Tag: Estados Unidos

  • Feira nos Estados Unidos destaca inovação na proteína animal

    Feira nos Estados Unidos destaca inovação na proteína animal

    A cidade de Atlanta, nos Estados Unidos,  sediou a International Production & Processing Expo (IPPE) 2026. A feira é um dos principais eventos globais da indústria de proteína animal. O encontro reuniu empresas, especialistas e profissionais de vários países.

    O setor projeta crescimento sólido para este ano em todo o mundo. A tecnologia surge como o principal diferencial competitivo das indústrias. A inteligência artificial ganha espaço em máquinas e processos produtivos.
    As novas ferramentas também aprimoram a formulação de rações animais.

    O relatório oficial aponta a presença de cerca de 33 mil participantes. O evento contou ainda com a participação de 1.385 empresas expositoras. A programação apresentou soluções inovadoras para toda a cadeia produtiva.

    A feira promoveu o espaço New Product Showcase para lançamentos. O local reuniu tecnologias focadas em eficiência operacional e sustentabilidade. Segurança alimentar e automação industrial também ganharam destaque no evento.

    Best of the Best

    Os expositores participaram do prêmio “Best of the Best”. A premiação reconheceu produtos inovadores em diferentes categorias do setor. As áreas contempladas incluíram produção animal, alimentos e processamento.

    A programação técnica ofereceu mais de 80 horas de debates. Os encontros abordaram temas estratégicos para o futuro da indústria. Especialistas discutiram sustentabilidade, mercado e aplicação de inteligência artificial.

    Participação brasileira

    O Brasil marcou presença de forma relevante na feira internacional. O setor de reciclagem animal participou por meio do projeto Brazilian Renderers. A iniciativa reúne a Associação Brasileira de Reciclagem Animal e a ApexBrasil. As atividades ocorreram dentro do Pavilhão Brasil em Atlanta. O espaço promoveu soluções nacionais ao mercado internacional.

    A ação também contou com a participação da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica. Os projetos Brazilian Renderers e Brazilian Pharma & Health atuaram juntos. A parceria fortaleceu o alcance institucional do Brasil no exterior. As conexões ampliam oportunidades em cadeias globais de valor.

    A próxima edição da feira já tem data definida pelos organizadores. A IPPE 2027 ocorrerá entre os dias 26 e 28 de janeiro. O evento deve manter o foco em tecnologia e inovação para o setor.

  • Ambiente de juros altos desafia estratégias financeiras do agronegócio

    Ambiente de juros altos desafia estratégias financeiras do agronegócio

    A manutenção das taxas de juros em níveis elevados no Brasil e nos Estados Unidos mantém o agronegócio sob pressão. Com crédito mais caro e câmbio sensível, o setor enfrenta um ambiente econômico que exige gestão financeira rigorosa e planejamento patrimonial estratégico.

    Nesta semana o Federal Reserve (Fed) manteve o juro americano entre 3,5% e 3,75% ao ano, enquanto o Banco Central do Brasil preservou a Selic em 15%. Para o agronegócio, um setor dependente de capital intensivo e de longos ciclos produtivos, essas decisões sinalizam que o custo do dinheiro continuará alto por mais tempo.

    Segundo Eduardo Tellechea Cairoli, CEO da Privatto Multi Family Office, o cenário prolonga a pressão sobre margens e restringe o acesso a crédito, especialmente nas cadeias mais dependentes de financiamento. “Com taxas elevadas, a eficiência na gestão financeira torna-se ainda mais essencial para agricultores e empresas do campo”, afirma.

    Cairoli destaca que o produtor precisa monitorar de perto o fluxo de caixa. E buscar alternativas para alongar passivos, evitando desequilíbrios em épocas de maior aperto. “A escolha dos instrumentos financeiros corretos é decisiva para preservar a rentabilidade e reduzir riscos”, explica.

    O especialista também observa uma mudança estrutural na forma como o agronegócio trata o patrimônio. “Produtores e famílias que diferenciam a gestão da produção agrícola da gestão patrimonial enfrentam períodos de juros altos com mais resiliência. Essa separação permite proteger o legado e aproveitar oportunidades de investimento”, conclui Cairoli.

