Tag: Estados Unidos

  • Brasil evita retaliação imediata ao tarifaço dos EUA

    Brasil evita retaliação imediata ao tarifaço dos EUA

    O governo brasileiro decidiu não responder imediatamente ao novo tarifaço dos Estados Unidos. A tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22).

    Após a confirmação da medida pelo governo norte-americano, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável”. Além disso, informou que iniciaria os trâmites para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica.

    Apesar do anúncio, o governo ainda não apresentou medidas concretas com base na legislação. Por enquanto, a estratégia prioriza a avaliação do cenário político e econômico.

    Governo adota cautela antes de reagir

    Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não representa uma retaliação aos Estados Unidos. Segundo ele, o objetivo é corrigir uma situação considerada injusta para o Brasil.

    “A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin.

    O vice-presidente concedeu entrevista ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Ambos participaram de uma reunião com representantes dos setores atingidos pela nova tarifa.

    Empresários defendem solução diplomática

    Nos últimos dias, entidades empresariais demonstraram preocupação com possíveis respostas comerciais do Brasil. Por isso, defenderam cautela nas decisões do governo.

    A postura adotada pelo Planalto segue a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, o governo busca preservar o diálogo antes de adotar medidas previstas na Lei da Reciprocidade.

    Durante as reuniões com o governo, representantes do setor de máquinas agrícolas também descartaram medidas de reciprocidade. Em vez disso, eles defenderam a resolução do impasse por meio de negociações diplomáticas e empresariais.

    Tarifa dos EUA atinge setores estratégicos

    A nova tarifa norte-americana exclui uma ampla lista de produtos brasileiros. Entre eles estão petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, segmentos como etanol, máquinas agrícolas e papel sofrerão impactos com a cobrança adicional.

  • Tarifaço dos EUA: veja quais produtos brasileiros escaparam e quais serão taxados

    Tarifaço dos EUA: veja quais produtos brasileiros escaparam e quais serão taxados

    A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros já está em vigor e provoca mudanças importantes para o agronegócio. Enquanto alguns setores perderam competitividade no mercado americano, outros conseguiram manter as exportações graças à ampliação da lista de isenções anunciada pelo governo de Donald Trump.

    Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os produtos que ficaram de fora da nova cobrança representam cerca de 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos. Dessa forma, boa parte das vendas do setor continua preservada.

    Além disso, a decisão americana leva em consideração a dependência da indústria dos EUA de determinados insumos produzidos no Brasil. Conforme explicou a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, alguns produtos são considerados estratégicos para as cadeias produtivas norte-americanas e não possuem oferta suficiente no mercado interno.

    Apesar da importância dos Estados Unidos, o país perdeu espaço entre os principais compradores do agro brasileiro nos últimos meses. Entre janeiro e junho deste ano, o mercado americano respondeu por apenas 6% das exportações do setor. Em comparação, a China concentrou 35% das vendas, enquanto a União Europeia participou com 14%.

    De acordo com o Ministério da Agricultura, os Estados Unidos seguem como o terceiro principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. No entanto, as compras caíram 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Açúcar, etanol e frutas seguem entre os produtos tarifados

    Nem todos os segmentos conseguiram escapar da nova cobrança. Açúcar, etanol, frutas, máquinas agrícolas, parte dos pescados e o sebo bovino continuam sujeitos à tarifa adicional de 25%.

    No setor sucroenergético, a preocupação é maior entre os produtores do Nordeste. Como consequência, o governo federal publicou uma medida provisória para reduzir parte das perdas. O programa prevê uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana comercializada, beneficiando milhares de agricultores.

    Já o etanol também permaneceu na lista dos produtos taxados. Ainda assim, representantes do setor avaliam que os impactos tendem a ser limitados. Isso ocorre porque os Estados Unidos representam uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras do biocombustível.

    Na fruticultura, a situação também exige atenção. Uvas, melões e melancias terão aumento na carga tributária para entrar no mercado americano. Por isso, produtores e exportadores estudam novas estratégias comerciais e aceleram a busca por mercados alternativos.

    O setor de máquinas agrícolas também será afetado. Entretanto, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) acredita que os reflexos devem ser moderados, já que as exportações para os Estados Unidos representam uma fatia reduzida do faturamento da indústria.

    Entre os pescados, o filé de tilápia congelado permaneceu sujeito à cobrança, assim como lagostas vivas e algumas algas destinadas à alimentação humana.

