Tag: Estados Unidos

  • Exportações brasileiras aos EUA despencam e atingem pior nível desde 2023

    Exportações brasileiras aos EUA despencam e atingem pior nível desde 2023

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Segundo dados inéditos do Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil, o valor embarcado para o país norte-americano no primeiro bimestre de 2026 foi o menor para o período desde 2023.

    Entre janeiro e fevereiro, as vendas externas para os EUA totalizaram US$ 4,9 bilhões, uma queda expressiva de 23,2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. A retração representa US$ 812 milhões a menos na balança comercial bilateral.

    Somente em fevereiro, o recuo foi de 20,3% na comparação anual, atingindo US$ 2,5 bilhões. Com esse resultado, o fluxo de exportações para o mercado americano acumula agora sete meses consecutivos de queda livre. Um movimento iniciado em agosto de 2025, quando os EUA impuseram sobretaxas de importação que variaram entre 40% e 50% para uma vasta gama de produtos brasileiros.

    O efeito das tarifas e a virada na corte americana

    É importante ressaltar que os números divulgados ainda não refletem a recente reviravolta judicial. No final de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu pôr fim às sobretaxas de 40% e 50%. Substituindo-as por uma nova tarifa global de 10%. Como a decisão saiu apenas no fim do mês, os seus efeitos práticos no comércio bilateral devem começar a ser percebidos nas estatísticas a partir de março.

    “Os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte. Será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    Petróleo e café puxam queda, mesmo sem tarifas

    A pressão sobre a pauta exportadora em fevereiro veio, surpreendentemente, de setores que não estavam sujeitos às tarifas. O petróleo bruto, principal item da pauta, sofreu uma queda abrupta de 80,7% nas vendas. Os combustíveis derivados também recuaram 42,2%, influenciados por questões conjunturais de mercado.

    Outro destaque negativo foi o café, que, apesar de isento das sobretaxas desde novembro, viu suas exportações caírem 40% em relação a fevereiro do ano passado, contribuindo significativamente para o resultado negativo.

    Já os produtos que estavam sob o guarda-chuva das tarifas mais pesadas (entre 40% e 50%) registraram uma queda de 27,4% no mês. Itens de madeira, enquadrados nas tarifas da Seção 232, tiveram retração ainda mais severa.

    Déficit comercial explode

    A situação é agravada pela dinâmica das importações. Embora as compras brasileiras de produtos americanos também tenham caído em fevereiro (-16,5%), a retração foi menos intensa do que a das exportações. Como resultado, o déficit do Brasil no comércio bilateral com os EUA saltou para US$ 900 milhões no bimestre. Um aumento colossal de 142,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Portanto, com esse movimento, os Estados Unidos perderam uma posição no ranking de fornecedores do Brasil, caindo para o terceiro lugar, atrás de China e Coreia do Sul.

    Enquanto o mercado aguarda para ver se a nova tarifa global de 10% amenizará o impacto sobre os produtos brasileiros, a Amcham faz um alerta para o futuro. “É fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais. Especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, conclui Abrão Neto, destacando a necessidade de diálogo para evitar novos solavancos no comércio entre as duas nações.

  • Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    Exportações do agronegócio batem recorde em fevereiro

    As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 12,05 bilhões em fevereiro de 2026, marcando o melhor resultado da série histórica para o mês, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O desempenho responde por 45,8% de todas as vendas externas do Brasil no período e garantiu superávit de US$ 10,5 bilhões na balança comercial do setor.

    Em relação a fevereiro de 2025, o avanço foi de 7,4%, impulsionado principalmente pelo aumento de 9% no volume exportado. A alta reflete o esforço conjunto do Mapa com instituições governamentais e o setor privado para ampliar e diversificar mercados do agro brasileiro.

    Apesar do crescimento expressivo em volume, o preço médio dos produtos exportados caiu 1,5%, acompanhando o movimento de queda nos índices globais de alimentos medidos por organismos como o Banco Mundial e a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura).

