Tag: Grãos

  • Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Falta de silos força produtor brasileiro a vender safra mais barato

    Empresas e produtores enfrentam um gargalo estrutural que vem redesenhando a comercialização de grãos no Brasil: a falta de silos. O descompasso entre a capacidade estática de armazenagem e o volume total colhido a cada safra consolidou-se como um dos principais fatores de instabilidade do setor.

    O problema ganha contornos mais críticos no segundo semestre, quando milho e algodão escoam simultaneamente e disputam espaço nos armazéns disponíveis.

    Enquanto os Estados Unidos guardam 65% de sua produção dentro das propriedades rurais, o Brasil armazena apenas 15% na origem, afirma a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Essa escassez empurra o produtor para uma venda compulsória logo após a colheita, o que pressiona as cotações internas e reduz o poder de negociação do produtor.

    Franklin Oliveira, diretor comercial da AGI Brasil, fornecedora de soluções em armazenamento e movimentação de grãos, defende que o cenário exige uma análise que vai além do espaço físico disponível.

    “O déficit mensurado é mais agudo em regiões de expansão agrícola no segundo semestre, como o Matopiba e o norte de Mato Grosso. O armazenamento planejado protege o produtor contra a oscilação de preços. Mas demanda superar barreiras regulatórias locais, garantir eficiência energética e manter a estrita conformidade com as exigências técnicas de certificação”, explica o executivo.

    Gargalos regulatórios travam novos investimentos

    Atualmente, os produtores que querem investir em armazenagem própria esbarram em uma série de exigências. Precisam obter licenças ambientais estaduais, atender à Lei nº 9.973 que regulamenta o Sistema de Certificação de Armazéns do país e adequar as plantas às normas de segurança do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), caso da NR-33, voltada ao trabalho em espaços confinados.

    Nesse ambiente restritivo, o acesso a materiais de alta especificação passou a fazer diferença direta na viabilidade dos projetos. Silos construídos com aços de alta resistência estrutural e revestimentos galvanizados superiores suportam melhor a carga dinâmica de carregamentos contínuos, segundo Oliveira.

    “No entanto, para combater o estresse térmico severo no interior do silo, a engenharia de proteção do grão precisa ir além da barreira física do aço”, alerta o diretor.

    Projetos de alta performance, segundo ele, já integram sistemas de termometria digital e ventilação automatizada, capazes de controlar a temperatura e a umidade da massa de grãos.

    Essa combinação preserva as características físicas, sanitárias e comerciais do produto e atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelo mercado exportador.

    Diante de safras que testam anualmente a eficiência logística nacional, a expansão tecnológica da armazenagem surge como o elo regulador capaz de proteger as margens do agronegócio.

    “A sustentabilidade financeira da porteira para dentro depende da autonomia de comercialização. E ela só se alcança quando o produtor dispõe de uma estrutura robusta e capaz de preservar a integridade biológica do seu patrimônio por longos períodos”, conclui o diretor comercial.

  • Chuvas reduzem qualidade do café na reta final da colheita

    Chuvas reduzem qualidade do café na reta final da colheita

    As chuvas nas principais regiões produtoras de café arábica prejudicam a colheita da safra 2026/27. Além disso, comprometem a qualidade dos grãos, principalmente da bebida. Cerca de 30% da safra ainda permanece no campo. Por isso, essa parcela da produção continua mais exposta aos impactos do clima.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que o volume de chuva aumentou nos últimos dias de julho. Esse período coincide com a fase final da colheita. Além disso, muitas propriedades concentram os trabalhos na varrição. Nessa etapa, os produtores recolhem os grãos que caíram no solo. Muitos desses grãos poderiam estar no chão desde o início do mês.

    No entanto, as chuvas de julho aumentaram a exposição da produção à umidade. Como resultado, os grãos ficaram mais suscetíveis à perda de qualidade. O problema afeta, principalmente, as características da bebida.

    Apesar das preocupações, o Cepea ressalta que ainda não é possível medir a dimensão dos prejuízos. Essa avaliação dependerá da prova, do beneficiamento e da comercialização dos lotes.