  • Exportações do Brasil para os EUA registram a maior queda desde a pandemia

    Exportações do Brasil para os EUA registram a maior queda desde a pandemia

    Um estudo da Amcham Brasil mostrou que as exportações brasileiras para os Estados Unidos sofreram em 2025 a maior retração dos últimos cinco anos. As vendas totalizaram US$ 37,7 bilhões, uma queda de 6,6% frente a 2024, interrompendo uma trajetória de crescimento pós-pandemia. A participação dos EUA no total exportado pelo Brasil caiu para 10,8%, o menor patamar desde 2020.

    O Monitor do Comércio Brasil-EUA apontou dois fatores principais para o recuo: o impacto das sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros e a queda nas exportações de petróleo bruto.

    As exportações de bens sujeitos a tarifas de 40% ou 50% recuaram 9,5% em 2025. A queda se acentuou após agosto, quando as medidas mais rigorosas entraram em vigor. No último quadrimestre do ano, as vendas desses produtos caíram 21,6%.

    A indústria de transformação, que responde por mais de 80% das vendas ao mercado americano, registrou sua primeira queda desde 2020, com retração de 4,2%. Setores como celulose, siderurgia e madeira lideraram as perdas.

    “Esta queda interrompe uma trajetória saudável. Para retomar o crescimento, especialmente de bens industriais, será crucial avançar nas negociações para reduzir ou eliminar as sobretaxas”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    Déficit comercial com os EUA dispara mais de 2.500%

    Enquanto as exportações caíam, as importações brasileiras de produtos dos EUA cresceram pelo terceiro ano seguido, com alta de 11,3%. Itens como máquinas, aeronaves e medicamentos puxaram o avanço.

    Essa combinação resultou em um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil na relação com os EUA em 2025. O número representa um salto expressivo em relação ao déficit de apenas US$ 300 milhões registrado em 2024.

    A Amcham avalia que o início de 2026 representa uma janela estratégica para destravar o comércio bilateral. Produtos sob tarifas punitivas representam cerca de um terço das exportações brasileiras para os EUA.

    Um acordo para reduzir essas barreiras pode ser decisivo para reverter a queda e impulsionar novamente as vendas da indústria nacional ao seu principal mercado para bens manufaturados. O desempenho contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para outros parceiros, como China, União Europeia e Mercosul.

  • Crise EUA-Venezuela gera alerta no mercado de fertilizantes, mas impacto na oferta de ureia é limitado

    Crise EUA-Venezuela gera alerta no mercado de fertilizantes, mas impacto na oferta de ureia é limitado

    As tensões geopolíticas recentes entre Estados Unidos e Venezuela trouxeram preocupações ao mercado internacional sobre possíveis rupturas na cadeia de fertilizantes nitrogenados. No entanto, a participação limitada do país no comércio global de ureia deve conter os efeitos sobre os preços e a oferta mundial, conforme análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

    De acordo com Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, países grandes produtores de petróleo costumam ter relevância também na produção de fertilizantes nitrogenados — que dependem do gás natural como insumo principal. “Rússia, Argélia, Irã e Catar são exemplos claros. Já a Venezuela, apesar de sua extensa produção petrolífera, tem presença modesta no mercado de ureia”, explica.

    Dados de 2024 mostram que a Venezuela ocupou apenas a 18ª posição entre os maiores exportadores globais de ureia, com embarques de pouco mais de 560 mil toneladas. O equivalente a cerca de 1% do total mundial. Em comparação, a Rússia foi responsável por aproximadamente 18% das exportações no mesmo período.

    Fornecimento ao Brasil existe, mas não é estratégico

    Embora a Venezuela seja um fornecedor de ureia para o Brasil, sua importância é secundária. Em 2024, cerca de 6% das importações brasileiras do produto vieram do país vizinho. Entre janeiro e novembro de 2025, essa fatia recuou para menos de 5%.

    Atualmente, os principais fornecedores de ureia do Brasil são Nigéria (23%), Rússia (16%) e Catar (15%), o que demonstra uma matriz diversificada e reduz a dependência de uma única origem.