    As importações de produtos agropecuários somaram US$ 1,5 bilhão, retração de 9,1% na comparação anual, reforçando o saldo positivo das exportações.

    China segue como principal parceira

    A China manteve a liderança entre os destinos, com US$ 3,6 bilhões em compras do agro brasileiro (30,5% do total). Na sequência vieram a União Europeia (US$ 1,8 bilhão; 15,2%) e os Estados Unidos (US$ 802,9 milhões; 7%).

    Outros países asiáticos também ampliaram suas importações. O Vietnã comprou US$ 372,6 milhões (+22,9%), e a Índia destacou-se com US$ 357,3 milhões (+171,1%), ocupando o 4º e 5º lugares no ranking dos principais importadores do agro nacional.

    Mercados como Turquia, Egito, México, Tailândia, Reino Unido e Filipinas também registraram altas expressivas em suas compras de produtos brasileiros.

    Soja, carnes e café puxam exportações

    Entre os setores que mais contribuíram para o resultado, o complexo soja liderou com US$ 3,78 bilhões (31,4% do total e alta de 16,4%). As proteínas animais vieram em seguida, somando US$ 2,7 bilhões (+22,5%).

    Os produtos florestais, o café e o complexo sucroalcooleiro completam a lista dos principais grupos exportadores, com participações de 10,5%, 9,3% e 7,1%, respectivamente.

    Além dos produtos tradicionais, o agronegócio brasileiro também se destacou com o crescimento de itens de nicho, como:

    • Óleo essencial de laranja: US$ 47,8 milhões (+28,8%)
    • DDG de milho: US$ 36,2 milhões (+164,2%)
    • Farinhas e extratos de carne: US$ 20,1 milhões (+10,5%)
    • Manteiga e gordura de cacau: US$ 17,2 milhões (+25,9%)
    • Óleo de milho: US$ 15,9 milhões (+49,5%)

    Governo destaca ampliação de mercados

    De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o resultado mostra a força do aumento produtivo do país. “O Brasil caminha para uma safra recorde e reforça sua capacidade de atender à demanda global com regularidade, qualidade e confiança”, afirmou.

    Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou o avanço na agenda de acesso a mercados. “Foram nove novas aberturas em fevereiro e 544 desde o início de 2023. O Brasil não apenas aumenta a oferta, mas também suas oportunidades de comércio”, disse.

  • Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    Setor de café solúvel avalia nova tarifa dos Estados Unidos

    A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) avalia com otimismo e cautela a nova tarifa dos Estados Unidos. O governo dos Estados Unidos anunciou taxa de 10% sobre importações globais. A medida também vale para o café solúvel brasileiro. Antes, os EUA aplicavam tarifa de 50% desde agosto de 2025. Como resultado, o volume exportado caiu cerca de 50% nos últimos seis meses.

    De volta ao jogo

    Agora, a nova alíquota restaura parte da competitividade do produto nacional. Os Estados Unidos mantêm parceria histórica com o Brasil há mais de 60 anos. Atualmente, o país responde por 20% das exportações brasileiras de café solúvel. Além disso, as compras anuais superam US$ 220 milhões.

    Com a nova tarifa, o Brasil volta a competir em condições semelhantes a outros fornecedores globais. O México permanece como exceção, pois mantém tarifa zero. Assim, o setor considera a mudança um passo relevante para reequilibrar o comércio.

    Cautela

    Apesar do avanço, a entidade mantém cautela diante das incertezas da Seção 301. O Brasil está entre os países sob investigação nesse mecanismo. Por isso, novas medidas tarifárias podem atingir produtos brasileiros. A associação defende diálogo e harmonia entre os dois governos. Segundo a entidade, previsibilidade e estabilidade garantem segurança nas relações comerciais.

    Expectativa para reunião entre Lula e Donald Trump

    A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Donald Trump está prevista para março. O setor considera o encontro uma oportunidade estratégica para incluir o café solúvel nas pautas bilaterais.

    Atualmente, café verde e café torrado entram no mercado norte-americano com tarifa zero. Por isso, a entidade busca tratamento semelhante para o café solúvel brasileiro. O setor vive momento de apreensão, atenção e esperança.

