Os preços dos ovos encerraram a primeira quinzena de janeiro com fortes altas em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo o Centro de Pesquisas, a retomada do consumo no varejo melhorou o ritmo de vendas e sustentou as cotações.
Apenas entre 7 e 14 de janeiro, a valorização da proteína alcançou quase 60%, conforme os levantamentos.
Apesar da reação recente, o Cepea aponta que as médias de janeiro seguem abaixo das registradas em dezembro. Além disso, os valores atuais permanecem inferiores aos observados no mesmo período do ano passado.
Enquanto isso, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve favorecer as exportações brasileiras de frango. Segundo o Cepea, o tratado prevê uma cota de 180 mil toneladas de carne de frango isentas de tarifa.
O volume representa 3,4% das exportações brasileiras em 2025, mas supera em 12 vezes a cota atual.
Atualmente, a cota vigente gira em torno de 15 mil toneladas por ano.
Mesmo sob o regime atual, a União Europeia foi o oitavo maior destino do frango brasileiro em 2025. Os embarques ao bloco somaram cerca de 230 mil toneladas, de acordo com o Cepea.
Mercado interno
No mercado interno, os preços da maioria dos cortes de frango seguem em queda. Segundo o Centro de Pesquisas, o movimento acompanha o comportamento tradicional do mês de janeiro.
O Brasil vendeu 19,1% mais frutas em volume para a Europa em 2025 na comparação com o ano anterior. A receita com essas exportações cresceu 12,8% no mesmo período, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Midic). O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que os blocos devem assinar no sábado (17), no Paraguai, promete acelerar ainda mais esses números.
O tratado, negociado há pelo menos 25 anos, vai reduzir ou eliminar tarifas de importação entre os dois blocos e facilitar o comércio de bens agrícolas e alimentos frescos.
“O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um divisor de águas para o agro brasileiro. A redução e a eliminação de tarifas vão ampliar a competitividade das nossas frutas no mercado europeu e criar condições para que o crescimento já observado em 2025 se acelere nos próximos anos, com mais previsibilidade, investimentos e geração de valor ao longo da cadeia produtiva”, afirma Patrícia Cesarino, engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza Brasil.
Europa concentra 79% das frutas exportadas pelo Brasil
A União Europeia recebeu 79% das frutas que o Brasil exportou em 2025. Atualmente, produtores brasileiros pagam tarifas que variam entre 4% e 14% para vender no bloco europeu. O acordo vai reduzir e extinguir essas cobranças, o que amplia a abertura aos produtos nacionais.
“Os resultados da fruticultura brasileira na Europa mostram que o setor está preparado para dar um salto com o acordo comercial. Estamos falando de um mercado maduro, exigente e de alto valor agregado, no qual o Brasil tem espaço para crescer de forma sustentável, ampliando volumes, receita e a presença de produtos frescos de alta qualidade”, diz a executiva da Ascenza Brasil.
No total, as exportações brasileiras para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, comparado a 2024, segundo o Midic.
Faturamento pode chegar a US$ 1,8 bilhão até 2029
A Apex estima que o faturamento da fruticultura brasileira aumente 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, com receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.
Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão lideraram as exportações para a Europa no ano passado. Essas seis frutas geraram receita de US$ 967 milhões, contra US$ 857,6 milhões no ano anterior. Em volume, o Brasil exportou 949 mil toneladas dessas frutas para a Europa em 2025 e 796,6 mil toneladas em 2024.
Melão e manga lideram; melancia tem melhor desempenho
Agricultores brasileiros enviaram 269,5 mil toneladas de melão (US$ 221,7 milhões) e 226,3 mil toneladas de manga (US$ 262,8 milhões) para o continente europeu no ano passado. Essas frutas registraram os melhores resultados em valor absoluto.
Foto: Divulgação – Isla Sementes
A melancia, no entanto, teve o melhor desempenho relativo em 2025. As exportações cresceram 44,3% em volume (de 115,8 mil toneladas em 2024 para 167,1 mil toneladas em 2025) e 60,5% em receita (de US$ 68,4 milhões para US$ 109,9 milhões).
