago Guilherme Péra, coordenador do Grupo de Pesquisa em Logística Agroindustrial da ESALQ/USP e conselheiro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS).

    Hoje, o país produz 330 milhões de toneladas, mas consegue armazenar apenas 60%, cerca de 198 milhões de toneladas. O Mato Grosso, maior produtor, deve colher 100 milhões de toneladas em 2025, mas tem capacidade para guardar só 60%. Isso gera um déficit de 40 milhões de toneladas.

    Você também pode gostar:

    + Agro em Campo: Centro-Oeste dribla tarifa de 50% dos EUA com força do agro
    + Agro em Campo: Como conseguir crédito rural? BNDES bate recorde de recursos

    Nas últimas safras, as imagens de milho estocado a céu aberto, especificamente em Sinop (MT), evidenciam o problema. Péra destaca que esse tipo de armazenagem aumenta perdas físicas e econômicas.

    Antes de 2012, o Brasil mantinha superávit na armazenagem. A chegada do milho segunda safra, que superou a primeira em volume, mudou o cenário. O pico de colheitas entre março e julho sobrecarrega os armazéns.

    Além disso, a produção crescente de etanol de milho no Centro-Oeste agrava a demanda. Cerca de 16% da capacidade mato-grossense destina-se ao etanol, pressionando ainda o sistema logístico.

    Para o especialista, fortalecer cooperativas e ampliar o acesso a crédito, como pelo programa PCA do BNDES, pode reduzir o déficit. Pequenos e médios produtores sofrem com falta de escala e de armazéns adequados, ressalta.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: “Tâmaras bíblicas” voltam à vida em laboratório

    + Agro em Campo: Novo método detecta pesticidas no pólen de laranjeira

  • CNA avalia custos de produção em quatro cadeias do agro

    CNA avalia custos de produção em quatro cadeias do agro

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) levantou os custos de produção de grãos, leite, ovos e cana-de-açúcar em quatro estados brasileiros. A ação ocorreu por meio do projeto Campo Futuro, que promoveu painéis com produtores rurais, técnicos, sindicatos e federações estaduais.

    Grãos

    Os estudos sobre grãos foram realizados no Mato Grosso do Sul e na Bahia. Em Maracaju (MS), a produtividade média da soja ficou em 66 sacas por hectare. Já o milho segunda safra registrou 120 sacas por hectare.
    Em Luís Eduardo Magalhães (BA), a soja alcançou 68 sacas por hectare, mesmo com estiagem e ataque de mosca branca. Em geral, o milho verão teve bom desempenho, com média de 170 sacas por hectare. Além disso, o sorgo manteve boa produtividade, com 80 sacas por hectare, e o milheto apareceu como alternativa na segunda safra, atingindo 25 sacas por hectare. O manejo mais tecnificado do sorgo elevou os custos em cerca de 20%.

    Leite

    O levantamento do leite ocorreu em Itaperuna (RJ). A propriedade modal possui 23 vacas da raça Girolando, sendo 15 em lactação, com média diária de 150 litros. A atividade responde por 84% do faturamento da fazenda, enquanto a venda de animais representa 16%.
    Em resumo, na composição do Custo Operacional Efetivo (COE), a alimentação do rebanho lidera os gastos, com 43%. Em seguida aparecem mão de obra (30%) e despesas administrativas (13%).

    Ovos

    Em Bastos (SP), a análise focou na produção de ovos. A granja modal adota o sistema californiano, alojando 300 mil aves por ano, divididas em cinco lotes. A produção anual chega a 240 mil caixas com 30 dúzias.
    A ração é o item de maior impacto no COE, representando cerca de 60% dos custos.

    Cana-de-açúcar

    Os custos da cana foram levantados em São Manuel (SP). A propriedade analisada tem 100 hectares, com média de cinco cortes. Em geral, a expectativa para a safra 2025/26 é de 80 toneladas por hectare e 135 kg de ATR por tonelada.
    O plantio é manual. A receita cobre os custos operacionais efetivos e totais, mas não cobre a remuneração do capital e da terra. Insumos e maquinário pesam mais no custo total, com 41% e 40%, respectivamente. Entre os insumos, fertilizantes representam 42% dos gastos e corretivos, 19%.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Safra mundial de trigo deve bater recorde em 2025/26

    + Agro em Campo: CNC defende soberania genética da cafeicultura brasileira

  • Forrageiras de inverno garantem alimentação para rebanho gaúcho

    Forrageiras de inverno garantem alimentação para rebanho gaúcho

    O tempo seco e ensolarado favoreceu o crescimento das forrageiras anuais de inverno em diversas regiões do Rio Grande do Sul. Portanto, com o solo menos encharcado, os produtores conseguiram aplicar adubação nitrogenada e retomar o pastejo nas áreas cultivadas. Mesmo assim, a umidade remanescente exigiu suplementação alimentar dos rebanhos, segundo a Emater/RS-Ascar.