    A indústria quer retomar protagonismo nos Estados Unidos, seu principal e mais tradicional cliente. Além disso, o segmento busca preservar o papel estratégico desse mercado na cadeia de valor.

  • Setor de pescados projeta recuperação após alívio tarifário dos EUA

    Setor de pescados projeta recuperação após alívio tarifário dos EUA

    O setor brasileiro de pescados inicia 2026 com expectativa de recuperação gradual. O segmento reage após um dos períodos mais desafiadores da história recente. Segundo Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), as tarifas dos Estados Unidos afetaram fortemente o setor em 2025.

    O governo norte-americano impôs sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros. De acordo com o presidente da entidade, Eduardo Lobo, a medida reduziu a competitividade das exportações. Como resultado, empresas perderam contratos internacionais e diminuíram a produção. Além disso, a piscicultura retraiu e a cadeia produtiva eliminou postos de trabalho.

    Entretanto, o cenário começou a mudar após decisão da Corte dos Estados Unidos. A Justiça suspendeu as tarifas aplicadas ao setor de pescados brasileiro. Mesmo com a taxação de 10%, o Brasil recupera condições de competir. Segundo Lobo, o setor permanece forte, competitivo e otimista. Contudo, a entidade mantém cautela diante de novas medidas tarifárias.

    Crescimento e empregos

    A Abipesca projeta retomada do crescimento ao longo de 2026. A entidade estima recuperar mais de 5 mil empregos na cadeia produtiva. Além disso, o setor deve recompor parte da capacidade produtiva.

    As exportações brasileiras de pescados podem alcançar US$ 600 milhões. O mercado norte-americano seguirá como principal destino dos embarques. A tilápia lidera a pauta exportadora para os Estados Unidos.
    Para a Abipesca, o novo ambiente comercial inaugura ciclo mais positivo.

    No entanto, o setor mantém prudência diante das incertezas globais. Eduardo Lobo destacou o esforço dos ministérios da Agricultura e da Pesca. Segundo ele, a abertura de novos mercados reduziu perdas maiores.
    O presidente reforçou que o objetivo estratégico segue sendo tarifa zero.

     

  • Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump e impacta o agro

    A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que tornou ilegal o tarifaço do governo Donald Trump já repercute no agronegócio brasileiro. Os setores com negócios nos Estados Unidos receberam a notícia de forma positiva e, ao mesmo tempo, cautelosa.

    Os especialistas afirmam que o mercado ainda precisa entender como o governo americano cumprirá a decisão. Por seis votos a três, a Corte decidiu que a legislação não permite ao presidente criar tarifas sem autorização do Congresso. Com isso, os ministros derrubaram as tarifas aplicadas desde abril de 2025.

    Devolução de valores?

    O governo dos Estados Unidos pode ter que devolver parte dos valores arrecadados. As estimativas apontam que o montante supera US$ 175 bilhões. A decisão produz efeitos a partir da data do julgamento e invalida a cobrança desde então. No entanto, o reembolso não ocorre de forma automática.

    As empresas que pagaram as tarifas precisarão ingressar com ações na Justiça americana. Cada pedido de devolução passará por análise individual. Os analistas destacam que apenas quem sofreu prejuízo direto poderá propor ação. Ou seja, somente o importador que pagou a tarifa nos Estados Unidos poderá pedir reembolso ou indenização.

    As empresas brasileiras terão legitimidade se atuarem como importadoras nos Estados Unidos. Além disso, poderão agir se possuírem subsidiárias no país que tenham recolhido as tarifas. O ordenamento jurídico americano não reconhece, em regra, prejuízos indiretos. Assim, perdas de mercado ou redução de vendas não garantem direito automático à indenização.

    Reversão da decisão é difícil

    As decisões da Suprema Corte têm caráter final e efeito vinculante. Por isso, uma reversão pelo governo americano se torna improvável. Mesmo assim, analistas recomendam cautela diante da possível reação do governo Trump.