  • Ibama autoriza terminal multimodal de grãos em Santos com investimento de R$ 2 bilhões

    Ibama autoriza terminal multimodal de grãos em Santos com investimento de R$ 2 bilhões

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a licença de instalação para o Terminal Multimodal de Grãos e Fertilizantes (TMGF), que será construído em Santos, no litoral de São Paulo. O projeto prevê investimento de R$ 2 bilhões.

    Conhecido como Projeto Seeds, o terminal terá capacidade para movimentar cerca de 9 milhões de toneladas de grãos e 3,5 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, fortalecendo a logística do agronegócio brasileiro.

    A implantação do empreendimento deve gerar aproximadamente 2.500 empregos ao longo de dois anos e meio de obras. Na fase operacional, o terminal deve manter cerca de 600 postos de trabalho diretos. A expectativa é arrecadar cerca de R$ 300 milhões anuais em impostos.

    Durante o licenciamento ambiental, o projeto passou por ajustes relevantes para reduzir impactos. A revisão do leiaute do píer, por exemplo, buscou minimizar interferências no tráfego de embarcações de transporte público utilizadas por comunidades locais. O projeto também incorporou medidas de monitoramento e mitigação relacionadas à atividade pesqueira, à ecotoxicidade de sedimentos dragados e à gestão logística e de tráfego de cargas, além de um programa rigoroso de gerenciamento de riscos.

    Estudo de Impacto Ambiental

    O Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) chegou ao Ibama em maio de 2025. Técnicos analisaram o material e participaram de audiência pública realizada em Santos, em outubro do mesmo ano. Após avaliar as contribuições, o órgão ambiental concluiu o processo em 11 meses, prazo inferior ao limite definido pela Resolução Conama nº 237/1997.

    Segundo a diretora de Licenciamento Ambiental do Ibama, Claudia Barros, a autorização reforça o compromisso do órgão com o desenvolvimento sustentável. “A emissão de mais uma importante licença para a ampliação e modernização da infraestrutura do país demonstra o compromisso constante e responsável do Ibama com o desenvolvimento sustentável do Brasil”, afirmou.

  • Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    Safra de grãos do Brasil deve bater recorde

    A produção brasileira de grãos deve atingir 358 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo o 8º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa alta de 1,6% em relação ao ciclo anterior, com incremento de 5,7 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo desempenho da soja, do milho e do sorgo.

    A soja lidera o avanço e pode atingir produção recorde de 180,1 milhões de toneladas, superando em 0,5% a estimativa anterior. Com 98,3% da área já colhida, a oleaginosa deve crescer 5% na comparação com a safra passada, o equivalente a 8,6 milhões de toneladas a mais. O resultado marca o sétimo aumento em dez ciclos consecutivos.

    O milho também mantém desempenho relevante. A primeira safra deve alcançar cerca de 28,5 milhões de toneladas, avanço de 3,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela expansão da área plantada. No total das três safras, a produção do cereal deve chegar a 140,2 milhões de toneladas, configurando o segundo maior volume da série histórica.

    A segunda safra de milho, já totalmente semeada, deve produzir 108,5 milhões de toneladas, com leve recuo de 0,6%. O impacto climático em estados como Goiás e Minas Gerais explica parte da redução, apesar do aumento de 2,1% na área plantada em nível nacional.

    Sorgo como alternativa estratégica

    O sorgo desponta como alternativa estratégica no campo e pode registrar crescimento de até 23,8%, com produção estimada em 7,6 milhões de toneladas. A expansão da área cultivada ocorreu em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste, onde o avanço chegou a 50,7%. Em Goiás, maior produtor nacional, a produção deve superar 2,2 milhões de toneladas, alta de 40,3%.

    Segundo a Conab, a substituição do milho pelo sorgo em áreas fora da janela ideal de plantio explica o movimento. A cultura apresenta maior tolerância ao déficit hídrico e oferece versatilidade de uso, incluindo alimentação animal e produção de etanol.

    Entre os alimentos básicos, o arroz deve registrar leve queda de 0,3%, com produção estimada em 11,1 milhões de toneladas. A redução decorre principalmente da diminuição de 13,7% na área plantada. Ainda assim, a produtividade aumentou e alcançou 7.281 quilos por hectare, com 94,6% da área já colhida.