    Além disso, o sebo bovino segue na lista dos produtos tributados. A Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) informou que continuará trabalhando para tentar reverter essa decisão junto às autoridades americanas.

    Café, carne bovina e suco de laranja estão entre os isentos

    Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficaram livres da nova tarifa. A decisão foi recebida com alívio por diferentes cadeias do agronegócio.

    O café está entre os maiores beneficiados. A ampliação da isenção incluiu também o café solúvel não aromatizado, fortalecendo a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial do produto.

    A carne bovina também escapou da cobrança adicional. Atualmente, os Estados Unidos enfrentam um período de baixa oferta de gado, fator que aumenta a necessidade de importações brasileiras para abastecer o mercado local.

    Outro destaque é o mel. O Brasil responde por aproximadamente 75% do fornecimento de mel orgânico consumido pelos americanos. Dessa maneira, a manutenção da isenção evita aumento de custos para consumidores e importadores dos Estados Unidos.

    Na piscicultura, parte dos pescados permaneceu isenta. Entre eles estão a tilápia inteira e o filé fresco de tilápia. Segundo entidades do setor, essa decisão pode impulsionar as exportações brasileiras nos próximos meses.

    O suco de laranja também ficou fora da nova tarifa. A isenção reflete a forte dependência do mercado americano da produção brasileira. Além disso, a citricultura da Flórida enfrenta dificuldades provocadas pelo greening, doença considerada uma das maiores ameaças aos pomares de laranja no mundo.

    Enquanto isso, os setores que permanecem sujeitos à tarifa acompanham as negociações entre Brasil e Estados Unidos. Ao mesmo tempo, produtores e exportadores buscam diversificar mercados e reduzir os impactos da nova política comercial sobre o agronegócio brasileiro.

  • Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% do agro brasileiro

    A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

    A entidade informou que a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o impacto da medida sobre o setor. Mesmo assim, parte das vendas brasileiras continuará sujeita à cobrança. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que a entidade recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo americano. Segundo ela, a inclusão de novos produtos na lista de exceções preservou 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos.

    Isentos da tarifa

    Entre os produtos excluídos da tarifa estão pescados, mel e café solúvel. De acordo com Mori, a ampliação das exceções ocorreu após atuação técnica da CNA e de outras entidades do setor privado junto ao governo americano. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.

    Madeira, arroz, ovos e açúcar continuam tarifados

    Apesar das exceções, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar permanecem sujeitos à tarifa adicional de 25%. Segundo a CNA, esses produtos movimentaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.

    A entidade também destacou a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções. As autoridades dos EUA afirmaram que alguns produtos brasileiros são essenciais para a indústria americana. Além disso, alegaram oferta insuficiente no mercado interno e risco de impactos em setores estratégicos da economia.

    CNA continuará defendendo o agronegócio brasileiro

    Sueme Mori informou que a CNA acompanhou toda a investigação comercial. A entidade apresentou estudos técnicos e participou de consultas públicas e audiências realizadas em Washington.

    Segundo a diretora, a confederação demonstrou que a competitividade do agronegócio brasileiro resulta de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas. Além disso, a CNA defendeu a exclusão dos produtos agropecuários da medida. Para a entidade, Brasil e Estados Unidos mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial estratégica para ambos os países.

    Mori afirmou que a confederação continuará acompanhando o caso. Também buscará alternativas para reduzir os impactos da tarifa sobre o agronegócio brasileiro. “A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA”, concluiu.

  • Etanol brasileiro entra na mira dos EUA com tarifa de 25%

    Etanol brasileiro entra na mira dos EUA com tarifa de 25%

    A National Corn Growers Association (NCGA), entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, pediu ao governo americano a aplicação de uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro durante a investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301. A associação afirma que políticas adotadas pelo Brasil prejudicaram os agricultores americanos ao longo da última década e defende novas medidas de retaliação.

    O posicionamento foi apresentado em um depoimento encaminhado às autoridades dos EUA, no qual a entidade acusa o Brasil de restringir o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro enquanto ampliava as exportações de etanol produzido no país.

    NCGA critica tarifa brasileira sobre etanol dos EUA

    Segundo a NCGA, a principal barreira comercial é a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol importado dos Estados Unidos.

