Tag: Grãos

  • Barter agrícola cresce como solução em tempos de crédito caro

    Barter agrícola cresce como solução em tempos de crédito caro

    Com a taxa Selic próxima de 15% ao ano e o crédito rural cada vez mais caro, produtores buscam formas de manter a rentabilidade e equilibrar o caixa nesta safra. Nesse cenário, o barter agrícola, modalidade de troca de grãos por insumos, ganha força como solução estratégica de financiamento e gestão de risco.

    O custo do crédito rural pode superar 20% ao ano, o que encarece o custeio e compromete margens já pressionadas. Segundo Luiz Sarzedas, supervisor de Crédito e Cobrança do Grupo Conceito, os produtores enfrentam três grandes desafios: margens reduzidas, dificuldade de acesso ao crédito e aumento do preço dos insumos.

    “A troca de commodities por insumos se tornou essencial para reduzir exposição ao mercado financeiro e dar previsibilidade ao custo de produção”, explica Sarzedas. O produtor costuma fechar as operações de barter entre abril e maio, garantindo as condições de compra dos insumos antes do plantio. Mesmo que a entrega do grão ocorra meses depois, na colheita.

    Com essa estratégia, o agricultor trava parte dos custos e se protege das oscilações cambiais e de preço da soja e do milho. “Quando ele transforma o grão na sua moeda, consegue proteger o custo de produção”, afirma Sarzedas. Segundo o executivo, quem estruturou operações antecipadas nesta safra obteve ganhos de até R$ 15 por saca, em comparação aos produtores que ficaram expostos às variações do mercado.

    Queda nos preços da soja

    A importância dessa ferramenta cresce diante da forte queda nos preços da soja, que passaram de R$ 190 a saca em 2021 e 2022 para cerca de R$ 110 atualmente. O poder de compra do produtor caiu, enquanto os custos de insumos e serviços aumentaram. Travar custos, portanto, deixou de ser apenas uma alternativa e se tornou prática de gestão obrigatória.

    Sarzedas também reforça a importância do acompanhamento técnico em todas as etapas. “O suporte especializado ajuda o produtor a tomar decisões mais seguras, desde a contratação do barter até a entrega do grão”, afirma.

    O mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie em março uma leve redução da Selic, de 15% para 14,75%. Mesmo assim, a taxa segue em patamar elevado, mantendo a necessidade de estratégias de proteção e planejamento financeiro para o produtor rural.

  • Déficit de armazenagem em Mato Grosso ameaça rentabilidade do agronegócio

    Déficit de armazenagem em Mato Grosso ameaça rentabilidade do agronegócio

    Mato Grosso consolidou sua posição como o maior produtor de grãos do Brasil, mas a infraestrutura de armazenagem não acompanhou o crescimento das lavouras. O estado consegue estocar apenas 50% da própria produção. E esse gargalo cobra um preço alto dos produtores rurais, que acabam vendendo no pior momento, pressionados pelo calendário da colheita e pela falta de alternativas.

    O diagnóstico é da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). Para a entidade, o déficit de armazenagem representa hoje um dos principais entraves ao desenvolvimento do agronegócio estadual e nacional.

    “Nos últimos anos, o déficit de armazenagem tem se acentuado no estado. Aproximadamente 50% da produção consegue ser armazenada. O restante precisa ser escoado rapidamente durante o período de safra, por falta de estrutura adequada”, afirmou Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso. “Os mercados importadores conhecem esse gargalo logístico no Brasil, especialmente em Mato Grosso, e acabam se aproveitando dessa situação.”

    O produtor vende na hora errada e perde dinheiro

    Sem capacidade própria de armazenagem, o produtor perde autonomia sobre o momento de vender a produção. Durante a colheita, a oferta elevada pressiona os preços para baixo, e quem não tem onde guardar os grãos precisa negociar sob pressão. Quase sempre aceitando condições desfavoráveis impostas por compradores e tradings.