    A produção de feijão também deve recuar 5,2%, somando 2,9 milhões de toneladas nas três safras. A primeira safra apresentou ganho de produtividade de 4,3%, com produção próxima de 969 mil toneladas. Mesmo com a retração, a Conab descarta risco de desabastecimento no mercado interno.

    Algodão tem queda na na produção

    No algodão, a expectativa é de produção de aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,6% em relação ao ciclo anterior, reflexo da redução de área e produtividade. Já o trigo deve somar 6,4 milhões de toneladas, com retração de 1,5 milhão de toneladas, influenciada pela menor área semeada no Rio Grande do Sul e no Paraná.

    No mercado, a demanda por milho deve crescer impulsionada pela indústria de etanol. O consumo interno tende a avançar 4,6%, alcançando 94,86 milhões de toneladas. As exportações também devem subir e podem atingir 46,5 milhões de toneladas. Mesmo com o aumento da demanda, o estoque final deve ficar próximo de 12,98 milhões de toneladas.

    Para a soja, as exportações acompanham o desempenho da safra e podem chegar a 116 milhões de toneladas, alta de 7,25% em relação à temporada anterior.

  • Chuvas ameaçam qualidade da safra de café arábica

    Chuvas ameaçam qualidade da safra de café arábica

    O avanço da colheita do café arábica elevou a preocupação dos cafeicultores com o clima nas principais regiões produtoras. Segundo o Cepea, as chuvas recentes podem comprometer parte da qualidade dos grãos da safra atual.

    Ao mesmo tempo, as precipitações favorecem lavouras mais tardias e também beneficiam a próxima safra brasileira.

    No norte do Paraná, os pesquisadores do Cepea já identificaram pequena queda na qualidade do café colhido. Em Marília, no interior paulista, as chuvas volumosas também aumentaram a preocupação entre os produtores. Isso porque a umidade pode atingir os grãos caídos no solo e dificultar a colheita mecanizada. Além disso, o excesso de chuva pode elevar os riscos de perdas durante o processo de retirada dos grãos.

    Por outro lado, produtores do Sul de Minas Gerais relataram cenário mais tranquilo para a colheita atual. Agentes consultados pelo Cepea informaram que as chuvas devem ocorrer com menor intensidade na região mineira. Dessa forma, o clima não deve provocar danos relevantes à safra de café no Sul de Minas.

  • Dieta nórdica: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais

    Dieta nórdica: é anti-inflamatória, pode ajudar a dormir melhor e viver mais

    Quando o assunto é alimentação saudável, os países mediterrâneos costumam ser os primeiros a vir à mente. Contudo, a dieta nórdica desponta como uma forte candidata ao título de melhor dieta do planeta. Os padrões alimentares tradicionais da Dinamarca, Islândia, Finlândia, Noruega e Suécia oferecem benefícios tão expressivos quanto os da dieta mediterrânea, e a ciência tem acumulado evidências para comprovar isso.

    “É basicamente a prima da dieta mediterrânea, adaptada a climas mais frios”, afirma Dawn Jackson Blatner, nutricionista e autora do livro The Superfood Swap. Um grupo de nutricionistas, cientistas e chefs criou a chamada “nova dieta nórdica” em 2004, baseando-a em alimentos locais e sazonais, com ênfase em saúde, sabor e sustentabilidade. Para David L. Katz, especialista em medicina preventiva e coautor do livro How to Eat, a proposta não é nova: “Todas as boas dietas são compostas de comida de verdade, principalmente de origem vegetal. A dieta nórdica é uma variação desse mesmo tema, e seus benefícios se traduzem em vitalidade e longevidade.”

    Os dados científicos reforçam essa visão. Uma análise de 47 estudos publicada em outubro de 2025 no European Journal of Nutrition mostrou que pessoas com alta adesão à dieta nórdica apresentaram risco 22% menor de morte prematura por qualquer causa, 16% menor de morte por doença cardiovascular e 14% menor de morte por câncer. Por trás desses números está a combinação de alimentos ricos em anti-inflamatórios, antioxidantes, fibras e gorduras saudáveis.

    O que a dieta nórdica inclui?