    “Até agora, não há sinais de impactos diretos na capacidade produtiva ou exportadora de fertilizantes da Venezuela”, destaca Pernías. “O que se observa são pressões pontuais nos custos logísticos, com relatos de aumento nos fretes marítimos devido ao cenário de incertezas na região”, conclui o especialista.

  • Produção de macadâmia cresce 40% sem aumentar área plantada

    Produção de macadâmia cresce 40% sem aumentar área plantada

    A macadâmia capixaba vive um momento de expansão e consolidação no mercado internacional. Com produção totalmente concentrada no município de São Mateus, no Norte do Espírito Santo, o setor registrou um crescimento de 39,8% na produção em apenas dois anos. Saltando de 1.470 toneladas em 2022 para 2.055 toneladas em 2024. O dado mais impressionante: esse avanço ocorreu sem qualquer aumento na área plantada, que se manteve estável em cerca de 660 hectares.

    A produção nacional de macadâmia representa apenas 2% da produção global, mas tem potencial de crescimento.

    O salto produtivo resulta da maturação dos pomares, adoção de tecnologia e manejo agrícola aprimorado. Especialistas apontam que o cultivo da noz macadâmia no ES avança em qualidade, eficiência e estratégia. Transformando-se em um case de diversificação agrícola de alto valor agregado.

    Exportações superam expectativas com foco quase total nos EUA

    O mercado externo, especialmente os Estados Unidos, absorve praticamente toda a produção capixaba da noz. Em 2023, as exportações renderam US$ 1,18 milhão. Embora os preços tenham oscilado em 2024, o volume exportado continuou crescendo, atingindo 183 toneladas e US$ 1,27 milhão apenas entre janeiro e novembro de 2025. Números que já superam o total do ano anterior.

    A dependência do mercado norte-americano (destino de 99% das exportações) gerou alerta no setor em 2025, durante o debate sobre o aumento de tarifas (“tarifaço”) pelos EUA. No entanto, uma ação coordenada garantiu a inclusão da macadâmia brasileira na lista de exceções, preservando sua competitividade.

    “Monitoramos o debate tarifário de perto e dialogamos com o setor para garantir previsibilidade. A inclusão nas exceções foi fundamental para manter o Espírito Santo competitivo e seguro nesse nicho”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.

    Bergoli destaca que a experiência da macadâmia reforça a necessidade de políticas que combinem monitoramento internacional, inteligência de mercado e apoio a cadeias produtivas com alto potencial, mesmo que ainda pouco conhecidas.

    A combinação de produtividade crescente, qualidade reconhecida e estratégia comercial focada posiciona a macadâmia como um dos produtos mais dinâmicos e promissores da agricultura capixaba.

  • Saiba por que a China compra 70% da soja brasileira

    Saiba por que a China compra 70% da soja brasileira

    O Brasil exportou mais de 240 milhões de toneladas de soja para a China entre 2021 e 2025, somando apenas os primeiros sete meses de cada ano. O volume explica como um único grão conecta cozinhas chinesas, fazendas brasileiras e decisões de segurança alimentar em Pequim.

    A China transformou sua economia nas últimas cinco décadas. O país saiu de uma sociedade rural e pobre para se tornar a segunda maior economia do planeta. Mais de 300 milhões de pessoas entraram na classe média, enquanto cerca de 200 milhões deixaram as fazendas e migraram para cidades entre 2007 e 2017.

    Essa migração urbana mudou os hábitos alimentares. A população trocou a dieta tradicional de arroz e vegetais por refeições com mais carne, ovos, leite, óleo de soja e alimentos processados. A soja brasileira ocupa papel central nessa transformação.

    Cozinha chinesa puxa demanda por óleo e proteína

    A China possui mais de 1,4 bilhão de habitantes. Cada refogado diário exige óleo na panela, proteínas e ingredientes processados que dependem da soja.

    O país usa soja de duas formas distintas. A produção interna, com grãos de maior teor proteico, atende o consumo direto em óleo de cozinha, tofu, bolinhos secos e receitas tradicionais milenares.

    A soja brasileira segue outro caminho. Indústrias de esmagamento transformam o grão em óleo e farelo. O óleo vai para cozinhas e indústrias, mas o farelo rico em proteína alimenta a cadeia de ração que engorda porcos, frangos e bovinos.