    A associação afirma que, em 2017, o governo brasileiro criou uma tarifa de 20% acompanhada de uma cota tarifária para o biocombustível americano. Na avaliação da entidade, a medida provocou forte queda nas exportações para o mercado brasileiro.

    De acordo com o documento, desde 1º de janeiro de 2024, a tarifa permanece em 18%.

    “O mercado praticamente desapareceu”, afirmou o vice-presidente da NCGA, Matt Frostic, ao defender que a tarifa brasileira foi responsável pela redução das exportações americanas de etanol.

    Associação pede tarifa de 25% contra o etanol brasileiro

    Além de criticar as políticas brasileiras, a entidade apoia que o governo dos Estados Unidos imponha uma tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro.

    Segundo Frostic, a investigação conduzida com base na Seção 301 deveria abranger todas as ações que, na visão da associação, prejudicam os produtores de milho americanos.

    Além disso, o documento também solicita que Washington avalie outras formas de retaliação comercial contra o Brasil.

    RenovaBio também é alvo de críticas

    A associação também direcionou críticas ao RenovaBio, programa brasileiro voltado à descarbonização dos combustíveis.

    Segundo a NCGA, o modelo brasileiro dificultaria a habilitação de usinas americanas e favoreceria os produtores nacionais, ampliando a competitividade do etanol brasileiro em mercados internacionais, incluindo o segmento de combustíveis sustentáveis para aviação.

    Debate sobre pegada de carbono

    Outro ponto levantado pela entidade envolve a comparação da pegada de carbono entre o milho produzido no Brasil e nos Estados Unidos.

    No documento, Frostic questiona o argumento de que o milho brasileiro, cultivado em segunda safra, apresenta menor impacto ambiental. Segundo ele, mudanças no uso da terra, incluindo áreas de pastagem e vegetação nativa, não seriam devidamente consideradas nos cálculos utilizados pelo Brasil.

    A manifestação da NCGA integra a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos para avaliar práticas comerciais brasileiras e poderá servir de base para eventuais decisões do governo americano sobre novas tarifas e outras medidas envolvendo o comércio bilateral de etanol, milho e biocombustíveis.

  • Sobretaxa dos EUA pode atingir US$ 4,2 bilhões das exportações do agronegócio brasileiro

    Sobretaxa dos EUA pode atingir US$ 4,2 bilhões das exportações do agronegócio brasileiro

    Um estudo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras pode afetar diretamente cerca de US$ 4,2 bilhões em exportações do agronegócio para os Estados Unidos.

    Segundo a entidade, embora alguns produtos importantes tenham ficado fora da lista inicial de tarifas, uma parcela significativa das vendas do setor ao mercado americano continua exposta às novas medidas.

    De acordo com o levantamento, aproximadamente 36,8% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas aos Estados Unidos poderão sofrer impacto caso a sobretaxa seja mantida.

    Produtos mais expostos às tarifas

    Entre os segmentos mais vulneráveis estão os produtos florestais, que representam cerca de US$ 1,64 bilhão em exportações para o mercado americano.

    Também aparecem entre os itens mais afetados:

    • Sebo bovino: US$ 416 milhões;
    • Complexo sucroalcooleiro: US$ 401 milhões;
    • Café solúvel: aproximadamente US$ 1 bilhão em exportações projetadas para 2025.

    Esses setores possuem forte presença nas vendas brasileiras aos Estados Unidos e podem enfrentar perda de competitividade caso as tarifas sejam implementadas.

    Produtos que ficaram fora da lista

    Além disso, o estudo também destaca que alguns dos principais produtos exportados pelo Brasil ficaram de fora da relação inicial de itens sujeitos à sobretaxa.

    Entre eles estão a carne bovina, o café verde, o suco de laranja e as aeronaves, que, até o momento, seguem preservados das novas tarifas e mantêm as atuais condições de acesso ao mercado americano.

    Farsul vê aumento da insegurança para exportadores

    Na avaliação da Farsul, a proposta amplia a insegurança para empresas exportadoras e pode reduzir a competitividade de diversos segmentos do agronegócio brasileiro.

    A entidade ressalta que os Estados Unidos permanecem entre os principais destinos das exportações do setor, tornando qualquer alteração nas regras comerciais um fator relevante para produtores, indústrias e empresas ligadas ao comércio exterior.

    Caso a medida avance, os impactos poderão ser sentidos principalmente pelas cadeias produtivas com maior dependência do mercado americano, especialmente nos segmentos florestal, sucroalcooleiro e de café solúvel.