Café valoriza em receita, mas recua em volume
O café, outro importante produto agrícola que o Brasil exporta para a Europa, registrou alta de 34,2% em receita: de US$ 6,5 bilhões em 2024 para US$ 8,7 bilhões em 2025. No entanto, o volume exportado caiu de 1,6 milhão de toneladas em 2024 para 1,3 milhão de toneladas no ano passado.
Assim, a expectativa para 2026 é de que a receita continue elevada devido aos preços internacionais. A Europa mantém-se como mercado-chave do café brasileiro, com Alemanha e Itália entre os principais importadores.
Como o acordo vai reduzir tarifas
Segundo o tratado entre os dois blocos, a tarifa sobre uvas frescas será zerada assim que o acordo entrar em vigor. Melões, melancias e limões terão as tarifas reduzidas em etapas até chegar a zero em cerca de sete anos. Mamão e manga já têm tarifas zeradas na União Europeia devido à forte dependência que o bloco tem da importação dessas frutas do Brasil.
“Após a assinatura, depois de mais de 25 anos de negociação, o acordo Mercosul-União Europeia chega em um momento estratégico. Ele fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de alimentos, amplia o acesso a um mercado que já responde pela maior parte das nossas exportações de frutas e cria uma base sólida para expansão de longo prazo, com ganhos para produtores, exportadores e consumidores”, aponta Patrícia.
Os principais concorrentes do Brasil nos envios à União Europeia, como Peru, Chile e México, já exportam frutas sem pagar tarifas. O acordo torna-se, portanto, fundamental para nivelar as condições de competição e permitir que produtores brasileiros disputem o mercado europeu em igualdade de condições.
O acordo Mercosul-União Europeia pode ampliar a competitividade do setor citrícola brasileiro no mercado europeu, avalia o Cepea. O pacto deve ser oficializado em 17 de janeiro e representa oportunidade de médio prazo para retomar vendas ao bloco europeu.
O acordo prevê eliminação gradual de tarifas para o suco de laranja exportado pelo Brasil. Para o suco não concentrado (NFC), o prazo de isenção tarifária chega a quatro anos.
Já o suco concentrado congelado (FCOJ) terá redução tarifária entre sete e dez anos. Além disso, o acordo inclui salvaguardas e mecanismos de monitoramento das exportações. Estimativas da CitrusBR indicam economia acumulada de cerca de US$ 320 milhões nos primeiros cinco anos.
Segundo pesquisadores do Cepea, essa redução de custos pode favorecer a retomada dos embarques ao bloco europeu. Na safra 2025/26, as exportações brasileiras de suco de laranja seguem abaixo do registrado no ciclo anterior. Entre julho e dezembro de 2025, o Brasil exportou 423,26 mil toneladas de suco concentrado, em equivalente a 66° brix. O volume representa queda de 5,4% em relação ao mesmo período da safra 2024/25. Os dados são da Comex Stat, do MDIC, analisados pelo Cepea.
Do total embarcado, 51,9% tiveram como destino os Estados Unidos. A União Europeia respondeu por 41,5% das exportações no período analisado. Essa participação ficou abaixo da registrada até a safra passada. Até então, o bloco europeu absorvia mais de 60% dos embarques brasileiros de suco de laranja.
Após mais de 25 anos, o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul avança e favorece a suinocultura brasileira.
Segundo o Cepea, o acordo representa um avanço institucional, embora o impacto direto nas exportações brasileiras deva ser limitado. Isso ocorre porque a cota destinada ao bloco europeu é pequena frente ao volume total exportado pelo Brasil.
Se aprovado, o acordo cria cota inédita de 25 mil toneladas anuais de carne suína. A cota inclui produtos in natura ou industrializados, com tarifa reduzida de 83 euros por tonelada. Acima desse volume, permanecem válidas as tarifas padrão do regime europeu. Essas tarifas podem atingir níveis elevados e inviabilizar embarques de presuntos e cortes defumados ou secos.
De forma geral, pesquisadores do Cepea avaliam que a União Europeia não será destino imediato relevante.
No entanto, o acordo pode fortalecer a estratégia brasileira de ampliar a capilaridade das exportações de carne suína.
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul manteve ritmo lento na última semana, segundo levantamentos do Cepea. As negociações ocorreram de forma pontual, com variação de preços entre microrregiões do estado.