    Farelo de soja sustenta 56 milhões de toneladas de carne

    A China consome mais de 56 milhões de toneladas de carne por ano. Mais da metade vem apenas da carne suína. Levar um porco até o abate exige cerca de 300 quilos de ração.

    Entre 2018 e 2020, a peste suína africana devastou o rebanho chinês. Aproximadamente 225 milhões de porcos morreram, a oferta de carne despencou e os preços dispararam.

    O governo chinês respondeu com fazendas verticais. Prédios de vários andares, totalmente automatizados, criam porcos com máximo controle e eficiência. Essas estruturas exigem ração em volume ainda maior e com regularidade absoluta.

    O consumo de frango continua crescendo. A carne bovina, antes símbolo de status raramente acessível, passa por expansão com projeções de mercado acima de US$ 120 bilhões até 2030. Em todos os segmentos, o farelo de soja brasileira funciona como elo invisível.

    Produção interna não acompanha apetite da classe média

    Nos anos 1990, a China se aproximou da autossuficiência em soja. O cenário mudou a partir dos anos 2000, quando o consumo de carne, óleo e alimentos industrializados cresceu mais rápido que a capacidade de plantar.

    O país produz entre 20 e 30 milhões de toneladas de soja por ano, mas consome cerca de 120 milhões. Mais de 80% da soja necessária vem de importações, transformando o grão em questão de segurança alimentar nacional.

    Guerra comercial muda rotas e consolida Brasil como fornecedor

    Os Estados Unidos lideraram o fornecimento de soja para China durante muito tempo. O Brasil cresceu abrindo áreas no Cerrado e investindo em tecnologia, mas a virada veio em 2018.

    A guerra comercial entre China e Estados Unidos trouxe tarifas, sanções e desconfiança. A China decidiu reduzir a dependência de um único fornecedor e acelerou compras no Brasil.

    Hoje, mais de 70% da soja importada pelos chineses sai de portos brasileiros. A China também busca diversificar com volumes da Argentina, Paraguai, Tanzânia e até retorno gradual às compras nos Estados Unidos, numa tentativa de diluir riscos.

    Soja redesenha interior brasileiro e expõe gargalos

    A parceria impulsionou o agronegócio brasileiro e redesenhou cidades do interior. Municípios como Canarana, Água Boa e outras cidades do Vale do Araguaia, no Mato Grosso, se fortaleceram como polos de produção, serviços e logística.

    Cada safra movimenta caminhões em estradas congestionadas, forma filas em portos e expõe déficit de armazenagem superior a 80 milhões de toneladas. Produtores vendem rápido por falta de espaço para estocar.

    O país enfrenta gargalos em ferrovias que deveriam ligar o Mato Grosso a portos como Paranaguá e Barcarena com mais eficiência. A estrutura incompleta aumenta custos internos, pressiona fretes e limita a capacidade de capturar todo o valor possível do grão.

    Super ciclo cria dependência bilateral perigosa

    O movimento atual se encaixa no super ciclo das commodities. Períodos longos em que demanda elevada e preços altos de matérias-primas como soja, petróleo, minério e cobre impulsionam países produtores.

    Foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar

    Dois terços de toda a soja comercializada no mundo têm como destino a China. A cada três grãos exportados, dois acabam em território chinês. Se uma rota é interrompida, se uma safra quebra ou se uma guerra afeta o caminho entre portos brasileiros e chineses, o impacto atinge o mercado global.

    Sem a China, o Brasil exportaria muito menos. Campo, arrecadação e PIB encolheriam. Sem o Brasil, a China produziria menos carne e teria dificuldade para manter estável o consumo de proteína da população urbana.

    Brasil precisa agregar valor e reduzir vulnerabilidade

    O desafio brasileiro é não se acomodar na posição de fornecedor bruto. Especialistas recomendam investir em logística, armazenagem, ferrovias, portos e tecnologia para reduzir gargalos internos e elevar a margem dos produtores.

    Outra frente é agregar valor. Em vez de exportar apenas grão, o país pode ampliar a venda de óleo de soja, farelo e derivados industriais. Fortalecer a produção de carnes e outros produtos que incorporem a soja como insumo captura uma fatia maior da renda que hoje fica na transformação feita em outros países.