  • Exportação de carne bovina cresceu 15,5% no primeiro semestre

    Exportação de carne bovina cresceu 15,5% no primeiro semestre

    A exportação de carne bovina brasileira segue em ritmo recorde em 2026. O Brasil embarcou 1,705 milhão de toneladas entre janeiro e junho, volume 15,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita alcançou US$ 9,85 bilhões, crescimento de 36,2%.

    Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base nas estatísticas do Governo Federal.

    Somente em junho, o país exportou 317,3 mil toneladas de carne bovina, alta de 16,6% na comparação anual. A receita somou US$ 1,975 bilhão, avanço de 38,1%, estabelecendo o melhor resultado mensal da série histórica tanto em volume quanto em faturamento.

    China impulsiona as exportações brasileiras

    A China permaneceu como o principal destino da carne bovina brasileira no primeiro semestre.

    Entre janeiro e junho, o país asiático importou 794,7 mil toneladas, crescimento de 24% em relação ao mesmo período de 2025. A receita gerada pelas vendas ao mercado chinês atingiu US$ 4,87 bilhões, alta de 49,4%.

    Em junho, os chineses compraram 161,9 mil toneladas da proteína brasileira, aumento de 19% na comparação anual. O faturamento chegou a US$ 1,08 bilhão, crescimento de 39,5%.

    Segundo a Abiec, o desempenho foi favorecido pela intensificação das compras dentro da cota chinesa de importação com tarifa reduzida, de 1,1 milhão de toneladas.

    Estados Unidos mantêm segunda posição

    Os Estados Unidos seguiram como o segundo maior comprador da carne bovina brasileira.

    No primeiro semestre, o mercado norte-americano importou 205 mil toneladas, gerando US$ 1,35 bilhão em receita. O crescimento foi de 13% em volume e de 29,8% em valor.

    Apesar do avanço no acumulado do ano, o desempenho de junho foi mais moderado. O Brasil embarcou 26,4 mil toneladas para os Estados Unidos, queda de 8,3% frente ao mesmo mês de 2025.

    Mesmo com o recuo no volume, a receita aumentou 16,4%, alcançando US$ 192,9 milhões.

    Outros mercados ampliam compras

    Além de China e Estados Unidos, outros destinos ampliaram significativamente as compras de carne bovina brasileira em junho.

    O Chile ocupou a terceira posição, com 12,9 mil toneladas embarcadas, crescimento de 67,5%, enquanto a receita avançou 56,8%, chegando a US$ 81,7 milhões. Já o México apareceu em seguida, com 11,8 mil toneladas, alta de 153,9%.

    O faturamento alcançou US$ 74 milhões, avanço de 136,6%.

    Em receita, a União Europeia ocupou a quarta colocação em junho, com US$ 75,2 milhões, atrás apenas de China, Estados Unidos e Chile.

    Exportações seguem fortalecidas no agronegócio

    No acumulado do semestre, o Chile importou 70,7 mil toneladas, movimentando US$ 420,2 milhões, com crescimento de 20% em volume e de 33,2% em receita.

    A Rússia adquiriu 62,2 mil toneladas, alta de 53,8% no volume e de 58,9% no faturamento, que chegou a US$ 284,1 milhões.

    Já a União Europeia importou 51,2 mil toneladas de carne bovina brasileira no período, gerando US$ 452,3 milhões. O bloco registrou crescimento de 18,2% em volume e de 53,5% em receita.

    Com os resultados do primeiro semestre, a exportação de carne bovina reforça o bom desempenho do agronegócio brasileiro no mercado internacional e mantém a proteína entre os principais produtos da pauta exportadora do país.

  • Mistério dos coelhos com ‘tentáculos’ volta a assustar nos EUA; entenda

    Mistério dos coelhos com ‘tentáculos’ volta a assustar nos EUA; entenda

    O aparecimento de coelhos com formações semelhantes a “tentáculos” voltou a repercutir nos Estados Unidos.

    Os novos relatos, compartilhados em redes sociais, reacenderam o interesse sobre o fenômeno que já havia viralizado anteriormente.

    Entenda o que está acontecendo

    Os primeiros registros amplamente divulgados ocorreram em 2025, no estado do Colorado, quando moradores relataram coelhos com crescimentos incomuns na região da cabeça.

    Na época, imagens dos animais circularam nas redes e geraram diversas especulações.