    Vinicius Baldo, produtor do núcleo de Água Boa, vive esse cenário na prática. Ele tem armazém, mas a capacidade é insuficiente para separar adequadamente os grãos e aproveitar janelas de venda mais vantajosas. “A falta de armazenamento impacta bastante, principalmente com a questão de grão avariado, ardido. A gente já precisou vender antes do momento. Se tivéssemos a capacidade adequada de armazenamento, poderíamos programar melhor as vendas e retirar a soja com mais tempo”, relata Baldo. Para ele, as principais barreiras ao investimento em infraestrutura são o crédito limitado e os juros altos.

    Anos chuvosos ampliam o problema

    Em safras com muita chuva, como a atual, o impacto do déficit de armazenagem se intensifica. Produtores sem armazém próprio precisam colher dentro de parâmetros rígidos de umidade para evitar descontos aplicados pelos compradores. O que reduz a flexibilidade operacional e pode gerar perdas adicionais.

    Josenei Zemolin, produtor do núcleo de Gaúcha do Norte, explica como a falta de estrutura afeta diretamente as decisões durante a colheita. “Em um ano chuvoso como esse, quem tem armazém pode entrar colhendo com umidade bem alta, bem mais cedo. O custo para secar a soja é só lenha e energia. Mas quem entrega nas tradings perde muito, porque elas descontam mais do que o normal”, diz Zemolin. “Se houvesse capacidade de armazenagem suficiente, a gente poderia se programar melhor, fazer a venda futura para pagar os custos e entregar num caminhão próprio.”

    Vale do Araguaia concentra o problema

    O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, aponta que o gargalo afeta todo o estado, mas se agrava nas regiões de expansão agrícola mais recente. Especialmente no Vale do Araguaia, onde silos e armazéns não acompanharam o avanço da produção.

    “Todo o Mato Grosso sofre com a falta de armazenagem. O produtor enfrenta filas e dificuldade de entregar o produto. Existem linhas de crédito, como o FCO Armazenagem e o PCA, disponíveis para o produtor, mas constantemente a gente vê falta de recursos nessas linhas”, destaca Bier.

    Além da escassez de crédito, ele aponta outro obstáculo pouco discutido: a qualidade da energia elétrica no interior do estado.

    “Um armazém precisa funcionar com gerador de energia, e aí vem o problema do custo com o óleo diesel. A energia elétrica de Mato Grosso é precária. Vários municípios têm energia de má qualidade, e outros sequer têm fornecimento suficiente para ampliar novos armazéns”, afirma Bier.

    Crédito existe, mas não chega

    Linhas de financiamento voltadas à construção de silos e armazéns existem no Brasil, mas os recursos disponíveis ficam aquém da demanda. Além da escassez, os juros pouco atrativos e as exigências de garantias restringem o acesso. Especialmente para produtores de médio porte, que mais precisariam da estrutura.

    Para a Aprosoja MT, o caminho passa pela ampliação de políticas públicas e instrumentos financeiros que estimulem o investimento em infraestrutura nas propriedades. A entidade argumenta que armazenar a própria produção fortalece a posição do produtor no mercado, melhora a eficiência logística e contribui para a estabilidade do abastecimento nacional.

    O que está em jogo vai além da fazenda

    O déficit de armazenagem em Mato Grosso não é apenas um problema do produtor rural. Ele afeta a cadeia inteira, do transporte à comercialização, e enfraquece a posição do Brasil frente a mercados importadores que conhecem e exploram esse gargalo.

    Em um estado que lidera a produção nacional de grãos, guardar a própria safra tornou-se, cada vez mais, uma condição para preservar renda, reduzir perdas e sustentar o avanço do agronegócio brasileiro.

  • Tecnologia com ozônio reduz micotoxinas em grãos

    Tecnologia com ozônio reduz micotoxinas em grãos

    A Embrapa Milho e Sorgo apresenta ao mercado uma tecnologia sustentável para reduzir micotoxinas em grãos. A unidade desenvolveu o sistema em parceria com a empresa Nascente (NCT). O novo silo biorreator, chamado SiloBio, higieniza grãos em larga escala com uso de ozônio. Além disso, a solução amplia a segurança sanitária e agrega valor à produção.