De modo geral, produtores aguardam novas intervenções do governo para estimular o mercado. A expectativa é que novos leilões oficiais aumentem a liquidez do cereal.
Entre os agentes ativos, o objetivo foi atender aos lotes arrematados nos leilões de PEP e Pepro. Os leilões de PEP e Pepro ocorreram na semana do Natal, conforme dados do Cepea.
Exportação
Paralelamente, as exportações de arroz continuaram em negociação no mercado externo. Os preços da exportação seguem mais atrativos que os praticados no mercado interno.
Do lado da demanda, compradores adotaram estratégias distintas diante da oferta restrita. Alguns compradores aceitaram pagar valores ligeiramente maiores para recompor estoques.
Outros agentes mantiveram postura cautelosa e aguardaram definições mais claras do mercado. Em algumas negociações, compradores aplicaram reajustes negativos nas ofertas. Esses agentes alegaram dificuldade para repassar custos do arroz beneficiado. As cotações do produto beneficiado seguem pressionadas, conforme indicam pesquisadores do Cepea.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta terça-feira, 13, com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. Segundo o Palácio do Planalto, os líderes comemoraram a aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
O tratado deve ser assinado no próximo dia 17, durante encontro oficial no Paraguai. As negociações do acordo duraram 25 anos até a conclusão entre os dois blocos econômicos. Apesar disso, o texto ainda precisa passar pelo processo de internalização nos países signatários.
Durante a conversa, Montenegro elogiou o empenho de Lula para viabilizar a conclusão do acordo. Além disso, ambos defenderam que as novas regras entrem em vigor o mais rápido possível.
Segundo nota oficial, os líderes destacaram a importância do acordo para o multilateralismo e o livre comércio.
Eles afirmaram que o tratado tem dimensão política e estratégica no atual cenário internacional.
Por fim, Lula e Montenegro concordaram em atuar juntos para garantir implementação rápida e eficiente do acordo. Os dois também discutiram a situação na Venezuela e defenderam ações para evitar instabilidade na América do Sul.
Após mais de 25 anos de negociações, o Conselho da União Europeia aprovou o acordo com o Mercosul nesta sexta-feira (9). O tratado deve ser assinado em 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai. Juntos, os blocos formam a maior zona de livre comércio do mundo, com cerca de 700 milhões de consumidores.
Apesar do avanço, agricultores europeus e ambientalistas mantêm críticas ao acordo. Eles apontam riscos ao clima e à concorrência agrícola. Ainda assim, os governos defendem ganhos econômicos e maior previsibilidade comercial.
A implementação ocorrerá de forma gradual. Por isso, os efeitos práticos devem surgir ao longo de vários anos. Após a assinatura, o Parlamento Europeu ainda precisará aprovar o texto. Além disso, partes técnicas exigirão ratificação nos parlamentos nacionais da União Europeia. Esse processo pode ampliar o prazo e abrir espaço para disputas políticas.
1. Eliminação de tarifas alfandegárias
O acordo prevê redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços. O Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
2. Ganhos imediatos para a indústria
Diversos produtos industriais terão tarifa zero desde o início do acordo. Entre os setores beneficiados estão máquinas, equipamentos e produtos químicos. Automóveis, autopeças e aeronaves também entram na lista.
3. Acesso ampliado ao mercado europeu
Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo. A União Europeia tem Produto Interno Bruto estimado em US$ 22 trilhões. Além disso, o comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.
4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis
Produtos agrícolas terão cotas específicas de importação no mercado europeu. A lista inclui carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol. Acima das cotas, os países aplicarão tarifas. As cotas crescerão gradualmente, com redução tarifária progressiva. O mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus.
Na União Europeia, as cotas representam 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil. No mercado brasileiro, elas chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.
5. Salvaguardas agrícolas
A União Europeia poderá reintroduzir tarifas temporárias em situações específicas. Isso ocorrerá se as importações superarem limites definidos. A medida também vale quando preços ficarem abaixo do mercado europeu.
6. Compromissos ambientais obrigatórios
Produtos beneficiados não poderão estar ligados a desmatamento ilegal. As cláusulas ambientais têm caráter vinculante. O acordo prevê suspensão em caso de violação do Acordo de Paris.