    A dieta nórdica é rica em vegetais, peixes e grãos integrais e prioriza ingredientes locais, frescos e de origem sustentável, focando na “comida de verdade” com forte ação anti-inflamatória e antioxidante.

    Vegetais como batata, cenoura, beterraba, couve-flor e repolho entram no cardápio. Frutas vermelhas como maçã, pera, amora e morango se destacam pelo poder antioxidante. Além disso, cereais integrais, peixes, frutos do mar, óleos (como o óleo de canola, que substitui o azeite de oliva) e lacticínios magros fazem parte do estilo alimentar.

    Benefícios comprovados pela ciência

    As evidências científicas a favor da dieta nórdica crescem de forma consistente. Pesquisas associam sua adoção à redução do risco de doenças cardíacas, AVC e diabetes tipo 2, além de queda nos níveis de colesterol LDL e da pressão arterial. Um estudo de 2024 na revista Scientific Reports identificou risco 58% menor de doença hepática gordurosa entre os adeptos, enquanto uma pesquisa de 2025 na Frontiers in Endocrinology apontou redução equivalente no risco de diabetes tipo 2.

    Além dos efeitos de longo prazo, a dieta também traz benefícios perceptíveis no dia a dia. Um estudo de 2022 demonstrou melhora na qualidade do sono entre os participantes, e outra pesquisa observou que mulheres idosas adeptas do padrão alimentar apresentaram desempenho físico superior em testes como caminhada, flexões e levantar de uma cadeira, indicando potencial para reduzir o risco de incapacidade na terceira idade. Embora não seja voltada ao emagrecimento, um estudo também registrou melhoras no peso corporal entre os que seguiram a dieta.

    Por que funciona: anti-inflamação, fibras e equilíbrio hormonal

    O potencial protetor da dieta nórdica está diretamente ligado ao perfil anti-inflamatório dos alimentos que a compõem. Frutas e vegetais fornecem antioxidantes em abundância; grãos integrais como centeio e cevada têm índice glicêmico mais baixo, favorecendo a regulação do açúcar no sangue; e os peixes oleosos entregam ácidos graxos ômega-3, benéficos para o coração e o cérebro.

    Além disso, as fibras presentes em grãos, leguminosas e vegetais aumentam a saciedade e promovem o equilíbrio da microbiota intestinal. Somado a isso, segundo Katz, a dieta ainda contribui para a regulação de hormônios como insulina, cortisol, grelina e leptina. “O que torna a dieta nórdica tão saudável é que há muitos fatores trabalhando juntos”, resume Joan Salge Blake, nutricionista da Universidade de Boston.

  • Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Caruncho no arroz faz mal? Veja o que acontece se você ingerir esse inseto

    Você pega o pacote de arroz para cozinhar e encontra aquela farinha fina acumulada no fundo. Ou, pior ainda, avista pequenos insetos se movimentando entre os grãos. É uma cena familiar para boa parte das famílias brasileiras, e a reação imediata costuma ser jogar tudo fora com repulsa. Mas a situação é mais complexa do que parece, e a resposta para a pergunta que todo mundo já fez, “caruncho faz mal?”, depende de alguns fatores que vale conhecer antes de tomar qualquer decisão.

    De onde vem o caruncho e por que ele aparece nos grãos

    Antes de qualquer coisa, é preciso derrubar um equívoco comum: o caruncho não nasce necessariamente por descuido do consumidor. Segundo a agrônoma e professora Cristina Schetino Bastos, da Universidade de Brasília, o ciclo da infestação pode começar ainda na lavoura, durante a colheita, e seguir por todas as etapas, incluindo transporte, beneficiamento e armazenamento. Ou seja, o inseto pode chegar à despensa de casa dentro do próprio pacote lacrado.

    O nome “caruncho” é, na verdade, um termo genérico. A professora explica que ele designa popularmente mais de uma espécie de besouro que infesta produtos armazenados, com destaque para o Sitophilus zeamais, um besouro pequeno também conhecido como bicudo. Essa espécie é especialmente problemática porque tem alta capacidade de sobrevivência e consegue perfurar grãos intactos, o que dificulta o controle ao longo de toda a cadeia produtiva.