    Tecnologia com ozônio elimina toxinas e fungos

    O SiloBio combina armazenamento de silo com ambiente controlado de biorreator. O equipamento trata grãos em escala industrial com aplicação controlada de gás ozônio. O sistema elimina micotoxinas, fungos, pragas e resíduos químicos. Com isso, garante ração animal mais segura, sustentável e de alto desempenho.

    A equipe iniciou o desenvolvimento ao validar a aplicação de ozônio na pós-colheita do milho. Os pesquisadores focaram na redução de fumonisinas, micotoxinas produzidas por fungos do gênero Fusarium. O grupo iniciou os estudos entre 2012 e 2013 com aplicação direta do gás nos grãos. Eles utilizaram protótipos que simulavam silos em escala laboratorial. Os testes indicaram redução de até 88% das fumonisinas totais.

    Além disso, os ensaios apontaram redução de até 96% de fungos Fusarium e Penicillium. O ozônio não comprometeu a qualidade dos grãos, mesmo após 60 horas de aplicação. Os pesquisadores mantiveram níveis normais de água, proteínas, lipídeos e cinzas.

    Escalonamento industrial do SiloBio

    A equipe desenvolveu um biorreator específico para o escalonamento industrial. O equipamento movimenta os grãos por meio de rosca helicoidal interna. Anéis com injetores distribuíram o ozônio de forma homogênea na massa de grãos. Os testes utilizaram lotes de milho naturalmente contaminados.

    Os pesquisadores mediram a eficiência pela redução percentual das fumonisinas. Em seguida, compararam os resultados com os Limites Máximos Tolerados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Anvisa estabelece limite de 5.000 µg/kg para fumonisinas em milho não processado.

    Já cadeias de suínos e aves adotam limites mais restritivos, de até 1.000 µg/kg. A indústria de alimentação humana também trabalha com faixas semelhantes ou menores. Os experimentos atingiram níveis exigidos por esses segmentos produtivos.

    Parceria integra pesquisa e engenharia industrial

    A Nascente ingressou no projeto após demanda de produtores de suínos mineiros. Os produtores buscavam soluções para tratar milho armazenado com ozônio. A empresa conectou sua engenharia industrial ao rigor científico da Embrapa.

    O diretor Leonardo Tuschi destacou o potencial de transformar pesquisa em solução comercial. Ele afirmou que o agronegócio ainda depende de tratamentos químicos tradicionais. Por isso, a empresa buscou alternativa alinhada às exigências por processos sustentáveis.

    O SiloBio funciona com ar e eletricidade, sem uso de insumos químicos adicionais. O sistema capta oxigênio do ambiente e o converte em ozônio por energia elétrica. Após a desinfecção, o ozônio retorna à forma de oxigênio.
    Assim, o processo opera com resíduo zero e reduz riscos ambientais.

    Inovação amplia escala no tratamento de grãos

    O uso de ozônio em grãos já ocorre em outros países. No entanto, a inovação está na engenharia de aplicação e escalonamento. O SiloBio pode processar diferentes grãos, mas prioriza o milho.

    A pesquisa concentra esforços na nutrição animal de aves e suínos. A equipe também registra avanços em sorgo, soja e farelos processados. Segundo a empresa, o produtor adota tecnologias com retorno comprovado.

    O SiloBio apresenta potencial de retorno sobre investimento inferior a dois anos. A estimativa considera redução de químicos e melhoria no desempenho animal.

    O chefe-adjunto Frederico Botelho reforçou a importância da viabilidade econômica. Ele destacou que a tecnologia agrega valor e amplia adoção no mercado.

    A Embrapa apresentará o SiloBio durante a celebração de 50 anos da unidade. A instituição afirma que a inovação reforça padrões de segurança e sustentabilidade no agronegócio. O SiloBio atende demandas por processos alinhados aos conceitos de ESG e Saúde Única. Com isso, a Embrapa reafirma compromisso com produção mais segura e sustentável.

  • Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

    Brasil projeta safra recorde de 353,4 milhões de toneladas de grãos em 2025/26

    O Brasil inicia a colheita das culturas de primeira safra projetando uma produção de 353,4 milhões de toneladas de grãos na temporada 2025/26. O volume representa um crescimento de 0,3% sobre o ciclo 2024/25 e mantém o país na rota de um novo recorde histórico, segundo o 5º Levantamento da Safra divulgado nesta quinta-feira (12) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Os agricultores brasileiros expandiram a área plantada para 83,3 milhões de hectares, um avanço de 1,9% que corresponde a 1,5 milhão de hectares adicionais. A produtividade média nacional, no entanto, registra queda de 1,5%, passando de 4.310 quilos por hectare em 2024/25 para 4.244 quilos por hectare no ciclo atual.

    Soja lidera crescimento e estabelece novo marco produtivo

    A cultura da soja consolida sua posição como protagonista da safra brasileira. A Conab projeta uma colheita de 178 milhões de toneladas da oleaginosa, um incremento de 6,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo passado e um novo recorde para a cultura.

    As condições climáticas favoráveis impulsionam o desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras. A colheita da soja já avança em 17,4% da área plantada, superando o mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso, maior estado produtor do grão, os agricultores já colheram 46,8% da área, e as produtividades alcançam os níveis estimados inicialmente.

    Milho prevê recuo na produção total, mas primeira safra cresce

    A produção total de milho deve atingir 138,4 milhões de toneladas, representando uma redução de 1,9% em relação ao ciclo anterior. Apesar da queda geral, a primeira safra do cereal apresenta desempenho positivo, com crescimento de 7,2% na área plantada, que chega a 4 milhões de hectares, e produção estimada em 26,7 milhões de toneladas — aumento de 7,1% sobre a safra anterior.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Para a segunda safra, os produtores destinam 17,9 milhões de hectares. O plantio já atinge 21,6% da área estimada na primeira semana de fevereiro, com projeção de colheita de 109,3 milhões de toneladas.

    Arroz reduz área plantada, mas garante abastecimento interno

    Com a semeadura praticamente concluída, a área destinada ao arroz atinge 1,6 milhão de hectares, 11,6% inferior ao ciclo anterior. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, as lavouras atravessam pleno desenvolvimento vegetativo. As chuvas recentes recuperaram os níveis dos mananciais, que enfrentavam redução hídrica nas regiões produtoras do estado.

    arroz
    Foto: Giovani Wrasse/Irga

    A Conab estima uma produção de 10,9 milhões de toneladas. Mesmo com a expectativa de queda, o volume garante o abastecimento do mercado interno.

    Feijão mantém estabilidade e Minas Gerais lidera primeira safra

    A produção de feijão deve se manter próxima a 3 milhões de toneladas, somando os três ciclos da leguminosa. A primeira safra registra redução de 11,4% na área plantada, totalizando 804,7 mil hectares, com expectativa de produção de 967,2 mil toneladas, 9% inferior à safra passada.

    Foto: Divulgacão/GovBA

    A região Sul, especialmente o Paraná, influencia a queda nos números. Em contrapartida, Minas Gerais prevê aumento de 9,5% na produção, chegando a 224,6 mil toneladas e assumindo a liderança como principal produtor de feijão no primeiro ciclo.

    Algodão reduz área plantada em 3,2%

    Os produtores de algodão destinam cerca de 2 milhões de hectares para o cultivo da fibra, redução de 3,2% em relação à safra anterior. A área cultivada deve resultar em uma produção de 3,8 milhões de toneladas de pluma. A Conab informa que os agricultores já semearam 88,1% da área total.

    Foto: divulgação – Embrapa/Fabiano José Perina

    Mercado de milho bate recordes em exportação e consumo interno

    A Conab consolida os dados da comercialização do milho da safra 2024/25. A produção recorde do ciclo passado impulsionou as exportações para 41,5 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    A ampla oferta interna e a maior demanda internacional pelo grão elevaram as vendas ao mercado externo. O consumo interno também atingiu novo recorde histórico, saltando de 84 milhões de toneladas na temporada 2023/24 para 90,5 milhões de toneladas na safra passada. O aumento da utilização do milho na produção de etanol explica o crescimento, consolidando a relevância do cereal no setor energético.