    Segundo autoridades ambientais, não se trata de tentáculos reais, mas de lesões causadas por infecção viral.

    Coelhos selvagens com ‘tentáculos’ na cabeça são fotografados nos EUA — Foto: Education Images/Universal Images Group

    Vírus é o responsável pelas alterações

    Os casos estão associados ao vírus do papiloma do coelho (CRPV), também conhecido como vírus de Shope, que provoca alterações na pele capazes de evoluir para verrugas e formações queratinizadas.

    A transmissão ocorre principalmente por meio de insetos vetores, como mosquitos e carrapatos, que levam o vírus entre coelhos em áreas de vida selvagem. A infecção começa com manchas avermelhadas na pele e pode evoluir para papilomas benignos, com risco, em casos mais graves, de progressão para carcinoma espinocelular.

    Recentemente, novos registros foram relatados em estados como Minnesota e Wisconsin.

    Risco para humanos é inexistente, dizem autoridades

    Apesar da aparência incomum dos animais, não há registros de transmissão do vírus para seres humanos.

    O Departamento de Parques e Vida Selvagem do Colorado reforça que o contato direto deve ser evitado apenas por precaução.

    A orientação oficial é não interferir na natureza e manter distância caso um animal apresente sinais da infecção.

  • Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Agro confia mais nos EUA do que na China, aponta FGV

    Apesar de a China ser o principal destino das exportações brasileiras de soja e carne bovina, produtores e moradores da fronteira agrícola demonstram maior confiança nos Estados Unidos do que no país asiático.

    A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela FGV RI (Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas) em municípios da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil no fim de 2025.

    O levantamento revela uma diferença significativa entre dependência econômica e confiança política.

    Dependência comercial não significa confiança

    A China concentra atualmente cerca de 80% das exportações brasileiras de soja e 86% das vendas externas de carne bovina.

    Mesmo assim, os entrevistados demonstraram maior confiança nos Estados Unidos.

    Segundo a pesquisa:

    21,8% consideram os EUA “muito confiáveis”;

    12,6% atribuem a mesma avaliação à China.

    A diferença supera nove pontos percentuais.

    O estudo também aponta que a confiança na China caiu quase 20 pontos percentuais em comparação com 2017, período em que as relações comerciais entre os dois países continuaram avançando.

    Segundo os pesquisadores, o resultado mostra que laços econômicos e alinhamentos políticos seguem caminhos distintos.

    “A fronteira agrícola vende para a China sem confiar nela e confia nos Estados Unidos sem depender deles comercialmente. A pesquisa mostra que confiança política e dependência econômica são coisas distintas e seguem lógicas diferentes”, afirmou Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores do estudo.

    Leia mais: Robôs de ordenha transformam a pecuária leiteira

    União Europeia gera percepção dividida

    A pesquisa também avaliou como os entrevistados enxergam as exigências ambientais da União Europeia para produtos agrícolas.

    De um lado, 74,3% acreditam que atender às normas ambientais europeias fortalece a reputação internacional do Brasil.

    Por outro:

    66,9% afirmam que as exigências reduzem a competitividade dos produtos brasileiros;

    61,5% entendem que as regras atendem principalmente aos interesses econômicos da própria União Europeia.

    Segundo os pesquisadores, essas avaliações não são contraditórias.

    A interpretação é que o setor vê as exigências como uma condição necessária para manter acesso a um mercado estratégico, mesmo sem compartilhar integralmente os valores defendidos pelo bloco europeu.

    Fronteira agrícola tem perfil mais conservador

    O levantamento também traçou um panorama político dos moradores da região.

    De acordo com os dados:

    83,5% se identificam como de direita ou centro;

    16,5% se declaram de esquerda.

    A pesquisa aponta ainda que:

    55,9% acreditam que o governo interfere excessivamente na vida das pessoas;

    64,3% avaliam que a regulação estatal gera mais efeitos negativos do que positivos para os negócios.

    Segundo os autores, essas percepções influenciam a forma como a população da fronteira agrícola avalia parceiros internacionais como Estados Unidos, China e União Europeia.

    Peso político do agro pode crescer

    O estudo destaca ainda o aumento da relevância eleitoral da fronteira agrícola brasileira.

    Os estados que compõem essa região representam aproximadamente 15% do eleitorado nacional.

    Para os pesquisadores, esse crescimento pode ampliar a influência das preferências regionais nos debates sobre política externa e nas relações do Brasil com Washington, Pequim e Bruxelas.