    Impacto do clima

    O clima afetou a produção e a qualidade dos campos nativos em quase todas as regiões gaúchas. Na região de Bagé, a qualidade das pastagens é satisfatória, apesar das geadas e excesso de umidade. A aveia e o azevém tiveram crescimento comprometido, assim como o campo nativo, com menor oferta de alimento.

    Em Erechim, as geadas reduziram a massa verde disponível nas áreas com forragem nativa e cultivada de verão. Nos pastos sobressemeados, a condição para pastejo continua adequada.

    Em Passo Fundo, a redução da umidade do solo permitiu o retorno dos pastoreios nas áreas com mais forragem. As áreas com trigo de duplo propósito, cevada e triticale estão em germinação e crescimento inicial. No campo nativo, as geadas e as baixas temperaturas reduziram a oferta de forragem.

    Em Santa Rosa, as pastagens se recuperaram com o tempo seco e estão em boas condições para pastejo. No entanto, o atraso no plantio e na germinação prejudicou a disponibilidade de forragem em várias localidades.

    Bovinocultura de corte 

    Mesmo com o pastejo liberado, as forrageiras não atingiram o potencial produtivo, exigindo suplementação para preservar o escore corporal. O tempo seco permitiu ações sanitárias, como vacinação contra clostridioses e desvermifugação do rebanho. Além disso, as geadas ajudaram a reduzir as populações de parasitas nos campos.

    Em algumas regiões, o mercado pecuário segue aquecido, com remates, feiras presenciais e exportações de terneiros. Por exemplo, em Santa Maria, produtores realizam diagnósticos de gestação, desmame e comercialização dos terneiros. As geadas intensas afetaram o ganho de peso dos animais, prejudicando o pastejo.

    Em Santa Rosa, os rebanhos apresentam bom escore corporal e sanidade. O aumento da oferta de forrageiras cultivadas favoreceu o ganho de peso dos animais. Porém, os produtores ainda têm dificuldade para repor lotes para terminação devido ao alto peso dos terneiros.

    Em Soledade, o período de parição começou, com terneiros apresentando excelente condição corporal. Nos últimos dias, o rebanho ganhou peso, indicando recuperação do desempenho.

    Bovinocultura de leite 

    O clima seco melhorou o conforto animal, o manejo nas áreas de ordenha e a condição do piso nas propriedades. Mesmo assim, a falta de forragem prejudica o desempenho em sistemas extensivos de produção leiteira. Em geral, os produtores seguem vacinando contra clostridioses e brucelose, mas registram casos pontuais de mastite. A umidade remanescente, o barro e a queda de imunidade favoreceram os casos da doença.

    Em Erechim, os rebanhos mantêm bom estado nutricional, com suplementação contínua de concentrados. As chuvas dificultaram o manejo, mas a condição sanitária não foi gravemente comprometida.

    Em Santa Maria, o frio intenso afetou o bem-estar dos animais, especialmente dos bovinos taurinos. O vento forte e as baixas temperaturas agravaram a situação, exigindo suplementação com silagem e feno. Zebuínos, embora pouco comuns na região, sentiram os efeitos com maior intensidade. O solo continua encharcado em muitas propriedades, prejudicando a higiene e podendo afetar a qualidade do leite.

    Trigo 

    Com o solo mais seco, os produtores avançaram no plantio do trigo, que já alcança 82% da área prevista. Em resumo, a melhora do tempo ajudou a recuperar parte do atraso causado pelas fortes chuvas de junho. As lavouras estão em fase vegetativa e apresentam sinais de recuperação em áreas afetadas pelo excesso de umidade. As geadas prejudicaram lavouras em áreas mais baixas, mas o impacto geral no Estado deve ser limitado. 

    A semeadura deve terminar dentro do prazo do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A área plantada estimada pela Emater/RS-Ascar é de 1,19 milhão de hectares, com produtividade de 2.997 kg/ha.

    Aveia-branca 

    A semeadura da aveia-branca avançou com o clima seco, alcançando 92% da área prevista. A maioria das lavouras está em fase vegetativa, com menor parcela em floração e enchimento de grãos. As geadas causaram danos em folhas e estruturas reprodutivas, especialmente nas áreas mais adiantadas. O impacto deve reduzir o potencial produtivo nessas áreas, embora o estado fitossanitário geral seja satisfatório. A área cultivada projetada é de 401 mil hectares, com produtividade de 2.254 kg/ha.

    Canola

    A semeadura da canola já alcança 98% da área prevista, mas ainda depende da decisão dos produtores. A janela ideal de plantio já foi ultrapassada, o que aumenta o risco de perdas na produtividade. As condições climáticas favorecem o desenvolvimento da cultura, mas geadas recentes podem ter afetado 15% das lavouras. Ainda não é possível mensurar totalmente os danos; técnicos continuam monitorando a situação. A área cultivada estimada é de 203 mil hectares, com produtividade projetada em 1.737 kg/ha.

    Cevada 

    A semeadura da cevada está na fase final, impulsionada pelo clima estável nas últimas semanas. No Extremo Norte do Estado, os trabalhos já foram concluídos. As lavouras apresentam bom estande, vigor e desenvolvimento, mantendo o potencial produtivo inicial. 