7. Regras sanitárias mantidas
A União Europeia não flexibilizará padrões sanitários e fitossanitários. Assim, os produtos importados seguirão regras rigorosas de segurança alimentar.
8. Comércio de serviços e investimentos
O acordo reduz a discriminação regulatória a investidores estrangeiros. Também amplia oportunidades em serviços financeiros e telecomunicações. Transporte e serviços empresariais também avançam.
9. Compras públicas
Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na União Europeia. As regras serão mais transparentes e previsíveis.
10. Propriedade intelectual
O tratado reconhece cerca de 350 indicações geográficas europeias. Além disso, estabelece regras claras para marcas, patentes e direitos autorais.
11. Pequenas e médias empresas
O acordo traz um capítulo específico para pequenas e médias empresas. Ele prevê facilitação aduaneira e acesso à informação. Com isso, reduz custos e burocracia para pequenos exportadores.
12. Impactos para o Brasil
O acordo pode ampliar exportações do agro e da indústria brasileira. Além disso, o país ganha integração às cadeias globais de valor. O texto também pode atrair investimentos no médio e longo prazo.
13. Próximos passos
A assinatura está prevista para 17 de janeiro, no Paraguai. Depois disso, o Parlamento Europeu analisará o acordo.
Os Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai também votarão o texto. A entrada em vigor ocorrerá apenas após a conclusão de todos os trâmites.
Os países da União Europeia deram aval provisório ao acordo de livre comércio com o Mercosul nesta sexta-feira (9). O Mercosul reúne Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, principais produtores agropecuários da América do Sul. O próximo passo será a assinatura formal entre os dois blocos, prevista para o dia 17. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina.
Para entrar em vigor, o tratado ainda precisará da aprovação dos congressos dos países sul-americanos. Embora envolva vários setores, o agro concentrou as maiores tensões durante décadas de negociação. Produtores europeus organizaram protestos e alegaram risco de concorrência com produtos sul-americanos mais competitivos.
O Brasil aparece como um dos principais beneficiários do acordo UE-Mercosul. A União Europeia já ocupa a segunda posição entre os maiores destinos do agro brasileiro. O bloco europeu fica atrás apenas da China e à frente dos Estados Unidos.
O acordo ganha peso estratégico após a forte queda das exportações brasileiras para os EUA em 2025. A retração ocorreu após o tarifaço imposto pelo então presidente americano Donald Trump. Apesar da retirada parcial da sobretaxa em novembro, quase metade das exportações ainda sofre impactos. Além disso, China e México passaram a impor restrições às importações de carne brasileira.
O que o acordo prevê para o agro
O tratado prevê a eliminação das tarifas de importação para 77% dos produtos agropecuários vendidos à UE. Com isso, o Mercosul poderá ampliar vendas de café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais.
As tarifas serão reduzidas gradualmente, com prazos que variam de quatro a dez anos. Carnes bovina e de frango terão cotas específicas por serem consideradas produtos sensíveis. Esses itens competem diretamente com a produção agropecuária europeia.
Carnes concentram maior tensão
O setor de carnes concentra uma das maiores resistências ao acordo. Os pecuaristas da França e da Polônia temem perda de mercado para produtores sul-americanos. A França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia lidera no frango.
O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carne. Além disso, o país oferece preços historicamente mais competitivos. A carne bovina brasileira enfrenta hoje dois modelos de tarifação na UE. A cota Hilton permite exportar 10 mil toneladas anuais com tarifa de 20%. Caso o acordo avance, essa tarifa será totalmente eliminada.
Outros cortes pagam 12,8% mais 221,1 euros por 100 quilos.
Com o tratado, o Brasil passará a integrar uma nova cota conjunta com o Mercosul. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar até 99 mil toneladas anuais. A tarifa inicial será de 7,5%, com possibilidade de redução gradual.
No frango in natura, o Brasil atualmente exporta 15.050 toneladas com tarifa zero. Volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada. Com o acordo, a nova cota conjunta será de 180 mil toneladas anuais sem tarifa. A cota crescerá de forma gradual até o sexto ano. As exportações fora da cota continuarão sujeitas às regras atuais.
Em 2024, a União Europeia foi apenas o oitavo maior comprador de carnes brasileiras.