    Trump anuncia 10% de tarifa

    Após o julgamento, Trump anunciou tarifa global de 10% sobre produtos importados. A nova medida deve valer por 150 dias, segundo o governo. Caso a decisão judicial seja mantida, o comércio global pode passar por rearranjo.

    A queda das tarifas tende a enfraquecer políticas de retaliação comercial. Com isso, produtos americanos podem voltar a competir com os brasileiros em mercados estratégicos. Isso pode ocorrer tanto em novos destinos quanto naqueles onde houve substituição de fornecedores. Ao mesmo tempo, a decisão reduz incertezas no comércio internacional e nas cadeias de suprimentos.

    No caso do Brasil, a interrupção das tarifas amplia a competitividade dos produtos exportados. Ainda assim, a medida não garante aumento imediato das exportações ao mercado americano. Além disso, a Suprema Corte não detalhou como ocorrerá a devolução dos valores pagos. Essa ausência de regras claras pode gerar disputas judiciais prolongadas nos Estados Unidos.

    De modo geral, empresas expostas ao mercado americano já reavaliam suas estratégias.Agora, elas podem revisar políticas de preços sem considerar os custos adicionais das tarifas.

  • Empresários apontam Estados Unidos como prioridade da política externa do próximo governo

    Empresários apontam Estados Unidos como prioridade da política externa do próximo governo

    A relação com os Estados Unidos aparece como principal prioridade da política externa do próximo governo brasileiro, segundo a Pesquisa Amcham 2026. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (30) durante evento na B3, ouviu 732 líderes empresariais de diferentes setores e traçou um panorama das expectativas do setor produtivo para o novo ciclo político e econômico do país.

    O estudo registra a visão do empresariado sobre as eleições de 2026, as condições do ambiente de negócios e as pautas estratégicas que devem guiar o governo a partir de 2027, com destaque para comércio exterior e atração de investimentos.

    Cautela eleitoral e foco na economia

    Internamente, os empresários priorizam equilíbrio fiscal (83%), combate à corrupção (43%) e segurança pública (40%), além da redução das taxas de juros (37%). A percepção sobre o cenário eleitoral é de cautela: 39% consideram o quadro neutro, 31% mostram pessimismo e 16% estão otimistas em relação ao pleito. Apenas 2% se declaram muito otimistas, enquanto 9% se dizem muito pessimistas.

    Segundo a Amcham Brasil, esses números refletem a preocupação com a governabilidade e a expectativa por uma condução consistente da agenda econômica.

    Relação Brasil–EUA ganha força na pauta externa

    A parceria com os Estados Unidos ocupa o centro das prioridades empresariais para a política externa. Entre os temas mais citados estão a relação bilateral (53%), a atração de investimentos estrangeiros (46%), novos acordos de comércio (44%) e o acesso a mercados externos (35%).

    “O empresariado vincula cada vez mais a política externa à competitividade do país. A relação com os Estados Unidos envolve a maior economia do mundo, nossa principal fonte de investimento e um parceiro estratégico em áreas como tecnologia, energia e serviços”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

    Apesar do potencial, 44% dos empresários ainda percebem desafios na relação comercial com os EUA, enquanto 38% avaliam de forma neutra e apenas 14% veem o ambiente como favorável.

    Tarifas seguem como principal obstáculo comercial

    As tarifas continuam sendo o maior entrave para ampliar os negócios entre os dois países, citadas por 70% dos participantes. Outras barreiras incluem a volatilidade cambial (33%) e restrições não-tarifárias (29%). Questões internas, como escala de produção (25%), concorrência local (22%) e desconhecimento do mercado americano (20%), também afetam a competitividade brasileira.

    Temas prioritários nas negociações com os EUA

    Segundo a pesquisa, o setor privado quer ver avançar negociações voltadas para:

    • Redução de barreiras comerciais (58%)
    • Diminuição de tarifas e ampliação de acesso a mercados (55%)
    • Parcerias contra o crime organizado transnacional (42%)
    • Cooperação em investimentos (42%)
    • Acordos sobre minerais críticos e terras raras (36%)
    • Evitar bitributação (35%)

    “Há uma agenda sólida desenhada pelo empresariado. O desafio será transformar essas pautas em resultados concretos, especialmente em um ano eleitoral e num contexto de disputa de atenção no governo americano”, observa Abrão Neto.