    Os insetos se associam principalmente a arroz, milho e trigo e, por consequência, a derivados como macarrão e farinhas. E as condições do ambiente doméstico podem acelerar a proliferação: umidade moderada e temperaturas favoráveis criam o cenário ideal para o desenvolvimento dos insetos, enquanto ambientes muito secos ou com temperaturas extremas dificultam sua sobrevivência.

    Freezer, recipientes de vidro e atenção à mistura de alimentos novos com antigos estão entre as medidas mais eficazes para manter caruncho longe — (Foto: Tomasz Klejdysz/Getty Imagens)

    Comer alimento com caruncho faz mal?

    Aqui está a resposta que a maioria das pessoas busca, e ela é menos alarmante do que o estômago sugere no momento do susto. De acordo com a nutricionista Fabiana Ximenes, o consumo acidental desses insetos geralmente não representa um risco grave à saúde. No entanto, podem ocorrer sintomas gastrointestinais leves como náuseas, desconforto abdominal e diarreia, especialmente em pessoas mais sensíveis ou com imunidade baixa.

    Um fator importante nessa equação é o preparo do alimento. O risco é maior quando o alimento contaminado é consumido cru, já que o cozimento tende a eliminar os insetos. Ainda assim, especialistas alertam que confiar apenas no cozimento não é a melhor estratégia. Sinais mais graves de deterioração do produto precisam ser observados antes de qualquer decisão de aproveitamento.

    Grãos empelotados, cheiro alterado e presença de teias indicam que o alimento deve ser descartado, independentemente de qualquer outra consideração. Nesses casos, o risco não está apenas nos insetos, mas no estado geral do produto, que pode ter sofrido contaminação por fungos ou bactérias associadas à infestação prolongada.

    Como evitar o caruncho em casa de forma simples e eficaz

    A boa notícia é que prevenir a infestação doméstica não exige grandes investimentos. Medidas simples de armazenamento reduzem drasticamente o risco de proliferação e protegem toda a despensa. Especialistas recomendam armazenar grãos em recipientes bem fechados, de preferência de vidro, evitar ambientes quentes e úmidos, não misturar alimentos novos com antigos e, quando possível, manter grãos no congelador por um período após a compra.

    Esse último ponto merece atenção especial. Colocar o pacote recém-comprado no freezer por alguns dias elimina eventuais ovos ou larvas que possam ter chegado junto com o produto, interrompendo o ciclo de reprodução antes mesmo que ele comece na despensa de casa.

    Além disso, vale inspecionar embalagens antes de comprar, evitar produtos com sinais de dano na embalagem e preferir compras em locais com bom giro de estoque. No campo e nas propriedades rurais, o controle é ainda mais relevante: a indústria utiliza técnicas como expurgo com gás para eliminar insetos, controle de temperatura e uso de atmosferas modificadas, mas isso não garante ausência total do caruncho no produto final.

  • Greve trava porto argentino e gera prejuízo de US$ 300 mi em grãos

    Greve trava porto argentino e gera prejuízo de US$ 300 mi em grãos

    Uma greve de proprietários de caminhões paralisou, na prática, o porto de Quequén, na província de Buenos Aires, e deixou 18 navios aguardando carregamento. O motivo do impasse é direto: os transportadores querem um reajuste de 25% nas tarifas de frete, pressionados pela alta nos preços dos combustíveis após o acirramento do conflito no Irã. As entidades rurais, por outro lado, oferecem 14%. A diferença, aparentemente pequena em pontos percentuais, virou um travamento de proporções milionárias.

    Segundo dados do porto, os navios parados deveriam carregar, juntos, 159 mil toneladas de sementes de girassol, 109 mil toneladas de milho, 99 mil toneladas de cevada e 92 mil toneladas de trigo. Com os caminhões bloqueando o acesso ao terminal, os grãos simplesmente não chegam aos navios.

    US$ 300 milhões em perdas e o peso do porto no mercado global

    Gustavo Idígoras, presidente da câmara CIARA-CEC, que representa exportadores e processadores de grãos argentinos, não deixou dúvidas sobre a gravidade da situação. “Essa situação em Quequén está se tornando insustentável. Estamos impedidos de operar em todos os terminais do porto”, afirmou.