Soja não terá mudanças
O acordo não altera o cenário da soja brasileira no mercado europeu. O grão e o farelo já contam com tarifa zero há vários anos.
Café solúvel ganha competitividade
O café é o segundo produto do agro brasileiro mais exportado à União Europeia. O café em grão já entra no bloco europeu com tarifa zero. Atualmente, a UE aplica taxa de 9% sobre o café solúvel brasileiro.
O café torrado e moído paga tarifa de 7,5%.
Segundo o Cecafé, o Vietnã já exporta café solúvel à UE com tarifa zero. Com o acordo, o café brasileiro ganha competitividade no mercado europeu. As tarifas do café solúvel e torrado serão zeradas em até quatro anos.
O setor também vê potencial para novos investimentos europeus no Brasil.
Salvaguardas
As salvaguardas aprovadas pela UE geraram preocupação no agro brasileiro. As regras permitem suspender benefícios tarifários em caso de prejuízo ao setor europeu.
A UE poderá abrir investigação se importações crescerem 5% na média de três anos. O limite anterior era de 10%, o que amplia o risco de acionamento. O prazo das investigações também foi reduzido para até três meses. Para produtos sensíveis, o prazo pode cair para dois meses. Além disso, a UE propôs exigir padrões produtivos iguais aos europeus. Especialistas alertam para risco de insegurança jurídica.
UE também vê vantagens no acordo
O tarifaço dos EUA também afetou a União Europeia. Alemanha e Espanha apoiaram o acordo como alternativa estratégica. França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. Mesmo assim, 21 países aprovaram o acordo provisoriamente. A Bélgica optou pela abstenção.
Para destravar o tratado, a UE prometeu reduzir tarifas sobre fertilizantes. A medida pode reduzir custos de produção no bloco. Com o acordo, a UE amplia exportações de carros, máquinas e químicos ao Mercosul. O bloco também busca reduzir dependência da China em minerais estratégicos.
Negociação começou nos anos 1990
As negociações do acordo UE-Mercosul começaram em 1999. Um acordo inicial surgiu em 2019, mas ficou paralisado. As conversas foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia. O anúncio final ocorreu no fim de 2024.
Segundo o presidente Lula, o acordo envolve 722 milhões de habitantes. O tratado também representa cerca de US$ 22 trilhões em PIB combinado. Para o governo brasileiro, trata-se de um dos maiores acordos comerciais do mundo.
Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul, segundo diplomatas. A decisão ocorreu apesar da oposição da França, da Irlanda e de outros países preocupados com impactos no setor agrícola. Agora, a formalização depende do envio de confirmações por escrito até 17h, no horário de Bruxelas (13h no Brasil).
Com a sinalização favorável, o bloco avança para a assinatura do tratado, negociado há mais de 25 anos.
O acordo conta com apoio de setores empresariais, porém enfrenta resistência de agricultores europeus, sobretudo na França. Com o aval, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o tratado na segunda-feira (12), no Paraguai.
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo amplia o acesso a um mercado de 451 milhões de consumidores. Além disso, os efeitos positivos alcançam setores industriais, não apenas o agronegócio brasileiro.
Negociações duram mais de duas décadas
O acordo, discutido desde 1999, avança para a etapa final dentro da União Europeia. Nesta sexta-feira (9), o Conselho do bloco se reuniu em Bruxelas para decidir sobre a aprovação do texto. Apesar da oposição declarada, a Comissão Europeia conseguiu apoio da maioria entre os 27 Estados-membros. Caso confirmado, o tratado criará a maior área de livre comércio do mundo.
Resistência no setor agrícola
A informação divulgada por agências internacionais é de que a maioria dos países votou a favor durante a reunião de embaixadores em Bruxelas. Para avançar, o acordo precisava do apoio de 15 Estados-membros, representando 65% da população do bloco. Mesmo assim, França, Irlanda e outros países mantiveram oposição por temer impactos na agricultura.
Na véspera, o presidente francês Emmanuel Macron reafirmou voto contrário ao acordo. Macron afirmou que os benefícios econômicos do tratado serão limitados para a França e a Europa. Produtores franceses veem o acordo como ameaça, devido à concorrência com produtos latino-americanos mais baratos. Eles também criticam diferenças nos padrões ambientais exigidos pela União Europeia.