    Para a temporada 2025/26, a expectativa aponta novo incremento tanto nas exportações quanto no consumo interno, com estimativas de 46,5 milhões de toneladas e 94,5 milhões de toneladas, respectivamente. Mesmo com a elevação, os estoques de passagem do grão devem se manter em torno de 12 milhões de toneladas em janeiro de 2027.

  • Clima favorável reduz preços do café

    Clima favorável reduz preços do café

    Os pesquisadores do Cepea apontam melhora nas condições climáticas que beneficiaram as lavouras de café em janeiro. As chuvas regulares devem favorecer o enchimento dos grãos. Fevereiro começa com expectativa de continuidade da umidade. Esse período é crucial para a temporada de café.

    O cenário produtivo mais positivo pressiona as cotações. Os preços do café registram queda no mercado brasileiro. O indicador CEPEA/ESALQ do arábica recuou 3,7%. O preço caiu R$ 80,19 por saca em janeiro. O indicador encerrou janeiro a R$ 2.094,55 por saca. Já a média mensal atingiu R$ 2.178,82 por saca. O valor foi o menor desde outubro de 2025.

    Dentro da porteira

    No campo, produtores esperam safra maior em 2026/27. O clima adverso ainda pode trazer riscos à produção.
    O mês de dezembro teve calor intenso e baixa umidade. Ou seja, essas condições podem gerar grãos mal formados. Os especialistas alertam para possibilidade de cafés chochos.

  • Café: chuvas aliviam arábica e preocupam produtores de robusta

    Café: chuvas aliviam arábica e preocupam produtores de robusta

    As chuvas mais volumosas recentes atingiram praticamente todas as regiões cafeeiras do Brasil. Segundo o Cepea, o aumento da umidade trouxe alívio aos produtores de café arábica. Isso porque, após o estresse climático do fim de 2025, a chuva favorece o enchimento dos grãos. Essa fase é decisiva para o bom desenvolvimento da safra de arábica.

    Por outro lado, as chuvas intensas geram preocupação entre produtores de café robusta. Os pesquisadores do Cepea destacam impactos negativos no norte do Espírito Santo. Em algumas áreas, talhões ficaram alagados, o que eleva o risco de perdas produtivas. Além disso, a maior umidade pode aumentar a incidência de doenças nas lavouras.

    Preços do café

    Enquanto isso, os preços do café seguem voláteis no mercado. O Cepea afirma que a instabilidade persiste até estimativas mais precisas da safra atual. Além do clima, o cenário macroeconômico global influencia as cotações. O ambiente cambial também segue impactando os preços internos e externos do café.

  • IBGE prevê safra recorde em 2025 e queda em 2026

    IBGE prevê safra recorde em 2025 e queda em 2026

    O IBGE estima produção de 346,1 milhões de toneladas de grãos em 2025. O volume representa alta de 18,2% frente a 2024. Em relação a novembro, a projeção avançou 0,1%. Em geral, a área colhida deve alcançar 81,6 milhões de hectares. Ou seja, O número indica crescimento de 3,2% sobre o ano anterior. Na comparação mensal, houve aumento de 0,1%.

    Soja, milho e arroz concentram produção

    Soja, milho e arroz respondem por 92,7% da produção estimada. Essas culturas ocupam 87,9% da área a ser colhida. A soja deve atingir 166,1 milhões de toneladas. O volume estabelece novo recorde histórico.

    O milho também alcança marca recorde, com 141,7 milhões de toneladas. A primeira safra soma 25,7 milhões de toneladas. A segunda safra totaliza 116,0 milhões de toneladas.

    O algodão em caroço chega a 9,9 milhões de toneladas. O resultado também é o maior da série histórica.

    Produção cresce para a maioria das culturas

    O arroz em casca deve alcançar 12,7 milhões de toneladas. Já o trigo soma 7,8 milhões de toneladas. O sorgo atinge 5,4 milhões de toneladas. Frente a 2024, o sorgo cresce 35,5%. O milho avança 23,6% e a soja sobe 14,6%.
    O feijão apresenta queda de 2,7% na produção.