    Idígoras estimou as perdas em cerca de US$ 300 milhões. O número tem peso concreto quando se leva em conta o papel estratégico de Quequén: por ali passa cerca de 20% de todas as exportações de soja da Argentina, um dos maiores fornecedores mundiais de alimentos. Portanto, o que acontece nesse porto importa muito além das fronteiras argentinas.

    Os navios em espera têm como destinos Vietnã, China, Brasil, Malásia e Espanha, entre outros países. Qualquer atraso no carregamento repercute direto nas cadeias de suprimentos de grãos nesses mercados.

    A negociação que não avança

    O governo da província de Buenos Aires prometeu convocar uma nova rodada de diálogo entre transportadores e entidades rurais, mas ainda não há data confirmada. Pablo Ginestet, secretário da Carbap, associação de produtores rurais de Buenos Aires e La Pampa, disse nesta quinta-feira que nenhuma comunicação chegou até eles.

    “Não temos notícias de uma nova reunião”, declarou Ginestet. Ele também lembrou que um foco semelhante de protesto em Bahia Blanca já havia sido resolvido. O isolamento do impasse em Quequén, para ele, levanta questionamentos sobre a postura dos transportadores locais. “Só resta um local de conflito, que é Necochea. Depois disso, o resto da província e o país estão funcionando normalmente. Parece ser um capricho dos transportadores de Necochea não quererem chegar a um acordo”, afirmou.

    A Reuters tentou ouvir o Ministério dos Transportes de Buenos Aires e a câmara de transportes Atcade, diretamente envolvida no protesto, mas nenhum dos dois respondeu até o fechamento da reportagem.

    O combustível por trás do impasse

    A raiz do conflito vai além de Quequén. A alta nos preços dos combustíveis, intensificada após a eclosão da guerra no Irã, comprimiu as margens dos transportadores de todo o país. Esse cenário empurrou as demandas por reajuste de frete para cima e criou um ambiente de tensão em vários pontos do setor logístico argentino.

    O que diferencia Quequén dos outros casos é a recusa em negociar. Enquanto outros focos foram resolvidos com acordos entre as partes, os caminhoneiros de Necochea mantêm o bloqueio, e os navios continuam parados.

    O que esse travamento significa para o agronegócio

    Para quem acompanha o mercado de grãos, a situação na Argentina é um alerta. O país vive um período crítico de exportação de sua safra, e qualquer interrupção logística de grande escala afeta preços e prazos de entrega no mercado internacional. O Brasil, como destino direto de parte dos embarques em atraso e como concorrente nas exportações de grãos, observa o cenário de perto.

    O desfecho ainda é incerto. Enquanto o governo provincial tenta articular uma nova rodada de negociações, os navios seguem ancorados, os grãos seguem parados e o relógio do prejuízo continua correndo.

  • Safra de grãos pode bater recorde em 2025/26

    Safra de grãos pode bater recorde em 2025/26

    A produção de grãos no Brasil pode alcançar 356,3 milhões de toneladas na safra 2025/26. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou os dados no 7º Levantamento de Grãos.

    O volume estimado indica aumento de 4,1 milhões de toneladas frente à safra 2024/25. Além disso, o resultado supera em 2,9 milhões de toneladas o levantamento anterior. Caso se confirme, a produção marcará um novo recorde histórico no país.

    Área e produtividade

    A área plantada deve crescer 2% e atingir 83,3 milhões de hectares. Por outro lado, a produtividade média deve cair 0,8%, chegando a 4.276 quilos por hectare. Mesmo com a leve queda, o índice representa o segundo melhor desempenho da série histórica.

    O presidente interino da Conab, Sílvio Porto, destaca investimentos federais no setor. Segundo ele, os planos safras fortalecem a agricultura empresarial e familiar.

    Além disso, Porto ressalta o bom desempenho da primeira safra de milho. A colheita supera 3 milhões de toneladas e avança para a fase final. Ele também projeta expectativa positiva para a segunda safra do cereal.

    Soja

    A produção de soja pode atingir recorde de 179,2 milhões de toneladas. A redução das chuvas em março favoreceu o avanço da colheita.