    O levantamento aponta otimismo moderado quanto ao desempenho empresarial em 2026. 84% das empresas esperam aumento de faturamento, sendo que quase metade prevê crescimento superior a 11%. Apenas 3% preveem queda nas receitas.

    Os líderes empresariais acreditam que o crescimento deve vir de expansão das vendas no mercado interno (65%), redução de custos e ganhos de eficiência (55%) e investimentos em digitalização e inteligência artificial (38%).

    Para o período 2027–2030, 35% das companhias esperam melhora no ambiente de negócios, 26% projetam estabilidade e 25% receiam piora. “O setor privado segue comprometido com o crescimento do país, desde que haja previsibilidade fiscal, estabilidade regulatória e integração internacional”, reforçou Abrão Neto.

  • Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026: entenda os motivos

    Exportações de café do Brasil caem 31% em janeiro de 2026: entenda os motivos

    O Brasil exportou 2,78 milhões de sacas de café em janeiro de 2026, registrando queda de 30,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram embarcadas 4,016 milhões de sacas. Apesar da redução no volume, a receita cambial teve declínio menor, de 11,7%, totalizando US$ 1,175 bilhão, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, diversos fatores contribuíram para a redução nos embarques. A queda de preços iniciada em janeiro e intensificada em fevereiro, aliada à valorização do real frente ao dólar, desaqueceu o mercado internacional de café.

    “Vivemos um cenário de produtores capitalizados em função dos bons preços nos últimos anos, estoques de arábica limitados no período de entressafra e os cafés conilon e robusta sendo utilizados para suprir, majoritariamente, o mercado interno”, explica Ferreira.

    A expectativa de boa recuperação na produção brasileira de café arábica na safra 2026/27 também influenciou o movimento de baixa nos preços internacionais.

    Café arábica lidera exportações mesmo com queda

    O café arábica manteve a liderança nas exportações brasileiras, com 2,347 milhões de sacas embarcadas em janeiro, representando 84,4% do total. No entanto, o volume registra queda de 29,1% em relação a janeiro de 2025.

    O café solúvel ficou em segundo lugar, com 249.148 sacas exportadas (9% do total), apesar da redução de 32 pontos percentuais na comparação anual. Os cafés canéforas (conilon e robusta) somaram 181.559 sacas, com participação de 6,5% e queda de 45,6%.

    Principais mercados compradores de café brasileiro

    A Alemanha se manteve como principal destino das exportações brasileiras de café, importando 391.704 sacas (14,1% do total), apesar da queda de 16,1% em relação a janeiro de 2025.

    Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 385.841 sacas importadas (13,9%), mas registrando significativa redução de 46,7%. Completam o top 5: Itália (285.580 sacas), Bélgica (180.812 sacas) e Japão (169.357 sacas).

    Cafés especiais representam 21% das exportações

    Os cafés diferenciados, que incluem grãos especiais e produtos certificados com práticas sustentáveis, responderam por 21,2% das exportações totais, com 588.259 sacas embarcadas. O volume representa queda de 41,9% em relação a janeiro de 2025.

    A receita com cafés especiais totalizou US$ 272,7 milhões, com preço médio de US$ 463,53 por saca, correspondendo a 23,2% da receita cambial total com café.

    Quando as exportações devem se recuperar?

    Márcio Ferreira projeta recuperação gradual dos embarques. Para o café conilon e robusta, a expectativa é de retomada a partir de maio, com a chegada da nova safra. Já para o café arábica, a recuperação está prevista para julho, com o início da safra 2026/27.

    “Até então, os volumes de exportação devem seguir apertados dada a falta de competitividade, principalmente dos arábicas, frente a outros países produtores concorrentes”, afirma o presidente do Cecafé.