    Centro-Oeste lidera a safra de 2025

    O Centro-Oeste lidera a produção nacional, com 178,7 milhões de toneladas. A região responde por 51,6% do total. O Sul aparece em seguida, com 86,3 milhões de toneladas. O Sudeste produz 31,1 milhões de toneladas.
    O Nordeste soma 27,7 milhões de toneladas. O Norte alcança 22,3 milhões de toneladas. Todas as regiões registram crescimento anual.

    Estados com maior participação

    O Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos. O estado responde por 32,0% do total.
    Na sequência aparecem Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Juntos, seis estados concentram 79,7% da produção brasileira.

    Safra de 2026 deve recuar após recorde

    Para 2026, o IBGE projeta produção de 339,8 milhões de toneladas. O volume representa queda de 1,8% frente a 2025. Apesar do recuo anual, a estimativa subiu 1,2% em relação ao prognóstico anterior. O levantamento inclui canola e gergelim pela primeira vez.

    Milho puxa redução em 2026

    Foto: Agência Agro em Campo

    A produção de milho deve cair 6,0% em 2026. O recuo equivale a 8,5 milhões de toneladas.
    O sorgo deve recuar 13,0%. O arroz deve cair 8,0%. O algodão em caroço deve reduzir 10,5%.
    A soja segue em alta e cresce 2,5%.

    Área plantada cresce em 2026

    A área colhida deve alcançar 82,7 milhões de hectares. O número representa aumento de 1,4%.
    O milho amplia área em 2,3%. A soja cresce 0,4%. O algodão e o arroz reduzem área plantada.

    Soja deve bater novo recorde em 2026

    A produção de soja pode atingir 170,3 milhões de toneladas. O volume configura novo recorde nacional.
    A recuperação de áreas afetadas por estiagens em 2025 sustenta o avanço. O Rio Grande do Sul lidera essa retomada.

    Café avança com bienalidade positiva

    Foto: divulgação – ApexBrasil

    A produção total de café deve alcançar 61,8 milhões de sacas. O volume cresce 7,3% frente a 2025.
    O café arábica se beneficia da bienalidade positiva. O café canephora recua após safra recorde anterior.

    Resumo do cenário agrícola

    O IBGE confirma safra histórica em 2025. Para 2026, o órgão projeta ajuste após recordes consecutivos.

  • Mercadão inaugura espaço do café com grãos do Brasil

    Mercadão inaugura espaço do café com grãos do Brasil

    O Mercado Municipal de São Paulo ganhou um espaço exclusivo dedicado aos cafés especiais de diversas regiões produtoras do Brasil. Chamado de Santuário do Café, o local reúne uma curadoria de grãos de quase todas as zonas cafeeiras do país. O espaço oferece dezenas de silos com cafés especiais disponíveis para compra a granel pelos consumidores.

    Além disso, o portfólio inclui regiões com indicação geográfica, fortalecendo a valorização da origem e da qualidade. Inaugurada em dezembro, a cafeteria permite que o público deguste qualquer grão no próprio local.

    O cliente também escolhe o método de preparo, o que amplia a experiência sensorial com o café. A casa disponibiliza métodos conhecidos, como prensa francesa e Hario V60, além de opções menos comuns. Entre os diferenciais, destacam-se o sifão belga e o tradicional café turco.

    Santuário do Café

    O Santuário do Café fica na entrada do portão 6 do Mercadão, sob um vitral que retrata a cafeicultura brasileira.
    Segundo a proposta do espaço, o objetivo é difundir a cultura do café especial. Por isso, a cafeteria aposta no alto fluxo de visitantes para apresentar o universo dos cafés especiais.

    O local também atrai turistas estrangeiros interessados em conhecer cafés de diferentes regiões do Brasil.
    Sem sair do Mercadão, o público pode provar grãos cultivados do Paraná a Rondônia. O portfólio inclui regiões tradicionais, como Sul de Minas e Mogiana Paulista.