    Atualmente, os produtores já colheram 85,7% da área plantada. A produtividade média nacional da oleaginosa alcança 3.696 quilos por hectare. Mesmo com desempenho menor em alguns estados, o índice é o maior já registrado.

    Milho

    Para o milho, a Conab projeta produção total de 139,6 milhões de toneladas. O volume representa queda de 1,1% em relação ao ciclo anterior.

    A primeira safra cresce em área e pode alcançar 28 milhões de toneladas. Já a segunda safra deve somar 109,1 milhões de toneladas, com recuo de 3,6%.

    A semeadura do segundo ciclo está quase concluída em todo o país. As lavouras apresentam estágios que variam da germinação à floração. Porto afirma que a estimativa atual adota postura conservadora. Segundo ele, condições climáticas favoráveis podem elevar a produção final.

    Arroz

    A produção de arroz deve cair para 11,1 milhões de toneladas na safra atual. O volume representa redução de 12,9% frente ao ciclo passado. A queda ocorre devido à redução de 13,1% na área plantada. Além disso, condições climáticas desfavoráveis afetaram algumas lavouras.

    A colheita avança nos principais estados produtores. No Rio Grande do Sul, o índice chega a 72%. Em Santa Catarina, a colheita atinge 93%. No Tocantins, o avanço alcança 52%.

    Feijão

    A produção de feijão deve totalizar 2,9 milhões de toneladas. O volume indica queda de 5,2% em comparação à safra anterior. Mesmo assim, a produção prevista garante o abastecimento interno.

    Algodão

    Para o algodão, a estimativa aponta 3,8 milhões de toneladas de pluma. O volume representa recuo de 5,8% frente ao ciclo anterior.

    A área plantada deve cair 2,1% e atingir 2 milhões de hectares. Apesar disso, as condições climáticas favorecem o desenvolvimento das lavouras.

    Mercado

    No mercado, a Conab ajusta os estoques de passagem de milho. A previsão indica volume de 12,8 milhões de toneladas até janeiro de 2027.

    As exportações seguem estimadas em 46,5 milhões de toneladas. Já o consumo interno deve alcançar 96,5 milhões de toneladas.

  • Feijão recua em abril e mercado busca equilíbrio

    Feijão recua em abril e mercado busca equilíbrio

    Os preços do feijão preto e carioca iniciaram abril em queda, conforme dados do Cepea/CNA. No primeiro trimestre, as cotações avançaram e atingiram patamares recordes. A oferta limitada sustentou os preços nos três primeiros meses do ano. Porém, a retração da demanda passou a pressionar o mercado nas últimas semanas.

    Os pesquisadores do Cepea afirmam que o setor agora busca um novo equilíbrio. Além disso, a lenta transmissão de preços entre indústria e varejo influencia esse movimento. O mercado também reage à transição para a segunda safra. Nesse cenário, incertezas climáticas no Sul do País aumentam a atenção dos agentes.

    No mercado externo, o Brasil exportou 27,28 mil toneladas de feijão em março. O volume supera fevereiro em 2,4% e cresce 51,3% frente a março de 2025.

    As importações somaram 3,13 mil toneladas no período analisado. Esse volume recuou 17% em relação a fevereiro, segundo a Secex. Apesar da queda mensal, as compras externas ainda superam em quatro vezes março do ano passado.

    Milho

    Foto: divulgação – Flickr CNA

    Os preços do milho seguem estáveis e próximos de R$ 69 por saca de 60 kg. Mesmo assim, o mercado interno registrou pequenas quedas nos últimos dias. Segundo o Cepea, compradores demonstram baixo interesse nas negociações. Muitos agentes relatam estoques e aguardam recuos mais intensos nos preços.

    Por outro lado, vendedores aumentaram a participação nas negociações. Em alguns momentos, eles reduziram os valores ofertados para fechar negócios.

    O Cepea aponta que a queda do câmbio reduz a paridade de exportação. Além disso, o avanço da colheita da safra de verão pressiona os preços.

    As chuvas também retornaram em regiões produtoras da segunda safra. Esse fator deve favorecer o desenvolvimento das lavouras de milho no Brasil.