O acordo prevê redução gradual de tarifas e regras comuns para bens industriais, agrícolas e investimentos.
Irlanda também rejeita o acordo A Irlanda anunciou que se uniria à França, Hungria e Polônia na oposição ao tratado. O primeiro-ministro Simon Harris afirmou que o país não apoia o texto apresentado. Segundo ele, a posição do governo irlandês sempre foi contrária ao acordo atual.
Itália destrava avanço do tratado
Nesta semana, a sinalização favorável da Itália fortaleceu a expectativa de aprovação do acordo. O governo italiano condicionou o apoio ao atendimento das demandas do setor agrícola. Em dezembro, a primeira-ministra Giorgia Meloni defendeu ajustes para proteger os agricultores.
Nos últimos dias, a Comissão Europeia propôs acelerar 45 bilhões de euros para o setor agrícola.
Meloni avaliou a medida como um passo positivo e significativo. O ministro Francesco Lollobrigida afirmou que a UE passou a discutir mais recursos para a agricultura italiana.
Brasil fortalece presença no mercado turco de gelatina e colágeno. O país acaba de conquistar a habilitação de nove estabelecimentos brasileiros para exportação desses produtos à Turquia, consolidando-se como principal fornecedor internacional no setor.
A aprovação das fábricas brasileiras ocorreu após rigoroso processo de certificação sanitária conduzido pelo Ministério da Agricultura e Florestas (MAF) da Turquia. O procedimento incluiu auditorias presenciais e análise detalhada dos controles de qualidade e produção.
Auditoria internacional atesta qualidade das fábricas brasileiras
Em dezembro de 2025, uma missão veterinária oficial turca visitou plantas industriais brasileiras do setor. Durante a inspeção, três unidades foram auditadas presencialmente e receberam atestado de conformidade sanitária para a produção nacional.
Outras seis fábricas brasileiras seguiram um caminho diferente para a habilitação. Por já constarem na lista TRACES da União Europeia — sistema de rastreamento de produtos de origem animal — essas unidades foram incluídas na lista turca mediante avaliação documental, sem necessidade de visita presencial.
Sistema TROIS centraliza certificações sanitárias
O registro das fábricas brasileiras foi realizado no TROIS, sistema recentemente implantado pela Turquia para centralizar informações sobre estabelecimentos e países autorizados a exportar produtos de origem animal.
A plataforma digital reúne dados de empresas habilitadas para exportação de gelatina, colágeno, pescados, lácteos e carnes que atendem às exigências sanitárias turcas. O sistema está disponível para consulta pública em https://trois.tarimorman.gov.tr/.
Brasil lidera ranking de exportadores certificados
Segundo dados atualizados do TROIS, existem atualmente 10 estabelecimentos aprovados para exportar gelatina e colágeno à Turquia. Desse total, seis são brasileiros. O que representa 60% do mercado certificado.
Quando analisado por categoria de produto, o desempenho brasileiro se destaca ainda mais:
Gelatina: quatro fábricas habilitadas no mundo, sendo duas brasileiras (50%)
Colágeno: quatro unidades autorizadas globalmente, com uma do Brasil (25%)
Novas habilitações em andamento
O processo de expansão das exportações brasileiras não para por aqui. Segundo informações do setor, outros oito estabelecimentos brasileiros estão atualmente em fase de análise pelas autoridades turcas.
A expectativa do mercado é que essas unidades sejam incluídas em breve no rol de exportadores autorizados, ampliando ainda mais a participação brasileira no fornecimento de gelatina e colágeno para a Turquia.
Impacto para o setor exportador brasileiro
A presença expressiva de empresas brasileiras na lista oficial turca representa um marco estratégico para o setor de proteínas do país. A habilitação consolida o acesso ao mercado turco e amplia a previsibilidade nas operações comerciais.
Para as indústrias brasileiras, a certificação no sistema TROIS significa:
Redução de barreiras sanitárias para exportação
Maior segurança jurídica nas transações comerciais
Reconhecimento internacional dos padrões de qualidade brasileiros
Abertura de canal direto com importadores turcos
A conquista reforça a competitividade do Brasil no mercado internacional de ingredientes de origem animal e posiciona o país como referência em qualidade sanitária para o setor de gelatina e colágeno.