    Para a China, o objetivo estratégico é garantir que comida nunca se transforme em arma política. Isso explica a busca por novos parceiros e estoques estratégicos, mantendo o Brasil no centro do tabuleiro.

  • Apenas 6 de 21 setores brasileiros superam perdas com tarifas americanas

    Apenas 6 de 21 setores brasileiros superam perdas com tarifas americanas

    As tarifas de 40% e 50% que os Estados Unidos aplicam sobre produtos brasileiros derrubaram as exportações em US$ 1,5 bilhão entre agosto e novembro de 2025. Um estudo inédito da Amcham Brasil mostra que todos os 21 setores analisados registraram queda nas vendas para o mercado americano no período, quando comparados ao mesmo intervalo de 2024.

    Os dados revelam que, em todos os setores, a retração nas vendas para os Estados Unidos superou a variação das exportações globais, com exceção apenas do setor de material de transporte. A análise demonstra o impacto profundo das tarifas americanas sobre a balança comercial brasileira.

    Diversificação de mercados não resolve problema das sobretaxas

    A estratégia de redirecionar exportações para outros países não conseguiu mitigar os efeitos das sobretaxas na maioria dos casos. Quinze dos 21 setores analisados não alcançaram desempenho global suficiente para compensar as perdas registradas no mercado americano.

    Esses 15 setores acumularam perdas de US$ 1,2 bilhão. Os segmentos mais prejudicados incluem alimentos (como mel e pescados), plástico e borracha, madeira, metais e material de transporte.

    Seis setores conseguiram compensar integralmente as perdas: produtos vegetais, gorduras e óleos, químicos, pedras preciosas, máquinas e aparelhos elétricos, e máquinas e instrumentos mecânicos.

    Mercado americano exige produtos específicos que outros países não demandam

    O estudo destaca um problema adicional: muitas empresas brasileiras aumentaram exportações para terceiros mercados com produtos diferentes daqueles que tradicionalmente vendem para os Estados Unidos. Essa situação indica uma compensação imperfeita tanto em nível de produtos quanto de empresas.

    O setor de máquinas e aparelhos elétricos ilustra bem esse desafio. As exportações para os Estados Unidos recuaram US$ 104,5 milhões, enquanto as vendas para outros mercados cresceram US$ 650 milhões no período. Aparentemente, o setor compensou as perdas. Porém, os principais produtos afetados no mercado americano não tiveram o mesmo desempenho em outros destinos.

    As exportações de transformadores caíram 23,1% para os EUA e 40,9% para o resto do mundo. Os geradores recuaram 54,6% no mercado americano e cresceram apenas 2,3% nos demais destinos. Esses números comprovam que o mercado americano não oferece substituição fácil para as exportações brasileiras.

    O tamanho, a diversidade, o maior valor agregado da pauta importada e as especificações técnicas dos produtos tornam os Estados Unidos um parceiro comercial único para o Brasil.

    Amcham pede urgência nas negociações bilaterais

    Os dados confirmam que a diversificação de mercados não reverte comercialmente os impactos das tarifas para a maioria dos setores exportadores brasileiros, especialmente os produtos industriais.

    “O estudo sugere que não é possível compensar plenamente as vendas da maioria dos produtos exportados para os Estados Unidos por meio do seu redirecionamento a outros destinos. A estratégia de diversificação é bem-vinda, mas não substitui o papel do mercado americano, cujo tamanho, escala e características são únicos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    Neto reforça a importância das negociações bilaterais para melhorar as condições de acesso dos setores exportadores brasileiros que ainda enfrentam sobretaxas nos Estados Unidos.

  • Demanda aquecida sustenta preços do boi em dezembro

    Demanda aquecida sustenta preços do boi em dezembro

    O mercado pecuário ganha força com a entrada de dezembro, puxado pelo aumento do consumo nas festas de fim de ano. Além disso, o pagamento do 13º salário eleva as compras de carne no varejo, segundo levantamentos do Cepea.