    Variedades pouco comuns

    Além disso, o espaço oferece variedades pouco comuns no mercado brasileiro. Entre elas estão laurina, geisha e pink bourbon, que despertam curiosidade entre consumidores exigentes.

  • Produção de grãos no Brasil deve atingir 354,4 milhões de toneladas

    Produção de grãos no Brasil deve atingir 354,4 milhões de toneladas

    A produção brasileira de grãos deve alcançar 354,4 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o terceiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira (11). O volume representa um crescimento modesto de 0,6% em relação ao ciclo anterior, com 2,2 milhões de toneladas a mais do que as 352,2 milhões colhidas em 2024/25.

    O aumento na produção resulta da expansão de 3% na área cultivada, que passa de 81,7 milhões de hectares para 84,2 milhões de hectares. No entanto, esse crescimento é parcialmente compensado pela redução na produtividade média nacional, que cai de 4.310 quilos por hectare em 2024/25 para 4.210 quilos por hectare na atual temporada.

    Soja encaminha-se para novo recorde histórico

    A cultura da soja, principal commodity agrícola brasileira cultivada na primeira safra, já alcançou 90,3% da área de plantio prevista. Em Mato Grosso, líder nacional na produção do grão, a semeadura está completamente finalizada, conforme dados do Progresso de Safra publicado pela Conab.

    As condições climáticas marcaram o ritmo do plantio nas diferentes regiões do país. Na primeira quinzena de novembro, chuvas regulares impulsionaram o avanço da semeadura na Região Sul. Enquanto isso, produtores do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Minas Gerais enfrentaram atrasos devido à irregularidade das precipitações. A partir da segunda quinzena de novembro, a normalização do regime de chuvas permitiu a retomada dos trabalhos de campo nessas áreas.

    Para a safra 2025/26, a Conab estima que 48,9 milhões de hectares serão destinados ao cultivo da oleaginosa, gerando uma produção de 177,1 milhões de toneladas. Se confirmado, o resultado representará um aumento de 3,3% sobre o ciclo anterior e estabelecerá um novo recorde nacional.

    Arroz registra queda expressiva; feijão mantém estabilidade

    A produção de arroz deve sofrer retração significativa de 12,4%, com colheita prevista de 11,2 milhões de toneladas. A redução é atribuída às condições mercadológicas desfavoráveis do cereal, que resultaram em menor área cultivada, estimada em 1,62 milhão de hectares.

    No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional de arroz, a semeadura atingiu 98% da área destinada à cultura. Em Santa Catarina, segundo principal estado produtor, o plantio já foi concluído.

    Já a produção de feijão permanece estável. Somando as três safras anuais da leguminosa, a Conab projeta aproximadamente 3 milhões de toneladas, volume similar ao ciclo passado e suficiente para garantir o abastecimento interno. O plantio da primeira safra foi finalizado no Paraná e em São Paulo, enquanto avança em outros estados: 93,8% da área em Minas Gerais e 67% na Bahia.

    Milho apresenta leve recuo na produção total

    A produção de milho, considerando as três safras anuais, está estimada em 138,9 milhões de toneladas, queda de 1,5% em relação ao ciclo anterior. Na primeira safra, a semeadura já atingiu 71,3% dos 4 milhões de hectares destinados ao cereal, com produção prevista de 25,9 milhões de toneladas, alta de 3,9% sobre a safra anterior.

    Trigo fecha safra de inverno com resultado positivo

    Entre as culturas de inverno da safra 2025, o trigo se destaca como principal produto. A colheita já alcançou 98% da área plantada, com produção estimada em 8 milhões de toneladas. O volume supera em 0,9% o registrado no ciclo anterior, reflexo das condições climáticas predominantemente favoráveis durante o desenvolvimento da cultura, apesar de adversidades pontuais em algumas regiões.

    Exportações batem recordes e impulsionam economia

    Neste levantamento, a Conab manteve praticamente estáveis as projeções de suprimentos da safra 2024/25 para a maioria dos produtos. Com ajustes pontuais baseados nas atualizações de produção e nas condições de mercado.