    Balanço da safra 2025/26

    No acumulado de julho de 2025 a janeiro de 2026, o Brasil exportou 23,406 milhões de sacas de café, gerando receita de US$ 9,235 bilhões. Comparado ao mesmo período da safra anterior, o volume apresenta queda de 22,5%, mas a receita cambial cresceu 8,1%, reflexo dos preços mais elevados praticados no período.

    O Porto de Santos continua como principal porta de saída, responsável por 81% dos embarques (2,252 milhões de sacas). Seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro (15,7%) e Porto de Paranaguá (1,1%).

  • Brasil inicia 2026 como líder global na carne bovina

    Brasil inicia 2026 como líder global na carne bovina

    O Brasil inicia 2026 consolidado como o maior exportador e fornecedor de carne bovina do mundo. Após um 2025 de recordes históricos de abate e exportação, o país se firma como pilar estratégico em um cenário global de oferta limitada e concentrada. Segundo Larissa Barboza Alvarez, analista de mercado da StoneX, começam a surgir sinais de mudança no ciclo pecuário, o que pode afetar a disponibilidade de gado nos próximos anos.

    Essas tendências estão detalhadas no relatório “Perspectivas para Commodities 2026”, publicado pela StoneX em 27 de janeiro. O documento traz projeções para os principais mercados agropecuários e destaca a carne bovina como ativo central para o Brasil em 2026.

    Oferta de gado e virada do ciclo

    O ponto de maior incerteza neste início de ano está na oferta de animais para abate. Em 2025, a pecuária nacional registrou volume recorde de abates, impulsionado sobretudo pelo descarte expressivo de fêmeas. Movimento que tende a se limitar naturalmente, já que essas matrizes garantem a reposição do rebanho.

    “Nos últimos meses, a queda no abate de fêmeas indica que os produtores podem estar iniciando um novo ciclo de retenção”, afirmou Larissa. Como o ciclo pecuário costuma durar de 18 a 30 meses, ajustes realizados agora devem influenciar a oferta até 2027. Se a virada realmente se confirmar, a produção pode se tornar mais ajustada justamente em um momento de demanda aquecida nos mercados interno e externo, favorecendo a valorização da carne bovina ao longo do ano.

    Consumo interno em expansão

    O bom momento da economia brasileira, com crescimento e baixo desemprego, sustenta o avanço do consumo doméstico. “A melhora da renda tende a estimular a compra de carne bovina, que tem papel central na dieta do brasileiro”, explicou a analista.

    Ainda assim, ela alerta para fatores de moderação, como o aumento da inadimplência e a maior cautela das famílias em um ano eleitoral. Eventos sanitários também seguem no radar — o impacto da gripe aviária em 2025 mostrou como choques pontuais de oferta podem alterar a competitividade entre proteínas e influenciar preços.

    Dependência global do Brasil

    No cenário externo, o Brasil mantém posição dominante no comércio internacional. A China segue como principal destino das exportações brasileiras e ainda apresenta necessidade de importação superior à capacidade total de embarque do país. Outros mercados relevantes, como Japão, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes, Chile e Estados Unidos, continuam com demanda estável.

    Em 2025, a rápida reação da China à redução das compras norte-americanas  após o aumento de tarifas reforçou a competitividade brasileira e a confiança na capacidade de resposta do setor exportador.

    “O Brasil entra em 2026 com protagonismo ampliado e o desafio de equilibrar consumo interno firme com uma possível redução na oferta de gado”, destacou Larissa Barboza Alvarez. O desfecho desse equilíbrio deve orientar preços, margens e a dinâmica da pecuária nacional ao longo do novo ciclo.

  • Frio intenso ameaça pomares de laranja na Flórida

    Frio intenso ameaça pomares de laranja na Flórida

    O estado da Flórida, nos Estados Unidos, registra temperaturas extremamente baixas desde o fim de janeiro. Além disso, o início de fevereiro mantém o clima muito frio na região. Os pesquisadores do Cepea avaliam os efeitos desse cenário no setor citrícola. Eles relatam forte preocupação com a já limitada produção local.