    Na região de Ijuí, o estabelecimento das lavouras foi uniforme e com excelente sanidade. Não há registros significativos de pragas ou doenças. A Emater/RS-Ascar projeta 27.337 hectares cultivados, com produtividade de 3.198 kg/ha para a safra 2025.

     Leia mais:
    + Agro em Campo: Estufas garantem produção de flores durante o frio

    + Agro em Campo: Trump impõe tarifa de 30% ao México e UE

  • Demanda por biodiesel impulsiona preços do óleo de soja

    Demanda por biodiesel impulsiona preços do óleo de soja

    Os preços do óleo de soja voltaram a subir no Brasil após quase dois meses em queda. Segundo o Cepea, a valorização ocorre diante da expectativa de maior demanda para a produção de biodiesel.

    Essa previsão ganhou força com a recente decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
    O órgão aprovou o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel. A proporção vai subir de B14 (14%) para B15 (15%) entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. A partir de março de 2026, a mistura pode avançar para B16 (16%).

    Pesquisadores do Cepea apontam que o mercado já esperava essa elevação ainda em março de 2025.
    Como a mudança não se concretizou no primeiro trimestre, os preços do óleo de soja recuaram no período.
    Agora, com a confirmação, o cenário se inverteu e os preços reagem positivamente.

    Atraso na colheita freia queda do milho

    O atraso na colheita da segunda safra de milho impede recuos mais intensos nos preços. De acordo com o Cepea, a colheita avança em ritmo lento em diversas regiões do país. Até 21 de junho, apenas 10,3% da área nacional havia sido colhida, conforme a Conab. Esse índice está abaixo dos 28% do ano passado e da média de 17,5% dos últimos cinco anos.

    Embora a oferta elevada e a pressão internacional influenciem negativamente os preços, o ritmo lento da colheita segura as quedas. Em estados como São Paulo, os valores chegaram a subir em algumas regiões consumidoras.
    A demanda superou a oferta de milho padronizado, especialmente devido às chuvas recentes.
    Essas condições climáticas reduziram a disponibilidade do grão no curto prazo.

    Colheita pressiona preços do feijão comercial

    A colheita do feijão segue firme nas principais regiões produtoras do país. O Cepea aponta que os preços variam conforme a qualidade dos grãos. Ou seja, grãos de maior qualidade ainda sustentam valores em algumas praças. 

    Já os feijões comerciais enfrentam forte pressão de baixa, devido à maior oferta e baixa liquidez. No Paraná, 96% da área da segunda safra foi colhida até 23 de junho, segundo o Deral/Seab. Em geral, a  produção estimada no estado é de 526,6 mil toneladas, 23% abaixo da safra anterior. No entanto, o volume da primeira safra paranaense cresceu 102%, alcançando 338,1 mil toneladas. Portanto, esse excedente ainda sustenta parte da oferta no mercado regional.

    Em Minas Gerais, 15% da área da segunda safra foi colhida, enquanto o plantio da terceira safra se aproxima do fim. Relatos indicam pressão da mosca branca nas lavouras mineiras. Na Bahia e em Goiás, as plantações se desenvolvem bem, com avanço da colheita no Leste Goiano e no Vale do Araguaia.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Tatu-canastra gigante de 1,38 metro é capturado e recebe GPS

    + Agro em Campo: Pesquisas impulsionam produção de azeite de abacate

  • Conflito no Oriente Médio eleva preços dos grãos em Chicago

    Conflito no Oriente Médio eleva preços dos grãos em Chicago

    A escalada do conflito entre Irã e Israel movimentou os mercados internacionais nesta sexta-feira (13). Em Chicago, os preços dos grãos subiram, impulsionados pela alta do petróleo e pela tensão geopolítica no Oriente Médio.

    Trigo

    O trigo liderou os ganhos. Os contratos com vencimento em julho encerraram o dia com alta de 3,28%, cotados a US$ 5,4375 por bushel. O avanço refletiu o receio de instabilidade no fornecimento global.

    Soja

    A soja também subiu, puxada pelo óleo de soja. Após o petróleo subir 7%, o óleo de soja avançou 6%. Isso pressionou os contratos do grão, que fecharam com alta de 2,64%, a US$ 10,6975 por bushel.

    Além do petróleo, a expectativa de aumento na demanda por biocombustíveis nos Estados Unidos deu novo impulso à soja. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) atualizou as metas obrigatórias de uso. A mistura de biocombustíveis deve alcançar 24,02 bilhões de galões em 2026 e 24,46 bilhões em 2027. Os volumes superam os 22,33 bilhões estimados para 2025.

    Milho

    O milho seguiu o movimento de alta da soja e do trigo. Os contratos para julho subiram 1,37%, fechando a US$ 4,4450 por bushel.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Goiás confirma primeiro caso de gripe aviária

    + Agro em Campo: Festival do Queijo Artesanal de Minas celebra cultura e inovação