    No mercado externo, China e Estados Unidos mantêm sinais claros de demanda firme durante este início de mês.
    Para atender aos pedidos, parte dos frigoríficos já opera com escalas adiantadas e férias coletivas programadas.
    Por outro lado, algumas indústrias ainda precisam comprar muitos animais, o que sustenta a movimentação do mercado.

    Assim, o aquecimento deve continuar, principalmente até a metade da próxima semana, avaliam os pesquisadores. Historicamente, a primeira quinzena registra alto escoamento de carne no atacado e no varejo nacional. Como resultado, o cenário dá suporte direto aos preços da arroba do boi gordo.

    Na segunda quinzena, porém, o mercado costuma perder ritmo por paradas técnicas e recessos industriais.
    Mesmo assim, a oferta ajustada e as exportações recordes mantêm os preços sustentados neste mês.
    Portanto, o setor não deve enfrentar pressão significativa de queda ao longo de dezembro.

     

  • Soja cai em Chicago com demanda chinesa fraca

    Soja cai em Chicago com demanda chinesa fraca

    A falta de novos anúncios de compras da China pressiona os preços da soja na bolsa de Chicago. Por isso, os contratos para janeiro voltaram a registrar queda nesta quarta-feira (3). A soja recuou 0,80% e fechou cotada a US$ 11,1575 por bushel. Segundo analistas, o mercado aguarda sinais concretos de compra por parte da China. Enquanto isso, a ausência de negócios mantém o viés de baixa para os preços internacionais.

    No Brasil, o avanço do plantio reduz parte das incertezas do mercado. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura já alcança 86% da área prevista. Esse percentual, portanto, supera a média dos últimos cinco anos, de 84,4%. Com isso, a oferta futura segue elevada e limita reações nos preços da soja.

    Trigo fecha em leve baixa

    O trigo também encerrou o pregão em queda na bolsa de Chicago. Os investidores realizaram lucros após a valorização registrada na sessão anterior. Dessa forma, os contratos para março recuaram 0,51%.
    O cereal fechou cotado a US$ 5,3825 por bushel. Apesar disso, o mercado segue atento aos próximos desdobramentos da demanda global.

    Milho perde força em Chicago

    O milho devolveu quase todos os ganhos da sessão anterior na bolsa de Chicago. Assim, os contratos para março fecharam em baixa nesta quarta-feira (3). O cereal caiu 1,48% e encerrou o dia cotado a US$ 4,3150 por bushel.
    Além disso, o mercado não registrou mudanças relevantes no cenário de oferta e demanda. Consequentemente, as projeções seguem indicando preços pressionados para o milho. A expectativa de uma safra robusta nos Estados Unidos em 2025/26 reforça esse movimento.

     

  • Preços do café oscilam com força em novembro; confira

    Preços do café oscilam com força em novembro; confira

    Os preços médios dos cafés arábica e robusta oscilaram fortemente em novembro, porém ficaram próximos aos níveis de outubro. Pesquisadores do Cepea atribuíram a volatilidade, sobretudo, às decisões comerciais dos Estados Unidos sobre tarifas de importação do café.

    No início do mês, o mercado reagiu às expectativas de retirada do café da lista de produtos sobretaxados naquele país. Depois, a partir do dia 20, os preços responderam à confirmação da isenção da tarifa adicional de 40% sobre o produto. Além disso, as condições climáticas no Brasil e no Vietnã também influenciaram as cotações no mercado doméstico.

    O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 registrou média de R$ 2.245,16 por saca de 60 quilos em novembro.
    Esse valor ficou apenas 0,5% acima da média verificada em outubro, indicaram os dados do centro de pesquisas.
    Ao longo do mês, o indicador variou entre R$ 2.100 e R$ 2.300 por saca, os mesmos níveis de outubro.
    No caso do robusta, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 apresentou média de R$ 1.384,46 por saca em novembro.

    Esse resultado representou alta de 1% em relação à média registrada em outubro, segundo os pesquisadores.
    Durante o mês, os preços oscilaram entre R$ 1.300 e R$ 1.400 por saca, mantendo o padrão do mês anterior.
    Assim, apesar da volatilidade diária, o mercado brasileiro de café fechou novembro com estabilidade nos preços médios.