    A atual onda de frio amplia os riscos para os pomares. As temperaturas abaixo do ponto de congelamento prejudicam as árvores. O problema ocorre quando o frio dura mais de quatro horas. Nessas condições, as plantas sofrem danos significativos em sua estrutura.

    O frio intenso afeta células do tronco e dos galhos. Ele também compromete folhas e frutos das laranjeiras. Diante desse quadro, citricultores adotam medidas de proteção nas lavouras.

    Os produtores utilizam irrigação por aspersão para proteger os pomares. A técnica forma uma camada isolante de gelo sobre as plantas. Além disso, agricultores recorrem ao uso de aquecedores nos campos. Mesmo assim, o Cepea alerta para a eficácia limitada dessas estratégias. As medidas funcionam melhor em períodos curtos de frio. Entretanto, o frio intenso por muito tempo reduz os resultados.

    Nesta semana, as temperaturas voltaram a subir na Flórida. Além disso, chuvas devem ocorrer nos próximos dias na região. A mudança acontece com a chegada de uma nova frente fria. Apesar da melhora no clima, os impactos ainda são incertos. Somente com o passar dos dias o setor avaliará os prejuízos. Assim, produtores aguardam para contabilizar as perdas na produção.

  • Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    Exportações aos EUA caem e para a China avançam

    As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram pelo sexto mês seguido. O movimento ocorre após o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Já as vendas do Brasil para a China mantiveram trajetória de crescimento.

    O Ministério do Desenvolvimento divulgou os dados nesta quinta-feira, em Brasília. Em janeiro, as exportações aos EUA somaram US$ 2,4 bilhões. O valor representa queda de 25,5% na comparação anual. No mesmo mês de 2025, as vendas atingiram US$ 3,22 bilhões.

    As importações de produtos norte-americanos também diminuíram no período. O Brasil comprou US$ 3,07 bilhões dos Estados Unidos. O número indica retração de 10,9% sobre janeiro do ano passado. Com esse desempenho, a balança comercial bilateral registrou déficit. O saldo ficou negativo em US$ 670 milhões para o Brasil.

    A redução nas exportações ocorre desde a aplicação das tarifas extras. O governo norte-americano impôs sobretaxa de 50% a produtos brasileiros em 2025. Depois, as autoridades revisaram parte das alíquotas no fim do ano. Mesmo assim, o impacto permanece sobre o comércio brasileiro. O MDIC calcula que 22% das vendas ainda pagam tarifas adicionais. As taxas atuais variam entre 40% e 50%.

    China mantém resultado positivo

    O comércio com a China seguiu na direção oposta. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro. O total embarcado alcançou US$ 6,47 bilhões no período. Um ano antes, o valor exportado somou US$ 5,51 bilhões. Já as importações brasileiras da China recuaram 4,9%. As compras caíram para US$ 5,75 bilhões. Com isso, o Brasil obteve superávit comercial com os chineses. O saldo positivo chegou a US$ 720 milhões no mês.

    A corrente de comércio com a China apresentou avanço. A soma de exportações e importações atingiu US$ 12,23 bilhões. O resultado indica alta de 5,7% na comparação anual.

    No caso dos Estados Unidos, o cenário foi diferente. O intercâmbio comercial totalizou US$ 5,47 bilhões. O volume caiu 18% frente ao mesmo período anterior.

    Desempenho em outros mercados

    O comércio com a União Europeia também mostrou retração. Ainda assim, o Brasil registrou superávit de US$ 310 milhões. A corrente comercial com o bloco recuou 8,8%. As exportações para os europeus caíram 6,2% em janeiro. As importações do Brasil diminuíram 11,5% no mesmo intervalo.

    Com a Argentina, o fluxo comercial encolheu de forma mais intensa. O comércio bilateral apresentou queda de 19,9% no mês. Mesmo com a retração, o Brasil manteve saldo positivo. O superávit com o país vizinho alcançou US$ 150 milhões. As exportações brasileiras para a Argentina recuaram 24,5%. As importações vindas do mercado argentino caíram 13,6%.