    Uma das mudanças significativas refere-se às exportações da safra 2024/25, com incremento de 313 mil toneladas. O total de embarques deve atingir cerca de 106,97 milhões de toneladas até o final de 2025. Porém, esse número ainda pode ser ajustado no próximo levantamento.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de soja em grãos somaram 104,79 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2025, volume que estabelece um novo recorde nacional. O volume supera as 101,87 milhões de toneladas vendidas ao mercado internacional durante todo o ano de 2021. As vendas externas registradas nos 11 meses de 2025 geraram receita de US$ 42 bilhões para o país.

  • Paraná colhe a maior safra de todos os tempos

    Paraná colhe a maior safra de todos os tempos

    Imagine os campos paranaenses como um gigantesco cofrinho verde. Neste ano, esse cofre transbordou. O estado acaba de fechar a tampa da sua maior safra de grãos da história, um montante colossal de 46,8 milhões de toneladas que deve gerar um Valor Bruto de Produção (VBP) na casa dos R$ 68 bilhões. Os técnicos do Deral (Departamento de Economia Rural) confirmaram o recorde nesta quinta-feira (27), consolidando o ciclo 2024/25.

    E o que abasteceu esse sucesso? Uma combinação vitoriosa. “A mistura entre clima mais favorável, aumento de área plantada e bom desempenho das culturas elevou o potencial produtivo do Estado”, explica Marcelo Garrido, chefe do Deral.

    Enquanto a soja e o milho dominam o verão, foi a safra de inverno que deu um show à parte. O trigo comandou a temporada, com quase 817 mil hectares plantados. Mas a estrela surpresa veio da aveia. A cultura deu um salto, colhendo 470 mil toneladas – o maior volume da última década. “A aveia merece atenção e acaba contribuindo decisivamente para o recorde histórico”, comemora o engenheiro agrônomo do Deral, Hugo Godinho.

    Soja e milho: os gigantes que carregam a safra nas costas

    Não dá pra falar do recorde sem destacar os pesos pesados. O milho paranaense, sozinho, atingiu a marca inédita de 21 milhões de toneladas. Já a soja, que praticamente concluiu o plantio em 5,58 milhões de hectares, segue com saúde de ferro: 92% das lavouras estão em condições consideradas boas. O clima estável, com menos chuvas, está ajudando as plantas a se desenvolverem com força total.

    E essa fartura de grãos tem um efeito dominó fantástico.

    O efeito cadeia: grãos baratos, proteínas mais fortes

    Com tanto milho e farelo de soja no mercado, os custos de produção para a pecuária despencam. A suinocultura, por exemplo, registrou um dos seus menores custos do ano em outubro. A avicultura de postura também sente o alívio, melhorando a rentabilidade dos produtores de ovos.

    O frango paranaense segue como líder nacional nas exportações, representando incríveis 40,9% do volume que o Brasil vende para o mundo. E as notícias são boas também para a carne bovina e até a de peru, que vive um momento de preços valorizados e volumes em alta.

    Para além dos grãos: os desafios e as cores das frutas

    Nem tudo são flores, ou melhor, nem tudo são grãos. No setor de hortaliças, o inverno longo e a falta de sol trouxe seus desafios. “Isso afeta diretamente o metabolismo das plantas”, observa o engenheiro Paulo Andrade, do Deral. Culturas como batata, cebola e tomate sentiram o impacto, com a cebola, por exemplo, tendo uma redução na área cultivada.

    Mas para adoçar o cenário, as frutas de caroço estão em plena colheita. E a goiaba paranaense merece menção honrosa: o estado é o terceiro maior produtor do Brasil, com um crescimento estratosférico de 205,5% na produção nos últimos dez anos. Um sucesso que vai colorir ainda mais as gôndolas dos supermercados nas próximas semanas.

    A safra recorde do Paraná não é só um número. É um ecossistema inteiro funcionando, do grão que alimenta o mundo à proteína que chega à mesa e a fruta que adoça o dia.