    “Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, concluiu Matias Spektor.

    Leia mais: Frutas em miniatura conquistam produtores e consumidores

  • Carne bovina dispara e rebanho atinge menor nível em 75 anos

    Carne bovina dispara e rebanho atinge menor nível em 75 anos

    A carne bovina nos Estados Unidos vive um cenário de alta persistente, sustentado por uma combinação de oferta apertada e restrições sanitárias. O USDA informou que o rebanho norte-americano caiu para 86,2 milhões de cabeças em 1º de janeiro de 2026, o menor patamar em 75 anos.

    A redução do plantel limita a reposição de animais para abate e mantém a indústria sob pressão. No mesmo relatório, o governo americano apontou 27,6 milhões de vacas de corte. Uma queda de 1% ante o ano anterior, além de um recuo de 2% na safra de bezerros e de 3% nos animais em confinamento.

    As restrições sanitárias também pesaram sobre a oferta. Em fevereiro de 2025, o USDA retomou as importações de gado e bisões do México sob um novo protocolo, depois de suspender os embarques em novembro de 2024 por causa da deteção de New World screwworm no sul do país vizinho.

    Na prática, esse ambiente reduz o fluxo de animais para os frigoríficos e sustenta a valorização da carne ao longo da cadeia. O resultado aparece no bolso do consumidor e reforça a possibilidade de mudanças nos fluxos internacionais de carne e gado, com impacto direto sobre comércio, consumo e preços.

  • Parasita “comedor de carne” ameaça pecuária dos EUA

    Parasita “comedor de carne” ameaça pecuária dos EUA

    Parecia um problema enterrado nos livros de história da pecuária. Mas ele voltou. E voltou fazendo barulho.

    A reaparição do verme conhecido como bicheira do Novo Mundo, um parasita capaz de consumir tecido vivo de animais, colocou autoridades sanitárias e pecuaristas dos Estados Unidos em estado de alerta. Casos recentes registrados no sul do país reacenderam um temor que há décadas não rondava os ranchos americanos.

    O parasita, chamado cientificamente de Cochliomyia hominivorax, deposita seus ovos em feridas abertas. Quando as larvas eclodem, começam a se alimentar da carne do hospedeiro ainda vivo. O processo é rápido, doloroso e, se não houver tratamento imediato, pode levar o animal à morte.

    A descrição parece saída de um filme de terror. No campo, porém, ela é bastante real.

    Como a bicheira do Novo Mundo ameaça a produção

    A bicheira foi considerada erradicada dos Estados Unidos no fim do século passado, após um longo e custoso programa de controle biológico. Por isso, o surgimento de novos casos despertou preocupação não apenas sanitária, mas também econômica.

    O alerta ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. Os Estados Unidos atravessam o menor ciclo de oferta de gado em mais de 70 anos, consequência de secas prolongadas, custos elevados de produção e redução do rebanho. Nesse cenário, qualquer ameaça adicional ganha proporções ainda maiores.

    Além das perdas diretas nas fazendas, o temor é de que o avanço da bicheira provoque restrições sanitárias, aumente os custos de manejo e pressione ainda mais os preços da carne bovina. Nos Estados Unidos, o valor da proteína já opera em níveis historicamente elevados.

    Autoridades reforçam vigilância sanitária

    As autoridades intensificaram a vigilância em regiões de fronteira e reforçaram protocolos de inspeção em propriedades rurais. O objetivo é identificar rapidamente novos focos e evitar que o parasita encontre condições favoráveis para se espalhar.

    Para os pecuaristas, o episódio também funciona como um lembrete de uma velha máxima do campo: ameaças sanitárias raramente dão aviso prévio.

    Enquanto os técnicos ampliam o monitoramento, produtores acompanham cada novo boletim com atenção redobrada. O inimigo é pequeno, quase invisível a olho nu. Ainda assim, seu potencial de causar prejuízos bilionários faz dele uma das maiores preocupações da pecuária americana neste momento.

    Efeitos podem ultrapassar as fronteiras dos Estados Unidos

    Em um mercado global cada vez mais conectado, o que acontece nos pastos do Texas dificilmente fica apenas no Texas. Os desdobramentos do surto podem repercutir nas cadeias internacionais de carne, influenciar o comércio global e acender um sinal de atenção também entre produtores e exportadores brasileiros.